Sinopse
A advogada Cássia Bastos não sabe o que é o amor. As mulheres passam por sua vida, como as nuvens passam no céu. Conquistadora incorrigível, quando quer uma mulher não sossega até conquistá-la.
A estudante de Direito, Daniela Teles acaba indo estagiar justamente no escritório desta conquistadora. A jovem de apenas vinte anos se vê envolvida numa sedução que ela jamais imaginou viver.
Este conto é uma viagem ao mundo lésbico. Sentimentos diversos, a conquista, a paixão, o amor e a triste realidade do estrago que a traição causa a um relacionamento, vão estar presentes a partir desta quarta-feira aqui no blog.
O conto é simplesmente uma história de amor. Não é um Livro de Direito!
Entretanto as personagens terão as suas profissões bem definidas dentro da história.
Espero não cometer erros. Se cometer, almejo que eles não comprometam toda história no julgamento de vocês.
Muito obrigada e tenham uma ótima leitura!
Se alguém desejar fazer algum comentário mais específico sobre a história, pode escrever diretamente para este e-mail:
astridy24gel@hotmail.com que responderei com todo o prazer.
Astridy Gurgel
Cássia Bastos balançou a cabeça, afastando os olhos do corpo maravilhoso de sua assistente de advocacia. Voltou a se concentrar na pasta que expunha a situação da empresa Matos. Aquela causa não seria difícil de ganhar no tribunal, isto desde que pudesse se concentrar nos fatos. Pensando assim, ergueu os olhos para Daniela Teles novamente. Admirou o corpo que sem dúvida nenhuma, era uma coisa de louco. A saia justa, acompanhada de uma blusa fina de javanesa, a deixava muito elegante.
Cássia engoliu em seco, quando seus olhos se detiveram no decote dos seios e mais abaixo no racho da saia provocante.
Daniela estava trabalhando com ela há dois meses. No dia em que a viu pela primeira vez, levou um grande choque. Quando solicitou à sua amiga, que lecionava na faculdade de Direito, que lhe conseguisse uma estudante de direito para trabalhar com ela, não imaginou uma mulher como Daniela. Ela tinha vinte anos, estava no segundo ano da faculdade. Era extremamente dedicada e atenciosa. Mas tinha aquela beleza espetacular que enlouquecia Cássia, a cada dia. Cássia não sabia bem porquê, mas desde o primeiro encontro desejou beijar aquela boca cheia, bonita e apetitosa, que tinha sempre um sorriso pra ela. Quando Daniela sorria, Cássia estremecia, e fugia sempre, pensando: “Ela só tem vinte anos”. Só este pensamento bastava para cair em si, e voltar a mergulhar no trabalho. Isto porém, não era muito fácil, já que Daniela tinha o péssimo hábito, de passar a maior parte do tempo em pé na sala. Embora tivessem salas separadas, ficavam uma boa parte do dia juntas trabalhando nos casos dos clientes.
Cássia suspirou, quando olhou para o relógio percebendo que passava das seis. Fechou a pasta encarando Daniela, que parecia esquecida de tudo enquanto estudava o caso Dalton.
- Já passa das seis Daniela, vamos descansar.
- Ah?
- Daniela? – Chamou se erguendo.
- O que foi? – Perguntou ela se voltando, lentamente. Cássia estremeceu novamente, quando encontrou aqueles olhos verdes. Só ela sabia como aquela mulher estava se infiltrando em sua vida sem ao menos se dar conta.
- Vamos embora. Você veio de carro?
- Sim. Mas ainda é cedo, não? – Perguntou e olhou para o relógio levando um susto ao ver as horas – Oh, é tarde! Preciso terminar um trabalho para amanhã ainda…
- Pensei em convidá-la para um drinque.
- Desculpe, Cássia, mas hoje é impossível – Sorriu vestindo seu bleizer rapidamente – O tempo tem sido pouco para fazer tudo que preciso. Vai descer comigo?
- Sim – Respondeu abrindo a porta para que ela saísse – Vanda? Nós já vamos. Até amanhã!
- Até amanhã, doutora! Até amanhã, Daniela.
- Até amanhã, Vanda – Falou Daniela, entrando no elevador ao lado de Cássia.
Foi ali, que Daniela sentiu-se pequena e desconcertada. No elevador espaçoso, Cássia encostou num canto, deixando os olhos correrem soltos pelo corpo de Daniela. Muito sem jeito, Daniela manteve os olhos fixos nos botões do elevador, até que a porta se abriu, e as duas desceram juntas, saindo para a rua. Neste momento, Cássia segurou seu braço, perguntando num tom perturbado:
- Não quer mesmo tomar um drinque antes de ir para casa?
- Não posso mesmo, mas obrigada. Te vejo amanhã. – Falou rapidamente, atravessando depressa. Logo entrava no carro e desaparecia rua abaixo.
Daniela jantava nesta noite num silêncio completo. Ouvia sua irmã Samanta, falando do desfile daquela tarde. Depois Pedro, seu irmão e sua mãe, Mónica. Em sua casa era assim. Discutiam todos os assuntos na hora das refeições, pois era quando se reuniam sagradamente. Samanta encarou a irmã comentando curiosa:
- Você anda muito silenciosa, mana. Algum problema?
Sim, havia um problema. Os olhos de Cássia sobre seu corpo era o seu grande problema. Quando o percebeu? No primeiro dia. Sim! Foi quando sentiu aqueles olhos negros descendo por seu corpo de maneira inquietante. Era um sonho trabalhar com a renomada Cássia Bastos. Era uma advogada famosa e muito experiente. O ideal para uma estudante que adorava a advocacia como Daniela. Mas jamais pensou, que aquela mulher era tão desconcertante. Todos os dias inventava uma desculpa para não sair com ela. Os convites eram constantes, mas Daniela sentia um medo estranho. Não sabia o que poderia acontecer caso saísse com Cássia. Só sabia dos comentários que ouvia. Estes comentários a deixavam cada dia mais assustada com aquela mulher fantástica. Isto, porque Cássia era o modelo de perfeição de uma advogada que Daniela desejava seguir. Na faculdade, seu nome era sempre comentado. Era uma advogada respeitada por todos. Cada causa que ganhava, não surpreendia mais ninguém. Todos sabiam que Cássia Bastos dificilmente perdia uma causa que pegava para defender.
- Então você não percebeu que depois que arrumou este emprego ela vive no mundo da lua? – Perguntou Pedro, servindo vinho em sua taça – Quer ver só uma coisa samanta? – Falou, encarando a irmã muito sério – Daniela, você ainda é virgem?
Daniela levou a taça de vinho à boca lentamente. Achava que estava agindo certo em relação à Cássia. Era melhor manter aquela distância para evitar problemas futuros. Talvez aqueles olhos que devoravam seu corpo fossem inocentes. Talvez Cássia fosse assim mesmo. Por outro lado ninguém podia ser condenado apenas porque gostava de mulher. Se ela tinha suas preferências, não era assunto para ser comentado por ninguém. Achava péssimo quando ouvia fofocas envolvendo seu nome na faculdade. Cássia era um prato cheio. Não escapava um só movimento seu aos olhos de todos. Pelo menos em sua faculdade, era assim…
Daniela continuava perdida em seus pensamentos, sem perceber que sua família estava quieta, observando-a atentamente. Nem ouviu a voz suave da mãe chamando-a baixinho:
- Filha?
Daniela permaneceu pensativa, sem ouvir a mãe.
- Daniela? Minha filha, você está me ouvindo? – Chamou Mónica, novamente, mas desta vez tocou seu braço com carinho.
- Sim, mamãe – Falou, voltando-se para ela com um sorriso.
- Você está bem?
- Claro, estou muito bem – Sorriu, voltando a comer a comida já que estava gelada em seu prato.
Isto seguia assim, a cada novo dia. Durante o dia, Daniela sentia os olhos de Cássia em seu corpo. A noite, jantava com sua família, perdida em mil pensamentos. Não percebia os olhos sempre voltados em sua direção e nem escutava os comentários que faziam sobre ela na sua frente. Pensava nos casos que defendia com Cássia e simplesmente, em Cássia. Achava a advogada desconcertante. Não conseguia ser tão natural com ela como era com os outros.
Assim Daniela completou três meses de trabalho com Cássia. Era um trabalho bom, que lhe ia dando muita experiência. Não perdia um julgamento e absorvia tudo que podia aprender de sua grande professora.
Cássia jogou o casaco sobre o sofá, indo até o bar servir um drinque. Neste momento, os dois irmãos entraram juntos na sala. Depois de beijarem a irmã, Mara falou, enquanto servia dois drinques:
- Solange ligou novamente para você hoje.
- Esta mulher não sai do meu pé – Reclamou se jogando no sofá.
- Você parecia muito interessada, há alguns meses atrás – Criticou Valdo sentando ao lado dela – Vivo lhe dizendo para pegar uma destas moças que vivem pulando em sua cama. Você tem que ter alguém fixo. Um amor, entende? Tem que parar com estes casos passageiros, que não levam a nada. Este telefone, toca o dia todo para você. Estas mulheres, parecem que enlouquecem depois de uma noite em sua companhia.
- Valdo tem razão, Cássia. Você precisa encontrar uma moça que você goste. Leve-a para morar com você e deixe esta vida vazia.
- Vida vazia? – Perguntou admirada – Vocês são meus irmãos e não meus pais. Não entendem nada do que estão falando.
- Entendo que ninguém é feliz assim – Criticou Valdo nervoso – Malditas mulheres assanhadas. Se pelo menos não fossem tão fáceis…
- Ora pelo amor de Deus. O mundo evoluiu e isto é normal!
- Existe uma cara nova, não existe?
- Valdo? Não se meta em minha vida – Reclamou tensa.
- Sei que é isto. Você anda tensa de uns tempos para cá. Vê o que lhe digo? Já se cansou de todas as outras, porque conheceu uma nova, não é? Isto não é vida…
- Vou sair – Falou, se erguendo e deixando os dois sozinhos na sala.
Valdo voltou-se para Mara, inconformado:
- Viu isto?
- Temos que ir com calma.
- Não consigo entender Cássia, não consigo mesmo.
- Falarei com ela outro dia.
Daniela pegou sua pasta com os processos pendentes e seguiu para a sala de Cássia. Tinha sido um duro dia e não via a hora de chegar em casa e tomar um banho. Também naquele dia, notou que Cássia estava mais nervosa do que de costume. Entrou, e se aproximou, colocando a pasta na mesa dela. Cássia ergueu os olhos, encarando-a muito séria:
- O que acha de jantar comigo esta noite?
- Não posso mesmo, temos visita em casa – Justificou sorrindo – Num outro dia. Bem, boa noite!
- Talvez mais tarde? – Insistiu se erguendo de um salto.
- Sinto muito, mas …
- Será que nunca tem um tempinho em sua vida?
- Sinceramente é muito difícil.
- E amanhã?
- Os trabalhos da faculdade são muitos, nem estou dando conta …
- Posso ajudá-la com alguns trabalhos, se quiser, mas …
- Se deixar você cuidar de meus trabalhos, não irei aprender minha matéria – Rebateu baixo – Agora preciso ir …
Cássia passou por ela, para barrar a porta, mas Daniela já estava abrindo-a. Ficaram próximas e seus corpos se roçaram.
- Escute – Pediu Cássia, segurando o braço dela sufocada. Daniela se deteu, respirando com dificuldade.
Cássia fechou a porta, fazendo-a voltar-se para si.
- É só um jantar – Falou, buscando os olhos dela profundamente – Me daria muito prazer tê-la ao meu lado.
- Não posso, sinto muito.
- Quem sabe no sábado? Afinal, não pode viver sem um minuto de descanso.
- Talvez. Pensarei com carinho. Agora tenho que ir …
- Daniela? – Chamou segurando a mão dela. Daniela ficou mais confusa. Olhou para a mão que retinha a sua sem saber o que fazer. Bem diante de seus olhos, Cássia levou sua mão aos lábios, depositando ali um beijo molhado, que a fez estremecer dos pés à cabeça – Pense mesmo com carinho – E soltou sua mão, voltando à mesa rapidamente.
Novamente Daniela comia distraída. Sentia ainda, o calor dos lábios de Cássia em sua mão. Estava agitada e tensa. Aquilo era real. Cássia tinha beijado sua mão olhando-a no fundo dos olhos. Aquele gesto falou mais do que qualquer explicação. Desde o início, sentia que não estava louca. Cássia de fato a cobiçava. Aquele pensamento causou um estremecimento em seu corpo. Ela empurrou o prato e se ergueu dizendo que iria estudar em seu quarto.
A semana transcorreu tranquila. Daniela fazia de conta, que nem se lembrava da promessa. E Cássia, tirando os olhares, não tinha voltado a tocar no assunto. Mas na sexta-feira, estavam discutindo um caso de um cliente que acabara de sair, quando Cássia se aproximou erguendo seu queixo com delicadeza.
- Então, vai jantar comigo amanhã?
- Acho que …
- Acho que você tem medo de mim.
- Não, não mesmo.
- Você vai?
- Eu … Não sei ainda … Eu …
- Porque está tão assustada? – Perguntou ficando mais perto dela. Seus dedos acariciavam o queixo de Daniel delicadamente.
- Não … Não estou assustada …
- Um jantar apenas – Falou, subindo os dedos para a boca carnuda – Depois prometo que voltamos para casa, como duas boas moças.
- Eu … Não posso mesmo – Respondeu criando coragem – Outro dia – Falou, afastando-se muito abalada. Nem percebeu que Cássia estava parada no mesmo lugar. Só precisou estender a mão para tocar seu ombro. Daniela pensou que iria gritar, mas ficou quieta e Cássia colou seu corpo ao dela. Foi apenas isto. Ficou encostada nela por alguns minutos, e se afastou comentando:
- O caso de divórcio do Senhor Santos pode ser aceito. Entre em contato com ele, na segunda, por favor! Você mesmo poderá cuidar de tudo até a audiência. Pena que ainda não possa enfrentar o grande Júri. Mas seu dia vai chegar.
- É, nem acredito que vai chegar! – Sorriu relaxando – Vou ao tribunal assistir à audiência das quatro. Vejo você na segunda.
- Sim, até segunda – Respondeu sem se voltar.
Depois de um fim de semana cansativo, Daniela voltou ao escritório na segunda. Ocupavam um andar inteiro. Tinha uma sala de espera confortável. Sua sala, a sala de Cássia, dois banheiros, uma cozinha pequena e mais uma sala ao lado da de Cássia que foi transformada em quarto. Cássia explicou, logo que Daniela foi trabalhar ali, que às vezes ficava até mais tarde estudando algum processo. Então, se sentia sono, preferia dormir ali mesmo.
Nesta tarde, Daniela entrou há uma da tarde, seu horário de pegar serviço. Estudava pela manhã. Aquele emprego de meio horário só servia mesmo como experiência, já que sua família possuia uma situação financeira confortável. Entrou em sua sala deixando a bolsa. Saiu novamente passando pela mesa da secretária. Ali pegou algumas correspondências e levou para a sala de Cássia como sempre fazia. Separou algumas, levando para sua mesa.
Então foi até a cozinha, passando pela porta do quarto onde Cássia costumava dormir. Foi neste instante, que a porta abriu e Cássia surgiu usando um robe curto aberto na altura dos seios. Daniela olhou confusa para os seios expostos forçando um sorriso tranquilidade que estava longe de sentir.
- Olá! Não sabia que estava aí.
- É! Tive um fim de semana terrível! – Suspirou enquanto seus olhos desciam pelo bonito conjunto esporte que Daniela usava. O conjunto de saia e blusa, acentuava suas formas, tornando-a mais sensual do que de costume – Tem um excelente gosto para se vestir, sabia? Acho-a muito elegante.
- Obrigada – Sorriu sem se mover do lugar.
- Poderia escolher algo para mim? Tenho poucas roupas aqui, mas não estou disposta a escolher nada em especial hoje.
- Claro – Concordou, entrando no quarto. Abriu o armário sentindo que Cássia estava ali, observando de perto. E tinha razão. Sentiu sua mão tocar sua cintura e ficou quieta. Estava muda e assustada.
- Você é linda!
A voz dela estava rouca, trémula e sensual. Daniela respirava com dificuldade sem saber o que fazer.
- Seu corpo é lindo.
- …
- Fico excitada sempre que a vejo.
Daniela suspirou, sentindo o corpo reagindo violentamente àquelas palavras comprometedoras, íntimas e pecadoras.
- Você foge e só me excita mais agindo assim.
Suas mãos apertaram a cintura delgada, puxando-a mais para si. Então, Daniela sentiu a boca deslizando por sua nuca, até que a língua penetrou seu ouvido delicadamente. Suava frio. Sentia as pernas bambas e sentia que estava a ponto de desmaiar. Foi aí que Cássia virou seu corpo, mergulhando a língua morna em sua boca. Foi só um beijo que durou uma eternidade. Depois, Daniela a viu deixar o quarto rapidamente. Daniela caiu sentada na cama. Seu corpo tremia tanto, que segurou os joelhos apavorada. Neste momento, Vanda surgiu na porta com um sorriso.
- Precisa de ajuda para escolher a roupa de Cássia?
- Oh …
- Ela é muito exigente – Sorriu, entrando e indo até o armário tranquilamente – Na verdade, só deixa aqui as roupas que mais gosta de usar.
- ….
- É muito precavida, neste aspecto …
Continua …