quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Conversa...



Olá meninas!


Mais um ano terminando e vim aqui conversar um pouquinho com vocês.

Vamos falar de relacionamentos, namoros, essas coisas às vezes maravilhosas e de outras vezes complicadas quando as coisas tomam um rumo diferente do que desejamos.

Imagino que algumas devem ter começado este ano sozinhas e encontraram a mulher especial no meio do caminho. Pode até nem ter sido assim tão especial, mas o fato é que a encontraram.

Outras começaram o ano casadas ou namorando e estão terminando o ano sozinhas.

Não vim aqui dizer que isto aconteceu porque é a vida e nem que tudo passa porque todas nós sabemos disto.

Vim dar uma pensadinha maneira com vocês sobre umas coisas que acho que vale a pena repensar.

Muita gente termina o namoro por e-mail, por MSN, por mensagem de celular e até por carta. Acreditem! O correio ainda leva algumas cartas por este mundo afora com a notícia do fim de um relacionamento.

Então gente, pensando nisto que até sei que já devo ter falado, isto é uma coisa extremamente desagradável, não é? É uma falta de consideração para com a outra pessoa.

Têm o outro lado, existem casos em que não têm mesmo como terminar olhando nos olhos. De repente uma mora em Tóquio e a outra em Belém do Pará. Não dá para ir lá a Tóquio, terminar e voltar, ai é até compreensível. Magoando ou não a outra pessoa, infelizmente o fim será desta forma mesmo.

Mas temos o caso de pessoas, muitas pessoas que moram na mesma cidade, em cidades próximas e que preferem mandar um torpedo terminando a relação.

A gente sabe que mulher casada que usa outra pessoa nem chega a terminar, ela apenas some.

Depois de aplicar o famoso “Vender banha da cobra”, a mulher casada evapora. Neste caso só mencionei para vocês não acharem que perdi a memória. Deu vontade de rir, mas não vou rir disto não porque embora “Vender banha da Cobra” seja uma expressão engraçada, sei o quanto é triste ser usada de forma tão fria.

Bom, o que parece é que as pessoas estão perdendo a consideração umas pelas outras. Vocês sabem que sempre me pergunto a razão das reações humanas, não é?

Ser uma observadora faz isto comigo. Me deixa sempre alerta para as atitudes das pessoas.

Não estou julgando ninguém porque não gosto de julgar. Julgar para quê? Para ser julgada depois? Eu hein, nem pensar!

Mas voltando, a gente sabe que nenhum relacionamento termina sem uma razão.

Recordo que namorei com uma mulher por três meses e de repente ela terminou comigo dizendo que não rolou sentimento. Lembro que fiquei olhando para ela e pensando que ela parecia estar tão envolvida e de repente estava na minha enfrente dizendo que não rolou sentimento.

Vamos ver essa questão que as pessoas vivem tanto hoje em dia. Elas namoram, ficam e às vezes até se casam sem que tenha rolado sentimento. É por isto que separam tão rápido.

Por que o que rola muito é o tesão, mas sem o sentimento tesão não se mantêm.

Se a gente partir do princípio que as relações começam com o flerte, que evolui para um namoro, podemos entender que duas pessoas estão se conhecendo aos poucos. Porque ninguém já começa apaixonado, caindo de amores, fazendo declarações e mais declarações de amor para toda a vida.

É no namoro, no dia a dia, nas pequenas descobertas que vamos fazendo sobre a outra pessoa, que vamos aos poucos nos encantando por ela.

Até sei que todo mundo diz que sabe disto, mas não parece que sabe, porque não têm a menor paciência de ficar para conhecer a fundo. Vai logo terminando e não quer nem saber se a pessoa tem qualidades, se ela é séria, se é amiga, dedicada, sensível, prestativa nos momentos difíceis ou amorosa na intimidade. Quanto mais vamos convivendo é que vamos vendo as coisas gostosas que a pessoa faz que nos agradam. Como o beijo, o cheiro e o gosto dela, a forma como faz carinhos, como olha, como faz amor, como sorri, se faz caretas ou olha para as outras pessoas de lado. Sim, porque se ela olha para as outras pessoas de lado com desprezo, cuidado, um dia vai te olhar assim.

Ai desculpe, não quero assustar vocês, é que este olhar de desprezo é algo lamentável quando a pessoa vira ex.

Essa questão de observar se a pessoa é prestativa é porque às vezes você se apaixona perdidamente por uma pessoa e de repente acontece um problema na sua vida. Problemas todas as pessoas acabamos tendo mais dias menos dia, mas quando acontece o problema, é da namorada que se espera o primeiro apoio ou socorro como vocês acharem melhor.

Só que acontece que muitas, mas muitas viram as costas. Elas preferem terminar o relacionamento a passar por uma situação assim com a namorada.

Porque para essas pessoas o gostoso é ir para um barzinho e ficar dando uns agarros.

O legal é encontrar a namorada cheirosa e sorrindo para namorar e ter uma noite gostosa na cama.

É ir ao cinema e comer pipoca trocando olhares que prometem momentos deliciosos.

O The Best para muitas é ir jantar fora, encontrar com os amigos, ir para uma balada e curtir a noite, a vida, os momentos e o resto que se lixe.

Só que a vida não é assim só de lazer, de curtição, de coisas leves e gostosas que as namoradas fazem juntas.

A vida é um balde de água fria na cara da gente a maior parte do tempo. Ninguém ri o tempo todo, nem beija, faz amor, carinhos, fala no ouvidinho, fica passando a mão nas coisas, dorme ou acorda transando sem parar.

Desculpe, mas não é assim! Pode ser por um tempo, mas depois a gente começa a focar a vida e sabe que enquanto ficou só lá beijando, fazendo amor, sorrindo e brincando, muitas coisas da nossa vida ficaram nos esperando para serem realizadas depois.

É por causa disto que as pessoas que querem ficar só neste lado delícia da relação saem correndo quando aparece um problema.

Se a namorada perde o emprego, nossa Senhora! Têm gente que muda até o chip do celular para não ser mais encontrada!

Se um dos pais dela adoece, nem seu Manuel da padaria onde ela comprava pão sabe mais dar notícias dela.

Se adoeceeeeeeee, ai é que a onça vai beber água em outra lagoa.

Se tiver um aperto financeiro e precisar vender o carro a outra alega que vai fazer uma viagem para casa daqueles parentes que ela nem comentava que tinha.

Vocês sabem que tem gente que não namora mulher que não tem carro, não é? Ah não sabiam não? Pois é, pois saibam que é o que mais existe por ia são pessoas assim. Agora, isto não tem nada haver, se não gosta de andar a pé tem que namorar mulher que tem carro mesmo. Ora, isto vai das preferências de cada uma. Nem é da conta de ninguém. Ninguém vai ficar colocando reparo e observando que ela vive saindo sozinha no carro da namorada, se dá caronas para outras moças, se sai com as amigas no carro dela e que de vez em quando até dá uns beijos em outra mulher dentro dele numa rua deserta. É isso ai gente, mas ninguém tem nada a haver com a vida delas. Também não vou rir disto porque não tem graça.

Meu Deus! Acabei com a ilusão do namoro para vocês com essa realidade agora, não foi?

Espero que não, né gente? Nós podemos fazer de tudo na nossa vida e é por isto que o dia tem vinte e quatro horas para que possamos dividi-lo muito bem.

Agora se as pessoas ficassem só no chamego e no chamego, ai uma hora a casa iria cair. Por que encarar a realidade, voltar do transe de amor é um trem complicado demais. Por isto que dosar a pírula, ir vivendo as coisas cada uma no seu tempo, é a melhor maneira de ter um relacionamento gostoso de viver.

Outra coisa que é comum e todas vocês já devem ter sentido, é pensar que depois de um relacionamento que não deu certo, nunca mais vai ter um novo relacionamento.

Um dia, numa rua, dentro de um ônibus, descendo em um elevador, em um almoço com as amigas, numa festa, num velório (Risos), em qualquer lugar onde vocês estiverem seus olhos vão encontrar com outros olhos e ai, ai aquele nunca mais terá fim.

Talvez num café. Sabe estes cafés de Paris que tem as mesas na calçada? Aqui no Brasil também existe cafés parecidos. A gente passa e está lá uma mulher com aquele olhar pedido nos carros que passam. Às vezes sentada de pernas cruzadas. Umas ficam fumando um cigarro e olhando para o relógio. Outras disfarçando uma lágrima ou outra. Mas hoje em dia a maioria fica distraída com um celular, um notebook ou com ipod. Mas quando a gente olha percebe na maioria delas aquela sensação de solidão, de vazio, de tristeza imensa. Não entendo como as mulheres conseguem ser tão transparentes no estado de alma e talvez por isto sejam presas fáceis. Muitas pessoas percebem este lado delas e ataca em seduções que costumam não acabar nada bem.

Corações destroçados! Sim, acreditem que muitas mulheres têm os corações destroçados e é isto que elas deixam transparecer no rosto. Se olhar nos olhos dá para ver aquela dor inteira boiando neles.

As pessoas costumam se proteger mais quando estão na presença das outras. Ai elas colocam a mascara e um sorriso que está longe de ser natural. No entanto quando estão desprevenidas ou distraídas não percebem que estão sendo observadas.

Hoje em dia nunca estamos à vontade quando estamos nas ruas. Para vários lados que vocês olharem nas grandes cidades vão ver câmeras filmando tudo.

Câmeras de seguranças! Pois sim, elas estão até em alguns banheiros.

Em banheiros? Ah estão sim, vocês é que não conseguem vê-las, são escondidas. Ah então estão vendo nossas partes íntimas? Devem estar, pois não?
Não sei o que querem ver num banheiro, afinal se for para ver se tem roubo tem pouca coisa de valor para ser roubada num banheiro. Segundo sei, as torneiras de ouro ficam no Vaticano (Risos).

Talvez para ver se as pessoas vão usar drogas lá ou transar. Neste caso até entendo, afinal tem gente que faz filme erótico com pessoas sem que elas saibam e vendem para exterior. Uma forma um tanto desonesta de ganhar dinheiro, mas tem de tudo neste mundo.

O fato é que os olhos costumam ver mais que as câmeras, por isto as mulheres solitárias são mais notadas do que elas percebem. Vocês se lembram daquilo que dizem muito por ai?

“Todo solitário é uma tentação.”

Pois é, uma pessoa solitária chama a atenção porque ficam imaginando como ela pode ser tão solitária? Como num mundo cheio de tanta gente como este? Mas vocês sabem que até as pessoas que vivem rodeadas de outras pessoas também podem ser solitárias. Se ela se descuidar um segundo que seja, se seus olhos cruzarem com outros olhos astutos será facilmente descoberta.

Até parece que ser solitário é um pecado. Não! É lógico que não é! Mas vocês acham que uma pessoa que vive assim sozinha, ela vive assim porque sofreu uma grande desilusão?

Na verdade nem sempre. Existem pessoas que se escondem do mundo, das pessoas e até delas próprias. É uma coisa que é mesmo da natureza dela. Tanto, que muitas pessoas casam ou namoram com solitárias de natureza. E por não saber que a pessoa é assim sofrem demais. Por que essas pessoas tendem a se isolar sem explicar que o jeito delas é este. A pessoa fica imaginando se tem algo de errado, acha que nunca consegue agradar, olha gente, não é nada agradável essa situação.

Comunicação na verdade é a chave de tudo em nossas vidas. Se nós temos boca é para falar e se não explicamos, como que as pessoas vão entender nossa forma de ser?

Então voltando lá no início quando falo como as pessoas terminam seus relacionamento hoje em dia, a comunicação entra bonitinho ai. A pior coisa que existe é uma pessoa terminar um namoro com alguém, sem explicar a razão de uma maneira bem clara. Por que a outra pessoa vai ficar pensando milhões de coisas quando o verdadeiro motivo se quer passa pela cabeça dela. Por isto que acho que é um dever nosso de explicar direito as situações. Tipo assim, quando a relação estava gostosa não se falavam as coisas? Então é justo que ao terminar se explique o porquê do rompimento.

Vocês podem até pensar que certas verdades não podem ser ditas por que vão magoar demais, vão ferir, mas genteeeeeee, gente? Vocês sabem que uma verdade pode ser meia verdade, desde que explique é o que importa.

Sempre digo que a palavra abre portas e abre com toda a certeza. Não é agradável que as pessoas tenham uma má impressão sobre nossas atitudes.

Quando alguém fala que errou está admitindo seu erro. Todas as pessoas erram. Erram conscientes ou inconscientes. É até difícil imaginar que alguém erra de forma inconsciente, mas erra sim. Erra por que na cabeça dela, ela acredita que está fazendo melhor e nem sempre está.

Querem ver uma coisa?

Quantas vezes vocês relegam a namorada de vocês?

Quantas vezes vocês deixam de ser gentis, falando aos tropeços, mal permitindo que ela se coloque ou se explique numa situação de atrito entre vocês?

Quantas vezes vocês deixam de fazer amor por inúmeros motivos ou fazem rapidinho para ir fazer outras coisas? Ah já falei sobre isto? Então estou fazendo a retrospectiva deste assunto (Risos).

Quem é que acerta o tempo todo? Lembram de bola na rede? Epa! Coisa boa não é gente? Sabe? Acho que o melhor de tudo é a meiguice, a delicadeza, o trato gentil com uma mulher. Não sei por que sempre acho que as mulheres são como rosas ou flores perfumadas de jardins inimagináveis.

As mulheres são plumas que precisam ser acariciadas como veludos de paraísos distantes.

São sedas! Sedas daquelas indianas, lindíssimas e raras.

As mulheres são como brilhantes, daqueles que ofuscam nossos olhos tamanha sua beleza.

As mulheres são como o mar, ora calmas e outra hora bravias.
As mulheres são perfumes, perfumes deliciosos de cheirar, de espalhar pela pele e sentir.

As mulheres são a sensibilidade que invadiu o mundo.

Quem não vê a mulher com olhos mágicos nunca vai saber amar uma mulher como ela merece.

Existe beleza em todas as mulheres. Cada uma tem seu encanto, seu charme, sua qualidade, sua formosura, seu tempero, sua ternura, sua doçura, sua emoção, seu temperamento, seu jeito todo especial de nos atrair e conquistar. Não só para ser uma namorada, mas para ser amiga, colega de trabalho ou da vida, para ser simplesmente uma pessoa agradável com a qual vamos conviver.

Existe luz nas mulheres e é uma pena que elas muitas vezes não percebam esse fato e não se dêem valor.

Uma mulher é como o Ébano...

Sim! Exatamente como o ébano também, porque não?

A beleza não tem cor meninas, a beleza tem divindade! Quando pensamos em Divas não as imaginamos todas belas? Pois então, é bem parecido. Mas as Divas não são todas belas, nem todas são tão lindas por fora, mas muitas que não nos parecem belas, costumam ter belezas indescritíveis no seu interior.

A gente sempre escuta as pessoas falando que a maior beleza é a beleza interior. A maior beleza é enxergar as pessoas como elas são verdadeiramente. Não queiram endeusar uma mulher querendo que ela seja tudo que você criou em sua mente.

A maior beleza é viver a vida levemente.

A maior beleza é olhar nos olhos das pessoas sem precisar baixar a cabeça ou fugir por ter sido indigna com outro ser humano.

Andar de cabeça erguida pela vida. Saber que não prejudicou ninguém. Levar a paz para as pessoas que você convive.

Ser! Apenas ser a mulher que vocês são sem subterfúgios.

Assim, vocês não terão que carregar pesos, arrependimentos, culpas ou outros sentimentos negativos que podem ser evitados.

Nessa virada de ano lavem seus corações.

Sabem o que é lavar o coração?

Exatamente! É isto que vocês estão pensando mesmo.

É tirar dele os sentimentos que fazem mal para vocês.

Sei que não é fácil, mas sabem como podemos fazer isto de uma forma mais tranqüila? Se você não fala com uma amiga há muito tempo e sente muita falta dela, ligue para ela. Fale que sentiu falta dela e se ela for fria e não quiser mais falar com você, siga em frente.

Se vocês estão de mal, de seus pais, do mundo, ou de vocês mesmas, façam as pazes.

E se estiverem sentindo muito ódio de alguém suavizem este sentimento pesado.

Quando odiamos as pessoas, o ódio acaba devorando a nós mesmas.

Portanto meninas, essa era a conversa que queria ter com vocês, apenas falar sobre essas coisas simples da vida.

Para mim foi muito agradável ter escrito este texto e mais agradável foi passar este ano de 2011 com vocês.

Em 2012 estarei como sempre esperando por vocês!

Sejam sempre bem vindas e tenham uma passagem de ano cheia de Paz!

Feliz 2012 para vocês!

Que Deus as abençoe em todos os dias deste novo ano!

Vou colocar novamente uma das falas da série Grey’s Anatomy que mais gosto aqui para vocês.

Astridy Gurgel

“Mudanças. Nós não gostamos delas. Nós a tememos. No entanto, não conseguimos evitá-las. Ou nos adaptamos às mudanças, ou somos deixados para trás. Crescer é doloroso. Qualquer um que te disser que não, está mentindo. Mas aqui vai a verdade: às vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas. E às vezes, oh, às vezes mudar é bom. Às vezes mudar é tudo.”

Grey’s Anatomy

Conto - Louca por você! - Capítulo V





Passou a semana fugindo e se escondendo tanto de Fabiana quanto de seus sentimentos.
Na sexta-feira fez sua mala e foi para casa dos pais. Ficar longe da cidade seria ótimo. Seu telefone de casa ficou mudo a semana toda. Bastou que Fabiana ligasse na noite em que se beijaram para arrancar o fio da tomada.
Quando abraçou a mãe ela perguntou curiosa:
- O que houve com o telefone de sua casa?
- Estavam me incomodando tarde da noite, por isto ando usando apenas o celular.
A mãe olhou-a sem se convencer, mas não insistiu. Um empregado já levava as malas para o helicóptero. Carina veio correndo e beijando a irmã. Sara olhou em volta, à procura do pai.
- Papai não vai?
- Teve uma reunião e vai mais tarde.
O dia ainda estava claro quando chegaram à casa de praia. O helicóptero retornou para buscar Antenor. Sara foi para o seu quarto e tomou um banho delicioso.
Quando se vestia, ouviu o som do helicóptero sobrevoando a casa. Um sorriso surgiu em seus lábios. A mãe estava certa, há muito tempo não se reunia com eles. Seria bom passar dois dias inteiros com a família.
Deixou o quarto indo direto à sala. Assim que entrou, estacou muda. Fabiana recebia um drinque das mãos de sua mãe. Voltou-se sorrindo tranquilamente para ela.
- Como vai Sara?
Ela ficou agarrada ao chão sem conseguir se mexer para lado algum. Abriu a boca, mas não conseguiu terminar de falar.
- Bem...
Sara não conseguia mesmo se mexer. Fabiana estava séria, olhando-a profundamente. Sua mãe preparava o drinque falando sem parar do barzinho. As palavras vinham de longe, sem que Sara conseguisse prestar atenção. Queria sair correndo dali e mal conseguia andar até a poltrona. As pernas estavam bambas, sem forças. O coração batia descompassado em seu peito. Sua boca estava seca. Os olhos perdidos nos de Fabiana. Sara soube que nunca, nada, nem ninguém, afetou-a tanto quanto aquela mulher estava sendo capaz de afetar. A simples visão dela fez desmoronar todo o seu autocontrole. Sentiu a mão da mãe tocando seu ombro neste instante.
- Venha sentar minha filha. – Ela falou, levando-a para a poltrona. Entregou-lhe o drinque e sentou ao lado de Fabiana perguntando curiosa – A reunião foi boa?
- Sim, perfeita! Assinamos o contrato. Na segunda você vai poder se inteirar dos detalhes.
- Oh, que maravilha! Isto vai nos render alguns milhões!
- Certamente. – Concordou olhando para Sara.
- Antenor me falou que você os colocou contra parede.
- Só usei alguns argumentos para convencê-los. Isto é normal em negociatas deste porte.
- É verdade. Fique à vontade que vou apressar Antenor. Sara te fará companhia, com licença.
Assim que ela saiu, Fabiana falou se desculpando.
- Seus pais insistiram tanto que não pude recusar.
- Suponho que não.
- Devia ter atendido minhas ligações.
- Isto vai ser mais difícil do que pensei. Na verdade, vim para um fim de semana tranquilo com minha família. O fato de você estar aqui não me faz bem.
- Sinto muito.
- É mentira, você não sente nada. Adora saber que está me irritando. Eu sempre respeitei minha família. Eles nada sabem de minha vida particular, porque prefiro poupá-los.
- A visão que tem de mim é completamente equivocada.
- Sei! Basta me deixar em paz e tudo ficará bem.
- Você não gostou dos meus beijos, não é?
Sara abriu a boca olhando-a chocada. Aqueles beijos eram os culpados dela estar desnorteada. Aqueles beijos eram sim maravilhosos, mas não admitiria aquilo para ela nunca. Por isto sorriu fingindo descaso ao responder com ironia.
- Seus beijos? Meu Deus, você acha que sabe beijar? Se aquilo são beijos então não sei o que é um beijo.
Fabiana agarrou a cintura dela neste instante mergulhando a boca na dela. O beijo desta vez foi devastador. Sara correspondeu sem conseguir resistir. Fabiana aprisionou sua língua, sugando-a da forma mais sensual que Sara já tinha sentindo num beijo. A respiração de ambas estava descontrolada. Seus corpos estavam colados. As mãos de Fabiana deslizaram até as nadegas dela, puxando mais seu corpo contra o dela. Ela puxou o corpo de Sara até colar seus sexos. Foi neste momento que Sara lembrou onde estava empurrando-a do seu corpo. Ergueu a mão e deu um tapa no rosto dela furiosa.
- Cretina! Não admito que me toque assim! Tarada!
Fabiana massageou a face onde levou o tapa sorrindo muito tranquila. Então encarou Sara perguntando conformada.
- Vamos fingir que nos damos bem, é isto que você quer?
- De preferência. – Sara concordou se erguendo e indo para o bar.
Seu coração estava descontrolado. Todo o seu corpo estava assim, ela sabia e estava tentando se acalmar. Não era possível que continuasse permitindo que ela a perturbasse tanto com aqueles beijos inesperados. 
Carina entrou na sala neste momento cumprimentando Fabiana alegremente.
- Como foi o vôo até aqui?
- Foi ótimo.  E as coisas na sua faculdade, como vão indo?
- Tudo bem. Posso te servir mais um drinque?
- Sim, obrigada!
Carina chegou ao bar, percebendo o olhar irritado de Sara sobre Fabiana.
Serviu o drinque e sentou perto dela começando a conversar. Não precisou observar muito tempo para perceber o olhar da irmã percorrendo o corpo lindo de Fabiana.
Seus pais apareceram unindo-se a elas. O resto da noite só falaram em negócios. Sara ficou entre eles completamente muda. Ela se recolheu logo após o jantar. Carina percebeu o olhar angustiado de Fabiana, acompanhando a irmã até ela desaparecer da sala.
 Às duas da manhã, Sara ainda rolava na cama sem sentir o menor sono. A camisola curta de renda estava toda colada ao corpo suado. Deu o suspiro indo para o banheiro. Era o terceiro banho desde que tinha vindo tentar dormir. Pegou outra camisola voltando ao quarto. Abriu a janela ouvindo o som do mar. Pegou um cigarro e deixou o quarto indo para a varanda.
Carina estava vindo da cozinha quando a viu saindo para a varanda. Com o copo de água na mão, se perguntou se devia ir falar com ela. Neste momento ouviu passos e encostou-se ao lado da estante da sala para ver quem era. Fabiana passou indo direto para a varanda.
Sara se voltou olhando-a para Fabiana desolada quando ouviu sua voz sussurrando em seu ouvido.
- Não consigo dormir, eu...
- Meu Deus! – Suspirou, desviando os olhos dela.
Fabiana desceu os olhos encantados pela camisola curta e sexy. Aproximou-se mais do corpo dela completamente ansiosa.
- Eu não durmo porque você não sai da minha cabeça. – Confessou, parando nas costas dela.
- Adriana pode resolver seu problema – Sara respondeu secamente.
- Ela resolveu o seu?
- Não tenho esse tipo de problema. – Riu, tentando manter-se calma – É melhor voltar pra sua cama, eu preciso ficar sozinha.
- Sara...
Sara fechou os olhos quando sentiu as mãos dela deslizando por sua cintura. A boca chegou à nuca com beijos provocantes. O corpo dela colou ao seu com urgência. Sara sentiu a mão subindo até cobrir seus seios.
- Por favor, não...
- Sabe que não posso parar. Sabe que não agüento de tanto que te quero. – Fabiana confessou no ouvido dela.
A boca mordiscava deliciosamente a nuca de Sara. O corpo dela movia-se de forma sensual contra a nádega de Sara. Uma das mãos desceu até o meio das pernas dela. Ali, por cima da calcinha, acariciou-a intimamente.
- Seu cheiro não sai da minha cabeça. E o gosto da sua boca me deixa doida só de lembrar. Quero você, preciso de você. Eu vim só para te ver...
- Para! – Pediu fraca.
- Não posso!
- Não quero...
- Você quer tanto quanto eu. Ai Sara eu preciso sentir você...
A mão já afastava a calcinha tocando-a livremente. Sara abriu mais as pernas, virando o rosto e entregando a boca pra ela. O beijo levou o resto de resistência que ainda restava nela. Desorientada, virou de frente pra ela. Afastou-se desnorteada abrindo rápido o fecho da calça comprida dela sem a menor cerimônia. A mão entrou à procura do sexo latejante. Quando a sentiu, colou seus corpos, voltando a oferecer a boca faminta. Fabiana não se fez de rogada. Excitada, afundou mais a mão no sexo dela para tocá-la. Em pé, uma de frente pra outra, seus corpos rebolavam loucos em busca do prazer. Quando ele veio, ficaram agarradas, sem conseguir se afastar. Foi Sara que recobrou o juízo primeiro, afastando-se dela assustada.
- Era isto que você queira, não era?
- Sara...
- Não vou discutir nada com você. Queria transar comigo, pois já transou. Agora me deixa em paz!
Sara passou louca a caminho de seu quarto. Carina estava ao lado da porta sem acreditar no que tinha acabado de ver. Na ponta do pé também foi silenciosa pra o seu quarto.



Quando Sara apareceu para o café da manhã, as oito, apenas Carina estava na mesa.
- Bom dia. – Falou beijando a irmã – Papai e mãe ainda não acordaram?
- Estão nadando desde cedo.
- Hum!
Sara serviu café tomando com os olhos perdidos. Carina viu as olheiras acentuadas no rosto dela comentando baixo:
- Parece que não tem dormido ultimamente.
- Durmo o necessário.
Os olhos dela fugiam dos de Carina apavorados.
- Você conheceu alguém Sara?
- Por que sempre pergunta isto? – Explodiu, batendo a xícara no pires.
- Para saber, não pode? Não conto todos os meus segredos para você?
- Conta só porque tem segredo pra contar. Eu não tenho segredos e nem quero ter.
- Tá bom.
- Eu queria era ir embora de uma vez daqui. Não sei por que insistem em convidar essa mulher para tudo! Devíamos ser só nós, a família!
- Tem razão.
- Por que a querem enfiada assim em nossa vida?
- Nossos pais gostam dela.
- Você também gosta dela Carina?
- É uma pessoa legal.
- Isto não quer dizer que seja boa pra conviver com a gente!
- Por que não gosta dela Sara?
- Não foi o que eu disse. Só disse que devíamos ser só nós, a família!
- Mas é o que parece. Parece que você a detesta!
- Pouco importa. – Suspirou, afastando a xícara impaciente.
- O que você tem Sara? Não sou mais sua amiga? – Carina perguntou confusa.
- É Carina, é minha única amiga. – Falou pegando a mão dela por cima da mesa – Acordei nervosa, mas já vai passar.
- Você nem dormiu, eu sei.
- Estava um calor de matar! Nem o ar condicionado resolveu. – Explicou, olhando em volta ansiosa – Ela ainda não acordou?
- Também saiu cedo para nadar.
- Hum!
Sara se ergueu suspirando.
- Vou colocar um biquíni, você não vai nadar?
- Te espero aqui, já estou de biquíni.
Quando elas chegaram à praia, os três conversavam sentados na areia. Sara percorreu o corpo de Fabiana com os olhos sem conseguir se conter. Sua boca encheu de água na hora. Queria transar com ela e não negava mais isto para si mesma. Era só no que pensava. Por que era tão fraca? Porque só o fato de vê-la de biquíni a deixou naquele estado de excitação?
-... Vamos à cidade depois do almoço. – A mãe falava neste instante – Temos amigos que precisamos visitar por lá. Vocês três não se importam, não é?
Os pais iriam à cidade, pensou suspirando. Já sabia que faria besteira! Percebeu os olhos de Fabiana vagando por seu corpo. Seu sexo inundou na hora. Não tinha problema. Seu problema era ela. Com Adriana não conseguiu se excitar, com ela ficava daquele jeito. Parecia praga ou coisa parecida.
Ficou ali na praia evitando olhá-la o resto da manhã. Após o almoço, os pais foram para cidade.
Sara fugiu para o seu quarto para não fazer uma nova besteira. Estava lá, rolando na cama, quando ouviu uma batida leve na porta. Correu para abrir com o coração na boca. Estremeceu ao vê-la parada ali diante de sua porta.
- Sua irmã foi dar um cochilo e fiquei sem assunto. Podemos conversar?
Não iam conversar, sabia. Deixou-a entrar já devorando o corpo dela com os olhos cheios de desejo. Fabiana entrou e se voltou depois que Sara fechou a porta.
- Imaginei que estaria mais calma hoje.
- Pois não estou.
- Quer que eu saia?
- Se quer sair, porque veio?
- Eu...
- Isto é uma tortura! – Sara gemeu desviando os olhos dela.
- O que é uma tortura? O seu desejo por mim? – Perguntou aproximando-se dela rapidamente – Me deixe ver seus olhos.
- O que acha que vai ver nos meus olhos? – Sara perguntou atormentada – Você não respeita meus pais e não me respeita. Eu te avisei que não vou me envolver por isto não me culpe depois.
- Sou bem grandinha para segurar minhas barras.
- Ótimo! Que ótimo que você é – Sara respondeu agitadíssima.
- Não consegui pregar os olhos um só minuto. – Fabiana confessou, puxando-a contra seu corpo. - Você conseguiu Sara?
Sara estendeu a mão tocando o rosto dela encantada. Nada tinha para falar, só queria senti-la. Por isto sua boca buscou a dela. Aquele desejo era um tormento. Nem conseguia raciocinar com clareza. Puxou-a para cama, arrancando suas roupas. Beijavam-se apaixonadas. Fabiana afastou-se para livrar-se das roupas. Sara devorou o corpo lindo dela com água na boca. Quando ela veio deitou sobre ela sem poder esperar mais. Sua boca percorreu aquele corpo arrancando gemidos de prazer dos lábios de Fabiana. Depois Fabiana virou rápida na cama deitando Sara e indo por cima dela. Roçou todo seu corpo no dela excitadíssima. Ai desceu com a boca pela pele dela, beijando e mordiscando cada pedaçinho dela. Então Fabiana se enfiou entre as pernas dela, abrindo-as com uma imensa satisfação. Sua boca caiu no sexo delicioso que latejava descontrolado. Sem cerimônias, lambeu cada cantinho da vagina até prender o clitóris entre seus dentes. Ai ela passou a chupá-lo desnorteada, enquanto Sara rebolava completamente enlouquecida contra a língua dela. Fabiana chupava de uma forma que Sara não conseguia acreditar. Ela não cansava e nem parava. Estava no segundo orgasmo quando se afastou falando agitada.
- Eu também quero fazer você gozar – falou virando o corpo até o sexo ficar na boca dela. Então caiu de boca nele adorando senti-la tão excitada daquela forma. Sara prendeu o clitóris dela sugando como se fome uma fruta. Ouviu os gemidos sufocados dela enquanto o fazia. Neste ritmo chuparam-se até gozarem juntas, mas não se afastaram. Sara deitou, puxando-a novamente para si. Buscou os olhos dela enquanto pedia baixo:
- Não quero que ninguém saiba disto. Vai guardar segredo Fabiana?
- Tem vergonha de ser lésbica?
- Não! Eu sou livre e não quero compromisso. Nem pense em pegar no meu pé!
- Você é bem direta.
- Sou e odeio mal entendidos. A gente transa, mas é só. Não tem jantar, não tem nada e não quero que vá à minha casa.
- Quantas regras! – Riu surpresa.
- Você pode transar com quem quiser, não é problema meu.
Fabiana riu, subindo a mão até os seios dela.
- Você vai continuar vendo Adriana?
- Por que não? Ela me satisfaz, eu gosto.
- Não gostaria que eu fosse fiel a você Sara? Confesso que não seria nenhum sacrifício! – Confessou olhando-a com amor.
- Deus me livre! – Suspirou fechando os olhos, quando a boca cobriu o bico do seu seio – Assim, aí...
Fabiana sorriu observando-a se retorcer na cama enquanto acariciava seu sexo. Depois rolaram juntas, perdidas, loucas de paixão.
Escurecia quando Fabiana deixou o quarto de Sara. Ela correu para o banheiro enfiando-se de baixo do chuveiro. Sabia que aquilo era uma loucura. Todas as coisas que disse e que fez com ela naquela cama. Um desejo enlouquecedor roubava sua razão quando via aquela mulher. Antes não queria transar com ela, e agora, não queria mais parar. Sabia que não devia ter começado. Debaixo do chuveiro, começou a pensar nela. Distraída, ouviu a voz da irmã, vindo de seu quarto.
- Mamãe e papai acabaram de chegar.
- É mesmo?
Desligou o chuveiro, voltando enrolada numa toalha. Quando chegou ao quarto, Carina estava estendendo sua cama. Sara olhou pra cama toda desarrumada abrindo o armário.
- Deixe isto que eu faço quando me vestir.
- Já estou terminando.
- Carina!
- Fabiana está lá na sala com eles. Engraçado como combinam, não acha? Mamãe acha Fabiana o máximo! Eu acho você o máximo. Outro dia, mamãe estava dizendo pra ela que aceitou o fato de você ser lésbica. Só tem medo que encontre a mulher errada quando decidir se acertar de vez.
Sara vestiu a calça comprida sem fitar a irmã.
- Não diga que eu lhe contei, mas ela se preocupa pelo fato de você estar sempre sozinha.
- Mamãe nunca muda!
- Acredita que ela me perguntou se estou transando com mulher?
- O que respondeu pra ela?
- Disse que não, é claro! O que não deixa de ser verdade!
- E ela acreditou?
- Não sei.
Sara sentou na cama calçando o par de sapatos distraída. Estava se perguntando se Carina percebeu o que estava acontecendo entre ela e Fabiana. Por que arrumou sua cama depressa daquele jeito? Para a mãe não ver? Mas se ela tivesse percebido tocaria no assunto ou não?
- Julia quer que eu vá conhecer a mãe dela. – Carina contou, acendendo um cigarro e sentando na cama.
Sara também acendeu um, indo até a janela. Dali viu os pais na varanda com Fabiana.
- Tenho medo que ela não goste de mim.
- Nunca vai saber se não for. – Comentou baixo.
- Você iria?
- Eu? Talvez. Nunca imaginei uma coisa destas.
- Se você amasse muito uma mulher, iria querer partilhar tudo na vida dela ou não?
- Eu não amo ninguém, por isto não posso lhe dar essa resposta.
- Admiro muito você. – Falou se erguendo ansiosa – Mas não quero ser assim. Não quero ser livre e infeliz.
- Não sou infeliz. – Respondeu voltando-se pra ela – Minha vida é ótima.
- Talvez seja! – Riu, abrindo a porta e saindo do quarto.
Sara respirou fundo, voltando os olhos para Fabiana lá na varanda.
Por que não conseguia parar de desejá-la?
Por que a irmã pensava que era infeliz?
Balançou a cabeça abrindo a porta e deixando o quarto.



Na sala, aceitou o drinque que seu pai lhe passou. Ele puxou-a para seus braços perguntando animado:
- Porque não vai à cidade com sua irmã e Fabiana, mais tarde? Vocês são jovens e deviam aproveitar a vida. Ir para a balada, dançar, divertir.
- Não sei. – Riu surpresa.
- O que acha Fabiana? Tem excelentes barzinhos por lá.
- Irei com prazer se elas quiserem.
- Gostaria de ir Carina? – O pai perguntou encarando a filha.
- Acho uma ótima ideia.
- Então vocês vão, está resolvido.
Após o jantar, quando as três estavam saindo, a mãe recomendou animada:
- Se ficar muito tarde para voltar, deviam dormir num hotel por lá.
Sara fitou a mãe curiosa. Ela sorriu beijando seu rosto enquanto falava.
- As estradas são perigosas, pense nisto.


CONTINUA…

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

Feliz Natal



Olá meninas!


Este é o terceiro Natal do blog. Não preciso dizer que o Natal mudou, lógico que mudou. Poderia até dizer que ainda bem que mudou, mas não vou dizer por que não estou certa se foi o natal que mudou ou se foi à vida que mudou! Estava pensando sobre isto ontem. Não podia deixar desejar boas festas para vocês que me acompanham o ano inteiro. Mas sobre a mudança do natal, bem, não vou negar que o natal não é mais como aqueles natais maravilhosos da minha infância.

Aqueles tempos eram de alegria e brilho. Havia brilho naqueles natais. A minha família estava toda completa, minha mãe dava sorrisos soltos, a gente distribuía os presentes com gosto, tudo tinha mais gosto, era o máximo. Era...

Mas os que restaram estão com saúde e em paz, por isto basta tudo isto.

Secadas as lágrimas cobrimos a casa de jogos de luzes. O que mais gosto no natal são as luzes. São as luzes que me fazem sorrir. Por alguns momentos volto a ser criança que fica olhando as luzes piscando encantada.

Aqui em casa não teria comemoração de natal este ano. Minha mãe não queria, disse que não tinha mais graça para nada. Então perguntei se ela iria parar de comer, se iria parar de fazer almoço e jantar no dia a dia. Ela riu respondendo que claro que não. Neste momento ficamos nos olhando e ela entendeu o que estava dizendo. Se ela faz as comidas do dia a dia, uma ceia não iria alterar nada. Pronto, vai ter ceia e almoço de natal. Temos uma criança aqui, então como que não teria natal se a criança está contando os segundos para ver se consegue pegar Papai Noel entrando pela janela este ano (Risos).

Desejo para todas vocês um Natal de luzes, de encanto, de carinho, de paz, harmonia e presentes maravilhosos. Do fundo do meu coração desejo toda a felicidade para vocês nesta noite que promete boas surpresas para todas nós juntos de nossas famílias e amigos.

Desejo para vocês e suas famílias um Feliz Natal!

Astridy Gurgel

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Decepções?




Existe um padrão para a paixão? Ou melhor, existe definição para os sentimentos?
Lá vêm as perguntas que não tem respostas e nem entendo porque destas dúvidas. De certo que a dúvida está na mente, ah se está (Risos).
Ah! Mas têm respostas sim, sempre têm...
Quanto tempo dura uma decepção?
Essa é uma das piores perguntas por que existem decepções que duram uma vida. Quando a decepção não é superada ela se eterniza.
Eterniza?
Problemas?
Existem problemas?
Problemas, problemas, problemas...
Ai que tédio pensar em problemas, em decepções, em o que podia ser e não foi, em sonhos, sonhos, nossa, sonhos, sonhos? Sonhos, para que sonhos?
Quantas pessoas vivem de sonhos?
Quantas desapaixonam de um minuto para outro?
Quantas não plantam nada para colher no futuro?
Quantas não falam sobre sexo para que as pessoas não saibam que elas fazem sexo?
Quantas vão embora?
Hoje têm duas festas para ir, mas fazer o que em duas festas?
Comer?
Beber?
Pensar?
Paquerar?
Distrair?
Relaxar?
Conversar? Mas...
Mas e se não quiser conversar? Como que pode ir numa festa sem conversar? As pessoas vão ficar pensando coisas. Pensando que é Jeca Tatu, que é anti social ou que é bicho do mato.
Já pensaram em ter uma casa de campo? Não sei se seria melhor uma casa de campo ou uma casa na praia. Não! Casa na praia não foi uma boa coisa não, talvez a casa de campo seja melhor até que um sítio.
Um sítio?
Quem sabe uma fazenda?
Nossa! Uma fazenda e ter todo o trabalho que uma fazenda exige? Tirar leite das vacas, alimentar os animais, pegar os ovos no galinheiro, montar nos cavalos, vacinar, plantar, capinar, nossa, quanto trabalho! Mas...
Mas e se a fazenda não der trabalho nenhum?
Por que quando duas pessoas namoram elas sempre tem uma música tema? Uma música que onde escutam elas ficam lembrando-se dos momentos de amor que viveram.  Mas...
E se duas pessoas namoram e não têm uma música tema? Será que elas não tem música tema por que não são românticas?
Provavelmente a paixão de muitas pessoas não combine com música nenhuma, deve ser isto. Mas...
Sem mas e sem mais perguntas!
É horrível ter uma decepção, lógico que é. O nosso nome devia ser superação, pois é o que fazemos todos os dias, nós superamos!
Para que caímos se vamos levantar? A vida é cheia dos tombos, sim, ela dá tombos enormes nas pessoas, mas ela não tira as estrelas do céu.
Ela não tira as estrelas do céu, não impedi que a lua ilumine parte do mundo, não para a chuva que cai incessante e muito menos que os raios de sol aqueçam nossos dias.
Não é o sol que aquece os corações e nem é a neve que esfria as emoções.
Atenção para o boletim metrológico (Risos).
Vim aqui só brincar um pouco até o Natal chegar.
Tenham uma linda sexta-feira.
Astridy Gurgel

A banda mais sapata da cidade!!

Ana Carolina - Problemas

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Conto - Louca por você! - Capítulo IV




Quando chegou a casa, a irmã estava lá a sua espera.
- Carina, que bom! Como foi o seu encontro com Julia?
- Fomos ao cinema. - Contou pegando as mãos dela – Ela é tão doce.
- Doce? Hum? Que coisa fofa! E vocês se tocaram?
- Não, ah Sara, nos beijamos no cinema! Foi tão intenso, tão gostoso, não sei como lhe explicar.
- Só beijo? Deve ter sido ótimo. E depois?
- Ela me levou em casa e me beijou de novo no portão.
- Vocês estão namorando?
- É! Ela quis assim. Claro que não falei em motel de jeito nenhum. Quando cheguei lá ela me deu uma caixinha de bombons de presente.
- Quem tomou a iniciativa do beijo?
- Ela! Eu estava morta de vergonha. Fui toda cheia de razão, com o texto decorado, mas quando a vi esqueci logo de tudo. Ela me liga o tempo todo. Fala coisas lindas, coisas que nunca pensei que alguém diria para mim.
- Que bom que você está feliz.
Carina ergueu a cabeça olhando a porta.
- Acho que estão batendo na porta.
- Não ouvi nada. – Sara falou se voltando.
Mas neste momento, ouviu e se ergueu indo até lá. Abriu dando de cara com Fabiana.
- Oi, posso entrar?
Sara colocou a mão na maçaneta, impedindo a passagem dela.
- O que faz aqui?
- Vim te convidar para jantar comigo.
- Você é louca? Eu já disse que não gosto de você.
- Não gosta, mas vai gostar. – Ela respondeu tranquila – Não posso entrar? Está acompanhada?
- Não é da sua conta.
- Devemos nos conhecer melhor.
- Mas...
- Eu sei que você me acha louca, mas não sou. Posso entrar agora?
- Não, não vai entrar. – Resolveu fechando a porta e saindo para o lado de fora da casa – Diz logo o que quer.
- Você sabe o que eu quero.
- Como é que eu vou saber! Eu nem te conheço.
- Parece que vou ter que ser direta.
- É! Acho bom mesmo que seja!
- Estou interessada em você Sara. Eu quero você. Quero namorar sério com você!
- Entendi. – Sara sorriu admirada – Está fazendo isto para me irritar, não é?
- Claro que não.
- Só pode ser ou não estaria batendo na minha porta. Quem te deu meu endereço?
- Achei no catálogo telefônico.
- Ao menos não meteu minha família nisto. – Sara suspirou olhando para a porta – Olha, tenho que entrar.
- Talvez pudéssemos sair amanhã.
- Eu não vou sair com você. Nem amanhã e nem dia nenhum. Gosto da minha vida assim sem problemas. Aconselho a se interessar por outra que esteja disposta a namorar se envolver. Boa noite!
Sara tocou a maçaneta e sentiu seu corpo sendo puxado contra o dela. Estava escuro ali na varanda e Fabiana a empurrou para a parede beijando-a na boca enlouquecida de desejo. Sara soltou um gemido sem reagir. A língua de Fabiana dançava dentro de sua boca numa sensualidade devastadora. Mesmo que ela não quisesse não tinha como não sentir a delícia daquele beijo. Fabiana roçou a coxa contra o sexo de Sara arrancando outro gemido de seus lábios neste instante.
- Ah...
- Sara...
- Para...
- Eu te quero Sara, deixa – Pediu levando a mão ao sexo dela.
A mão de Fabiana esfregou em cima do sexo dela com desespero, mas Sara a empurrou de si abrindo a porta e entrando correndo.
Fechou a porta na cara dela e foi ter com Carina. Ela estava tomando um drinque e ouvindo música sentada no tapete confortável.
- Quem era Sara?
- Ah? Ah, nada importante! Só o vizinho me dando um recado. Vou tomar um banho. Vai jantar comigo?
- Sim, adoraria!
- Já volto!
No quarto, ela fechou a porta, correndo até a janela. Viu o carro dela parado ainda diante do portão. Fabiana estava em pé na calçada fumando. Parecia ansiosa. De repente começou a andar de um lado ao outro. Sara saiu da janela assustada. E se ela voltasse a bater na porta? Droga! Correu para o banheiro tirando a roupa. Tomou um banho rápido. De volta ao quarto vestiu uma camiseta e um short. Apagou a luz e chegou à janela no escuro. Seu coração disparou ao ver Fabiana encostada no carro.
“Aquilo era algum tipo de brincadeira? Carina ia vê-la, todo mundo ida vê-la ali”, pensou desorientada. O que ia fazer?
Foi para a sala e suspirou vendo a irmã escolhendo outro CD na estante. Se Carina fosse embora iria vê-la plantada na frente do seu portão. Por isto perguntou para a irmã ansiosa.
- Carina, porque não dorme aqui hoje?
- Tudo bem, então vou ligar para mamãe.
- Ótimo. Vou preparar nosso jantar. – Contou indo para a cozinha. Pegou um prato pronto no freezer e colocou no micro-ondas.
Ouviu a irmã chamando-a na sala neste momento.
- Mamãe quer falar com você Sara.
Pegou o telefone parando diante da janela. Ela estava plantada na frente do seu portão.
- Oi mãe! Como vai?
- Estou bem! Tirando a preocupação com sua irmã. Ela está bem?
- Muito bem, não se preocupe.
- Então é você que está com problemas! – Concluiu, surpreendendo Sara.
- Eu? Imagine mãe, não tenho nenhum problema. Nós duas vamos jantar juntas, conversar e matar as saudades, nada mais que isto!
- Venha tomar chá comigo amanhã à tarde. Também estou com saudades de você. Tudo bem na clínica?
- Sim.
- Você vem amanhã filha?
Sara ergueu os olhos para a janela vendo Fabiana andar de um lado para o outro na sua calçada. Seus lábios ainda estavam queimando por causa do beijo dela. Suspirou sentindo as entranhas ensopadas só com aquela lembrança.
- Eu vou sim mãe! Claro que vou. Boa noite! Dê um beijo em papai.
Carina se aproximou e Sara fechou a cortina de uma vez. A irmã a encarou admirada. Olhou para ela e para a cortina perguntando surpresa.
- Por que você está tão tensa? O que mamãe falou com você Sara?
- Nada! Não estou tensa, só cansada. – Sorriu levando-a pelas mãos para a cozinha.
Sara abriu o armário pegando uma garrafa de vinho
- Este vinho é delicioso! Sente aí nesta cadeira que nós vamos beber uma taça.
Carina sentou, observando-a desconfiada. Sara abriu a garrafa e serviu duas taças. Brindaram e ela andou pela cozinha completamente perdida. Parou acendendo um cigarro. Tragou olhando para a sala agitada. Sentia que ela ainda estava lá, podia sentir.
- Não está mesmo saindo com ninguém Sara?
- Eu? Claro que não. – Riu, vindo sentar diante dela.
- Então o que você tem? Está excitada? Ou só está precisando de sexo? – Perguntou curiosa.
- De forma alguma. Não estou nada. Amanhã vou tomar chá lá em casa com mamãe. Já sei que vai me encher de perguntas.
- Sobre mim?
- Primeiro sobre você, depois sobre mim. Você a conhece.
Levou a taça aos lábios e ouviu o som do carro sendo ligado. Soltou a taça sobre a mesa, se erguendo e indo na janela da sala. O carro não estava mais lá. Voltou para a cozinha aliviada.
- Mais cinco minutos e podemos jantar – Contou dando um largo sorriso.
- Engraçado!
- O que?
- Nunca te vi assim tão perturbada. Se não foi mamãe ao telefone, então é outra coisa, mas isto está me cheirando à mulher. Aposto que conheceu alguém que mexeu muito com suas estruturas. Você está toda trêmula. Pode negar, mas estou lhe vendo Sara! Não quer se abrir comigo?
Sara engoliu em seco sentando diante dela com um suspiro.
- É uma bobagem que estou resolvendo, não merece perder tempo comentando.
- E eu conheço essa bobagem? Ela tem nome?
- Esqueça! – Pediu, servindo mais vindo em sua taça – Olha, o jantar está pronto. Vou pegar os pratos.
Não voltou a tocar no assunto e Carina evitou, percebendo o quanto ela parecia tensa. Ficaram pela sala conversando até mais tarde.
Depois foram dormir.
Carina dormiu, Sara não conseguiu. Passou a noite vagando pela casa. Tinha que se livrar daquela mulher! Do jeito que ficou diante de sua casa, era certo que não iria desistir facilmente. Só de pensar nela seu corpo estremecia todo. Por que ela conseguia mexer tanto com suas emoções? Não entendia aquilo.


Fabiana entrou na clínica de Sara, às cinco da tarde no dia seguinte. Tinha nas mãos um buquê de rosas. Parou diante de Renata a secretária entregando seu cartão. A moça leu e fitou-a com um largo sorriso. Antes que pudesse abrir a boca, Fabiana aproximou-se, já tocando a maçaneta da porta da sala de Sara.
- A senhorita Medeiros aguarda por mim. Não vou interromper nada, vou? Sou a sócia dos pais dela e marcamos uma hora ontem.
- Sim, mas...
- Perdão! Já estou atrasada. – Riu mostrando o relógio no braço – Ela me esperava às quatro.
Girou a maçaneta e entrou muito tranquila.
Sara estava no computador de costas para a porta. Imaginou que fosse Renata e perguntou sem se voltar.
- Por que não recebi o relatório da farmácia até agora?
O silêncio após sua pergunta a fez se voltar. Quando viu Fabiana com aquele buque de rosas, saltou da cadeira completamente chocada.
- O que faz aqui?
- Sempre a mesma pergunta! Rosas não te fazem sorrir? – Perguntou sorrindo e colocando as rosas sobre a mesa dela – Vim te ver e saber se considerou o meu convite do jantar para hoje.
Sara não conseguiu abrir a boca. Aquela mulher não tinha limites. Como se atrevia a entrar em sua sala daquele jeito? Ouviu uma batida na porta e Vilma surgiu com uma pasta na mão.
- Renata pediu para te dar o relatório da farmácia. Mas olhando estes números, não concordo com o fechamento dos meus pedidos no mês...
Ela ergueu os olhos da pasta e ficou muda, olhando para Fabiana Romano. Sara saiu de trás de sua mesa parando na frente do buque de rosas.
Vilma percebeu seu gesto. Não soube o que ela estava escondendo, mas percebeu sua tensão.
- Desculpe! – Sorriu estendendo a mão para Fabiana que apertou a sua com um largo sorriso – Sou Vilma Gomez, médica aqui na clínica.
- É um prazer, sou Fabiana Romano!
- Eu a conheço dos jornais.
- Ah sim!
- Bom, eu volto depois, foi um prazer sim – Vilma falou olhando Fabiana sem esconder o interesse.
- Digo o mesmo.
Vilma saiu e Sara recobrou o controle encarando-a chocada.
- Como se atreve a vir aqui trazendo rosas? Quer causar um escândalo?
- Todos sabem que sou sócia dos seus pais! – Riu, sentando graciosamente na cadeira diante dela – Por acaso não aprecia rosas?
- Não aprecio as suas rosas!
- Sua mãe vive dizendo que você é tão meiga, gentil e delicada, que estranho seu comportamento. Por que fica tão louca quando me vê?
- É muita pretensão sua me fazer essa pergunta. Não acredito que isto está acontecendo. – Falou dando a volta na mesa e pegando o aparelho de telefone – Se não sair, chamo a segurança!
- Nossa! Seguranças para mim? Prometi para mim mesma que seria paciente com você. – Contou se erguendo calmamente.
- O que foi que disse?
- O que você ouviu, Sara Medeiros. – Respondeu doce, se aproximando dela na mesa.
- Fique longe de mim!
- Vai gritar?
- Eu...
Fabiana se aproximou dela, erguendo as mãos e puxando-a para os seus braços. Sara arregalou os olhos surpresa.
- Pode chamar seguranças, polícia e até o exército, que não ficará livre de mim. Estou vendo que está morta de medo. – Riu confiante – Tem medo de gostar de mim, não é? De mim, dos meus beijos, do meu cheiro... – Estavam próximas e Fabiana prendeu-a mais roçando sua boca na dela. Sara reagiu tentando empurrá-la de si, mas foi em vão. Fabiana ria quando sua boca caiu suavemente sobre a de Sara. O beijo uniu mais seus corpos. Sara ficou imóvel, tentando se mostrar o mais fria possível. Fabiana não pareceu notar. Seus lábios moviam-se sobre os dela, num beijo voluptuoso. Beijo-a por longos minutos, sem soltá-la. Quando o fez, Sara ficou inerte, olhando-a sem conseguir falar. Fabiana ergueu a mão tocando o rosto dela com carinho – Vamos jantar qualquer dia, eu sei. Até lá ficarei pensando no sabor deste beijo. Sei que ficará pensando em mim também. Até logo.



Sara sentou diante da mãe no jardim meia hora mais tarde. Tomou duas xícaras de chá, ouvindo a mãe completamente silenciosa.
Estava pensando naquele beijo. Seus lábios ainda queimavam como se a boca de Fabiana ainda estivesse sobre a sua.
Distraída, acendeu um cigarro, tocando a boca admirada. A mãe tocou seu braço chamando sua atenção.
- No que está pensando, filha?
- Nada, não estava pensando em nada.
- Problemas na clínica?
- Não. – Sorriu e voltou a fitar o jardim distraída.
- Sara?
- Sim?
- Vamos passar o fim de semana na casa de praia e quero que venha conosco.
- Eu adoraria, mas...
- Seu pai e eu estamos muito decepcionados com você. Simplesmente não tenta ter tempo para nós. Não nos ama mais, é isto?
- Mãe! Que absurdo! Claro que os amo demais...
- Queremos um fim de semana inteiro com você ao nosso lado. Diga que vai.
- Eu...
- Se é tamanho sacrifício nós agradecemos sua presença. – Falou magoada.
- Não, desculpe! Só estava pensando que planejei ler alguns livros, mas tudo bem. Claro que irei com vocês. Estou mesmo precisando descansar um pouco.
- Iremos de helicóptero na sexta à tarde. Que bom que concordou, seu pai vai adorar.
- Eu... Preciso ir embora. – Falou se erguendo perdida. Precisava fazer alguma coisa para tirar aquela sensação da sua boca. Seu corpo todo estava queimando agora.
 Pegou sua bolsa, beijando a mãe rapidamente.
- Tem certeza que está bem?
- Tenho mãe, até sexta!


Quinze minutos depois, entrava na suíte de Adriana. Uma hora mais tarde, aceitou o drinque que Adriana lhe deu com um sorriso.
- Desculpe, não estou nada bem hoje.
- Ora, bobagem, isto acontece muito com as mulheres que vêm aqui!
- Mas eu não sou frígida! – Desabafou angustiada – Você me conhece bem. Poxa, eu vou e eu dou conta, que coisa desagradável!
- Escute, tem dia que é assim mesmo, a gente não se excita e pronto.
- Não sei o que está acontecendo comigo. Penso coisas que não quero. Imagino coisas que não posso. – Contou sentando na poltrona agitada – Odeio perder o controle de minhas emoções.
- Conheceu alguém?
- Não! – Negou saltando da poltrona – Só estou confusa.
- Está tensa, nervosa e aflita. Se você soubesse quantas das mulheres que vinham aqui,  se apaixonaram e sumiram...
- Não estou apaixonada, imagine! – Defendeu-se chocada – Adriana, eu não me envolvo com ninguém. Odeio compromissos, isto não é para mim.
- Hoje você veio aqui para que eu calasse esse grito que está lhe sufocando. Não fui capaz porque sua cabeça não estava aqui, estava em outro lugar, em outra mulher.
Sara fechou os olhos chegando à janela. O rosto de Fabiana estava diante do seu e a boca devorava a sua num beijo enlouquecedor. Voltou-se confessando assustada.
- Tem uma coisa me consumindo e não sei o que é.
- Desejo?
- Eu não sei! Preciso saber e ao mesmo tempo não quero. Alguma vez você ficou assim?
- Como?
- Pensando em alguém que mal conhece.
- Já passei por isto.
- E o que fez para sair desta?
- Fui pra cama com a pessoa.
- Não! – Gemeu virando o drinque – Não gosto dela. Nem sei se é isto! Não sei se não gosto, acho que é outra coisa, acho que gosto sem querer gostar!
- Como assim gosta sem querer gostar?
- Não gosto ou gosto, já disse que estou perdida demais com tudo que sinto.
- Sara...
- Ela é extremamente convencida. Nem a conheço e acha que pode ir invadindo minha vida. Não conheço e nem quero conhecer! Foi na minha casa. Apareceu na clínica com rosas, vive me convidando para jantar e com que direito?
- Deve estar apaixonada.
- Apaixonada? Como se não faz nem um mês que me conheceu? É uma louca, isto sim! Foi logo beijando minha boca! Acredita? Mas ela é tão ousada Adriana! É tão atrevida que foi logo pegando no meu peito no dia que nos conhecemos, acredita? Na casa dos meus pais! Praticamente na frente deles!
- Não? Pegou no seu peito?
- Pegou! E ela me agarrou na minha varanda e me beijou como se fôssemos... Ah!
Sara foi ao bar servir outra dose de uísque. Adriana fumava observando-a silenciosa.
- Não consigo nem dormir mais e fico louca da vida.
- E você achou que vindo aqui, iria esquecê-la?
- Eu nunca me envolvi com ninguém. Nunca namorei, não tive casos e muito menos amantes. Quando descobri que não podia passar sem sexo, comecei a vir aqui. Não sei o que fazer numa situação destas. Eu digo não e ela age como se eu estivesse dizendo sim. Mando-a embora e ela volta. Sou fria e distante e ela ri de mim. O que devo fazer para tirá-la do meu caminho?
- É muito complicado, eu sei!
- Preciso me acalmar. – Decidiu colocando o copo sobre a mesa – Nada antes me dominava assim, e não vai ser agora que vou deixar.
- Não se acha capaz de transar com ela sem se envolver?
- Mas eu não posso Adriana. – Falou chocada – Se estou pensando nela dia e noite sem nunca ter acontecido nada, imagine se acontecer?
- Mas aconteceram beijos e parece que estes beijos foram fatais para você.
- Os beijos foram todos inesperados. Jamais imaginei que ela iria ao meu trabalho e que me beijaria daquele jeito, nem na minha casa e muito menos no jardim da casa dos meus pais. Olha eu vou te dizer, ela não tem limites! Está me deixando completamente enlouquecida...
- De desejo! Eu percebo Sara. Gostaria de te ajudar – Adriana lamentou carinhosa.
- Ninguém pode me ajudar. Terei que resolver isto de uma vez. O melhor é não vê-la nunca mais. Com o tempo nem vou me lembrar que isto aconteceu.  Tenho certeza.
- Boa sorte então Sara!
- Obrigada Adriana, preciso ir. Até qualquer dia! – Falou saindo ansiosa.


CONTINUA…

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conto - Louca por você! - Capítulo III




Por toda a semana, ela andou se remoendo quanto àquela questão. Quase não dormiu, tal sua preocupação. Sabia que não devia ir. Sabia que não podia encontrá-la novamente, mas no sábado, tomou um banho caprichado e arreganhou as portas do seu armário. Usaria a roupa mais sem graça que pudesse encontrar. Claro, era isto! Tinha que se vestir sem atrativos. Era melhor chamar o menos possível atenção dela.

Entrou na casa dos pais, as oito em ponto. O mordomo a levou à sala, informando:
- Seus pais ainda não desceram. Vou chamá-los.
- Não, obrigada! Carina não está em casa?
- Está sim, na biblioteca, ouvindo música.
- Então obrigada, vou ficar com ela.
Encontrou a irmã ouvindo música de olhos fechados. Sorriu, beijando o rosto dela. Carina abriu os olhos fitando-a animada!
- Você veio, que bom! Temos que conversar muito.
- Sim, claro! Como você está?
- Estou péssima! – Confessou puxando-a para seus braços – Estou sentindo tantas coisas loucas! Meu corpo vive em fogo, estou perdendo a noção de tudo.
- Calma! – Sara sorriu, afastando-a de si – Temos tempo, fale o que está te incomodando.
- Estou tão apaixonada Sara! Oh Deus, você não sabe como é isto. Penso nela dia e noite. A noite chega e não durmo. Nem comer eu consigo. Eu a vejo na faculdade e quando volto para casa, estou tão ansiosa que fico no quarto tentando me satisfazer sozinha. Sara...
- Querida! – Riu beijando o rosto dela com carinho – Olha pra mim – Pediu doce.
Carina a fitou com os olhos cheios de lágrimas.
- Nada entendo do amor, mas não acho que ele tenha que ser assim tão doloroso. Afinal, essa garota gosta de você ou não? – Sara perguntou preocupada.
Carina abaixou os olhos e enfiou as mãos no sutiã. Sara ficou olhando, sem entender. Ela tirou um papel dobrado e estendeu para ela.
- Ela me mandou há três dias. Leia!
Sara abriu o bilhete lendo atenta.

“Carina, sei o quanto é ridículo escrever bilhetes. Eu tenho tanto para lhe dizer, mas agora as palavras me fogem. Estou aqui, sentada na escrivaninha do meu quarto. Todas as minhas noites têm sido assim, desde a primeira vez que meus olhos viram você. Um ano! E só agora percebo que você me notou. Ah Carina, se você soubesse dos meus dias, de minha dor, do meu amor! Sim, amor, amor, amor! Eu te amo! Te amei desde o primeiro minuto. Ridículo, não? Sabe por quê? É por que o amor fica meio vulgar, quase brega quando você tenta colocá-lo em palavras. Mas eu tinha que lhe contar, você tinha que saber. Preciso te ver, te olhar, te falar, te sentir. Perdão! Sei que é errado, somos duas mulheres e este amor é proibido, mas é puro, eu juro que ele é puro! O meu amor não é feio, ele é lindo! Pense nessas minhas palavras e se achar que estou sendo sincera, vá se encontrar comigo neste domingo no shopping, próximo à nossa faculdade. Eu estarei na porta do cinema e se você quiser, poderemos ver nosso primeiro filme juntas. Eu te espero! Júlia”

Sara dobrou o bilhete, achando a coisa mais linda e pura do mundo. Fitou a irmã tocando seu rosto com carinho.
- Então, você vai?
- Preciso ir, se não for eu morro!
- Ah Carina! – Suspirou, puxando-a para seus braços, para confortá-la.
- Vou encontrar com ela sim e vou falar dos meus sentimentos, vou contar tudo. Quero que ela saiba que estou morrendo sem ela. Que entenda que também a amo e que não importa se é pecado, se ofende alguém. Eu guardei algum dinheiro. – Contou feliz.
- Hum! Não vai ter problema com dinheiro, eu te dou o quanto você precisar. O que está pensando em fazer?
- Bom, iremos a um motel. – Contou animada, mas ao perceber o olhar da irmã, ficou confusa. - O que foi? Acha que motel é ruim?
- Olha, não é que eu ache motel ruim, é que se é o seu amor, tem que ir mais devagar. Quero dizer, motel é...
- Sujo?
- Não, não é isto. – Riu, balançando a cabeça – Assim, se você nem a conhece, não pode ir logo levando pra motel. Primeiro vem os beijos, os carinhos, o reconhecimento, o sexo, embora a gente morra de vontade, tem que ser com o tempo. Você nunca namorou ninguém mesmo?
- Não! Já te contei que não.
- Mas hoje em dia as pessoas estão sempre ficando, você sabe!
- Não, nunca fiquei com ninguém. Bom, a ideia de motel também não me soa romântica.
Sara pegou um cigarro, tragando pensativa. Carina riu, pegando a mão dela animada.
- Mas eu tenho a chave da sua casa. Se não se importar, posso usar o quarto de hospede. O que você acha?
- Sabe que eu nunca vou te negar nada. Se você precisar de um lugar para fazer amor, pode usar minha casa, mas se isto for só uma emoção sexual passageira, prefiro que procure um motel.
- Você nunca transou em sua cama? – Carina perguntou curiosa.
- Pois é, inacreditável, não acha? Às vezes, nem eu mesma acredito que sou assim. Nunca levei uma mulher na minha casa.
- Mas você é diferente, eu sempre lhe digo o quanto é especial. Cada vez te admiro mais.

Fabiana Romano estava sentada diante de Antenor e Susana. Por toda semana andou super ansiosa para ver Sara. Aquela Sara divina! Aquela mulher de ar superior, a mulher que sentada na sala de espera de uma prostituta, percorreu seu corpo com os olhos mais lindos que já vira. Os olhos dela eram negros, pretos, infinitamente pretos.  E os lábios dela, depois que a beijou, não conseguia pensar nada mais que não fosse voltar a devorar aquela boca maravilhosa. Queria e precisa sentir o corpo dela. Ela estava na casa dos pais, estava na biblioteca com a irmã. Tentava esconder sua ansiedade enquanto conversava com os pais dela. A vontade que sentia era de correr até a biblioteca para vê-la de uma vez.
- Oh! Aí vêm elas! – Antenor anunciou, erguendo-se para beijar as filhas que entraram na sala neste momento.
Fabiana bateu os olhos em Sara completamente encantada. Estava modestamente vestida. Usava um tênis velho, um jeans desbotado e uma camiseta folgada. Seus olhos caíram nos seus sem demonstrar a menor emoção. Um sorriso espontâneo surgiu nos lábios de Sara, ao estender a mão para Fabiana.
- É um prazer revê-la – Disse meiga.
- O prazer é meu. – Respondeu devorando-a com os olhos verdes brilhantes.
Sara retirou a mão, desviando os olhos discretamente. Fabiana percebeu que ela se afastou logo para fugir dela. Ainda a observava, enquanto a mãe a levava pelo braço até o bar.
 Antenor chamou a atenção de Fabiana, contando animado!
- Quando Sara disse que ia ser médica eu imaginei que nunca mais teria tempo para nós.
- É uma profissão linda. – Elogiou sentando ao lado dele – E deve ter muito orgulho dela, não é?
- Mas é claro que tenho! Porque ela não é só médica, é muito dedicada. Está sempre estudando e se atualizando. Isto é bonito e me deixa mais orgulhoso ainda.
Susana soltou o braço de Sara pegando a garrafa de uísque com um suspiro.
- Que tipo de roupa que é essa Sara?
- O que tem minha roupa? – Perguntou fingindo inocência.
- Um jantar como este e me aparece vestida como uma mendiga? Quer nos matar de vergonha? O que está acontecendo com você? Está ficando louca por acaso?
- Mãe...
Carina que servia gelo em seu copo falou baixo para a mãe.
- Deixa ela, mãe.
- Você não se meta! É outra que anda com a cabeça pelas nuvens! – Cortou enérgica – Vocês duas não são mais as mesmas, esta é a verdade. Não viu o quanto Fabiana ficou chocada ao te ver vestida assim? O que deve ter pensado? Supostamente que você não tem dinheiro para comprar nem um chapéu velho! Que horror!  – Suspirou encarando Sara decepcionada – O que aconteceu com todas aquelas roupas lindas que costuma usar? Você sempre foi elegante, nunca descuidou da aparência. Esqueceu a classe em casa?
- Desculpe! – Sara sorriu, beijando o rosto dela – Mas não vejo razão para este terremoto. Pode me dar um drinque ou serei castigada a noite toda?
- Sua irmã te serve!  - Falou deixando-as no bar e indo juntar-se a Fabiana – Deve desculpar Sara. – Foi logo dizendo ao sentar perto de Fabiana – Todos aqueles livros que vive lendo, deixam pouco tempo para se preocupar com a aparência.
- Não tenho nada para desculpar.
Carina passou o drinque para irmã, comentando baixo:
- Não se cansam de bajular Fabiana.
- Deu pra notar. – Riu, saboreando seu drinque.
- Ela é muito bonita, não é?
- Você acha?
- Não acha? - Perguntou confusa – Desculpe, mas se não acha está cega. Porque ela é bonita. É a mulher mais bonita que já vi. E tem as pernas mais perfeitas que já bati os olhos.
- Tem é? Não reparei. Ah, não fico olhando assim não Carina.
- Você não fica olhando? No outro jantar te vi olhando sim – Comentou divertida.
- Pensei que estava apaixonada por Julia.
- E estou; claro que estou! Isto não quer dizer que não vou achar outra mulher bonita. Acho que ela é lésbica porque vejo uma coisa diferente nela. Acho que esta nos olhos. O que acha?
- Não sei! Acho melhor irmos para lá antes que mamãe fique mais irritada.
Sara sentou diante de Fabiana cruzando as pernas. Acendeu um cigarro e seus olhos caíram nas pernas que todos elogiavam. Sentiu um nó apertando sua garganta. As pernas estavam cruzadas displicentemente. O vestido justo e sexy colava-se na altura das coxas divinas. Perfeitamente depiladas eram morenas e firmes. Os joelhos eram lindos. Só não pode avaliar os pés, porque estavam escondidos num belo par de sapatos social. Mas Sara lembrou-se daquela cinta liga mordendo os lábios perturbada. Neste momento desviou os olhos daquelas pernas que tanto a impressionaram assustada. Quantas vezes havia se perdido olhando para o corpo de uma mulher daquele jeito? Nunca! Normalmente não observava mulher nenhuma. Vilma estava sempre falando dos dotes de alguma nova mulher que conhecia nos bares tediosos. Costumava ouvi-la chocada com o comportamento dela e das amigas. Elas só faltavam despir as mulheres com os olhos. Até mesmo na clínica, costumava pegar Vilma devorando o corpo de alguma cliente mais bonita que o normal. Algumas vezes chegou a chamar a atenção dela, tal sua falta de tato. Vilma tinha uma tara que nunca teve e nunca entendeu. E foi do jeito que Vilma costumava devorar o corpo de certas mulheres que devorou as lindas pernas de Fabiana. O que estava fazendo? Que lhe importava se as pernas dela eram as mais lindas do mundo? Nem importava se ela era a mulher mais bonita da face da terra. Não queria saber de mulher nenhuma, muito menos dela. Por isto participou de forma discreta das conversas daquela noite. Evitou olhar para Fabiana a maior parte da noite. E nos momentos que teve que fitá-la, o fez de forma superficial. Assim viu aquele jantar terminar aliviada.
Quando Fabiana se aproximou para se despedir, ignorou a mão que estendeu para ela. Ela se aproximou beijando seu rosto, como era comum nos cumprimentos entre as pessoas. O que Sara não entendeu foi o fato dela erguer a mão e tocar seu peito. A mão dela tocou bem em cima de onde ficava seu coração como se ela o quisesse escutar batendo.
Os pais estavam atrás dela e não podiam vê-las dali, mas Carina que estava próxima ergueu as sobrancelhas observando-as admirada.
- O que pensa que está fazendo? – Sara perguntou completamente chocada.
- A coisa mais inocente do mundo. – Sussurrou, mergulhando nos olhos dela – Estou tocando o seu coração.
Sara se afastou perturbada. Aproximou da irmã respirando com dificuldade. Os pais já levavam Fabiana até o carro lá fora.
- O que foi aquilo? Ela estava pegando no seu peito?
- Pegou! Você viu que descarada?
- Não falei que ela era lésbica?
- O fato de ser entendida não dá o direito de tocar assim em mim. – Falou agitada – Que absurdo! Não passa de uma abusada.
- Ela passou a noite lhe comendo com os olhos. Acho que mamãe e papai perceberam. Não ficou perturbada com aqueles olhos verdes lhe devorando daquele jeito?
- Eu? Perturbada? Carina! É claro que não! Acha que deixo essas coisas me afetarem? Muita mulher descarada já me encarou assim. Olha esse tipo pra mim é o pior, sabia?
- Eu nunca te vi tão enfurecida como agora. Acho que ela mexe com você.
- Comigo? Você não me conhece! – Riu pegando a bolsa que deixou na poltrona – Amanhã passa lá em casa pra me contar como foi o seu encontro. É tarde, vou indo. Boa noite!
- Boa noite e dirija devagar. Você não me parece nada bem! – Recomendou preocupada.
- Estou bem, muito bem! – Respondeu saindo.
Quando saiu no pátio, o carro de Fabiana já ia longe. Despediu-se dos pais, entrando em seu carro e desaparecendo dali. Algo a corroia por dentro.
Naquela noite o sono demorou mais do que o normal para chegar.

Sara entrou na clínica às sete da manhã, no dia seguinte. Vilma estava pulando no corredor, as oito, quando passava para a visita dos pacientes. Parou perto dela, estranhando seu comportamento. Vilma foi logo falando animada:
- Temos que conversar. Eu te espero na sua sala.
Quando voltou da visita, ela estava aguardando em sua sala. Entrou e Vilma saltou da cadeira falando eufórica.
- Estamos comemorando! – Contou animada.
- O que?
- Ora, Fabiana tem ido todos os dias nos recantos gays. – Contou chocada – Não acha que temos que comemorar?
- Vilma! Faz ideia que estou trabalhando? – Perguntou fria.
- Você devia viver um pouco mais.
- Obrigada, mas vivo bem deste jeito. Era isto que tinha para me dizer?
- Por que você não gosta dela?
- Quem disse que não gosto dela?
- Sua atitude e sua fúria quando o assunto é ela!
- Isto é fantasia sua. – Respondeu, sentando em sua cadeira com a cara fechada – Se o assunto era este agora tenho que trabalhar.
- Mas Sara, eu só achei que agora que ela é sócia dos seus pais, achei que vocês duas vão ficar amigas e...
- Você é doida é? Não vou ficar amiga dela coisa nenhuma! Só porque ela é lésbica? Não tenho nada com isto não viu!
- Não precisa se irritar assim não Sara, só achei que você também a achava bonita.
- Ta bom Vilma! Agora me deixe trabalhar em paz. – Pediu, apontando a porta – E no futuro, peço mais profissionalismo da sua parte. Isto aqui é o nosso trabalho e lidamos com vidas humanas. Deixe as festas, as mulheres e a vida mundana para as horas em que estiver de folga.
Após a saída de Vilma, Sara acendeu um cigarro agitada. Mas o que era aquilo? Todo mundo só falava naquela mulher. Era sua família, seus colegas de trabalho e até Adriana! Adriana, a mulher que procurava quando estava louca para transar. Que droga!
Uma chamada para uma operação de emergência tirou-a daqueles pensamentos.

Eram cinco horas da tarde quando deixava o hospital. Passou rápido pela recepção e saiu para o estacionamento. Foi ali que deu de cara com Fabiana. Ela estava encostada no seu carro sorrindo lindamente.
- Oi, como vai? Vim saber como você passou de ontem. Achei que você ficou furiosa comigo.
Sara estacou olhando para ela e para seu carro suspirando.
- Passei bem, obrigada! Não precisava ter vindo aqui para saber disto.
- É! Eu podia ter dado um simples telefonema. – Comentou, afastando-se do carro com um olhar curioso. Apontou o carro, comentando admirada – Seu carro não combina com você. Uma médica rica e famosa devia andar num último modelo.
- Isto é bem típico de convencionais iguais a você! – Rebateu, metendo a chave na fechadura e abrindo a porta.
- Convencional, eu? – Fabiana perguntou surpresa – Está muito enganada. Espere, precisamos conversar.
- Precisamos?
- Sim, eu vim para falar com você.
- Falar o que?
- Vim te convidar para jantar hoje à noite em minha casa.
Sara deixou a pasta sobre o banco, voltando-se para ela completamente surpresa.
- Por que eu devia ir num jantar em sua casa?
- Seus pais são meus sócios, nós podemos ser amigas e uma infinidade de coisas. Não vejo mal nenhum neste convite.
- É, nem eu. – Riu, colocando o óculos escuros nos olhos – Mas não tenho tempo para este tipo de coisa. Não participo dos negócios dos meus pais.
- Mas você também é dona de tudo, e...
- Carina vai dirigir os negócios assim que terminar a faculdade. Eu sou médica e não me interesso por este assunto. Obrigada pelo convite. Se meus pais não te falaram, é bom saber que não costumo participar destes jantares de negócios. Até logo!
- Sara?
Segurando a porta do carro, Sara a encarou impaciente.
- O que é?
- Por que você está fugindo de mim?
- Fugindo? Não entendi, de onde tirou isto?
- Você sabia que eu era a sócia dos seus pais, quando viu minha foto nos jornais. O que você pensou? Achou que eu diria para os seus pais onde eu te conheci?
- Era só o que faltava! – Riu, soltando a porta e parando diante dela – A minha família não dá palpite na minha vida particular. E muito menos estranhos!
- Estou certa que não e não estou te julgando. Só não entendo, porque está fugindo assim de mim.
- Eu não gosto de você. – Falou sincera – Gostou mais desta resposta?
- Por que não gosta de mim?
- Não gosto do seu atrevimento. Odiei quando você passou a mão no meu peito na frente da minha irmã. Você pegou no meu peito na maior cara de pau. Você é doida por acaso? Aquilo foi o fim!
- Peguei no seu peito? Oh! Mas não foi do jeito que você está pensando – Falou depressa – Não foi de forma abusiva. Eu só estava...
- Não quero problemas, tá? Vamos continuar cada uma vivendo a sua vida, é melhor! Não gostei de saber que colocou detetive à minha procura. Esse tipo de coisa me irrita profundamente. Não gostei de você ir me beijando porque não te dei confiança para tanto. Acho que você me confundiu com Adriana ou coisa pior!
Fabiana sorriu desta vez olhando-a no fundo dos olhos. As palavras duras de Sara não pareceram afetá-la de forma alguma.
- Adriana pelo que vejo é muito fiel a você.
- Não, ela só esta defendendo seu negócio. Ah, e se ela disse que a procuro pouco, é mentira! Eu procuro muito, muito mesmo! Não te devo satisfação, sou livre, gosto de comandar minha vida. Tá bom assim? Agora tenho que ir.
- Tudo bem. – Sorriu, virando as costas e indo pegar seu carro que estava do parado outro lado.
Sara sentou ao volante, observando-a através do espelho. “Tudo bem”? Não acreditava nela. Por que desistiu tão fácil? Se ela se deu ao trabalho de colocar até um detetive para encontrá-la, como podia simplesmente aceitar um não e sair assim? Estava tramando alguma coisa, tinha certeza estava.

Continua…