quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Feliz Natal Leitoras!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Obsessão Silenciosa - Leiam, por favor.


Gostaria de informar às leitoras de boas intenções que costumam curtir as postagens neste blog, que as curtidas de vocês a baixo das postagens estão desaparecendo com o tempo, mas não é por milagre. Existem pessoas, ou uma pessoa, que passa horas aqui tirando essas reações.
Reações: (  ) Adorei  (  ) Gostei (  ) Bacana (  ) Sensível    
Não preciso entender porque faz isto. Dá para perceber que tira as reações das postagens para que todas pensem que ninguém leu ou gostou já que não estão curtidas.
Faz isto por inveja? Por despeito? Por ruindade? Por falta do que fazer? Para me prejudicar? Para me incomodar? Para chamar minha atenção? Para brincar de engraçadinha?
Acredito que faz por inúmeras razões de má fé. Certamente não têm uma vida para viver. Não deve ter um amor, porque se tivesse um amor não ficaria tantas horas aqui, indo de postagem em postagem até zerar todas as reações.
Acompanho essa movimentação esquisita aqui, principalmente de madrugada nas postagens mais antigas, porque as reações delas foram as primeiras a sumirem. Sempre percebi e fico pensando exatamente o quanto deve ser triste não ser amada. Deve fazer uma falta danada não ter quem abraçar, não ter alguém para cuidar, não ter para quem dar um pouco de amor. Ter uma vida e ter alguém é imprescindível na vida de todo mundo. É muita carência, muita solidão, muita revolta, muita necessidade de perseguir que não faço nem noção das razões e nem dizem respeito a mim. Só estão conseguindo atingir as postagens, não eu!
Isto virou uma obsessão que desencadeou essa perseguição desenfreada.
“Obsessão: Perseguir alguém de forma insistente. Consiste em uma ideia fixa e apego excessivo. Pode se desenvolver de forma patológica, dando origem a uma neurose obsessiva.     
Quanto à etimologia, a palavra obsessão e obcecado têm origens distintas. Obcecado tem origem no latim obcaecare, que indicava um estado de cegueira. Isto porque o indivíduo obcecado não consegue avaliar os seus comportamentos e a própria realidade. Por outro lado, obsessão vem do latim obsedere, que indicava o ato de cercar ou rodear alguma coisa ou alguém.”
“A prática de espionar e perseguir alguém é denominada "stalking" (espreitar). Com a Internet, a prática entrou para o campo virtual: o cyberstalking é praticado através de meios informáticos com qualquer pessoa que desperte o interesse do agressor. A superexposição nas redes facilitam e estimula a atitude dos perseguidores obsessivos virtuais.”
Só posso me compadecer por ver o estado grave de quem faz isto por aqui. Porque obsessões, compulsões incontroláveis, repetitivas e persistentes são sim uma doença grave. É preciso procurar ajuda porque essa doença causa sofrimento e ansiedade. Quem sofre desta enfermidade esconde de todos por vergonha e prefere não pedir ajuda. Só lamento.
Não estou sofrendo por ver as reações sumirem das postagens mês a mês. Isto é chato e desagradável, mas não vai me impedir de continuar com meu trabalho. Não sou eu que estou precisando de ajuda.   
Peço desculpa para as leitoras que curtiram e curtem as postagens aqui e comunico que fatalmente as curtidas continuarão sendo apagadas até que essa situação acabe.
Qualquer pessoa está sujeita a passar por isto. Peço desculpas pelo importuno e continuarei sendo uma mera espectadora desta obsessão silenciosa.
Astridy Gurgel
“Onde mora o perigo? Na linha tênue entre admiração e obsessão.” 

Oásis de Maria Bethânia.



Este vídeo é bem pertinente para este momento. É bom prestar atenção nas forças do universo e na fé que conservamos no mais íntimo do nosso ser.
É muito importante ter força para combater todos os males que nos atingem e nos cercam. Parece que está tudo calmo, mas coisa alguma está calma. A única certeza é o chão que pisamos. Ele é o que vemos, é chão.
Astridy Gurgel
“O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância. Acontece o mesmo com o número dos amigos.”
Paul Valéry  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Credo.


“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.”

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Conto para a venda. - Tentação de Mulher.


Boa tarde leitoras!
Estou lançando hoje o conto para a venda do mês de Dezembro. Quem quiser adquirir basta fazer o depósito e enviar o comprovante para o e-mail: agurgel24@gmail.com 
Valor: 40,00
Número de páginas: 114
Desde de já agradeço.

Sinopse do conto - Tentação de Mulher.

Fabiana Nunes ficou completamente balançada quando seus olhos cruzaram com os olhos de Júlia Pinheiro pela primeira vez em um barzinho. Por ironia do destino acabou atendendo-a em sua clínica após Júlia sofrer uma agressão no local. Foi assim que descobriu que a irmã estava apaixonada por Júlia. Aquele fato a deixou surpresa. O que mais lhe importava era ver a irmã feliz, por isto achou que deveria evitar Júlia.
Júlia por sua vez sentiu a mesma atração e não tinha porque não tentar uma aproximação. Ela precisava conhecer Fabiana melhor. Iria conquistar aquela médica interessante.
O romance que praticamente ganhou vida no jardim continuaria no jardim entre as flores mais lindas e perfumadas.  Astridy Gurgel 

Vídeo excluído do YouTube.

video

Relembrando e atualizando essa postagem.
É incrível como ver mulheres fazendo amor incomodou gente amarga, mal amada e frustrada em 2013. Essas mulheres não deveriam assistir os vídeos que faço. São moralistas, invejosas, recalcadas, dissimuladas e sonsas. Reza em cima desta gente ainda é pouco. Crendeuspai.
Informo para as que gostam de assistir os vídeos que costumo fazer, que hoje o YouTube excluiu este vídeo “Prazer” que fiz, pois ele viola as diretrizes daquele canal. O vídeo foi postado lá em 23 de Dezembro de 2012. Tinha 1500 visualizações e conseguiu chocar os funcionários do YouTube que o excluíram somente hoje. Porque hoje encontraram tempo para ver este vídeo. O título deve ter chamado a atenção deles, sei! Certamente eles não tiveram tempo de assistir este vídeo antes. Hoje, como por milagre encontraram tempo (Risos).
Se fotos de mulheres beijando e se acariciando são pesadas para eles, pois só despertaram a minha preguiça diante de tanta hipocrisia. Segundo eles, os funcionários do YouTube foram treinados exaustivamente para fazer este trabalho de analisar os vídeos. Muito curioso isto! Com milhões de vídeos que são postados no mundo inteiro pegam um vídeo meu do nada e excluem. Essa desculpa não engulo nem com CHAMPANHE!
Fico pensando na quantidade de vídeos que existem por lá com sexo pesado e que a equipe altamente treinada não conseguiu ver até hoje. 
“A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas.”
Miguel de Cervantes

Fácil para as pessoas é falar.


Tava pensando casodeque. Só pensando, pois hoje meus pensamentos estão meio misturados.
Como que uma pessoa mente se não sabe mentir? Uai num tem jeito. Tem pra quem fala uns trens e depois mostra tudo diferente. Falar da boca pra fora da nisto.  
Eu te amo é uma frase linda que ficou comum. Como gosto de você, te adoro, você é especial, e tantas outras que as pessoas falam só pra querer demonstrar que sente alguma coisa. Vão falando as coisas apenas para aquecer a relação. Escutar um eu te amo é gostoso, vamos admitir, é bão dimái da conta sô. Mas será verdade? Num posso afirmar nada disto não.
        Qual seria a melhor maneira de dizer eu te amo? Talvez chegar perto e segurar os braços da mulher olhando no fundo dos seus olhos. O primeiro eu te amo é dito com os olhos. Trem mais lindo de ver é amor brilhando nos olhos. Se os olhos não falarem os lábios jamais provarão um amor. Sabe não? Pois é melhor assim. Melhor do que falar eu te amo, não vivo sem você, você é meu tudo. Meu tudo é demais. Rola muito disto. Falam sobre amor como falam do tempo. Como falam de música, dos acontecimentos, de comida, trabalho, roupas, carros, dinheiro, af... Trem esquisito!
Quando que amor acaba num segundo? Num era amor, era costume, fogo de palha, qualquer sentimento piquininin. Amor mesmo, aquele sentimento bonito num tem como findar rapidin. A pessoa até que gosta por isto vai ficando um pôquím. Amor que sei é um trem gigantesco que toma todo o coração. Trem mais besta esse de ficar brincando com sentimentos das pessoas. Tenho paciência pra isto não.
As raízes fecundas das enganações começam na infância quando as crianças aprendem a mentir por diversas razões. Assim a mentira inicia-se dentro de casa quando contam pequenas mentiras para os pais. À medida que vão crescendo passam a mentir para os amigos. Mentem no trabalho. Mentem no namoro para demonstrar que tem sentimentos e evitar cobranças. A mentira passa a ser um hábito. O certinho mesmo é que antes de enganar os outros as pessoas conheçam desde novinhas a mentir para si mesmas.
Casodeque né? Pra quê viver uma mentira? Meu filho às vezes mente. Mentirinhas bobas para conseguir algumas coisas que ele gosta.
A primeira vez que fui chamada na escola a diretora foi logo comentando que ele mentia. Achei feio dimái ele mentir na escola, mas tive que engolir. Essa fase de dez anos é complicada. Cada fase infantil tem seus problemas mais acentuados. Tento lidar com elas procurando fazer o melhor que posso. Tenho um mucadinho de psicologia intuitiva para perceber as mentiras, por isto consigo lidar no dia a dia. Se eu tenho um pouquinho desta psicologia uma diretora deveria ter muito mais. Penso assim, mas não sou dona da verdade. Costumo ver os fatos e analiso a situação em um todo.  
Voltando a escola, como já sabia das mentirinhas dele, escutava o que a diretora relatava para entender o que estava acontecendo.
Depois virou festa ficar me chamando na escola. O menino não podia fazer nada que sete horas da manhã estava eu lá para uma das reuniões intermináveis de mais de duas horas de blá, blá, blá. Não vejo nada demais em ir à escola, mas nem tudo precisa chamar a mãe. Será que mãe não tem o que fazer? A vida corrida do jeito que é, tantas coisas acumulando e... Deixa pra lá!
Na oitava vez que fui chamada ignorei completamente. Foi a minha sorte, porque a minha mãe acabou indo no meu lugar e não tinha acontecido nada. Foi apenas um mal entendido. A diretora pediu desculpas. Também aproveitou para reclamar mais um pouco. É lógico que sei que ele não é santo. Se fosse santo teria sido canonizado.
Nesta altura já tinha percebido que ela estava com coisa com ele. Era implicância e antipatia. Trem feio, mas que acontece muito. Este tipo de sentimento raramente as pessoas admitem.
Comecei a pensar como seria se os médicos tivessem antipatia dos pacientes. Porque patrões que implicam com os funcionários são comuns. Nas escolas acontece à mesma coisa. Tem professora que pega no pé de alguns alunos e tem diretora que gosta de chamar os responsáveis na escola até sem apurar os fatos primeiro.
Todas às vezes que fui à escola ficava tentando encontrar uma definição para a diretora. Até que tive uma luz do nada. Lembrei-me da inquisição que ocorreu na Idade Média no século Xlll. Quando as pessoas eram julgadas, enforcadas e queimadas em praça pública acusadas de serem bruxas. Elas eram um risco para o sistema da Igreja Católica. Nós pensamos que evoluímos e que as coisas mudaram, mas não mudaram tanto assim!
A diretora é um ser humano como uma criança também é. Eles têm que conviver. Não apenas conviver tem que se aguentar. O aluno erra como a diretora da mesma forma pode errar. Quando uma pessoa sente antipatia por alguém precisa trabalhar isto interiormente. Porque aquele sentimento pode virar ódio se não for bem resolvido.
Quando escutava a diretora falando podia imaginar as pessoas sendo queimadas vivas. Ficava observando os alunos que eram repreendidos de cabeça baixa naquelas reuniões. Verdadeiras tempestades em copos d’água.
Sei bem como é isto de sentir antipatia porque fiz magistério. Realmente nunca senti vontade de dar aulas, mas acabei dando por um ano. Recordo bem que tive uma aluna que atrapalhava minhas aulas o tempo todo. As atitudes dela despertaram uma antipatia dentro de mim que eu mal conseguia controlar. Entre trinta alunos e alunas ela era a única que me deixava incomodada. Quando ia para a escola já sentia um mal estar só de imaginar que iria ter que aguentar as gracinhas dela a manhã inteira. Quanto mais antipatia eu sentia mais ela piorava. Até que resolvi enfrentar o problema. Tinha que ter uma explicação para aquela aluna agir daquela forma insuportável. Poderia ter levado o caso para a direção. Poderia ter pedido a presença dos pais dela na escola, mas nunca fiz nada disto. Era minha aluna e eu que teria que resolver a situação. Passei a analisá-la até entender que tudo que ela fazia era para chamar a minha atenção. Passei a ir à carteira dela e a inclui-la em todas as atividades em classe. Com o passar dos dias a menina foi virando um doce. Um amor de criança. Voltei a dar as aulas sem o menor problema.  
O que aconteceu? Decidi enxergar aquela criança. Foi como se eu tivesse aberto os braços para ela sem abraçá-la. Quando enxergamos o outro e nos enxergamos ao mesmo tempo, percebemos suas necessidades e conseguimos mudar situações que parecem impossíveis de mudar. Na vida é assim, ou enfrentamos ou fugimos.
Podemos também por preguiça ou intolerância voltar à época da inquisição e queimar as pessoas para não ter que lidar com a realidade como muita gente acaba fazendo. Lidar com o outro não é fácil. Viver também não é fácil. Viver mais ou menos, a meia boca torna a vida mais difícil.
Astridy Gurgel

Recado para leitoras que escrevem.


Depois de refletir muito decidi pedir uma coisa para as leitoras que escrevem contos, livros, poesias, seja lá o que for. Algumas costumam pedir que eu leia seus escritos para saber a minha opinião.
Quem precisa avaliar ou valorizar seus escritos em primeiro lugar são vocês mesmas. Se vocês acreditam que o que escrevem é bom, ótimo ou excelente sigam em frente.
Se pensam que escrever dá dinheiro apostem nisto. Se querem escrever precisam escrever para vocês mesmas. Não tem como escrever para as pessoas porque podem agradar quarenta e desagradar trinta. O pior erro de quem escreve é querer agradar. A escrita não pode ser direcionada para este propósito. Escrever é uma necessidade que com o tempo se torna um hábito. O ato de escrever se resume a uma conversa solitária que não precisa de participantes.
Quem escreve para agradar as pessoas está sujeito a frustrações e constantes decepções. Isto acaba desestimulando. Com críticas negativas ou positivas quem nasceu para escrever não vai parar nunca. O importante é acreditar no que se faz. Se depender de muita gente quem escreve não escreveria nenhuma linha. O que mais existe é gente para puxar o tapete e destruir os sonhos dos outros.
Sinceramente não sou a pessoa certa para avaliar a escrita ou o talento de vocês. Não sou especialista nesta área. Então peço que não me enviem suas histórias, por favor! Existem pessoas realmente preparadas para ajudar vocês neste sentido. Existem avaliadoras literárias aos montes por ai. Não se preocupem com isto porque com o tempo irão encontrar muitas avaliadoras e julgadoras pelo caminho. Avaliadoras, pedras e espinhos.
Boa sorte para vocês e não desanimem!
Astridy Gurgel

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 21.


Patrícia entrou na cozinha correndo. Encostou-se a parede apavorada. O toque das mãos de Carmem fez todo o seu corpo arrepiar. Que sensações eram aquelas? Estava ficando louca? Tinha mulher e não poderia reagir assim de jeito nenhum. Não devia ter permitido a entrada dela no seu apartamento. Só podia estar louca mesmo. Mas quando olhava para Carmem sentia emoções tão fortes. Uma atração, uma alucinação que perdia a noção de tudo. Aquilo não tinha explicação. Naquele estado de desespero emocional, deu-se conta que sua calcinha estava completamente ensopada.
Controlando-se ao máximo, colocou a comida no micro-ondas. Depois parou diante da mesa agarrando o encosto da cadeira ansiosa. Levou uma mão a nuca massageando-a e sentiu as mãos de Carmem chegando a sua nuca naquele instante.   
Não ouviu os passos dela, nem a percebeu aproximando, por isto ficou imóvel quando ela a tocou. Seu corpo estremeceu inteiro na hora.
- Deixe que eu faça isto. Está muito tensa. Não precisa ficar assim. Só vamos jantar. Não vamos fazer amor. Nem ao menos farei você gozar deliciosamente em minha boca. – Carmem sussurrou no ouvido dela passando a massagear a região com suavidade.
Patrícia mexeu o pescoço contra os dedos delicados dela tentando relaxar mais rapidamente. Estava tão tensa que sentia que poderia explodir a qualquer momento.
- O que você fez com as rosas que te mandei? Não as vi lá na sala. Não me diga que as jogou fora? Seria uma indelicadeza. Acho que jogou mesmo.
- Tive que jogar pela janela. Senti muito, mas precisei.
- Ah sei, pela janela! Então Samanta não as viu?
- Viu sim, caiu em cima do carro dela. – Contou dando um sorriso. – Mas ela não imaginou que eram para mim.
- Desculpe o transtorno, você deve ter ficado apertada.
- Fiquei calada, foi melhor.
- O jantar não vai queimar? – Perguntou roçando os lábios no lóbulo da orelha de Patrícia.
Patrícia desvencilhou-se dela na hora respondendo agitada.
- Não, já deve ter desligado automaticamente.
- Quer deitar em algum lugar para que eu faça uma massagem completa?
- Ô não posso! – Sorriu assustada indo até o armário onde pegou depressa dois pratos. – Deixe disto. Vá lá para dentro. Espere-me lá, por favor!
- Espero sim. Com todo prazer.
Carmem deixou a cozinha na mesma hora com uma tranquilidade que deixou Patrícia mais desorientada ainda.
Assim que ela saiu Patrícia levou à mão a boca sufocada. O que era aquilo? As mãos dela continuavam queimando em sua nuca, pescoço e ombros. Ainda sentia o roçar dos lábios dela em sua orelha. O toque dos dedos dela em sua pele foi maravilhoso. Seu corpo reagiu excitando-se mais ainda. Imagine deitar para que ela fizesse uma massagem?
        - Nãoooooooo! Não posso! Não posso e não posso! Que tentação essa mulher, ai meu Deus! – Ela gemeu em voz baixa enquanto tirava a comida do micro-ondas quase queimando os dedos.
Em seguida foi até a sala colocando as travessas sobre a mesa. Voltou para a cozinha para buscar os pratos e os talheres evitando olhar para Carmem.
Voltou para a sala chamando Carmem gentilmente.
- Pronto! Já podemos jantar. Venha para a mesa, por favor!
Carmem sentou com um sorriso. Patrícia a observou percebendo o quanto ela parecia estar satisfeita naquele instante.   
        - Perdoe Patrícia, mas estou faminta. Posso servir nossos pratos?
- Oh, por favor, fique a vontade! Eu, bem... É tão estranho estar jantando aqui com você. Tenho certeza que você não faz ideia o quanto isto parece surreal para mim. Não faz muito tempo que sonhava estar jantando com Samanta e agora... O que estou tentando explicar é que não sou mulher de trair. Isto nunca se quer passou pela minha cabeça. Melhor nem pensar nisto.
- Imagino que nunca tenha passado mesmo, mas se você relaxar vai se sentir bem melhor.
- Relaxar? Ah é, preciso relaxar! Mentalmente também. Vou tentar mentalmente. – Patrícia concordou olhando o prato com a deliciosa comida que Carmem colocou na sua frente.
Carmem comeu algumas garfadas em silêncio.
Depois perguntou curiosa.
- Você não sai muito? Costuma ficar só em casa à noite?
- Samanta não é muito de sair, por isto acabo ficando mais com ela por aqui. Saio a trabalho porque muitos desfiles acontecem à noite como você bem sabe. Também vou ao hospital sempre que posso. – Patrícia respondeu observando como a boca dela era linda.
- Não gosta de ir ao cinema, teatro, jantar por aí?
- Ah eu adoro cinema! Ia demais com minha amiga Bruna. Agora teatro confesso que fui pouco. Mas cinema, ai eu sinto tanta falta de ir. Vejo os filmes que estreiam doida para correr para uma sala de cinema.
- Ora, por que você não vai?
- Não suporto ir sozinha para o cinema. A única vez que eu fui sozinha um rapaz ficou me incomodando, nunca mais me arrisquei. – Contou sorrindo.
- Devia ir com a sua namorada. Ela não gosta de ir ao cinema?
- Duvido que este tipo de programa agrade Samanta. Desde que estamos juntas ela nunca falou sobre isto. As coisas que ela gosta são outras com certeza. É estilista! Frequenta outros lugares. Tem uma vida cheia de glamour.
- Compreendo. Suponho que tirando os momentos de glamour, ela prefira, por exemplo, ficar na cama com você! Não sei até onde um relacionamento assim, digo, que envolva muito sexo e nenhum divertimento pode chegar. Sabe? As pessoas tem uma vida além da vida sexual. Existem tantos lugares para ir. Para ver e se divertir. Tantos filmes bonitos em cartaz. Peças de teatro interessantes. Algumas até aclamadas. Passear por lojas só para ver as novidades. Entrar em uma loja de perfumes e sentir as fragrâncias. Caminhar pela cidade. Passear em um parque olhando os jardins. Andar pelas ruas do bairro próximo da igreja. Aquele lugar é tão tranquilo e silencioso. Sei que você adora aquele bairro. Você e Bruna andavam muito por lá. O padre conta da amizade forte de vocês.
Passear pelo parque olhando os jardins? Patrícia pensou rapidamente sobre isto tentando lembrar se tinha passeado por algum jardim. Talvez na infância. Voltou a si sorrindo por poder falar sobre Bruna.
- Sim, tem razão. Éramos muito unidas. Não pensei muito em todas as coisas que existe para fazer longe destas paredes. Em um relacionamento nem sempre é tão fácil quanto você acredita.
- O que sei é que o relacionamento precisa ser bom, gostoso e sem tantas correntes.
- Não sei se você tem o direito de falar essas coisas. Afinal, onde está vendo correntes? – Patrícia respondeu perguntando incomodada.
- Claro que não tenho este direito. Só falei o que penso. Não se incomode com as minhas colocações. Quer ir ao cinema comigo amanhã? – Perguntou em seguida, mas desta vez deixou transparecer sua ansiedade.
O olhar dela fez com que despertasse para uma questão que não tinha se dado conta ainda. Conversando naquele momento com Carmem notou como ela a olhava e ouvia com indisfarçável satisfação. Quando conversava com Samanta qualquer assunto que não fosse sobre elas, ela mal a olhava. Não demonstrava o menor interesse. Pensou rapidamente se devia aceitar ir ao cinema com ela. Será que devia?
Patrícia a encarou respondendo séria.
- Você sabe que eu tenho namorada. Por que me levar ao cinema? Por que se iludir tanto?
- Apenas te convidei para ir ao cinema, não vejo nada demais nisto. Podemos ir ao cinema, ao teatro, em restaurantes, onde você quiser. Sinto que você sente falta de uma companhia para fazer essas coisas. Bruna partiu. Não tem mais uma companhia para estes programas. Ou será que estou enganada?
- Não, você está certa. Sinto falta de alguém que faça essas coisas comigo. Bruna era minha eterna companheira. Sinto tanta falta dela. Tanta. – Confessou emocionada.
- Eu imagino.
- Acho que é verdade que os bons morrem primeiro.
- A morte é mistério.
- Sim, é sim! Eu aceito a morte. Aprendi a aceitar já faz muito tempo.
- Queria entender porque uma mulher que namora não pode ter amigas.
- Às vezes nos mantemos afastadas das outras mulheres para evitar confusões.
Explicou tentando não olhar tanto para os lábios dela. A cada segundo que passava, estava sentindo uma vontade crescente de beijá-la.
Abaixou rapidamente os olhos para o prato. Estava completamente louca. Não podia deixar aquela vontade de beijá-la aumentar. O que estava acontecendo com a sua lucidez, afinal? Tinha um relacionamento muito bom. Era bom, mesmo com o ciúme absurdo de Samanta. Ainda assim tinha sonhado tanto com Samanta quando Bruna ainda estava viva. Conseguiu conquistá-la, então não era correto desejar sentir os lábios de Carmem.  
Carmem alheia aos pensamentos dela continuou comentando divertida.
- Namoros com pessoas ciumentas não duram muito. Então vamos ao cinema amanhã?
Patrícia pensou rápido. Queria muito ir ao cinema. Não tinha nada demais se fosse com ela. Acreditava que não. Porém, no fundo, sentia que ir ao cinema com ela seria perigoso demais.
- Está bem. Vamos! – Concordou dando um sorriso meigo. – Eu não vejo problema em ir ao cinema com você. Afinal, já sabe que tenho namorada, não teremos problemas.
- Não teremos mesmo. Adorei o nosso jantar. Até conseguimos conversar como se fossemos amigas. – Carmem comentou se erguendo. - Agora vou te deixar descansar.
- Já vai? – Patrícia perguntou surpresa erguendo-se também.
- Vou sim. A noite é uma criança, mas já incomodei você demais. Posso passar amanhã às dezoito horas para te pegar?
- Pode sim. Estarei te esperando. Também gostei do jantar. Obrigada por ter trago.
- Você não faz ideia como adorei trazer este jantar. Boa noite!
- Boa noite! – Patrícia respondeu caminhando até a porta com ela. – Obrigada mais uma vez.
- Até amanhã. – Carmem respondeu lançando um olhar profundo sobre ela. Assim saiu de uma vez.

Patrícia acordou bastante animada no dia seguinte. Lembrou-se de Carmem quando entrou na sala vendo as duas taças sobre a mesa.
Na noite passada foi dormir assim que ela foi embora. Custou um pouco a pegar no sono. Ficou pensando no quanto tinha ficado excitada enquanto ela estivera em sua casa. Iria ao cinema com ela e não acreditava ainda que tivesse aceitado aquele convite. Afinal era namorada de Samanta. Então ir ao cinema com Carmem era um despropósito.
Seus olhos caíram no telefone. Samanta já devia ter chegado ao seu destino. Não deu nem sinal de vida. Não seria normal, educado e correto que tivesse ligado para avisar que tinha chegado bem? Ela era uma mulher educada. Não entendia porque não tinha ligado ainda.
Foi para a cozinha. Preparou o café sentando distraída. Comeu completamente perdida naqueles pensamentos. Sua cabeça estava a mil. Ela imaginava agitada como Carmem iria agir à noite. Começou a pensar no que Carmem iria fazer quando estivessem dentro do cinema:
Ela vai me agarrar, lógico que vai! Vai me beijar, meu Deus! O que vou fazer quando ela prender meu corpo junto ao dela? Não! Não posso deixar de jeito nenhum! Vou detê-la! Vou dizer que não e não! Não pode e nem deve me tocar! Sou uma mulher comprometida, uma mulher honesta, não traio, sou séria e gosto de Samanta! Aiiiiiii, tudo bem que Samanta anda um porre de ciúmes, mas ainda assim é minha namorada! Meu Deus me ajude! E se ela me beijar e eu gostar? A boca dela me deixa louca. Ontem à noite fiquei feito uma idiota devorando os lábios dela. Não estou nada bem! Tenho que acalmar essas loucuras que estou pensando. Ai, que coisa insuportável ficar pensando nela. Oh...
O telefone tocou interrompendo os pensamentos torturantes que estava tendo naquele instante. Nesta altura nem sabia se eram pensamentos. Pareciam mais fantasias, concluiu sufocada. 
Pegou o aparelho sorrindo aliviada por não ser Samanta. Achou curioso sentir aquele alívio. Tinha pensado há pouco que ela não tinha ligado e agora sentira alívio por não ser ela. 
Lembrou que desde que ela a deixou diante do portão com um único beijo no rosto, não se importou por ela não querer subir.
- Oi Fátima! Tudo bem?
- Tudo bem amiga. Vamos a uma boate hoje e Karla mandou te convidar. Você está a fim?
- Que pena! Vou ao cinema. – Respondeu sorrindo feliz.
- Vai ao cinema sozinha? Porque li que Samanta viajou.
- Vou com Carmem, nada demais. É que não vou ao cinema faz tempos.
- Com aquela mulher linda? Meu Deus! Então você e Samanta terminaram?
- Não, nada disto! É só um cinema. Ora, não posso sair com uma mulher de forma inocente?
- Claro que pode. Então saímos na sexta-feira se você estiver livre. Tudo bem?
- Tudo bem! Combinado! Vou adorar sair para dançar solteira. – Comentou animada.
- Samanta está te podando demais, não é? Nós reparamos no baile. Ela não te perdeu de vista. E quase deu um bafão com Carmem. Não queria falar, mas vou falar. Eu não aguentaria uma mulher assim no meu pé! Credo!
- É o jeito dela, mas fazer o quê? Só aproveitar minha liberdade agora. Ligue sexta-feira e combinamos a hora. Beijos.
- Beijos!
                                  Continua...

Tu. - Por Astridy Gurgel

domingo, 7 de dezembro de 2014

Querendo um amor e aceitando sexo. – Parte 3


Pegação é diferente de amor.
Bom dia meninas! Postando hoje a parte final do texto.
É fácil ser lésbica na internet! Admitam! Sabemos que na internet nem tudo é verdade. Na vida real, muitas lésbicas não têm o menor saco para esperar que as mulheres assumam que são lésbicas.
Essas pessoas querem ser felizes e não suportam perder tempo com mulheres que ainda não sabem o que querem ou o que sentem.
Ninguém aguenta ficar esperando a outra pessoa entender qual é a dela. Se é lésbica. Se é bi. Se é heterossexual. Se assumi ou não! O trem não é uma brincadeira não gente.
É fácil chegar falando que estão desiludidas e querem um amor verdadeiro. Amor verdadeiro falando que tem um metro e tal, pesa tanto, corpo sarado, que é loura, morena, gosta de cinema, adora esportes, ama pessoas sinceras, mulheres ativas, passiva só se for meio passiva, e tal e tal. Isto não é querer um amor, é fazer uma propaganda de si mesma. É como dizer:
“Eu quero transar! Meu número te agrada? ”
É aí que está o erro de quem posta afirmando que quer um amor. Para que falar o que quer? Se encontrar uma pessoa e rolar alguma coisa conte baixinho. Quem sabe ela acabe sendo o amor que procuram?
É fácil fazer sexo virtual. Zoar e gozar! De outras até sair do virtual pegando várias que estão lá querendo um amor verdadeiro e sincero. É fácil demais transar e sumir. Transar só por satisfação. Sem pensar que podem estar desiludindo ou traumatizando muitas.
A ideia central é essa sim, um amor! A grande maioria aceita sexo e continua se desiludindo e culpando todas as Mulheres pelas suas desilusões. Tem um monte, uma infinidade de mulheres nestes sites que já tem namorada e só querem dar uma gozadinha básica. Enquanto a namorada está na faculdade, trabalhando, viajando, dormindo ou fazendo trilhões de coisas. 
Começam a conversar com uma mulher comprometida que passa os maiores sete uns em vocês. Inventam uma pá de mentiras. Anunciam-se como as maiores solitárias do mundo. Algumas até dizem que tem uma parceira, mas que não transam mais. Que o amor entre elas acabou. O amor dormiu coitadinho! Estão tristes demais e vocês acreditam entrando na delas. Elas sabem que vocês estão desesperadas atrás de um amor. Sabem que são presas fáceis. 
Essas que estão iludindo vivem relacionamentos seguros com namoradas distraídas e crentes. Sim, crentes! Crentes que são felizes e que vivem uma relação maravilhosa.  Aconteceu foi que o fogo do início deu uma baixada feia. Não vale a pena terminar o relacionamento por causa disto. Não vão largar a segurança que elas têm sabendo o quanto o mercado está perigoso. Sabendo dá pegação geral que elas próprias participam. Podem acreditar, muitas gostam e algumas até amam as namoradas e esposas.
Na vida de muitas mulheres o apelo sexual é mais forte que o amor. Elas conseguem ter envolvimentos sexuais sem deixar que isto interfira na relação. Mesmo porque, depois que ficam excitadas com alguma mulher na internet não terão problema na cama. Outra já a deixou no ponto para satisfazer a mulher.
Feio isto, né gente? Mas a vida é assim. Conhecem essa expressão? Peguei um “bobo na casca do ovo”? Não é para rir, admito, mas tem hora que é engraçado imaginar tanta ingenuidade das que acreditam que estão encontrando um amor em relações deste tipo.
A coisa mais fácil do mundo é falar que esta apaixonada para conseguir sexo com uma mulher. Tem gente que adora adrenalina emocional e sexual.
Vocês não conseguem enxergar essas coisas tão óbvias? Que as pessoas usam as outras por diversos fins? Pessoas insatisfeitas sexualmente e emocionalmente mentem e enganam para conseguir o que querem.
Podem estar certas que muitas vezes é melhor masturbar do que se envolverem com mulheres que quando vocês ligarem nem irão atender o celular. Não vão responder seus e-mails nem as mensagens. Muitas irão alegar que estão perdidas e que precisam se encontrar. As justificativas serão muitas. A maioria irá desaparecer misteriosamente.
Vocês ficarão tentando entender onde foi parar a tal paixão que elas diziam sentir todos os dias. Ficarão cismadas tentando compreender o que se passou quando a verdade é muito mais simples do que imaginam. Vocês foram usadas. Não representaram nada além de alguns momentos de prazer. Este foi o amor que encontraram. Ele se intitula, perda de tempo!  
Foram descartadas. É assim que acontece e vai mudando a cada dia, semanas e meses.
O jogo do dominó não para nunca. Só muda as jogadoras.
A sorte desta pegação da internet é que vocês não correm o risco de contrair nenhuma doença. No máximo irão ter o coração despedaçado algumas vezes.
Se encarassem como um jogo ou uma brincadeira bastaria impor uma regra: Não se apaixonar.
Onde se cultiva somente sexo não nasce amor algum.
Peço desculpas caso os três textos tenham ofendido alguém. Minha intenção foi apenas de mostrar uma realidade que muitas ainda não perceberam.
A vida muitas vezes é um jogo, mas muitas trapaceiam descaradamente entre uma jogada e outra. Cuidem-se!
Astridy Gurgel
“Quem está em boa paz não suspeita de ninguém.”
Thomas Von Kempea
Postado no site do Parada Lésbica em 05/12/2014  

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 20.


No restaurante sentaram numa mesa reservada. Samanta comentou satisfeita:
- Sandrine é muito competente. Sempre consegue ótimas mesas quando faz reservas em restaurantes.
- Sei.
- Patrícia? Precisamos conversar, não acha?
- Sobre?
- Sobre nós.
- Sobre nós? Imagino! Se você quer conversar podemos.
- Acho que passamos muito tempo afastadas. O dia é tão longo. À noite você tem coisas para fazer. Chega tarde a sua casa e eu não estou muito satisfeita. Você está me entendendo?
- Claro que te entendo, afinal você parece estar sempre insatisfeita. Reclama o tempo todo. Parece que nem quer que eu trabalhe. – Patrícia respondeu muito séria.
- Estou meio insatisfeita. Eu apenas...
- Você apenas o quê?
- Só acho que temos que morar juntas.
- Morar juntas? Para você me obrigar a usar vestidos longos até no pé?
- Não, eu...
        - Para controlar a hora que saio e a hora que eu volto?
- Eu...
- Para me impedir de conhecer pessoas?
- Ah eu só quero...
- Para tentar me convencer a largar minha carreira?
- Mas...
- Para me proibir de ver minhas amigas modelos? Até impedir que eu vá ao baile mensal da igreja com elas?
- Ora Patrícia eu só quero...
- Para implicar com minhas idas à igreja, ao hospital, a qualquer parte, é para isto, não é?
- Patrícia, por favor...
- Você me ama Samanta?
- Amo! Amo demais, mas meu sonho é viver com você.
- O seu sonho antes era ter o meu amor. Era ir para a cama comigo. Você já tem isto! Morarmos juntas não! Isto eu não quero.
- Você não me ama tanto quanto eu te amo. – Acusou decepcionada.
- Pode me acusar! Se este é o seu ponto de vista, se pensa assim, não posso fazer nada. Dificilmente poderíamos amar uma a outra da mesma forma. Se você me ama mais e eu te amo de menos, ainda assim não pretendo morar junto.
- Eu comprei o anel para te dar. – Samanta contou abrindo a bolsa e entregando o estojo com o anel. – Você poderia pelo menos usar este anel? Por favor?
Patrícia abriu o estojo olhando o anel com atenção. Deu um sorriso fitando-a carinhosamente.
- Sim, claro que vou usar.
- Queria tanto ter você por mais tempo...
- Pare! Viemos jantar. Não estrague a noite.
- Está bem, desculpe! Eu vou fazer uma viagem à Nova Iorque. Vou amanhã à tarde e queria saber se você pode cancelar alguns compromissos para ir me encontrar lá?
- Infelizmente não. Mesmo se você tivesse avisado uma semana atrás, seria impossível. Nem parece que é uma estilista. Afinal, sabe que desfiles são marcados com semanas de antecedência.
- É claro que sei! Esta viagem só foi definida hoje. Por favor, eu quero muito que me acompanhe.
- Samanta olha o que você está me pedindo. Eu tenho uma profissão. Tenho trabalhos agendados há semanas que preciso cumprir diariamente. Não posso, está bom? Não aguento quando você começa com essa insistência. Puxa, nem jantar em paz pode? Primeiro você quer morar junto e em seguida viajar para exterior? Ora Samanta! Não sou irresponsável não, viu!
- Tá bom, não falo mais nisto. – Samanta respondeu chateada pedindo o jantar em seguida.
Nesta noite ela deixou Patrícia em casa sem querer subir. Beijou o rosto dela, indo embora emburrada.

No dia seguinte Patrícia foi à igreja se confessar. Depois sentou para tomar um café com o padre.
Ele a observou perguntando sério:
- Você está chateada com o quê?
- Nada demais. O senhor acredita que Samanta pediu para morar comigo?
- Para fazer da sua vida o que ela fez com a de Bruna?
- Comigo ela faria pior, porque Bruna não chegou a ter a ascensão que estou tendo. Se existe uma coisa que não aceito é que se metam na minha vida profissional. Ralei muito para chegar aonde cheguei. Eu ganho muito bem padre e não posso seguir a cabeça de Samanta, não mesmo! Deus me livre de depender dela ou de qualquer outra pessoa para sobreviver.
- Eu te entendo.
- Passei aqui mais para confessar. Ela vai ficar uma semana fora. Vou vir mais a igreja. Se precisar de alguma ajuda o farei com prazer.
- Ah, que ótimo! Será muito bom ter você mais vezes por aqui...
O som do telefone tocando interrompeu os dois. O padre levantou desculpando-se antes de deixar a sala.
- Com licença só um instante. Já volto!
- Fique a vontade padre.
Patrícia cruzou as pernas olhando para o pátio onde pôde ver o lindo jardim da casa paroquial. Viu a mulher que se aproximava abrindo mais os olhos confusa e admirada. Seria Carmem Santiago?
Ela foi aproximando até entrar de uma vez. Parou olhando fixamente para Patrícia.
- Olá Patrícia! Não esperava vê-la por aqui.
Patrícia engoliu em seco olhando-a sem ação no primeiro segundo.
- Olá Carmem! Eu passei para conversar com padre Antônio. Já estava de saída. – Respondeu estendendo a mão para pegar a bolsa agitada.
- Não se apresse. – Carmem respondeu sentando ao lado dela tranquilamente. – Também não vou demorar. Vim apenas trocar algumas palavras com o padre. Encontrar você foi uma grata surpresa.
- Ah.
- O padre saiu? – Carmem perguntou olhando para a porta que levava à igreja.
- Foi atender ao telefone.
- Melhor.
- Melhor? – Patrícia perguntou sem entender.
- Melhor para mim. Assim posso conversar um pouco com você.
- Conversar? Conversar sobre o quê?
- Sobre os meus sentimentos.
- Oh não! Melhor não! Sentimentos são coisas muito conflitantes. Diria até questionáveis... O que sabemos nós dos sentimentos? Se estivermos com raiva acreditamos que estamos com ódio. Confundimos tudo. – Patrícia respondeu aos tropeços sufocada.
Carmem sorriu estendendo a mão. Tocou o braço dela comentando sem se alterar.
- Por que fica tão assustada com a minha presença?
- Fico assustada? Quem disse isto? Não fico assustada. Acabei de te conhecer e acho muito estranho que queira falar de sentimentos sabendo que sou comprometida.
- Sei que é comprometida, só não sei se é feliz com ela.
- Isto não é da conta de ninguém.
- Sinto tudo sobre você como sendo da minha conta.
- Desculpe, mas não é não! – Patrícia respondeu erguendo-se de uma vez.
Carmem fez o mesmo. Ao fazê-lo ficou cara a cara com ela. Na hora estendeu a mão segurando a nuca de Patrícia puxando-a de uma vez contra o seu corpo.
- Você me encanta. Encanta-me demais.
- Isto não é certo. – Patrícia respondeu tentando afastá-la de si.
- Acha que pode me impedir de te desejar? Acredita que pode matar a paixão que sinto por você apenas sendo fria comigo? Fugindo de mim?
- Não acho nada! - Patrícia respondeu olhando-a nos olhos desafiadoramente.
- Só vai saber se me der uma chance.
- Chance? Sou comprometida! Isto é impossível! Preciso ir. Solte-me, por favor.
- Vamos jantar juntas?
- Claro que não! Tenho compromisso para esta noite. – Respondeu olhando-a e afastando do seu corpo.
Seus olhos caíram nas mãos dela. Examinou-as com atenção. Eram lindas. Suspirou desviando os olhos enquanto pegava a bolsa.
- Desculpe Carmem, mas preciso ir embora. Diga ao padre, por favor, que não pude esperar por ele. Tchau!
- Se prefere assim, tchau!

Assim que Patrícia chegou a sua casa, tomou um banho para relaxar o corpo. Depois deitou no sofá com um livro que estava louca para ler. Não conseguiu concentrar-se completamente. A cada instante recordava dos olhos e das palavras de Carmem. Seu corpo colando-se ao dela. Seus olhos dentro dos olhos dela. A mão dela tocando seu braço... Por que aquela mulher estava enfiando-se assim nos seus pensamentos?
Por duas horas esteve entretida no livro até ouvir a campainha. Imaginou que poderia ser mais um buquê de rosas de Carmem. Sorriu deste pensamento enquanto ia abrir a porta. Ficou apavorada quando a encontrou na igreja e agora imaginava que iria receber um novo buquê dela. Aquele buquê cair logo em cima do carro de Samanta foi o fim. Pensou enquanto chegava à porta.
Olhou pelo olho mágico levando o maior susto. Carmem em pessoa estava em pé diante da sua porta.
Patrícia encostou-se à porta dando um suspiro tentando conter a agitação que a dominou. Em seguida respirou profundamente recobrando o controle abrindo a porta de uma vez.
Carmem abriu um lindo sorriso cumprimentando tranquila:
- Boa noite! Já que não pôde aceitar meu convite para jantar, trouxe uma garrafa de vinho e o jantar. Você aceita jantar comigo assim? Aqui? Na segurança do seu lar?
- Carmem, eu... – Patrícia começou disposta a ser bem cortante com ela. Porém, Carmem passou por ela sem esperar pelo que ia dizer.
- Já sei que quer me mandar embora, mas não é possível que você não possa jantar com alguém. A sua mulher manda tanto assim na sua vida?
- É lógico que não e não é por isto! – Patrícia respondeu admirada por ela saber o quanto Samanta era possessiva.
Carmem estendeu as duas sacolas perguntando sorridente:
- Quer que eu leve para a cozinha e abra o vinho para nós?
Patrícia deu um sorriso balançando a cabeça incrédula.
- Você é muito persuasiva, hein? Deixe que eu levo e abro o vinho. Sente-se aí, por favor!
- Adorei saber que a sua mulher viajou. – Carmem falou alto para ela ouvir da cozinha.
Patrícia escutou engolindo em seco. Lógico que ela tinha adorado. Já estava até sentada na sua sala esperando para jantar com ela, pensou abrindo a garrafa de vinho.
Voltou para a sala com a garrafa e duas taças. Sentou no sofá servindo-as. Passou uma para ela brindando ainda sem jeito com a sua presença.
- Obrigada! – Carmem falou cruzando as belas pernas.
Patrícia suspirou desviando os olhos das pernas, perguntando depressa:
- Você disse que adorou saber que Samanta viajou? Não entendi bem por que. Já te falei que gosto dela.
- Disse sim! Você não diria o mesmo se estivesse apaixonada por mim e a minha namorada viajasse?
- Bem, creio que não. Acho que somos diferentes. Realmente eu não diria isto mesmo se estivesse no seu lugar.
- Estou certa que somos diferentes. O que você mais gosta no seu trabalho?
- De desfilar, adoro desfilar. Também gosto das sessões de fotos para as revistas.
- Você é muito fotogênica. Vendo as suas fotos parece que estou vendo você. Mas isto é tão tolo da minha parte, claro que é você. – Carmem acrescentou desta vez sorrindo de si mesma. Estava nervosa. Mesmo que Patrícia não se desce conta, ela estava muito nervosa mesmo.
Patrícia tomou um gole do vinho e a fitou perguntando direta:
- Desde quando você acompanha a minha carreira?
- Eu não acompanhei a sua carreira, eu acompanhei você. Tudo que tinha a ver com você despertou meu interesse. Faz um ano que o Padre Antônio fala sobre você diariamente comigo. Você faz parte da minha vida, da minha rotina. É que antes de receber a herança eu não tinha dinheiro para ir a todos os desfiles e nem condições de comprar todas as revistas nas quais aparece.
- Entendo. Então é mesmo uma fã muito... Muito...
- Obcecada ou fidelíssima? É uma destas palavras que está tentando encaixar em mim?
- Claro que não. Eu disse que entendo. Só não consegui lembrar a palavra certa.
- Você entende, mas tem medo. Até deu uma bronca no padre...
- Oh! Ele te contou? Achei que padres fossem um túmulo. Pelo que vejo padre Antônio realmente é seu amigo. Meu Deus! Não leve a mal, é que isto é muito novo em minha vida e realmente estou assustada. De repente você surgiu fazendo revelações... Revelações assustadoras. Confesso que fico desconcertada com as coisas que diz como se fossem completamente naturais.
- Eu entendo. Você não precisa me temer, não quero atrapalhar a sua vida...
- Aquele buquê ontem quase me deixou em maus lençóis, por isto não mande mais, por favor! Não se manda rosas para uma mulher comprometida.
- A sua namorada viu? Brigou com você?
- Ela viu, viu sim. Não pode mais acontecer. De qualquer forma obrigada por ter mandado, achei lindo! Só que não pode, é lindo, mas não mande mais...
- Eu posso tocar seu rosto? – Carmem perguntou erguendo-se e sentando ao lado dela.
- Como? Oh, não! Isto é errado. Eu...
- Só quero sentir se sua pele é tão macia quanto parece ser nas fotos.
- Ah... Então tá, só sentir então. Rapidinho, tá?
Carmem estendeu a mão tocando o rosto dela com a ponta dos dedos numa suavidade que Patrícia não acreditou ao sentir.
Carmem sentia seu corpo todo estremecendo enquanto sentia a pele macia. Patrícia virou os olhos para o outro lado para não mergulhar os seus nos dela.
Em seguida as mãos de Carmem tocaram os cabelos. O rosto dela aproximou lentamente. Cheirou os fios e em seguida a pele do rosto de Patrícia.
Neste instante Carmem suspirou confessando roucamente:
- É tudo como eu imaginei. A sua pele é uma seda. Incrivelmente macia. Mal posso acreditar. O seu perfume é embriagador, suave, delicioso...
- Aiiii meu Deus, desculpe! – Patrícia riu nervosamente saltando da poltrona. – Vou colocar o seu jantar no micro-ondas. Não! Perdão! O nosso jantar! Só mais alguns minutos. Desculpe sim? É... Eu não demoro. Gosta de comer muito quente ou morno? Tem alguma preferência?
Os olhos de Carmem cintilaram tanto neste instante devorando os dela, que Patrícia sorriu balançando as mãos, apavorada.
- Tá bom! Tudo bem! Já entendi que quente será maravilhoso. Talvez até morno, né? Afinal acho que ainda está morno. Já não sei mais de nada. Oh! Já venho...
                                  Continua...