domingo, 26 de outubro de 2014

Momentos de domingo.


Domingo com chuva é perfeito. Fazia tempo que não tomava chuva. Hoje foi o dia. Sai cedo para votar e decidi tomar o café da manhã em uma lanchonete. Eu, logo eu, deixando de comer meus ovos mexidos de domingo foi algo inédito. Milagres acontecem e lá fui distraída da vida. Comprei, paguei me distraindo com a televisão que estava ligada.
Neste momento escutei:
“Astridy? Tudo bem?”
Era um amigo de infância que não via há uns quatro anos. Quando tinha a loja ele sempre entrava para bater um papo quando estava indo trabalhar. Pelo o que percebi já havia lanchado e estava sentado lá apenas matando o tempo.
Matar o tempo! Como sei o que é isto. Ficar sentada olhando o ir e vir das pessoas. Dando uma pausa. Pensando um pouco na vida. Sentindo às vezes, sem sentir. Porque nada que se pense altera o que já foi vivido. Pensamento algum melhora ou piora. Porém, é importante educar a mente. Pelo menos para conter as tristezas que os pensamentos podem provocar se permitimos.
Ali naquele momento não estava pensando absolutamente em nada. O que estava comendo estava frio, quase sem gosto. O suco não estava descendo gostoso. Pensei rapidamente que deveria ter pedido um café. Sempre tomo café pela manhã. Onde estava com a cabeça quando pedi um suco? Alguma coisa estava errada e soube na hora o que era. Não devia ter ido comer na lanchonete. Logo depois de votar deveria ter ido fazer meus ovos mexidos e o meu delicioso café. Isto eu sei que sei fazer muito bem, um perfeito café de mulher (Risos).
Minha mente estava perdida nestes devaneios de estar fazendo algo que não queria, quando meu amigo de infância aproximou pagando a conta. Voltei-me para ele tocando suas costas e perguntando como ele estava. Já estava recebendo o troco e sorriu apontando uma mesa e pedindo:
“Podemos conversar um pouco?”
Sentei com ele. Percebi na hora que ele queria desabafar. Queria desabar mesmo!  
Enquanto ele falava joguei o que estava comendo na sacolinha plástica, porque de fato não estava agradável. Fiquei bebericando o suco porque sabia que iria dar cabo dele até o final daquela conversa.
Enquanto ele falava, pediu que eu não comentasse nada do que estava me contando sobre o que uma mulher fez com ele. Falou o nome dela e fiquei na mesma sem saber quem era a pessoa da qual ele falava. Eu sorri o tranquilizando:
Não se preocupe porque nem sei quem é essa pessoa da qual você está falando e nem tenho porque comentar nada disto.
Ele explicou quem era e fiquei na mesma porque realmente não recordei do rosto dela.
Então, de repente percebi que a voz dele estava ficando embargada. Fiquei olhando e pensando:
Ele vai chorar? Acho que está chorando por dentro. Ele está chorando sim. Apenas está se controlando porque esta na rua.
De repente os olhos dele ficaram vermelhos e não conseguiu mais conter as lágrimas. Elas começaram a escorrer pelo seu rosto e fiquei olhando surpresa para ele. Eu realmente não recordo qual foi à última vez que vi um homem chorar na minha frente.
Do outro lado da rua, em mais duas esquinas as pessoas estavam entrando e saindo dos locais de votação. Sentia que o país esta vivendo um momento histórico. As pessoas tinham ido para as ruas. Tinham gritado sua indignação em ondas e mais ondas de protestos. Diziam que o gigante acordou. Não achei que foi isto, as pessoas cansaram de serem bobas. Enfim, de uma forma que não compreendia estava satisfeita por ter votado certo e as lágrimas dele me fizeram pensar na sensibilidade que os homens também têm. Como não? Todos os seres humanos têm sentimentos. A frase mais detestável que conheço é: “Homem não chora.”
Os dedos dele tentavam secar as lágrimas rapidamente. Só que lágrima é um trem danado, quando começa a cair é difícil demais de segurar e principalmente de esconder. Sabia disto, ele, não sei se costumava chorar com frequência, parecia não saber.
“Chorar é lavar a alma.” Li isto uma vez e nunca esqueci. As lágrimas tiram um peso enorme de dentro da gente. Lavam a tristeza aliviando de uma maneira impressionante. Não entendo porque tanta gente tem vergonha de chorar. Chorar para mim é tomar remédio para curar uma dor sem ingerir nada. O remédio são as lágrimas. 
Por alguns segundos pensei em estender a mão para tocar o braço dele. Apenas para confortá-lo. Senti vontade de ajudar de alguma forma. Fiquei sem saber se devia e não o fiz. Permaneci fitando-o. Ah! Eu devia estar com uma cara de pena terrível. Ele não ficou sem jeito. Percebi que aquelas lágrimas estavam o aliviando. Disse para mim mesma que estava ajudando sentada ali escutando o que ele queria desabafar.
Bem no fundo do meu íntimo estava sufocando meus próprios sentimentos. Minhas aflições estavam quietas e sabia que as deixaria quietas onde estavam. Agora eram as lágrimas deles, pois as minhas tinham secado na noite anterior. 
Então ele falou:
“É muito difícil. Muito difícil mesmo.”
Sabia o quanto é difícil. Essa vida, este mundo, as pessoas, nooooo, ele não precisava saber o quanto eu tinha aquela noção.  
Neste momento ele conseguiu conter as danadas das lágrimas. Continuou falando enquanto eu ouvia pensando no quanto a vida machuca as pessoas. No quanto às pessoas machucam outras pessoas. No que o ser humano faz. O que ele é. Tantas vezes terrivelmente egoísta. Nossa! Para que viemos a este mundo afinal? Para machucar os outros? Ninguém parece pensar nisto pelo jeito. Que situação inconformante. Pessoas fazendo outras de bobas! Aí é que me dou conta cada vez mais que para relacionar com outra pessoa é preciso ser bastante cuidadosa. O problema esta aí, nem sempre conseguimos seremos cuidadosas (os). Porque nos entregamos cegamente. Temos o péssimo defeito de nos entregarmos sem conhecer direito a mulher. Caímos de quatro por uma mulher que pode pisar no nosso coração. Socorro! Tomei vacina para isto. Como? Uai! Não tiro mais o pé do freio. Vou, mas vou com o pé atrás. Vou com cuidado. Dou ré sempre que percebo que tem coisa estranha. Escuto sem acreditar tolamente em tudo que ouço. Escuto mais do que falo. Observo! Observo tanto que minha mente vai formulando vários relatórios. Formula e analisa o tempo todo. Aprendi a pensar antes de me entregar. Antes que meu coração seja alvo de destruição maciça.
Escutando as palavras dele fiz uma autoanalise de mim mesma. Lógico, fiquei satisfeita.
Minhas palavras para ele ao final da conversa foram essas:
Não confie tanto nas pessoas. Não seja tão ingênuo. Depois que você está no chão à pessoa ainda pisa em você se puder. Fique de cabeça erguida. “Não é só a ocasião que faz o ladrão não, é também o caráter!” Li isto em um texto em que uma jornalista estava caindo em si de como as pessoas são. Certamente algumas pessoas a fizeram de boba ou coisa parecida. Por isto não deixe que façam isto novamente com você. Só não deixe! Sabe por quê? Ninguém esta nem aí quando você cai. Ninguém liga. Então se ligue! Se você deixar, me ligue. Conversaremos tudo de novo.
        Deixamos a lanchonete andando juntos até a esquina quando nos despedimos com um aperto de mão.
        Voltei de baixo de um chuvão danado para casa. Só tinha uma rua para andar, já que a Prefeitura fica na rua de baixo.
Não fiz o café, mas os ovos mexidos fiz com todo o prazer. Comi pensando no quanto pensei em minha vida enquanto conversava na lanchonete. Realmente aprendi muito. O tempo em que era boba ficou para trás.
Ótimo domingo para vocês.
Astridy Gurgel
“Saudade dá, sempre dá, mas a gente disfarça, dorme, toma um café e finge que esquece." 
Desconhecido

sábado, 25 de outubro de 2014

Futuro! - Por Astridy Gurgel

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 15


Patrícia chegou à casa do padre, que ficava nos fundos da igreja, às dezoito horas. Ele estava lendo um jornal tomando uma xícara de café.
Ela sorriu comentando enquanto sentava:
     - Senti o cheirinho deste café lá da rua. Adoro café fresco.
     - Então tome comigo. Que bom que você veio. Achei que só iria vê-la no domingo agora.  
     Ele pegou uma xícara servindo café para ela. Patrícia bebeu um gole e ele perguntou pegando um torrão de açúcar fitando-a.
      - Esqueci que você usa adoçante. É à força do hábito. Vou pegar o adoçante para você...
      - Não, obrigada! Está bom assim. O açúcar é um veneno para o meu corpo. – Respondeu sorrindo gentil.
      - Você parece estar muito feliz.
      - Acabo de assinar um contrato milionário. É muito importante aproveitar a boa fase da minha carreira. Em alguns anos não terei mais espaço no mundo das passarelas.
       - Ora, que modéstia, Patrícia! Com a sua beleza ainda vai trabalhar muitos anos.
        - Não é assim neste meio. Com trinta anos você é considerada velha. Quero adquirir um bom patrimônio para viver tranquila quando a fama passar.
        - Pensar no futuro é muito importante, nisto eu concordo!
   Patrícia fitou o padre percebendo que ele a observava enquanto tomava alguns goles de café.
        - O que te aflige Patrícia? Quer se abrir comigo?
        - O senhor acredita em inferno?
        - Não, não acredito não!
        - Eu também não. – Patrícia comentou descruzando a perna ansiosa. – Não paro de me perguntar algumas coisas. O senhor é um padre moderno e cheio de opiniões avançadas. Acredito mesmo que seja um liberalista...
        - Sou um homem de letras e adorei fazer o curso de filosofia. Acredito que é preciso caminhar com o progresso. O mundo está mudando muito. Não podemos parar no tempo.
        - Padre? Responda do fundo do seu coração. – Patrícia pediu sufocada. – O senhor acha que é pecado uma mulher amar outra mulher?
Ele balançou a cabeça fitando o imenso jardim ao lado da igreja.
        - Parece incrível que você ainda se pergunte sobre isto. É lógico que eu não vejo o amor entre iguais como um pecado. Ah, que o bispo não me escute! Realmente não tenho liberdade para falar sobre isto no meu sermão durante as missas. Se o fizesse, iria escandalizar inúmeras pessoas. Pessoas de mente pequena e tacanha. Pessoas que tento orientar, tendo muitas vezes pena por ver nelas tanto preconceito inútil.
        - Eu sei padre Antônio, sei o quanto a religião católica é castradora também. 
        - A igreja considera todo sexo praticado fora do casamento um pecado. Isto porque baseia seus princípios nas escrituras da bíblia. Eu considero que o amor é uma benção, portanto, não vejo pecado no amor. Nem todas as pessoas vão se casar. No tempo de Jesus mesmo, nem todas as pessoas casavam. Então se uma pessoa não se casa ela não pode praticar sexo? Isto é de uma ignorância absurda! Nunca concordei com a doutrina bíblica sobre o pecado original. Deus não despreza e nem odeia nenhum de seus filhos. Se existe algum inferno, só vamos saber o dia que deixarmos este mundo. Várias vezes você mesma me disse que o inferno é aqui na terra. Também acho que seja.
          - Mas a bíblia condena o homossexualismo!
          - Mas eu não escrevi a bíblia! E para falar a verdade, discordo de muitas passagens descritas nela. Jesus disse: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e vos sortar-vos-ão.” Convenhamos Patrícia, as palavras de Jesus foram muito claras. Toda a distorção que os homens fazem ao tentar entender a bíblia é lastimável. As palavras foram ditas e elas são imutáveis! O preconceito sempre vai querer distorcer a verdade. Ler a bíblia não significa pegar o que está escrito ali e sair praticando. Nós não somos gado humano, não somos burros de cangalha. Temos que ler e tirar o melhor proveito daquilo que está escrito para aplicarmos na nossa vida. Temos que interpretar cada frase lida. Não sair repetindo por aí feito papagaios.
        - Eu sei padre, entendo muito bem o que o senhor está dizendo. Eu não acho que seja pecado amar uma mulher. A minha mãe não acreditava no amor...
        - Boa noite, padre Antônio!
Os dois se voltaram, vendo Samanta surgindo ali com um largo sorriso. Ela estendeu a mão para o padre, sentando depois ao lado de Patrícia.
        - Espero não estar atrapalhando a conversa de vocês.
        - Não, não atrapalha! – O padre falou sorrindo e a criada entrou trazendo uma xícara. – Estamos saboreando um delicioso café. Você aceita?
        - Sim, obrigada!
        - Estava falando sobre minha mãe. – Patrícia comentou olhando-a ainda surpresa por ela estar ali. Tinha combinado que iria à casa dela mais tarde.
        - Eu ouvi. E por que a sua mãe não acreditava no amor? – Samanta perguntou curiosa.
        - Ela dizia que o casamento só servia para escravizar a mulher ao homem. Por isto o homem inventou o casamento para justificar seu poder de ter uma mulher só para ele. E para que as mulheres não pudessem se queixar da sua sorte, o amor foi inventado. Ela casou com meu pai, mas nunca foi feliz com ele. Minha mãe sempre foi uma mulher triste. Acho que algumas pessoas têm este Karma da tristeza.
       - Bom, eu não tenho nenhum karma de tristeza. Falando nisto padre, já que Patrícia estima tanto o senhor e sua igreja, vou pedir um favor para o senhor.
       - Pois não, que favor Samanta?
       - Quando eu morrer, quero que o senhor reze uma missa para minha alma todas as sextas-feiras e todos os domingos...
       - Samanta pelo amor de Deus, não fale isto nem brincando! – Patrícia pediu assustadíssima. – Por favor, padre, ela só está brincando.
        - Ora não estou brincando coisa nenhuma. Um dia vou morrer como todos vão Patrícia, não seja boba. Está combinado padre?
        - Se você está mesmo falando sério, está combinado sim. Não se fala mais nisto.
        - Perfeito! – Samanta respondeu satisfeita.
A criada entrou naquele momento chamando o padre:
        - Algumas pessoas querem vê-lo padre.
        - Com licença! Já volto! – Ele falou saindo com a criada.
        - Samanta, por que falou aquilo? Que coisa horrível de ouvir.
        - Por nada não, amor. Só pensei que quando eu não estiver mais aqui, será bom saber que através do padre você ainda se lembrará de mim.
        - Por favor, não fale mais nisto se não vou ficar muito chateada com você. – Pediu sentida.
        - Tá, não falo mais! Não aguentei te esperar, amor! Tinha que te ver agora.
        - Tudo bem! – Sorriu olhando-a com carinho.
        - Quero fazer amor com você, Patrícia. – Confessou puxando-a para si e beijando-a com desejo. Patrícia afastou-se rápida olhando-a assustada.
        - Ficou louca? Aqui é a casa de Deus!
        - Casa de Deus? – Samanta perguntou olhando envolta. – Pensei que a casa de Deus fosse no céu!
        - Samanta! Aqui não pode! – Respondeu olhando-a com censura.
        - Ora Patrícia, foi só um beijo! Imagine se existe casa de Deus! Aqui é a casa do padre Antônio. O único Deus aqui é ele! Aliás, o que mais existe neste mundo são padres passando por Deus aqui na terra!
        - Sua falta de fé é uma pena. – Patrícia respondeu sentida.
        - O que tanto você busca aqui? Eu não te completo não? Quer que seu Deus te perdoe por amar uma mulher?
        - Muito antes de te conhecer já tinha minha fé. – Respondeu decepcionada com as palavras dela. – O que busco? Busco a mim mesma. Busco paz, conforto e entendimento dos meus sentimentos. Busco mais esperança para seguir com a minha vida. Para ter mais força, coragem e um melhor discernimento deste mundo tão complicado. Tenho amigos e se não consegue aceitar vamos brigar todos os dias.
        - Se eu não te amasse tanto, garanto que não tentaria entender nada disto. – Samanta respondeu olhando para o pátio com a cara fechada.
O padre apareceu neste momento encontrando as duas mudas. Comentou percebendo como estavam tensas:
        - Desculpem, mas tenho que sair. Se quiserem ficar conversando não vejo problemas.
        - Não! – Patrícia respondeu erguendo-se decidida. – Temos que ir. Obrigada pela conversa agradável.
        - Eu que agradeço sua ilustre e querida presença. Não se esqueça do almoço de domingo. Estarei esperando vocês. Até logo!
  Saíram juntas sem conversar. Na rua cada uma seguiu para o apartamento de Patrícia no seu próprio carro. Lá Patrícia subiu na frente sem esperar por ela.
  Patrícia a viu fechando a porta do quarto aproximando dela agitada.
       - Posso saber o que eu fiz para irritá-la tanto?
       - Não me irritou tanto assim. – Respondeu fitando-a com carinho.
       - Patrícia, por favor! – Pediu tocando a mão dela. – Deixe-me te conhecer mais. Sinto que você confia mais naquele padre do que em mim.
       - Imagine! – Ela sorriu olhando suas mãos entrelaçadas.
       - Estou tentando te entender, mas nem sempre consigo.
       - Somos apenas diferentes, isto é normal.
       - Por que não creio em Deus? Por que não creio no padre Antônio?
       - Você crê em quê? – Patrícia perguntou com um suspiro.
       - Creio na vida como ela é. O que me importa é o nosso amor. A única coisa que quero é ser feliz com você.
       - O que te importa é me ter quando bem quiser! – Respondeu olhando-a desta vez no fundo dos olhos.
       - Exatamente! Quero você, mas não a encontro em casa. Seus compromissos com a caridade são maiores do que eu soube no início.
       - São mesmo, tem toda razão! Sou Patrícia e não Bruna! Bruna abandonou a carreira para ter todo o tempo livre para você. Vivia em casa, esperando para transar! Mas não sou ela, de maneira nenhuma!
       - Não quero que seja como foi com Bruna. Só quero que tenha mais tempo para mim. – Comentou incomodada.
       - Não posso te dar mais, Samanta. Sinto muito!
       - O que quer dizer com isto? – Perguntou confusa.
       - Quer dizer que neste exato momento posso ser sua. Amanhã farei dois desfiles. À noite terei um jantar de negócios e chegarei tarde. Mas se você vier, ficarei feliz. É isto que estou dizendo. Nada vai mudar porque estamos juntas.
        - O meu amor é tão pouco importante assim para você?
        - O seu amor é importante demais para mim. Se for amor, espero que ele seja paciente e normal. Mas se o seu amor for carregado de uma fome que escraviza, então só terei a lamentar. Porque o amor que eu quero não é um amor egoísta.
        - Devo entender que prefere ficar batendo papo com o padre a fazer amor comigo? – Perguntou desorientada.
        - Vê como você é? As coisas que diz são absurdas! – Lamentou mais triste ainda. – Eu sou humana e tenho sentimentos. Também tenho dúvidas e medos. Acha que tudo tem que girar em torno de você? Não é assim! Não é mesmo.
        - Você fala e não te entendo. – Samanta reclamou agitada. – Sabe o que está fazendo comigo?
        - Vamos deitar. – Respondeu indo para o banheiro fechando a porta.
De lá pediu num tom calmo.
        - Pode ir deitando Samanta. Eu já vou deitar com você.
   Patrícia voltou ao quarto dez minutos depois. Deitou puxando Samanta para seus braços louca de desejo. Era assim que era com Samanta, completamente apaixonada, no entanto lutava contra aquele domínio que parecia ser crucial para Samanta. Não podia permitir que ela fizesse o que fez com Bruna. Ela tinha dominado Bruna e a afastado de tudo e de todos. Com ela Samanta não faria isto, pois não permitiria.
Forçou o corpo dela, deitando com delicadeza sobre ela. Livrou-a da camisola e da calcinha rapidamente. Patrícia deitou nua sem o menor pudor.
        - Que delícia você já está nua. – Samanta sussurrou interrompendo o beijo apaixonado que trocavam neste momento.
        - Nua para você querida...
        - Você me enlouquece Patrícia.
        - Então me beija. Beija como beijou lá na igreja. Aqui na cama eu permito tudo. Vem...
        - Espera! – Sorriu escapando dela na cama e indo até sua bolsa. Tirou algo de lá voltando correndo para a cama. Mostrou o creme para ela rindo feliz. – Comprei hoje.
        - Ah! Vai ser melhor que o sabonete. – Patrícia comentou beijando-a profundamente.
Samanta livrou a boca descendo-a pelo pescoço até chegar aos seios. Beijou e sugou-os com desejo. Ergueu a perna para pressionar o sexo de Patrícia excitada. Ela sorriu roçando os seios na boca dela assanhada.
        - Fico louca para ter você, mas você é ansiosa, não sabe esperar em casa. – Patrícia contou jogando a cabeça para trás entregue.
        - Você não precisa trabalhar tanto. – Samanta respondeu mordiscando o biquinho do seio dela. – Pode fazer um ou dois desfiles. Sobraria mais tempo para nos amarmos.
        - Eu te dou todas as minhas noites. Nós temos tempo até demais.
        - Ai, vira para mim. Estou louca para te comer...
        Patrícia sorriu virando de forma provocante na hora.
        - Pronto, vem! Sou toda sua, me possua. Vem gostosa!
        - Adoro te possuir assim. – Samanta falou abrindo rapidamente o potinho e espalhando o creme. Começou com carícias, até a possuir realmente. Patrícia rebolava provocando-a excitada.
        - Ai, que tesão... Vem...
        - Vou cachorra safada, ai...
        Depois que as duas explodiram juntas num gozo delicioso, Patrícia deitou abrindo as pernas, deixando Samanta cair de boca em seu sexo. Fechou os olhos entregando-se completamente. Depois mudou de lugar com ela, buscando aquele sexo que a deixava louca de desejo.
À noite as engoliu sem que elas conseguissem matar aquela ânsia que sentiam uma da outra. 
                                                   Continua...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Você se valoriza e é valorizada?


A relação sempre fala.
Bom dia moças!
Existe um dia D na vida de todo mundo. O dia que se analisa o que esta vivendo em uma relação. No geral as mulheres vivem coisas maravilhosas. A paixão, o amor, os carinhos, o prazer, os momentos que fazem sorrir sem saber por que, embora se saiba que os sorrisos acontecem por ter aquela mulher.
A felicidade pode parecer constante se deixar a questão da valorização de lado. Porque mesmo vivendo toda a felicidade com a amada, existe algo que nunca se quer ver. No geral ninguém quer ver algo tão crucial.
Na relação existem os momentos perfeitos. Como também existem os péssimos momentos. Às vezes ambas pisam na bola. Ou uma, ou outra, não existe sequência para os problemas quando acontecem.
É muito ruim se desentender com a pessoa que se gosta. Porém, acontece e é nestes momentos que os olhos se abrem de uma maneira espetacular. Percebe-se o egoísmo dela ou o seu. Porque ninguém é santa.
Não existe instante melhor para avaliar o relacionamento como nos momentos de atrito. No geral o ciúme é a causa mais constante. Existe quem alegue não sentir ciúmes, a namorada que o diga.
O ciúme é um caos nos relacionamentos, mas enfim ele existe e aprendem a conviver com ele.
A questão é quando surge o atrito e existe um afastamento. As coisas que as mulheres fazem para fazerem as pazes. O medo, a aflição, a tristeza, tudo que sentem quando brigam com a namorada aflige. Porém, o que fazem para ficar de bem novamente é o que as leva a pensar no quanto se valorizam.
Quando chegam a pensar no quanto se valorizam, automaticamente começam a pensar no quanto à namorada as valorizam.
É certo que alguns desalinhamentos na relação são por pequenas bobagens. Bobagens que se tornam imensas quando ficam importantes sem ser de fato. Costuma ser nestes momentos que coisas que não se notava antes vêm à tona.
Então se depois de uma briga a namorada se afasta passando a conviver com amigos como se nada tivesse acontecido por que ficar correndo atrás dela?
Por que a ama! Sim, é justo, mas por amar necessita se humilhar tanto? Sabendo que ela está saindo e curtindo com outras pessoas. Sentida por ela não ligar e nem atender as chamadas. Inconformada por ela não responder os torpedos. Seu mundo desmoronando de saudades e ela simplesmente não dá nem sinal de vida?
Tem quem vai atrás. Tenta forçar uma aproximação. Às vezes dá sorte de fazer as pazes. Outras vezes dá tudo errado e passam a se sentirem piores do que estavam.
Aí vem aquele momento que começam a enxergar e a se perguntarem:
Será mesmo que me valorizo? Será mesmo que sou valorizada?
O certo é se valorizarem e sejam valorizadas.
Relacionamento tem céu e inferno. Não é felicidade o tempo todo, nem tristeza por muito tempo. É preciso prestar atenção nos sinais.
Para relacionar é necessário estar preparada para situações inusitadas e ter coração forte, porque se não tiverem não aguentam tantas desilusões. Ou surpresas, que por muitas vezes tendem a ser extremamente desagradáveis.
O amor é uma das coisas mais belas que se pode ter na vida. Amor mesmo, amor verdadeiro é inteiro. Quem ama e é amada entende muito bem.
Amor sem respeito e cuidado não dura. Antes de tudo se valorize, porque se vocês se valorizarem farão tudo diferente e serão valorizadas.
Ótimo final de semana para vocês!
Astridy Gurgel
Texto postado no site Parada Lésbica em 24/10/2014.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não deixe! - Por Astridy Gurgel

sábado, 18 de outubro de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 14


No horário marcado, às duas da tarde, Patrícia entrou no ateliê de Samanta. Passou a chave na porta aproximando dela com um sorriso provocante.
       - Amor? – Samanta perguntou confusa. – Já estão todos reunidos nos aguardando para resolvemos os termos sobre a assinatura do seu contrato.
       - Você é a chefe, eles têm que esperar por você. Senti uma saudade infinita dos seus beijos.
       - Eu também, amor. – Samanta sorriu beijando-a apaixonadamente.
        Patrícia envolveu mais a cintura dela roçando seus sexos excitada. Samanta gemeu tentando deter o beijo, mas Patrícia não permitiu. Desceu a mão acariciando as pernas dela.
        - Calma meu amor... – Samanta pediu tentando contê-la.
        - Estou calma. Só vou te sentir um pouquinho.
        - Ai, querida ela está meio dodói...
        - Ah dodói? Então precisa de carinho para ficar boa logo. – Sussurrou entre os lábios dela. A mão subiu acariciando por cima da calcinha. Samanta gemeu sem resistir.
              - Oh...
              - Ai, ela tá latejando! – Patrícia falou afastando a calcinha de uma vez. Entrou nela delicadamente. Seus dedos deslizaram ali enquanto ela sorria comentando excitada. – Ela está dodói, mas molha direitinho quando toco nela.
          - É que eu não sou de ferro.
Patrícia pegou a mão dela, erguendo o vestido e colocando-a sobre seu sexo.
          - Toca em mim, me dá carinho também...
          - Ai, safada... Vou dar sim. – Gemeu afastando a calcinha para entrar nela. Quando a sentiu molhada daquele jeito, roçou a boca na dela perdendo a cabeça – Você é vulcão mulher.
          - Sou sim. Preciso ser acudida a toda hora. Ai que delícia de dedinhos! Safadinhos eles, ai adoro, não para. Ai...
         - Gostosa...
         - Sou...
         - Mexe gostosa! Rebola para mim. Ai...
         - Come sua mulher. Come que eu faço tudo que você quiser. Aiii...
         - Eu como, preciso te comer, ai, deixa por trás Patrícia...
         - Aqui não! – Riu entrando e saindo dela mais rapidamente. – Em casa, hoje à noite...
         - Ohohoh...
         - Geme baixinho, baixinho... – Sussurrou no ouvido dela passando a rodear o clitóris deliciada. – Geme no meu ouvido. Só pra mim, geme. Ai...
         - Ah gostosa, que buceta deliciosa...
         - Mais...
         - Amo você minha puta...
         - Ai...
         - Cachorra! – Samanta falou enquanto deliciava-se com os dedos no clitóris dela.
         - Vou gozar para você... – Patrícia avisou já explodindo de prazer.
         - Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Também vou, gozaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
         - Oooooooooooooooooooooooo...
Elas ficaram abraçadas até suas respirações voltarem ao normal.
Foi Patrícia que afastou dela comentando séria:
          - Vou lavar minhas mãos e nós vamos para a sua reunião. Está bem?
          - Sim, tenho que lavar as minhas também. – Sorriu indo até o banheiro com ela.
Depois de lavarem as mãos foram para a reunião.
Patrícia cumprimentou os presentes, ouvindo tudo que falaram. Depois pegou o contrato lendo com muita atenção. Enquanto lia, ignorou os advogados, Samanta e Sandrine que aguardavam olhando-a curiosos. Quando terminou de ler, colocou o contrato sobre a mesa com um sorriso.
          - Muito interessante, mas um contrato de dois anos? Já posso sentir aquelas amarras me prendendo.
          - Pelos termos Patrícia, você ficará livre para fazer desfiles até fora do país se quiser. – Sandrine explicou confusa. – Você está tendo algo que nenhuma agência vai te dar.
          - Também estou dando o que nenhuma agência terá! – Respondeu fitando Samanta com atenção. – Concorda?
          - Claro! – Samanta respondeu sorrindo e pegando o contrato rapidamente. – O que você quer que eu coloque aqui?
          - Um contrato de seis meses seria o ideal.
          - Perfeitamente! – Samanta respondeu escrevendo a caneta seis meses e entregando o contrato para a secretária pedindo séria. – Mande redigir e traga de volta agora mesmo, por favor!
          - Como quiser! – A secretária respondeu saindo com o contrato rapidamente da sala.
          - Samanta? – Sandrine chamou atenção de Samanta apertando o braço dela delicadamente. Mas Samanta não a olhou, continuou olhando encantada para Patrícia. – Samanta?
          - Oi? – Ela perguntou voltando-se de uma vez para Sandrine. – O que foi?
          - Você está tratando de negócios aqui, se lembra?
          - Ora, mas é lógico que estamos tratando de negócios. Do que mais seria?
         - Seis meses não é um fato comum nos contratos que as modelos assinam com a sua agência, Samanta! Acho que isto precisa ser analisado com mais calma. – Sandrine aconselhou cautelosa.
         - Realmente Samanta, acredito que para a sua agência não é conveniente um contrato com um prazo tão...
         - Só quero que ela desfile para mim! – Samanta cortou fitando o advogado decidida. – O prazo não me importa. O que sei eu do amanhã? O que sabem vocês? Ora meu Deus, ela é a modelo do momento! Eu a quero na folha de pagamento desta agência. O resto são questões menos relevantes. Não me importam as conveniências e nem os termos. O assunto está encerrado!
        - A questão é que um apartamento mobiliado e um carro, além do salário exorbitante, extrapolam o admissível para um contrato reduzido para seis meses! – Outro advogado comentou admirado com Samanta.
       - Realmente não vim aqui para causar transtornos. – Patricia falou encarando os advogados e Sandrine.
       - A senhorita há de convir que vantagens deste porte não se justificam num contrato no prazo que acabou de estipular aqui. – O advogado explicou para Patrícia seguro de si.
       - Recebi propostas muito mais vantajosas do que Samanta está oferecendo agora. Não tenho interesse algum em assinar um contrato e se aqui estou é porque Samanta me pediu. Logicamente não estou apreciando o andamento das coisas e acredito que é melhor não assinar contrato nenhum!
       - Ignore-os, Patrícia! – Samanta pediu com doçura. – Aqui é você quem dá as ordens. Somos meros espectadores seus. – Sorriu encarando os advogados e depois Sandrine. – Não é verdade minha gente?
   Todos concordaram confusos balançando a cabeça.
Samanta sorriu mais satisfeita comentando em seguida:
       - Seria uma pena que cabeças rolassem por causa de um simples contrato entre amigas. Todos aqui entenderam que você vale mais do que estou me propondo a te pagar. Agradeço muito que tenha vindo me atender.
       - Para mim foi um prazer fechar negócio com a sua agência. – Patrícia respondeu tranquila.
       - Os prazeres serão nossos. – Samanta prometeu com um brilho intenso nos olhos.
       - Obrigada!
O contrato foi assinado momentos mais tarde. Todos saíram deixando as duas a sós.
Patrícia beijou Samanta apaixonadamente agradecendo orgulhosa.
       - Você foi maravilhosa tomando meu partido.
       - O amor me cegou! – Samanta confessou encantada. – Perdi o juízo e a razão por sua causa.
       - Assim você me deixa sem jeito. Agora preciso ir para um desfile. Desculpe, mas já estou atrasada.
       - Você vai me encontrar lá em casa essa noite?
       - Vou sim, Samanta! – Respondeu beijando-a e saindo às pressas.

 Carmem Santiago abriu um largo sorriso quando o padre Antônio apareceu para tomar o chá da tarde com ela naquele dia.
Apontou uma cadeira para ele, sentando diante dele sem esconder sua satisfação.
      - Que prazer receber o senhor aqui, padre! Infelizmente não tive condição de ir às missas nestes últimos dois meses.
      - Não Carmem, entendo muito bem o seu estado de ânimo. Como você tem passado?
      - Ah padre, tenho estado muito triste! Sinto uma saudade imensa da minha mãe. Fico aqui nesta casa sem ver muita graça em nada.
      - Você não gostaria de ajudar na distribuição da sopa para os pobres na igreja?
      - Sim, acho que será muito bom sair um pouco daqui.
      - Você precisa ver a obra do hospital. É incrível o que o dinheiro faz. Patrícia é uma pessoa boa demais! Tenho rezado muito para que ela consiga ser feliz.
      - Ah sim, eu penso muito nela. Na força e na coragem que o senhor contou-me que ela tem. Ela está se recuperando bem da morte da amiga?
      - Sim, muito bem! Patrícia é muito sensata. Ela sabe que nestes casos é preciso entender que Deus sabe o que faz.
O padre inclinou pegando a xícara e viu uma revista com a foto de Patrícia na capa sobre a mesinha de centro.
      - Vejo que você está acompanhando a carreira dela de perto.
Carmem olhou a revista comentando baixo:
      - Já disse ao senhor que eu a acho maravilhosa. Depois de tudo que me contou que ela passou, de fato leio tudo sobre ela. Por acaso ela conseguiu conquistar o coração da estilista?
      - De fato conquistou sim. Elas estão apaixonadas. Formam um lindo casal.
      - Acho bonito o senhor não ter preconceitos. – Carmem comentou admirada.
      - Preconceito não passa de ignorância e falta de cultura. Como poderia ter preconceito contra uma pessoa negra? Ou contra uma pessoa obesa? Contra duas pessoas do mesmo sexo que se amam? De forma alguma! Todas as pessoas assemelham-se espiritualmente. As diferenças e a conduta de cada pessoa, sua orientação, opção ou o tipo de vida que vive não me cabem julgar, muito menos creio que Deus julgue um de seus filhos aqui neste mundo. Eu tenho trinta e cinco anos de idade, imagine você. A meu ver, o que deve unir as pessoas é o amor. O amor é que dá tranquilidade e paz ao coração de todos os seres humanos.
        - Infelizmente padre devo confessar que acharia maravilhoso se a sua amiga Patrícia não fosse apaixonada pela estilista. Gostaria de tê-la conhecido primeiro. Quem sabe eu teria tido a chance de conquistá-la? Mas infelizmente nós nunca nos cruzamos e foi através do senhor que eu me encantei perdidamente por ela.
        - Eu percebi isto muito bem Carmem, mas creio que foi devido a sua fragilidade com a perda da sua mãe nas mesmas condições em que a mãe e a amiga de Patrícia morreram. O fato de ambas terem morrido de AIDS despertou o seu interesse nela. Você sabe que ter ilusões com relação a ela será doloroso demais para você, não é mesmo? Realmente ela está apaixonada por Samanta e acredito que elas serão muito felizes juntas.
        - O senhor tem toda a razão, alimentar este sentimento por uma mulher que está apaixonada por outra é uma grande loucura. De qualquer forma a vida é assim mesmo, nem sempre quem desejamos pode nos pertencer. Não se preocupe, pois entendo muito bem que seja assim. A vida é sempre mais real do que nós queremos que seja.
        - Infelizmente é sim. Mas ia te contar sobre a obra do hospital. Com a última doação, as paredes começaram a ser erguidas. O arquiteto acredita que a obra está... 
                                                         Continua...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Acordando. - Por Astridy Gurgel

sábado, 11 de outubro de 2014

Passando Por Nós. - Por Astridy Gurgel

Apresentar a namorada para os pais.


Chamada: Cada pessoa tem o seu tempo.
Olá moças! Estive ausente por um tempinho. Estou voltando hoje com um assunto que muitas enfrentam no dia a dia. Apresentar a namorada para os pais. 
Não é fácil começar um relacionamento quando a família não aceita a parceira. Quando passamos a ter certeza que somos realmente lésbicas, isto bem cedinho quando éramos mais novas, um dos primeiros desejos era este, que a família aceite a nossa parceira sem muitos problemas de cara.
Realmente é um desejo que vai diminuindo com o tempo. Chega uma hora que se torna normal apresentar a namorada em casa ignorando o fato dos pais demonstrarem na hora que não gostaram dela.
Existem duas situações. A primeira é quando os pais não sabiam que a filha é lésbica e levam um choque. A casa cai completamente. Na mente deles a filha está tendo intimidade com uma mulher. Os amigos deles irão saber. Os vizinhos, a família, todas as pessoas do seus círculos de convivência irão saber. Será um escândalo! Um horror! Não criaram uma filha para namorar mulheres, etc.
Quando eles já sabem que a filha é lésbica e não aceitam a parceira assim que batem os olhos nela também é complicado. Na verdade a primeira impressão deles é equivocada, já que não conhecendo não tem como gostar ou desgostar. Este primeiro contato nem sempre quer dizer que nunca irão aceitar aquela mulher.  
Temos que entender que eles vão sentir aversão a qualquer estranha que entre na nossa vida. Ela pode ser a mulher mais linda do mundo, na visão deles, vai estar nos roubando deles. Roubando a atenção, roubando o tempo, coisas assim e muitas outras.
Neste choque inicial muitas desanimam achando que está tudo perdido. Nesta de querer que aceitem, erra-se inúmeras vezes. Falar em relaxar nesta hora parece impossível, só que é a melhor solução. Relaxar e tocar a vida como se não percebesse a oposição crescente deles.
É curioso perceber e acredito que inúmeras lésbicas tenham passado por isto, que o fato de deixar de incomodar-se com a oposição é um santo remédio. A mudança de atitude é o mesmo que passar a ver a situação com outro olhar. Já que no choque inicial acontece um afastamento quase inevitável em alguns casos, com a mudança de atitude este afastamento tende a ir diminuindo com o tempo.
Claro que alguns pais são mais inflexíveis e demoram mais a ceder. Pode levar meses, de outras vezes anos. A questão é delicada e não adianta insistir. Não adianta fazer chantagens, não adianta acusá-los, não adianta gritar, chorar, desesperar. A única forma de conseguir mudar a situação é tendo muita paciência. Diria até que se for possível, é melhor não tomar nem conhecimento da opinião deles. Essa é uma ótima escolha para não sofrer além do necessário.
Pode parecer uma atitude fria. Algumas podem até dizer:
- Oh não Astridy! Ignorar meus pais? Como assim? Eles são tudo que mais amo neste mundo...
É claro que os pais são tudo que mais se ama na vida, porém eles também podem magoar. Sem se proteger ninguém aguenta a barra.
Não existe situação conflitante, que olhada após alguns meses não tenha desencadeado melhoras. O que não adianta é bater boca e partir para a briga.
Relaxar e deixar as coisas irem tomando o seu rumo demonstra que não se quer impor nada.
Poucas lésbicas têm pais maleáveis e cabeça aberta. Aquelas que possuem pais que almejam vê-las casadas e com filhos sofrem mais. É indiscutível o quanto essa situação é caótica para os pais que tem sonhos e planos para o futuro das filhas. Desta forma, não custa dar uma força esperando que a ficha vá caindo aos poucos.
Costumamos ouvir coisas do tipo: “Os pais sempre sabem.” Nem todos percebem e nem todos sabem. Nem todo mundo é totalmente atento.
É por aí. É melhor relaxar para diminuir o desgaste e o sofrimento de todos.
Ótimo final de semana para vocês!
Astridy Gurgel
Postado no Parada Lésbica em 10/10/2014.