terça-feira, 18 de novembro de 2014

Crescer, aprender e amadurecer!


Ontem filho fez-me duas perguntas. Ele sempre pergunta demais, mas enfim, criança é sempre curiosa. Ele perguntou:
Por que a Senhora escuta tanto fado se é uma música triste e por que não fala mais com aquela sua amiga portuguesa?
Criança observa tudo. Bom, como neste blog posto boa parte do que acontece nos meus dias, a minha rotina e vivências, essa conversa com ele foi legal.
Filho costuma escutar ritmos variados de música no PC dele. Às vezes, reclama falando que a música que estou ouvindo é chata. Quando gosta de uma música vem para o meu lado e pede para repetir. Foi assim que passou a gostar da cantora Mariza. Ele sorri muito quando escuta a música: “É ou Não É.” Quando gosta de alguma canção pede o link e vai ouvir no PC dele. Então sim, ele tem aprendido a escutar músicas de diversas partes do mundo. Algumas ele ama outras detesta! Acho muito natural que seja assim.
Voltando ao início, na verdade ele fez-me duas perguntas em uma. Notei que queria saber de fato sobre a segunda pergunta.
Então falei para ele.  
- Podemos ouvir uma música sem ficarmos tristes. Escuto variadíssimos ritmos de música como você percebe todos os dias. Principalmente porque existem músicas que não me dizem nada. Outras parecem até que entram em mim. Vou responder as suas duas perguntas. Pense bem porque sei que você sabe a resposta. Diga-me onde fica a tristeza. Na música ou dentro das pessoas?
Ah claro! Ele ficou pensando por alguns segundos e respondeu:
- A tristeza fica dentro da gente. Muitas vezes escuto Rap que é uma música alegre e estou triste.
- Gostei. Então uma música alegre não consegue tirar sua tristeza se você estiver triste. Que bom que você percebeu isto.
- Claro que isto eu sei mãe.
- Ok! Os fados que escuto nem sempre são melodias tristes. Muitos falam de sentimentos e sentimentos não são necessariamente tristes. Escutar música a meu ver é muito mais que escutar. Gosto de saber detalhes sobre a canção. Já as letras de alguns Raps que te vejo escutando são tristes. A realidade que algumas letras de Rap trazem não é apropriada para a sua idade. Tirando o rap, alguns dias você escuta MPB. Já te vi escutando músicas tristes de Antônio Carlos Jobim e até Elis Regina. Também costuma escutar músicas internacionais, tanto que até te mostrei alguns grupos que gosto muito que você nem ligou. Em outros dias escuta umas coisas tão ruins que até te dei um fone de ouvido. Quando você se incomoda com o que escuto, apenas observo as músicas que você costuma ouvir. Já te falei um dia, musicalmente cada um deve ficar na sua. Lembra?
- Lembro sim. Só que eu acho fado triste e gosto quando a senhora escuta uns mais animados.
- Já percebi e é por isto que eu também passei a escutar algumas músicas com fone de ouvido. Em certos momentos que quero dançar. Estou feliz, quero dançar, cantar, depende do dia, dependa da hora. Em outros preciso de músicas mais calmas para escrever ou ler.
- Tá! E porque a Senhora não fala mais com aquela sua amiga? Aquela que eu até conversei umas vezes.
Ele tem boa memória. Ter boa memória é muito bom.
- Umhum! Era isto que você queria saber desde o início. Diga-me uma coisa. Por que você não fala mais com os meninos que vivia falando que eram seus amigos? Você falava alguns nomes. Alguns até chegou a convidar para seus aniversários. Onde estão eles agora?
- Oxé! Devem estar na casa deles. Mudei de escola e a maioria deles nunca mais vi de novo. O que tem a ver isto com o que eu perguntei?
- Alguns destes seus amigos você costuma encontrar em festas ou na rua. Até no supermercado. Vejo você acenando e mexendo com alguns de longe. Não é verdade?
- É sim! Mas...
- Você não percebe que é a mesma coisa? Conhecemos as pessoas e elas seguem o caminho delas. Nunca te pergunto onde estão os seus amigos que você chamava de amigos. Pergunto?
- Não, mas...
- Quem fica na vida da gente no geral são os parentes. Você está na minha vida e não tem como deixar de conviver comigo porque é do meu sangue. Nós temos um laço de amor que nos une. Mesmo se brigarmos, podemos ficar de mal e voltaremos a conviver. Você vai ter muitos colegas, talvez tenha alguns amigos, mas nem todos irão conviver para sempre com você.
- Se a senhora fala com outras amigas suas. Até com colegas de escola que vejo no seu Facebook.
- É verdade! Várias colegas que estudaram comigo me mandam convite de amizade no face. Muitas estão casadas e tem seus filhos. A internet reaproxima pessoas que nunca mais se viram e moram distantes. Acho isto muito legal.
- Eu sei! Perguntei por quê...
- Filho? Não falo mais com ela como você não fala mais com muitos dos seus amigos. Exatamente aqueles que você chamava de amigos. Você só tem dez anos para entender a diferença entre amigo e colega. Já te expliquei, mas isto só irá entrar na sua cabeça quando for crescendo. Amigo fica na sua vida, colega vai embora. É a vida! Sabe uma coisa que teria sido maravilhosa se tivesse acontecido comigo quando eu tinha mais ou menos a sua idade?
- O quê?
- Ter alguém que tirasse as minhas dúvidas como eu tiro as suas. Que tivesse me mostrado algumas realidades que só fui entender depois que fiquei adulta. De qualquer forma, talvez como você, eu tinha mesmo que viver para aprender. Como você vai aprender e lembrar-se das minhas palavras. Agora sem mais delongas vá ouvir suas músicas que vou ouvir as minhas.
Não sei realmente se aprendemos por exemplos. Acredito que temos que viver nossos dias sem pensar no rumo das nossas vidas porque não temos o controle do que irá nos acontecer. Quem nós iremos conhecer. Quem nunca iremos conhecer. Quem serão nossas amigas ou colegas futuras. De quem iremos lembrar ou esquecer. Não temos este controle. Teria sido ótimo ter alguém para conversar abertamente comigo sobre as dúvidas que filho costuma me questionar quando tinha a idade dele.
Durante anos venho escutando minha mãe falando algumas coisas que não falava quando eu era criança ou mesmo adolescente.
Um dia ela disse: “Ninguém é amigo de ninguém. No fundo ninguém é verdadeiramente amigo.”
Bom, ela teve as decepções dela como todo mundo tem as suas. Não coloquei o assunto em discussão. Admito que não me esqueci destas palavras. Não falei isto para filho porque bem lá no íntimo acredito em sorte. Sei que algumas pessoas encontram amigos verdadeiros. Talvez ele tenha essa sorte. Não dá para saber e não é justo acabar com a ilusão de ninguém. Ainda mais de uma criança. As crianças vivem mais impulsionadas por sonhos do que por outras coisas.
Já escrevi alguns textos sobre amizade. Não sei se teria muito para acrescentar. Se ainda acredito ou não nem sei afirmar. Não é um assunto que fique pensando. Acho que já fiz muitas indagações sobre este tema.
Algumas vezes quando filho fala que quer brincar com os amigos fico olhando para ele. Vejo o quanto à infância é o retrato da inocência e da ingenuidade. Dou-me conta que já passei por isto. Mesmo que não tenha lembranças exatas dos meus dez anos de idade sei que já fui assim como ele é e por incrível que pareça não acho ruim ele ser assim. Afinal eu sobrevivi. É o nosso caminho. Nosso destino. Crescer, aprender e amadurecer!
Astridy Gurgel
“Sinto falta da minha ingenuidade. A gente vai perdendo ela com o tempo, né? É muito bom ter ingenuidade. É por ingenuidade que você tem fé em certas coisas.”
José Wilker

domingo, 16 de novembro de 2014

A Melhor Resposta!


Tristeza e alegria são elementos que fazem parte do nosso estado de espírito. Pessoas que se mostram tristes constantemente são vistas de forma negativa. Todos olham para elas com pena, preguiça e desmerecimento. Exatamente! Pessoas que insistem em conservar tristezas são julgadas severamente. O comum é julgar as aparências. Julgar é o que os seres humanos mais sabem fazer. Olham para as pessoas tristes pensando: Oh! Coitadinhas (os)! Quanta tristeza inútil! Pobrezinhas! Deveriam se matar! Acham que é exagero? O coração do mundo esfriou. Esfriou não, congelou! O povo se tornou implacável (Risos). Porém, nada do que as pessoas pensam deve importar. Porque de “pensar morreu um burro.” A começar que ninguém liga se vê uma pessoa chorando ou rindo. Se virem rindo se incomodam pelo fato de estar sorrindo, felicidade incomoda e muito! 
Se veem pessoas chorando se incomodam da mesma forma. Choro é sinal de fraqueza na visão de muitos e raramente encaram com bons olhos. Gente caída ao chão, crianças sendo maltratadas, gente sendo roubada, assassinada, passando fome, sendo violentada, espancada ou pedindo socorro se tornou comum nas cidades. Existem espectadores, quase nunca salvadores.
Pessoas são fracas ou fortes. Em certos momentos da vida qualquer uma pode ficar vulnerável. Por um período, não por toda a vida. São fases e como a vida é feita de fases elas vão mudando e evoluindo.
O tempo se encarrega de ir fortalecendo cada uma (o). O que é maravilhoso já que o tempo é um magnífico remédio.
Enfim, que diferença faz estar triste ou alegre? É natural entender que passamos por horas tristes, outras horas alegres. É tão necessário sorrir quanto é necessário chorar. Sorrisos e lágrimas aliviam tensões e espantam tristezas.
Sem contar que demonstrar felicidade sempre é perigoso. É gente, o melhor é deixar passar batido. Tristezas ou alegrias podem ser segredinhos como a cor da calcinha que usamos. Ninguém tem que saber a cor da calcinha que uma mulher usa. Só a namorada! Não é da conta de mais ninguém.
A tristeza pode ser encarada como a alegria. Ambas são visitas que recebemos em horas inesperadas. Nas nossas horas desacostumadas de muitas novidades. Vai ver e olhe se não colocamos importância demasiada nestas visitas constantes. Dois sentimentos que compõem cada uma de nós, tristezas e alegrias.
Existem pessoas que correm da tristeza. Como se fosse possível não sentir quando ela dá uma passadinha. Fazem de tudo para espantá-la! Atitude louvável. Não se entregar, lutar para expulsá-la. Sim, antes que venhas botes logo a sorrir. Isso a mim não me agrada. Agrada por certo alguém? Já se pode imaginar toda gente rindo sem parar como se estivessem em um circo.
A namorada mete-lhe um chifre bem grande. Alguém muito amado morre. Talvez até um bichinho de estimação, né? Normal já que muitas amam mais os animais que os humanos. Tem um prejuízo, perde o trampo, sofre um acidente, perde a condução, tira uma péssima nota em uma prova, briga com os pais, acaba o namoro, falta dinheiro, inúmeras coisas desagradáveis acontecendo, tantos sonhos ficando para trás e ficam a sorrir. Simplesmente passam todo o tempo sorrindo porque não existe motivo para sentir um segundo de tristeza nas suas vidas. Aqui não! Tristeza na minha vida jamais! Meu nome é sorriso (Risos). Isto é típico do ser humano. Sua hipocrisia interior. Sua farsa e mentira diária. A pior coisa que existe é enganar e mentir para si mesma. Uma bobagem. Uma coisa completamente sem sentido. O que importa isto? É lá ao fundo que estão suas verdades. Suas e de mais ninguém! O ser humano engana a si mesmo e como não engaria da mesma forma toda gente? Tudo para não ser digno de pena. Para não ser alvo de chacotas, para não dar o braço a torcer, não demonstrar fraqueza, para ser a miss sorrisos. Isto tudo sem se quer pensar que muitas ficam a cismar com tantos sorrisos. Todos os dias e o tempo todo? Por que andas sorrindo tanto a menina? Ninguém é feliz todo o tempo. Tá bom, tá bom. Já sei que não dá para demonstrar sentimentos para ninguém. É melhor ser falsa que honesta. Não deveria ser necessário tanto esforço para usar uma máscara de felicidade permanente. Não precisa, mas também de nada adianta falar coisa nenhuma quando andam metidas com a hipocrisia que aprenderam desde a infância.
Se quiser mesmo esquecer a tristeza ocupe-se! Trabalhe! Engane a ociosidade transformando a insatisfação em algo bom. Tão bom que faça você se sentir vivendo mais para si mesmo do que para os outros. Agrade-se! Não agrade os outros! Se perguntarem se você está triste, a melhor resposta é: Claro que não!
Astridy Gurgel
"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas. Impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore. Pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida." 
Juliusz Slowacki

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Meu Querer. - Por Astridy Gurgel

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 17


Na tarde seguinte Patrícia chegou ao ateliê, seguindo direto para a prova das roupas com Sandrine. Percebeu os olhares carregados de inveja das modelos sobre seu corpo sem se importar.
Estava provando o quarto modelo quando Samanta entrou aproximando-se com um olhar cheio de segundas intenções. Parou ao lado dela, descendo os olhos pelo vestido com a sobrancelha erguida em sinal de reprovação.
- Gostou deste vestido, Patrícia?
- Ah, ele é lindo! Adorei!
- Criei para você! Para este seu corpo que me enlouquece. – Contou num tom sensual que chamou a atenção de todas que ouviam as duas.
Patrícia olhou em volta vendo que estavam todas olhando mesmo para elas.
- Obrigada! – Agradeceu desviando os olhos confusos dela.
- Vai jantar comigo hoje, não vai?
- Não. Hoje não posso...
- Outro insuportável compromisso fora de hora? – Perguntou debochada.
- Vou ao hospital hoje à noite. Preciso visitar alguns pacientes.     
- Entendo! Esqueci-me do seu lado exageradamente caridoso. Você adora perder tempo! – Respondeu voltando-se para a senhora que ajustava o vestido fingindo-se de surda. – Aumente a bainha, não quero que ela mostre as pernas!
A mulher obedeceu sem retrucar. Samanta virou o rosto encarando Patrícia sem disfarçar seu desejo. De repente deu um passo, pegando alguns alfinetes na mão da provadora com impaciência.
- Deixe-me fazer isto. – Murmurou levando a mão a cintura dela. Apertou-a com força olhando-a no fundo dos olhos.
Patrícia sorriu sem jeito sussurrando baixo:
- Não faça assim. Aqui não...
- Faço! Faço onde e quando eu quiser! Você é minha! – Respondeu puxando-a completamente contra seu corpo. – O que você quer é me enlouquecer.
- Samanta...
- Rolei na cama a noite toda. Quase morri de saudade...
- Deixe-me! – Patrícia pediu descendo as mãos e tocando as dela que apertavam sua cintura com força. Seus olhos perderam-se nos de Samanta, quando ela sussurrou sufocada. – Por favor, em casa!
        - Quando em casa? Quando se você volta tardíssimo? Qualquer dia nem vou mais te ver. Eu...
- Não dê escândalo. – Pediu mais baixo. – Tenho compromissos. Você sabe, então não precisa falar assim.
Samanta a soltou na hora falando entre dentes.
- Vá à minha sala assim que terminar aqui! – Ordenou saindo dali com passos firmes.
Patrícia suspirou controlando-se.
Uma das modelos aproximou dela falando num tom invejoso:
- Agora nós sabemos como conseguiu o contrato. Você está trepando com ela!
Patrícia apenas a olhou sorrindo sem responder nada.
- Você pensa que é mais esperta do que a gente? Qualquer uma aqui pode dormir com ela e conseguir coisa bem melhor do que você conseguiu!
Desta vez Patrícia a olhou com uma raiva contida.
- Então deite com ela! Deite você! Deitem todas! Isto não me diz respeito. Eu não trepo não, viu sua despeitada! Alguém aqui está impedindo vocês de fazerem alguma coisa?
- Você não é amante dela? Não está dando para ela?
- Mas era só o que me faltava! – Patrícia respondeu começando a rir. 
Sandrine aproximou falando tensa com a outra modelo.
- Volte para sua prova de roupas, Nívea! Samanta não suporta bate boca entre as modelos!
- Com todo prazer! - Respondeu fulminando Patrícia com os olhos frios enquanto se afastava.
Uma hora depois, Patrícia seguiu para a sala de Samanta o mais tranquila que conseguiu ficar. Assim que entrou, Samanta largou o desenho que estava fazendo comentando séria:
- Soube que Nívea te provocou.
- Está tudo bem, eu resolvo essas bobagens.
- Vou demiti-la! Ofender você? Ela perdeu a noção do perigo!
- Não! Nem pensar. Não pode demitir uma pessoa porque ela sente inveja. Por Deus, nem pense nisto. Ela é um ser humano, mas nem por cima do meu cadáver!
- Ela não pode te afrontar e ainda por cima falando coisas íntimas nossas para todas ouvirem. Isto é falta de respeito...
- Deixe-a em paz! Não ligo para o que ela pensa ou diz.
- Agora uma modelo encrenqueira vai se meter na nossa vida? E eu vou ter que permitir?
- Samanta? Você me agarrou na frente delas falando coisas íntimas. O que você esperava? Você me expôs dando motivos para ela me atacar. Não fui eu que inventei a inveja, então deixa para lá. Por que me chamou aqui?
- Você não conhece este meio. Te derrubam sem pensar duas vezes. Eu te chamei porque quero você agora!
Patrícia nem conseguiu falar quando Samanta a puxou para o sofá largo. Caíram ali transando de uma vez. Foi uma transa diferente. Patrícia percebeu que foi apenas sexo. Apenas uma necessidade de satisfazer o desejo. A fome da carne. Nunca tinha sentido aquilo com Samanta. Não se sentiu bem e nem gozou como era comum acontecer. Aquela sensação de que tinham apenas feito sexo não a agradou nem um pouco.  Samanta quis mais, porém afastou dela arrumando suas roupas.
Samanta fez o mesmo fechando a cara insatisfeita.
- Esta vendo como você é? Já me cortou! Podíamos transar novamente. A porta esta trancada e este ateliê é meu. Faço o que eu quiser aqui dentro. 
Patrícia a fitou respondendo enquanto vestia suas roupas:
- Sei que faz, mas acontece que estou no meio de uma prova de roupas e você me chamou aqui só para transar.
- Não posso? Você é minha namorada e assinou um contrato com a minha agência! Vai querer importar novas regras? Não seja ridícula Patrícia! Tenho muito desejo por você e não sou obrigada a esperar para transar bonitinha na sua cama à noite.
Patrícia a olhou sem conseguir disfarçar a decepção que aquelas palavras provocaram nela.
- Lamento muito se pensa que vou resumir minha vida apenas a sexo. Não fizemos amor, nós acabamos de transar! Porém, o pior é que parece que nunca te deixo satisfeita.
- Quanto mais tenho você mais eu te quero. Não tem problema nenhum transarmos aqui.  
- Samanta? Você está bem? Você está tão...
- Estou tão o quê Patrícia?
- Possessiva! Eu não me sinto confortável com você agindo assim, sabia? Você mudou. Não é mais a mesma comigo.
- É você que esta mudando, não eu! Agora esta até reclamando de transar comigo. Você não é minha mulher? Tenho meus direitos, ora! Quando começamos você não ligava a mínima de transar aqui no ateliê.
- Quando começamos você não me tratava como está tratando agora. Ah, por favor, não sei o que você tem, mas não estou gostando. O seu jeito de falar, de me olhar e agora me agarrar em público não é legal. Achei horrível seu comportamento na frente das suas funcionárias.
- Que coisa, hein? Não é você a assumida que não se importa que todos saibam da sua orientação sexual? Você não é tão moderna e politicamente correta?  
- Samanta? Não confunda tomate com ameixa! Eu sou lésbica! Sempre fui, mas não agarro mulher nenhuma em público. Acho isto desrespeito para com as pessoas. Acho uma falta de linha sem tamanho. Eu não faço isto, então não faça isto comigo. Não preciso mostrar para ninguém que eu gosto de mulher. O meu relacionamento com você é às claras e todos já sabem. Agora ficar mostrando e me exibindo nem pensar. Assinei um contrato com a sua agência apenas para desfilar. Não foi para ficar trancada aqui transando toda hora que você estiver excitada. Tenha a santa paciência! Sou sua namorada, mas espere até chegar em casa. Ficar com cheiro de sexo no meu corpo no meio de toda essa gente? Dispenso! No início eu me não importava mesmo porque tinha todo um encantamento, mas agora sei lá onde você o meteu! Quem deveria dar este exemplo é você e não eu! Preciso terminar a prova das roupas, com licença! – Girou deixando-a sem esperar pela resposta.

A semana que seguiu foi intensa e cansativa. Patrícia trabalhou feito uma louca. Arrumou tempo para ir ao hospital visitar alguns aidéticos, sem se importar com as queixas de Samanta. Ela continuou indo todos os dias a sua procura e Patrícia sabia que transava com ela para evitar brigas. Por alguma razão seu desejo não era mais o mesmo.
No sábado, dia do baile da igreja, Patrícia comentou com Samanta sobre ele:
- Hoje é o baile da igreja. Voltarei tarde para casa.
- E o desfile? Você poderia deixar de ir neste baile. – Samanta sugeriu confusa.
- O baile será após o desfile.
- Irei com você!
- Não Samanta. – Falou rapidamente sem jeito. Algo lhe dizia que se Samanta fosse criaria uma situação desagradável. – Acho melhor você não ir. Eu vou trabalhar no baile, não poderei ficar com você e muito menos te dar atenção. Tenho que ajudar a servir os convidados...
        - Você não precisa fazer nada disto! Posso pagar garçons para...
        - Oh não, é um baile de caridade. Somos todos voluntários, nada de luxo.
        - O dinheiro é meu, Patrícia!
        - Por favor! – Pediu abraçando-a carinhosa. – Não faça assim. Não seja tão difícil.
        - Não quero falar disto. Vamos transar que ganharemos mais. – Samanta respondeu puxando Patrícia para a cama.
Quando amanheceu, Samanta a puxou para seus braços, mas Patrícia fugiu dela pedindo meiga:
- É melhor você ir agora, Samanta. Você tem que organizar muitas coisas para o desfile de hoje.
- Nós ainda temos tempo...
- Preciso ir ao salão. Marquei hora às oito. Vejo você à noite.  
- Vou morrer de saudade...
- Não vai não querida, passamos todas as noites juntas. Isto deveria te bastar.
- Não basta! Temos que conversar sobre isto.
- Tudo bem. Conversaremos outro dia. Agora preciso tomar um banho e sair. – Patrícia respondeu beijando a boca dela e correndo para o banheiro.

O desfile daquela noite foi um grande sucesso. Patrícia viu o grupo de jornalista que tentavam entrar para falar com ela. Olhou para Sandrine perguntando admirada:
- Estes jornalistas querem mesmo falar comigo?
        - Querem sim! Estes são os que conseguiram entrar, mas tem um batalhão deles te esperando lá fora.
        - Ah não, não posso ficar nem mais um minuto. Diga para Samanta que fui para o baile. Tchau! – Despediu-se desaparecendo dali.
Trocou-se rapidamente correndo para a igreja sem olhar para trás.
Assim que parou o carro, viu o padre aproximando-se com um largo sorriso.
- Boa noite, Patrícia! Como foi o desfile?
- Boa noite, padre! Foi ótimo! Pela quantidade de jornalistas que estavam lá, acho que foi um grande sucesso.
- Que maravilha! Você merece. Vamos entrando? Já devíamos estar servindo o ponche.
Patrícia seguiu com ele rapidamente. Entrou no salão vendo-o lotado de pessoas.
Sorriu para o padre, comentando:
- Os bailes estão ficando cada vez mais cheios. Isto é muito bom, não acha padre?
- Acho sim! Também depois dos últimos três bailes que você começou a trazer suas amigas modelos todos querem comparecer. Este sucesso é obra sua!
- Fico feliz padre! O Senhor sabe como tenho me dedicado. Tenho feito tudo que posso. Só não faço mais, pois sabe, também tenho minha vida.
- Sei demais e sou muito grato por tudo que você faz! Hoje o baile será especial. Minha amiga Carmem prometeu que virá. Estou muito feliz. Vocês precisam se conhecer. São as duas melhores amigas que tenho...
Patrícia ficou ouvindo atenta as coisas que o padre estava contando. Ele tinha mesmo muito carinho pela tal Carmem. Falava sobre ela sempre com o mesmo entusiasmo. Nem sabia por que sentia certo receio de conhecê-la. Aquela sensação devia ser uma bobagem, afinal a mulher era apenas uma alma caridosa que andava pela igreja ajudando e apoiando o padre como ela mesma fazia costumeiramente. Aquela impressão certamente devia ter surgido por causa dos ciúmes e da possessividade de Samanta.
- Que bom que ela vem ao baile. Depois das generosas contribuições que contou-me que faz, é normal que distraia um pouco.
- Também acho! Ela ligou avisando que iria passar o dia na casa de uma tia e estaria aqui sem falta à noite. Sem contar que ela precisa demais sair, distrair, viver. Gente jovem precisa aproveitar melhor a vida.
- Concordo plenamente com o senhor. Agora acho que posso realizar alguma tarefa.
- Que ótimo! Você pode assumir o ponche até Joana chegar?
- Com certeza! Estou indo para lá.  
Os bailes da igreja de fato passaram a ser mais animados e concorridos pelos moradores da comunidade. A ideia de trazer algumas modelos para abrilhantar a festa, tinha sido aprovada pela maioria. As modelos interagiam com as pessoas, conversando e dançando, além de ajudarem a servir os convidados. Tudo sempre corria num clima gostoso e descontraído.
Após uma hora servindo o ponche, Patrícia foi rendida por Joana que chegou correndo apavorada.
- Mil desculpas Patrícia, mas não passava um táxi. Deixa que eu assuma aqui. Obrigada por ficar no meu lugar.
- Não tem problema. Sei como é difícil pegar um táxi a essa hora. O que importa é que você veio. Vou lá conversar com as meninas! – Respondeu afastando-se da mesa.
Foi ao encontro de duas modelos que conversavam num canto. Já eram onze horas da noite.
- Oi meninas! Estão se divertindo?
Elas se voltaram sorrindo animadas.
- Muito! – Respondeu Karla Lemos olhando em volta. – Adoro estes bailes! Céus! Isto é do tempo da minha mãe! Acho o maior barato.
- Eu também adoro Patrícia! – Fátima respondeu também animada. – É o único lugar onde não ganhamos cantadas. Acho isto o máximo!
- É verdade, as pessoas respeitam sim e é por isto que convido vocês. Por que sei que...
Karla e Fátima voltaram-se curiosas para ver o que tinha deixado Patrícia estática naquele momento. 
                                            Continua...

domingo, 9 de novembro de 2014

A Fadista Maravilhosa! - Por Astridy Gurgel

Querendo um amor e aceitando sexo.


Chamada: Pegação é diferente de amor.
Bom tarde moças!
As coisas andam muito calmas por aqui, assim decidi escrever sobre um tema que todas conhecem e sabem bem como rola, a pegação!
Como o texto ficou muito maior do que pretendia foi dividido em três partes. Convido vocês a acompanhar as postagens deles para entenderem seu conteúdo na integra.
Aproveito para agradecer as leituras, curtidas e comentários nesta coluna.
Hoje em dia a maioria das mulheres estão liberais e soltas na internet e fora dela. Vamos ver a realidade desta questão que parece não ter consequências.
Quando leio as moças postando que querem um amor, acho curioso porque quem quer um amor não anuncia. Não sei se amor se encontra fazendo anúncios.
Estou errada? Tenho dúvidas. Talvez algumas encontrem afinal tudo é possível. Basta fazer um anúncio em uma página de classificados de um jornal que irão ver o que irá aparecer na vida de vocês.
O que sei de amor é que um dia duas pessoas se encontram. Trocam um olhar e algo acontece. Não dá para explicar porque é mágico, é como um encantamento, talvez como nos contos de fadas sem ser exatamente conto de fadas. Um olhar que desperta a vontade de conhecer aquela mulher. As duas sentem isto ao mesmo tempo.
Pode ser que deste encontro não nasça um amor, contudo pode ser uma linda paixão. As duas irão se conhecer. Juntas descobrirão aos poucos afinidades e coisas que gostam. Vão revelar segredos, pontos fracos, necessidades e vontades.
Farão confidências cada vez mais íntimas. Provavelmente irão para cama. Vão fazer coisas gostosas talvez pela internet ou em uma cama. Farão amor. Isto vai depender do lugar onde residem. 
Não se faz amor apenas quando se ama. Muitas pessoas que se amam, às vezes, mal percebem há quanto tempo não fazem amor. Não se dão conta que faz tempos que fazem apenas sexo. Sexo é aquele carnal bem direto. Sem preliminares. Sem esbanjar carícias. Sem provocar aquele prazer todo antes de chegar ao clímax.
Fazer amor é brincar de conhecer o corpo da parceira. Passar a boca na carne, a língua, as mãos por todo o corpo. Desvendando cada pedacinho da pele, lambendo e chupando as partes sem finalizar rapidamente.
- Oh! Meu Deus! Não suporto isto, preciso gozar logo! Gozo logo e gozo rápido! Ficou doida é Astridy?
Ui! Gozar logo, virar para o canto e dormir, né? Entendo muito bem (Risos).
Algumas até fazem mais uma vez e dormem. Geralmente é assim mesmo que acontece. Acontece que gozar logo é perder a melhor parte de fazer amor.
Existem aquelas que fazem amor. Que gastam mais tempo. Que fazem mais carinhos, que levam a parceira próxima do paraíso. Elas não vão para cama pensando somente em gozar, elas pensam em dar e ter prazer. Pensam em amar e serem amadas.
Ah, e um detalhe! Muitas conseguem fazer amor muito melhor estimulando a parceira digitando ou falando, do que inúmeras que fazem estando juntas.
Meu Deus! É o fim dos tempos! Não é não. São os novos tempos e eles não irão embora.
Quem pratica estes jogos sensuais sabe bem do que estou falando. São detalhes íntimos que não preciso mencionar. 
As pessoas que trabalham o dia todo. Quando gozam a noite relaxam dormindo depois que sentem prazer. Isto não é ruim, isto é muito bom. Só que, sexo com intensidade e qualidade é muito melhor.
Por que ter um sexo fraquinho se vocês podem ter um sexo intenso, delirante e inesquecível?
Sabe quando que os momentos de amor se tornam inesquecíveis? É quando vocês se separam daquela mulher e ficam sentindo o corpo meio trêmulo como se ainda estivesse sendo acariciado.
Quando recordam os momentos deliciosos que viveram sentindo as entranhas inesperadamente úmidas.
Quando do nada começam a sorrir ao perceber que as lembranças deixam vocês emocionadas e cheias de saudades.
De fato as lembranças deixam vocês excitadas. Vocês se sentem mais mulheres, mais amadas e desejadas. Vocês se sentem vivas.
 Isto não acontece quando fazem apenas sexo. Sexo é sexo. Aconteceu, valeu e não fica nada para lembrar.
Agora momentos de amor, ah meninas! Essa é a magia que raras pessoas conseguem viver hoje em dia. Porque tudo é muito rápido e na cama ficou tudo apressado também. Falta cumplicidade e ternura. Existe uma lista imensa de tudo que falta.
Daí vocês podem observar as milhares de mulheres insatisfeitas falando que querem um amor pela internet.  
Vejam um exemplo simples:
Uma mulher trabalhou o dia todo. Volta para casa cansada. Bate um papo enquanto come algo com a parceira. Dão uma passada pela internet. Depois deitam. Trocam um beijo e uma chupa a outra. Nesta sequência. Beija e já chupa. Não tem preliminares, não tem mais nada. A que foi chupada está cansada demais. Já gozou, ficou molinha e fala:
- Estou pregada amor. Vou te tocar só com o dedinho tá?
Beleza! Aconteceu só isto aí. Tipo quinze minutos, isto se alguma delas não demorou mais tempo para gozar. Vão dormir e acabou.
No dia seguinte saiem as duas para trabalhar. As duas vão ter um dia normal. Não terão lembranças. Não ficarão emocionadas com nenhum momento da noite passada. Não fizeram amor, deram uma gozadinha básica rápida. É o que algumas chamam de basicão! (Risos)
Continua...
Tenham um excelente final de semana.
Astridy Gurgel 
Postado no site do Parada Lésbica em 07/11/2014.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Como você quis! - Por Astridy Gurgel

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Frequentar.


Frequentar, ir ou estar presente. Assim entendo frequentar.
Tantas idas e vindas. Meses, semanas, dias, horas por noites e noites intermináveis. Ainda assim resisti à vã ideia de frequentar. Apenas frequentar mesmo que não seja com a mesma constância ou como era normalmente, naturalmente, necessariamente.  
Corações rasgados não são frequentáveis. Ora se fossem namoros, relacionamentos, amizades, como todas as relações, nenhuma teria deixado de existir. Todas as relações estariam intactas, posto que dentro da normalidade seria o normal.
Frequentar de uma maneira clara é resumidamente manter o laço sem soltá-lo.
Logo neste mundo de gente fria que a nada se prende? Depois que todas as mãos foram soltas e milhares ficaram abandonadas ainda se pensa em frequentar?
Pensando nisto, talvez fosse uma ótima ideia colocar um tapete. Poderia até ser um tapete vermelho para que as pessoas que acreditam em frequentar caminhassem por ele. Suas mentes confusas as levariam ao antigo caminho. Para tomar café, alimentar-se, banharem-se, gargalharem de si mesmas e de outros, deliciarem nos prazeres do sexo, das traições, das entregas desalmadas, das perdidas emoções que insistem em manterem vivas. Como se seus corações ainda guardassem sentimentos.
Frequentar nesta altura é o mesmo que alfinetar mil vezes. Tantas como se fossem pedradas que arrancariam sangue e fariam pior, pois arrastariam lágrimas abundantes de olhos que cansados nem choram mais. Seria o mesmo que despertar estes olhos de dores que nem se quer se curaram, porque um erro arrasta rios deles. Levando por lençóis e cabeceiras de rios que se estivessem secos, até poderiam ser salvos da abundante seca de água que ameaça todo o planeta. Seria o mesmo que pisar dezenas de pequenas mágoas incrustadas na pouca, quase morta paciência de insistir em desculpas falsas. Em absurdos erros que quem frequenta acha comum.
Frequentar não existe depois de findos os meses e as noites mortas. Normalmente é um estado de confusão que alimentas em tua mente turva.
Já não frequento, posso somente contar-te que em muitas madrugadas quando desperto fico apenas a ouvir canções que em nada oferecem lembranças.
“Nada ficou no lugar.” Ouça e frequente esta melodia que talvez perdida entre tantas canções, seus ouvidos nunca tenham esmiuçado as verdades que contém nesta letra.
Quando pensas em frequentar achas que todas as mulheres que habitam este planeta são desprovidas de inteligência ou seria especificamente uma única idiota que sobreviveu sabe lá por que razão?
Já que achas tão normal frequentar pergunto-me agora o que consegues enxergar. Se estivesse olhando nos meus olhos neste instante saberia decifrar se estou alegre ou triste?  
Astridy Gurgel

Dia bonito.


O dia quando começa bonito, sem até precisar sorrir, acontece assim só pela felicidade de sentir um novo dia.
Coisa mais linda sem muita explicação. Tanto que nem carece de ter amor no peito por mulher alguma. Que amor que fosse neste dia não seria tão mágico quanto essa alegria deste dia.
Podia até ser bom de todo jeito, ter um amor e fazer amor porque não existe perda de tempo quando se faz amor.
Só que neste dia bonito como moça que sorri sem dar bola todo dia, não precisa disto ou daquilo para ficar melhor.
Tem solzão brilhando lá fora, canto de passarinhos ao redor por aí a fora, gente sorrindo sem saber de quê, feijão cozinhando na panela, até música emotiva balançando o coração.
Dia mais bonito, sei lá, para quê? 
Astridy Gurgel

domingo, 2 de novembro de 2014

Passado!


Penso se mudamos para melhor ou se pioramos mudando. As pessoas costumam afirmar que não são egoístas. Quanto mais egoístas se tornam, mais negam o fato. Acho difícil que alguém se enxergue realmente como é. Lá na essência. De uma forma que se conheça inteira. Absolutamente. Que se veja completa com seus defeitos e erros.
Não! Não se conhecem completamente. A começar pela infinidade que vivem neste mundo perdidas sem saber o que desejam de fato. Sem saber se amam ou apenas gostam. Sem entender quem são e o que estão fazendo aqui.
Continuando pelo erro constante de acreditarem que é impossível viverem sozinhas. Quantos casais que juntos estão sós? Não sós por terem se isolado, mas sós dentro da relação. Cada uma com a cabeça em outra coisa. Uma jogando enquanto a outra lê. Oh! Que lindo! Realmente cada uma gosta de ocupar o tempo com uma distração que aprecie. Não é necessário fazerem tudo juntas. Até para se enganarem juntas é melhor. Tudo que se faz acompanhada é mais interessante. Pero si usted sabe que la vida no es completa. Usted todavía fingiendo que su corazón está satisfecho. ¿Por qué insistes en este error inútil?
Num momento quando choramos, digo em momentos em que ficamos tristes, pois, não tem como não cruzar com a tristeza em certos dias. É necessário quase um balde de água fria na cara para recordar o quanto a vida é maravilhosa.
Saber dos desenganos que cometemos é o que faz verter lágrimas nos olhos em horas distraídas. Saber que fazemos coisas que queremos demais em certas horas para pagar por elas dias mais tardes. Essa é a vida que não compreendemos totalmente.
É certo que se pisar em um caco de vidro irá sangrar. Fazemos isto, pisamos nos cacos sem perceber. Sagramos por falta de atenção. Chorar é sangrar.
Entendo a razão de amarmos pessoas erradas. Entendo que é algo pelo que precisamos passar. Estava escrito nos nossos destinos. O universo sabe bem tudo que iremos viver. Não vou negar, adoraria ser amiga do universo para saber o que esta reservado para os meus dias. Uai, só por um mínimo segundo gostaria de saber. Estou até imaginando os pensamentos chocados: “Credo! Deus me livre de saber do futuro. Perder toda a graça de viver cada dia e seus momentos.” (Risos). É um desejo bobo, afinal o universo jamais seria fofoqueiro a este ponto.
Feliz de mim que passei pelo pior levantando. O meu coração esta lindo. Esta em paz. Noooooo, que delícia sentir toda essa leveza! Que perfeita comunhão de sentimentos consigo sentir agora. Não tenho palavras, hum! É melhor evitar invejas que tentem roubar o que conquistei.  
Não existe porque se arrepender das coisas que vivemos. Somos e seremos pedaços do que gostamos ou deixamos de gostar. Das relações que cultivamos e se foram, dos sonhos que não realizamos, das horas que choramos, do tempo que desperdiçamos, das peças de roupas que cansamos de usar, das palavras que não acreditamos mais quando soam em nossos ouvidos.
Somos pedaços dos amores que se formam. Que morreram quando o sentimento foi assassinado. Somos pedaços porque embora tenham ido jamais sairão das nossas lembranças.
Nada que viveu dentro de nós morre completamente. Não existe presente sem passado. Se existisse, não teríamos chegado ao presente, suposto que não teria existido o passado.
Existe um elo que nos liga a tudo que fez nosso coração acelerar algum dia.
Uma frase ótima que dizem e me faz sorrir sempre: “Quem vive de passado é museu.”  
Sim, exatamente! Viver do passado é não viver o presente. Então vivemos o presente atrelados ao passado sem revivê-lo. Não somos máquinas que podem ser programadas ou desprogramadas. Muito embora milhares insistam em agir feito máquinas.
Qual de nós não tem uma amiga que mora no passado? Sempre que a reencontramos fica revivendo tudo que aconteceu. Relembra momentos, tristezas e alegrias. Fala e ri porque é onde estagnou, dentro daquelas lembranças. Revê-la é tal como abrir a porta do passado. Já sabemos mais ou menos tudo que vai falar. Ela retrata momentos mortos como se ainda estivessem acontecendo. Por instantes quando paramos para observar sua face e o brilho dos seus olhos, entendemos que algumas pessoas refugiam-se no que não conseguiram segurar. Pois o tempo é impiedoso e não detém nada.
Quem que perde fugindo do passado? Elas? Nós? Ninguém porque nada se perde! Sentimentos adormecem para dar lugar à paz. Nem por isto ficamos falando de passado como se o fazendo fossemos trazê-lo de volta.
Não fugimos do passado porque nossas atividades estão diretamente ligadas a ele. Quando lemos um livro ele foi escrito no passado. Nossas leituras se fundamentam em escritos passados. O que foi escrito ontem, hoje é passado. Não vivemos no passado, mas lemos tudo do passado.
Uma das personagens que adoro, uma das, porque adoro muitas, vive no passado e quantas vezes tiver um tempo vou querer reler aquele livro. Há tanto sentimento não esclarecido entre as duas, e no final a necessidade que não consegue ficar mais escondida. Quando o li pela primeira vez fiquei o tempo todo pensando: Elas não vão ficar juntas, que pena! O ciúme, a necessidade, a fome, a saudade e a carência. Os corpos de ambas ardendo de desejos. Toda aquela distância terminou com uma simples palavra. Mais um livro do passado que faz presente todas as vezes que o abro. Como tantos outros. Ah! Como é bom mergulhar nos passados literários, cinematográficos e musicais. Não existe lugar aonde exista mais passado do que nas músicas que escutamos. As músicas nos revertem a momentos que foram maravilhosos.
Podemos sentir antipatia de uma música por trazer recordações tristes. Podemos sentir antipatia por alguns meses. Até que um dia voltamos a ouvir e a antipatia passou. Foi embora deixando a música soar deliciosamente. Ficou esquecida por um tempo, mas renova-se voltando a agradar.
O passado esta infiltrado nas paredes das nossas memórias. Seguimos em frente. Caminhamos. Enamoramos novamente. Abraçamos outra pessoa. Ouvimos as mesmas mentiras. Enganamo-nos da mesma forma. Caímos e levantamos. Mas nos bancos das nossas memórias sabemos bem, o passado respira em nós. Não o vivemos mais e certamente nem necessitamos. Apenas o carregamos. Quando largamos as bagagens pesadas que acumulamos, podemos largar tudo, o passado nunca!
Este é o sofrimento de muitas neste mundo, tentar esquecer o inesquecível. Tentar apagar as sombras que vivem no passado é uma bobagem. Só perdendo a memória apagaríamos o passado. Passado não é para ser esquecido, é para ser guardado sem dor.
         Bom domingo para vocês. 
Astridy Gurgel
       “Cada um tem o seu passado fechado em si, tal como um livro que se conhece de cor, livro de que os amigos apenas leram o título.” 
Virginia Woolf

sábado, 1 de novembro de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 16


      Quando o dia amanheceu, Patrícia se afastou dela sentindo o corpo tenso pelo desejo que ainda sentia.
            - São apenas sete da manhã. – Samanta queixou-se a abraçando por trás. Sua mão desceu já entrando suavemente no sexo dela. Patrícia gemeu abrindo as pernas, mas se afastou caindo em si segundos depois.
          - Tenho um desfile as dez da amanhã. Preciso me arrumar. – Explicou parando diante do espelho. – Oh Deus! – Gemeu percebendo as olheiras em seus olhos. – Estou péssima!
          - Você está linda! – Samanta elogiou encantada da cama. – Venha aqui! – Pediu baixo. – Prometo que seremos rápidas...
          - Samanta? Por favor, não dormimos a noite toda. Realmente tenho um compromisso de trabalho que não pode ser adiado. Vou tomar banho.
   Foi tomar o banho. Quando voltou ao quarto, Samanta estava recostada na cama. Ficou quieta observando Patrícia enquanto ela se aprontava.
   De repente falou num tom ansioso:
             - Betina Clark quer que você desfile a nova coleção dela. Eu disse que você não podia aceitar. Espero que se recuse caso ela te procure.
         - Você devia ter falado comigo primeiro. – Respondeu fitando-a pelo espelho.
        - Tem razão, mas achei melhor cortar logo. Ela é uma devoradora de mulheres. Só quer você porque é bonita demais...
           - E também porque sou uma excelente modelo! Devoradora de mulheres? Pelo jeito você não me conhece mesmo. Faz ideia de quantas lésbicas encontro nos desfiles que faço? – Seus olhos caíram em Samanta curiosos. Sorriu acrescentando. – Não! Você realmente não faz a menor ideia!
             - Patrícia... – Falou sem graça. – Só estou tentando te proteger...
            - Você acha que não recebo cantadas? – Perguntou divertida. – Por favor, Samanta, não tente limitar meus passos. Eu sei por onde ando. Sou uma profissional e não uma garota de programas.
             - Acha que essa gente percebe a diferença?
            - Essa gente não me importa! – Respondeu colocando um vestido lindo que estava separado sobre a cadeira. Olhou-se no espelho fitando Samanta com um olhar afetuoso. – Não sinta ciúmes de mim. Porque se sentir vai viver num inferno eterno. Se não confiar vai procurar seu próprio sofrimento.
              - Desculpe!
              - Tudo bem, agora eu tenho que ir.
         Samanta saltou da cama aproximando dela diante do espelho. Patrícia estava passando o batom nos lábios. Samanta começou a roçar o corpo no dela. Sua boca percorria a nuca de Patrícia com beijos sensuais. Patrícia voltou-se a beijando longamente. Então se afastou com um sorriso meigo.
            - Não faça isto, tenho que ir.
            - Patrícia...
Mas ela saiu rapidamente do quarto, correndo feito uma louca, pois estava mesmo atrasada para aquele desfile.

     Patrícia teve um dia corrido e difícil. A noite jantou com um estilista e seu advogado. Voltou para seu apartamento às onze da noite. Assim que entrou, Samanta se ergueu do sofá com um copo de uísque na mão.
      Olhou-a de cima a baixo comentando seca:
            - Deve ter sido um jantar e tanto!
            - Não foi não.
            - Não quero julgá-la mal, se é que entende. – Acrescentou maldosa.
          - Jantei com Malcon Santiago e seu advogado. Foi um jantar muito chato. Discutir negócios é sempre cansativo para mim.
            - Sei! Mas o dinheiro que vem destas discussões é bom para você, suponho!
        - É bom sim, porque é o dinheiro que vem do meu trabalho. Não seja maldosa e nem insinue coisas absurdas. Sei como funciona a sua cabeça e imagino as coisas que esteve supondo. Pensar que você estava aqui a minha espera me deixou sem concentração.
Patrícia aproximou dela tirando o copo da mão dela, enquanto acariciava seus lábios com a ponta dos dedos.
             - Fiquei ansiosa.
             - Ficou?
             - É. Ansiosa e excitada demais. Sentindo saudades...
             - Sentiu? – Perguntou agarrando a cintura dela com desejo. – Jura?
        - Sim... – Patrícia admitiu sorrindo enquanto mergulhava na boca dela tomada pelo desejo.

    Patrícia foi ao almoço na igreja no domingo com o padre. A pedido seu, Samanta não a acompanhou. Percebeu que ela ficou magoada, mas não se importou.
   O padre estava vindo da igreja quando ela entrou. Ele sentou com ela mostrando um cheque com um largo sorriso no rosto.
           - Deus é bom mesmo, veja essa doação.
Patrícia pegou o cheque levando um grande susto com o valor dele.
Viu o nome da pessoa que doou perguntando curiosa:
           - É muito dinheiro padre! Quem é Carmem Santiago?
        - É muito dinheiro sim. – Ele sorriu satisfeito. – Carmem Santiago é uma grande amiga minha. Ela é como você Patrícia, uma grande alma. Ela acabou de sair daqui.
Patrícia olhou novamente o cheque enquanto o entregava para ele.
           - Ela deve ser muito rica. É a primeira vez que o senhor fala dela.
        - É verdade. Ela frequentava as missas de domingo. A mãe dela era muito religiosa. Sabe, acho que algumas filhas herdam isto das mães. Ela ficou muito perdida após a morte da mãe. Teve uma depressão profunda. A mãe também morreu de AIDS. O marido era caminhoneiro, passou a doença para ela e depois a abandonou. Sempre vi o uso da camisinha como uma questão de saúde. Bom, mas com a morte da mãe e a depressão ela não saiu mais de casa. Então aconteceu algo como um milagre para ela, ela ficou rica de um dia para o outro.
           - Não entendi! – Patrícia comentou sem entender aquilo de ficar rica de um dia para o outro.
         - Dois dias após a morte da mãe, um advogado bateu na porta dela. Disse que ela tinha herdado uma cadeia de hotéis e algumas butiques de roupas finas. E sabe de onde veio? Do avô materno! A mãe dela não se dava com ele. Ele também não a perdoou por ter fugido com um rapaz pobre quando tinha apenas quinze anos de idade. O avô tinha morrido há alguns meses. O advogado informou que estava tentando localizar sua mãe desde então. Tinha que ler o testamento informando sobre a herança. Foi assim que aconteceu com Carmem Santiago. Ela dormiu pobre e acordou rica! Entendeu agora?
          - Mas que história fantásticao dela, acariciando seus l o copo da msem concentraçe esteve pensando. da para aquele desfile. ! – Comentou surpresa.
          - Fantástica mesmo! Mesmo com a chegada do dinheiro, Carmem ainda não via alegria em viver. Ela foi se recuperando aos poucos. Ela decidiu mudar para a mansão onde o avô vivia se isolando mais ainda do mundo. Passei a ir visitá-la sempre que podia. Pelo menos umas duas vezes por semana e a convenci a procurar um psicólogo. Uma moça tão jovem e tão só me cortava o coração. Com as sessões de análise ela foi voltando aos poucos a gostar da vida. Interessou-se pelo projeto do hospital e quis ver as obras. Ficou tão animada que fez essa doação. Também começou a ajudar na distribuição da sopa aos pobres. Quero que vocês se conheçam, principalmente porque ela te admira muito.
       - Me admira? Por que se nem me conhece? Padre? Isto é no mínimo inusitado!
     - Ah Patrícia, contei tudo que você passou com Bruna e ela ficou impressionada com a sua força e sua coragem. Ela também te admira como modelo. Mas você deve ter muitas admiradoras. Deve ter muitas fãs que admiram o seu trabalho como modelo.
         - O senhor acredita que comecei a receber cartas de fãs mesmo? Elas pedem dicas de como cuidar da pele, dos cabelos, do corpo. O tipo de roupas que devem usar. Nossa, eu fico até envaidecida, não sei se sou capaz de ajudá-las nestas questões. Mas dou as dicas que eu acredito ser melhor para cada uma delas. – Contou sorrindo feliz. – Quanto a sua amiga Carmem fiquei impressionada com a história dela. Por que não a convida para o chá das sextas-feiras?
A sugestão à fez sentir-se mal consigo mesma. O que estava fazendo? Não tinha que conhecer nenhuma outra mulher. Olhou para o padre falando rapidamente:
          - Ah padre, acho melhor não a conhecer. Samanta é muito ciumenta e não quero problemas, está bem?
          - Entendo perfeitamente. Está tudo bem. Vamos almoçar?
          - Vamos sim. – Concordou sentindo um grande alívio íntimo.

  À tarde quando Patrícia voltou para o apartamento, Samanta estava deitada na cama vendo televisão. Patrícia despiu-se logo indo deitar. Segurou o rosto dela, procurando seus olhos.
          - Esqueceu que tem casa? Que tem uma mãe? Que ela é doente?
          - Ah Patrícia, só consigo pensar em você. Fiquei te esperando, meu amor! – Contou agarrando a cintura dela e puxando-a para cima do seu corpo. – Não via a hora de te beijar. Estou muito louca de amor por você. Estes seus desfiles nos separam Patrícia, precisa diminuir o ritmo. Eu...
           - Psiuuuu! Não faz assim, por favor! – Pediu beijando-a excitada. Enquanto o fazia, despia-se rapidamente. Deitou o corpo sobre o dela sorrindo em seus lábios. – Eu dou tudo agora querida, não precisa ficar tão ansiosa.
          - Você não sabe como eu te amo. Podíamos ficar mais tempo juntas. Eu te quero tanto que...
    Seus lábios foram silenciados pelos de Patrícia naquele instante. Havia naquele beijo uma torrente de paixão intensa, que acalmou de imediato a aflição descabida que Samanta demonstrou estar sentindo. Patrícia a despiu lentamente, beijando cada parte de seu corpo. Depois se aninhou em seus braços, trocando beijos apaixonados com ela. Só muito tempo depois, voltou a acariciar o corpo dela com as mãos e com os lábios. Estava tão delicada, tão carinhosa que Samanta a olhou agitada.
          - Você está diferente comigo. O que está acontecendo?
Patrícia ergueu a cabeça olhando-a com doçura.
          - Diferente? Não gosta quando fico carinhosa?
          - Sim, mas...
          - Só estou te sentindo. – Ela sorriu acariciando o seio dela lentamente. – Não é bom com carinho também?
           - É bom sim, mas se você esteve com outra mulher eu sou capaz de cometer uma loucura! – Falou desconfiada.
           - Ô amor, não faça assim. – Pediu abrindo as pernas dela com suavidade. – Não estrague tudo.
       - Ai Patrícia, eu te amo tanto, que se me trair eu perco o rumo, eu enlouqueço, eu...
   Patrícia mergulhou no sexo dela sem aguentar mais o desejo de senti-la intimamente. Acariciou e chupou cada pedacinho dela. Os gemidos de Samanta chegaram aos seus ouvidos com grande prazer. 
          - Ai... Ninguém faz como você Patrícia, que delícia... Só penso nisto, em você em mim assim... Aiiiiiii... Não pare... Ai, amor... Mais, por favor. Aiii...
   Fizeram amor o resto do domingo. Às dez da noite Patrícia a beijou levemente nos lábios pedindo com carinho.
          - Vá para sua casa essa noite querida. Precisa ver sua mãe e suas coisas.
           - Não! Por que não posso ficar?
           - Preciso dormir. Você também precisa...
           - Eu te deixo dormir, eu juro.
        - Não, não dá. Você não deixa não. Faz duas noites que não durmo quase nada. O que você quer? Deixar-me feia e cheia de olheiras para que ninguém me contrate mais?
         - Claro que não! Só quero te amar mais. Não entende que não paro de te desejar, Patrícia?
         - Ora, mas eu também te desejo! Mas meu Deus, Samanta! Estamos nos amando há sete horas. Você olhou as horas quando eu voltei para casa? Puxa vida, assim ninguém aguenta. Vamos fazer amor amanhã de novo. Faremos todos os dias, mas temos que dormir também. Então seja boazinha e vá agora, por favor!
           - Patrícia!!!!!!!!!!
          - Se você não for eu vou para um hotel e durmo lá! – Ameaçou já pulando da cama.
       - Não! Tudo bem. Se é assim que você quer já estou isto. – Respondeu vestindo-se furiosa. – Não entendo que amor é este! Eu posso ficar e amanhã bem cedo podemos fazer amor e...
          - Vou tomar um banho. Tenha uma ótima noite! Encontro você amanhã no ateliê para a prova das roupas. Não fique com raiva! Eu te amo!
Samanta saiu sem ao menos se despedir.
    Patrícia tomou um longo banho, depois ligou a televisão, dormindo em seguida.
                                                    Continua...