quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Westlife - When You Tell Me That You Love Me

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 12.


Patrícia entrou em casa correndo para seu quarto. Lá, jogou-se na cama pegando o telefone. Discou rapidamente sorrindo feliz ao ouvir a voz de Roberta.
- Precisava te ouvir, foi horrível a nossa despedida na porta. Queria ter te dado infinitos beijos.
- Teria sido maravilhoso.
- É mesmo? Só de ouvir sua voz já fico louca...
- Patrícia, não me tente.
- Já sabe como eu me sinto. Quer saber uma coisa?
- Sim, o quê?
- A minha cama perdeu a graça. Preferia estar na sua.
- Assim morro de felicidade. Que sorte a minha você estar preferindo estar na minha cama.
- É isto que você tem me feito sentir.
- Quero te encontrar no apartamento amanhã à tarde. Você vai?
- O seu apartamento para encontros?
- Não exagere. Não tenho encontros, só me interessa encontrar você.
- Não vejo a hora.
- Essa ideia de que tenho encontros, esqueça.
- Pensa que penso nisto, Roberta?
- Acabou de falar.
- Só ilustrei, não é algo que me preocupe, afinal é comigo que você vai para a cama. Sou eu que te satisfaço.
- É sim. Não tenho olhos para outra mulher.
- Essa frase é tão batida. Já a repetiu para quantas mulheres?
Patrícia estava se divertindo por provocá-la.
- Me faça essa pergunta quando estiver nos meus braços. Vai gostar da resposta.
- Ixi, só de imaginar amei a proposta.
- Sabia que têm hora que você é muito escorregadia?
- Não sou mais, você me ganhou tão rápido que não tive como escapar.
- Fiz de tudo para você não impor barreiras entre nós.
- Fui facinha para você, confessa.
- Ah, não fala assim, Patrícia. Em momento algum pensei que você foi facinha. Não se menospreze.
- Não estou hahahahaha, juro que não estou me menosprezando. Você falou tão bonitinho. Estou falando que não fiz muita força para resistir a você. Você chegou partindo para cima e eu aceitei. Sem dramas, não estou arrependida. Muito pelo contrário, porque vou te contar, você tem um jeito foda de me pegar, ui, me dá calores só de lembrar.
- Só eu? E você então quando me pega?
- Bom, eu não levanto a mão para me acusar porque estou na escolinha aprendendo com você, minha mestra. Hahahahaha...
Patrícia gargalhou erguendo as pernas no ar divertindo-se horrores com a conversa.
- Você gosta né, minha safada linda?
- Não! Eu safada? Estou anos luz de chegar aos teus pés na safadeza, mas estou me aperfeiçoando, me aguarde que eu te alcanço. 
- Sabia que eu sempre tenho assunto com você? Adoro isso.
- Sim, já observei. Você é boa de língua em todos os sentidos.
- Está vendo ai a sua safadeza?
- Não, nem vem, só falei uma verdade. Você me diverte demais, Roberta! Minha barriga está começando a doer de tanto rir.
- Quem te viu quem te vê, ainda bem. Quero você sorrindo e gozando hahahaha...
- Oh! Você está corrompendo a minha pureza hahahahaha...
- Acho que foi a sua pureza me encantou.
- Hum, Roberta, você é terrível. Uma conquistadora nata.
- Você que está falando, eu não falei nada quanto a isto.
- Você não precisa falar, essa sua voz sensual, os seus olhos quando passeiam pelo meu corpo, quando metem-se nos meus, seus toques, seus beijos, tudo em você me fascina.
- Vai chegar uma hora que não vou saber quem de nós duas está seduzindo mais a outra.
- Isto é bom, é excitante, os nossos joguinhos. É o que penso que fazemos, não acha?
- Sim, acho e adoro estes momentos com você. Ah, antes que eu me esqueça, avise para os seus pais que não vai dormir em casa amanhã.
- Ou, ou, amei essa notícia. Não perguntou se eu quero dormir com você, mas tudo bem, não foi uma queixa. Ignora.
- Precisava te convidar? Acredito que você quer tanto quando eu.
- Quero muito, estava só brincando. Pode deixar que vou avisar, mesmo porque se não o fizer quando voltar só falto encontrar todo mundo com as velas nas mãos. Hahahahaha...
- Você é uma palhacinha hahahaha, velas? Está falando sério?
- Ah, é só o que falta acontecer. Parece que eu tenho doze anos de idade. Não largam do meu pé.
- Eu sei o que é, você sempre foi caseira e agora que começou a sair seus pais se preocupam. Os pais são todos iguais, minha mãe foi assim no começo quando comecei a sair.
- Ela te esperava acordada arrancando os cabelos falando que quase ligou para a polícia, para o ML?
- Não, claro que não. A minha mãe nunca foi extremista. Ela é calma, nisto dei sorte.
- Deu muita sorte mesmo, a sua mãe é um amor.
- Sua sogra também gosta muito de você.
- Minha sogra, muito bem lembrado. Depois que ela falou levei um susto, mas pensando com calma comecei a gostar da ideia. Pensar nela como minha sogra é gostoso, confesso.
- Fico muito feliz por saber disto. Agora vamos dormir? Já está muito tarde.
- Vamos sim.
- Boa noite, Patrícia. Um beijo molhado e uma lambida na tua buceta.
- Oh, não faça isto...
- Não gostou do meu boa noite sexy?
Roberta perguntou sorrindo divertida.
- Gostei muito e você sabe. Boa noite, dorme bem.
- Você também. Até amanhã.
- Até amanhã, Roberta.
Patrícia desligou sentando na cama para poder ir ao banheiro, vendo a porta do quarto abrindo e a mãe entrando.
A mãe acercou-se dela olhando para o telefone.
- O que é isto, Patrícia? Seu pai e eu estávamos ouvindo as suas gargalhadas lá do nosso quarto.
- Nada mãe, estava só aqui conversando.
- Com quem estava falando às duas da madrugada?
- Com uma amiga.
- Amiga? Desde quando tem amiga?
- Que importância tem isto?
- Tem que não são horas para se gargalhar tanto!
- Poxa, não posso nem rir mais, mamãe?
- Não tem nada de mamãe! Por que estava olhando para Roberta Marins daquele jeito estranho? Acaso ficou maluca? Bebeu demais, foi?
- Sou uma artista e a estou retratando. Não senti nada demais no meu olhar.
- Você não é uma artista vulgar. A forma como você a olhava, oh, seu pai e eu ficamos envergonhados...
- Que aluguel, eu hein. Podíamos conversar depois?
Perguntou incomodada com a pressão.
- Olha aqui Patrícia, você devia se aproximar mais da Rubia. É importante para nós que ela nos ajude...
- Qual que é? Nem pensar. Não vou bajular a Rubia coisa nenhuma.
- Não pode ajudar os seus pais?
- Ajudar como gente? Quer que eu ande puxando o saco de Rubia para quê? Eu nem concordo com essa bajulação em cima dela.
- Você não tem que concordar com nada.
- Não tenho mesmo, por isto não me meto nos assuntos de vocês...
- Mora nesta casa e vive as nossas custas, podia muito bem colaborar. Rubia é poderosa e pode nos abrir todas as portas.
Patrícia engoliu em seco aquelas palavras respondendo inflexível.
- Já sei desta história. Estou fora.
- A sua irmã é educada, é amigável com Rubia, é só o que pedimos. Que você fique mais em casa e seja mais participativa.
- Eu sou educada com ela. Não pode falar que não sou.
- Você é, mas não fica mais em casa. Não participa dos jantares, dos almoços. Estou pedindo a sua presença.
- Não conte comigo. Ando ocupada pintando os quadros para a exposição.
- Já imaginava que não iria nos apoiar.
- Olha aqui, já estou ficando cansada. Nessa casa a cada dia entra um no meu quarto para buzinar no meu ouvido. Não tenho mais espaço para fazer nada.
- Não exagere que todos nós nos preocupamos com você!
- Estou doente por acaso? Vai mãe, me deixa na minha, por favor.
- Quer que eu vá embora para você voltar para o telefone com a sua amiga? O que está havendo com você? Desde quando mudou deste jeito? Você era tão compreensiva, sempre foi tão obediente e agora...
- Mãe? Dá um tempo, pode ser?
Pediu deixando a cama para abrir a porta do quarto de uma vez.
- Outra hora a gente leva este papo.
- Boa noite!
A mãe respondeu saindo de uma vez olhando-a insatisfeita.

         Após uma noite deliciosa de sono, Patrícia acordou às nove da manhã animada para pintar. Foi o que fez com o pensamento voltado para Roberta. Como os pais e a irmã saíram para trabalhar teve toda a paz precisava.
Depois decidiu almoçar na cozinha causando estranheza na criada.
- Não vai almoçar com os seus pais?
- Tenho que sair.
- Então pode se servir.
Almoçou novamente distraída. Estava terminando quando a mãe o pai entraram.
- Minha filha? Por que está almoçando aqui?
- Oi mãe! Oi pai!
- Oi filha!
O pai respondeu aproximando dela, dando um beijo no seu rosto.
- Que novidade que é essa? Não quis nos esperar para almoçar?
- É que estou de saída.
- Saída para onde?
A mãe perguntou surpresa.
- Tenho um compromisso, ah, e não vou dormir em casa hoje. Amanhã a gente se vê! Até mais!
- Patrícia? Como assim, mas...
A mãe ficou falando sozinha, porque ela não parou para dar explicações. Correu para o carro saindo tranquilamente.
Chegou ao apartamento tocando a campainha. Roberta abriu a porta olhando-a com satisfação. Desceu os olhos pelo vestido provocante que ela estava usando com atenção.
- Oi. Tudo bem? Você está linda! Que bom que não se atrasou.
- Oi. Tudo bem, obrigada. Eu deveria ter a chave desta porta, não acha? Ficar tocando a campainha é chato.
- Se você quer uma chave vou providenciar.
Roberta respondeu sorridente vendo-a entrando na sala.
- É melhor, se encontrar alguma descansada aqui eu dou logo umas bolsadas e coloco pra fora em dois tempos.
- Você tem cada ideia.
- Ah, Roberta, com aquele seu carro Sport não duvido de nada. Hahahaha vem aqui. me dá um beijo. Estava louquinha para chegar. Nunca vi uma manhã passar tão devagar.
- A minha manhã foi uma loucura. Mesmo assim fiquei contando os minutos para te encontrar.
Roberta contou enlaçando-a pela cintura. Beijou-a apaixonada roçando seus corpos.
- Não me deu nem uma ligadinha, hein? Custava?
Patrícia perguntou dando um tapinha no braço dela.
- Ai, desculpa! Acordei atrasada. Eu disse que a minha manhã foi uma loucura.
- Está bem, não importa. Eu poderia ter ligado também. Já pensou? Acordei toda excitada pensando em você.
- Que delícia! Eu também acordei assim. Pensando na sua boca, nos seus seios...
- Ufa! Você é a minha torturadora. Estou mesmo perdida. Gostou do meu vestido?
- Gostei demais.
- Vesti para você. Ando com umas vontades de te provocar que mal me aguento. Fico pensando nisto, sabe?
- Ah, eu sei. Já te conheço muito bem neste sentido.
- Acho bom mesmo. Estou me sentindo tão ousada, tão para frente. Assanhada mesmo.
- Estou percebendo. Vou tirar muito proveito deste seu assanhamento.
- Tira mesmo porque é culpa sua se estou assim.
- Pode deixar.
Roberta a ergueu nos braços caminhando para o quarto com ela nos braços.
- Ui! Você é forte. Não vai ficar com as costas doloridas me carregando assim?
- Não. Relaxe.
- Se é para relaxar pode deixar que vou relaxar muito. Hahahaha...
Patrícia sorriu e o fez jogando a cabeça para trás deliciada com o desejo que Roberta evidenciava na maneira intensa em que a fitava. Não fazia ideia que estava tão solta que esbanjava sensualidade. Toda a sua vitalidade estava eclodindo. Roberta conseguia sentir a intensidade das vibrações que emanavam de todo o ser dela. Patrícia também sentia o quanto se tornava sexy quando estava nos braços de Roberta.
Entraram no quarto olhando nos olhos.
Roberta a colocou sobre a cama delicadamente. Sorriu falando carinhosa.
- Aqui nós podemos ser felizes.
- É? É o que você quer? Ser feliz?
Patrícia perguntou roçando seus lábios.
- Sim, quero ser feliz com você.
- Eu também quero.
- Não me importa nada quando estou com você.
Roberta confessou retirando a blusa sem deixar de olhá-la nos olhos.
- Eu sou sua, Patrícia.
- Deus! Eu amo ouvir isto.
Patrícia respondeu erguendo o vestido, começando a tirá-lo com movimentos voluptuosos. Roberta acompanhava os movimentos embevecida.  
- Gosta?
- Sim muito.
- É bom me ver despindo para você?
- É bom demais.
- Se despe, gosto de te ver também.
- Está bem.
Elas se despiram olhando-se com aquela loucura que sentiam uma pela outra. Tiraram as peças íntimas com sorrisos gostosos. Tudo as unia.
Quando ficaram nuas, Roberta ajoelhou na cama diante dela, pois Patrícia estava ajoelhada a espera dela.
- Cada segundo hoje eu quis correr para você. Não parava de sonhar com seus beijos.
Roberta contou colando seus corpos.
- Eu também. Não sou mais eu Roberta. Você tem me feito mudar em tudo.
- Só não mude comigo. Adoro você assim, espontânea, cheia de desejo, entregue.
- Sim, te desejo muito. Demais até.
Patrícia respondeu colando suas bocas. Roberta a fez deitar assim, enquanto beijavam-se. Deitou sobre ela roçando seus corpos excitados.
- Diz que é minha mulher.
Patrícia sorriu acariciando o rosto dela.
- Sou sua mulher.
- Sim, você é.
Roberta concordou voltando a beijá-la.
Os beijos que trocavam eram deliciosos. Suas bocas estavam mais íntimas, eram amantes e ansiavam-se mais, cada vez mais.
- Eu amo a sua boca.
- Eu também amo a sua.
Patrícia confessou arrepiando toda naquele instante.
- Faz amor comigo.
- Faço Roberta. Que delícia de pedido.
Patrícia a fez girar na cama deitando sobre ela. Roçou seus corpos partindo por uma viagem com a boca pelo corpo. A boca deslizava pela pele arrancando suspiros e gemidos dos lábios de Roberta. A suavidade dos toques era uma novidade. Patrícia estava adorando-a com a boca, com a ponta dos dedos, com as mãos, com o corpo friccionando extremante excitado ao dela. Com a mesma suavidade, após lamber as pernas chegou a buceta satisfeita. Passou a língua levemente.
- Ah... Ah...
Chupou com prazer sentindo a excitação extrema na região. Roberta estava molhadíssima. Estavam ambas, mas a língua de Patrícia era a única que estava tendo o deleite de sentir nela aquele desejo claro do quanto a queria.
- Oh... Amor... Que sonho...
Roberta gemia quase delirante entregue, roçando a buceta contra a língua dela, sentido que iria gozar sem poder mais esperar.
Gozou.
- Oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Após devorar o gozo que lhe inundou a boca, Patrícia montou nela esfregando seu corpo contra o dela.
- Estou louca para dar para você, Roberta. Me come.
- Ah, sim.
A mão deslizou na hora pela buceta arrancando um gemido de Patrícia.
- Ohhhh... Aiiii...
- Isto, geme, eu adoro...
- Aii Roberta... Come a sua mulher.
Dados da autora: Roberta está quase gritando eu te amo.
Dentro da buceta os dedos mergulharam como se mergulhassem em uma lagoa. Estava tudo inundado, deliciosamente inundado. O movimento de vai e vem dos dedos levou Patrícia a uma excitação intensa.
- Aiiii... Oh... Ahhhhh...
Ela estava lá, estava chegando à porta do paraíso. Podia sentir o corpo inteiro tomado pela energia do prazer. Como se fossem volts. Estava rebolando o corpo sobre o de Roberta com os olhos fixos nos dela. Os dedos chegaram ao clitóris naquele momento.
- Goza. Me dá. Me molha toda.
Roberta pediu deslizando a língua pelos lábios sensualmente para excitá-la mais.
Foi o que bastou, ela gozou.
- Ohhhhhhhhhhhhhhhh... Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Patrícia caiu em cima dela. Começou a sorrir sem acreditar no prazer que sentiu.
- Meu Deus, Roberta, foi intenso demais.
- Intenso e gostoso?
- Maravilhoso. Nunca gozei tão forte assim.
- Poxa, e eu achando que estava dando o meu melhor para você.
- Para sua boba. Estou falando sério.
- Que bom que gozou maravilhosamente.
Roberta a beijou na boca sentindo o coração dela disparado ainda. Abraçou-a brincando com a língua pelos lábios.
- Eu quero você gozando assim, maravilhosamente. Quero te matar de prazer.
- Você já me matar de prazer.
- Posso matar mais.
- Sei que pode. Eu gosto muito de você.
- Eu também gosto de você. Gosto tanto que nem consigo medir o tanto.
- Não precisa medir, eu sinto.
Patrícia sorriu beijando-a apaixonada. Depois procurou os olhos dela comentando.
- Este apartamento é tão gostoso. Sinto tanta paz aqui.
- Eu também, por isto que é o lugar ideal para sermos felizes.
- Acho que é sim. Me abraça forte. Quero sentir seu corpo grudadinho ao meu.
- Abraço, mas, você já se cansou?
Roberta perguntou admirada.
- Claro que não, só deu vontade de ganhar um abraço.
- Abraço protetor?
- Também, mas acho que é o abraço da mulher que me despertou. Da mulher que me realiza.
- Ponto para mim.
Roberta comentou abraçando-a forte com um sorriso nos lábios.
- Gosto de te sentir. Como senti fazendo amor com você. Gostou?
- Oh, amei! Você estava tão suave.
- Estava. Eu não sei, a cada hora quero te amar de um jeito.
- Eu também.
- Você normalmente é muito intensa. Às vezes é mais selvagem.
- Como você gosta mais?
- O seu desejo por mim como quer que seja é maravilhoso, sempre me agrada. Não tem esse ou aquele, sabe?
- Sim. Ainda não fiz amor suave com você?
- Não, não fez. Acho que é porque você fica muito doida quando está excitada.
- Hahahahaha, não sei se é isto.
- Não estou reclamando, mesmo porque você faz amor muito gostoso.
- Se te agrado fico mais feliz ainda.
- Agrada cada vez mais.
Patrícia respondeu beijando-a profundamente.
Dados da autora: Pegar este conto escrito há 20 anos para trabalhar a história completando cenas e escrevendo outras é simplesmente uma delícia. Dá-me muito prazer mostrar com detalhes a personalidade introvertida da Patrícia mudando na medida em que a paixão passa a comandar seus atos. Da mesma forma, passear pelo amor intenso de Roberta por ela, reafirmando este amor. É uma coisa mágica conseguir fazer isso como se essa história não tivesse sido escrita há tantos anos. A sensação que eu tenho é de que a estou escrevendo agora, mas eu sei que na realidade a mente não conhece a palavra tempo. É a mente que consegue assegurar que a escrita aconteça mantendo o estilo original. Como se me remetesse ao passado até a minha antiga máquina de escrever. É uma grande felicidade sentir que a história se manteve viva e ainda mais jovial. É gostoso ver como a história permanece caliente e leve.
Hoje relembro nesta regravação, uma das músicas que escutava quando escrevia em 1996. “When You Tell Me That You Love Me”, na voz da Diana Ross em 1991. 
Só tenho a agradecer, obrigada Astridy, por não deixar morrer a sua essência.
Continua...

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

French Latino - Historia de un Amor

A Portuguesa. - Capítulo 48.


A noite mal dormida marcou de forma ligeira olheiras em torno dos olhos de Maria. Ao contrário de Aima, ela despertou mais cedo. Preparou o pequeno almoço para as miúdas e levou-as para a escola. Embora tivesse planos de ir mais cedo para o trabalho, retornou para casa para redimir o mal estar entre elas.
Foi direto para a cozinha onde serviu uma xícara de café para levar para Aima na cama. No entanto, não deu tempo, Aima apareceu quando terminava de adoçar o mesmo.
- Muito bom dia, Maria. Acordastes há muito?
- Bom dia, amor! Sim, já faz tempo.
Maria preferiu não contar que não dormiu.
- Ah, está bem.
- Ia levar-te o café à cama. Toma.
Contou estendendo a xícara para ela.
- Obrigada. Não vou comer nada, atrasei-me, que seca. Ainda tenho que levar a Viviane e a Laura para a escola. Elas ainda não despertaram?
- Eu levei-as para que dormisses um pouco mais. Mal pregastes os olhos por toda a noite. Fiquei cheia de pena.
Aima tomou alguns goles do café comentando.
- Tens razão, dormi pouquíssimo. Tu também não dormiste muito.
Observou o rosto de Maria dando-se conta das olheiras. Desviou os olhos acrescentando.
- Obrigada por ter levado as duas para a escola. Não gosto que faltem para não se acostumarem mal.
- Não seja por isso.
- Certo, vou tomar um duche e sair... Obrigada pelo café.
- Aima?
- O que queres, Maria?
- Voltei para falar contigo. Não tens que ficar chateada comigo. Nada aconteceu para deixar esse mal estar entre nós.
- A não? Queres que eu dance e cante saltitante? Que ache linda a tua atitude? Pois, é só o que me falta.
- Está enganada, não quero nada disso, pronto, até que não era má ideia, não é?
Maria aproximou-se dela com dois passos enlaçando sua cintura.
- Vá, não fiques assim. Acordei cheia de saudades. Não sente saudades minhas?
- Passei a noite ao teu lado a ouvir os teus suspiros Maria. Não há resposta para a tua pergunta, não é?
- Não quero resposta, um beijo responde a tudo.
Aima olhou-a nos olhos perguntando:
- O que mais me anda a esconder?
- Nada.
- Saí de um relacionamento de merda e não estava nada à espera de ter essa novidade de ir ao tribunal contigo. Não gostei! Pronto, é um direito meu.
- É um direto que eu reconheço Aima. Tenho algum direito na nossa relação? Ou devo entender que o meu dever é aceitar a tua revolta silenciosamente?
- Não percebo o propósito da tua decisão. Farias melhor se desistisses da causa. Não pensastes nessa hipótese, pois não? Achas que estás certa e a errada sou eu por desgostar. Pronto, não consigo fazer de conta que não me chateia.
- Para já acho que devíamos viajar. Para espairecer, percebes? Não sei, tu estás tensa com algo que não devia estar a afetar-nos. Não vou desistir para te satisfazer. Não estou a colocar em cheque quem está errada nem estou a pensar que tu estás. A questão não é essa, só penso que é pouco para tu ficares tão afetada.
- Pouco? Maria? Não te faças de tonta, hã? O que queres provar com isso? Que és melhor que eu?
- Não sejas assim, não é nada disso. Eu amo-te, não tenho porque querer provar nada.
- É melhor mesmo, porque não vais!
- Por amor de Deus, não percebes que estás a ser excessiva?
- É precisamente a tua atitude que está a ser excessiva. Agora tu tomas a tua decisão e estás à espera que eu altere a minha. Não percebes o que isso resulta para nós?
- Estou a perceber no que resulta. Devias reconhecer que estou a defender aquelas enfermeiras que não têm ninguém por elas...
- Pois, ora, como que não têm? O hospital propôs uma indenização justa e elas, claro, não aceitaram. Querem um valor exorbitante, isto não é assim, Maria! É um contrassenso discrepante de valores. Ainda para mais elas não têm provas concretas de que eram contratadas. Não existem contratos assinados, é uma causa perdida.
- Se não foram contratadas porque o hospital propôs a indemnização? Essa é a prova de que elas prestaram trabalhos para o hospital.
- Em momento nenhum o hospital negou que elas prestaram serviços externos. A indenização é em função desse período. Chega, acabou aqui a conversa! Não vou discutir o caso contigo. O simples facto de estarmos juntas deveria ter bastado para tu te manteres longe deste processo.
- Não mudo uma vírgula de que todas foram lesadas. Estão a ser desumanamente prejudicadas nos seus direitos trabalhistas por terem sido enganadas. Para lá das tuas colocações me surpreende que tu mantenhas os olhos tapados para o mal que o hospital está a causar para aquelas mulheres.
- Isto é uma causa, só uma causa como dezenas que já defendi. Não é pessoal, nem conheço os donos do hospital. Por amor de Deus, sou uma advogada como tu. Não sou desumana e não concordo que me vejas com esses olhos.
- Ah, Aima, eu vejo-te da mesma forma e amo-te como desde sempre amei. O único problema é que tu não queres dar parte de fraca mesmo quando não estamos a disputar. Tu defendes lá o hospital e eu defendo as enfermeiras. Que mal há nisso? Não vamos misturar as coisas, o que achas?
- Vê como é a vida? Eu estava feliz, estava em êxtase e tu jogaste-me uma bomba na cara. Estávamos a fazer amor e não percebi a propósito de quê mantivestes segredo.
- Então querias que te tivesse contado durante o pequeno almoço? Talvez lá no velório? O momento teria mudado a forma como tu reagiste, Aima? Ah, por favor, estás a ser incompreensiva.
- Pronto, disseste tudo. Já viste o que conseguiste?
- Ai Aima, relaxa que já está a me dar-me uma volta à cabeça.
- O estrago já está feito.
Maria sorriu entristecida olhando-a carinhosamente.
- Amo-te tanto e sabes disto.
- Ah, Maria!
Aima suspirou deixando a cozinha mais chateada ainda. Maria pegou a mala sobre a cadeira saindo de seguida sem insistir.

         Aima estava concentrada no trabalho no fim da tarde quando Leonor apareceu lhe dando um forte abraço. Sentou passando a conversar. Aima contou factos que Leonor quis saber com relação às filhas. Depois Leonor contou que estava se dando muito bem com Telma. Então comentou sobre estar feliz dela ter se entendido com a Maria de uma vez por todas.
- A Maria foi difícil, hã? Fez-te esperar imenso.
- Não me digas nada, pensei que nunca conseguiria fazer amor com ela. Nisso tens razão, não foi fácil.
- Bem, então, as mulheres fáceis não duram nada, não é? As difíceis são melhores porque não as queremos largar depois.
Aima sorriu concordando com a cabeça sem falar.
- O que se passa? Pareces-me preocupada. Chatearam-se?
- Aconteceu, é assim, mas não quero falar agora, estou atravessada. Há coisas que caiem mal... Conto-te quando sairmos daqui.
- Claro, eu entendo. Então, vou logo ser direta porque deve ter percebido que estou ansiosa.
- Pois seja, percebi claro.
- Estou. Olha, eu preciso da tua ajuda. Estou a ser seguida.
- Então, seguida por quem? Pela juíza Wilma?
- Oh, não, mas se calhar poderia ser ela a me seguir, ao menos faria sentido depois de tudo que me atirou na cara.
- Hum, concordo contigo. Se não é ela então quem te está a seguir?
- Ó, pá, não vais acreditar, é um homem! Pronto, não sei quem é. Não dou um passo sem ele estar à espreita.
- Tens a certeza? Pode ser uma coincidência. Isso é muito sério e não vejo o porquê. A propósito de quê um homem estaria a espionar-te?
- Será que é um detetive?
- Acho fantasioso.
- Um violador?
- Tu não mereces isso, amiga.
- Não mesmo. Um ladrão?
- Será possível? Um ladrão fica seguindo assim dia e noite? Acho difícil.
- Um psicopata?
- Leonor!
- Oh! Um assassino? 
- Assassino? Pára, por favor. Cuida deste teu lado dramático porque penso que está a te confundir as ideias.
- Não está a perceber? Estou a ser seguida por um estranho. Por que eu inventaria uma coisa destas? Não percebo quem é aquele homem, mas preciso de ti.
- Tem calma. Já contaste para a Telma?
- Contei pela manhã. Dormimos em um hotel. Quando saímos cedo, vi logo o homem. Ele tratou de desaparecer quando nos viu. Contei para a Telma e ela insistiu que estou impressionada. Disse que a Wilma é boa e incapaz de fazer mal a quem quer que seja.
- Uma coisa é certa, tu estás cheia de medo.
- Tenho medo daquele homem, claro. Não sei o que pretende e tem uma cara tão assustadora que dá-me nos nervos.
Aima pensou por algum tempo comentando.
- Achas que a juíza Wilma pode ter tido uma situação com alguma ex?
- Não faço ideia.
- Mas podemos tentar descobrir, não é?
- Como?
- Para já vou ligar para a policial que me ajuda nos meus casos. Sabes, levantando a ficha de algumas pessoas. Já falei sobre ela.
- Ah, lógico, ainda não tinha me lembrado dela. Parece uma ótima ideia. Vais pedir que ela investigue o passado da Wilma?
- Vou. Se soubesses algo sobre o homem seria melhor. Ajudaria no sentido de sondar quem é, o que faz, onde vive...
- Ah, não faço ideia. Vá, liga-lhe, por favor.
Aima pegou o telemóvel fazendo a ligação para a policial. Explicou a situação passando o nome da juíza Wilma. Enquanto conversavam, Leonor foi até a janela. Viu o carro e o homem sentado ao volante. Aproximou da mesa fazendo sinal para que Aima fosse até a janela. Quando Aima chegou à janela viu o carro e na mesma hora o motorista deu a partida desaparecendo rapidamente. Aima passou a mão no ombro dela para acalmá-la. Em seguida falou sobre o homem com a policial.  Terminada a conversa, explicou para Leonor.
- Ela vai levantar o passado da juíza. Também virá amanhã cedo para conversar um bocadinho contigo. Quer ver quem é o homem, por exemplo, ele pode não ter nada a ver com a juíza, isso também se deve levar em conta. 
- Isso nós não sabemos. Faz-me tanta confusão.
- Pode até ser um louco. Mas, pronto, é preciso que te mantenhas calma.
- Estou calma, só não consigo estar impassível com a situação. Agora estou a fazer amor com a mulher que eu amo e tem um gajo do lado de fora a vigiar-me? Tem graça.
- Olha, tu nunca me contaste que amavas a Telma.
- Andei sempre a falar o quanto a achava charmosa.
- Isso sim, mas amar? Mas, deixa, já percebi.
- Eu quero uma vida com a Telma. Portanto, sabes que é preciso paz para estar na intimidade, no dia a dia, no todo, então é assim e aquele homem está a perturbar-me o raciocínio. Perdi a paz, pronto.
- Pois eu sei. Até amanhã vais ter uma posição. 
- Sorte tu tiveste por te livrares do grande peso que era a tua irmã. 
- Realmente, contra factos não há argumentos. Vamos tomar uns copos?
- Vamos, mas e as tuas filhas vão ficar com quem?
Aima desligou o PC apanhando a mala.
- A prima busca as duas na escola e fica com elas. Essa é a rotina. Para, além disso, a Maria está a ficar lá em casa.
- Oh! Já estão a viver juntas? Que rápida que tu foste. É o que eu mais quero. Já pensastes no meu sorriso quando acontecer? Vou andar a sorrir tanto que vou parecer até uma tonta.
- Já estás a parecer uma tonta só de falar na possibilidade. Vem, estou seca por um bom gole de cerveja. Tem um bar giro na outra Rua. Depois pegamos os carros.
- Sim, vamos.

         Ana Sofia estava saindo do banho quando Catarina entrou no quarto comentando.
- Sofia? Tem uma gaja na porta querendo falar consigo.
- Quem é? Conheces?
- Nunca vi na vida.
- Já lá vou. Obrigada.
Sofia vestiu-se seguindo para a sala. Viu Catarina em pé diante da porta e a mulher do lado de fora esperando. Era nova, deu-se conta enquanto se aproximava da porta. Era bonita e estava elegantemente trajada.
- Olá! Deseja falar comigo?
- Olá! Você é a Ana Sofia?
- Sim, sou. Em que posso ajudar?
- Podemos conversar?
- Desculpe, não recordo de tê-la conhecido. Do que se trata?
- Vim falar sobre a Bruna.
Uma luz acendeu na cabeça de Sofia.
- Por acaso você é a Flor?
- Exatamente! Agora vai permitir que eu entre na sua casa?
Sofia não gostou dela e nem era para menos. A expressão antipática e o nariz empinado causaram uma antipatia de cara.
- Entre, faz favor.
Sofia convidou seguindo até a sala com ela. Mostrou o sofá, onde Flor sentou olhando em volta comentando desagradável.
- Estou chocada só de imaginar Bruna num bairro como este.
Sofia sentou cruzando as pernas diante dela.
- O que tem de mal no bairro?
- Faz ideia onde Bruna vive?
- É sobre isso que veio tratar? Do local onde ela vive? O que isso tem a ver comigo?
- Ah, foi bobagem minha, esqueça! Eu vim para te conhecer. Queria saber com quem Bruna anda saindo.
- Estou a perceber, vieste por curiosidade.
- Na verdade vim ver com quem estou competindo.
- Competindo? Não fazia ideia que estava em um campeonato.
Sofia respondeu sem gostar da conversa.
- Bruna não falou sobre mim?
- Falou sim, vagamente. Uma vez se recordo bem.
- Uma vez, oh, que feio da parte dela. Mas se falou uma vez é porque ainda se lembra dos nossos momentos.
Nossos momentos, sim, aquilo fez Sofia recordar alguns momentos dela com Bruna.
- O que tenho eu com isto?
Sofia questionou direta.
- Nada e tudo. Eu gosto de Bruna. Vim para Portugal atrás dela.
- Como as Marias chuteiras vão atrás dos jogadores?
Dados da autora: Isto é um mal feitio do caraças. Entretanto, analisando por outro lado, todo mundo tem o direito de lutar por quem ama ou por quem pensa amar.
- Que comparação pobre! Bruna não faz parte deste meio.
- Sei. Já terminou?
- Você não vai poder me acusar de ter sido desleal depois que levar Bruna comigo.
Sofia ergueu-se na hora olhando para a porta.
- Faça o favor de sair agora.
- Com certeza, mas não se esqueça, eu vim para levar a Bruna.
Sofia ficou olhando-a sair. A porta ainda estava aberta porque Catarina estava sentada na escada da frente. Flor passou pela porta cruzando com Teresa que chegava.
Catarina deu um abraço em Teresa entrando com ela.
- Oi, Sofia!
Teresa a cumprimentou abraçando-a com força junto de si. Aquele abraço gostoso da amiga de infância foi consolador para Sofia. Ela sentou com Teresa sorrindo para ela.
- Que bom que vieste.
- Deixei para vir hoje com calma. Queria ter este tempo a sós contigo. Saber como estás, conversar, te dar o meu ombro.
- Obrigada, Teresa. Eu estou bem. Um pouco triste, é normal, não é?
- Sim, muito. Percebo completamente.
- Bruna ficou comigo. Ela tem sido tão carinhosa, querida e amiga. 
- Percebi ontem o quanto ela esteve a te amparar. Que bom que a tens ao teu lado.
- Sim, mas não quero ficar a falar deste assunto. Vamos para a cozinha? Vou tirar um café para nós.
- Vamos já. Estou louca por um café.
Teresa sentou olhando Sofia preparando o café. Sofia terminou servindo as xícaras sentando com ela.
- Então, como estão a correr as coisas entre tu e a Graça?
- Simplesmente maravilhosamente bem. Estamos juntas. Não estás a perceber a minha cara de felicidade?
- Claro que estou. Por isso mesmo estou a perguntar.
- Ai, Sofia, estamos a fazer amor direto. Não quero outra coisa. Estou pior que os miúdos a se lambuzarem-se nos doces. Estou completamente louca de amor por ela.
- Já confessastes este amor?
- E como, estamos mesmo bem. Temos uma sintonia tão intensa. Olha, nem sei como dizer da emoção que estou a sentir.
- Teresa?
Sofia falou pegando a mão dela sorrindo feliz.
- Este brilho nos teus olhos, que lindo ver-te assim explodindo de felicidade. Merecias tanto ser feliz. Torço tanto por ti. Sabes, não é?
- Sei Sofia. Obrigada. Como se diz, um dia se sai da merda...
- Sim.
Sofia concordou sorrindo com ela.
Continua...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Tânia Mara - Só Vejo Você (Clipe Oficial)

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 11.


Momentos depois, Roberta saiu do banheiro dando de cara com a mãe sentada na cadeira próxima da janela, esperando por ela no quarto.
- Oi mãe! Está me esperando?
- Sim. Vim conversar com você.
- Sobre Patrícia, aposto. Desaprova que ela tenha dormido comigo.
- Não desaprovo filha. O que sei é que ela é uma moça de família. Está apenas se divertindo com ela?
- Claro que não mãe. Quero me casar com a Patrícia porque eu não consigo imaginar a minha vida sem ela. Estou a conquistando aos poucos. Ela não é fácil.
- Que alívio, mas ela levou um susto enorme agora a pouco quando falei que sou a sogra dela.
Contou caindo na risada.
- Imagino que sim, porque eu falei que a senhora é das antigas. Inventei que ficou horrorizada por nos ver fazendo amor no carro.
- Oh! Não acredito que usou meu nome numa mentira dessas.
- Lógico que usei, se não for esperta ela me escapa. O jogo da sedução não precisa ser cheio de regrinhas.
- Ora Roberta, mas não é verdade. Ela deve estar pensando que sou do tempo de Matusalém. Essa imagem não combina comigo. Nunca fui careta e sempre aceitei a sua orientação sexual.
- Esta pensando mesmo. Isto faz parte da minha tática para conquistá-la, então tenho que ter paciência. Quando ela se apaixonar realmente por mim, vamos ver onde vamos morar. Se ela quiser morar no apartamento, pode até decorá-lo como ela bem quiser. Eu nunca me amarrei em nenhuma mulher antes de colocar os olhos em cima dela. A senhora sabe muito bem disto.
- Quando ela se apaixonar por você? Filha, ela já está completamente apaixonada. Ela não te olha, ela te devora! As mulheres não são de dar o braço a torcer facilmente. Eu pelo menos custei a admitir para o seu pai o quanto estava apaixonada por ele. E isto entre vocês é muito novo. Sei que você a ama há muito tempo, mas ela está te conhecendo agora. É normal que ela tenha essa resistência. É um medo natural dos sentimentos, sei bem como é isto.
- Eu sei mãe, e espero mesmo que ela esteja apaixonada por mim, mas ela continua resistindo.
- Além do medo que ela sente, tem a questão de assumir. Você é assumida, ela não é.
- Não é mesmo. Isto é complicado. Sabe, eu tive um curto enfrentamento com a tia dela na fazenda.
- Sei e como foi?
- Eu a enfrentei mesmo, tipo não abaixei a cabeça. Veio com a história de que Patrícia era virgem. Ficou num blá, blá percebeu a situação? Tratei de colocá-la no seu devido lugar. 
- Fez muito bem e era? Digo... Virgem, a Patrícia?
- Era sim.
Roberta admitiu sorrindo feliz.
- Dei a sorte de ser a felizarda. Mérito meu e estou lutando para ficar com ela. Porque eu amo muito mesmo, mãe.
- Eu percebi. Acha que Patrícia já percebeu que está lutando para conquistá-la?
- Ela tem a falsa ideia de que eu só a quero para sexo. Também eu andei pensando que ela só me queria para isso.
- Isto é bom?
- Não, mas, o que importa é que ela me deseja tanto quanto eu a desejo.
- Confesso que quando a vejo te olhando fico feliz por perceber que ela te quer para além do sexo. Isso é bom, na verdade é ótimo.
- Espero que a senhora esteja certa.
- Ah, estou sim. Conheço a alma feminina muito bem. Você também conhece. Procure apurar seus instintos. Patrícia é muito sensível. Tente não magoá-la.
- Pode deixar, mãe. Agora preciso me aprontar. Tem uns empresários me esperando para uma reunião.
- Tudo bem. Quanto aos pais dela, eles não dão sossego a Rubia. Você não acha que devia esclarecer essa questão o quanto antes?
- Ah mãe, deixa isto para lá. É melhor que fiquem no pé Rubia do que no meu. Já conversei com Rubia, ela disse que está tudo bem. Eles querem um cargo em Brasília, vou ligar para uns deputados advogados amigos meus. Resolvo isto ainda essa semana.
- De certa forma é bom isto das pessoas acharem que Rubia controla tudo. Assim você tem mais liberdade para trabalhar em paz.
- Sim, é bem melhor mesmo. Vejo a senhora no jantar.
Beijou o rosto dela correndo para o banheiro para se maquiar.

Patrícia viveu um dia terrível tamanha a ansiedade que sentia. Era sexta-feira e tinha chegado a hora de ir ao jantar de Vera Marins. Quando foi se aprontar, pegou-se desmontando o guarda-roupa inteiro sobre a cama. Nenhuma das roupas que tinha parecia adequada para aquela noite. Entre infinitos suspiros, acabou escolhendo um vestido curto e sensual. Olhou-se no espelho sorrindo satisfeita porque sabia que com aquele vestido iria provocar Roberta ao máximo. Teria o prazer de vê-la excitada e depois voltar para casa deixando-a na mão. Isto a faria pensar duas vezes antes de voltar a falar coisas sem pensar.
Quando chegou, Patrícia estendeu a mão para Roberta dando um sorriso contido. Em seguida, cumprimentou Vera Marins e Rubia. Quando se afastou de Rubia, percebeu o olhar atento de Roberta sobre sua pessoa. Se tinha algo que sabia era do ciúme que ela sentia de Rubia. Por essa razão, depois que toda a sua família acomodou na sala, voltou a aproximar-se de Rubia. Viu Roberta indo ao bar onde dois garçons serviam os drinques. Sorriu com Rubia apenas para irritá-la. Roberta a fitava atentamente agora. Os olhos vagavam pelo seu corpo sem esconder o desejo. Consciente disto, Patricia tentava se manter imperturbável, mas aqueles olhos tinham um poder que ela não conseguia resistir, por isto afastou-se de Rubia indo falar com ela no bar.
- Ainda estou chateada com você Roberta. Não muito, mas estou.
Contou baixo.
- Procurei não pensar nas suas palavras desta manhã, mas foi difícil não lembrar.
- É mesmo?
Roberta perguntou sorrindo olhando-a dos pés a cabeça.
- Não se esqueça de que fizemos as pazes depois.
- Fizemos claro! Você é boa nisso, em fazer as pazes.
- Se pensou em mim é o que importa.
- Não pensei em você, pensei nas suas palavras.
- É tudo a mesma coisa. Não fique tão armada.
- Por você eu revelaria tudo. Com duas frases contaria tudo que venho sentindo.
- Bem que eu gostaria de saber tudo que você sente com relação a mim.
- Preciso mesmo falar?
Patrícia perguntou sorrindo, enquanto descia os olhos para os seios dela.
- Você está muito bonita. Aprontou-se assim para mim?
- Claro sim, tem outra mulher por aqui que me deixa encantada? Que bom que aprovou.
- Aprovei demais, mas preferia te ver nua. Ando mais acostumada depois de te encontrar sempre nua. Este encantada, hum, adorei saber.  
Respondeu continuando a admirar o corpo de Roberta sem disfarçar o desejo que a consumia.
- Já se deu conta que está chamando atenção de todo mundo desde que chegou?
- Estou?
Patrícia perguntou admirada.
- Primeiro pelo vestido maravilhoso e sexy.
- E segundo?
Questionou olhando-a sensualmente. Estava com a mão apoiada no bar e brincava com o copo nos lábios para excitá-la.
- Segundo é que os seus pais e todos os presentes aqui não tiram os olhos de cima de você.
Patrícia ajeitou o corpo engolindo em seco. Virou com elegância indo ocupar uma das poltronas ao lado de Vera Marins. Sentou percebendo os olhares dos pais, da tia e da irmã fixos nela.
- Pelo jeito sua família ainda não sabe que você está namorando com a Roberta.
Vera comentou baixo próximo ao ouvido dela.
- Namorando?
Indagou surpresa.
- Oh, não. Nós... A Roberta e eu...
- Não me explique nada querida, não estou te cobrando. Apenas relaxe, você me parece muito tensa. Nós mulheres gostamos mesmo de fazer tipo, não é? Se você não gostasse da minha filha, não viveria trancada no quarto com ela. Não estou te condenando, mas acho que seria bom você refletir quanto aos seus sentimentos. Estou certa que Roberta sabe muito bem o que sente por você.
Patrícia a olhou pensando naquelas palavras seriamente.
- Acho que tem razão, tenho mesmo que pensar nos meus sentimentos por Roberta.
Voltou-se sorrindo sem graça para os pais.
- Vocês já viram o retrato que pintei da senhora Marins?
- Oh querida, não me chame de senhora, não se esqueça, apenas Vera!
Pediu pegando a mão dela e apertando entre as suas.
- Como vai indo com o retrato de Roberta? Não está demorando demais para terminá-lo?
- Realmente... Já estou finalizando, mas ela sempre dorme enquanto estou pintando. 
Contou sorrindo fitando os pais com uma expressão divertida.
- Coitada, também trabalha tanto que é compreensível.
- Isto é verdade e canso de chamar atenção dela.
Rubia acrescentou ajudando Patricia sem perceber.
- Temo que ela tenha uma estafa.
- Você se preocupa à toa.
Roberta comentou unindo-se a elas. Sentou com elegância cruzando as belas pernas.
Patrícia não percebeu o que estava fazendo. Seus olhos caíram nas pernas. A língua passou pelos lábios lentamente. Na verdade a figura dela era terrivelmente sensual. Tão sensual que Roberta sorriu segurando o braço da irmã, falando sério:
- Já explicou para eles o novo caso da construtora Remu?
Rubia olhou para Roberta dando um sorriso amarelado. Não sabia nada daquele assunto, mas percebeu admirada os olhos de Patricia devorando o corpo de Roberta escandalosamente neste momento.
- É, a construtora... Bem, mas o caso é seu Roberta. Realmente depois desta última viagem fiquei por fora dos novos processos. Acho que devemos aproveitar a oportunidade e conversar um pouco no escritório.
Propôs erguendo-se logo.
- Acompanhem-me, por favor!
Os pais, Gabriela e Silvia ergueram-se ainda olhando Patricia surpresos. Ela estava brincando com a língua no copo tamanha era a necessidade que sentia de ter Roberta.
Assim que deixaram a sala, Roberta aproximou-se pegando sua mão.
- Venha, vamos conversar em outro lugar.
- Agora?
Perguntou sorrindo maldosa enquanto os olhos percorriam o corpo de Roberta excitados.
- Sim, agora! Precisamos.
Levou-a para o jardim fechando a porta. Ali a virou para si buscando seus olhos.
- Não vamos voltar lá com você agindo assim. Está querendo me matar de vontade?
- Fiz alguma coisa demais?
- Pergunte para a sua família.
- Ora que bobagem!
Sorriu tocando o rosto de Roberta.
- O que posso fazer se adoro ficar te olhando?
- Não está ligando? Se não está eu acho ótimo. Porque eu não dou a mínima para o que pensem.
- Onde foram todos?
Questionou aérea. Seus olhos caminhavam pelo rosto de Roberta praticamente desenhando suas feições. Estava inteiramente embevecida.
- Foram discutir negócios.
Contou Roberta correspondendo aos olhares dela carinhosa.
- Já se controlou? Quer entrar agora?
- Mas, já?
Patrícia perguntou roçando o corpo contra o dela.
- Não temos tempo para uma gozadinha rápida?
- Aqui? Tem certeza que quer dar uma rapidinha aqui?
- Não tem um cantinho escuro onde não nos vejam?
Roberta sorriu feliz levando-a para o jardim numa parte mais escura. Patrícia caiu logo nos braços dela arrebatada. Beijou-a enlouquecida primeiro. Depois desceu a mão erguendo o vestido.
- Não gosto quando brigamos. Passo o dia perdida e inquieta, imaginando porque não conseguimos nos entender.
- Você é muito difícil. Ah...
- Você é que é.
Contou afastando a calcinha e tocando o sexo intimamente agora.
- Ai, agora está bom. Por que as pessoas não podem simplesmente serem felizes juntas?
- Quando querem são.
Roberta respondeu beijando o pescoço dela.
- Não, falo desta coisa chata de termos que fingir que somos apenas amigas.
- Isto foi ideia sua e não minha.
- Eu falei que quando terminar o quadro não vamos mais nos ver, mas não vou conseguir ficar sem te ver. Não consigo nem ficar sem te comer. Ai que buceta gostosa...
- Vou te dar também, mas quando voltarmos lá para dentro tem que se comportar. Roberta falou erguendo o vestido dela afastando a calcinha.
- Nossa! Que delícia molhadinha assim. Sente como eu te desejo...
- Ai eu sinto e adoro... Ai...
- Na hora que eu te vi chegando fiquei completamente excitada.
- Foi de propósito, queria te deixar louca mesmo. Ai, que gostoso...
Ficaram se tocando perdidas nos beijos até não aguentarem mais.
Roberta sussurrou quase num gemido:
- Vem junto, goza comigo... Vamos...
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Oooooooooooooooooooooooo...
Gozaram e ficaram abraçadas em silêncio por alguns instantes.
- Você disse que não vai conseguir parar de me ver.
Roberta falou baixinho.
- Sim. Pensei muito nisto o dia todo.
- Em que pensou tanto?
- Nisto Roberta, em nós e nas razões de ficarmos tão excitadas juntas. Eu ando muito assustada com tudo isto, porque faz pouco tempo que te conheci, mas tudo entre nós está acontecendo tão rápido. A necessidade que tenho de você não tem explicação. Acho que podemos ter um caso. Eu te desejo o tempo todo. Quando não estou aqui, fico pintando e...
Roberta estava sorrindo. A sua boca roçou a dela numa carícia suave.
- Preciso falar Roberta, me escute.
Pediu procurando os olhos dela ansiosa.
- Quero te ouvir, pode falar querida.
Respondeu baixo.
- Acho que você me enfeitiçou. Virou minha cabeça, sei lá.
- Eu?
- É, você! Não consigo mais me controlar. Te olho e te quero, não consigo evitar porque eu te desejo demais. Você me enlouquece demais, me deixa em brasas. Sentei lá na sala e esqueci que havia gente entre nós. Não estou mais ligando se meus pais vão gostar ou não disto. O que importa é que eu gosto e estou feliz com você.
- Feliz? Tanto assim? É mesmo feliz comigo?
- Sou porque quando estou longe de você fico terrivelmente triste. E agora neste momento quero desaparecer com você.
- Patrícia, um caso nós já estamos tendo querida. Eu também estou feliz com você. Principalmente depois de ouvir essas coisas que me disse. Agora vamos entrar e vamos nos comportar lá dentro. Não vamos chocar as pessoas por não estarmos conseguindo conter o nosso desejo.
- Tudo bem. Farei um grande esforço para não te olhar demais.
- Está bem, vamos.
O jantar aconteceu num clima tranquilo. Após o digestivo servido na sala de estar, a família Serreti despediu-se deixando a casa.
Patrícia tocou a mão de Roberta diante da porta ansiosa.
- Foi uma noite deliciosa, obrigada!
- Virá amanhã?
Roberta perguntou contida, pois os pais de Patricia estavam próximos ouvindo o que falava com ela.
- Claro que sim! Esta semana termino seu retrato.
- É uma ótima notícia. Boa noite para vocês!
- Boa noite, Roberta!
Continua...