segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Human Christina Perri - Tradução

domingo, 21 de setembro de 2014

Tempo de Florescer.


Hoje é domingo. Um domingo delicioso quase já na primavera. Setembro é o mês que mais gosto e mais curto. Poderia dizer que tudo sempre é mais intenso em Setembro. Curiosamente é quando mais me abro. Como as flores se abrem para receber a primavera. Ai, Setembro, Setembro, é quando a felicidade chega!
Bem que dizem que a felicidade está nas pequenas coisas. Recentemente senti tanta felicidade com um abraço. Tanta felicidade que cheguei a ficar sem jeito, sem fala, sem ação, sem tudo. Senti uma sensação tão maravilhosa. Algo tão intenso que nem consegui escrever sobre essa sensação em seguida. Foi algo que pensei que passaria. Acreditei que iria esquecer aquele abraço. Que tinha sido apenas um momento. Não foi apenas um momento. Foi um dos momentos mais importante deste ano de 2014. Um abraço! Que coisa impressionante. Até hoje me pego pensando naquele momento. Até me pergunto se é isto que um abraço tão esperado desperta. Durou mais que um minuto. Não olhei no relógio, mas recordo que durou muito tempo. Talvez o abraço mais longo que já dei e recebi nos últimos anos.
Pensando agora entendo melhor o que se passou. Depois de tempos e tempos fechada me soltei. Claro, afinal, quem não se fecharia depois de tantas bordoadas? Por muito tempo pensava, tipo: Louca da mulher que se envolver comigo.
Lógico, meu coração estava trancado. Tão trancado que muitas vezes me perguntava se algum dia ele iria voltar a sentir alguma coisa. Pergunta que, aliás, fazia questão de não ficar repetindo. Afinal, estava segura. Estava em paz. Querer saber de barulho para quê? Não! Não queria saber de nada. Como é mesmo o trem que falam? “Gato escaldo tem medo de água fria?” (Risos).
Só que um dia acaba surgindo uma mulher que consegue passar pela couraça. Consegue se fazer notar e vai chegando. Vai se aproximando devagarzinho. Até conseguir dar o abraço que ficou perdido na falta de vontade.
Falando verdadeiramente dá muita preguiça de ficar abrindo o coração para quem não tem coração. Nem sei se é o caso de não ter coração. Muitas vezes não tem é boas intenções. Quero é distância de mulheres assim. Tem um monte que não quer nada sério, mas querem coisar o trem. Muitas pensam que as pessoas são palhaças. Que podem brincar um pouco sem compromisso. Depois somem pelo mundo. Exatamente como os circos que passam de cidades em cidades. Querem jogar concreto no coração achando que coração é estrada para pisarem. Estou nem aí para mulheres assim. Existem muitas mulheres que gostam de viver relações vazias. Desejo que aproveitem bastante. Longe de mim é o ideal. Eu hein! Credo!
As coisas começam a acontecer quando o medo vai diminuindo. É muito bom perder o medo. Porém, sigo com meus passos de bebê. Já passei do abraço e acredito que meu coração agora ficou mais esperto do que eu. Ele deixou de usar a venda. Enxerga muito mais além. Sorte minha. Afinal, é Setembro! Tempo de florescer. 
Feliz domingo para vocês!
Astridy Gurgel

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 11


Samanta a seguiu com o coração saltando no peito. Dentro do apartamento, Patrícia soltou a bolsa sobre o sofá pegando sua mão e levando-a para o quarto. Lá, parou diante dela olhando-a nos olhos por um segundo. Em seguida, puxou-a contra seu corpo, beijando-a enlouquecidamente. Enquanto a beijava, Patrícia tirava suas roupas e as de Samanta. Quando ficaram completamente nuas, ela a empurrou para a cama deitando sobre ela. Enlevada, confessou sobre seus lábios:
- Agora eu quero tudo que tenho direito. Tudo que andei sonhando e fantasiando durante muito tempo.
- Patrícia...
- Primeiro meus beijos... – Patrícia gemeu roçando o sexo contra o dela, enquanto suas bocas encontravam-se num beijo cheio de desejo.
Enquanto beijavam-se enlouquecidas, suas mãos percorriam seus corpos ansiosos. Patrícia interrompeu o beijo, descendo a boca pelo corpo de Samanta até chegar aos seios. Deliciou-se neles, indo a cada hora em um. Beijando, lambendo, mordiscando e chupando-os encantada. Depois sua boca voltou a descer pelo corpo dela até chegar às pernas. Ali acariciou as pernas por algum tempo, enfiando-se com jeito entre elas. Abriu-as lentamente, passando a língua pelo sexo dela sem deixar escapar um gemido sensual.
- Ah... Como queria chupar você. Como sonhei com o gosto e o cheiro dela. – Confessou voltando a mergulhar a língua no sexo dela.
Ela a chupou incansável até senti-la gozando intensamente. Samanta sentou rápida vindo sobre ela. Patrícia estava sorrindo neste momento. Puxou Samanta contra seu corpo, roçando a boca contra a dela falando excitada.
- Sente o seu gosto aqui na minha boca. Olha como é gostoso! – Pediu oferecendo a boca que Samanta beijou desvairada. Então Patrícia afastou-se deitando e puxando-a para cima do seu corpo. – O que você quer, hein? Como quer me fazer gozar? O que você sabe fazer na cama com uma mulher?
- Tudo! – Samanta falou gemendo sobre ela. – Sei comer gostoso...
- Ah sabe? Então come vem, quero ver como você come. Coma-me que eu vou dar a noite toda para você.
- Ai, você é gostosa demais. – Gemeu descendo a boca pelo corpo dela. Desceu a mão até tocar o sexo de Patrícia, mas assim que Samanta o tocou, Patrícia tirou a mão dela, perguntando excitada:
- É assim que você gosta de comer? Quero algo mais forte, mais molhado, o que tem para me dar?
- Ai, eu vou te chupar gostosa. Já vi que é isto que você quer. Não é?
- É sim. – Patrícia confessou passando o dedo no próprio sexo e colocando-o na boca dela. – Sente meu gosto. Olha como é bom. Você quer provar? Quer? Então passa a língua nela. Passa que eu rebolo bem gostoso para você. Vem me chupar. Quero que essa língua acabe comigo hoje.
- Eu vou. – Samanta falou desorientada, caindo de boca no sexo dela. Passou a língua inteira no sexo, ouvindo Patrícia neste instante.
- Ai, que língua gostosa. Não via a hora de deixar você me chupar assim. Ai, sua taradinha, chupa. Chupa que eu vou te lambuzar toda.
-
- Entra, vem. Lambe que eu quero muito dar para você. Ai...
Patrícia rebolou contra a língua dela para provocá-la. Puxava o sexo para deixá-la mais excitada a todo instante. Samanta agarrava as pernas dela nestes momentos, prendendo mais seu sexo contra sua boca. E quanto mais Patrícia a provocava, mais ela a chupava com vontade. Patrícia sentiu neste instante o orgasmo vindo e soltou tudo gemendo entregue para ela.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... 
Quando Patrícia gozou, puxou-a rápido para o seu lado mergulhando a boca na dela. Beijou-a lambuzando-se toda e sorrindo entre os lábios dela.
- Viu como foi gostoso beber o meu gozo?
- Ai, meu Deus, que sonho Patrícia. O seu gosto é delicioso. Eu te amo Patrícia, te amo tanto que estava quase ficando louca sem ter você.
- Agora você me tem. – Patrícia sussurrou lambendo a boca dela. – Deixa-me conhecer mais seu corpo. – Pediu virando-a de costas e deitando sobre ela.
Patrícia beijou as costas, passando a língua em sua pele, provocando gemidos deliciosos em Samanta.
- Você está me matando de tesão! – Samanta confessou mexendo o sexo excitado contra o lençol.
- Estou é? – Patrícia perguntou puxando-a contra seu corpo. – Então levanta o corpo que vou cuidar deste tesão. – Pediu no ouvido dela.
- Aiiii... – Samanta gemeu ficando de quatro enquanto a olhava de lado. – É assim que você quer?
- É sim! Quero você bem safada. Rebolando bem fogosa para mim. Sei que você gosta assim, então dá gostoso agora.
- Ai...
- Isto, rebola! – Patrícia pediu entrando nela com um gemido intenso. – Assim, bem puta. Gosto assim mesmo. Rebola este rabo gostoso enquanto eu possuo você, minha safada.
- Ahhhh...
- Geme para sua mulher...
- Ai, que delícia. Sou sua puta, me come mais depressa. Vem... Possui-me com força. Ai...
- Ai, gostoso... Ai... Vou gozar em cima de você. Vou te dar o que você quer...
- Ai, vem, ensopa-me toda. Ai...
- Toma safada ohhhhhhhhhhhhh...
Patrícia dobrou o corpo sobre o dela relaxando com um sorriso. Samanta girou rápida na cama virando-a e beijando as nádegas dela.
- Quero te comer assim. Ai, que tesão Patrícia. Deixa, deixa que eu quero muito te possuir assim.
- Deixo. – Patrícia falou sorrindo. – Entra gostoso em mim!
Samanta entrou nela com um uivo de prazer. Não acreditou que era possível sentir tanto tesão, tanto desejo. Vendo-a rebolar o corpo diante dela, chegou a tremer de tão excitada que estava.
Patrícia mexia-se numa sensualidade que Samanta não acreditava. Entrava e saía dela, possuindo-a incansável. Os gemidos de Patrícia a deixavam cada vez mais excitada. Quanto mais alto ela gemia, mais entrava nela, mais roçava seu sexo contra as nádegas dela.
Patrícia pediu neste momento louca de desejo.
- Goza em cima de mim. Vem...
- Ai toma aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Patrícia relaxou o corpo abraçando Samanta bem junto do seu corpo. Ela estava sorrindo.
Buscou os olhos dela perguntando baixinho:
- Está feliz agora, Samanta?
- Sim. Estou muito feliz.
- Gostou de fazer amor comigo? Foi como você esperava?
- Nossa! Foi muito melhor. Foi mil vezes melhor do que eu imaginei. Você é um tesão na cama. Nunca supus que você fosse tão solta na cama.
Patrícia sorriu roçando a boca na dela.
- Esperei demais por você, Samanta. E não tenho porque me fazer de santinha na cama. É assim que eu te quero. Com este desejo doido, desenfreado, sem o menor controle.
- Quando você me chamou de puta eu adorei. Sei que é estranho, tem mulher que se ofende com isto. Eu amei.
- Gostou é? – Perguntou descendo a mão e tocando o sexo dela. – Sei muito bem o que você gosta na cama. Abra as pernas e me deixa sentir você de novo.
- Ai...
- Assim, bem aberta! – Gemeu entrando gostosamente nela.
Samanta mordeu o lábio pedindo:
- Quero sentir sua boca...
- Calma, já vou te chupar. Primeiro preciso possuir um pouco essa buceta gostosa.
- Ah...
- Sente como te quero. Ai, Samanta você me deixa louca. Ai...

 Depois de uma noite deliciosa de amor, Patrícia acordou imensamente feliz. Assim que abriu os olhos, ficou olhando Samanta profundamente adormecida do seu lado. Estendeu a mão acariciando o rosto dela. Então se inclinou começando a beijá-la na boca.
Samanta abriu os olhos deixando-os vagar pelo corpo magnífico dela com desejo.
- Deus! Você é linda Patrícia...
- Sou? – Perguntou deitando sobre ela excitada.
- O que é isto? Sempre acorda quente assim? – Samanta perguntou sorrindo divertida.
- Sempre! Todos os dias. Mas não tinha você aqui, então tinha que fazer sozinha. – Confessou nos lábios dela.
- Basta olhar para você e já fico pegando fogo...
- Pega fogo dentro de mim! – Convidou abrindo as pernas sobre ela. – Come a sua mulher, come...
- Ai, meu Deus, eu te como sim! – Gemeu entrando nela de uma vez. – Ai, que delícia. Molhadissíma, louquinha para dar para mim. Nem acredito...
- Mete gostoso, ai...
A boca de Patrícia buscou a de Samanta com loucura. Suas mãos desceram tocando o sexo dela ansiosa. Seu corpo movia-se contra o dela numa dança excitante. Gemiam sorrindo juntas. Não conseguiam se afastar. Passaram a manhã se amando. Foi Patrícia quem se afastou mais tarde correndo para o chuveiro. Quando ela voltou ao quarto, explicou sorrindo para Samanta que continuava deitada.
- Tenho um desfile em duas horas.
- Para quem está desfilando? – Samanta perguntou sentando na cama.
- Estou fazendo alguns desfiles para a “Torran.”
- Você tem um contrato com eles?
- Não, de jeito nenhum. Estou evitando os contratos. É difícil de sair depois.
- Você assinaria comigo?
- Samanta querida, não me peça isto. Estou tentando não ter amarras. – Pediu docemente.
- Eu jamais te manteria presa Patrícia.
- Contratos são prisões. – Respondeu beijando-a nos lábios com paixão. Depois afastou pegando a bolsa. – Não pense nisto, vamos ficar bem, por favor!
- Tudo bem. Gostaria de conhecer minha casa essa noite?
- Adoraria, mas e a sua mãe?
- O que tem ela? Não quer conhecer sua sogra?
- Claro que quero!
- Posso mandar o motorista te buscar se quiser.
- Não, não precisa. Deixe o endereço anotado ali na minha agenda que chegarei lá. Desculpe, mas preciso ir. – Falou mandando um beijo para ela saindo rapidamente do quarto.
- Hei? Como eu tranco a sua casa? – Samanta gritou confusa.
- Vou deixar a chave extra aqui na porta. Tchau querida! 
                                                   Continua... 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Quem Sabe. - Por Astridy Gurgel

domingo, 14 de setembro de 2014

Contentamento.


Ontem enquanto assistia a um filme senti umas sensações muito boas. Paz misturada com um contentamento maravilhoso. Algo diferente e gostoso. Quando dei conta daquelas sensações olhei pela janela. Comecei a sorrir sozinha. Desejei parar o tempo para ficar sentindo tudo aquilo indeterminadamente. Noooooo! Se pudéssemos parar o tempo seria incrível. Ah, mas não importou que as horas continuassem passando. A sensação foi à mesma. Acordei com ela ainda em mim. Mesmo sentindo uma leve dor de cabeça a sensação de contentamento e paz continua comigo.
Então pensei no amor. Como o amor é algo que completa e da à impressão de que o tendo tenho tudo. Tudo? O que seria tudo? Nem saberia definir tudo em um sentimento que pode ser importante por um tempo até evaporar em outro tempo.
Pensei no quanto o amor é importante não apenas para mim como para o resto do mundo. Todos buscam o amor. Parece ser um ingrediente imprescindível para os seres humanos. “A alegria não está nas coisas, está em nós.” A alegria pode estar no amor e pode não estar. Desde quando basta ter o amor? É, somos insatisfeitas, né? Divertido pensar por este lado. Nós sempre queremos mais. Acho que queremos um amor perfeito. Aquele amor que idealizamos. Aquela mulher que sonhamos. Ai, ai, nem sei mais com que tipo de mulher sonho. Se quer sei se sonho. O melhor disto é que não sonhar não muda muita coisa. O sonho é uma ilusão escondida. Será? E o amor, o que é o amor? O amor seria uma emoção que envolve tudo? Um complemento de todas as emoções? Seria isto o amor?
O amor que conheci foi inteiro. Um sentimento que englobava todos os outros. Sendo assim, não houve como sentir insatisfação ou querer mais do que amor deu. Falo de amor de dois lados. Amar sozinha não completa porque é o sentimento solitário. Quantas não amam sozinhas? Não! Isto não é um amor de qualidade. Fomos feitas para sentir todos os sentimentos. O amor é o mais completo de todos eles. Eu creio.
Por que temos lembranças? Temos porque não somos capazes de apagar a nossa memória. Lógico que jamais iremos esquecer os bons momentos que já vivemos. Como também não esqueceremos os ruins. Quantas vezes nos pegamos sorrindo ao recordar algo delicioso? Quantas vezes balançamos a cabeça quando recordamos algo ruim? Nós nos protegemos o tempo todo. Nós nos protegemos no presente e nos protegemos principalmente do passado. Quem quer viver tudo de novo? Sempre vamos querer viver o que é bom e nem sempre tudo é totalmente bom. Perfeição só se for no paraíso e nem sabemos se existe paraíso. Ok! Então vejamos uma coisa simples: Quando sentimos prazer temos a sensação de que estamos no paraíso. Por alguns segundos temos essa sensação. Então existe sim o paraíso. Fato que prova que estamos erradas acreditando que o paraíso não existe. Podemos criar todos os paraísos que desejarmos se formos menos exigentes.
Agora passei a ideia que o paraíso só existe quando estamos tendo um maravilhoso orgasmo. Hahahaha... Nada disto! Foi apenas um exemplo. Estou falando de sensações maravilhosas que dão imensa alegria. Resumindo é isto. Agora cada pessoa sente alegria a sua maneira. O que alegra cem pode desagradar sessenta. Tem gente que vai amar ter um carro. Vai amar um carro popular. Outras só irão se contentar com uma BMW M6 ou uma Ferrari 458. Questão de status ou apenas gosto. Gosto apuradíssimo (Risos).
Tem gente que quer uma mulher. Outras querem uma mulher perfeita. Quem deseja uma mulher perfeita vai ficar querendo. Também vai viver insatisfeita o resto da vida.
Tem gente que quer sexo. Outras querem fazer amor.
Tem gente que quer ter um amor. Outras querem apenas conseguir amar alguém.  
Tem gente que fica feliz quando rouba a namorada de alguém. Aquilo faz bem para o ego dela. Uai, bom para ela! Se é isto que a faz feliz temos que cantar parabéns (Risos). Mal sabe que não se rouba nada de ninguém porque ninguém pertence a ninguém.
O que proporciona felicidade são infinitas coisas. Não importa o que seja. Imagina que fiquei boba quando soube que existem pessoas que adoram transar com cadáveres. O cheiro da morte! Aí! É um gosto! Não dá para discutir.
Se perguntasse: O que te faz feliz? Poderia receber um monte de respostas, mas aposto que muitas diriam: “Estar com a mulher que amo me faz feliz.” É isto aí.
A sensação de felicidade é única. Quando a felicidade chega não tem muito que ficar querendo entender o porquê. Não importa a razão. Tem é que aproveitar. Estou aproveitando a minha agora. Aproveitem também.
Ótimo domingo para vocês!
Astridy Gurgel
“A saúde é a maior posse. O contentamento é o maior tesouro. A confiança é o maior amigo.”
Lao Tzu

sábado, 13 de setembro de 2014

Cegueira, ingenuidade ou arrogância?



Chamada: O medo de perder a namorada.
Bom dia moças! Tudo bem?
Hoje decidi escrever sobre uma situação que talvez todas já tenham passado. O medo de perder a namorada.
O que costumo ver quando algumas mulheres sentem risco de perder as parceiras é algo que acho bastante controverso. Perdem completamente a linha. Não percebo a necessidade de tanta crueldade. Enfim, é o que mais acontece por ai então vou explicar melhor.
De repente percebem ou desconfiam que as namoradas estejam olhando para outras mulheres. Na hora batem as famosas vinte e quatro palavras.
Explico: Esbravejar vinte e quatro palavras pejorativas sem pensar na intensidade do descontrole.
Como se não bastasse à falta de classe, procuram logo outras pessoas implorando por socorro. Amigas e até gente que nunca falaram antes. Qualquer uma serve para ajudar a acabar com a raça das outras. O negócio é atacar com “faca nos dentes.”
Não, esperem! “faca nos dentes” é só uma expressão que os gaúchos usam.
Como se fossem psicólogas altamente preparadas, passam a analisar e a detonar a índole de pessoas que nem conhecem.
Independente de serem essas mulheres altas, baixas, esqueléticas, interessantes, feias, bonitas ou comuns, os xingamentos são desqualificantes. As atacadas passam a ser as criaturas. As criaturas que estão quietas vivendo suas vidas e se quer sonham que estão fazendo inconvenientes ofensas contra elas.
Elas são chamadas de:
Vagabundas! Desclassificadas! Desalmadas! Nojentas! Bruacas! Horrorosas! Falsas! Inferiores! Ridículas! Macumbeiras! Deselegantes! Inúteis! Medíocres! Piranhas! Grossas! Sonsas! Cretinas! Incultas! Podres! Bruxas! Perigosas! Farsantes! Perniciosas e incompetentes!
Pronto, as vinte e quatro ofensas foram lançadas. Este tipo de comportamento humano chega a ser irracional! Para algumas pessoas é. Outras podem até achar elegante tamanha mesquinhez.
Quando que tentar diminuir pessoas com xingamentos depreciando suas imagens é um comportamento educado?
Onde que isto é ter classe? As pessoas que tem classe não se referem às outras de forma tão inadequada. Mesmo porque, quem tem classe não se rebaixa, não menospreza e muito menos desrespeitam.
Muitas mulheres letradas não são diferentes das que nunca entraram em uma universidade na hora de perder a linha. Diploma de curso superior não confere classe a ninguém. Faculdade não educa e nem molda caráter. Educação vem de berço. Papai e mamãe é que educam suas filhas e seus filhos.
Classe é algo raro e no geral, perder a classe na hora de julgar não depõe contra o julgado e sim contra quem julga. Quem julga severamente uma pessoa, julga todas! Se falam mal de quem não conhecem, imagine o que não falam de quem conhecem?
Problemas nos relacionamentos precisam ser resolvidos pelos casais. As duas devem sentar e conversar abertamente sobre a questão. Transferir a conversa necessária com a parceira para outras pessoas é uma completa falta de cuidado. Cuidado com a relação, com a parceira e com os sentimentos de ambas.
Não tem essa de sair comentando. Expondo a namorada e ao mesmo tempo dando espaço para intrigas exteriores. Não é justificável expor intimidades da relação almejando que se apiedem e façam o seu papel. Porque quem escuta tais intimidades dificilmente irá ajudar. Se der muito azar, ao expô-las pode-se perder a namorada para uma destas pessoas que ao ouvir podem passar a desejá-la.    
Uma questão difícil nas relações é que existe um descontrole na hora que o medo toma conta. Ninguém quer perder, mas todo mundo esquece que “ninguém é de ninguém.” Não somos donas da nossa namorada. Sendo casadas, não somos donas da nossa esposa.
As pessoas ficam juntas quando gostam. Quando existe sentimento. Paixão, atração, amor, carinho, vontade, necessidade, compatibilidade, química ou outras razões.
Se o destino está batendo a sua porta é preciso atender e enfrentar. Não lidamos com nossos problemas agindo com grosseria ou desrespeito contra outras pessoas. Isto não vai resolver nada. Não mudará o foco e muito menos trará tranquilidade para a relação.
Agredir pessoas que se quer conhece verbalmente, permitirá provavelmente que o gosto amargo das ofensas proferidas manche a sua imagem.
Não será estranho que pensem que se trata de uma pessoa intransigente, altiva, insegura, agressiva, inconveniente e deselegante.
Antes de contar para os quatro cantos seus problemas íntimos seria inteligente se fazer uma simples pergunta:
Porque a sua namorada está olhando para outra mulher?
Tudo tem um porquê. Na maioria das vezes só você conhece a resposta. Resposta que provavelmente não é da conta de ninguém.
Conservar um mínimo de humildade é imprescindível para a sobrevivência. A soberba, essa não leva a parte alguma. É por causa do orgulho que muitas acreditam que pisando nas outras serão superiores. Isto não passa de uma doce e lamentável ilusão!
Tenham um excelente final de semana!
Astridy Gurgel
“Minha saudade é prisão. Minha preocupação, chatice. Minha insegurança, problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade, insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins, matam o resto do amor.”
Tati Bernardi
Texto postado no site Parada Lésbica em 12/09/2014.

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 10


Patrícia a viu vindo em sua direção no dia seguinte, às nove horas da noite em ponto.
Samanta sentou ao lado dela do banco da igreja, falando baixo:
- Eu vim por Bruna.
- Estou certa que sim. – Respondeu olhando-a com afeto. – Já vai começar, o padre acabou de entrar.
Além delas, ali só estavam velhas beatas sentadas nos primeiros bancos.
Durante a missa, Patrícia observou como Samanta a olhou todo tempo. Rezou, cantou e participou da missa fingindo não notar o olhar insistente dela.
Quando a missa terminou e as pessoas começaram a sair, elas se ergueram. Saindo juntas em silêncio.
Na porta da igreja, Patrícia parou quando a voz de um homem a chamou.
Samanta também parou vendo o padre descer correndo as escadas vindo na direção delas. Ele aproximou-se pegando as mãos de Patrícia entre as suas.
- Fiquei muito triste com a morte de Bruna. Também recebi as doações que você enviou para a igreja. Que Deus te abençoe sempre!
- Amém padre! O senhor também me ajudou muito me dando forças pelo telefone. Lamento se fui chorosa demais com o senhor.
- Ora Patrícia, que bobagem! Poderá vir para a reunião no salão da igreja amanhã à noite? Vamos iniciar a construção do hospital. Não faria sentido se você não estivesse presente. Se não fosse pela sua grande campanha, nada disto seria possível.
- É claro, padre Antônio! Virei com todo prazer!
O padre olhou para Samanta neste momento dando um sorriso franco.
- Perdão! Sou o padre Antônio, muito prazer!
Ele estendeu a mão e Samanta ficou olhando para a mão dele com desconfiança.
Patrícia se adiantou falando rápida:
- Essa é a minha amiga Samanta!
Neste momento ela olhou para a mão do padre estendida e para Samanta que não tocava a mão dele admirada. Samanta viu a expressão de desagrado dela, estendendo a mão e tocando a do padre com um leve sorriso.
- Samanta Pinheiro! O prazer é meu, padre Antônio!
- Nunca a vi em minha paróquia. Devia vir mais vezes. Patrícia sempre vem tomar chá comigo. Venha um dia destes com ela, será um prazer revê-la.
- Obrigada.
- Bem, então te espero amanhã às dezoito horas. Tenham uma boa noite. – O padre despediu-se voltando para a igreja.
As duas seguiram caminhando pela calçada. Samanta fitou Patrícia contando ironicamente.
- Quando eu era criança, ia à missa com os meus pais. O padre era muito bonzinho, mas nas horas vagas, comia as beatas na sacristia. Com o devido respeito, é claro!
- Compreendo. – Patrícia sorriu olhando-a por um segundo.
- Não deixava de ser um ato de caridade, não é?
- O pecado está entre os homens Samanta.
- Também está entre os padres!
- Que são homens! – Completou baixo segurando o braço dela, pois tinham chegado até o carro de Patrícia. – Não veio de carro?
- Sim, mas deixei diante do seu prédio. Pode me dar uma carona até lá?
- Posso sim.
Entram no carro. Patrícia deu a partida e Samanta falou sem conseguir lembrar nenhuma história sobre padres.
- Muitos padres são homossexuais ou pedófilos, você sabia?
- Sabia sim. – Patrícia respondeu tranquila.
- Eles fazem esses sermões maravilhosos, condenam os fiéis por seus pecados e vivem fazendo orgias nestas casas de... Deus! Posso te contar casos sobre freiras que...
- Não me conte sobre as freiras. – Patrícia pediu com doçura. – Conte-me sobre sua família.
- Meu pai morreu. Moro com a minha mãe. Já é muito velhinha e precisa de uma enfermeira todo o tempo. Ela quebrou o fêmur e colocou alguns parafusos, mas não conseguiu mais andar.
- Não tem irmãos? Primos? Tios? Tias?
- Apenas alguns tios e primos que não moram aqui no Rio de Janeiro.
- Sei.
- Este padre parece ser muito íntimo seu. São amigos há muito tempo?
- Desde que cheguei ao Rio, faz mais de cinco anos.
- Não sabia que andou ligando para ele enquanto cuidava de Bruna. Você o considera muito pelo jeito. Eu jamais confiaria num padre, mas cada um sabe o que faz.
- Fui para um retiro espiritual depois que Bruna morreu. Só ele sabia onde eu estava. É um grande amigo meu. Aliás, é o único amigo homem que eu tenho.
- Este retiro espiritual fica aqui na cidade?
- Fica no meio do mato, muito longe daqui.
- E sobre a campanha que ele falou?
- Consegui que a renda de alguns desfiles fosse doada para a igreja e seus projetos sociais.
- Bruna nunca me falou destes seus projetos.
- Ela me criticava muito por isto. Entendo que não tenha falado. A maior parte do tempo ela preferia ignorar para não me criticar mais do que já criticava. – Explicou sorrindo enquanto estacionava diante do prédio onde morava. – Achava que eu perdia tempo deixando de viver.
- Tudo isto é assim tão importante para você?
- É sim, mas não é um trabalho fácil! As pessoas não gostam de gastar dinheiro com essas coisas. Acham que é responsabilidade do Governo. Mas o governo não sabe quantos pobres pedem ajuda nas igrejas. Não sabe quantos pedem um prato de comida todos os dias. Não sabe quantos morrem nas filas dos postos de saúde a espera de um tratamento médico. Para o governo, a taxa de desemprego quase zero, a fome foi extinta e a saúde do povo está ótima. Todos os governos são iguais. Quando posso, ajudo a servir a sopa para os necessitados no salão paroquial. Mas a maior ajuda que consegui foi para a construção do hospital. Eu me sinto feliz e gratificada por tudo que tenho realizado na área social. Não concebo como o governo consegue fingir que não vê a realidade deste país. Bem, mas deixa isto para lá, não tenho tempo para ficar julgando governo nenhum, isto quem vai julgar será Deus no momento certo.
Patrícia saiu do carro, deixando que Samanta subisse com ela. Assim que entraram, Patrícia colocou a bolsa sobre a mesa e sentiu seu corpo sendo puxado contra o de Samanta. Neste momento os lábios de Samanta caíram sobre os dela num beijo desesperado. Patrícia correspondeu ao beijo com ardor. Enlaçou o pescoço dela, entregando-se completamente ao momento delicioso. Suas bocas perdiam-se cada vez mais em beijos mais íntimos. Os beijos não paravam e Patrícia estava adorando cada momento daquela intimidade. Até que Samanta desceu a mão fechando-a sobre o sexo dela.
Patrícia afastou-se dela na hora. Foi até a porta e abriu-a pedindo com um sorriso doce.
- Vá agora, por favor.
- Não me mande embora, preciso de você. Este desejo está me consumindo Patrícia, eu...
- Dei-te meus beijos. Não foram suficientes?
- Não, não foram, quero você por inteira. Preciso fazer amor com você. Eu te amo tanto, então me deixe te amar.
- Por favor, Samanta, não quero me desgastar. Apenas vá, quero tomar um banho, jantar e ir dormir.
- Prefere jantar e dormir a fazer amor comigo? Ora mas...
- Não se ofenda, mas não sinto a menor segurança em ter alguma coisa com você. Já te expliquei isto detalhadamente. Não sou o tipo que você está procurando. Sou uma mulher moderna e decidida e sei muito bem o que quero para minha vida. Mulher enrustida definitivamente não me agrada. Tenha uma ótima noite!
- Sabe o quanto está me ferindo? – Samanta perguntou com lágrimas nos olhos.
- Imagino o quanto você poderá me ferir se eu permitir. Agora vá e se cuide!
Samanta saiu sem protestar mais. Entendeu neste momento que ela não aceitaria ser sua amante. Provavelmente nem conseguiria fazer amor com ela. Ela não aceitaria um relacionamento escondido, mas não ia conseguir viver sem tê-la. Não iria desistir dela, mas não iria mesmo! Iria encontrar com ela naquela reunião da igreja e conquistaria o seu amor com paciência. Não podia ficar forçando a barra, ela não era como as outras mulheres que já tinha conquistado, Patrícia era uma mulher de valores. Por isto ela não dava escapadinhas e muito menos encerrava suas noites na cama com uma mulher. Ela queria algo sério para vida dela, não queria um caso passageiro. Era uma mulher para casar e se era assim, então não conseguiria mudar aquela situação. Tinha apenas que aprender a ser natural quando estivesse com ela. A verdade é que ninguém tinha nada a ver com sua vida. Não tinha que dar satisfação para ninguém. Não era da conta de ninguém a sua orientação sexual. O mundo poderia explodir, mas Patrícia seria sua mulher um dia!

No dia seguinte à noite, Patrícia surpreendeu-se quando viu Samanta entrando no salão paroquial na hora da reunião que estavam fazendo. Ficou olhando enquanto ela cumprimentava o padre com atenção. Então Samanta aproximou-se sentando ao lado dela com um sorriso lindo.
- Não me importo com os pecados que o padre possa cometer nas horas de folga dele. Vim porque queira te ver.
- Estou vendo. – Patrícia respondeu olhando-a carinhosamente.
Samanta ficou acompanhando a reunião daquele grupo curioso. Estavam ali, médicos, arquitetos, professores, decoradores, psicólogos, líderes comunitários, alguns paroquianos mais influentes e até alguns políticos. Mas era sem dúvida Patrícia quem se destacava mais entre aquele grupo. Percebeu logo como todos a respeitavam.
Quando a reunião terminou, alguns se aproximaram para conhecer Samanta pessoalmente. Todos a conheciam dos jornais e da televisão.
Samanta foi rodeada pelo grupo que animado passou a discutir com ela, sobre aqueles temas que ela nunca tinha conversado com ninguém. Estranhamente sentiu-se bem e feliz ali entre eles.
Quando saíram juntas para a rua, Patrícia sorriu comentando feliz.
- Nunca pensei que te veria tão à vontade no meio de pessoas estranhas. Eles gostaram de você, percebeu? E o padre quer que você apareça de todo jeito para o almoço de domingo.
- Não tenho a sua paixão para defender essas causas, mas acho que me saí bem. – Samanta sorriu erguendo os ombros. – Realmente não foi tão ruim quanto imaginei.
- As coisas dificilmente acontecem como imaginamos.
- Acho que você tem razão. O que acha de irmos naquele restaurante ali um pouco? Parece um lugar aconchegante.
Patrícia olhou para o restaurante sorrindo e voltando a andar.
- Se quer jantar e comer bem, tem um melhor a duas quadras daqui. Venha, eu te mostro.
Andaram em silêncio lado a lado. Quando elas entraram no restaurante o garçom cumprimentou Patrícia, eufórico.
- É um prazer recebê-la. Soube do falecimento de Bruna Ramos. Senti demais. Era uma excelente pessoa. Por favor, tenho uma mesa especial bem ali.
Samanta seguiu com ela, sem deixar de observar que as pessoas a conheciam e a cumprimentavam com afeto.
Pediram uma rodada de drinques e foram servidas. Quando ficaram sozinhas, Samanta comentou sem esconder sua surpresa:
- Você é muito conhecida por aqui.
- Um pouco. Bruna e eu costumávamos jantar aqui.
- Eu nunca soube de muitas coisas pelo jeito.
- Você aparecia às vezes, eu sempre estive presente. Não vejo problema. Você vê?
- Apenas sinto como se tivesse vivido com uma pessoa estranha. Ela nunca falou deste bairro, das missas, do padre, de suas atividades, dos seus encontros, deste restaurante. Apenas gostaria de ter ficado sabendo tudo isto antes. Entende?
- Entendo.
- Como posso ter vivido tão próxima de você sem conhecê-la? Isto me deixa chocada sim.
- Você me afastou.
- Eu sei o quanto fui egoísta. E me odeio por isto!
- Não se odeie. Todos nós cometemos erros em nossa vida.
- Você parece não condenar nada. Existe algo que você reprove?
- A violência, as guerras, a fome. – Sorriu com os olhos brilhando – Essas coisas eu reprovo.
- E em mim? – Samanta perguntou curiosa.
- Não sei.  Mal te conheço.
- Mas Bruna contava sobre nós, você me disse que ela contava.
- Ela contava sim.
- Contava nossas coisas íntimas?
- Às vezes.
- Você lhe dava conselhos?
- Alguns. Quer saber se ela contava sobre a vida sexual de vocês? Já te falei que ela me contava. Sempre contava!
- Realmente tem hora que não sei o que dizer...
- Por que foi lá na igreja?
- Fui para te ver.
- Diante de todo mundo? Não se preocupa mais com o que vão falar de você?
- Sinceramente não estou ligando mais para o que vão dizer não. Só quero estar com você.
- Estar comigo será algo muito público. Participo ativamente dos problemas da comunidade. Vou a reuniões, almoços, tomo chá com o padre toda sexta-feira, costumo almoçar com ele aos domingos e sempre vou aos bailes promocionais no salão de festas da igreja. Aliás, sou eu que promovo os bailes mensais que acontecem lá.
- Não se parece muito com a minha rotina. – Samanta sorriu divertida.
- Parece que não. Então? Percebeu o que estou te dizendo?
- Nada disto importa Patrícia. Só preciso estar com você. Quero ter abraçar e te beijar até não poder mais. Quero participar de cada minuto da sua vida. Tomarei chá com o padre se souber que vou ter você em meus braços depois.
- Isto é motivador. – Sorriu olhando em volta. – Se a escolha é sua, então para mim está tudo bem.
Jantaram num clima delicioso de descobertas. Depois foram juntas para o apartamento de Patrícia.
Depois de guardar o carro na garagem, Patrícia a olhou sorrindo meiga:
- Venha, vamos nos conhecer um pouco melhor.
                                                   Continua...

domingo, 7 de setembro de 2014

Amores... - Por Astridy Gurgel

sábado, 6 de setembro de 2014

Free Butterflies. - Por Astridy Gurgel

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 9


Por  dois longos meses Samanta não teve notícias de Patrícia. Depois do dia do enterro não a viu mais. Já havia procurado em todas as agências e nada dela. Nem no apartamento que Bruna deixou para ela, a encontrou.
  Samanta não tinha mais paz. Não conseguia tirá-la da cabeça. Pensava tanto nela que perdia a graça para as coisas mais simples do dia a dia.
 No fim daqueles dois meses, a secretária entrou na sala entregando um cartão a Sandrine, explicando:
 - Esta modelo disse que deve alguns desfiles para Samanta.
 Sandrine leu o cartão sorrindo e a dispensando. Fitou Samanta que estava desenhando neste momento um novo modelo para a nova coleção.
 - Samanta?
 - Sim? – Respondeu sem erguer a cabeça do desenho.
 - Patrícia esteve aqui e deixou o cartão dela.
 - Como é que é? Esteve aqui a que horas? – Perguntou afastando rápida a cadeira e aproximando. Pegou o cartão lendo rapidamente. Em seguida agarrou sua bolsa correndo para a porta, mas estacou voltando-se com um suspiro de desânimo. – Eu não posso ir assim ao encontro dela. – Murmurou sufocada. – Ligue para ela, mas não fale meu nome. Pergunte por que sumiu e se está tudo bem com ela.
 - Tudo bem. – Sorriu pegando o telefone e discando o número.
 A conversa durou uns cinco minutos. Depois Sandrine desligou contando divertida:
 - Ela disse que precisava de um tempo afastada. Voltou ontem para o Rio. Ela está bem e vai fazer os desfiles para pagar os custos que você teve com o advogado defendendo-a.
 - Mulher orgulhosa! – Suspirou sentando em sua cadeira. – Pois muito bem, encaixe-a nos próximos desfiles. As provas das roupas dela serão feitas por mim. Não a misture com as outras modelos, não quero que seja envenenada por elas. E farei as provas no meu ateliê particular. – Explicou mais baixo. – Marque horários diferentes para ela.
 - Tudo bem. – Sandrine sorriu pegando a agenda e se erguendo. – Ainda hoje?
 - Sim! Às seis da tarde! Não dá para esperar até amanhã. Estou louca para vê-la.
 - Vou providenciar.
 Patrícia entrou as dezoito em ponto no ateliê. Samanta estava distraída folheando uma revista de moda.
 Ao vê-la, Samanta saltou da poltrona aproximando-se dela ansiosa. Seus olhos percorreram o macacão sexy que ela usava naquele instante.
 Patrícia estendeu a mão de forma formal para ela, falando com tranquilidade:
 - Como vai? Desejei vir antes, mas tornou-se impossível. Você parece estar muito bem.
 - Como você, eu sobrevivi. – Samanta murmurou apertando a mão dela e inclinando-se beijou seu rosto levemente. – Estou muito feliz que tenha vindo. Está entregando o seu cartão em todas as agências de modelos?
 - Exatamente. Estou voltando ao trabalho. Como todo mundo, preciso trabalhar para viver.
 - Estou certa que sim. Estes são os modelos que você irá usar. – Explicou mostrando as roupas penduradas nas araras. – Pode começar a experimentá-los. Mandarei fazer os ajustes necessários assim que fizermos as provas deles.
 Patrícia olhou em volta um tanto surpresa. Caminhou até as roupas e se voltou perguntando confusa.
 - Você fará as provas?
 - Minhas provadoras estão todas atarefadas. Como deve saber, o próximo desfile será dentro de uma semana.
 - Mesmo assim, sei que não se ocupa com isto. – Comentou olhando-a detidamente.
 - Também tenho minhas dificuldades. Podemos começar?
 - Claro! – Patrícia concordou sorrindo.
Ela vestiu o primeiro modelo atrás de um biombo chinês. Foi até a pequena plataforma que ficava no centro da sala, subindo para que Samanta pudesse trabalhar nele. Olhou diretamente para a janela.
 Patrícia ia e vinha e elas não conversavam sobre nada. As mãos de Samanta tocavam as roupas e, lógico, tocavam assim o corpo de Patrícia. Ainda assim Patrícia manteve-se firme até experimentar o último vestido. Só quando vestiu o seu macacão, sentiu-se mais segura.
 Pegou sua bolsa, fitando Samanta com um sorriso:
 - São muito bonitos os vestidos!
 - Num corpo divino como o seu qualquer trapo vira vestido de princesa. – Respondeu piscando para ela.
 - Bem... – Patrícia olhou em volta sem esconder a falta de jeito. – Preciso ir andando. Tenho outro compromisso.
 - Tem um encontro?
 - Não. Não tenho encontros. – Respondeu olhando-a com a expressão séria.
 - Estava pensando se não poderia passar para jantar na sua casa um dia destes. Sinto muita falta da sua comida.
 - Não seria uma boa ideia. – Patrícia respondeu abrindo a porta.
 - Por que não? Não podemos ser amigas?
 - Talvez por isto. – Falou mostrando o ateliê particular dela com as mãos. – Sou uma modelo, uma profissional! Não tem que me esconder das outras pessoas. Sei que esconde as suas amantes, não as suas modelos. Se já está me escondendo é porque acredita que de certa forma serei sua amante.
 - Oh não! Você entendeu errado! – Samanta falou rapidamente agitada.
 - Não entendi errado, mas não se preocupe não me importei. Foi uma honra receber as atenções da conceituada estilista do momento. Vim para fazer os desfiles e os farei. Passe bem!

 Samanta deu-se conta que Patrícia não era uma mulher tão fácil quanto ela pensou que ela seria. Durante toda aquela semana ligou inúmeras vezes sem conseguir falar com ela. Nenhum dos recados deixados na secretária eletrônica foi respondido.  
 No dia do desfile, ela apareceu uma hora antes e estava tão linda, que Samanta ficou olhando-a boquiaberta. Ela usava neste momento o primeiro modelo com o qual iria desfilar. Patrícia apenas inclinou a cabeça para ela, entrando para ser maquiada para o desfile.
 Samanta entrou algum tempo depois, vendo-a conversando com as modelos. Aproximou-se cumprimentando as moças, sem fitar nenhuma nos olhos. Passava rápida entre elas, parecendo até temê-las.
 Patrícia que a observava pelo imenso espelho a sua frente voltou-se quando ela tocou seu ombro levemente.
 - Oi! É... Eu... Preciso falar com você.
 - Agora? – Perguntou percebendo como ela estava sem jeito parada a suas costas.
 - Sim! Por favor! – Pediu mais baixo. – Em minha sala, eu te espero lá.
 Ela girou desaparecendo e uma das modelos se aproximou comentando maldosa com Patrícia:
 - Queria estar no seu lugar.
 - Por quê? – Patrícia perguntou a olhando por um instante.
 - Ela não chama nenhuma de nós no seu ateliê. Não viu como passou entre a gente? Samanta é muito estranha. Parece que tem medo de mulher. Pode uma coisa destas? Afinal, ela trabalha com muitas mulheres.
 - Não a conheço para dar palpites, sou novata aqui. Com licença! – Respondeu desculpando-se e indo ao encontro de Samanta.

 Patrícia bateu na porta, entrando em seguida. Samanta estava encostada na mesa e se aproximou olhando-a de forma apaixonada.
 - Por que você está fugindo de mim?
 - Não estou não.
 - Ignorou meus recados. Eu te procurei feito uma louca. Não parei de pensar em você um minuto se quer.
 - Você sabe por que não respondi seus recados. – Patrícia respondeu docemente.
 - O que eu te fiz? Não sabe como me sinto? Eu quase enlouqueci quando você desapareceu. Eu...
 - Não fale. – Pediu baixo.
 - Eu te amo Patrícia.
 Patrícia desviou os olhos dela muito calma. Não tinha razões para ficar triste com as coisas que ela estava dizendo. Estava realmente gostando de ouvir, apenas achava que ela não a amava de verdade.
 - Você não me ouviu? Não vai dizer nada?
 - Não é amor Samanta. – Respondeu fitando-a desta vez. – É desejo, atração, é apenas físico.
 - Não faça isto comigo. Eu te amo de verdade. Está tentando diminuir o meu amor porque tem medo de se envolver comigo. – Falou desnorteada.
 - Com você qualquer uma teria!
 - Ora, por quê?
 - Porque você não assume sua orientação sexual. Casou para enganar as pessoas. Todos os seus casos foram escondidinhos. É por isto. Ou você não percebeu ainda que eu não sou mulher de viver casos clandestinos?
 - Você acha que posso declarar que sou lésbica? Pensa que é fácil assim?
 - Eu não penso nada. Não é da minha conta.
 - Se me desce uma chance...
 - Não vou ser sua amante! Não vou ficar escondida num apartamento esperando as migalhas de tempo que você poderá me dar. Não sou Bruna, não se engane!
 - Você fala isto porque não conhece o preconceito das pessoas. Acha que te perdoam por ser lésbica? Acha que as pessoas pensam que os gays têm algum valor? Para elas não temos valor algum! É o preconceito que comanda a cabeça das pessoas. Eu lutei muito para fazer o meu nome e não vou jogar tudo fora gritando para o mundo que sou uma lésbica!
 - Não ofenda a minha inteligência! – Patrícia pediu gentilmente. – Conheço as razões e os preconceitos deste mundo. Conheço muitos gays que são respeitados em suas profissões. Realmente não penso como você. Jamais vou namorar alguém escondido. Não preciso me esconder porque não estou cometendo nenhum crime. Não estou matando, não estou roubando, não estou fazendo nada sórdido. O amor é algo lindo e não deve ser considerado uma coisa vergonhosa como você impôs para as mulheres que passaram pela sua vida. Além do mais, você não tem que contar para ninguém que é lésbica. Muito menos precisa gritar para o mundo. Não estou te pedindo nada disto. Cada um vive como bem quer, se você precisa viver assim é uma escolha sua. Eu só não aceito me esconder. Vi tudo que Bruna sofreu enfiada naquele apartamento servindo o jantar ou almoço quando você ligava dizendo que iria dar o ar da graça. Todas as comidas que você comeu na casa dela fui eu que fiz, se te interessa saber.
 - Você? Mas Bruna nunca me contou...
 - Está vendo? Vê o que acontece quando você tem que viver escondida sem poder contar que tem uma namorada? Como ela iria te contar? Ora Samanta, já falamos sobre isto e você já até se desculpou. Se continuarmos aqui o desfile vai atrasar demais.
 - Patrícia...
 - Temos que ir agora. – Ela respondeu saindo e deixando Samanta plantada ali.
Patrícia sentiu os olhos de Samanta vagando pelo seu corpo durante todo o desfile. Fingiu não perceber, pois queria evitá-la realmente.
 Quando o desfile terminou, pegou sua bolsa e saiu correndo sem falar com ela.

 Samanta não parou de ligar. Patrícia ouvia os recados desesperados dela, apagando-os em seguida. Não podia guardar aqueles recados, do contrário ficaria ouvindo o tempo todo. O som da voz dela fazia todo o seu corpo arrepiar. Lembrava sempre dos dois beijos deliciosos que trocaram na casa de campo. Quando lembrava deles, sentia aquele desejo ardendo em suas entranhas. Ansiava loucamente por ela, mas não seria aquela amante que viveria escondida. Não, não era o tipo de vida que queria para si. Viu todo o sofrimento de Bruna enquanto elas estavam juntas, aquilo não era vida para ninguém.

 Alguns dias depois do desfile, a campainha tocou e Patrícia abriu a porta, dando com Samanta em pé no corredor.
 - Deixe-me entrar! – Samanta pediu rouca.
 Patrícia mordeu os lábios tentada. Estava morrendo de saudades dela. Abriu a porta deixando-a entrar. Fechou-a mostrando uma poltrona para ela sentar.
 Samanta sentou devorando-a com os olhos desesperados. Patrícia percebeu o estado dela, convidando carinhosa:
 - Ia começar a tomar meu chá. Você me acompanha?
 - Eu... Sim. Por favor. – Respondeu olhando-a com adoração.
 Buscou mais uma xícara sentando e servindo as duas xícaras com tranqüilidade. Passou para ela, e Samanta bebeu alguns goles falando sem esconder sua ansiedade.
 - Não tenho mais paz.
 - O mundo não tem paz, Samanta.
 - Estou falando de mim.
 - Falo da vida.
 - Nunca pensei que o amor fosse tão terrível.
 - Amar é sofrer!
 - Não tem pena de mim?
 - Devo ter?
 - Estou enlouquecendo. Desde que te conheci, fiquei assim.
 - A dor é passageira. – Patrícia respondeu baixo. – Olhe, eu mandei celebrar uma missa para Bruna amanhã à noite na igreja Santa Lúcia. Será às nove horas da noite.
 - Você sabe que detesto igrejas. – Respondeu tensa. – E padres, e...
 - Religião e Deus! Sei sim!
 - Patrícia...
 - Diga. – Pediu abaixando os olhos para a xícara.
 - O que devo fazer para chegar até você?
 - Nada.
 - Nada? Mas...
 - Tome seu chá e vá embora, por favor! Preciso sair.
 - Não posso ficar aqui te esperando?
 - Isto não tem cabimento. – Patrícia sorriu meigamente. – Não pode não. É melhor você ir agora.
 Samanta ficou em pé olhando-a fixamente.
 - Você me deixa voltar?
 - Vá por agora. Boa noite!
 - Boa noite e obrigada pelo chá.
                                                            Continua...