sexta-feira, 30 de março de 2012

Traição virou moda?




A felicidade está sempre ligada ao que mais queremos. Mas parece que sempre queremos mais. Quem não quer ter uma pessoa fiel em sua vida?

Existem coisas que não tem preço. A fidelidade não tem preço! Quem encontra uma pessoa fiel encontra um tesouro, não resta dúvida disto.

Antigamente trair era quase o fim do mundo. Se uma pessoa traísse todo mundo ficava horrorizado.

Hoje ninguém acha que trai. As pessoas só ficam e ficar ficou comum. Então ficar não é visto como uma traição, porque vai lá, fica, volta, toma um banho legal e pronto, não aconteceu nada demais!

Não sei como isto se desenrola nas cabeças, sei que alguns valores ainda persistem para muitas pessoas.

Já contei aqui que cresci vendo meu pai trair minha mãe. Olhinhos de crianças vêem tudo embora os adultos não percebam muito bem isto.

Podemos até dizer que quem é traído é traído porque quer. Se a pessoa sabe que é traída e continua no relacionamento está pagando para sofrer. Com tanta gente neste mundo porque alguém vai querer ficar tomando chifre? Parece coisa de sofredor, ao menos temos essa impressão!

Quer dizer, o sofrimento pode ser evitado ou alimentado. Engraçado que todo mundo sabe disto, mas a gente sempre escuta alguém falando:

“Eu fico por que amo.”

Ama o quê? A pessoa que coloca chifre nela?

Trair é uma falta de respeito. É falta de lealdade e falta de consideração para com o outro.

Sim meninas, sei muito bem que muitas de vocês vivem ao sabor do vento e que dão o troco sim, porque quem coloca bola nas costas merece receber o mesmo tratamento.

Ai! Ai! Querem saber? Nunca gostei daquela coisa de dar a outra face. Toma um tapa e vira o rosto para tomar outro? Que isto? Nem pensar! Desculpem-me, mas existem coisas que acho demais!

Sei que meus valores são antigos já que a fidelidade é uma das maiores qualidades que um ser humano pode ter. Pessoas leais hoje em dia nós temos que procurar com uma lupa (Risos). Mas elas ainda existem, apenas são mais difíceis de serem encontradas.

Fidelidade não tem nada a ver com idade. Quem é fiel é fiel sua vida toda! Quem começa a trair cedo vai trair a vida toda.

Espere! Também não é assim, afinal “Toda regra tem sua exceção.” Isto é verdade, mas em linha de regra, dificilmente pau que nasce torto desentorta.

Tem gente que não é fiel porque foi traída e acha que todas as pessoas que passam pela sua vida são culpadas daquele chifre que tomou. Por isto trai todas tentando atingir a que a traiu e nem faz mais parte da sua vida.

Tem gente que trai para se vingar. “Bateu valeu.” Se levar um chifre mete outro para dizer: “Aqui não violão.” Se colocar, toma! Essas pessoas nem nasceram para trair, mas elas não aceitam a traição sem deixar claro sua indignação.

Tem gente que não é fiel porque não nasceu para ser fiel e acha certo trair e isto para elas não se discute. Trai mesmo e não sente o menor remorso.

Tem gente que trai porque não tem no relacionamento o que precisa ter. Por isto que digo que sexo é como café da manhã, se falta o cafezinho, a pessoa fica com fome e vai se alimentar fora de casa.

Tem gente que trai porque é gulosa mesmo, porque não tem nada que chegue para ela, quanto mais pessoas tiver, melhor! Essa fome não acaba nunca!

Tem gente que não admite perder, então se é traído dá o troco para ficar igual. Só trai se for traído, perder nunca, não fica nem para trás e nem na frente. Não precisa ganhar nem perder, só deixa o jogo empatado.

Tem gente que nunca traiu, mas vive com a traição na mente. Elas foram traídas, e se arrependem eternamente por não terem dado o troco quando foram traídas. Isto não sai da mente delas, e elas não se libertam para serem felizes. Não traíram, mas vivem com a angústia de não ter dado o troco!

Tem gente que nunca traiu e depois que foi traída passa a ter horror da traição. Essas são em geral as pessoas que nunca irão trair. Porque sentiram na pele e aprenderam com a dor!

Não acredito que quem ama traia. Se trai é porque aquele amor é questionável. Talvez aquele amor não tenha se tornado um todo ainda ou a pessoa não tenha muita noção dos seus reais sentimentos.

Existe uma coisa que as pessoas só aprendem quando amam. O amor ensina e muda a forma de ser delas. Em um coração só cabe um coração. Não dá para ter dentro do coração uma, duas, quatro ou mais pessoas.

Essas pessoas que tem dois, três e até mais de quatro relacionamentos ao mesmo tempo com certeza deixam a desejar em todos eles. Quem vive relacionamentos dentro do padrão, ou seja, você + ela = duas pessoas, já é difícil administrar o tempo, imagine quem tem mais relacionamentos ao mesmo tempo? Principalmente porque o desejo nunca é igual, ou ele é menor ou maior. Uma pessoa sempre vai ficar mais satisfeita que a outra. Uma sempre vai receber mais e as outras vão receber de menos.

Na hora que estamos comendo um bifé é até fácil dividi-lo, mas dividir a nossa mulher ai o trem pega! Ser generosa é uma coisa, ser trouxa é outra!

As pessoas de fibra não aceitam a traição justamente porque não é algo que se encaixa na vida delas. Não encaixa por quê? Por que trair é vilania! Uma das melhores respostas para uma traição é o desprezo! Desprezar fere mais do que trair. Porque o desprezo é uma ação quase sem ação. Você pode desprezar uma pessoa até mentalmente. Você simplesmente deixa de enxergar aquela pessoa. Ela deixa de existir. Virá um ser ínfimo, desnecessário e sem valor.

Pode não existir nada melhor que uma boa vingança, mas a vingança não é própria de nós. Não é uma arma que temos que usar na nossa vida. A vingança é papel da vida! Quem vinga para nós as traições que sofremos, é à roda da vida.

O problema é ter paciência de esperar que a roda gire. Mas ela gira e mais rápido do que imaginamos.

Basta seguir com sua vida e apreciar os acontecimentos que o inesperado é capaz de criar.

Tenham um ótimo final de semana!

Astridy Gurgel

quarta-feira, 28 de março de 2012

Uma Loucura - Namorando Ao Ar Livre.





Como se fosse sem sentido ou sem motivos, veio àquela nuvem arrastando sonhos, espalhando as emoções e permeando suas verdades.

Estava agora uma brisa que pairava sobre a moça que deixou seu casaco a beira da montanha para deitar nos braços de sua amada na grama fofa.

Envolvidas num abraço, elas beijaram-se, as bocas secas, quentes e sedentas buscando os lábios trêmulos do desejo que guardaram por todo o dia.

Suas mãos deslizavam em suas carnes, pelas peles, levantando as saudades que guardavam nas suas mentes.

Seus corpos desnudando-se... Iam deixando voar as roupas, todas, até as peças íntimas que formavam uma trilha ao pé do monte.

Seus olhos encontraram-se quando os lábios decidiram deter o beijo que quase não tinha fim.

Ela deitou assim a amada sobre a grama, deitando-se sobre ela, enquanto sua boca deslizou pela sua carne que vibrava deliciando-se com a língua morna, que despertava arrepios, gemidos, rebolados e sensações inebriantes.

Seu corpo retesava à medida que a língua fazia seu traçado de fogo, ganhando as curvas até chegar ao ventre que esperava enlouquecido.

Ali a língua deslizou, fazendo morada de instantes, na vagina saborosa que ela oferecia em brasas.

Seu corpo queimava, sua alma fervia, seu sangue bombeava e ela sabia que só o que importava era dar todo o prazer necessário ao corpo de sua amada que estremecia dentro de sua boca.

Nada, nem a neblina, nem o céu escurecendo e nem os pingos de chuva deteriam aquela explosão que vinha nascendo nas entranhas daquele corpo tão amado.

Aconteceu! A explosão aconteceu quando a vagina entregue, livre e ansiosa relaxou gozando longamente contra sua língua.

Ela sorriu deitando ao lado dela, sussurrando palavras doces e amáveis.

Enquanto seus braços a puxavam contra seu corpo, numa necessidade de protegê-la da chuva fina que caia sobre elas.

Assim, abraçadas elas adormeceram. Ao pé da montanha, envoltas na neblina, recebendo os pingos de chuvas e completamente nuas.

Astridy Gurgel


Conto - Chega de traição! - Capítulo VI




Cássia também não tocava no assunto daqueles encontros com suas exs. Daniela sabia que ajudava com seu silêncio. Se tocasse no assunto ela não poderia fugir como vinha fazendo.
Vanda retornou e Daniela voltou a frequentar a faculdade. A noite ela ia a casa de sua amiga Márcia pegar as matérias que perdeu quando faltou as aulas. Márcia era uma Espanhola muito agradável e se tornaram amigas desde o primeiro dia de aula na faculdade. Também era lésbica, tinha uma namorada Brasileira e era feliz com ela. Cássia dava ataques por causa disto. Daniela ignorava seus protestos tolos. Ela tinha ciúmes até da sua sombra, mas não tinha motivos para isto.
Também ia pouco a sua casa e se ficava um pouco mais, ela logo começava a ligar deixando todos tensos. Talvez ficassem tensos por perceberem que Daniela não se importava com aquele chamado desesperado pelo telefone.
Ninguém dizia nada dela estar dormindo fora de casa. Uma ou duas vezes por semana, Daniela deixava Cássia adormecida voltando para seu quarto.
Ainda assim Cássia achava pouco o tempo que lhe dava. Queria que ela ficasse agarrada a ela dia e noite. Daniela não cedia e brigavam por essa razão. Essas brigas terminavam irremediavelmente na cama. Como a última pelo tempo que Daniela passou na casa de Márcia recuperando as matérias perdidas.
Cássia começou a reclamar quando ela entrou naquela noite.
- Você prefere se agarrar aos malditos livros do que ficar comigo. Fico sozinha muito tempo. Te espero e você demora horas. Não sei mais o que faço. Essa sua amiga é lésbica e isto me enlouquece se quer saber a verdade! – Falava andando pela sala.
Daniela virou as costas indo para o quarto. Lá pegou sua bolsa começando a preparar tudo para ir embora.
Cássia surgiu parando diante dela fora de si.
- O que você está fazendo?
Daniela continuou como se não a ouvisse. Cássia tomou a bolsa de sua mão virando tudo sobre a cama.
- Você não vai sair daqui!
- Não? Por quê não?
- Não! Não vai! Não seja criança! Cresça! Estamos conversando.
- Você não está conversando, está gritando...
- Não sei onde estava com a cabeça quando me envolvi com uma mulher de vinte anos, só podia dar nisto.
- ...
- Eu odeio sentir ciúmes e não gosto de brigar. Mas você não fala comigo. Fico louca quando não responde.
- Você briga à toa...
- À toa? Meu Deus! Você estava na casa de outra mulher até tarde, mas droga! Acha que sou insensível? Você é minha namorada, que coisa! Droga! Droga! Droga!
Era namorada dela? Curioso! Era curioso não ter sido informada sobre aquele assunto, Daniela pensou admirada. Quando tinha sido pedida em namoro que não percebeu?
- Para que esse chilique Cássia!
- Chilique? Mas era só o que me faltava! Depois reclama que eu brigo.
Daniela suspirou olhando-a fixamente.
- Não se preocupe, volto quando você estiver no seu estado normal.
- Estado normal? Você me deixa assim e ainda tem coragem de dizer isto? Estou sempre no meu estado normal...
- Não deve estar no seu estado normal não! Aliás não sei qual é seu estado normal! Sabe por que? Acho um absurdo você ficar nua aqui no escritório. Principalmente na frente de Vanda! Ela é obrigada a ficar vendo você pelada? Coisa mais indecente! Não acreditei o dia que te vi pelada na frente dela! Ela não têm que aguentar isto não! Isto pode ser visto como assedio, viu! Acho isto totalmente ante profissional da sua parte.
- Você está me julgando? – Cássia perguntou se inflamando de raiva – Fico nua onde eu quiser! O escritório é meu e o corpo é meu!
- Certo! O corpo e o escritório são seus! Você pode até achar que pode ficar nua onde quiser, mas não dentro do escritório! Me ajuda, ai, né! Por que isto é, é... à moral! Acho ridículo se quer saber! Essa sua postura é uma vergonha! Até essa cama aqui no escritório é um desproposito! Por que tem que transar aqui? Aqui não é motel! Não tem seu apartamento? Que coisa mais sem lógica!
- Não acho que isto seja da sua conta...
- Ora mas se eu trabalho aqui, e você volta e meia está me arrastando para a cama é da minha conta sim! Tem hora para tudo. Ou você não sabe que tem hora para trabalhar? Tem hora para namorar e hora para ficar nua?
- É mesmo? Quem mais vai me julgar? Vanda? Meus irmãos? O mundo? Todos os advogados que souberem que eu não controlo meu desejo por você? Por que julgar meu comportamento é muito fácil, não é?
- Faça um favor a você mesma, tire está cama daqui e pare de andar nua na frente da sua secretária. Você não é louca, pense melhor no seu comportamento. Uma advogada séria agindo assim é no mínimo uma vergonha para a classe dos advogados... Eu, veja bem, eu quando me tornar advogada jamais terei um comportamento como este seu. Desleixado! Deselegante! Vergonhoso! Vexatorio! Incorreto! Vulgar! É vulgar você sabe, não é? Por que eu não senti tesão nenhum quando te vi nua na sala de espera...
- A droga da porta do escritório fica trancada! Os clientes tem que tocar o interfone para entrar...
- E daí? Mas porque que Vanda tem que ver sua bunda? Ora faça-me um favor, tenha modos, que coisa mais... Mais, ah ô, acho o fim!
- Deixa de ser chata Daniela! Quem é você para me dar lições de moral?
- Eu sou normal, está bom? Apenas isto! Agora vou embora por que estou cansada e não vou ficar aqui perdendo meu tempo com essa briga sem sentido...
- Você não vai sair daqui Daniela! – Respondeu barrando o caminho dela.
Daniela sentou na cama sentida. Aquelas brigas eram um inferno! Não sabia se iria aguentar viver daquele jeito.
- Daniela? Eu não queria brigar com você – Falou sentando perto dela e segurando seu ombro – Você sabe que fico louca de ciúme, não é? Às vezes nem me dou conta do que estou falando. Por isto acabo dizendo tantas bobagens. Mas quando você não está aqui morro de saudades. Nossa! Acho que você nunca falou tanto como falou agora. Se você não quer mais a cama aqui eu vou mandar tirar ela daqui – Prometeu erguendo o queixo dela e buscando sua boca com paixão. Daniela ergueu os braços enlaçando seu pescoço e caindo na cama com ela.
Numa rapidez incrível Cássia tirou suas roupas enquanto Daniela se livrava das dela.
- Não suporto brigar com você – Cássia confessou rasgando a calcinha dela.
- Ai... – Daniela gemeu quando ela abriu suas pernas passando a língua em seu sexo.
- Estava louca para te sentir – Cássia falou gemendo entre as pernas dela.
- Me sente...
A língua entrou deslizando enlouquecida na grutinha quente. Daniela girou o corpo mergulhando nela também. Juntas assim perderam-se uma na outra excitadas. Quando explodiram de prazer, Daniela aninhou-se nos braços dela confessando baixo.
- Não gosto quando você briga assim Cássia. Não brigue mais, por favor!
- Eu sei, desculpe! É que você não chegava e fui ficando ansiosa. Fiquei que não me aguentava, ai quando vi já estava te ligando e só falei besteira.
- Não olho para outras mulheres. Não precisa sentir ciúmes.
- Não olha é? Curioso isto você sendo lésbica. Quero dizer, nós lésbicas olhamos para uma mulher até sem perceber.
- Ainda estou me familiarizando com essa minha realidade.
- Sua orientação sexual Daniela. Quando mais rápido se aceitar mais feliz você será.
- Sim, andei lembrando de umas coisas ontem.
- Que coisas?
- Nunca gostei de brincar com minhas bonecas.
- Isto é clássico! Um dos maiores sinais.
- É. Li sobre isto.
- O que mais?
- Tive uma amiguinha na pré-escola que adorava. Não a largava. Detestava quando ela conversava com as outras alunas.
- Você a queria só para você?
- É isto mesmo.
- Está vendo?
- Vejo sim. Lembrei que fiquei aguada quando minha baba saiu para casar. Chorei semanas querendo que ela voltasse.
- Ainda bem que lembrou dessas coisas. Porque tem lésbica que fica perdida sem entender sua orientação. Não sabe porque gosta de mulher. Tem algumas que fazem analise por anos. E as que pensam que são doentes? Tudo por falta de esclarecimento ou mesmo por não se conhecerem profundamente.


A vida voltou a seguir. Daniela agora atendia alguns clientes adorando a nova fase no escritório. Mesmo que ela não fosse defender o caso, era ótimo pegar a causa e aprender a trabalhar nela. Cássia estava sempre por perto orientando e participando nas conversas dela com clientes novos. Ela se sentia protegida e segura quando isto ocorria. Depois Cássia lhe dava a liberdade de dar seguimento a um caso até o dia de irem a audiência com o Juiz. Então sentava lá acompanhando Cássia brilhar ganhando a causa. Sentia cada vez mais orgulho e admiração pelo trabalho dela. Em sua mente de admiradora, apostava com qualquer pessoa que ela era uma das melhores. Sua admiração era tamanha que não distinguia dos sentimentos que a cada dia aumentavam dentro dela. A admiração era tão forte, que chegava a se emocionar enquanto viajava nas defesas de Cássia diante dos juízes e juízas. Sentia vontade de aplaudi-la quando ela terminava suas defesas. No entanto se continha voltando emudecida com ela para o escritório. Logicamente bem no seu íntimo sabia que era um absurdo pensar que Cássia era uma das melhores advogadas. Ela era uma excelente advogada, essa era a verdade! Nada mais que isto.
Daniela era quieta por natureza. Não apreciava ir para as baladas como as moças da sua idade. Com seu jeito reservado, ainda estranhava aquela explosão que teve com Cássia pelo fato dela ficar nua no escritório. Aquela explosão tinha surpreendido a ela própria. Mas tinha surtido efeito, porque Cássia não apareceu mais nua na frente de Vanda e mandou retirar a cama do escritório. Agora elas dormiam no apartamento dela e só transavam lá.
Quando Cássia não exigia sua presença ou não a convidava para a cama, aproveitava o tempo livre para estudar. Aquela sede de saber aumentava a cada dia mais dentro dela.
Assim os meses passaram calmos e tranquilos. Cássia andava mais calma e menos ciumenta.
Embora Daniela ficasse pouco com sua família, sempre passava por lá para ver a mãe e os irmãos.
Ela nunca se sentiu tão mulher como se sentia agora. Sentia-se viva e profundamente apaixonada por Cássia.
Quatro meses mais tarde, aquela calmaria desmoronou numa sexta-feira quando Cássia a convidou para ir dançar numa boate gay. Daniela não queria ir. Assim como as crianças agem, ela chegou a emburrar para não ter que sair, mas não teve jeito, Cássia insistiu até que foram.
A princípio estava tudo bem. Beberam e dançaram algumas músicas. Nessa noite Cássia estava super animada, tanto que Daniela estranhou seu comportamento.
Enquanto dançavam Daniela percebia que ela olhava para uma ou outra mulher que passava perto delas. Seu coração começou a ficar apertado. Sabia que Cássia nunca tinha confessado o que realmente sentia por ela. Mas acreditava que ela sentia algo muito forte. Acreditava que como ela, Cássia também estava bastante apaixonada. Não sabia porque ela não falava sobre sentimentos, mas como também não era de falar dos seus, não cobrava nada neste sentido.
O que elas viviam era delicioso, especial e muito intenso. Praticamente moravam juntas. Dormia quase todas as noites no apartamento no centro da cidade com ela. Nem se quer estranhou o fato dela não ter feito questão de apresentá-la para o irmão e a irmã, afinal, também não quis apresentá-la para a irmã, para o irmão e para a mãe. Achava que a relação que elas tinham estava segura assim sendo um segredo apenas das duas.
Daniela nunca tinha pensando nessa coisa de segurança num relacionamento, provavelmente por nunca ter vivido nenhum. Aquele era seu primeiro namoro e sua primeira paixão. Era tão inexperiente, que aqueles olhares de Cássia para outras mulheres a deixaram completamente abobada e confusa.
O que ela sabia, a única certeza que tinha é que ali naquele lugar só lhe interessava Cássia. Nenhuma mulher lhe chamava atenção porque não conseguia deixar de adorá-la com seus olhos lindos e apaixonados.
Pararam de dançar voltando para a mesa. Cássia pediu mais uma rodada de drinques olhando em volta. Seus olhos vagavam por todas as mesas de forma curiosa.
Daniela chamou sua atenção perguntando incomodada.
- Está procurando alguém?
- Não! Só estou olhando as pessoas. Tem tanta lésbica que eu nunca tinha visto aqui. Como tem lésbica neste mundo.
- Não reparo nas pessoas – Respondeu acariciando a mão dela por cima da mesa.
- Sei que você não repara, mas admita que o que “é bonito é para ser visto.” Como que não vamos admirar a beleza das mulheres? – Cássia perguntou divertida.
- Você é tímida demais, deve ser por isto. Sente vergonha de olhar o corpo de uma estranha. Ora, mas tem cada mulherão que só se fossemos cegas. Não estou dizendo isto para você ficar olhando outras mulheres não, porque nem vou gostar se você fizer isto. Só estou comentando com você.
- Mas você está olhando o corpo de outras mulheres – Daniela comentou sentida.
- Eu? Claro que não estou olhando mulher nenhuma com desejo Daniela. Desejo só sinto por você querida. Entendeu?
- Entendi.
Só sente desejo por mim? Será mesmo? Se fosse não estaria comendo o corpo de outras mulheres com os olhos. Sem vergonha!  Está agindo como uma sem vergonha. Não devia ter saído de casa. Estava adivinhando aquilo. Lógico! Algo em seu íntimo lhe disse para não sair e a prova disto estava acontecendo diante de seus olhos.
Cássia sorriu comentando com ela neste instante.
- Vou ao banheiro, não demoro!
Daniela suspirou olhando as próprias mãos. Bebeu distraída seu drinque. Não olhava para ninguém. Uns cinco minutos depois olhou para o relógio incomodada.
Uma moça apareceu neste momento pedindo seu isqueiro emprestado. Ela estendeu o isqueiro sem olhar no rosto dela.
A moça perguntou direta.
- A mulher que está com você é sua namorada?
Daniela olhou na direção do banheiro incomodada sem responder.
A mulher devolveu o isqueiro insistindo maldosa.
- Ela está demorando lá no banheiro não acha?
Desta vez Daniela suspirou profundamente perturbada com a presença da estranha ao lado dela.
- Não tenho nada com isto, mas você é bem novinha, não acho que conheça as sacanagens que rolam nos banheiros das boates. Nem tem fila lá na porta do banheiro.
Daniela olhou para ela neste momento com a expressão fechada. A moça sorriu piscando para ela.
- Você é uma gracinha!
- Não estou disponível! – Daniela respondeu impaciente.
- Nem sua namorada deveria estar!
Ao ouvir isto Daniela praticamente saltou da cadeira. Foi na direção do banheiro cega pela desconfiança que as palavras da mulher colocaram em sua cabeça. Nem precisou abrir a porta. Uma moça estava saindo. Diante da porta aberta, viu Cássia e uma mulher se agarrando num canto. Daniela não conseguiu se mover. Travou a porta com o pé numa atitude quase inconsciente.
Cássia estava com a mão de baixo do vestido dela. Via-se claramente que estava tocando nela de forma íntima. Elas se beijavam ignorando as mulheres que entravam e saiam dali.
A música estava alta demais para que pudesse ouvi-las, mas não conseguia parar de olhar completamente incrédula. Seu estômago começou a revirar. Ela se sentia para morrer. Mil coisas passavam por sua cabeça. Pensou em entrar e arrancar Cássia dos braços daquela mulher, mas se conteve.
Virou arrasada voltando para a mesa desolada. Sentou olhando em volta admirada. Casais de homens e mulheres dançavam animados. A alegria daquelas pessoas destoava completamente do seu estado de espírito. Estava aos arrastos! Estava mortalizada. Uma vontade de sair correndo dali tomou conta dela. Mas não saiu e nem se moveu. Viu algumas mulheres beijando na boca. Nas mesas os casais trocavam carícias ousadas.
O que era aquilo? Que tipo de lugar era aquele que as pessoas faziam intimidades na frente de todo mundo? Seu estômago embrulhava cada vez mais. O que estava acontecendo com ela? O mundo tinha acabado de desabar. Cássia não era apaixonada por ela? Só estava com ela por sexo? Desde o início ela só queria seu corpo? Nada além do seu corpo?

Continua...


terça-feira, 27 de março de 2012

Hoje



Fico sorrindo sozinha quando recebo alguns e-mails dizendo que sumi aqui do blog. Fico sorrindo porque se meu PC ficar dezesseis horas ligado, todo este tempo fico com o blog aberto.

Queria dizer para vocês que lêem meus contos e textos que não sou forte o tempo todo.

Também acordo triste e também tenho meus momentos difíceis.

Sei que algumas de vocês ficam pensando que sou diferente porque lido bem com os problemas, porque supero seguindo em frente como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Só que não é tão fácil, não é sem dor e muito menos sem decepções.

O que acontece é que tenho dentro de mim a certeza de que nenhuma dor é muito longa.

Que nenhuma perda é irremediável.

Que nenhuma desilusão é capaz de matar meus sonhos.

Mesmo quando estou chorando sei que minhas lágrimas vão secar antes mesmo que eu perceba.

Quando estou muito triste sempre acho a vida muito triste.

Só que sei separar nestes momentos a minha tristeza da tristeza da vida.

Quando fico triste mesmo, quando estou me acabando de chorar aparecem sempre umas perguntas na minha mente.

Por que estou chorando se tenho tanta saúde e muita gente nem isto tem?

Por que estou chorando por causa de alguma mulher se ela não merece minhas lágrimas?

Por que estou chorando se sei que amanhã vou sorrir?

Por que estou fazendo isto comigo se a felicidade está em algum lugar escondida dentro de mim?

São na verdade inúmeras perguntas de comparação que vou fazendo até minhas lágrimas secarem. O que faço na verdade é ocupar minha mente. Em vez de ficar pensando nas razões que me fazem chorar, penso nas razões pelas quais não devo ficar chorando.

Perdi alguma parte do meu corpo? Sofri um acidente? Perdi amigos? Parei de ter esperanças? Ganhei um fora? Perdi algum objeto de valor? Fui traída? Morreu alguém da minha família de novo? Fui roubada? Acreditei em alguma mentira?

Não! Nada disto aconteceu. Então o choro não tem muito sentido.

A única coisa que acho ruim de ser sensível é isto, é sofrer demais quando a tristeza chega. Mas o melhor de tudo é que depois de um tempo a tristeza vira nossa velha conhecida, assim, dá para dar uma volta nela e mandá-la embora.

Porque para tudo tem um tempo. Tem o tempo da alegria e o tempo da tristeza e nunca devemos deixar que a tristeza fique tempo demais, porque a alegria costuma ser muito ciumenta.

“É melhor ser alegre que ser triste.” Já dizia meu poeta favorito, Vinicius de Moraes.

Mas comecei falando que muitas de vocês costumam me dizer que estou sumida aqui do blog, mas isto é porque vocês não sabem como é a minha rotina. Geralmente estou trabalhando em várias histórias ao mesmo tempo.

Neste momento não estou mais trabalhando a advogada Cássia que escandalizou algumas de vocês ao ficar nua no escritório na frente da sua secretária.

Neste momento uma outra personagem está vivendo um drama em algum lugar no Rio de Janeiro.

Amanhã outra personagem vai começar um relacionamento com a mulher que a intriga. Talvez a noite um segredo seja revelado em outra história. São personagens e mais personagens que sentem, que amam, que sofrem, que anseiam, que esperam ou vão embora e eu tenho que ficar correndo de uma para a outra. Para ver se a que foi embora vai voltar, se a que magoou será perdoada, para ver se a que esconde seus sentimentos já está preparada para confessar seu amor e por aí vai. Cada vez que entro em uma personagem diferente, preciso ter um cuidado extremo para que os sentimentos dela não se confundam com os sentimentos das outras. É um corre corre, uma loucura de emoções e de vidas, que em alguns momentos preciso parar tudo, colocar um filme no DVD e assistir para desanuviar a cabeça por algumas horas.

Não sei como daria conta de fazer tudo isto se eu não tivesse o mínimo de organização. Porque trabalho em um conto pela manhã e a tarde em outro. Houve um tempo em que trabalhava apenas em um, só que agora isto ficou impossível.

Ao mesmo tempo sinto falta demais de escrever os textos. Minha cabeça parece uma salada de frutas. Mil coisas ficam bombardeando o celebro ao mesmo tempo. Escrevi um texto sobre isto logo que comecei este blog. Agora, depois de quase três anos me dou conta que tudo está como estava quando o escrevi. O nome do texto é Detendo Minha Mente.

Detendo Minha Mente

Preciso por um segundo deter minha mente. Deixar tudo quieto. Transformar-me em lagoa. Preciso ouvir meu silêncio. Sentir tudo quieto, sem fluxo, sem sinais, sem comandos. Ela está consumindo tudo. Invade meu coração esmagando sem piedade. Sangro pedaços dele, e sinto a dor me esmagando. Necessito que pare. Tudo invade de uma vez.

Vontades, pessoas, desejos, pedaços do tempo, aquele dia, à noite que cansei, os irmãos que perdi, o sobrinho que mudou, às lágrimas daquela tarde, a cama gelada, a chuva fria, os olhos tristes, à porta fechada, a saudade reprimida, a amante que partiu.

Tudo está vivo, latejando todo tempo. Não existe nenhum som mais alto que seu grito.

Tento ainda deter a degradação do meu coração. Seria possível se a mente deixa-se. Mas tudo volta e começa de novo.

A mente não para de ordenar:

Cante, corra, dance, ande, valorize, pule, volte, pense, vire, olhe, pare, beba, nade, aguarde, coma, leia, transe, trabalhe, não fume, desista, não beba, adule, não coma isto, compre, não fale, venda, não cante ninguém, ajude, não mate, faça sexo, faça seguro, molhe, não se vingue, leia jornais, compre um carro, não sonhe, salve à criança, deixe, não grite, beije, não magoe, seduza, fuja, não esqueça, viva, não desista, devolva, lute, não traia, espere, vacine, não lembre... Perdoe.

Tantas ordens e preciso de silêncio. Para ser por um segundo, somente lagoa.

Deus me ajude.

Então meninas eu estou aqui todo o tempo. Só que em alguns momentos estou tentando ser lagoa, apenas isto!

Presto muita atenção em tudo que vocês me dizem e gosto muito de saber que faço algumas de vocês mais felizes enquanto andam aqui pelo blog.

Imagino como deve ser complicado para algumas de vocês entenderem minha cabeça de autora.

É a segunda vez que uma leitora vem me dizer que uso linguagem chula em uma cena em que duas personagens vão para a cama.

Chula é baixa, é ordinária, etc. Para quê falar mais?

Bom, isto não me incomoda nem um pouco. Acho que na sexualidade, digo na nossa sexualidade, palavras não precisam virar tabus.

Se uma mulher acha a palavra “buceta” feia, é porque não gosta desta palavra, está correto?

Mas independente dela gostar ou não a palavra existe. E só pode ser escrita desta forma.

O dia que eu passar a me podar, que passar a podar minhas personagens, certamente não estarei sendo eu mesma. Sendo eu mesma sempre vou escrever as palavras como elas são e sinto muito se ao ler alguém vai se sentir mal ou incomodada.

Sempre que falarem que a linguagem é chula, com certeza vou respeitar, mas acho que nunca é tarde para romper horizontes.

Uma mente fechada, cheia de tabu vê baixaria até na palavra “Vagina.”

Agora se uma mulher não consegue pronunciar, ler ou ouvir a palavra que define exatamente uma parte do seu corpo, meu Deus, algo está muito errado com ela, e não comigo.

Tenham uma ótima noite!

Astridy Gurgel

segunda-feira, 26 de março de 2012

Continuamos...




Bom dia Meninas!

Segunda-feira é a continuidade... A gente acorda meio sem rumo, lamentando que tudo vai começar de novo, só que não começa nada de novo, só continuamos.

Depois que abrimos os olhos e tomamos aquele cafezinho para despertar, a jornada do nosso dia a dia continua.

Na padaria da esquina, em casa, no trabalho, tudo continua...

Porém, todos os dias acordamos diferentes, acordamos mais maduras e mais vividas.

Ninguém dorme ingênua e acorda mais ingênua. Por isto a vida é um despertar de nós mesmas. Principalmente quando conseguimos perceber isto.

Tenham um excelente dia e uma semana bem produtiva!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Conto - Chega de traição! - Capítulo V



Daniela estava novamente jogada no sofá da sala e o telefone não parava de tocar. Ela ouvia quieta sem mexer um único músculo do rosto. Neste dia além dela, estavam na casa somente a mãe e os empregados. A mãe passava pela sala vez ou outra olhando-a de relance. Os empregados que atendiam o aparelho faziam caras e bocas quando a ligação era cortada repentinamente. Daniela continuava imóvel olhando fixamente para a televisão sem ver nada da programação. Pensava em Cássia e naquele caso absurdo que elas tinham. Sabia que precisava dela, mas não aceitava deixar tudo de lado para ficar vivendo somente de sexo. Magoava que ela só desejasse isto, esquecendo seu amor pelo curso de direito.
Novamente o telefone voltou a tocar. Sua mãe apareceu na sala parando diante dela.
- Porque não atende logo este telefone filha? – Perguntou carinhosamente.
Daniela não respondeu. Continuou fumando enquanto a mãe atendia o telefone com um suspiro.
- Alô? Alô? Alô... Oh que coisa! Desligou na minha cara! – Falou séria voltando-se para Daniela – Estou certa que é para você. Vocês brigaram?
- Não – Disse sem encarar a mãe.
- Então como explica que fique ligando neste desespero para você?
- Deixe mamãe, vai cansar – Falou se erguendo e indo mudar o canal.
- Você nem está assistindo nada nessa televisão, que coisa Daniela! Ai! Filhos! – Lamentou deixando a sala inconformada.
Logicamente Cássia não se cansava de ligar, tanto que ligou a tarde toda e a noite sem parar.
Pedro e Samanta reclamavam enquanto Daniela permanecia olhando fixamente para a televisão sem dar ouvidos as queixas dos dois.
Mônica erguia os olhos do seu tricô vez ou outra sem dizer nada.
Às nove horas da noite quando o telefone voltou a tocar, Daniela saltou do sofá indo até o aparelho. Os irmãos suspiraram aliviados. Mônica aguçou os ouvidos, mas Daniela não atendeu. Ela arrancou o fio da tomada subindo para seu quarto sem dar explicações.
Mônica a olhou subindo por alguns instantes em silêncio. Neste ponto era parecida com Daniela, aliás, Daniela foi a única que a puxou na maneira silenciosa de ser.
- Mamãe? Que isto? Então essas chamadas são para Daniela? – Samanta perguntou curiosa.
- Não sei meu bem. Se for devemos deixar que ela resolvar os problemas dela sozinha.
- Só pode ser. Toda vez que o telefone toca ela suspira tensa. Além disto esse telefone só toca assim quando ela está em casa.
- Que estranho! – Comentou Pedro encarando Samanta – O que você está achando Samanta?
- Não sei, mas isto parece coisa de namorado. Nem sabia que ela namorava.


No dia seguinte o telefone continuou tocando e Daniela continuou deitada no sofá ignorando.
Na parte da tarde chegaram vários buquês de rosas para ela.
Mônica só olhava para a filha e foi assim que percebeu seus olhos cintilando. No entanto ela não deu o braço a torcer o dia todo.
Às oito da noite quando estavam jantando, o telefone voltou a tocar. Daniela afastou a cadeira e se ergueu pegando o aparelho ali mesmo na sala de jantar.
- Alô?
- Daniela? Graças à Deus que atendeu! Não desligue, preciso falar com você.
Daniela ficou quieta com o telefone apertado na mão.
- Vem me ver. Estou aqui te esperando. Vou ficar aqui todos os dias e se não vier...
Cássia parou de falar esperando que Daniela falasse alguma coisa, mas ela não falou.
- O que posso fazer para te convencer? Faço o que você quiser para que venha me ver. Você não entendeu porque fiz isto. Levou para o lado errado.
- Pare de ligar. Está incomodando minha família e a mim – Daniela pediu baixinho, mas todos ouviram.
- Então venha que eu paro! Quero falar com você. Se vier volto a advogar.
Silenciou por alguns instantes. Daniela pensou rápido perguntando mais baixo ainda.
- É uma promessa?
- Sim! Juro que é uma promessa. Venha agora!
- Irei – Respondeu desligando e voltando para a mesa silenciosa.
Ninguém disse nada. Os irmãos a olharam de uma forma diferente neste instante. Percebiam agora sentindo uma certa tranquilidade, que Daniela não vivia só para o trabalho e para os estudos como eles tinham imaginado.
A mãe não tinha a mesma tranquilidade dos filhos, pois temia por Daniela. Porque ela sabia o quanto a filha estava amando sem se dar conta deste fato.
Uma hora mais tarde Daniela abriu a porta com sua própria chave. Entrou olhando em volta no escritório. Só foi encontrá-la no quarto dos fundos. Cássia estava sentada na cama e se voltou erguendo quando a viu entrando.
- Graças à Deus que você veio! Você sabe como estou? Imagina como me deixou? Quase fiquei louca sem conseguir falar com você – Contou indo abraçá-la – Não me torture mais assim.
- Não ligue tanto, porque não vou atender – Falou tocando os cabelos dela mansamente.
- Vou voltar a advogar como prometi. Já liguei para Valdo e ele virá amanhã para resolvermos tudo. Teremos que nos virar sem Vanda porque viu que dei quinze dias de férias para ela.
Daniela sentiu um alívio imenso. Tinha que ser assim. Não podiam se alienar ao ponto de prejudicar clientes que nada tinham haver com suas vidas e seus desejos.
- Vou dar conta de tudo sem Vanda por perto. Quando ela voltar estará tudo como ela deixou.
Daniela sentiu a língua dela acariciando seu pescoço. Não conseguia mais fugir quando ela a tocava assim. Pressionou o corpo ao dela sentindo uma ânsia que nunca tinha sentido antes. Sua boca mergulhou na dela faminta. Cássia a puxou para a cama sussurrando apaixonada.
- Um dia você vai me entender. Vai saber como sou, como gosto de fazer. Você fica comigo, eu quero você. Preciso demais de você...
Precisavam-se, pensou Daniela, mas não confessou. Estava falando agora com seu corpo. Suas mãos acariciaram o corpo dela. Sua boca devorou a dela, passando para os seios que sugou enlouquecida até chegar entre as pernas dela. Ali buscou a grutinha trémula de desejo. Como podia estar adorando tanto chupar o sexo de uma mulher? Nunca se imaginou lésbica, que loucura tudo aquilo. Sugou o clítoris dela como se fosse um sorvete. Lambeu a bucetinha adorando o gosto e o cheiro que ela tinha. Nunca imaginou que a bucetinha de uma mulher fosse tão saborosa. Estava ficando tarada? Talvez sem vergonha! Pensava estremecendo cada vez mais de desejo por ela. Não iria conseguir voltar para sua casa, ia passar a noite transando com ela. Estava louca por ela, sim, admitia que pensava nela dia e noite. Que mal concentrava nos estudos lembrando dos beijos dela. Aquilo seria amor?
- Aiiiiiii...
Os gemidos dela eram deliciosos. Daniela continuou chupando-a agora mais rapidamente. A vagina dela tremia dentro de sua boca. Ela escorria deliciosamente inundando sua boca, seu queixo e pingando pela cama. Sentia o corpo dela começando a se contorcer. Viu que ela iria gozar rodeando o clítoris dela com a língua enquanto ela passou a gritar gozando profundamente.
- Ooooooo... Aiiiiiiiiii... Daniela aiiiiiiiiiiii...
Após gozar Cássia a puxou para cima de seu corpo beijando-a profundamente na boca. Então falou sorrindo feliz.
- Você aprendeu muito rápido.  Gozei deliciosamente, sabia?
- Sim.
- Gosta do meu gosto?
-
Que pergunta, claro que gostava. Ela era safada demais. Descarada era melhor para defini-la. Viu o olhar obsceno dela descendo pelo seu corpo. Sentiu a mão entrando em seu sexo gemendo sem se conter.
- Ah...
- Gosta que te coma assim?
Se gostava? Adorava! Como adorava. Ela gostava de falar coisas na cama. Tinha que começar a falar para agradá-la.
- Você não responde, mas vejo o quanto gosta, seu corpo demonstra, ele me conta tudo que te agrada.
- Ah...
- Adoro te comer. Você está encharcada.
Que falação! Queria a língua dentro de seu sexo. Queria ter coragem para falar. Iria falar. Iria pedir, mas como? Fechou os olhos rebolando os quadris para provocá-la e ver se ela a procurava com a língua.
- Você fica muito sensual quando rebola assim Daniela. Não aguento, ai, quer me deixar doida?
Queria sim! Queria deixá-la doida para que ela metesse a língua logo na sua bucetinha. Queria gozar na boca dela. Queria inundar sua língua. Queria que ela ficasse chupando sem parar. Ia ter que pedir, porque ela não entendia o convite que estava fazendo com os quadris. Que coisa torturadora era aquilo!
- Aiii...
- Adoro mulher safada na cama.
Oh! Cale a boca! Pensou agoniada. Queria que ela adorasse comer com a língua. Porque ela não parava de falar?
- Goza para mim, goza Daniela!
Daniela abriu os olhos falando sem aguentar.
- Quero gozar na sua boca.
- É? Que delícia! Pois vou te chupar muito.
Em fim, Daniela pensou rebolando na língua dela quando  passou a chupá-la com prazer. Aquilo sim era prazeroso. Aquela língua era a perdição. Perdia o juízo quando a sentia. Nossa! Tesão louco! Não estava aguentando, mas iria segurar um pouco, queria que ela a lambesse muito. Adorava! Iria pedir. Pedir era difícil. A língua estava chupando seu clítoris, mas não a queria parada ali. Voltou a rebolar a língua na boca dela para mostrar como queria.
- Oooo... Chupa, não estou aguentando mais, solta ele e chupa.
Cássia entendeu passando a chupar com agilidade. O corpo de Daniela começou a estremecer na hora. Ela soltou o corpo todo na boca dela gozando intensamente.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Oooooooooo...
Daniela dormiu com Cássia nesta noite. Durante toda a semana foi assim.
Aos poucos começou a se soltar na cama. Falava em Espanhol no ouvido de Cássia quando faziam amor deixando-a louca de desejo.
Em casa sentia o olhar da mãe cada vez mais atento sobre sua pessoa. Isto quando não estava mergulhada em lembranças que ninguém podia roubar dela.
Não estava indo para a faculdade porque com a viagem de Vanda tinha trabalho demais no escritório e precisava se desdobrar. A noite fazia amor deliciosamente com Cássia.
Vivia assim e estava adorando. Porém, quando saía com Cássia ficava sem jeito pois ela não era discreta. Recriminava seu comportamento, mas Cássia não ligava.
Daniela não fazia ideia do que eram aqueles sentimentos fortes que nutria por ela. Sabia que se realizava plenamente sexualmente. Embora falasse menos do que devia na cama, Cássia aprendeu a ler os movimentos de seu corpo conseguindo agradá-la sempre.
Também sabia que não podia passar sem aqueles momentos de prazer que tinham na cama.
Na segunda semana passaram a sair mais do que Daniela pretendia.
Na sexta-feira elas almoçaram perto do fórum para esperar por uma audiência.
Daniela comia em silêncio ouvindo Cássia atentamente. Ela estava falando sobre uma causa mais delicada na qual estavam trabalhando. Daniela podia sentir o olhar intenso dela sobre seu decote. Porém, disfarçava fingindo não notar para não atrair a atenção das pessoas sentadas nas mesas em volta. Aqueles olhos dela tinham um efeito devastador sobre seu corpo. Sentia a cada dia que não estava conseguindo controlar aquele sentimento intenso que sentia por Cássia.
Estavam terminando o almoço quando ouviu a voz de uma mulher chamando o nome de Cássia.
Daniela não se voltou e muito menos se moveu. Apenas pegou um cigarro acendendo com um ar distante.
A loura aproximou cobrindo o rosto de Cássia de beijos, sentando sem ser convidada.
- Querida, que saudades! Onde tem andado? Ligo para sua casa e ninguém me diz onde posso encontrá-la. Aquele seu irmão é bem grosso comigo!
Cássia forçou um sorriso olhando para Solange confusa. Só agora se dava conta do quanto ela era escandalosa e irritante.
- Quando vai me ver? Ainda tenho aquela camisola que você me deu guardadinha para usar para você – Falou tocando a mão dela por cima da mesa.
- Solange, eu...
- Oh! Não seja tímida! Te detesto tímida! – Sorriu pegando no queixo de Cássia – Sou sua gatinha, lembra?
Aquela conversa estava acontecendo diante dos olhos de Daniela, mas não parecia. Ela fumava olhando para as duas com um ar misterioso. Cássia estava branca e totalmente sem jeito diante daquele encontro inesperado.
Daniela sabia disto. Tinha certeza que ela não tinha combinado tal coisa. Mesmo porque tinha dito que gostava de mulheres francamente, então sabia que ela tinha tido outros casos pelos comentários que ouvia nos corredores da faculdade. Mas nunca imaginou uma mulher vulgar como aquela partilhando algo com Cássia.
- Na semana que vem Mirna vai dar uma daquelas festinhas que você adora. Vamos te esperar porque sem você não tem graça. Eu estou tão precisada – E aproximando a boca do ouvido de Cássia convidou alto – Não tem um minutinho para uma escapa? Tem um motel aqui perto e adoraria trepar com você...
- Puta!
Cássia e Solange se voltam para Daniela surpresas. Ela se ergueu pegando a pasta e a bolsa falando sem paciência.
– Você vai comigo ou vai trepar com essa puta?
- Hei sua atrevida não sou puta não viu! Eu...
- Tenho que ir Solange! Tchau! – Cássia cortou indo atrás de Daniela que já estava no caixa abrindo a bolsa.
- Espere! Deixe que eu pago! – Cássia entregou o cartão de crédito olhando para Daniela preocupada – Desculpe por aquilo, eu tive um caso com ela, mas é só, acabou!
- Percebi!
- Ela é meio indiscreta. Mas nunca mais a encontrei...
- Sei.
- Olha Daniela eu juro para você que depois que estamos juntas não saí com mais ninguém.
- Odeio esse tipo de coisa. Que mulher atrevida! Ela queria dar para você Cássia! Que absurdo!
- Pois é, desculpe!
- Por isto chamei de puta! Oh quer saber? Essa mulher não existe para mim!
- Nem para mim – Cássia respondeu pegando seu cartão de volta – Vamos sair daqui, vem?
Daniela a seguiu pensando que se não estivesse com Cássia, certamente o convite da descarada poderia até ser aceito. Do jeito que Cássia era doida com sexo ela aceitaria sim. Imaginou Cássia com aquela mulher e teve vontade de rir. Não era possível! Não acreditava que Cássia tinha aquele gosto para mulheres.
Porém acabou acreditando que ela gostava exatamente daquele tipo de mulher. Na semana seguinte cruzaram com mais cinco iguais aquela do restaurante. Eram assanhadas e sem noção. Metiam as caras mesmo na sua frente. Ignorava a presença daquelas mulheres por uma questão de auto-preservação. Cássia mal se cabia de falta de graça. Daniela aproveitava para observá-la. Não sabia que tipo de sentimento Cássia sentia por ela. Mas depois de conhecer cada uma daquelas ex dela, começou a pensar que era só mais uma na lista dela. Ela era para Cássia só um caso, um passatempo que duraria até que outra novidade despertasse a atenção dela. Não tinha o direito de condená-la por seu passado e nem o faria.
 
Continua …