sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os caminhos de Ana Sofia! - Jardim Tropical Garden Monte Palace.

A Portuguesa. - Capítulo 27.


Bruna estava fazendo carinhos nos cabelos de Ana Sofia. Enquanto o fazia admirava seu rosto. Sorriu vendo-a abrindo os olhos voltando o rosto para ela.
- Gosto imenso quando fazes carinhos nos meus cabelos. As tuas mãos são tão suaves.
- Ainda bem que gosta porque adoro te encher de carinhos. Agora que estamos sozinhas quer falar sobre o que escutei aquela mulher contando para a sua tia Fátima lá no café ontem?
- Eu queria falar, não queria ter filtros. Isso travou-me e agora já neste instante acho melhor não. Podes me dar mais algum tempo? 
- É claro, querida.
- Estamos tão bem aqui juntinhas e este assunto mata-me de tristeza.
- Tenho certeza que é muito doloroso para você. Quer me contar como foi o jantar?
- Ah, sim! Foi um jantar repleto de coisas boas e algumas confusões. Então, é assim, estava lá à família em peso...
Bruna ouviu com atenção tudo que Ana Sofia contou. Encheu-a de perguntas interessada em detalhes. Riu imenso ao imaginar Carmo dependurada no ar balançando as pernas desesperada.
- Não é para rir, Bruna. Fiquei apavorada. Pensei que a Corina iria bater na mãe. Valha-me Deus!
- A sua mãe provocou, admita! Falar assim com uma estranha que nunca viu na vida? Hoje em dia as pessoas não tem paciência e reagem mal a qualquer comportamento homofóbico.
- Tens razão. Também não é agradável ser vítima de preconceito. Entendi a reação da Corina.  Confesso que fiquei decepcionada com o que a minha mãe lhe fez.
- É mesmo para se decepcionar. Você ficar apavorada temendo que soubessem que é lésbica por causa da Corina, também foi tenso.
- Nem mais. Mas sabes que achei-a uma pessoa boa? Observei depois. Pareceu-me emotiva.
- Ela é mesmo masculina?
- Sim, por demais. Senti-me mal depois por ter pedido à Catarina para falar com a Manuela. A tia Fátima recebeu a Corinha tão bem, que me doeu à consciência. O que para mim, é um orgulho, né? Ter uma tia assim. Poder perceber que não tem preconceitos, isto é um presente. Não sei como e nem porque, essa minha vinda para o Funchal está sendo diferente em tudo.
- A sua tia é mesmo uma mulher que estou aprendendo a admirar. Quanto à sua consciência, entendo o que sentiu. Você estava com medo que todos viessem, a saber, que é lésbica.
- Estava e aquele não era o momento. Toda a família reunida ali, fiquei sem saber o que fazer. A minha tia Aima sabe que sou lésbica. Deixou claro!
- É? Vocês conversaram?
- Sim, não a fundo. Está hospedada num hotel e quer se encontrar comigo hoje.
- Vai se encontrar com ela só?
- Não sei. Vou ficar à espera que ela entre em contacto. Para, além disto, sinto-me mal imaginando que a namorada pode estar presente. Aquela mulher não gosta de mim. Tive a certeza ontem. Olhou-me com tanto descaso. Pronto, parecia sentir desprezo pela minha pessoa.
- Oh, querida! Ficou magoada com isto?
- Eu? Sabes? Não me importa nada a Aurélia. Já agora nem sei se é boa pessoa. A tia estava triste. Percebi que a relação delas não é mais aquela felicidade de outrora. Tem coisa, claro. Antes havia amor, percebes? Paixão? Não há mais.
- Sua tia te falou que não a ama mais?
- A tia estava devastada. Veio ao pé de mim, percebi-lhe nos olhos a dor. Claro que não a enchi de perguntas. Isto seria assim, de uma insensibilidade que não teria justificativas. É assim, deixa. Vamos nadar um pouquinho? Sabe bem aproveitar o solarengo.
- Sim, vamos!
Colocaram os biquínis deixando o quarto sorridentes. Foi no corredor que Ana Sofia estacou vendo a tia sair de um quarto trancando a porta. Aima voltou-se dando de cara com ambas. Abriu um sorriso aproximando. E claro, tentou disfarçar a surpresa olhando por um segundo para Bruna.
- Bom dia, Sofia! Que bem ver-te por cá. Não fazia ideia que te encontraria neste hotel.
- Bom dia, tia! É, eu vim... Nadar! Aproveitar o sol.
- Ah, sim! Fazes muito bem. Então, sou Aima, a tia da Sofia!
Apresentou-se voltando os olhos para Bruna que estava parada ouvindo-as conversando.
- Muito prazer! Sou Bruna, amiga da Ana Sofia.
- Amiga? Ah, claro! O prazer é meu. Também vou para a piscina. Vamos lá?
Foram para a piscina.
Bruna sentou em uma cadeira, Aima sentou em outra. Ana Sofia deixou a toalha sobre a cadeira ao lado de Bruna falando para as duas.
- Vou molhar o corpo.
- Vai, Sofia!
Aima respondeu olhando as pessoas que estavam por ali naquele instante.
Voltou-se para Bruna perguntando.
- És brasileira?
- Sou sim.
- Hum. Fizeste uma boa amiga. A Sofia é uma mulher de valor.
- Concordo. Eu a acho autêntica. Diria que é espetacular. Nunca supus que conheceria uma mulher como ela.
Aima fitou o mar pensativamente. O brilho nos olhos de Bruna a elogiar Sofia confirmou a suspeita de que eram namoradas.
- Podia ter contado que estava neste hotel, tia.
Ana Sofia comentou saindo da piscina.
- O jantar ontem foi demasiadamente tumultuado. Não me apeteceu falar grandes coisas. Tinha muitos olhos em cima de nós. A Palmira e a tua mãe estavam infernais. Não fazia ideia que te encontraria por cá. Como combinei, iria ligar-te. Gostava de vos convidar para almoçar caso não tenham planeado nada.
- Que boa ideia. Não planeamos nada para o almoço. Entretanto, após o almoço vamos ao Jardim tropical. Se a tia quiser ir, será um prazer. Aceitamos o convite para almoçar, o que achas, Bruna?
- Sim é claro!
Aima observou como Ana Sofia quis a confirmação da Bruna para almoçar com ela.
- A tua mãe sabe que estás cá?
- A mãe não sabe sequer que a Bruna está cá na Madeira.
- Imagino. Tens que pensar na Catarina. Como sabes, ela lá e vocês cá não é bom. Fico mais descansada quando tu estás próxima da tua irmã.
- Vou buscá-la para irmos passear depois do almoço. Amanhã irei levar a Manuela ao aeroporto. Pretendo ficar no hotel direto com a Bruna até o dia de voltar para Lisboa.
- Ah, é? E a Catarina?
- Pois é, é nisto que estou a pensar como vou fazer.
- Não te preocupes, podem ficar as duas no meu quarto. Parto na quarta-feira pela manhã e tu trazes a Catarina para cá. Poderás namorar sem perder a tua irmã de vista.
- Tem a certeza? Não sei se é correto a tia gastar dinheiro pagando o quarto para nós.
- Vocês são minhas sobrinhas e não quero que tenham problemas nas vossas férias.
- Tá bem. A Aurélia não vem aqui ter com a tia?
Aima olhou novamente para o mar pensativamente.
- As coisas não melhoram ainda?
- A Aurélia vai voltar para Lisboa ainda hoje.
- Oh!
- Assim é melhor. Prefiro ficar em paz. 
- Então, mas sozinha?
- Tem que ser. É o que me apetece. Mudar de ares, de vida, de sonhos.
- Já percebi.
- A Aurélia mudou a vida dela e eu estou a mudar a minha.
- Um relacionamento longo acaba assim desta maneira, tia? Não acha que está sendo precipitada?
- Deixa que te diga. O personagem Mr. Darcy, de Jane Austen, fala algo que acho apropriado: “Não consigo esquecer as loucuras e os vícios dos outros tão rapidamente como deveria. Nem as ofensas que me fazem. Meus sentimentos não se inflamam ao menor esforço ou tentativa. Meu temperamento pode ser chamado de rancoroso. Uma vez perdida a boa opinião que tenho de uma pessoa, está perdida para sempre.” Percebeste?
- Tenho pena porque a tia Fátima contou-me que a tia era feliz com a Aurélia.
- Pois era, então, mas as coisas correram mal. Ela mudou e não sei o que lhe deu. Não há nada que possa desfazer o que se passou. É assim, a vida dá voltas. Não sou como a Fátima que aguentou os cornos calada por causa das filhas, todos estes anos. Não tenho filhas! Não tenho que aguentar nada!
- Então a Aurélia foi infiel?
- Aquela cabra foi bem mais que infiel. Já dá que não falo mais. 
Ana Sofia calou-se percebendo que não devia insistir naquele assunto.
Aima ergueu-se falando para as duas.
- Vou nadar um pouco. Encontro-as no restaurante há uma da tarde. Pode ser?
- Pode sim tia, é claro!
- Pois nos veremos lá.
Acenou pulando na piscina. Ana Sofia olhou para Bruna comentando.
- Mal acredito que Aurélia traiu a tia. Deve ter descompensado, não há outra hipótese.
- É uma realidade que as pessoas traem.
- Se eu for traída vou à minha vida como a minha tia está a fazer.
- Ana Sofia? Não tenho nada com isto.
- Não tens mesmo. Só aproveitei para contar como eu sou.
- Está bem, agora vamos falar da história da sua mãe com o seu tio.
- Ah, Bruna! Estou de rastos. Tu acertaste, afinal ela tinha mesmo um homem. Penso que todos estes anos esteve com ele. Não sei nem o que falar. O meu tio, o marido da tia Fátima, isto é um terrível desgosto.
- Você vai fazer o quê com relação a isto?
- Por enquanto nada. Quero dar mais atenção à Catarina.
- É uma vergonha isto que a sua mãe fez.
- Nem me fales. Estou evitando ficar a pensar. Sinto vergonha e pena da tia Fátima. Também imagino o desgosto que a Catarina vai sentir quando souber.
- A Catarina vai precisar mesmo do seu apoio.
- Não há dúvidas que terá todo ele.
- Estou certa disto. Está animada para o passeio no parque essa tarde?
- Sim, estou! Vai ser giro andar no teleférico e tu poderás ver uma parte da ilha lá de cima.
- Vou adorar.
- Estou certa que vais.

Bruna e Ana Sofia foram para o almoço no horário marcado. Aima surgiu usando um vestido branco que realçou o bronzeado de sua pele. Bruna comentou baixo quando ela caminhava na direção da mesa delas.
- A sua tia é uma mulher belíssima.  
- Tem bom remédio para os teus olhos admirar outros monumentos aqui do Funchal que não sejam mulheres, quanto mais a minha tia!
Ana Sofia respondeu piscando para ela.
- Só estou fazendo um elogio.
- É bom que seja mesmo.
Voltou-se erguendo para beijar a tia.
- Aproveitaste bem a piscina e a praia?
- Sim. Soube-me bem a manhã sossegada. E vocês? Descansaram?
- Descansamos imenso. O que vai beber?
- Vinho do Porto, como é óbvio.
Aima respondeu sentando. Cruzou as pernas olhando a volta sem muito interesse.
- Estando aqui no Funchal prefiro apreciar o vinho da Madeira, mas aprecio também um bom vinho do Porto. Vai saber muito bem. 
- Vou fazer o pedido para nós.
Bruna avisou fazendo o pedido na hora. O vinho foi servido. Elas conversavam animadas sobre os sítios do Funchal que mais gostavam. Depois falaram sobre o Parque Jardim Tropical Garden Monte Palace para Bruna.
- O interessante das mais de mil esculturas expostas é que recriaram o ambiente em que elas foram expostas originalmente.
Aima contou orgulhosa.
- Vais conhecer a coleção de plantas exóticas dos quatro cantos do mundo. Aprecio imenso as ricas exposições de azulejos que é uma das maiores e fantásticas do país. É claro que a maior coleção se encontra no Museu Nacional do Azulejo.
- Para entenderes bem Bruna, fizerem lindos painéis de azulejos dentro do parque. À medida que vais fazendo os passeios conheces azulejos que são provenientes de igrejas, capelas, palácios e residências de Portugal. Contam muito da história do país. Lá também vais conhecer o maior vaso do mundo.
- Sinto que vou adorar este lugar.
- Realmente é um dos passeios que mais aprecio aqui do Funchal. Nunca me esqueço da coleção de minerais, de vários países como o Brasil, Peru, África do Sul, Portugal, Zâmbia, Argentina e América do Norte. Vais ver até uma coleção de diamantes impressionantes...
Ana Sofia ergueu a cabeça se calando neste momento e Aima percebeu algo estranho.
Voltou-se na hora, dando de cara com Aurélia que estava em pé ouvindo silenciosa o que estavam conversando.
- Posso me sentar convosco?
Ana Sofia e Aima não abriram a boca. Foi Bruna que se ergueu na hora respondendo educadamente.
- Sim, por favor. Fique a vontade!
Bruna puxou a cadeira para ela sentar, sem perceber a expressão de desagrado de Ana Sofia.
- Estava a imaginar onde estavas Aima, já que não avisaste quando saíste.
Aima fez um sinal chamando o garçom, para o qual pediu mais uma garrafa de vinho.
Aurélia acrescentou para o garçom.
- Traga mais uma taça.
Voltou-se para Aima questionando admirada.
- Esqueceste que também tenho boca?
A expressão de desagrado de Aima era evidente. O silêncio dela e de Ana Sofia era estarrecedor. Bruna olhava de uma para outra sem saber o que fazer.
Então, sorriu para Aurélia comentando para quebrar o clima tenso.
- Estávamos falando sobre o parque.
- Não conheço! Não suporto parques, muito menos aprecio este tipo de passeio!
- Há, é? Bem, pensei que todos os portugueses gostassem.
Bruna rebateu sem graça.
- Pois é, não sou como todos os portugueses! Então quem és tu?
- Eu? Sou Bruna, amiga de Ana Sofia.
- Amiga? Lol! Parece-me que são bem mais que amigas...
- Por acaso é da tua conta?
Aima perguntou encarando Aurélia por um segundo.
- O que é isto? Não posso abrir a boca? Estás segura disto?
- Não me chateies!
- Bem, se achas que vais tratar-me assim à frente de outras pessoas estás muito enganada.
- Estás certa de que estou? Não te convidei para estares aqui, percebes? Ganharias mais despachando-te para o aeroporto. Aqui nada mais tens para fazer. Ou levantaste e sais desta mesa ou saio eu!
Aurélia arregalou os olhos assustada. Olhou em seguida para Ana Sofia falando.
- A tua tia só pode estar louca. Não vejo outra explicação para este comportamento. Ainda para mais temos uma vida juntas...
- Oh sim, infelizmente tivemos uma vida juntas! Só que eu separei-me de ti. Não te alongues que assim que pisar em Lisboa preparo a tua mudança despachando para a casa do teu pai.
- Quem te disse que pretendo ir viver para a casa do meu pai? Tu estás enciumada, furiosa, revoltada e percebo que estás tomada pela raiva, mas não precisas exagerar. Temos que conversar. Falo eu, falas tu e nos entendemos como foi sempre. Estamos a passar por um momento difícil. Um desequilíbrio na relação que será ajustado assim que te abrandares e...
- Vá lavar as tuas roupas sujas na casa da tua amante e deixa-me em paz, caramba! Que chatice! Vai, vai-te embora!
Aurélia caiu em si. Percebeu que Aima estava irredutível. Por essa razão encarou Ana Sofia atacando-a furiosa.
- É bem a tua cara fazeres a cabeça da Aima contra mim. Eu tinha razão, tu realmente não vales nada!
- Cala-te!
Aima exigiu afastando a cadeira levantando na mesma hora trêmula de raiva. 
- Junta o mínimo de dignidade que ainda te resta e vai para o inferno. Nunca mais falarás  assim com a minha sobrinha nem com membro nenhum da minha família. Família que tu nunca simpatizaste! Não passas de uma falsa dissimulada. Despacha-te ou não respondo por mim!
O garçom aproximou perguntando surpreso.
- Desculpe! Algum problema senhoras?
Aima o fitou respondendo firme.
- Essa senhora está para deixar o restaurante!
O homem ficou emudecido olhando de Aima para Aurélia. Aima olhava para Aurélia friamente.
Aurélia balançou a cabeça falando sem a mesma convicção de quando sentou:
- Muito bem, se queres assim vou me retirar!
Virou saindo furiosa do restaurante. Aima fitou o empregado inclinando a cabeça.
- Está tudo resolvido. Lamento pelo inconveniente.
- Com licença!
Aima sentou fitando as duas. Abriu os braços falando simplesmente:
- Desculpem por esta cena desagradável.
- É... Eu não consegui dizer nada. Virou-se para cima de mim e não houve hipótese de uma reação da minha parte.
- Quisera eu não ter dito nada, Sofia. Não te preocupe. Vamos pedir o nosso almoço? Temos que ir para o parque.
- Então vamos pedir.
Ana Sofia respondeu pegando o cardápio. Enquanto analisava o que iria escolher com a ajuda de Bruna, Aima bebia vinho olhando para o mar.
Aima vivia agora o que todas as mulheres acabavam vivendo em algum momento de suas vidas, a completa solidão. Aquela certeza de estar sozinha não a assustava. Sentia uma espécie de alívio dentro do peito. Porque não concebia que sendo casada com Aurélia e tendo sido presente constantemente na intimidade ela tivesse ido para a cama com outra. Por que aquilo? Só por que estavam no mesmo hotel? Aquilo não cabia perdão. Aurélia estava morta. Cada vez que se lembrasse dela varreria as lembranças de sua mente.
- Oh! Aquela é Maria Ester, tia? Recorda dela? Como está diferente!
Ana Sofia ergueu-se chamando atenção da mulher que estava entrando no restaurante distraída.
- Maria Ester? Não posso crer que és tu!
Aima voltou-se olhando na direção em que Ana Sofia estava indo para ver se era a Maria Ester que estava pensando.
Maria, a amiga de infância e adolescência de Ana Sofia que tinha ido embora da cidade há mais de dez anos estava se jogando nos braços de Ana Sofia sorrindo eufórica e ao mesmo tempo surpresa.
                                                   Continua...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Bruna Viola - Espero Mais

Tudo O Que Ela Não Entendia. - Capítulo 22.


Saíram vários carros da fazenda no final do dia. Lívia e Leda seguiam no segundo carro que Aline dirigia. Enquanto guiava Lívia observou que Aline parecia distante. Notou até que seu semblante parecia tenso. Sentiu vontade de perguntar se estava acontecendo alguma coisa. Imaginou várias formas de abordar o assunto, mas a presença da mãe sentada no banco de trás a fez permanecer calada.
         Chegaram à cidade trinta minutos depois. Todos os carros estacionaram numa rua afastada de onde aconteceria o show da cantora. Lívia observou todos saltando dos carros. Notando que Aline permaneceu sentada com o motor ligado, Lívia questionou:
- Vamos descer aqui?
- Só um momento.
- Tudo bem.
- Igor? Venha aqui, por favor!
Aline pediu aguardando o peão aproximar da janela do carro.
- Sim, patroa?
- Leda vai com vocês. Cuide dela até que eu volte, ok?
- Ok!
Ele respondeu abrindo a porta de trás do carro.
Leda desceu sem questionar. Aline acelerou deixando o local rapidamente.
- O que está acontecendo? Para onde estamos indo?
- Vamos a um bar conversar.
- Conversar?
- Sim. Um bar é um campo neutro. Bem longe de uma cama.
- Não estou te entendendo.
Lívia falou confusa.
- Nos entendemos muito bem quando estamos na cama, mas fora dela temos problemas.
- Você me trás a um show e decide conversar? Que estranho!
Aline não rebateu. Dirigiu mais algumas ruas estacionando diante de um bar. Saltou sorrindo para Lívia.
- Venha. Não vamos demorar.
Lívia fez uma cara de quem não estava gostando, mas saltou do carro entrando com ela no bar.
O bar estava com pouco movimento àquela hora. Um garçom aproximou cumprimentando Aline. Indicou uma mesa levando-as até lá.
- O que deseja beber, Lívia?
- Uísque, por favor.
- Quero o mesmo.
O garçom foi providenciar o pedido. Lívia mexeu-se inquieta na cadeira olhando para Aline sem entender o que estava acontecendo.
- Vai falar ou vai me deixar neste impasse?
- É muito simples, Lívia! Estou pensando em me assumir para a minha família.
- Se assumir para a sua família? O que isto quer dizer?
- Quer dizer que estou disposta a contar para o meu pai e a para a minha filha que sou lésbica. Estou disposta a me assumir por você.
- Por... O quê? Quer assumir que é lé... Lésbica por minha causa? Isto é uma brincadeira? Minha cabeça está dando duzentas voltas.
- É uma decisão muito importante na minha vida, não tem nada de brincadeira. Estou com você e não estou gostando de representar só papel de sua amiga. Nós temos mais do que algo amigável.
- Quem disse que temos?
- Não temos, Lívia?
- Não que eu saiba. Não foi você que propôs que vivêssemos o momento? Viver o momento não implica em compromisso. Foi o que entendi... Eu... Oh! Você me enganou, Aline?
- Não te enganei! Eu queria viver o momento. Não posso querer mais que momentos?
- Não pode!
O garçom aproximou servindo a bebida deixando-as a sós novamente.
Lívia tomou um gole da bebida falando chocada.
- Isto é um pesadelo.
- Você acha? É tão horrível assim que eu assuma minha orientação sexual? O quê é? É um crime para você?
- Olha, não sei! Não sei de nada! Eu não acho que eu seja...
- Não acha que você seja lésbica?
- Exato! Não acho que eu seja lé... Eu só estou experimentando... Quero dizer, na cama é muito bom, eu seria louca se não admitisse, mas... Nem sei por que eu fico com você.
- Fica porque me deseja. Isto está muito claro. Não sou apalermada a ponto de não entender o que te atrai em mim.
- É... Você sabe... Sabe me dar prazer. Olha eu não tenho queixas, porque na cama, é...
- Não se preocupe em me dar explicações do quanto adora fazer sexo comigo.
- Não precisa ser grossa.
- E você não precisa se desesperar. Só estamos conversando. Eu nunca senti vontade de me assumir antes por nenhuma mulher que conheci.
- Claro, as mulheres que conheceu não deviam ser boas o suficiente como eu sou...
- Pode pular essa parte, não estou falando de nada disto. Nunca quis me prender a ninguém. É tudo diferente quando estou com você. Acontece que eu quero namorar.
Dados da autora: O silêncio de Lívia parecia, ao menos para eu, ser a resposta que ela nem precisava dar para Aline. Ela poderia fazer uma carinha de mulher inocente que não está entendendo a situação. Poderia sorrir respondendo que iria pensar. Infelizmente ela se assustou demais com a palavra, namorar.
Olhando para Aline de boca aberta, Lívia respondeu o mais baixo que pode.
- Você só pode ter perdido o juízo. Não vou namorar com uma lésbica. Transar, tá, até rola, não mais que isto. O sexo com você é bom demais e não dispenso isto.
Aline bebeu alguns goles do uísque sustentando o olhar amedrontado de Lívia sobre ela.
- Você é uma hipócrita!
- Oh! Como ousa? Não sou hipócrita! Estou sendo tão direta quando você.
- É simples, é o que você é. Não é diferente, nem especial como se julgava.
- Ah, é? É você que quer namorar comigo!
- Hum, não nego que quero. Vontade dá e passa e a minha pode passar. Existem mulheres que desejam mais do que sexo. Pensei que fosse uma delas.
- Não me ofenda porque tudo o que tenho vivido com você foi ideia sua.
- Você teria me seduzido se eu não te correspondesse quando foi à minha procura na fazenda. Não precisa ficar na defensiva, afinal não é obrigada a nada.
- Não sou mesmo! Ainda mais a namorar! Se eu fosse lésbica nunca teria ido para a cama com homens. Este seu lado indelicado, aiiiii... Como detesto quando joga na minha cara que fui eu que vim atrás de você. Poderia ter cuidado e ser mais amável. É o que você mais quer comigo. Tanto é que está se humilhando me pedindo em namoro. Eu não quero ser sua namorada e não serei!
Aline apertou os olhos engolindo as palavras dela, silenciosa por alguns segundos. Controlou-se esvaziando o copo respondendo cinicamente.
- Cometi um erro. Fui burra, só isto. De qualquer forma a sua hipocrisia não é nem um pouco atrativa. É algo que te torna muito parecida com as pessoas. Se havia algo especial em você, juro que não sei onde foi parar. Vamos indo? O show vai começar daqui há pouco. Quero cantar e dançar. Não vale a pena levar as coisas a sério.
- Também não precisa ficar tão amarga comigo. Só estou falando a verdade.
Lívia respondeu percebendo que Aline aparentava estar profundamente decepcionada.
- Isto foi só mais um tombo que a vida me deu. Nada que vá me arruinar.
- Aline? Espere!
Lívia pediu segurando a mão dela quando ela ia se erguendo.
- Esperar o quê? Ainda tem o que falar?
- Sim. Você soltou essa bomba de repente, levei um baita susto.
- Ok. Pode falar.
- Desde que me entendo por gente que sou heterossexual. Eu nunca tinha tido intimidade com mulher alguma. Quero dizer...
- Nunca? Nunca teve intimidade com outra mulher?
- É... Houve uma festa em que fui e beijei alguém. Acontece que era uma mulher, eu... Foi tudo muito rápido, quando percebi que era uma mulher já era tarde.
- Sou a segunda mulher que você fica?
- Aquela mulher não conta porque desapareceu.
- Desapareceu? É eu sei, uma ficada não conta mesmo!
- Na realidade conta, mas não conta porque nunca a vi. Por favor, não me confunda.
- Se ficou com outra mulher antes de mim porque deu tanto chilique comigo?
- Não dei chilique! Aiiiii, você, meu Deus, Aline! Estou tentando falar que isto é novo na minha vida. Eu nunca me imaginei transando com uma mulher. Não é tão fácil. Confesso que me sinto sufocada quando penso. Eu... Beijando uma mulher... Fazendo sexo oral em você e você em mim. Quero dizer, eu... Eu lembro, às vezes no decorrer do dia, olho para você e o fato de você ser uma mulher ainda me deixa em pânico.
- Estou consciente, você não aceita sentir desejo por uma mulher.
- Não aceito porque não entendo a razão disto... Sempre fui bem resolvida, eu ficava com homens. Mulher? Isto nunca nem imaginei.
- Nunca imaginou, mas quando aconteceu partiu logo para a ação.
- Não fale isto, por favor, não foi desta maneira!
- Não foi?
- Não! Não foi assim! Eu demorei para conseguir relaxar. Não finja que não sabe do quanto foi difícil para mim.
- Ah, é verdade! Demorou a vir atrás de mim deixando claro o que queria.
- Sim! É o que quer que eu admita? Admito! Fui atrás de você sim. Fui porque queria transar. Não é isto que fazemos? Nós transamos, mas eu fico tentando entender porquê. Como é possível viver algo sem compreender a razão?
- Acredita que desejo tem explicação?
- Todos os sentimentos tem explicação. Existe uma explicação que quero entender. Na minha cabeça é como se fosse uma questão matemática. Quero ir até à raiz do problema.
- Uma questão matemática, ui! Isto não soou nem de longe romântico. Não vejo romantismo algum em matemática.
- Romantismo? Quem está falando em romantismo? Você falou em namoro. Eu... Você... Essa coisa de romantismo, você está querendo dizer alguma coisa com isto? Você por acaso me ama?
Notas da autora: Não deu para evitar, essa música veio na hora na minha cabeça: “Eu queria ser uma abelha pra pousar na tua flor. Haja amor, haja amor...”
Aline ficou olhando para Lívia pensativamente. Perguntava-se qual era o problema com o romantismo. Por que as mulheres se assustavam tanto com a palavra amor? Gostaria que Lívia fosse romântica, não só, ansiava que ela chegasse um dia a amá-la. Pelo susto que levou quando falou em romantismo aquela reação lhe soou completamente distante de algo sentimental. Amor talvez não fosse para todas as mulheres. Muitas passariam a vida se contentando com sexo. Falar sobre o amor não era amar. Sempre desconfiou dos casais que viviam falando: eu te amo a todo o instante. Aquilo soava de maneira forçada. Parecia uma necessidade de reafirmar aquela condição de amar. Como se falando elas próprias pudessem se convencer daquele amor. Quanta futilidade! Quando um carinho, um afago, longos beijos eram capazes de demonstrar muito mais amor do que os, eu te amo, falados para os quatro ventos. Nunca o amor seria provado com palavras. Não era isto que desejava. Não confessaria seu amor por confessar. No mundo sempre existiriam mulheres que amariam verdadeiramente somente seus pais e mais ninguém!
Após refletir distraidamente, Aline por fim respondeu à pergunta de Lívia.
- Não falei em amor e neste momento, até o fato de pensar em romantismo me parece deprimente. Por que sei que para você é o sexo que prevalece.
- Como para você! Sei o quanto adora transar comigo.
Aline deu um sorriso se erguendo.
- Adoro sim. Vamos?
- Sim, vamos, mas... Deu para entender o meu ponto de vista? Compreendeu por que não posso namorar com você?
- Entendi perfeitamente. Talvez um dia você chegue a compreender porque gosta de transar comigo. Rezemos para que não se arrependa.
Aline contrapôs calando-se ao chegar ao balcão onde pagou a bebida que consumiram.
Entraram no carro silenciosas. Lívia sentia um mal estar que não sabia explicar. Aline acelerou praticamente voando pelas ruas até estacionar atrás dos carros da fazenda. Saltou do carro falando com Lívia:
- Vamos lá. É hora de esquecer tudo e curtir o show. A vida não é isto? Um espetáculo que representamos para aparentar estarmos bem?
- Aline...
- Não precisa fingir preocupação! Estou bem! Aliás, estou consciente! Vamos!
Lívia foi com ela percebendo que Aline não estava mais disposta a conversar.
Entraram no ginásio onde iria acontecer o show. Aline parou procurando com os olhos o pessoal da fazenda. Avistou-os falando com Lívia:
- Estão todos lá na frente perto do palco. Vem comigo.
Assim que se aproximaram os peões estavam em peso lá. Um entregou uma long neck para Aline puxando-a para o meio do grupo. Os rapazes estavam animados e aquilo parecia ser uma alegria inexplicável para Lívia. Ela aproximou de Leda, comentando admirada:
- Quanta euforia só por causa de um show! Felicidade é uma coisa que não se explica mesmo! Eu preferia estar em outro lugar.
- Faço ideia. É que os rapazes gostam demais desta cantora. Até Aline gosta.
- É. Então tá.
Momentos depois o show começou. Lívia desconheceu aquela Aline que pulou, dançou, cantou e bebeu inteiramente entregue ao som das músicas e da empolgação do público. Pareceu de onde estava que até pinga ela bebia com os peões. Chegou a pensar que ela acabaria ficando bêbada sem a menor condição de dirigir o carro. Obviamente não teria forças nem para transar. Isto era péssimo, porque não via a hora de entrar para o quarto com ela.
O show terminou uma hora depois. O grupo ainda bebeu mais uma rodada de cerveja até decidirem a sair do ginásio. Seguiram rindo comentando sobre o show até chegarem aos carros.
Leda entrou e Lívia falou para Aline quando ela ia entrar no carro.
- Não vamos jantar em lugar nenhum! Não existe clima para jantar essa noite.
- Não? Então vamos embora.
- Tem certeza de que está bem para dirigir até à fazenda?
- Quer que eu faça um quatro?
- Lívia? Deixe disto e entre no carro. Aline está bem. Se não estivesse um dos rapazes já estaria aqui assumindo a direção.
- Eu sei lá! Do jeito que bebeu. Até cachaça, Santo Deus!
Aline ligou o carro olhando para ela com um ar debochado.
- Cachaça? Ninguém bebeu cachaça. Bebemos vodka. Já temos idade para beber qualquer bebida.
Dados da autora: Essa é a parte que as leitoras que não bebem costumam perguntar:
“Suas personagens todas bebem? Acho tão estranho. Tanta bebida, tantas personagens que fumam...”
Curiosamente nunca recebi queixas quanto ao fato das personagens transarem. Aleluia! O sexo nas histórias parece que nunca incomodou. Também não posso afirmar, vai saber né? Se bobear até incomoda.
- Vodka? Você não tem responsabilidade? Poderia ter pensando no bem estar meu e da minha mãe já que não pensa no seu.
Lívia respondeu bastante incomodada.
- Sua mãe? Deve estar bem perturbada para chamá-la de mãe.
- Convenhamos que isto não te diz respeito. Bebeu demais e é nisto que dá. Acho melhor eu dirigir. Quero chegar viva na fazenda. Pare o carro, por favor!
- Não seja maçante! Vamos ouvir uma música para acalmar seus nervos frágeis.
Aline respondeu ligando o som do carro. Olhou em seguida para Leda pelo retrovisor dando um sorriso para ela. Queria mostrar que estava muito bem para dirigir.
- Ok, mas ainda penso que está bêbada!
- Aqui não falamos bêbada. Falamos mamada, embriagada, molhada, pau d’água, tanque cheio. Bêbada é uma palavra metida. Como os peões costumam falar: “Gente da cidade tem muita metideza no modo de prosear.” Você não percebe, mas pessoas simples enxergam as situações de modo diferente.
- Agora você vai falar como os peões falam?
- Você sabe muito bem como eu falo.
Aline virou o rosto enfrentando os olhos de Lívia. Esta, desviou os seus, olhando para a frente. Aline sorriu passando a prestar atenção na estrada.
Leda, sentada atrás, pensava que Lívia não devia ter falado nada do que falou. Aline não parecia estar de bom humor. Durante o show esteve animada e feliz. Agora parecia bastante chateada.
Chegaram na fazenda naquele completo silêncio. Aline freou o carro diante da casa voltando-se para Lívia com uma expressão vitoriosa.
- Satisfeita? Chegamos sãs e salvas! Tem algo mais a acrescentar quanto ao fato de eu estar, segundo você, bêbada?
- Ah, vá matar muriçocas! 
Lívia respondeu descendo do carro, batendo a porta e entrando na casa.
- Matar muriçocas, hum! Que geniozinho danado tem a sua filha, Leda. Tenho que me armar de paciência quando ela se comporta desta forma.
Aline comentou descendo do carro com ela.
- Não leve a mal. Lívia está perdida. Mal entende os próprios sentimentos. Ficou irritada porque você a ignorou durante todo o show.
- Não a ignorei. Eu amo a sua filha. Só não estou permitindo que ela pise em mim. Espero que tenha gostado do show. Falei que iríamos jantar depois, mas como viu não teve clima.
- Gostei muito. Não tem problema. Vou até à cozinha comer uma fruta.
- Faça isto. Tenha uma boa noite!
- Você também, Aline!
Aline entrou no quarto tirando a bota. Lívia estava sentada na cama apenas de calcinha e sutiã. Estava tirando o colar e os anéis. Voltou o rosto observando Aline tirando a roupa silenciosa.
- Não vai conversar comigo? Ao menos aqui, porque você me ignorou durante todo o show. Enfiou-se entre os peões bebendo feito um gambá. Esqueceu que eu estava lá. Para quê me levou?
Aline terminou de tirar a calça comprida colocando-a sobre a cadeira. Foi para o banheiro sem responder.
- É assim que vai ser?
Lívia perguntou chegando na porta do banheiro. Aline estava terminando de lavar o rosto. Depois pegou a escova de dente olhando para ela.
- As pessoas que se casam se separam por causa deste tipo de situação.
- Que situação?
- Reclamações, Lívia! Você está parecendo uma esposa chata com este mau humor.
- Esposa chata? Não seja ridícula! Não quero ser nem namorada, quanto mais esposa. Você abusou mesmo da bebida. Eu senti vontade de te largar lá e vir embora, sabia?
- É? Eu teria morrido de tristeza se tivesse feito isto.
- Agradeço seu deboche!
Aline terminou de escovar os dentes seguindo até ela. Parou olhando-a nos olhos.
- Quer se queixar de mais alguma coisa?
- Adiantaria?
- Eu poderia me queixar de não ter podido te beijar lá. Se tivesse tentado ficaria furiosa comigo. Então fiquei tomando umas, curtindo o show com o pessoal. Nem bebi muito, sabe por quê?
- Não sei não. Por quê?
- Porque sabia que você iria querer fazer amor.
- Eu?
- Sim, você!
- Está mesmo enganada comigo, Aline! Tenha uma ótima noite!
- Ou, ou, ou, calma.
Aline respondeu segurando o braço dela, puxando-a de uma vez contra seu corpo.
- Boa noite nada! Nossa noite está só começando.
- Não mesmo... Quantas cervejas você bebeu?
- Vai querer controlar o que eu bebo?
- Por acaso controlo alguma coisa na sua vida?
- Pelo jeito está querendo começar. É mesmo por isto que os relacionamentos vão para o ralo.
- Se quiser vou embora agora mesmo!
Lívia respondeu olhando-a desafiadoramente.
- É? Como é que vai embora? Veio de carona com o João e eu não vou viajar para SP a uma hora destas.
- Pode mandar um dos seus empregados me levar.
- Mais uma noite dormindo abraçada a mim não vai te matar.
- Não durmo abraçada a você! Não invente coisas porque estou furiosa! Não está percebendo que estou uma pilha? Por que finge não ver o quanto me deixou fula da vida?
- Se fosse eu que estivesse fula da vida faria diferença?
- Acontece que você está fula da vida! Só está tentando disfarçar, mas eu sei, eu sinto! Você não me engana. Por isto se eu for embora será melhor para nós duas.
- Você acha? Acha que é o que nós duas queremos agora?
Aline perguntou colando mais o corpo ao dela.
- Eu só acho que...
- Acho que está irritada porque não te beijei ainda.
- Era o que faltava!
- Perdemos tempo demais quando você começa a bater boca, Lívia.
Aline respondeu mergulhando a boca na dela. Aline tentou empurrá-la reclamando.
- Eu detesto isto! Detesto quando brigamos e detesto a forma como você pensa que me calmo depois que transamos.
- Não penso. Só te desejo e te acalmo.
Respondeu descendo a boca pelo pescoço dela. As mãos chegaram às costas de Lívia abrindo o sutiã.
- Ah... Você me deixa atordoada, Aline. Não consigo nem pensar quando me toca assim.
- Gosto de deter seus pensamentos.
Aline confessou subindo a boca até chegar à dela. Entreabriu os lábios dela devorando-os faminta de beijos. As mãos chegaram aos seios afastando o sutiã que caiu sobre os pés de ambas. Lívia gemeu entre os beijos pedindo excitada.
- Venha para a cama que você está me deixando louca.
Aline a puxou deitando sobre ela. Roçou seu corpo no dela voltando a colar suas bocas.
- Como consegue me transtornar assim?
Lívia perguntou agarrando o pescoço dela já lhe roçando o corpo rebolando excitada. Beijou mais ousada sugando a língua de Aline. As mãos desceram até o meio das pernas dela deslizando na buceta.
- Ah, você está excitadíssima. Assim que eu gosto. Pegando fogo para mim.
- Me deixe beijar suas costas Lívia.
Aline pediu mordiscando os lábios dela.
- Deixo. Vem.
Lívia respondeu afastando-a de si, deitando logo de costas.
- Vem Aline. Beije minhas costas, meu corpo, me toque que estou louca para te sentir. Este seu fogo e seu desejo me deixam alucinada.
Aline estava sobre o corpo dela acariciando as costas com a boca e as mãos. Roçava o bico dos seios na pele dela louca de desejo. Continuou descendo a boca até chegar as nádegas. Beijou uma a uma. Não só as beijava, as lambia fazendo carícias também com as mãos. Deslizou a língua até o reguinho metendo a língua nele. Passou a subir e descer a língua sem conseguir se controlar.
- Oh... Que tesão... Ah...
Aline saiu de cima dela puxando-a contra sua buceta. Roçou assim o corpo contra as nádegas dela. Lívia estava de quatro e Aline não resistiu. Desceu uma mão até a buceta enquanto deslizava um dedo para dentro do ânus dela.
- Ohooooooooo... 
- Está me sentindo agora?
- Sim, ah... É o que você tanto queria...
- É sim. Vivia louca para te comer de quatro.
- Oh, percebi...
- Sente meu desejo, minha fome de você. Meu tesão...
Aline entrava e saía dela tanto na buceta quanto no cuzinho. Na buceta dois dedos deslizavam quase levando Lívia ao delírio de tanto prazer.
- Oooo... Aiiii... Eu... Oh...
- Goza. Dá para mim...
- Dou... Sente meu orgasmo... Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Gozou assim fazendo Aline sentir todo o corpo dela estremecendo contra o seu corpo.
Lívia desabou sobre a cama com o coração batendo ainda disparado. Aline deitou do seu lado roçando a boca contra a dela.
- Gostou?
- Gostei.
- Só uma palavra para um prazer tão intenso.
Aline comentou beijando o rosto dela. A mão subiu acariciando os seios com prazer. Lívia a olhava silenciosa.
- Não paro de te desejar. Você me deixa ligada na tomada o tempo todo. Quero sentir seu gosto.
- Ei, espera um pouco. Acabei de gozar.
- Vou fazer carinhos. Darei tempo para que se recupere. Quero te beijar com o gosto do seu gozo. Para o gosto misturar nas nossas línguas. Dentro de nossas bocas. Beijo íntimo.
- Ah, você é muito obscena.
- Você adora me ouvir falando essas coisas.
Lívia virou o rosto para o lado sentindo a língua deslizando dentro de sua buceta. Adorava aquela língua, pensou relaxando o corpo enquanto Aline a chupava faminta. No entanto, Aline afastou subindo à procura da boca dela. Mergulhou os lábios sugando lhe a língua sedenta. Ela estava queimando de desejo. Lívia segurou seu rosto pedindo rouca.
- Me deixa te chupar.
- Deixo. Vem que estou doida pela sua boca. Quero dar para você, Lívia!
- Oh, como eu sei que quer.
Lívia respondeu descendo a boca até os seios lambendo e chupando um a um. Só então desceu a boca até a buceta que sentiu latejando assim que passou a língua. O clitóris estava enorme tamanha a excitação dela. Brincou com a língua em cima dele. Rodeou a língua em volta dele sentindo Aline arqueando o corpo de encontro à sua boca.
- Oh... Ah, ah, ah, ah... Vou gozar na sua boca…
Engoliu o clitóris sugando-o deliciosamente. Soltou pegando-o novamente, para em seguida voltar a lambê-lo rapidamente.
- Ah, ah... Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Aline subiu pelo corpo dela até suas bocas se encontrarem em um beijo intenso. Beijaram-se por um longo tempo. Lívia não se afastou. Deitou a cabeça sobre o colo dos seios dela começando a sorrir.
- Do que está rindo?
- De nós duas. Num momento estamos brigando e no outro estamos nos agarrando.
- Por isto falo que somos melhores na cama.
- Eu sei, mas até quando será que vamos sentir este desejo louco?
- Adoraria ter uma bola de cristal para ter essa resposta. Milhões de pessoas já devem ter desejado ter uma bola de cristal para ver o futuro. Acho que se pudéssemos só ver o futuro sem poder mudá-lo, não valeria a pena.
- Neste ponto você tem razão. Vem aqui. Beija-me porque já estou ficando excitada de novo.
                                                     Continua...