terça-feira, 3 de maio de 2016

Bonnie Tyler - Si demain... (Turn Around) ft. Kareen Antonn

Tudo O Que Ela Não Entendia. - Capítulo 29.


O carinho acolhe enquanto o amor salva.
Lívia despertou sonolenta sentindo carinhos pelas costas. Abriu os olhos vendo Aline abraçada a ela. Sorriu por um instante fechando os olhos mais um pouco. A mão de Aline continuou fazendo carícias suaves. A boca chegou aos ombros beijando e roçando a língua pela pele.
- Bom dia, Aline.
- Bom dia, amor. Dormiu bem?
- Muito bem. Dormiria mais um pouco se você tivesse ficado quieta.
- Estava só te fazendo carinho. Há quanto tempo você não faz amor, Lívia? Não está sentindo falta?
- Hahahaha, há poucas horas, espertinha. Os seus carinhos são bem ousados. Estou toda molhada.
Lívia confessou sustentando seus olhos.
- Já que é assim...
- Espera, vou ao banheiro e já volto.
Lívia falou saltando da cama rapidamente entrando no banheiro.
- Você não precisa tomar banho, nem ficar muito tempo aí no banheiro.
- Está com pressa?
Lívia perguntou sorrindo enquanto fazia xixi.
- Não é isso, é só que acordei bem antes de você. Enquanto estava te fazendo carinho fui ficando animada e tive que me controlar.
- Eu notei, estou acabando.
- Acordei doida para sentir seu gosto. Agora que não estou trabalhando tenho mais energia...
Lívia estava fazendo higiene íntima enquanto Aline falava. Depois escovou os dentes voltando para o quarto. Aproximou da cama adorando o olhar de desejo que Aline lançou sobre seu corpo.
- Você é uma tentação.
- Sou?
Lívia perguntou deitando sobre ela.
- É demais, Lívia. Não consigo te resistir. Estava dormindo tão linda e eu doida para te acordar com um monte de beijos.
- Estou aqui agora prontinha para ser sua.
Lívia contou mergulhando a boca na dela.
Dados da autora: Essa Lívia solta é a mulher que Aline merece.
Beijaram-se loucamente excitadas e apaixonadas, claro, porque Lívia também está apaixonada e até o fato dela não se dar conta é delicioso.
- Acordei louca para te amar.
Aline confessou entre os beijos.
Aquela revelação excitou Lívia muito mais. Aline a fez rolar na cama com ela até ficar por cima dela. Lívia sorriu, comentando:
- Você está com muita pressa.
- Estou, mas quero te beijar mais.
- Eu também quero te beijar.
Beijaram-se excitadas cada vez mais apaixonadas. Aline deslizou a boca pelo rosto de Lívia beijando toda sua face. Beijou a orelha deslizando a língua por ela.
- Eres mi vida, mi amor.
- Ah… Aline… Você fala tão lindo. É uma conquistadora.
- Eu te amo, Lívia.
O coração de Lívia se abriu feito uma flor enquanto suas bocas voltavam a se encontrar num beijo íntimo, delicioso, mais que prazeroso.
Seus corpos roçavam-se a cada instante mais excitados. Os lábios de Aline desprenderam dos de Lívia para descer pelo corpo dela. Chegaram aos seus, onde dedicou um tempo especial beijando e sugando os biquinhos. Acariciou cada um deles brincando com a língua em torno dos biquinhos eretos. 
A boca continuou descendo. Beijava toda a pele. Chegaram às pernas lambendo-as. Beijou as coxas, cada um delas suavemente dando umas chupadas que excitaram Lívia ainda mais. 
- Ah... Aline... Eu te quero...
Dados da autora: Bem que Lívia poderia ter dito: Eu te quero meu amor.
Teria adorado, ah, como teria! Creio que Aline muito mais. 
Aline olhou a buceta excitada passando os dedos. Mergulhou nela sem conter mais o desejo. A língua entrou em seguida deslizando dentro, arrancando gemidos dos lábios de Lívia.
- Que delícia, aiiii assim, chupa bem gostoso. Ah... Oh... 
Era o que Aline estava fazendo, estava chupando deliciosamente a buceta trêmula que rebolava loucamente excitada em sua boca. O movimento da língua de encontro ao corpo excitado de Lívia envolvia-as numa onda que crescia unido-as mais.
O prazer, sim, o prazer percorria o corpo de Lívia da cabeça à ponta dos pés. Parecia uma corrente elétrica que conduzia seus movimentos de encontro à boca de Aline. Seu corpo começou a sentir o orgasmo vindo numa intensidade inacreditável.
- Aiiiiiiiii... Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Dados da autora: Sinto um mesclado de sensações circulando no coração de Lívia que me alivia.
- Meu amor? Você é tão intensa quando está gozando. Fico louca, não faz ideia.
Aline confessou deitando sobre ela. Pegou a mão de Lívia que a olhava ainda mole.
- Entra em mim. Me come. Quero ser sua. 
Lívia voltou à razão deixando a deliciosa sensação que o prazer lhe despertou deslizando a mão para a buceta oferecida. Entrou nela ouvindo o gemido dos lábios de Aline.
- Ah, aiiiiii... Me dê, amor...
Aquelas palavras a excitaram de uma maneira que até se surpreendeu. Entrava e saía dela com dois dedos olhando sua expressão de prazer fascinada. Os cabelos estavam revoltos. A face contorcia-se pelo prazer que ela sentia enquanto gotas de suor pingavam sobre os seios de Lívia. Seus olhos estavam fixos. A língua de Aline deslizava pelos lábios sensualmente. Os movimentos da língua praticamente hipnotizavam Lívia mantendo sua concentração no que estava fazendo. Sentia mais prazer a cada instante que entrava e saía da buceta encharcada.
- Vou gozar... Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Aline tombou o corpo sobre o de Lívia. Deitou a cabeça entre seus seios enquanto recobrava o fôlego. Começou a sorrir comentando:
- Fazer amor com você é uma delícia. Fico tão excitada, tão louca para te ter e me entregar.
- E goza que dá gosto de ver.
- É mesmo? Também amo te ver gozando. Sua entrega me excita que é uma loucura.
- Assim é que é bom. Fico surpreendida comigo porque estou conseguindo me soltar cada vez mais com você.
- Está mesmo. Não sabe o quanto isto me deixa feliz.
- Suas palavras e a forma como você toca meu corpo me deixam em brasas.
- Você também me deixa em brasas.
Aline confessou erguendo a cabeça para beijá-la. O beijo intenso que trocaram mexeu com ambas, mas Lívia esquivou-se afastando dela.
- Preciso tomar um banho. Tenho que ir trabalhar.
- Bom, só me resta esperar até à noite.
 Aline respondeu indo para o banheiro atrás dela. Lívia entrou debaixo do chuveiro começando a lavar os cabelos. Aline sentou no banquinho admirando seu o corpo enquanto se lavava.
Lívia voltou os olhos para ela dando um sorriso.
- O que você vai fazer hoje?
- Já que não tenho mais que ir para a Martan eu vou desenhar algumas joias que tem vindo à minha mente.
- Mas se não está mais ligada à Martan para quê vai desenhar?
- Porque eu amo desenhar e se voltar um dia para lá, terei os desenhos prontos.
- Entendi. Vai ficar só desenhando o dia todo?
- Na verdade não. À tarde vou ao cinema, faz anos que não vou ao cinema. Depois vou jogar tênis no clube. Tenho que ficar em forma para você.
- Você está mais do que em forma, Aline. Seu corpo está ótimo. Vai jogar tênis com quem?
- Se a minha amiga estiver por lá jogo com ela, se não estiver, jogo com quem estiver à disposição. 
- Amiga? Ela é lésbica?
- Ela não é lésbica. Teria problema se fosse?
- Você é bem adulta para saber o que faz.
- Acha que tenho olhos para outra mulher te amando como amo?
Lívia sorriu voltando a olhá-la. O coração disparou ao ouvir o que ela falou.
- Acho lindo a forma como você fala que me ama.
- Que ótimo! Isto deveria te deixar bem segura. Sou sua e de mais ninguém. Agora vou preparar um café para nós. Não vou deixar minha mulher sair com fome de casa. Te espero na cozinha.
- Está bem.
Lívia respondeu sorrindo enquanto Aline deslizava a língua nos lábios para provocá-la deixando o banheiro.
Terminou o banho voltando para o quarto. Olhou a cama desfeita sentindo uma sensação deliciosa. Acordar fazendo amor com Aline divino.
Vestiu-se sem pressa. Penteou os cabelos pegando a bolsa, seguindo para a cozinha sentindo o estômago roncando de fome.
Entrou na cozinha admirando a mesa de café posta.
Aline olhou-a de cima a baixo elogiando.
- Está linda. Devia trazer umas roupas suas para cá.
- Para quê se passo na minha casa antes de vir para cá?
- Tem razão, ainda assim seria bom ter roupas aqui. Vou comprar algumas roupas para você. Conheço muito bem o seu número.
- Não precisa, mas se quer comprar, você é que sabe. 
Lívia respondeu puxando uma cadeira sentando. Aline aproximou servindo café para ela. Serviu também na sua xícara. Pegou as panquecas sentando.
- Agora coma, meu amor.
- Obrigada.
Lívia respondeu passando a comer. Enquanto o fazia percebia os olhares carinhosos que Aline lhe dava. A forma como a tratava era incrível. Naquele momento, poderia duvidar de tudo, menos do quanto Aline parecia amá-la. Lembrou que no fim da tarde teria sessão com o psicólogo. Queria falar sobre o que estava sentindo, só não fazia ideia como falar sobre aqueles sentimentos para o psicólogo.
- Uma mulher bem alimentada e satisfeita tem mais chances de ter um dia feliz.
 Aline comentou percebendo que Lívia tinha ficado com os pensamentos distantes.
Lívia sorriu concordando com um movimento de cabeça.
- Está preocupada com alguma coisa, Lívia?
- Não. Por quê?
- Você ficou distante de repente.
- Não foi nada. Você me surpreende, é isto.
- Dá para perceber pela forma como você me olha parecendo surpresa. Que eu saiba não faço nada demais.
- Não faz? Pode apostar que você me deixa realmente satisfeita em todos os sentidos. Que mulher não gosta de ser agradada, mimada e amada?
- Até eu gostaria.
Aline respondeu dando um sorriso lindo.
Lívia se lembrou da canção, “Fascinação.” “Teu sorriso prende, inebria e entontece...”
- Se brigarmos menos vale a pena.
- Nós não brigamos, apenas discordamos, Aline. Confesso que voltar às boas na cama com você é maravilhoso. Depois que percebi isto, ficou tudo mais gostoso.
- Então deve ser por isto que você discorda tanto de mim.
- Hahahahahaha, claro que não! Suas panquecas estão deliciosas. Sabe que eu pensava que você vivia cercada de serviçais? Acho engraçado que nem tudo o que imaginamos é real.
- Realmente na minha casa tenho alguns. Aqui não faço questão, mas tem uma faxineira que vem duas vezes por semana. Ontem mesmo, ela veio.
- Isto é bom. Adoro a macieza das suas mãos e prefiro que elas permaneçam assim. Desculpe, mas agora tenho que ir.
- Eu sei.
- Vou só escovar os dentes. Com licença!
Aline ficou olhando-a seguir para o quarto. Estava feliz. Lívia parecia mais relaxada. Vinha mudando pouco a pouco. Era uma mudança gradativa, entretanto, parecia aceitá-la mais a cada dia.
Lívia retornou pegando a bolsa. 
- Você me acompanha até à porta?
- Claro.
Aline foi até à porta.
Lívia estacou olhando-a nos olhos.
- Obrigada pela noite e manhã maravilhosa. Você tem sido um amor.
- Adoro ser um amor para você.
Aline respondeu beijando-a longamente. Depois a soltou deslizando a mão pelas nádegas dela ousadamente.
Lívia afastou-se sentindo o corpo reagir.
- Tenha um ótimo dia atrevidinha.
- Com você sou tudo. Passarei o dia pensando em você, meu amor.
- Você ainda consegue me desconcertar.
- Ainda bem. Até à noite!
- Até à noite!
Lívia respondeu saindo, sorridente. Aline fechou a porta dando um pulo de alegria. Os olhos de Lívia brilhavam tanto que fizeram seu coração saltar de felicidade.

         Eram três da tarde quando Lívia ouviu uma batida na porta e Ubiratan entrou aproximando dela.
- Oi, mãe! Tudo bem?
- Oi, filho! Tudo bem e com você?
- Estou bem. Vim conversar com a senhora.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada. Nós mal temos falado. A senhora anda sempre correndo agora.
- Sim, é verdade. É que tenho andado ocupada.
- Namorando, já entendi.
- Namorando sim, tem toda a razão.
- Não vai me apresentar seu namorado?
- É isto? Está curioso?
- Não era para estar? Sempre conheci seus namorados.
- Não tive tantos namorados...
- Eu sei, conheci também os seus ficantes.
- Ubiratan, não se meta onde não foi chamado!
- Que estranho, a senhora pergunta tudo da minha vida e me responde assim?
- Sou sua mãe, pergunto por que me preocupo. Mãe tem que saber dos passos do filho, tem que se interessar. Filho não tem que se meter na vida da mãe. Se eu digo: Vou dormir fora, é um assunto meu. Sou independente, sou adulta e completamente livre. 
- Tudo bem, mas eu também me preocupo, mãe.
- Que bonito, ainda bem que se preocupa, mas não precisa, está tudo bem na minha vida.
- A senhora nem dorme mais em casa.
- Estou percebendo uma cobrança velada, Ubiratan?
- Não é cobrança, mas perguntei para vovó e ela mandou perguntar para a senhora.
- Ela fez muito bem. Quanto à pessoa que estou namorando qualquer dia você vai acabar conhecendo. Como tem corrido as coisas na faculdade?
- Está tudo bem. Sem novidades.
- Fico satisfeita. Amanhã vou jantar em casa e conversaremos melhor. Agora preciso fazer uma visitas aos restaurantes. Gosto de aparecer de surpresa, você sabe.
- Sim, eu sei. Então jantaremos amanhã. Tchau, mãe!
- Gostei de você tirar um tempo para vir me ver. Tchau, filho!
Respondeu beijando-o indo até à porta com ele. O filho saiu e Lívia fechou a porta balançando a cabeça com um sorriso no rosto. Pegou a bolsa seguindo para o primeiro restaurante.

Quando saiu do trabalho deu de cara com Aline esperando por ela do lado de fora.
- Oi, Aline.
- Oi, Lívia.
- O que faz por aqui?
Lívia perguntou enquanto Aline dava um abraço nela. Naquele momento sentiu o perfume que ela estava usando. Aquele perfume era o mesmo perfume que sentiu na mulher que encontrou na festa a fantasia.
Aline afastou-se sorridente, mas Lívia não conseguiu parar de imaginar porque ela estava usando aquele perfume. Seria incrível se Aline fosse a mulher daquela noite. Porque Aline era uma loucura, era um desejo desenfreado, era uma necessidade que não conseguia evitar. Seria sorte demais se ela fosse a mulher da festa a fantasia. Aline, no entanto, não era aquela mulher.  
- Passei para te convidar para tomar um drinque.
Lívia voltou à realidade ainda sentindo aquele perfume que tinha o poder de envolvê-la.
- Ah, tá, mas, desculpe, não posso. Este perfume que está usando...
- Não pode por quê?
- Tenho um compromisso.
- Compromisso? Agora? Você não me falou nada de ter um compromisso.
- Não falei, eu sei. Vou te ver mais tarde e não acho que tenho que te dar satisfações dos meus passos. Tenho?
Ficaram se olhando, na verdade estavam se medindo. Aline viu o desafio nos olhos de Lívia e teve certeza mais uma vez que ela fazia questão de mostrar que não estava presa a ela. Como se quisesse que entendesse que não tinham um relacionamento só porque transavam. Não passou por sua cabeça o quanto surpreendeu Lívia por usar aquele perfume que ficou gravado na memória dela.
- Não você não tem, Lívia. Eu só vim te fazer uma surpresa. Já que tem um compromisso não quero te atrapalhar. Posso saber? Por acaso vai se encontrar com um homem?
- Ah, Aline, por favor! Olha, vou ao médico, está bom assim?
- Médico? Está doente?
- Não estou doente. É só um médico, um... Médico... Estou fazendo um tratamento.
- Ginecologista?
- Aff! Quanta curiosidade! Psicólogo! Satisfeita agora?
- Oh! Isto é demais! Está fazendo análise?
- Estou.
- Por que não contou? Você não entende o quanto é importante para mim?
- Para você? Bom, sou eu que estou tentando resolver meus problemas.
- Sua homofobia.
- Por que tem que falar assim, Aline? Não é só a homofobia, é tudo. Minha vida mudou toda, você não percebeu, certo, isso é uma questão que eu tenho que administrar sozinha.
- Desculpe você tem toda razão.
- Acha que é fácil, que é simples, que é uma banalidade? Essa situação me aflige, sinto-me uma idiota, porque pelo que eu percebo todas as mulheres que se relacionam com outras mulheres não têem problemas nenhuns com isto. Elas não se questionam, apenas curtem. Curtir é fácil, mas e o meu lado psicológico? Isto não é como brincar de casinha de bonecas, Aline, quero entender porque me envolvi com você desta forma. Eu... Nunca imaginei que um dia sentiria tanto desejo por uma mulher. É muito pirante! Eu quero você! Quero demais! Quando sair da sessão vou passar em casa para tomar um banho. Sabe por quê? Quero estar cheirosa para fazer amor com você. Eu agora me pego querendo me aprontar para você, querendo ficar bonita para te agradar. Preciso conseguir falar sobre isto com o psicólogo. Tenho que ter coragem e não sei de onde tirar essa coragem, mas hoje vou tentar começar a falar. Porque enquanto isto não for algo tranquilo dentro de mim, a ponto de falar sem sentir medo ou vontade de correr para o meu carro, não vou me sentir bem comigo mesma.
- Eu entendo e é por isto que estou feliz por você estar indo fundo para entender o que te amargura.
- Imaginei que você ficaria feliz. Não faço a menor questão de ser mais uma lésbica neste mundo. Faço questão de me conhecer para entender meus sentimentos profundamente. Não pretendo passar a vida perguntando-me: O que eu sou? Sou bi? Sou lésbica? Serei eu unicamente uma mulher carente que se desvirtuou? Não me olhe com essa cara, de santa, não tenho nada! Sei muito bem o que eu gosto na cama e você tem tudo para me satisfazer. Tem conseguido me satisfazer plenamente. Você me dá o que eu quero.
- Eu te dou o que você quer, entendo. Orgasmos eu suponho.
- Exatamente. Existe algum problema nisto?
- Tenho amor por você. Sou sua, Lívia! Meu corpo, meu coração, meus pensamentos, meu querer e meus sonhos, são todos seus. Não sei mais como demonstrar estes sentimentos, você escapa quando começo a abrir meu coração, mas eu necessito, preciso demais que você se conheça para que eu também possa te conhecer. Quero morar em você, nos seus pensamentos, nas suas ânsias, sabe? Não quero te dar apenas orgasmos.
- Ah, meu Deus! Não fale assim aqui, eu... Preciso ir.
- Eu sei, vá! Vim porque estava submergida na saudade. Fui ao cinema e mal prestei atenção no filme, fiquei pensando em você. Queria olhar nos seus olhos, sentir seu cheiro, ouvir sua voz mesmo que aqui na rua sem poder tocá-la, porque eu sei que com os meus olhos consigo até mesmo te acariciar.
Lívia tocou o braço dela inclinando-se para beijá-la no rosto, para se despedir. Beijou lhe a face sussurrando baixo junto ao ouvido:
- Também estava repleta de saudades. Sabe muito bem que me enlouqueceu a noite passada e essa manhã. Não faz nem ideia de como estou deliciada. O que eu não falo, faço com você. Vemos-nos na sua casa.
- Tá, olha, tome a chave da casa.
Lívia olhou a chave que Aline colocava na palma de sua mão com um sorriso malicioso.
- Certo. Obrigada! Tchau!
- Tchau, Lívia!
- Ah... Aline?
- Sim?
- Esse perfume, você nunca o usou. É novo?
- Gostou?
- Sim, gostei, quero dizer, adorei! Fica maravilhoso na sua pele. É a primeira vez que você o usa?
- Por que essa curiosidade sobre um perfume? Por acaso ele te lembra de alguém?
Lívia sorriu para ela caminhando até ao carro sem responder. Acenou antes de entrar. Depois deu a partida seguindo para a sessão com o psicólogo. Enquanto dirigia pensava naquele perfume. O cheiro dele na pele de Aline ficou inebriante. Que coisa incrível. Seria realmente perfeito se Aline fosse a mulher daquela festa. Costumava pensar sobre aquilo quando recordava daquela noite. Naquele momento, Aline usando aquele perfume deixou-a completamente perturbada.
Continua... 

sábado, 30 de abril de 2016

"La Riera." - Tilda y Griselda. - 01.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Os caminhos de Ana Sofia. - Promenade Da Orla Marítima Lido.

A Portuguesa. - Capítulo 34.


Bruna deixou a casa de banho aproximando da cama. Ana Sofia deu um sorriso estendendo a mão para ela puxando-a para o seu lado. Estava deitada conversando com a tia Fátima no telemóvel.
- Adorei saber que compraste as passagens para viajarmos juntas para Lisboa. O tio está passando bem?
- Do jeito que tu sabes.
- Pronto, pois eu sei. Amanhã no final da tarde chegarei com a Catarina. Temos que fazer as malas porque partimos cedo na sexta-feira.
- Exatamente. Já estou com as malas prontas.
- A minha mãe está boa? Ainda reclama por não estarmos aí?
- Andou reclamando, mas depois cansou-se. Também não faço caso do que ela diz.
- Faz muito bem.
- Sofia? Já que vens amanhã, poderias ir comigo à missa das dezoito horas? Depois voltávamos para casa juntas.
- Claro que vou. Levo a Bruna para assistir à missa conosco. Então até amanhã. Continuações de uma excelente noite. Beijinhos.
- Boa noite, Sofia! Beijinhos.
Sofia sorriu soltando o celular.
- As passagens dos meus tios estão compradas e as malas prontas. Iremos à missa juntas, amanhã.
- Que ótimo. Imagino que a sua tia deve estar ansiosa para começar logo o tratamento do seu tio.
- Sem sombra de dúvidas.
Ana Sofia respondeu beijando a boca dela. Depois deitou abraçando-a. Acariciou lhe o rosto perguntando toda meiga.
- Então, meu amor, gostaste do nosso dia?
- Amei tudo que fizemos. Vou sentir muita saudade da Madeira. O show da Marisa foi lindo, emocionante demais e o por do sol no Pico Ruivo, nunca vou esquecer aquela beleza. Tenho absoluta certeza que se viesse sozinha para o Funchal não conheceria tudo o que você me proporcionou.
- Ah, mas foi um prazer passear contigo, Bruna. Amei imenso. Eu não vou esquecer tudo o que vivemos cá. O passeio de hoje na Promedade do Lido foi fascinante. É um conjunto ideal, a beleza do Funchal e tu desfrutando de tudo isso ao meu lado. Nunca pensei que um dia seria tão feliz e ainda para mais, que amaria profundamente uma mulher como eu te amo.
- Também eu nunca imaginei algo assim.
- Estava comentando justamente sobre isso com Tereza, há pouco no Whatsap, enquanto tomavas banho. Porque o teu banho é assim, demoradinho, então tive tempo para colocar a conversa em dia com ela.
- Que bom saber. Como a Tereza está?
- Pronto, senti-a em grande. Foi jantar com a Graça e pelo que me contou a presença dela tem lhe feito bem. Disse que a Graça sabe estar sem forçar, sem lhe pedir, sem lhe causar desconforto. Sente paz quando ela está por perto. Isto é mesmo bom, não achas?
- Sim, eu falei com a Graça ontem e ela contou-me que tem ido ver a Tereza todos os dias. Que tem feito de tudo para não beijá-la. Só acho que toda essa paz é meio angelical. Graça tem que avançar o sinal.
- Ah, pois, a Graça não é como tu. Porque tu foste logo me dando um beijo. Hahahahahaha...
- Graça consegue se controlar. Mas o que importa é que a Tereza está apreciando a presença dela.
- Pois é. Hum! Que chatice!
Ana Sofia falou fazendo um beicinho.
- O que foi, Ana Sofia?
- Lembrei-me que na segunda-feira terei de ir à Policia Judiciária com a Tereza e com a Berenice, sobre aquela questão do marido ter lhe batido, lembraste?
- Claro que sim.
- Essas cenas não me agradam nada, mas ofereci-me porque apoio a Tereza em tudo. Isso agora vai ser bom para encerrar o assunto.
- Você é amiga da Berenice também?
- É assim, eu até encontrava muito a Berenice quando era mais nova e vivia cá no Funchal. Depois fui ao casamento dela, mas não voltei a encontrá-la tão frequentemente mesmo morando em Lisboa, mas o Joaquim eu encontrava porque ele e a Tereza eram amigos, assim, tomávamos uns copos juntos. 
- Eram e pelo jeito não são mais.
- Claro que não, imagina afinal o Joaquim bateu na Berenice. Sabes que não percebo essa situação. O Joaquim é um homem tão carinhoso, calmo, tão bom. É um homem bem formado e de palavras gentis. Desde o primeiro momento em que a Tereza me contou fiquei como ela, amotinada. Ainda assim, depois ao pensar na cena não achava possível, estás a perceber? Por mais que eu tente imaginá-lo batendo, não consigo.
- Sim, da forma como você fala sobre ele imagino que seja mesmo difícil.
- Então, mas isso não saiu da minha cabeça desde o dia que a tia contou-me que a Berenice traiu o Joaquim. É até por isso que necessito conversar com a Tereza olhos nos olhos. Tenho as minhas desconfianças de que ela não sabe deste facto.
- Será que não sabe?
- Ora Bruna, pois nem eu sabia. Quase caí dura quando ouvi a história. 
- Se eu estivesse no seu lugar já teria comentado com a Tereza.
- Pelo telemóvel? Não acho que seria bem apanhado. É um assunto estarrecedor.
Dados da autora: Levei quase vinte minutos para encontrar a palavra mais adequada. Estarrecedor calhou melhor.
- Lógico, uma traição sempre é terrível. O que não entendo é porque você ficou tão espantada quando soube que a Berenice traiu. Algumas mulheres traem os maridos.
- Não nego o facto. Pensava que os homens traíam mais, pronto já está tudo tão mudado que não se pode ter a certeza de nada. Acontece que a Tereza sempre comentava que a Berenice era uma excelente esposa. Então chego ao Funchal e descubro que a Berenice, a excelente esposa traiu o marido? Olha, isso é muito para entender assim. Por que raios a excelente esposa traiu? O Joaquim era um maridão, pá. Isso enche de macaquinhos a minha cabeça.
- Olhando por este lado.
- Uma excelente esposa que tinha à mesma um excelente marido, os dois eram excelentes. Pronto, isso fez-me questionar, quem é assim tão excelente? 
- Você, Ana Sofia. Você é excelente.
- Ah, que bem. Tu és linda e gentil, Bruna. Não sou nada excelente. Logo vais começar a ver os meus defeitos e vai ser um Deus nos acuda. Por amor de Deus, não fiques com ideias que sou excelente que isso não é bem assim.
- Acha que alguma coisa vai fazer com que eu te ame e adore menos? Você é todo o sentido da minha vida. Precisa entender logo isto.
- Ah meu amor, eu entendo sim. Como não? É isso que me deixa cada dia mais feliz. Nunca pensei que ser amada me deixaria assim abobalhada... Realmente contigo sinto-me plena. Sinto-me mulher. Cada dia eu sinto-me mais tua, Bruna.
- Sabe, vou confessar uma coisa.
- Ah vais?
- Sim. Quando estava tentando me aproximar de você, aquele dia quando voltamos do passeio, paramos diante da sua casa, recorda?
- Recordo bem.
- Pois é, você me disse que portuguesa não trepa, portuguesa fode, nossa...
- Hahahahahahaha...
- Você está rindo porque não faz a mínima ideia como ouvir aquilo mexeu comigo.
- Estás a falar sério?
Ana Sofia questionou olhando-a intensamente. Seus olhos brilhavam enquanto em seu rosto aparecia uma total satisfação por estar ouvindo aquela revelação.
- Claro que estou. Fiquei completamente louca. Você falou para me chocar e afastar da sua vida, mas o efeito foi o contrário.
- Não fazia ideia que te tinha excitado tanto quando disse aquilo, mas percebi a tua cara de surpresa. Até passou-me pela cabeça que tu tinhas me achado desbocada, até indecente. Depois quando me lembrei disso, disse a mim mesma: se ela achou que eu era indecente, não há nada a fazer, é assim que eu sou.
- Não achei nada disto. Achei sexy, não sei explicar, desde o início você me atraiu demais. Queria ir o tempo todo atrás de você. O que era até ridículo já que você estava furiosa por eu estar demitindo algumas das suas colegas de trabalho.
- Pois é, andei de facto irritada, mas depois que me deste aquele beijo fui fisgada. Tu és envolvente, Bruna. Não consegui resistir-te. Contudo, quando disse que portuguesa fode, estava falando exclusivamente da minha pessoa.
- O que me interessa é exatamente você. Por isto que fiquei tão excitada quando te ouvi falando. Dá um beijo amor. Dá que passei o dia louca para ficar sozinha contigo.
As bocas encontraram-se em um beijo louco de paixão. Paixão e amor porque sinto que todos os sentimentos que emanam delas são tão intensos que mal posso descrevê-los, pois são sentimentos amorosos e esses se desviam das descrições. Quisera eu passar todo o amor que as duas sentem em palavras mais que poéticas. Seria tão bom. Entretanto, não se faz necessário. Melhor faço deixando-as viver este momento ternurento, mágico, lindo, especial.
As mãos de ambas percorriam seus corpos enquanto se beijavam entesoadas.
- Amo-te. Amo tanto amor, tanto que até me dói amar-te assim.
- Eu te amo, Ana Sofia e adoro sentir o quanto você me ama. Vem que te quero, preciso de você.
- Também quero amar-te. Oh, Bruna, minha mulher mais querida!
Dados da autora: O amor é mesmo dramático, ai, ai, ai. 
Ana Sofia abriu o robe que estava usando exibindo o corpo. Bruna passou a língua nos lábios excitada. Desamarrou o robe que usava expondo o corpo rapidamente. Ana Sofia deitou sobre ela roçando a boca em sua orelha.
- Adorei saber que te excitou ouvir que portuguesa fode.
- Sim...
- É o que eu vivo doida para fazer contigo, fico louquinha para te foder bem gostoso.
- Pode-me foder, eu amo quando você me fode.
- Amas quando te amo à mesma, eu sei, vem cá, deita direitinho, quero o meu corpo todo colado ao teu. Sente como minha buceta arde pela tua. Quero foder-te, Bruna.
Enquanto roçava suas bucetas, Ana Sofia beijava a boca de Bruna. Os beijos carregados de sensualidade faziam estremecer seus corpos que já ardiam dominados pelo desejo. Aquela energia emocional e sexual as possuía quando seus corpos uniam-se na cama. Ana Sofia queria Bruna mais que tudo. Queria-a com tamanha intensidade que fantasiava que fazia amor com ela até em outros momentos. Algumas vezes, enquanto almoçavam ou jantavam ficava a olhar para ela pensando que a estava amando. Não contava para Bruna sobre aquelas fantasias deliciosas que tinha e adorava ter. 
Ana Sofia interrompeu o beijo se afastando. Puxou o corpo de Bruna virando-a de costas.
- Quero foder-te, Bruna.
- Ai fode porque depois vou querer você. Vem...
A boca deslizou pela nuca, descendo pelas costas, beijando, lambendo, mordiscando a carne de Bruna.
- Ah... Aiiiii... Sua boca me excita completamente... Oh...
- Arrebita a tua bunda, vem. Oferece-te a mim. Mostra o quanto queres ser minha, amor.
- Mostro.
Bruna respondeu ficando de quatro enquanto Ana Sofia lambia lhe o reguinho inteiro. A língua descia e subia provocando o buraquinho do ânus. Tal era seu desejo que forçou o corpo dela para frente. Pegou rapidamente o frasco com o óleo colocando nos dedos. Em seguida dois dedos entraram no ânus de Bruna, arrancando um gemido rouco de seus lábios.
- Oooooooooooo...
- Isso, geme mulher. Geme. Amo foder-te. Rebola, faz, mexe o teu corpo. Mostra o quanto és minha.
Bruna rebolava como ela pedia. Quanto mais o fazia mais os dedos entravam e saíam. Mais prazer dava para Ana Sofia que entrando e saindo do seu ânus, parou de repente virando o corpo de Bruna na cama. Mergulhou na hora a boca na buceta que escorria, banhada pela excitação. A língua deslizou faminta acariciando a pele trêmula.
- Oh... Aaaa... Uuuuu...
Gemendo a cada segundo mais entregue, mais relaxada, Bruna gozou na boca de Ana Sofia.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Ana Sofia beijou a buceta lambendo o gozo antes de subir para o lado dela. Deitou beijando lhe a boca excitada. Estava queimando de desejo. Bruna desvencilhou descendo para o meio das pernas dela. Beijou as coxas abrindo-as enquanto deitava entre elas. Ana Sofia rebolou contra a língua assim que a mesma deslizou dentro de sua buceta. Era safada na intimidade e aquele jeito de ser, solta, sem vergonhas e sensualíssima deixava Bruna mais louca quando faziam amor. Não era só sensual, tornava-se ardente, delirante, completamente fogosa nos seus braços. Bruna derretia-se de prazer e amor por ela. Quando a chupava como naquele momento, mais a desejava e mais sentia que a amava. Amava-a profundamente e aquele amor era tão novo, elas ainda estavam se descobrindo. Sempre que faziam amor percebiam algo novo. Novas sensações e vontades. Viviam novas entregas e emoções que as aproximava mais. Então o amor delas tinha de facto um apelo sexual que as cegava e nenhuma das duas se preocupava. Pelo contrário, se desejavam e adoravam as coisas que falavam e faziam enquanto se amavam.
Sentindo o orgasmo próximo, Ana Sofia segurou a cabeça de Bruna enquanto movia a buceta contra a língua explodindo de prazer.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Bruna se deliciou bebendo todo o prazer. Subiu depois deitando sobre o corpo de Ana Sofia. Passaram a beijar na boca apaixonadamente. Ana Sofia acariciou lhe os cabelos olhando-a nos olhos.
- Gostaste?
- Sempre gosto de fazer amor com você, Ana Sofia.
- Ana Sofia. Diz-me Bruna, por que me trata sempre pelos meus dois nomes?
- O quê? Por que está perguntando? Não gosta de ser chamada de Ana Sofia?
Bruna questionou deitando ao lado dela.
- É assim, não é que eu não goste. Só acho meio formal chamares-me de Ana Sofia. Não acho que soe íntimo, percebes?
- Não soa íntimo?
- Não.
- Bem, eu posso te chamar de Ana ou talvez Sofia. Gosto de ouvir as tuas tias te chamando de Sofia. Sofia é um nome forte.
- Gostas?
- Sim. Vou falar Sofia então. Mas me diga, porque me chama de mulher quando estamos fazendo amor?
- Hahahahaha, tu tens muita piada, Bruna. Acho mulher íntimo. Excita-me, é isso.
- Entendo, mas mulher pensa bem, mulher pode ser qualquer mulher.
- Não mesmo. Claro que não é qualquer mulher. Tu és a mulher que eu amo e desejo, só tu, pá. Não penses asneiras. Dá cá um beijo com o gosto do teu prazer.
Ana Sofia pediu puxando-a para seus braços. Beijaram-se profundamente.
Neste momento ouviram uma batida na porta e a voz de Catarina chamando:
- Ana Sofia? Posso ficar um pouco com vocês?
Ana Sofia desvencilhou de Bruna saltando da cama.
- Que hora ruim Catarina escolheu para vir aqui. Veste-te, faz favor, amor.
- Tudo bem.
Bruna respondeu pegando o robe no meio da cama vestindo. Ana Sofia também vestiu seu robe ajeitando os cabelos. Assim foi até à porta abrindo-a.
- Oi, estou atrapalhando?
- Não, nós estávamos nos curtindo.
- Fazendo sexo? Iupi! Pronto, queres que eu dê meia volta?
- Tu já entraste, Catarina.
Ana Sofia respondeu fechando a porta. Foi para a cama deitando. Catarina sorriu para Bruna e sem que as duas esperassem jogou-se no meio das duas. Ana Sofia olhou para a irmã admirada. Catarina estava com uma expressão entediada.
- Estou me sentido profundamente só. Gostava de ficar com alguém. Estou carente, muito carente. Nunca pensei que sentiria estes anseios mesmo grávida. As minhas amigas que já tiveram filhos não comentaram nada disso.
- Ah.
- Então, Ana Sofia?
- O quê?
Ana Sofia questionou sem saber o que falar.
- O que achas? Achas que tem problema eu fazer sexo com algum homem?
- Com algum homem? Isso parece solução, Catarina? Fizeste sexo com um homem que não valia grande coisa e olha o resultado. Pronto, desculpe, não devia ter falado desta maneira.
Respondeu Ana Sofia ainda admirada.
- Então, pá! Se estou carente como é que eu vou tratar dessa carência?
- Com sexo é que não vais, pá! Penso que tu deverias ter um namorado.
- Namorado? Qual é o homem que vai querer namorar com uma grávida?
- Hã? Pois, então os homens não ligam de fazer sexo com uma mulher grávida, mas para namorar não serve. Muito feio isso, né, Catarina? Pensa para tu veres.
- Pronto! Esse é o meu dilema. O que vou fazer?
- Sexo não é a solução para resolver carência. Sexo é quando tu, ah, é quando...
- Quando o quê?
- Catarina tu nunca te apaixonaste, isso é assim meio tramado. Tu tens um coração, então?
- Tenho, mas pronto, que culpa que tenho? Não calhou.
- Ufa! Não calhou, mas fica difícil sem sentimento. Tens que pensar sério nesse facto porque continuar fazendo sexo assim não é giro. Não achas Bruna?
- Eu... Bom, sexo sem sentimento é muito ruim. Não fica nada. Eu nunca gostei.
- Nunca? Tu já fizeste sexo sem sentimento?
Catarina estava olhando para Bruna esperando por uma resposta. Ela sorriu sem graça olhando para Ana Sofia.
- Podes responder, Bruna. Eu não estou aqui para condenar o teu passado.
- Certo, eu já transei sem sentimento, sim.
- Estás vendo, Ana Sofia?
- Estou, mas eu não entendo. Como é fazer sexo sem sentimento? É só um ato mecânico, pá. Não é melhor se masturbar?
- Olha, Sofia...
- Não Bruna, pensa comigo, eu só estou analisando, percebes?
- Eu percebo sim. Você está certa só que aconteceu.
- Já está. Agora tu, Catarina, faz favor, és uma mulher. Deixa disso de ficar querendo sexo porque estás carente. Vais ficar fazendo com um e com outro? Agora tens que pensar no teu bebê. Tens que cuidar da tua saúde para que o teu bebê nasça saudável. Qual é o problema com a masturbação para que não a ponhas em prática?
- É que não me apetece. Eu gosto do toque de outra pessoa.
- Do toque. Sei perfeitamente de que toque está a falar.
- Tu não gostas do... Da parte do corpo da Bruna que te dá prazer? Estou falando do órgão genital...
- Não te estendas que já percebi. Eu gosto sim de tudo na Bruna e é diferente porque eu a amo. Somos namoradas.
- Pronto, só ia explicar que eu gosto de ser penetrada, tu sabes.
- Sei sim, mas olha, vamos voltar para Lisboa e tem lá variadíssimos homens. É que tu parece que só olhas para os homens folgados, os que só querem uma mulher para uma coisa. Isso não dá futuro. Se mudares o teu ponto de vista, vais conhecer um homem que vai querer mais do que sexo contigo.
- Isso é que eu quero ver. Porque viver nessa seca é alarmante.
- Alarmante é eu querer fazer amor com a minha namorada e tu ficares aqui na nossa cama. Não vais morrer. Ninguém morre por ficar sem fazer sexo por algum tempo. Agora vai para o teu quarto. Deita-te de olhos fechados pensando num homem que te aqueça. Imagina que ele está contigo, faz umas fantasias na tua mente e tumba, já está.
Ana Sofia aconselhou beijando o rosto dela.
- Sei lá se vai dar certo. Não posso dormir aqui?
- Catarina! Faz favor. Isso não tem cabimento. A Bruna e eu precisamos ficar sozinhas. Se eu te deixar dormir aqui a Bruna vai pensar em que bela trapalhada se meteu namorando comigo.
- Pronto, desculpa.
- Não precisas pedir desculpas. Vai e boa noite. Pensa em coisas boas, hã? Essa tua seca logo vai acabar. Quando tiveres um namorado isso resolve-se.
- Assim espero. Boa noite Bruna. Boa noite, Ana Sofia.
- Boa noite, Catarina!
Bruna respondeu sorrindo da carinha que Catarina fez enquanto deixava o quarto. Ana Sofia trancou a porta voltando para a cama.
- Pode uma cena destas? Pronto, a Catarina está mesmo carente.
- Isso vai passar. Ela é muito nova e aprecia o sexo.
- Claro que aprecia. Também eu, pá, mas ela dormir aqui, isso é que não. Quero te amar mais.
- Eu também. Vem cá amor...

         Quando terminaram de encher as malas, Leonor sentou em cima de uma cama observando enquanto Aima pegava joias, cremes, maquilhagens, perfumes, tudo que pertencia a Aurélia jogando dentro de uma sacola.
- Como nós mulheres compramos coisinhas, não achas, Aima? Não sei para quê precisamos de tanto. Eu tenho cremes e perfumes que nem cheguei a usar, mas basta entrar numa loja que disparo a comprar como se precisasse de mais. Isso só pode ser algo que fazemos para alimentar alguma necessidade que temos. Talvez falta de sexo. Achas que pode ser por falta de sexo?
- Desprazer, privação, insatisfação, futilidade, lógico, eu em certos momentos já me senti fútil enquanto comprava coisas que desconfiei que nem iria usar. Óbvio que não usei. 
- Oh! Verdade! Futilidade é uma ótima definição. Quando compro batons aos molhos, aí eu quero morrer! Isso quando só abro um batom novo quando o que estou a usar acaba. Vou te mostrar a gaveta onde guardo montes deles. Nunca usei nenhum, isto é uma coisa meio neurótica. 
- Não amiga, é coisa de mulher. Temos certas doidices, é como nós somos. Vê quantos brincos, anéis, colares e pulseiras têm aqui? A maioria ela nem chegou a usar. Por isso arranjou uma amante. Comprava por insatisfação.
- Mulher insatisfeita tem de encarar a mulher de frente e dizer: Estou a sentir-me insatisfeita. De quem é a culpa? Minha? Tua? O que está se passando connosco?
- Será que alguma mulher chega a fazer essa cena?
- Eu fiz. Cheguei tarde, é assim, a vaca já tinha ido para o brejo. O bom é que ando a sentir-me a mulher mais livre do mundo. Canto e converso com os meus CDs, DVDs, televisão, tudo o que emite som agrada-me. Não tem nada melhor.
- Tem pois, tu necessitas encontrar uma mulher madura, que não seja como essas mulheres que ficam nos chats na busca de qualquer coisa que lhes molhe a buceta. 
- Hahahahahaha, teve muita piada o que falaste, Aima. Nem me lembres dessas cenas. É mesmo horrível namorar uma mulher que fica o tempo todo falando com outras pessoas no telemóvel.
 - Aquela tua última namorada não largava o telemóvel. Nem sei como conseguiste ter sexo com ela.
- Não sabes? Eu ameaçava ligar para o disk sexo. Nem sempre, só quando apetecia-me hahahahahaha.
- Hahahahahaha. Estás a falar sério?
- Estou. Dava certinho. Largava logo o telemóvel correndo para a cama. Eu não faço má figura, Aima. Sei como conseguir o que desejo.
- Percebi que sabes. Teve muita piada ameaçar ligar para o disk sexo. Terminei de apanhar as bugigangas. Vamos levar tudo para a área de serviço da cozinha. Ela está na outra porta, não vai ver quando colocarmos no corredor.
- Como tiveste essa ideia?
- Passou pela minha mente desde o primeiro momento que soube que fui traída, atirar as roupas pela janela. Os filmes estão repletos dessas cenas. Acho muito bem feito, mas eu gosto de agir com classe. 
- Tiveste uma cabeça fria do caraças. Isto é que é arrancar o mal pela raiz.
- Tu não me aconselhaste a agir com frieza? Nem precisavas porque a Aurélia não merece nada de bom que venha de mim. Eu não seria cordata com ela. Já o fui, mas isso acabou. Pega as chaves dela que estão na outra porta, faz favor.
- Claro.
Leonor buscou o chaveiro. Aima retirou dele as chaves das portas do apartamento e da porta de entrada do prédio. Abriu a porta olhando Leonor colocar as malas no corredor. Deixou o chaveiro sobre uma das malas trancando a porta na hora.
Foram para a sala onde ouviram as batidas na porta e os gritos de Aurélia. Ali, Aima fitou Leonor, pedindo:
- Podes ter o prazer de informar onde estão as malas? Não converses, senão ela não vai embora.
- Deixa comigo.
Leonor aproximou da porta chamando:
- Aurélia?
- Oi! Que brincadeira é essa? Tu só podes ser doida! Abre essa porta ou vou chamar a polícia!
- Policia para quê? Alguém te agrediu? Estás magoada? Necessitas de atendimento de emergência?
- Deixa de ser parva! Abre essa porta, sua cabra fdp... Tu nunca gostaste de mim. Chama a Aima que não é contigo que eu quero falar! Vá, chama a Aima! Aima? Aima?
- É com pesar que sou a porta voz de uma notícia para a doutora. Foste convidada a mudar-te deste apartamento. As tuas malas estão na porta de serviço. Lembranças da Aima para a tua amiga médica. Adeusinho!
- Nãoooooooooo! Aima? Aima? Aima, por amor de Deus não faças isso. Vamos conversar... Aima?
Aima fitou Leonor convidando.
- Anda cá. Vamos tomar uma garrafa de vinho e ouvir música lá dentro. Pelo menos até este escândalo findar.
- Isso é que era bom. Podes ir caminhando que eu pego o vinho. Tens que comemorar.
- Pois tenho.
Aima concordou deixando a sala. Entrou no quarto que usava para trabalhar. Abriu as cortinas e a janela sentindo o vento na cara. Estava uma noite agradável, nem friorenta nem calorenta, o tempo estava ameno e soube bem estar ali só, deixando o vento bater-lhe na cara. Aquele momento era o ponto alto desde que percebeu que tinha sido traída. Certo que relevou várias coisas naquela relação, mas traição só poderia ter uma resposta, ponto final.
Seus olhos ergueram-se para o céu estrelado. Admirou aquele céu de estrelas, como o que tinha visto na Madeira, antes de ver Maria afastando-se da janela do hotel para não ser vista.
Maria, Maria, como queria voltar a vê-la com urgência. 
Aima pensava ainda quando Leonor entrou com as taças e a garrafa.
- Desculpa. Não sabia aonde tu tinhas metido o saca-rolha.
- Não tem problema. 
- A Aurélia continua lá a gritar e a bater na porta feito uma destrambelhada. Chamou-me de cabra. Agora sou eu a culpada da sua desgraça. Quando estava testando o Kama Sutra com a médica nos congressos não pensou que um dia seria descoberta. Pois, agora que aceite! 
Aima contemplou o rosto da amiga por um segundo falando:
- Testando o Kama Sutra? Tem sentido. O bom é que agora vai poder testá-lo todo sem interrupções. Eu é que não nasci para empatar foda de ninguém.
- Tumba! Tu és cá das minhas, Aima! Só que, parece que ela está gritando mais alto a cada segundo.
- Deixa que eu não dou mais ouvidos. Isso passou.
Aima respondeu sem se afastar da janela. A vista era tão linda dali. Estava lembrar-se dos beijos que deu em Maria no passado. Aquela lembrança estava mais viva do que nunca.
- Eu beijei a Maria no aniversário de quinze anos da Ana Sofia.
- Beijaste? Como foi?
- Então, foi maravilhoso, eu a senti tão vibrante nos meus braços. Correspondeu aos beijos com tanto ardor. Dei-me conta que nunca mais tive uma mulher nos braços que demonstrasse tanto amor, paixão e aquele desejo alucinado. Eu não sei como pude deixar essas sensações sufocadas até hoje.
- Aima, tu sabes que o amor primeiro se sente depois se vive. Um amor maduro é assim. Quem corre muito ultrapassa o amor e dele se perde.
Aima voltou-se vendo a taça de vinho sobre a mesa. Pegou-a sorrindo para Leonor brindando com ela.
- Sim, este amor se perdeu, mas não morreu. Saúde!
- Saúde, minha amiga! Tu és uma mulher livre novamente.
- Pois estou livre, porém o meu coração se sente ligado a Maria. Como pode ser isto? Parece feitiço do tempo. Antes de reencontrá-la nem me lembrava da sua pessoa. Mas ela estava em mim, sempre esteve em mim. Talvez tenha sido por isso que nunca me senti só. Mesmo quando passava alguns finais de semana sozinha, porque essa que partiu sempre viajava, eu ficava por cá e sentia-me sempre bem. Não sentia a solidão que tu sentes, por exemplo.
- Percebo, mas olha, essa solidão que sinto não é inimiga, é uma companheira. Pensava que estar namorando era o mais importante, não é mais. Por isso que esse isolamento social sabe-me bem. Não daria nada de jeito se fosse para todo o lado. Porque quê eu faria isso se meu coração não sente necessidade de outro coração? Não faço questão de namorar, o que eu desejo é encontrar alguém que tenha o coração livre e sinta a mesma necessidade que eu, amar. Cansei de amar sozinha. Pronto, quando encontramos um coração que também necessita do nosso já namoramos sem ao menos perceber. É isso que eu preciso viver.
- É o que eu também quero, amiga. O destino levou-me a cruzar com a Maria. Eu não vou perder essa oportunidade de novo. Não pude me envolver com ela no passado, mas agora nada irá me deter.
- Então vocês não fizeram amor?
- Não, eu só conheci os lábios mais doces e suaves quando a beijei. Eu a queria, mas devida à pouca idade não pude tê-la. Então eu fugia. Sempre fugia e quanto mais fugia mais perturbada vivia. Na noite em que a beijei, amei aqueles beijos. Eu quis mais do que beijos, quis fazer amor, quis a ponto de esquecer-me de tudo. Só que ela foi linda e racional detendo-me. Mesmo agora, quando penso naqueles beijos fico assustada com a força do desejo que estou a sentir. Os lábios da Maria tinham um fogo que nunca mais senti em outros lábios. Não percebo como este desejo pôde ficar escondido dentro de mim sem que eu o notasse.
- Então, os sentimentos! Se os entendêssemos não existiriam psicólogos.
- Sim é verdade, se eu tivesse feito análise teria me dado conta destes desejos reprimidos há mais tempo. Entretanto, não saberia do seu paradeiro e seria mil vezes pior. Acho que foi melhor os sentimentos aflorarem ao reencontrá-la.
- Bebamos a isso. Ficas logo com outra cara quando falas da Maria. Os teus olhos estão tão brilhantes. Olha que faz tempo que não te vejo tão cheia de vida.
- Tens razão. Vou colocar uma música.
- O que estavas pensando quando estavas na janela?
- Estava pensando na Maria.
- É incrível como tu não te abalaste ao mandar aquela mulher embora.
- Pois, fiz o que tinha que fazer. Que tal? Gostas desta música?
- Amo. Senta cá. Vamos curtir este teu momento alto. 
Aima sentou continuando a conversar com Leonor. Sentia-se leve. Sentia-se realmente bem. Ficaram a beber o vinho conversando até de madrugada. Depois Leonor foi dormir num dos quartos e Aima deitou em sua cama dando um sorriso de alívio. Os gritos e insultos do lado de fora do apartamento tinham parado. Tudo estava silencioso novamente. Aquilo sim era paz.
Continua...