quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lembranças. - Por Astridy Gurgel

Silêncio!


Sempre me entendo melhor nas madrugadas. O silêncio da noite é revelador. Silêncio é um bálsamo, além de ser excelente companhia. As emoções brotam dele. Seria divertido alguém me perguntar: 
Quem é o seu melhor amigo? Responderia sem pensar duas vezes.
O silêncio!
O silêncio que vem do coração é querido e especial. Ele envolve como se fosse uma manta em forma de mãos protetoras.
E quando choro? Ah, quando choro o silêncio não faz perguntas. Não incomoda. Não fica me olhando tentando saber o que se passa no meu coração. Só um grande amigo faz isto. Só um verdadeiro amigo não atrapalha e respeita.
O silêncio não possui a curiosidade das pessoas. Não sente inveja. Se sente alguma coisa nada demonstra. O silêncio é lindo justamente porque é mudo! Ele existe, só isto! Existe sem incomodar.
Se as pessoas tivessem 1% da sabedoria do silêncio seriam muito melhores.
Oh! O quê? O silêncio não é uma pessoa? Que situação! Errei feio agora. Quase ri da minha mancada.
Que coisa, queria aplicar uma palavra aqui e a definição dela é tão longa que fiquei cansada de tanto ler...
O silêncio não é uma pessoa! Temos aqui uma revelação incrível. Quando que se o silêncio fosse uma pessoa ele poderia entender-me tanto?
O silêncio é a coisa, não... Silêncio é um mistério que não pode ser desvendado. O silêncio jamais irá falar porque ele fala sendo o que é. Nunca deixará de ser o que é. É o retrato da perfeição. E quão impossível é achar algo perfeito neste universo.
Muito embora quase tudo fale, a terra, a água, as arvores, os móveis, o céu, o corpo, o vento, o fogo, a chuva, entre outros, nem sempre prestamos atenção. Muito do que não tem som fala sem que escutemos. Daí o silêncio ser o único que se guarda. Ele é o nada no tudo. Como definir o nada quando ele é tudo? Impossível! Melhor que seja assim. Que o silêncio tenha definições como sossego. Sossego é a melhor definição. Não preciso de outras.  
Poderia falar horas sobre a delícia gentil do silencio. Nas madrugadas calmas quando sons inofensivos ecoam quase imperceptíveis consigo sorrir.
Consigo sentir alívio quando o som de um carro passa veloz pelas redondezas desaparecendo rapidamente enquanto tudo silencia novamente. Alguns até com o som ligado no último volume.
As músicas que escuto até pararem deixando o silêncio envolver toda noite.
Os foguetes de algumas noites como nesta madrugada que explodiram por essa cidade toda parecendo noite de ano novo.
Nada atrapalha o silêncio. Ele sabe se colocar. A cada brecha se instala. E como é bem vindo. E como me faz sorrir.
Quem seria eu se não fosse o silêncio. Apenas isto. Quem seria eu? Eu sei. Eu seria impaciência em vez de ser sossego!
Astridy Gurgel

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Coração. - Por Astridy Gurgel

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ela.


A palavra não assusta, eu sei! O não é uma negação. Não quero isto. Não quero sofrer. Alguém chega e te faz um convite. Quer sofrer comigo? Claro que não! Além de que é um despropósito convidar alguém para sofrer. Se o convite fosse diferente até valeria a pena. Poderia ser: Quer ser feliz comigo? Aí sim seria grande coisa.
De repente você conheceu uma mulher e ficou interessada nela. Ficou apenas. Com jeitinho acabou se aproximando. Falou as coisas até meio sem jeito no início. Nem escondeu muito que estava interessada. Depois recuou e ficou observando como ela estava reagindo ao cortejo. Porque você percebeu que ela estava te analisando. Não soube o que ela estava pensando, mas percebeu que pensava a cada aproximação sua.
Você não soube bem como aproximar mais embora ela não tenha dificultado. A dificuldade sempre esteve em você. Recorreu a um guia de sedução talvez mental. O curioso é que percebeu que estava se envolvendo cada vez mais com ela. 
Não percebeu que enquanto tentava seduzir estava sendo seduzida. Ainda assim ela continuou te analisando. Você passou a sentir coisas mais fortes. Deitava pensando nela. Passou a sonhar com ela. Acordava cheia de vontade de falar com ela. Resolveu contar tudo que estava sentindo. Que pensava nela sem parar. Contou até que estava com muito medo. Você não fazia nem ideia que ela já sabia do seu medo. Aliás, ela já sabia até que o que você tanto temia já tinha acontecido. Você estava se apaixonando por ela. Começou a se enrolar quando ela questionava algumas coisas e mentia. Você se achava esperta sem notar que ela sabia que estava mentindo. Quanto mais você tentava consertar pior ia ficando. Você não sabia. Achava que ela estava acreditando em tudo cegamente. Ela te surpreendia até quando dizia coisas que você fazia e ainda ia contar para ela. Nem assim você notou o quanto ela era perceptiva.
Um dia vocês estavam conversando e ela te fez uma pergunta que você não esperava. Acabou sendo pega em uma mentira. Pediu desculpas. Arrumou uma falação dizendo que não queria ter mentido. Pediu desculpas e achou que ela desculpou e esqueceu. Nesta altura você confessou que estava apaixonada e ela sorriu dizendo que já sabia. Você ficou admirada já que só se deu conta realmente naquele instante que confessou. Na verdade você estava tentando evitar. Não queria apaixonar porque tinha medo de sofrer. Continuou contando pequenas mentiras. Omitiu coisas e tinha medo de se apaixonar. Realmente você não estava prestando atenção. Tanto que ela continuou te sondando e a cada dia te conhecia mais. Pior ainda, você não se deu conta que ela sabia quando você omitia as coisas. Também não percebeu que ela não mentia. Era extremamente sincera. Um bom exemplo que você não conseguiu seguir.
Nesta altura, depois das mentiras ela ficou diferente. Você, que foi pega em falta passou a ficar mais silenciosa. Ainda assim ela percebia. Mesmo que não conta-se, ela sabia! Então você se deu conta que ela também passou a ficar mais silenciosa. A ficha caiu e você entendeu que ela estava se afastando.
Você pensou: “Como assim?”
Tudo tão claro diante dos teus olhos e você não percebeu que ela te deu vários votos de confiança. Ela esperou e pesou muitas coisas. Até o momento em que olhou para você e te perguntou:
O que você tem para me dar?
Várias respostas passaram pela sua cabeça. Ela ficou te olhando e por uma fração de segundo você se perguntou se ela estava se referindo ao presente de Natal. Afinal Dezembro está chegando. As lojas estão enfeitadas e as pessoas estão começando a entrar no clima natalino. Você andou mesmo olhando vitrines. Procurando um presente que poderia agradá-la. Cada um que via lembrava-se dela. Até se pegava sorrindo sozinha.
Ela ainda estava te olhando enquanto os pensamentos borbulhavam em sua mente. Por timidez ou impossibilidade de encontrar a resposta você não conseguiu responder o que tem para dar para ela.
Muitas músicas continuam passando pela vida dela. Muitas outras passam pela sua. Cada sonho, seu e dela ficaram perdidos em uma destas melodias. Você não sabe em qual. Ela sabe, porém, ela guardou para ela.
Você continua sabendo que ela dorme em paz todas as noites. Ela não sabe como são as suas noites porque não pergunta mais e nem você conta.  
Ela imagina e sabe que você costuma ter insônias. Você sabe que errou omitindo coisas que ela percebeu sozinha. Ela se deu conta até que você vive em um mundo de contos de fadas habitado por princesas. Já ela vive em um mundo real onde sabe que as pessoas mentem e não gosta.
Você, distraída em seu mundo continua pegando caminhos diferentes. Insiste em escolhas mudando todos os dias seu destino.
Quanto a ela, acredite, ela ficou te olhando escolher. Agora é ela que está sentada assistindo o espetáculo que a vida costuma proporcionar para todas. Por isto que você não entendeu aquele não de ontem a noite. Porque continua distraída. 
Astridy Gurgel

The Rose. - Por Astridy Gurgel

domingo, 23 de novembro de 2014

Sexo...


Não tenho a menor dúvida que o assunto que mais chama a atenção da maioria das pessoas é o sexo. Sexo é um tema muito forte. Sem contar que é bom demais. Quem vive sem sexo? Por um período e circunstâncias muita gente até vive. Sexo faz bem demais. Deixa a pele mais bonita. O quê? Se alguém provou isto? Sei lá! Sei que deixa (Risos). Agora sexo com sentimento, com amor, ah este é perfeito! Os olhos ganham um brilho intenso, lindo, maravilhoso.
Recordo quando criei um grupo no Face book e postava fotos e assuntos relacionados a sexo. Todos os membros do grupo podiam postar. Fazíamos enquetes com perguntas íntimas como ainda fazem nos grupos. É lógico que ninguém era obrigada a responder, respondia quem queria. As mulheres gostavam porque as imagens postadas eram picantes. Eram excitantes, dai agradar a maioria. Enfim, foi uma época boa, mas nunca mais interagi em grupos. Perdi a graça. Acontece e realmente dei-me conta que não valia a pena.  
Voltando ao sexo, quem faz sexo com quem ama sabe a diferença quando faz com uma pessoa pela qual não tem sentimentos. É uma coisa mais fria, meio mecânica. Só sexo é vazio. Quando as pessoas percebem a diferença elas passam a querer o todo. A junção do prazer com o amor. Sendo que quando se ama não é só o sexo que dá prazer. Tudo que se faz junto da pessoa é prazeroso.
Quando as mulheres são mais novas, muitas não se importam de fazer sexo sem sentimentos. Aliar sexo com sentimento vai acontecendo aos poucos. Com o tempo qualidade passa a ter muita importância. Não falo de qualidade sexual, falo de qualidade emocional. Qualidade em tudo.
Sobre a qualidade sexual não acredito muito nisto de que uma pessoa seja ruim de cama. Porque na cama se a mulher não conseguir satisfazer a culpa não é apenas dela, é da parceira também. Intimidade é um encontro de duas pessoas. Não coloco em discussão ativa, passiva ou relativa. Uma mulher nunca é a mesma na cama como foi com a outra (as). Ou é mais intensa ou se torna menos intensa. Sabe por quê? Em cada relacionamento a pessoa é diferente. Não entra em discussão quem não muda. Existem pessoas que não mudam em nada. Acham que do jeito que são está ótimo e permanecem iguais. Sendo que mudar se for para melhor também é amadurecer. Madurecer emocionalmente e sexualmente porque não? O engraçado é isto, como pode ser diferente na cama com outra mulher? É porque ninguém é igual. Cada uma gosta de uma forma e cada uma desperta sentimentos e vontades diferentes. É como se tivesse nascido de novo. Outra mulher aflora dentro dela. Tanto que a transformação causa espanto a ela mesma. A elas mesmas, perdão! Isto é tipo de cada pessoa.
Frequentemente as pessoas que sofreram demais por amor se fecham. Elas podem namorar e amar outras pessoas. Mas não serão as mesmas por mais que deem a impressão que estão profundamente envolvidas. Por mais que pareçam se doar por inteiro isto não é verdade. No íntimo elas sabem que não estão se dando tanto. Sabem muito bem que estão alertas. O amor que é este sentimento maravilhoso marca as pessoas. Marca como o ser humano marca o gado. O amor deixa marcas profundas que as pessoas não esquecem. Que as deixa com medo de sofrer novamente. É por isto que quando voltam a amar elas sentem bem no íntimo um medo estranho. Um medo que nem sempre entendem. Não entendem porque já esqueceram aquele amor. Ele não representa mais nada. Passou a ser uma lembrança ruim que preferem não ter. Por isto pisam nas lembranças certas que matam todas desta forma. O amor do passado é uma lembrança ruim, mas quando o estava vivendo era maravilhoso. Pouquíssimas pessoas conseguem selecionar lembranças. A maioria quando lembra só lembra-se dos momentos ruins ou do porque ficou ruim. Elas não conseguem recordar dos bons momentos. São essas pessoas que morrem de medo de recordar que estão amando outras pessoas agora. Elas farão a mesma coisa e irão viver suas vidas agindo da mesma forma. Matarão as lembranças boas e colocarão as ruins em um pedestal. Essas pessoas assombradas pelo passado são as que constroem novos relacionamentos. Porque elas não superam o passado, elas enterram para não ter que encarar. Se elas estão erradas não me cabe julgar.
Quando um relacionamento começa é claro que o mínimo que se espera da outra pessoa é a verdade. Nasce aquela vontade de agradar a pessoa em tudo. Até fazer algo que não gosta muito para deixá-la feliz. Tipo se ela adora beber champanhe e você não gosta muito, pode até tomar uma soda limonada fazendo de conta que é champanhe para acompanhá-la. O gostoso é que estão juntas. Ver o brilho nos olhos dela é o que importa. E se ela descobrir e ficar muito chateada você vai se sentir uma idiota sabendo que só quis agradá-la e acabou magoando. Até tentando agradar é comum cometer erros. Porém o ato de querer agradar é o que importa. Muita gente não percebe por este lado. Claro, vai ver como uma enganação. Um erro imperdoável. A verdade é quando você gosta você só quer ver a outra pessoa feliz.  
Relacionamento nunca é só sexo. Se for mais sexo o sentimento não resisti. É como nadar contra a maré. O sexo pode ser maravilhoso, mas fica faltando alguma coisa. Dai a começar a escassear. É comum as pessoas irem se afastando. Preferem isto a terem diálogos. Por que não tem coragem de olhar nos olhos e falar que o sexo é legal, porém falta alguma coisa. As pessoas raramente conseguem ser tão sinceras. Em qualquer tipo de relação à falta de sinceridade é prejudicial. Por isto muitas preferem sumir. É mais fácil evaporar do que falar:
Não quero mais ser sua namorada. Não quero mais transar com você. Não quero mais ser sua amiga, colega, conhecida, ex, etc. Não é fácil para essas pessoas falarem o que sentem realmente.
Ninguém olha para a namorada e imagina que dentro de alguns anos não terá nenhum contato com ela. Não passa pela cabeça que nem amiga vai querer ser. Porque não se pensa no provável quando se está curtindo. Como não pensamos no dia que iremos morrer. Pensar para quê, né?
     Acho bonito ver novos amores acontecendo. Vejo como rosas que desabrocham. Às vezes tenho preguiça deste meu lado romântico. Fazer o quê? Não dá para nascer de novo. Tenho que conviver comigo deste jeito mesmo.
        Feliz domingo para vocês!
Astridy Gurgel

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 18


Patrícia perdeu a voz e a reação de imediato vendo a mulher que estava entrando naquele instante.
- Meu Deus! Maria, José, Pedro, Tiago, Paulo e o divino espírito santo! Vocês estão vendo? Que mulher que é aquela, Patrícia? Conhece? Apresenta-me antes que eu enfarte aqui e agora!
Ela estava acompanhada do padre. Nem a euforia de Karla ao seu lado conseguiu fazer com que deixasse de admirá-la. Sentava na cadeira que ele indicava naquele instante. Viu-a colocando a pequena bolsa sobre a mesa, enquanto sorria deliciosamente para ele. O sorriso dela era fascinante. Viu as belas pernas, quando cruzou-as numa sensualidade que fez Patrícia engolir em seco. O vestido ergueu-se um pouco, deixando Patrícia mais paralisada com aquela visão espetacular. Seus olhos subiram pelo corpo inteiro sem conseguir deixar de admirá-la. A visão dela estava mexendo com todo o seu ser.
Os cabelos eram pretos, mais que pretos, eram esplendidamente negros. O rosto era algo inexplicável. Os olhos pareceram-lhe dois diamantes fulgurando ao longe. Irradiavam tamanha energia que respirou profundamente tentando manter a compostura.
Ela estava tão bem vestida num modelo preto, que fazia todos ali parecerem mendigos.
Patrícia não soube por que a examinava inteira daquela forma. Ainda estava muda sem acreditar em toda aquela beleza, quando Karla a tirou daquele transe segurando seu braço enquanto pedia mais animada:
- Patrícia me apresenta pra ela! Ô, eu dou casa, comida, pago salão de beleza, motel, cinema, barzinho, boates, jantares e almoços, viagens para onde ela quiser. Pago até circo! Só vamos combinar que Santos é bom demais e tem praia! Porque dinheiro você sabe, né amiga? Se gastar tudo com mulher a gente fica na míngua. Banco até uns especiais turísticos e... Aí Patrícia!!!!!!! Faz alguma coisa! Arruma ao menos o telefone dela porque essa mulher bambeou as minhas pernas. Nossa gente! Que isso? Essa mulher é uma ignorância de bonita! Ooooooooooo!
Patrícia engoliu em seco sem conseguir emitiu nenhum som. Voltou os olhos para a mulher que supunha ser Carmem Santiago. Nunca sentiu atração por mulher alguma como estava sentindo naquele momento. Então que sensações loucas eram aquelas? Lembrou na hora do dia que tinha afirmado que não traía. Sim, traição era terrível. Por que estava lembrando aquilo naquele exato momento? Era apaixonada por Samanta. Aquilo não fazia o menor sentindo. Não fazia sentido começar a questionar aqueles fatos apenas porque estava sentindo algo que nunca sentira na vida antes. Não uma atração tão forte por uma completa estranha. Não era só a beleza dela. Eram os olhos, tudo que ela emanava, era... Apenas não entendia porque estava tão afetada.
- Patrícia você tá babando nela? Pelo amor de Deus! Eu vi primeiro! Você já tem Samanta, então deixa que eu cuide da massa deste bolo!
Estava mesmo a ponto de babar, porém, a menção do nome de Samanta fez com que caísse em si.
- Vou falar com as outras modelos. Divirtam-se! Com licença!
- Patrícia? Não vai me apresentar a ela? – Karla questionou boquiaberta.
Patrícia se voltou sorrindo:
- Peça ao padre para te apresentar. Ela é amiga dele. 
- Ah, mas é pra já! – Karla riu indo ao encontro do padre.
Patrícia estava passando pelo salão, quando o engenheiro que fazia parte da comissão a convidou para dançar com ele. Ela aceitou porque não costumavam recusar danças nos bailes.
Dez minutos depois, dançavam conversando quando ela viu Samanta em pé com uma taça de ponche na mão. Desculpou-se com ele, indo ao encontro dela apreensiva.
- Oi Samanta! Não sabia que você viria. Pelo jeito não me ouviu.
- Por isto não queria que eu viesse. – Samanta falou maldosa. – Para você dançar e se esfregar como qualquer uma. O que é isto afinal? Como conseguiu trazer todas essas modelos para cá? Quem está pagando o cachê delas?
- Ninguém Samanta, elas são minhas amigas. Vêm porque eu peço que venham. Se você não sabe, ainda existe amizade neste mundo. Nem tudo que algumas pessoas fazem é por dinheiro. Elas gostam dos bailes porque também se divertem.
- Não sou também sua amiga? Por que não me pede para fazer uma doação para este hospital e para com estes bailes de uma vez?
- Não vou te pedir nada. Só vou te falar uma coisa, não dê escândalo aqui! Em casa eu escuto tudo que você quiser. Aqui tente manter o controle pelo amor de Deus! Isto aqui é um projeto social. Tenha noção das coisas!
- Isto você não precisa me dizer! Dançar também faz parte do seu projeto social? Não sabia que dança fazia parte. Porque dança já é outro nível. É íntimo...
- Vá embora, por favor! – Pediu baixo.
- Tem vergonha de mim?
- Você veio aqui disposta a brigar e não é hora para isto. – Patrícia explicou olhando em volta.
- Oh! É claro que não! Imagine! Como vamos lavar nossa roupa suja na casa de Deus?
- Samanta, por favor, querida! – Pediu meiga.
- Vá se divertir e não se preocupe comigo. Não vou estragar o baile!
Patrícia foi ao encontro do padre. Ele segurou sua mão falando feliz:
- Venha aqui, vou te apresentar minha amiga.
Ela o seguiu emudecida até pararem diante da mesa onde Carmem Santiago estava sentada.
- Patrícia? Esta é minha amiga Carmem Santiago!
Carmem se ergueu estendendo a mão delicada para Patrícia. Sorriu de uma forma deliciosa. Quando suas mãos se tocaram Patrícia sentiu uma energia, uma coisa estranha e forte, mas muito prazerosa.
- É um prazer conhecê-la pessoalmente. Você vive na minha casa, mas infelizmente apenas nas páginas das revistas que compro nas bancas. Nas horas de solidão, é você que faz-me companhia. Suas fotos são maravilhosas e você é divina.
- Ah é? – Patrícia perguntou sem graça. – É um prazer conhecê-la. O padre a estima demais. Fala de você com imenso... Carinho...
        - Você é simplesmente tudo que imaginei. Tão bonita que me faz ter fantasias com você.
-...
O coração de Patrícia disparou sem que entendesse a razão. Deu-se conta que a voz dela era uma delícia de ouvir.
- Gostaria de jantar comigo amanhã?
- Desculpe, eu tenho namorada, seria um desastre. – Patrícia respondeu percebendo que ainda segurava a mão dela.
- Um jantar inocente não despertaria desastre algum. Talvez apenas no meu coração. Jantar com você seria como adentrar o paraíso. 
- Perdoe, mas é impossível. – Patrícia respondeu sem conseguir deixar de olhar nos olhos dela.
A forma como Carmem a olhava era perturbadora demais. Ela desviou os olhos para os seus lábios e Patrícia sentiu como se ela estivesse beijando seus lábios com aquele olhar audacioso.
        - Sou eu que lhe peço perdão por desejar tanto conhecer o sabor dos teus lábios.
O coração de Patrícia disparou ainda mais. Todo o seu corpo reagiu acabando de vez com o controle que tentava manter desde o instante em que a viu entrando ali. Porém, sabia que não podia deixar que ela falasse daquela forma.
        - Suas palavras não foram apropriadas. Como já expliquei tenho namorada.
        - Se não sabe, um beijo muda tudo. Muda até uma vida. Beijos transformam as pessoas. Nunca assistiu o desenho A Bela Adormecida? – Carmem perguntou dando mais um delicioso sorriso.
Patrícia arregalou os olhos respondendo confusa.
- Acabou de me conhecer! Agradeço o convite, mas declino.
- Que pena! Quem sabe voltemos a conversar sobre essa possibilidade num futuro...
Neste momento Patrícia levou o maior susto quando foi puxada para o lado. Olhou assustada vendo Samanta fuzilando Carmem com os olhos.
- O que é isto? Está cantando minha mulher?
- Eu? Engana-se! Estou apenas a conhecendo. -Carmem sorriu respondendo tranquila.
- É mesmo? Precisava prender a mão dela por tanto tempo? Tem um monte de mulheres aqui para você conhecer. A minha você deixe em paz!
- A sua? Vocês são casadas? – Carmem perguntou olhando para Patrícia enquanto soltava a mão dela imperturbável.
- O que você tem com isto? – Samanta perguntou irritando-se mais.
- Nada! Nada não.  
- Ok! Já conheceu a minha mulher! Agora a deixe em paz!
- Samanta? Por favor...
- Você estava dando bola porque eu vi como estava olhando para ela! – Samanta respondeu levando-a para o outro lado do salão.
- Meu Deus eu só conheci a mulher...
- Tá vendo porque eu vim Patrícia? Eu senti uma coisa estranha. Quem é aquela mulher? – Samanta perguntou olhando Carmem de cima a baixo completamente admirada. – Ela é linda! É modelo?
- Não, só é amiga do padre.
Patrícia ficou muda neste momento, pois Carmem atravessou o salão aproximando-se delas com seu ar tranquilo. Não parecia nenhum pouco preocupada com a cara terrivelmente fechada de Samanta que a fulminava com os olhos enquanto se aproximava.
- Perdoe o mal entendido, meu nome é Carmem Santiago. – Ela se apresentou estendo a mão para Samanta. – Estava apenas sendo apresentada a Patrícia. Com todo o respeito, é claro!
Samanta a cumprimentou rapidamente, soltando sua mão em seguida.
- Tudo bem!
        - Patrícia é uma modelo famosa! É natural que qualquer uma que a conheça se sinta honrada. Talvez fosse bom você controlar seu gênio. Nunca leu sobre a relação difícil entre Ike e Tina?
        Patrícia ficou olhando para Carmem surpresa. Diante da pergunta súbita que deixou Samanta muda por uma fração de segundos, sentiu uma admiração inesperada por ela.
        - Do que está falando? Não entendi nada! – Samanta perguntou realmente confusa.
- Lamento que não tenha entendido. Estou de saída. Foi um prazer conhecê-las, tenham uma boa noite! – Carmem respondeu sorrindo para Patrícia enquanto se afastava cheia de si.
Enquanto ela saía Samanta perguntou irritada.
- Você conhece os tais de Ike e Tina?
Patrícia a fitou sentindo vontade de rir neste instante. Porque em momento algum tinha comparado sua relação com Samanta ao relacionamento de Tina Turner com Ike.
 - Sim. Tina Turner a cantora e seu ex companheiro Ike.
- O que isto tem a ver conosco? – Samanta perguntou fechando mais a cara.
- Isto você teria que perguntar para ela. Foi ela que falou, não eu!
Samanta revirou os olhos perdendo a paciência.
- Essa Carmem quer ir para cama com você! Quer te...
- Psiuuuuuuu! O que é isto? Acabei de conhecê-la. Para com isto. Ninguém pode se aproximar de mim. Que coisa Samanta. Meu Deus! Nossa!
- Os olhos dela! – Comentou chocada. – Ela te despiu com os olhos. Deixou claro que quer te levar para a cama. Acha que sou cega? Ela te cantou não cantou?
- Não Samanta! Ela não me cantou! O padre apenas nos apresentou.
- Nem precisava te cantar! Os olhos dela te lamberam toda! O padre apresentou vocês saindo de fininho. Acha que não percebi?
- Se você continuar deste jeito eu não poderei conversar com mais ninguém.
        - Tem o quê para conversar com essas mulheres? Bobagens? Fofocagens? Ora, você nem é dada a essas futilidades.
- Ai meu Deus! Vou cuidar das coisas. Com licença!
Patrícia foi para a mesa onde estavam servindo o ponche e os salgados. De lá viu Samanta entre as modelos. Elas a rodearam encantadas. Nenhuma delas trabalhava para Samanta e é lógico que era uma oportunidade que estavam tendo para conhecê-la.
Viu Karla Lemos caminhando em sua direção. Ela estendeu a taça vazia para receber o ponche perguntando:
- Por que não me contou que Samanta viria?
- Ora, nem eu sabia. – Respondeu sem graça.
- Aquela Carmem nem me olhou. Ela só olhava para você. Fazer o quê? Eu tentei. De qualquer forma não faltarei aos próximos bailes. Conte comigo em todos! Não a deixe esquecer, padre! – Pediu olhando para o padre que aproximou-se delas neste momento afastando-se sorridente.
- A sua amiga Carmem foi desconcertante comigo padre. Fiquei tão sem graça. – Patrícia comentou baixinho com ele.
- Quem mandou você conquistar o coração dela? – Ele perguntou dando um sorriso arteiro. 
- Eu padre? Acabei de conhecê-la! Por favor, o que é isto? Que cara que é essa de menino traquina?
- Só estou bem humorado. Mas vá, conte-me! Você não percebeu pelos olhares dela que ela é completamente apaixonada por você?
- Percebi que ela estava olhando-me de forma diferente e ousada. Não pensei que fosse apaixonada. Fiquei confusa. De qualquer forma, parece que o senhor andou floreando muitas coisas sobre mim para ela. Isto é o que eu chamo de saia justa. – Respondeu sorrindo enquanto olhava em volta do salão. – Samanta dá escândalo mesmo se eu não controlá-la. Por que não me contou que ela era apaixonada por mim?
- Eu não! Quem deve confessar uma paixão é a pessoa apaixonada.
- Que eu saiba somos amigos. O senhor poderia ter comentado. Com certeza ficaria preparada. Não teria ficado com a cara de idiota que fiquei diante dela. Porque fiquei, sei que fiquei porque perdi até a fala.
- Você está em todas as revistas e essas revistas estão nas bancas e na casa dela. Desculpe, mas com a fama, vêm os assédios. Você terá que trabalhar isto também.
- Sim é verdade, eu sei. Só não negue que andou falando mais do que devia.
- Na realidade não. Na verdade sim, admito! Sabe como é... Ela fica perguntando. Querendo saber mais da sua vida. Sua rotina, eu só contei poucas coisas.
- E o senhor dando corda? Ah padre! Não faça mais isto.
- Não farei não. Prometo! – Ele respondeu sorrindo sem esconder a satisfação que estava sentindo.
- As pessoas estão começando a ir embora, que bom! Estou tão cansada hoje.
- Se você quiser ir, o pessoal me ajuda a recolher as coisas. Também estou cansado, foi um longo dia! Antes me diga o que achou de Carmem.
- O quê? – Patrícia perguntou sem saber o que responder.
- Você entendeu muito bem. Gostou dela? Achou-a interessante?
- Ah padre! Eu... Ah... Ela é bonita. Também é muito elegante e... Desconcertante!
- Por quê? Disse algo que fez seu rosto corar?
- Porque fiquei sem lugar, sei que fiquei porque perdi até a fala. Agora vou embora sim. Samanta está com uma cara muito fechada. Tenha uma boa noite! Ah padre! Estou precisando confessar. Acho que a última vez que confessei era uma criança. Nossa como o tempo voa!
        - Venha quando quiser Patrícia. Boa noite e obrigado mais uma vez!
        As modelos despediram-se de Patrícia, muito animadas. Depois ela saiu com Samanta.
 Na calçada Samanta olhou para o carro dela comentando:
- Eu te sigo até sua casa.
- Tudo bem. – Concordou entrando no carro.
Assim que entram na casa de Patrícia, ela abraçou Samanta sem permitir que ela falasse. Foram para o quarto e transaram sem conversar sobre o ocorrido no baile.
                                                    Continua...

Querendo um amor e aceitando sexo. - Parte 2


Pegação é diferente de amor.
Boa dia, moças!
Continuando o primeiro texto, vamos falar as claras a partir de agora. Estou farta de saber que está dificílimo encontrar um amor. Todo ser humano sente falta de carinho, de atenção, afeto, cumplicidade, amizade, prazer. São tantas necessidades que nós mulheres temos que lidar, trabalhar e enfrentar que se torna até difícil expressar todas. 
Realmente não é fácil para as mulheres ficarem sem fazer amor. Afinal quem é que aguenta ficar na seca tanto tempo? Ficar simplesmente sentadinha olhando o tempo passar enquanto espera o grande amor chegar é complicado. Uai, aí fica ruim demais. Já passamos daquela época que as mulheres tinham que ser santinhas. Também não precisa ser capetinha (Risos). 
Agora chegamos ao auge dos últimos tempos. A salvadora que consegue chegar a todas as pessoas, a internet. Ao menos chega para as que resolvem se conectar. As pessoas se apaixonam pela internet. É um fato real! Enamoram-se! Tem muita gente que nunca viveu isto e afirma que é impossível.
Se nunca viveu como pode falar sobre o que não conheceu? É cada uma! O fato é que as pessoas se conectam. Algumas se envolvem verdadeiramente. Apaixonam, algumas amam e outras vivem lindas histórias de amor e até se casam. Já outras lamentavelmente se ferram.
Muitas são cuidadosas. Procuram conhecer um pouco a mulher primeiro, o que, aliás, é o certo! Como acontece em um encontro pessoalmente vão se apresentando, desvendando fatos e fazendo confidências. Vão descobrindo as intimidades uma da outra. Estão flertando, praticamente namorando sem se darem conta. Até que um dia acontece a intimidade sexual.
Nem todas chegam a viver isto. Existem as que contam para as amigas ou falam pelos cotovelos. Mostram as mensagens trocadas, e às vezes, acabam dançando. Ingenuidade dá nisto. Todo mundo é amiga, né? Vai crendo!
Outras já começam o negócio direto. Sentem tesão, ânsias e não querem muito papo, só querem gozar! No primeiro dia já fazem pelo webcam, fazem lá pelo celular, tablet, fazem do jeito que dá e conseguem.
Ficam doidas sim, pois são humanas e o corpo humano anseia pelo prazer. O prazer físico é uma necessidade humana. Não é um crime ter prazer. Não é pecado ter prazer. A internet é hoje um canal onde as pessoas se conhecem e se relacionam.
Algumas se revelam até demais. Talvez não lembrem que existe futuro. Não se dão conta que escrevendo certas coisas estão confessando intimidades que devem ser mostradas somente para o amor que dizem estar buscando.
Entram nos sites ou grupos onde colocam perguntas íntimas. Olha, olha que não estou condenando nada do que vocês postam ou o quanto se revelam. Cada uma sabe o ritmo da música que gosta de dançar.
Estou mostrando para vocês que existe futuro e no futuro pode estar o grande amor que a maioria sonha. Queimar o filme até lá é um caso que deveria ser pensado.
Nas revelações, vocês chegam a um espaço e tem lá uma pergunta do tipo:
“Como vocês gozam?”
Uma pergunta assim é íntima demais. Existe outro ponto, milhões de mulheres nunca tiveram um orgasmo na vida. Responder é fácil porque podem escrever o que quiserem. Das dezenas de respostas poucas podem vir a ser verdadeiras. Porém, quem lê as respostas acreditam e sai cantando a mulherada.
É um assunto simples para algumas, para outras é um enorme problema. Quem tem um problema sério não fala dele já que mal consegue encará-lo.
Porque muitas que nunca gozaram têm vergonha de se entregar, sentem receio de procurar ajuda e várias fingem que gozam. Três pontos negativos que só fazem agravar o problema.
Muitas respondem a pergunta na maior expondo uma coisa que só diz respeito a ela. Revela completamente a alma. Desnuda-a simplesmente.  
A coisa gostosa das descobertas e revelações entre vocês e uma futura parceira não terão a menor graça. Porque o que é íntimo já se tornou notícia para todo mundo.
É na cama, com a parceira que isto deve ser exposto. Se a mulher demora a gozar vai resolver isto com uma parceira. Vai ter que explicar porque ninguém advinha essas coisas.
Muitas não têm o hábito de masturbar. Algumas cresceram acreditando que é pecado. O pecado está na cabeça. O prazer é uma necessidade básica.
Escrevem para todo mundo ler que gozam rápido, demoram, nunca gozaram, que querem alguém que as faça gozar e querem um amor? Isto é papo íntimo! Nooooo... Parece que sou a pessoa mais careta do mundo falando assim, né? Não sou não! O que sei é que iria achar péssimo se minha namorada postasse coisas íntimas sobre ela para toda gente ler.
Se faz anal, de lado, de frente, de cabeça para baixo pendurada no teto, na janela, se acontece de baixo d’água, no avião, no mato, tocando violão, na montanha, no circo, no telhado, na fazenda, no cinema, na praça, ou no Nepal! Isto é assunto íntimo.
“Quantas vocês já pegaram?”
Ai, ai, sei lá gente! Quantas namoradas ou ficadas? Pouquíssimas sabem o número porque a lista é tão extensa (Risos). A imaginação é fértil e as mentiras brotam de uma forma assustadora. Como em um jogo de dominó em que as peças vão caindo umas sobre as outras até ver qual sobra em pé.
O fato é que um dia aparece aquela mulher. Seus olhos se encontram. Vocês irão começar a se conhecer. As coisas irão começar a esquentar. Um dia ela entra em algum lugar na internet e esta lá a sua fotinha verdadeira ou a que usa no perfil falso falando essas intimidades todas. E aí?
Você está apaixonada e fica louca quando ela questiona. Algumas admitem. Outras falam que foram raqueadas (Risos). Olha o problema que isto pode gerar.
                                                Continua...
Astridy Gurgel 
Texto postado no Parada Lésbica em 21/11/2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Crescer, aprender e amadurecer!


Ontem filho fez-me duas perguntas. Ele sempre pergunta demais, mas enfim, criança é sempre curiosa. Ele perguntou:
Por que a Senhora escuta tanto fado se é uma música triste e por que não fala mais com aquela sua amiga portuguesa?
Criança observa tudo. Bom, como neste blog posto boa parte do que acontece nos meus dias, a minha rotina e vivências, essa conversa com ele foi legal.
Filho costuma escutar ritmos variados de música no PC dele. Às vezes, reclama falando que a música que estou ouvindo é chata. Quando gosta de uma música vem para o meu lado e pede para repetir. Foi assim que passou a gostar da cantora Mariza. Ele sorri muito quando escuta a música: “É ou Não É.” Quando gosta de alguma canção pede o link e vai ouvir no PC dele. Então sim, ele tem aprendido a escutar músicas de diversas partes do mundo. Algumas ele ama outras detesta! Acho muito natural que seja assim.
Voltando ao início, na verdade ele fez-me duas perguntas em uma. Notei que queria saber de fato sobre a segunda pergunta.
Então falei para ele.  
- Podemos ouvir uma música sem ficarmos tristes. Escuto variadíssimos ritmos de música como você percebe todos os dias. Principalmente porque existem músicas que não me dizem nada. Outras parecem até que entram em mim. Vou responder as suas duas perguntas. Pense bem porque sei que você sabe a resposta. Diga-me onde fica a tristeza. Na música ou dentro das pessoas?
Ah claro! Ele ficou pensando por alguns segundos e respondeu:
- A tristeza fica dentro da gente. Muitas vezes escuto Rap que é uma música alegre e estou triste.
- Gostei. Então uma música alegre não consegue tirar sua tristeza se você estiver triste. Que bom que você percebeu isto.
- Claro que isto eu sei mãe.
- Ok! Os fados que escuto nem sempre são melodias tristes. Muitos falam de sentimentos e sentimentos não são necessariamente tristes. Escutar música a meu ver é muito mais que escutar. Gosto de saber detalhes sobre a canção. Já as letras de alguns Raps que te vejo escutando são tristes. A realidade que algumas letras de Rap trazem não é apropriada para a sua idade. Tirando o rap, alguns dias você escuta MPB. Já te vi escutando músicas tristes de Antônio Carlos Jobim e até Elis Regina. Também costuma escutar músicas internacionais, tanto que até te mostrei alguns grupos que gosto muito que você nem ligou. Em outros dias escuta umas coisas tão ruins que até te dei um fone de ouvido. Quando você se incomoda com o que escuto, apenas observo as músicas que você costuma ouvir. Já te falei um dia, musicalmente cada um deve ficar na sua. Lembra?
- Lembro sim. Só que eu acho fado triste e gosto quando a senhora escuta uns mais animados.
- Já percebi e é por isto que eu também passei a escutar algumas músicas com fone de ouvido. Em certos momentos que quero dançar. Estou feliz, quero dançar, cantar, depende do dia, dependa da hora. Em outros preciso de músicas mais calmas para escrever ou ler.
- Tá! E porque a Senhora não fala mais com aquela sua amiga? Aquela que eu até conversei umas vezes.
Ele tem boa memória. Ter boa memória é muito bom.
- Umhum! Era isto que você queria saber desde o início. Diga-me uma coisa. Por que você não fala mais com os meninos que vivia falando que eram seus amigos? Você falava alguns nomes. Alguns até chegou a convidar para seus aniversários. Onde estão eles agora?
- Oxé! Devem estar na casa deles. Mudei de escola e a maioria deles nunca mais vi de novo. O que tem a ver isto com o que eu perguntei?
- Alguns destes seus amigos você costuma encontrar em festas ou na rua. Até no supermercado. Vejo você acenando e mexendo com alguns de longe. Não é verdade?
- É sim! Mas...
- Você não percebe que é a mesma coisa? Conhecemos as pessoas e elas seguem o caminho delas. Nunca te pergunto onde estão os seus amigos que você chamava de amigos. Pergunto?
- Não, mas...
- Quem fica na vida da gente no geral são os parentes. Você está na minha vida e não tem como deixar de conviver comigo porque é do meu sangue. Nós temos um laço de amor que nos une. Mesmo se brigarmos, podemos ficar de mal e voltaremos a conviver. Você vai ter muitos colegas, talvez tenha alguns amigos, mas nem todos irão conviver para sempre com você.
- Se a senhora fala com outras amigas suas. Até com colegas de escola que vejo no seu Facebook.
- É verdade! Várias colegas que estudaram comigo me mandam convite de amizade no face. Muitas estão casadas e tem seus filhos. A internet reaproxima pessoas que nunca mais se viram e moram distantes. Acho isto muito legal.
- Eu sei! Perguntei por quê...
- Filho? Não falo mais com ela como você não fala mais com muitos dos seus amigos. Exatamente aqueles que você chamava de amigos. Você só tem dez anos para entender a diferença entre amigo e colega. Já te expliquei, mas isto só irá entrar na sua cabeça quando for crescendo. Amigo fica na sua vida, colega vai embora. É a vida! Sabe uma coisa que teria sido maravilhosa se tivesse acontecido comigo quando eu tinha mais ou menos a sua idade?
- O quê?
- Ter alguém que tirasse as minhas dúvidas como eu tiro as suas. Que tivesse me mostrado algumas realidades que só fui entender depois que fiquei adulta. De qualquer forma, talvez como você, eu tinha mesmo que viver para aprender. Como você vai aprender e lembrar-se das minhas palavras. Agora sem mais delongas vá ouvir suas músicas que vou ouvir as minhas.
Não sei realmente se aprendemos por exemplos. Acredito que temos que viver nossos dias sem pensar no rumo das nossas vidas porque não temos o controle do que irá nos acontecer. Quem nós iremos conhecer. Quem nunca iremos conhecer. Quem serão nossas amigas ou colegas futuras. De quem iremos lembrar ou esquecer. Não temos este controle. Teria sido ótimo ter alguém para conversar abertamente comigo sobre as dúvidas que filho costuma me questionar quando tinha a idade dele.
Durante anos venho escutando minha mãe falando algumas coisas que não falava quando eu era criança ou mesmo adolescente.
Um dia ela disse: “Ninguém é amigo de ninguém. No fundo ninguém é verdadeiramente amigo.”
Bom, ela teve as decepções dela como todo mundo tem as suas. Não coloquei o assunto em discussão. Admito que não me esqueci destas palavras. Não falei isto para filho porque bem lá no íntimo acredito em sorte. Sei que algumas pessoas encontram amigos verdadeiros. Talvez ele tenha essa sorte. Não dá para saber e não é justo acabar com a ilusão de ninguém. Ainda mais de uma criança. As crianças vivem mais impulsionadas por sonhos do que por outras coisas.
Já escrevi alguns textos sobre amizade. Não sei se teria muito para acrescentar. Se ainda acredito ou não nem sei afirmar. Não é um assunto que fique pensando. Acho que já fiz muitas indagações sobre este tema.
Algumas vezes quando filho fala que quer brincar com os amigos fico olhando para ele. Vejo o quanto à infância é o retrato da inocência e da ingenuidade. Dou-me conta que já passei por isto. Mesmo que não tenha lembranças exatas dos meus dez anos de idade sei que já fui assim como ele é e por incrível que pareça não acho ruim ele ser assim. Afinal eu sobrevivi. É o nosso caminho. Nosso destino. Crescer, aprender e amadurecer!
Astridy Gurgel
“Sinto falta da minha ingenuidade. A gente vai perdendo ela com o tempo, né? É muito bom ter ingenuidade. É por ingenuidade que você tem fé em certas coisas.”
José Wilker

domingo, 16 de novembro de 2014

A Melhor Resposta!


Tristeza e alegria são elementos que fazem parte do nosso estado de espírito. Pessoas que se mostram tristes constantemente são vistas de forma negativa. Todos olham para elas com pena, preguiça e desmerecimento. Exatamente! Pessoas que insistem em conservar tristezas são julgadas severamente. O comum é julgar as aparências. Julgar é o que os seres humanos mais sabem fazer. Olham para as pessoas tristes pensando: Oh! Coitadinhas (os)! Quanta tristeza inútil! Pobrezinhas! Deveriam se matar! Acham que é exagero? O coração do mundo esfriou. Esfriou não, congelou! O povo se tornou implacável (Risos). Porém, nada do que as pessoas pensam deve importar. Porque de “pensar morreu um burro.” A começar que ninguém liga se vê uma pessoa chorando ou rindo. Se virem rindo se incomodam pelo fato de estar sorrindo, felicidade incomoda e muito! 
Se veem pessoas chorando se incomodam da mesma forma. Choro é sinal de fraqueza na visão de muitos e raramente encaram com bons olhos. Gente caída ao chão, crianças sendo maltratadas, gente sendo roubada, assassinada, passando fome, sendo violentada, espancada ou pedindo socorro se tornou comum nas cidades. Existem espectadores, quase nunca salvadores.
Pessoas são fracas ou fortes. Em certos momentos da vida qualquer uma pode ficar vulnerável. Por um período, não por toda a vida. São fases e como a vida é feita de fases elas vão mudando e evoluindo.
O tempo se encarrega de ir fortalecendo cada uma (o). O que é maravilhoso já que o tempo é um magnífico remédio.
Enfim, que diferença faz estar triste ou alegre? É natural entender que passamos por horas tristes, outras horas alegres. É tão necessário sorrir quanto é necessário chorar. Sorrisos e lágrimas aliviam tensões e espantam tristezas.
Sem contar que demonstrar felicidade sempre é perigoso. É gente, o melhor é deixar passar batido. Tristezas ou alegrias podem ser segredinhos como a cor da calcinha que usamos. Ninguém tem que saber a cor da calcinha que uma mulher usa. Só a namorada! Não é da conta de mais ninguém.
A tristeza pode ser encarada como a alegria. Ambas são visitas que recebemos em horas inesperadas. Nas nossas horas desacostumadas de muitas novidades. Vai ver e olhe se não colocamos importância demasiada nestas visitas constantes. Dois sentimentos que compõem cada uma de nós, tristezas e alegrias.
Existem pessoas que correm da tristeza. Como se fosse possível não sentir quando ela dá uma passadinha. Fazem de tudo para espantá-la! Atitude louvável. Não se entregar, lutar para expulsá-la. Sim, antes que venhas botes logo a sorrir. Isso a mim não me agrada. Agrada por certo alguém? Já se pode imaginar toda gente rindo sem parar como se estivessem em um circo.
A namorada mete-lhe um chifre bem grande. Alguém muito amado morre. Talvez até um bichinho de estimação, né? Normal já que muitas amam mais os animais que os humanos. Tem um prejuízo, perde o trampo, sofre um acidente, perde a condução, tira uma péssima nota em uma prova, briga com os pais, acaba o namoro, falta dinheiro, inúmeras coisas desagradáveis acontecendo, tantos sonhos ficando para trás e ficam a sorrir. Simplesmente passam todo o tempo sorrindo porque não existe motivo para sentir um segundo de tristeza nas suas vidas. Aqui não! Tristeza na minha vida jamais! Meu nome é sorriso (Risos). Isto é típico do ser humano. Sua hipocrisia interior. Sua farsa e mentira diária. A pior coisa que existe é enganar e mentir para si mesma. Uma bobagem. Uma coisa completamente sem sentido. O que importa isto? É lá ao fundo que estão suas verdades. Suas e de mais ninguém! O ser humano engana a si mesmo e como não engaria da mesma forma toda gente? Tudo para não ser digno de pena. Para não ser alvo de chacotas, para não dar o braço a torcer, não demonstrar fraqueza, para ser a miss sorrisos. Isto tudo sem se quer pensar que muitas ficam a cismar com tantos sorrisos. Todos os dias e o tempo todo? Por que andas sorrindo tanto a menina? Ninguém é feliz todo o tempo. Tá bom, tá bom. Já sei que não dá para demonstrar sentimentos para ninguém. É melhor ser falsa que honesta. Não deveria ser necessário tanto esforço para usar uma máscara de felicidade permanente. Não precisa, mas também de nada adianta falar coisa nenhuma quando andam metidas com a hipocrisia que aprenderam desde a infância.
Se quiser mesmo esquecer a tristeza ocupe-se! Trabalhe! Engane a ociosidade transformando a insatisfação em algo bom. Tão bom que faça você se sentir vivendo mais para si mesmo do que para os outros. Agrade-se! Não agrade os outros! Se perguntarem se você está triste, a melhor resposta é: Claro que não!
Astridy Gurgel
"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas. Impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore. Pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida." 
Juliusz Slowacki

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Meu Querer. - Por Astridy Gurgel

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 17


Na tarde seguinte Patrícia chegou ao ateliê, seguindo direto para a prova das roupas com Sandrine. Percebeu os olhares carregados de inveja das modelos sobre seu corpo sem se importar.
Estava provando o quarto modelo quando Samanta entrou aproximando-se com um olhar cheio de segundas intenções. Parou ao lado dela, descendo os olhos pelo vestido com a sobrancelha erguida em sinal de reprovação.
- Gostou deste vestido, Patrícia?
- Ah, ele é lindo! Adorei!
- Criei para você! Para este seu corpo que me enlouquece. – Contou num tom sensual que chamou a atenção de todas que ouviam as duas.
Patrícia olhou em volta vendo que estavam todas olhando mesmo para elas.
- Obrigada! – Agradeceu desviando os olhos confusos dela.
- Vai jantar comigo hoje, não vai?
- Não. Hoje não posso...
- Outro insuportável compromisso fora de hora? – Perguntou debochada.
- Vou ao hospital hoje à noite. Preciso visitar alguns pacientes.     
- Entendo! Esqueci-me do seu lado exageradamente caridoso. Você adora perder tempo! – Respondeu voltando-se para a senhora que ajustava o vestido fingindo-se de surda. – Aumente a bainha, não quero que ela mostre as pernas!
A mulher obedeceu sem retrucar. Samanta virou o rosto encarando Patrícia sem disfarçar seu desejo. De repente deu um passo, pegando alguns alfinetes na mão da provadora com impaciência.
- Deixe-me fazer isto. – Murmurou levando a mão a cintura dela. Apertou-a com força olhando-a no fundo dos olhos.
Patrícia sorriu sem jeito sussurrando baixo:
- Não faça assim. Aqui não...
- Faço! Faço onde e quando eu quiser! Você é minha! – Respondeu puxando-a completamente contra seu corpo. – O que você quer é me enlouquecer.
- Samanta...
- Rolei na cama a noite toda. Quase morri de saudade...
- Deixe-me! – Patrícia pediu descendo as mãos e tocando as dela que apertavam sua cintura com força. Seus olhos perderam-se nos de Samanta, quando ela sussurrou sufocada. – Por favor, em casa!
        - Quando em casa? Quando se você volta tardíssimo? Qualquer dia nem vou mais te ver. Eu...
- Não dê escândalo. – Pediu mais baixo. – Tenho compromissos. Você sabe, então não precisa falar assim.
Samanta a soltou na hora falando entre dentes.
- Vá à minha sala assim que terminar aqui! – Ordenou saindo dali com passos firmes.
Patrícia suspirou controlando-se.
Uma das modelos aproximou dela falando num tom invejoso:
- Agora nós sabemos como conseguiu o contrato. Você está trepando com ela!
Patrícia apenas a olhou sorrindo sem responder nada.
- Você pensa que é mais esperta do que a gente? Qualquer uma aqui pode dormir com ela e conseguir coisa bem melhor do que você conseguiu!
Desta vez Patrícia a olhou com uma raiva contida.
- Então deite com ela! Deite você! Deitem todas! Isto não me diz respeito. Eu não trepo não, viu sua despeitada! Alguém aqui está impedindo vocês de fazerem alguma coisa?
- Você não é amante dela? Não está dando para ela?
- Mas era só o que me faltava! – Patrícia respondeu começando a rir. 
Sandrine aproximou falando tensa com a outra modelo.
- Volte para sua prova de roupas, Nívea! Samanta não suporta bate boca entre as modelos!
- Com todo prazer! - Respondeu fulminando Patrícia com os olhos frios enquanto se afastava.
Uma hora depois, Patrícia seguiu para a sala de Samanta o mais tranquila que conseguiu ficar. Assim que entrou, Samanta largou o desenho que estava fazendo comentando séria:
- Soube que Nívea te provocou.
- Está tudo bem, eu resolvo essas bobagens.
- Vou demiti-la! Ofender você? Ela perdeu a noção do perigo!
- Não! Nem pensar. Não pode demitir uma pessoa porque ela sente inveja. Por Deus, nem pense nisto. Ela é um ser humano, mas nem por cima do meu cadáver!
- Ela não pode te afrontar e ainda por cima falando coisas íntimas nossas para todas ouvirem. Isto é falta de respeito...
- Deixe-a em paz! Não ligo para o que ela pensa ou diz.
- Agora uma modelo encrenqueira vai se meter na nossa vida? E eu vou ter que permitir?
- Samanta? Você me agarrou na frente delas falando coisas íntimas. O que você esperava? Você me expôs dando motivos para ela me atacar. Não fui eu que inventei a inveja, então deixa para lá. Por que me chamou aqui?
- Você não conhece este meio. Te derrubam sem pensar duas vezes. Eu te chamei porque quero você agora!
Patrícia nem conseguiu falar quando Samanta a puxou para o sofá largo. Caíram ali transando de uma vez. Foi uma transa diferente. Patrícia percebeu que foi apenas sexo. Apenas uma necessidade de satisfazer o desejo. A fome da carne. Nunca tinha sentido aquilo com Samanta. Não se sentiu bem e nem gozou como era comum acontecer. Aquela sensação de que tinham apenas feito sexo não a agradou nem um pouco.  Samanta quis mais, porém afastou dela arrumando suas roupas.
Samanta fez o mesmo fechando a cara insatisfeita.
- Esta vendo como você é? Já me cortou! Podíamos transar novamente. A porta esta trancada e este ateliê é meu. Faço o que eu quiser aqui dentro. 
Patrícia a fitou respondendo enquanto vestia suas roupas:
- Sei que faz, mas acontece que estou no meio de uma prova de roupas e você me chamou aqui só para transar.
- Não posso? Você é minha namorada e assinou um contrato com a minha agência! Vai querer importar novas regras? Não seja ridícula Patrícia! Tenho muito desejo por você e não sou obrigada a esperar para transar bonitinha na sua cama à noite.
Patrícia a olhou sem conseguir disfarçar a decepção que aquelas palavras provocaram nela.
- Lamento muito se pensa que vou resumir minha vida apenas a sexo. Não fizemos amor, nós acabamos de transar! Porém, o pior é que parece que nunca te deixo satisfeita.
- Quanto mais tenho você mais eu te quero. Não tem problema nenhum transarmos aqui.  
- Samanta? Você está bem? Você está tão...
- Estou tão o quê Patrícia?
- Possessiva! Eu não me sinto confortável com você agindo assim, sabia? Você mudou. Não é mais a mesma comigo.
- É você que esta mudando, não eu! Agora esta até reclamando de transar comigo. Você não é minha mulher? Tenho meus direitos, ora! Quando começamos você não ligava a mínima de transar aqui no ateliê.
- Quando começamos você não me tratava como está tratando agora. Ah, por favor, não sei o que você tem, mas não estou gostando. O seu jeito de falar, de me olhar e agora me agarrar em público não é legal. Achei horrível seu comportamento na frente das suas funcionárias.
- Que coisa, hein? Não é você a assumida que não se importa que todos saibam da sua orientação sexual? Você não é tão moderna e politicamente correta?  
- Samanta? Não confunda tomate com ameixa! Eu sou lésbica! Sempre fui, mas não agarro mulher nenhuma em público. Acho isto desrespeito para com as pessoas. Acho uma falta de linha sem tamanho. Eu não faço isto, então não faça isto comigo. Não preciso mostrar para ninguém que eu gosto de mulher. O meu relacionamento com você é às claras e todos já sabem. Agora ficar mostrando e me exibindo nem pensar. Assinei um contrato com a sua agência apenas para desfilar. Não foi para ficar trancada aqui transando toda hora que você estiver excitada. Tenha a santa paciência! Sou sua namorada, mas espere até chegar em casa. Ficar com cheiro de sexo no meu corpo no meio de toda essa gente? Dispenso! No início eu me não importava mesmo porque tinha todo um encantamento, mas agora sei lá onde você o meteu! Quem deveria dar este exemplo é você e não eu! Preciso terminar a prova das roupas, com licença! – Girou deixando-a sem esperar pela resposta.

A semana que seguiu foi intensa e cansativa. Patrícia trabalhou feito uma louca. Arrumou tempo para ir ao hospital visitar alguns aidéticos, sem se importar com as queixas de Samanta. Ela continuou indo todos os dias a sua procura e Patrícia sabia que transava com ela para evitar brigas. Por alguma razão seu desejo não era mais o mesmo.
No sábado, dia do baile da igreja, Patrícia comentou com Samanta sobre ele:
- Hoje é o baile da igreja. Voltarei tarde para casa.
- E o desfile? Você poderia deixar de ir neste baile. – Samanta sugeriu confusa.
- O baile será após o desfile.
- Irei com você!
- Não Samanta. – Falou rapidamente sem jeito. Algo lhe dizia que se Samanta fosse criaria uma situação desagradável. – Acho melhor você não ir. Eu vou trabalhar no baile, não poderei ficar com você e muito menos te dar atenção. Tenho que ajudar a servir os convidados...
        - Você não precisa fazer nada disto! Posso pagar garçons para...
        - Oh não, é um baile de caridade. Somos todos voluntários, nada de luxo.
        - O dinheiro é meu, Patrícia!
        - Por favor! – Pediu abraçando-a carinhosa. – Não faça assim. Não seja tão difícil.
        - Não quero falar disto. Vamos transar que ganharemos mais. – Samanta respondeu puxando Patrícia para a cama.
Quando amanheceu, Samanta a puxou para seus braços, mas Patrícia fugiu dela pedindo meiga:
- É melhor você ir agora, Samanta. Você tem que organizar muitas coisas para o desfile de hoje.
- Nós ainda temos tempo...
- Preciso ir ao salão. Marquei hora às oito. Vejo você à noite.  
- Vou morrer de saudade...
- Não vai não querida, passamos todas as noites juntas. Isto deveria te bastar.
- Não basta! Temos que conversar sobre isto.
- Tudo bem. Conversaremos outro dia. Agora preciso tomar um banho e sair. – Patrícia respondeu beijando a boca dela e correndo para o banheiro.

O desfile daquela noite foi um grande sucesso. Patrícia viu o grupo de jornalista que tentavam entrar para falar com ela. Olhou para Sandrine perguntando admirada:
- Estes jornalistas querem mesmo falar comigo?
        - Querem sim! Estes são os que conseguiram entrar, mas tem um batalhão deles te esperando lá fora.
        - Ah não, não posso ficar nem mais um minuto. Diga para Samanta que fui para o baile. Tchau! – Despediu-se desaparecendo dali.
Trocou-se rapidamente correndo para a igreja sem olhar para trás.
Assim que parou o carro, viu o padre aproximando-se com um largo sorriso.
- Boa noite, Patrícia! Como foi o desfile?
- Boa noite, padre! Foi ótimo! Pela quantidade de jornalistas que estavam lá, acho que foi um grande sucesso.
- Que maravilha! Você merece. Vamos entrando? Já devíamos estar servindo o ponche.
Patrícia seguiu com ele rapidamente. Entrou no salão vendo-o lotado de pessoas.
Sorriu para o padre, comentando:
- Os bailes estão ficando cada vez mais cheios. Isto é muito bom, não acha padre?
- Acho sim! Também depois dos últimos três bailes que você começou a trazer suas amigas modelos todos querem comparecer. Este sucesso é obra sua!
- Fico feliz padre! O Senhor sabe como tenho me dedicado. Tenho feito tudo que posso. Só não faço mais, pois sabe, também tenho minha vida.
- Sei demais e sou muito grato por tudo que você faz! Hoje o baile será especial. Minha amiga Carmem prometeu que virá. Estou muito feliz. Vocês precisam se conhecer. São as duas melhores amigas que tenho...
Patrícia ficou ouvindo atenta as coisas que o padre estava contando. Ele tinha mesmo muito carinho pela tal Carmem. Falava sobre ela sempre com o mesmo entusiasmo. Nem sabia por que sentia certo receio de conhecê-la. Aquela sensação devia ser uma bobagem, afinal a mulher era apenas uma alma caridosa que andava pela igreja ajudando e apoiando o padre como ela mesma fazia costumeiramente. Aquela impressão certamente devia ter surgido por causa dos ciúmes e da possessividade de Samanta.
- Que bom que ela vem ao baile. Depois das generosas contribuições que contou-me que faz, é normal que distraia um pouco.
- Também acho! Ela ligou avisando que iria passar o dia na casa de uma tia e estaria aqui sem falta à noite. Sem contar que ela precisa demais sair, distrair, viver. Gente jovem precisa aproveitar melhor a vida.
- Concordo plenamente com o senhor. Agora acho que posso realizar alguma tarefa.
- Que ótimo! Você pode assumir o ponche até Joana chegar?
- Com certeza! Estou indo para lá.  
Os bailes da igreja de fato passaram a ser mais animados e concorridos pelos moradores da comunidade. A ideia de trazer algumas modelos para abrilhantar a festa, tinha sido aprovada pela maioria. As modelos interagiam com as pessoas, conversando e dançando, além de ajudarem a servir os convidados. Tudo sempre corria num clima gostoso e descontraído.
Após uma hora servindo o ponche, Patrícia foi rendida por Joana que chegou correndo apavorada.
- Mil desculpas Patrícia, mas não passava um táxi. Deixa que eu assuma aqui. Obrigada por ficar no meu lugar.
- Não tem problema. Sei como é difícil pegar um táxi a essa hora. O que importa é que você veio. Vou lá conversar com as meninas! – Respondeu afastando-se da mesa.
Foi ao encontro de duas modelos que conversavam num canto. Já eram onze horas da noite.
- Oi meninas! Estão se divertindo?
Elas se voltaram sorrindo animadas.
- Muito! – Respondeu Karla Lemos olhando em volta. – Adoro estes bailes! Céus! Isto é do tempo da minha mãe! Acho o maior barato.
- Eu também adoro Patrícia! – Fátima respondeu também animada. – É o único lugar onde não ganhamos cantadas. Acho isto o máximo!
- É verdade, as pessoas respeitam sim e é por isto que convido vocês. Por que sei que...
Karla e Fátima voltaram-se curiosas para ver o que tinha deixado Patrícia estática naquele momento. 
                                            Continua...