segunda-feira, 30 de março de 2015

"A Vida, a Morte, o Amor." - Por Astridy Gurgel.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 30.


Por mais um dia Samanta continuou sonolenta. Patrícia não se afastou do quarto. Dormia numa cadeira, já que a mãe de Samanta dormia na cama do acompanhante do quarto. Embora fosse proibida a permanência de mais de um acompanhante, a gerência da clínica abriu uma exceção porque a mãe de Samanta era inválida. Com isto Patrícia ocupou-se de cuidar da senhora que precisava de ajuda para tomar um banho ou ir ao banheiro. Patrícia brincou com ela no dia seguinte quanto àquela situação.
- A sua enfermeira deve estar gostando das folgas inesperadas.
- Deve estar sim, ela é uma moça maravilhosa. Está comigo há um ano. Ela acha Samanta linda, sabia?
- É mesmo? Samanta é muito linda sim. – Patrícia comentou enquanto vestia a roupa nela no quarto.
Samanta abriu os olhos neste momento dando um sorriso doce.
- Eu ouvi bem mamãe? Sua enfermeira me acha linda?
- Que bom que acordou! – A mãe falou feliz. – Ela te acha maravilhosa.
- Pena que Patrícia não ache o mesmo. – Samanta comentou com tristeza.
- Acho sim Samanta, não seja ingrata. Você é linda! Aliás, muitas pessoas adoram você, por isto nada de baixo astral. Sandrine tem vindo todos os dias. Algumas modelos também vieram te ver. Você é muito querida.
- Eu sei. – Ela respondeu baixo.
A mãe a fitou comentando empolgada.
- A minha enfermeira é uma linda moça. Você nunca olhou para ela, por isto não sabe ainda. Ela virá aqui hoje e você vai conhecê-la.
Samanta sorriu comentando com um meio sorriso.
- Acho que estou mesmo precisando conhecer uma linda moça, não é Patrícia?
Patrícia sorriu enquanto ajudava a mãe dela a sentar na cadeira de rodas.
- Está sim Samanta! Você precisa conhecer uma moça com toda a certeza.
- Vocês duas estão tentando arrumar uma nova namorada para mim? Eu mal me aguento em pé, só podem estar brincando.
- Não é isto minha filha. Vivian vem aqui para tentar te ajudar. Ela trabalhou muito tempo com uma cirurgiã cardiovascular. Ela vai trazer a médica aqui. Essa médica pode encontrar um coração para você.
- É mesmo? – Samanta perguntou e seus olhos brilharam intensamente neste instante. – Se isto for verdade será um milagre.
Patrícia sorriu olhando-a com afeto neste instante.
- Será o milagre de Deus! Se elas conseguirem você nunca mais irá duvidar da minha fé e de Deus.
- Sim, acho que não duvidarei mais. – Samanta respondeu pensativa. – De qualquer forma não estou num bom estado para conhecer uma moça que me acha maravilhosa.
- Veja a visita dela pelo lado bom. – Patrícia sugeriu animada.
- Tudo bem.
 A enfermeira entrou no quarto, acompanhada da médica às duas da tarde. Patrícia observou que a médica era uma mulher comum. Devia ter uns quarenta anos. Era alta e muito simpática. Já a enfermeira era bonita. Os cabelos eram intensamente pretos, como os olhos. O corpo era lindo. Estava muito bem vestida. Patrícia observou como seus olhos brilharam ao fitar Samanta. Ela aproximou da cama, ajeitando a manta sobre o corpo dela. Patrícia sentiu um carinho especial por ela de imediato. Samanta ficou olhando para ela sem esconder a surpresa com a atitude protetora. Não deixou também de observar a sua beleza.
- Olá Samanta! É melhor que fique aquecida. Como está passando?
- Olá! Estou melhor, obrigada! – Samanta respondeu, percebendo como os olhos dela vagavam pelo seu rosto de forma encantada.
- Meu nome é Adriana! – A médica apresentou-se aproximando de Samanta. – Quero fazer alguns exames em você. Depois que Viviam explicou o seu caso, acho que tenho um coração que pode ser compatível para você.
Patrícia se adiantou estendendo a mão para a médica.
- Sou Patrícia! É um prazer conhecê-la!
A médica sorriu para ela comentando gentil.
- É um prazer conhecê-la Patrícia! Você é uma modelo sensacional.
- Obrigada! Sobre este coração que a senhora mencionou, não existe uma lista de espera? Ao menos o médico me explicou assim.
- Existe uma fila sim, mas tudo precisa ser analisado, inclusive a idade. Esse coração pertence a uma moça de trinta anos. Sofreu um acidente e os pais decidiram doar os órgãos. Samanta é compatível para receber o coração dela. Eu mesma farei os procedimentos cirúrgicos. Existe a fila e existe certa camaradagem quando se trata de doação de órgãos. Os casos mais graves precisam ter preferências. Muitos pacientes podem esperar por mais tempo. Outros não podem esperar como é o caso de Samanta. Se ela assinar a autorização concordando com o transplante, os aparelhos da jovem serão desligados para a retirada imediata dos órgãos.
- Nossa! Parece um milagre! O médico disse mesmo que só um transplante poderia salvá-la, mas que não é a especialidade dele. – Patrícia comentou sem se caber de felicidade.
- Em medicina dizemos: “Cada macaco no seu galho.” – A médica comentou sorrindo para ela. Então olhou para Samanta perguntando entusiasmada. – Então? Você quer ter uma nova chance de vida?
Os olhos de Samanta encheram-se de lágrimas na hora. Ela sorriu olhando para Patrícia de forma carinhosa.
- Eu quero sim doutora. Quero mais que tudo. Preciso desta chance com toda certeza. Eu desejo viver!
- Então mãos a obra! – A médica sorriu decidida. Voltou-se para Vivian pedindo gentil. – Peça o prontuário médico dela e acesso a todos os exames, por favor, enfermeira! Vou ver a pressão e a temperatura. Quero operar amanhã se tudo correr bem.
- Mas já? – Patrícia perguntou surpresa.
- Sim! Quanto antes melhor! Preciso avisar que a recuperação após um transparente de coração é muito delicada. Será um verdadeiro recomeço de vida. Entregarei uma lista de restrições que terão que ser seguidas a risco. Agora preciso tomar todas às providencias mais urgentes. Se vocês quiserem dar uma volta, eu agradeço!
- É claro doutora! – Patrícia concordou empurrando a cadeira de rodas da mãe de Samanta para fora.
Do lado de fora do quarto, à mãe de Samanta pediu para ir até a capela. Patrícia a levou até lá aproveitando para rezar. Depois sentou no banco do jardim pensativa. Viu Vivian entrando na capela naquele instante. Estava sentido uma vontade imensa de falar com Carmem.
Não aguentou mais, por isto foi até o orelhão que ficava ao lado da capela discando para a casa dela.
- Oi Carmem! – Cumprimentou aliviada assim que ouviu a voz dela.
- Oi amor! Que alívio ouvir sua voz. Como você está?
- Estou muito preocupada com Samanta, mas tirando isto estou bem apesar da saudade que sinto de você. Apareceu uma doadora e ela vai fazer o transplante do coração. Estou sentindo um alívio imenso. Porque estava me sentindo terrivelmente culpada.
- Eu sei amor! Não é culpa sua, lógico que não é! Você precisa pensar que ela vai ficar boa. O resto nós veremos depois. Quanto à saudade, também estou para morrer.
- Carmem?
- Sim.
- Você vai mesmo esperar até que tudo isto passe?
- Claro que vou querida! Esperarei o quanto for preciso. Eu te amo demais. Nunca duvide disto.
- Obrigada! Ao mesmo tempo em que estou preocupada com ela, também estou morrendo de medo de te perder. Porque não sei como você conseguiu entrar tanto assim em mim. Estou loucamente apaixonada por você Carmem, você não faz ideia do quanto. Não sou uma mulher enlouquecida com sexo. Não nego que adoro, mas não fiquei com você só por sexo. Samanta foi minha primeira mulher. O que eu sinto por você é intenso demais. Quero ter você e quero ter uma vida do seu lado. Preciso ajudar Samanta e cuidar dela até que ela não precise mais de mim para seguir. Se você não puder aguentar nem sei o que farei.
- Eu aguento Patrícia! Amo você demais para não saber entender o quanto este momento é delicado. Eu sei que cheguei depois dela na sua vida, sei disto mais do que você pensa. Acredito que só se pode começar outra história depois de finalizar a que está acontecendo. Não pense que sou uma insensível e não pense que eu não entendo. Ficarei te esperando sim meu amor.
- Obrigada! Assim que puder irei para você Carmem. Irei com o coração livre só para você. Beijos querida!
- Beijos minha vida!

Notas da autora: Como o amor é lindo. Fico emocionada demais com o amor da Carmem pela Patrícia. Um amor que sabe esperar é sempre um amor especial. Esperar é uma das coisas mais difíceis que existe. Porque esperar por um amor é se privar de vivê-lo.
Talvez eu esteja errada. Talvez para muitas esperar também seja viver. Ainda assim viver o amor plenamente é a melhor coisa que existe!

Patrícia desligou voltando para o quarto. Viu pela janela do quarto Vivian deixando a capela com a mãe de Samanta. Ela a estava levando para tomar sol no pátio da clínica.
Quando entrou no quarto Samanta não estava, por isto imaginou que a médica a tinha levado para fazer mais exames.
Sentou distraída numa cadeira próxima a janela pondo-se a pensar na situação em que estava vivendo.
Alguns instantes depois a porta abriu e Vivian surgiu ali. Ela sorriu explicando enquanto pegava a bolsa da mãe de Samanta.
- Vim buscar a carteira dela. Quer comer um salgado na lanchonete.
Patrícia ergueu-se a olhando com mais atenção.
- Há quanto tempo mesmo você trabalha com ela?
- Há mais de um ano.
- Você e Samanta nunca conversaram?
Vivian sorriu comentando mais baixo ao responder.
- Nunca! Acho que Samanta nunca percebeu minha presença. Bem, ao menos ela nunca me olhou diretamente.
- Entendo. Você é tão bonita e Samanta não é cega, nunca foi!
- Ah, mas gente rica não repara em empregados, eu entendo isto muito bem.
- Sei. – Patrícia sorriu andando pelo quarto sem deixar de observá-la. – Desde quando você é apaixonada por ela?
- Eu? Oh meu Deus! Não! Eu não sou apaixonada por...
- Você é sim, bastou ver como olhou para ela quando entrou aqui. Não se preocupe porque nós não somos mais namoradas.
- Ah não? – Vivian perguntou sem esconder a surpresa por ouvir aquilo. – Eu não sabia. Na verdade pensei até que iriam morar juntas.
- Samanta quis de fato morar comigo. Era um desejo apenas dela.
- Então não a ama mais?
- Passei a amá-la como amiga. Apaixonei por outra pessoa. São essas coisas que não podemos evitar.
- Compreendo.
- Queria saber se você pode cuidar dela após o transplante. Vou contratar outra enfermeira para cuidar da mãe dela.
- Oh, mas é claro que posso! Quero muito cuidar dela e ajudá-la a se recuperar. Já trabalhei com dois senhores transplantados.
- É mesmo? Fico mais aliviada por saber. Então está combinado.
- Tudo bem. – Vivian respondeu virando para sair, mas parou voltando-se para Patrícia com sua expressão curiosa. – Eu gostaria de perguntar se Samanta ainda te ama.
- Ela me ama sim, mas vai me esquecer se tiver um pouco de ajuda. Você me entende? Entende qual ajuda que ela precisa?
- Você está insinuando que devo conquistá-la?
- Se você quiser ter o amor dela é o que terá que fazer. Deve começar fazendo com que ela enxergue você.
- Ah, mas eu quero demais o amor dela! Quero mais que tudo. Eu vou tentar, é claro que vou! Agora preciso ir. Muito obrigada pela sua sinceridade. Com licença!
Patrícia ficou olhando a porta do quarto fechando com um sorriso doce nos lábios. Seu coração lhe dizia que aquela moça seria maravilhosa com Samanta e isto lhe deu um alívio imenso naquele momento.

Samanta foi operada no dia seguinte e o transplante foi um sucesso.
Patrícia acompanhou com uma imensa felicidade as duas primeiras semanas de recuperação. Vivian era de uma dedicação que chegou a surpreendê-la. A enfermeira era completamente louca por Samanta. O amor que sentia ficava mais evidente a cada dia.
Patrícia mantinha-se sempre quieta. Lia para Samanta exatamente como fez com Bruna. Em alguns momentos acariciava os cabelos dela, pois Samanta reclamava diariamente por ter que ficar de repouso. Nestes momentos Vivian era de uma paciência milagrosa. A voz era macia e doce sempre que falava com Samanta sobre a importância daquela convalescia.
No fim das duas semanas Samanta voltou para sua casa.
Patrícia estava dirigindo o ateliê com ajuda de Sandrine. Cancelou todos os desfiles já que preferia não deixar Samanta muito tempo sozinha. Ao mesmo tempo aquela convivência entre elas provava a ela que realmente não amava mais Samanta. Estava mais certa a cada dia do seu amor por Carmem. Sentia uma saudade dela que não tinha mais como aguentar. No entanto Patrícia tinha aquela força de vontade que era própria dela. Seguiu aguentando por mais um longo e interminável mês. Não ligou nem uma vez para Carmem porque sabia que se ligasse não iria resistir, teria sim que correr para os braços dela. Então ela se mantinha quieta e meio apática, tentando não deixar Samanta perceber seu estado de espírito. De todo, se Samanta percebia nada dizia.
No fim daquele mês aconteceu a festa para anunciarem a melhor modelo do ano. Patrícia foi acompanhada de Sandrine e do padre. Ela mal acreditou quando anunciaram o seu nome como a vencedora. Aquilo foi uma coisa inacreditável para ela, mas sentiu-se imensamente feliz quando recebeu o troféu, acompanhado de uma bonita homenagem.
Voltou a desfilar naquela mesma semana. Recebia um tratamento especial por parte de todos por ser a melhor modelo do ano. Todos queriam contratá-la no auge do sucesso.
Sua vida voltou a ser tumultuada, tanto, que mal tinha tempo para pensar. Com certeza ela não pensava mais em Samanta, mas em Carmem pensava a cada segundo.
O desfile daquela noite seria o lançamento da coleção de Betina Clark. Patrícia entrou na passarela reluzindo beleza e brilho. Quando fez o giro na passarela, seus olhos caíram na bela figura de Carmem sentada de pernas cruzadas bem na fileira da frente. Percebeu toda a melancolia que boiava nos olhos dela com tristeza. Notou como ela a olhava com admiração completando o giro e voltando a percorrer a passarela com grande elegância.
Por todo o desfile sentiu-a desnudando seu corpo com os olhos carregados de desejo.
Ao fim do desfile o padre apareceu nos bastidores de mãos dadas com ela. Viu-os surgindo na porta massacrados entre a multidão de fotógrafos e jornalistas que também tentavam entrar para falar com ela.
Patrícia voltou-se vendo Betina Clark parada ali a olhando fixamente.
Betina sorriu comentando atrevidamente.
- Nunca uma modelo tão linda fez tanto sucesso quanto você fez nesta noite. – Ela sussurrou devorando o corpo de Patrícia sem disfarçar sua intenção. – Quer jantar comigo agora? Temos muito que comemorar juntas. O seu sucesso e o sucesso da minha coleção.
- Obrigada, mas já marquei com alguns amigos. – Respondeu indo até o grupo de seguranças que impedia a passagem das pessoas. Mostrou o padre e Carmem pedindo que os deixasse passar.
O padre abraçou-a com força buscando seus olhos.
- Ouvi dizer que era boa nisto, mas Patrícia, você é perfeita! Meus parabéns!
- Obrigada padre! – Agradeceu sorrindo e voltando os olhos para Carmem. – Que bom que você veio. Não faz ideia como tenho sentido sua falta.
- Eu também tenho sentido demais. Controlei-me demais para não assistir os últimos desfiles que você fez. Mal pude acreditar quando li que era a convidada especial para o lançamento desta coleção. Se não viesse te ver, acredito que nem dormiria a noite. Vivo louca de saudades! – Carmem contou baixo olhando em volta sem jeito.
Patrícia sentiu o coração disparando enquanto respondia baixo no ouvido dela.
- Eu também vivo louca de saudades. Estou feliz demais por você estar aqui.
Carmem voltou a fitar Patrícia contando ansiosa.
- Nós vamos jantar e pensamos se você gostaria de nos acompanhar. Se não for te causar problemas com Samanta, é claro! – Acrescentou erguendo os olhos para alguém que parou bem atrás de Patrícia naquele instante.
Patrícia voltou-se vendo Betina olhando o padre e Carmem com extremo desagrado. Para quebrar o clima desagradável que se formou, Patrícia falou com Betina naquele instante.
- Betina? Este é o padre Antônio e está é Carmem Santiago!
- É um prazer conhecê-los! – Betina respondeu olhando friamente para os dois. Depois se voltou para Patrícia decidida. – Suponho que vai aceitar o meu convite, não é?
- Desculpe, mas não posso e nem devo fazer essa desfeita com os meus amigos. Já tinha marcado com eles. – Ela respondeu tranquila. Então olhou para os dois avisando com um sorriso. – Não vou levar mais que um minuto.
Betina observou Patrícia se afastar comentando em seguida fitando Carmem com desagrado.
- Não vai levar mais que um minuto, ela tem razão! Coisa que essas modelos fazem bem é tirar a roupa, elas são peritas nisto! – Sorriu e inclinou a cabeça deixando os dois boquiabertos ali.
Carmem fitou o padre percebendo o quanto ele estava sério naquele instante.
- O senhor entendeu o que ela quis dizer?
- Não quero ser maldoso, mas pareceu ter sido um ataque de ciúme ou despeito. Um ataquezinho idiota! – Ele respondeu olhando-a com um sorriso franco.
- É! – Carmem concordou sorrindo com ele.
Seus olhos percorreram neste momento os belos corpos das modelos que andavam por ali conversando com amigos e fotógrafos. Viu Patrícia surgindo linda num modelo de noite. Quando ela apareceu à porta, todas as máquinas fotográficas se voltaram na sua direção. Ela andou com charme e elegância sem importar-se com o fleches que explodiam a sua volta. Nenhuma das modelos presentes tinha o brilho que ela irradiava. Era uma estrela! Carmem teve certeza absoluta daquilo naquele momento. Seus olhos ainda percorriam o corpo de Patrícia quando ela aproximou. Ela parou falando baixo para os dois.
- Estou livre. Vamos?
- Vamos sair deste tumulto sim. – O padre concordou saindo na frente.
Patrícia mostrou para ele uma porta lateral por onde foram. Seguiram por alguns corredores que levaram a rua de trás. A entrada do teatro ficava na rua lateral. Saíram numa rua deserta, onde Patrícia apontou seu carro que estava parado ali.
- Ultimamente, dificilmente consigo sair pela porta da frente.
- Vou lá à frente pegar o meu carro. Espero você na esquina. – Carmem avisou começando a descer a rua para dar a volta.
Patrícia entrou em seu carro sendo seguida pelo padre. Sentou ao volante observando Carmem se afastando com um sorriso nos lábios. De repente balançou a cabeça percebendo o padre observando-a com atenção.
- Estou feliz por tudo ter dado certo para Samanta.
- É padre, graças a Deus ela está cada dia mais forte e bem disposta. – Comentou aliviada. – E eu sinto que posso recomeçar a viver minha vida.
- Claro que pode.
Patrícia ligou o carro descendo a rua em silêncio. Passou pelo carro de Carmem e esperou até ela entrar. Então saiu sendo seguida por ela. 
                                 Continua...

sexta-feira, 20 de março de 2015

“Eu só olhava o mar.” - Soraia Augustinho. - Por Astridy Gurgel

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sentimentos Inesperados. - Parte 29.


Quando chegou ao hospital Samanta sorriu satisfeita ao saber que ela tinha resolvido tudo como pediu.
- Agora posso ficar mais tranquila.
- Samanta eu te trai. Não entendo como pôde passar para o meu nome todos os seus bens.
- Eu amo você. Para quem mais eu passaria? Bruna também deixou tudo que possuía para você.
- É verdade, Bruna deixou mesmo.
- Conheço-te tanto que tenho certeza que você cuidará da minha mãe para mim se eu não conseguir.
- Oh meu Deus é claro que cuidarei da sua mãe! Escute, eu falei com o médico. Você será operada.
- Meu coração está cansado demais Patrícia. Não sei se vai querer continuar batendo.
- Não! Escute-me Samanta...
- Escute você. – Samanta pediu apontando a cadeira para ela sentar perto da cama. – Mantenha o ateliê aberto. Sandrine vai te ajudar a cuidar de tudo. Tenho excelentes assistentes que criam modelos maravilhosos.
- Nenhuma é tão boa quanto você. – Comentou orgulhosa.
- Existe sempre alguém especial. Você foi indicada hoje como uma das melhores modelos do ano. Li nos jornais e fiquei orgulhosa.
- Sandrine me disse, mas você vai ficar boa depois da operação. Então voltará para a sua vida...
- Se o seu Deus existe ficarei boa. – Falou piscando para ela.
- Não brinque assim, Deus existe sim.
- Tomará que exista mesmo. Estou com sono, quero dormir. – Samanta contou fechando os olhos.
- Tudo bem, descanse. Vou ficar aqui do seu lado. Pense que tudo vai ficar bem.

Foi uma noite terrível para Patrícia. Na manhã seguinte os advogados chegaram cedo com uma papelada para Samanta assinar. Depois Patrícia teve que ir ao cartório com eles para assinar documentos importantes dos imóveis que estavam todos sendo passados para o seu nome. Tudo aquilo era assustador e repentino demais para ela. Estava horrível quando voltou para o hospital. Sandrine estava lá com a mãe de Samanta. Elas contaram que Samanta estava sendo operada naquele momento.
Patrícia já não sabia o que fazer. Precisava avisar Carmem. Sabia que ela devia estar preocupada com o seu silêncio. Por isto ligou para o padre pedindo que ele fosse com urgência para o hospital.
Assim que ele chegou contou tudo que estava acontecendo.
Sentaram juntos no jardim onde desabafou sem se conformar.
- Deus não faz nada impensadamente. – Padre Antônio falou segurando a mão dela.
- Não padre? - Perguntou desolada. – Enterrei minha mãe, enterrei Bruna e agora terei que enterrar Samanta também? Deus sempre vai levar todas as pessoas que eu amo da minha vida?
- Você merece ser feliz Patrícia, mas se Deus está exigindo mais essa provação de você, certamente vai te dar algo em troca. Temos visto juntos muita gente jovem morrendo, não é? Temos que continuar sendo fortes. Compreende?
Ela o olhou sufocada. Balançou a cabeça murmurando inconformada.
- Deus está me castigando. Está me punindo porque trai Samanta.
- Isto não é verdade.
- Como não é verdade? É sim padre. Fiz amor com Carmem. Estou apaixonada por ela. Eu traí Samanta da forma mais vil e covarde possível. Mas fiz tudo consciente. Não estava bêbada e nem fora da realidade. Fui desleal e ela está sendo muito gentil e protetora comigo. Depois do eu fiz a ela? Depois de enganá-la ela só pensa em me proteger. Estou acabada! O senhor não imagina o quanto.
- Você está apaixonada por Carmem e não ama mais Samanta. Não tem que se martirizar assim. Nós mudamos todos os dias e os nossos sentimentos também mudam. Temos que aceitar essas mudanças com o coração leve. Não se entregue e nem fique tão derrotada.
- Eu sei padre, sei que não amo mais Samanta como amava. Eu a amo como uma amiga querida e a estimo demais. Vê-la neste hospital não me deixa feliz nem confortável. Tudo poderia ser diferente. Ela não tinha que fica doente e muito menos...
- Calma! Mantenha a calma! Eu estou aqui, vou te ajudar a suportar isto.
Patrícia então chorou nos braços do padre sua dor, sua tristeza e a angústia de imaginar que Samanta estava morrendo. O que a deixava mais arrasada era saber que não podia fazer nada para salvar sua vida.
Foram horas insuportáveis, nas quais Patrícia chorou silenciosa no quarto aguardando notícias junto com Sandrine, o padre e a mãe de Samanta.
Era meia noite quando um médico que ainda não tinha visto entrou no quarto. Ele olhou para Patrícia balançando a cabeça com uma expressão séria.
- Eu sinto muito, nós fizemos tudo que pudemos. O estado do coração é irrecuperável. Ela precisa de um transplante de coração.
- Um transplante? Oh...
- Um transplante não é tão simples. Existe uma fila de espera e ela não pode esperar muito tempo. Se conseguir um coração as chances serão muito grandes. Não sou especialista nesta área. Lamento, mas é este o quadro.
- Oh! – Patrícia levou à mão a boca caindo desolada sobre uma cadeira.
A mãe de Samanta começou a chorar desesperadamente. Patrícia ficou estática olhando para o médico enquanto ele permaneceu explicando e pedindo calma para elas.
Depois que o médico saiu o padre ofereceu para levar a mãe de Samanta para casa, mas ela recusou-se a sair dali. Patrícia disse para o padre que estava tudo bem, afinal como mãe ela tinha o direito de ficar. Principalmente depois de saber que a filha dela não tinha muito tempo de vida.
Patrícia foi levar o padre até a saída do hospital. Lá tirou um cigarro da bolsa comentando ansiosa.
- Faz semanas que fumo. Estou tentando parar. – Comentou baixo. – Mas neste momento não dá para controlar.
- Eu entendo. – Ele respondeu sorrindo.
- Padre? Se não for abusar demais da sua boa vontade, o Senhor poderia trazer Carmem aqui amanhã? Tem uma cafeteria do outro lado da rua. Podemos conversar lá. Preciso explicar tudo que aconteceu e porque não a procurei ainda. – Explicou apontando a cafeteria do outro lado da rua.
- Patrícia? Você não percebeu ainda? Fui eu que fiz de tudo para aproximar vocês duas. Carmem é uma mulher maravilhosa como você. Eu iria mesmo perguntar se desejava falar com ela. Sei que não pode arredar o pé daqui.
- Sei que o senhor tramou sim padre, tive certeza disto desde o aparecimento dela no baile. Sinto que o certo é conversar com Carmem pessoalmente. Quero que ela entenda muito bem a situação. Se puder adiantar para ela a gravidade da situação será ótimo. Bem padre, eu vou voltar para o quarto agora. Já devem estar levando-a para lá. Obrigada por ter vindo. Obrigada pela força e por tudo. O Senhor é sempre muito bondoso para comigo. Está sempre presente nos piores momentos da minha vida. Acho que isto é uma verdadeira amizade. – Falou estendendo a mão para ele.
Padre Antônio segurou a mão dela apertando para lhe dar forças.
- Sou seu amigo sim, mas não me agradeça Patrícia! Mais do que você já fez pela igreja e por tantos que se quer conheceu não tem como pagar. Todo o apoio que te der será pouco. Sempre pude contar com você. É justo que possa também contar com minha ajuda nos momentos difíceis. Afinal a vida tem seus altos e baixos. Amanhã estarei aqui de novo. Tente relaxar. Boa noite! – Despediu abraçando-a e seguindo para o carro.
Patrícia virou entrando no hospital com o coração entristecido.

Samanta despertou no dia seguinte ainda sonolenta. Dormiu praticamente a manhã toda.
O padre apareceu na parte da tarde. Sandrine, Patrícia e a mãe de Samanta estavam no quarto. Samanta continuava dormindo naquele instante. Percebendo o olhar insistente do padre, Patrícia comentou com Sandrine baixo em seu ouvido se erguendo.
- Vou tomar um café e conversar com Carmem. Não demoro!
- Pode ir tranquila. Não vou sair daqui!
O padre deixou o quarto com ela contando:
- Carmem está te esperando na cafeteria. Vou esperar por ela no carro.
- Obrigada padre! – Respondeu deixando o hospital com ele.
Patrícia atravessou a rua entrando na cafeteria. Carmem ergueu-se quando a viu. Abraçou Patrícia com força falando emocionada.
- Meu amor! Quanta saudade!
Patrícia ficou alguns segundos nos braços dela, afastando-se em seguida. Sentou olhando-a nos olhos.
- Parece um sonho estar aqui com você. – Carmem confessou sentando diante dela.
- Sim, parece mesmo. Vou te contar tudo que aconteceu desde o momento que deixei a sua casa e cheguei ao ateliê.
- Tudo bem. Conte-me tudo querida.
Patrícia contou cada detalhe tendo Carmem ouvindo-a atentamente. Quando terminou, Carmem comentou preocupada:
- Você está tão abatida!
- Você tem razão. Estou péssima Carmem.
- Sim, eu sei. Fiquei completamente chocada quando o padre me contou. Imaginei como essa situação deve ter te deixado arrasada.
- Estou arrasada sim. Porque o estado dela é muito grave. Sinto-me culpada. Você deve imaginar.
- Como imagino. Foi isto que fiquei pensando depois que soube.
- Não tive cabeça para te ligar porque fiquei desorientada. Foi tão de repente, eu só pensava que precisava te avisar. Chamei padre Antônio para me ajudar. Principalmente porque precisava te ver. Como também precisava do apoio dele.
- Faço ideia como a sua cabeça ficou. Patrícia? Está tudo bem comigo. Percebi o quanto é grave.
- Muito grave. Se encontrarem um coração para ela talvez ela consiga. Fico imaginando tirarem o coração dela e colocar outro no lugar. Isto é assustador.
- A medicina evoluiu muito. Muitas vidas são salvas em função dos transplantes. Isto é muito bom. Será bom para Samanta também. É isto que importa. Não é?
- Sim. – Patrícia respondeu admirando o rosto dela emocionada. Como sentiu saudades dela. Um sorriso triste surgiu em seus lábios antes de confessar baixo. – Estou sentindo demais a sua falta. Eu não imagino mais a minha vida sem você. Suponho o quanto seja difícil para você sabendo que estou ao lado de Samanta neste momento. Não escolhi isto. A vida às vezes não deixa escolhas. Estou fazendo o que é certo. Quero que ela fique bem e preciso ajudá-la. Não sei quanto tempo vai levar, mas tenho que fazer isto. Só te peço se não for pedir demais que me espere.
- Ah Patrícia, meu amor, meu amor! Vou te esperar com toda a certeza. Não percebeu ainda o quanto você é importante para mim? O quanto te amo?
- Percebi sim Carmem. Saiba que está doendo muito ter que ficar longe de você.
- Me dói também. Estou morrendo de saudade de você, dos seus beijos, de nós. Meu Deus! Juro que serei forte. Meu coração está tão apertado.
- O meu também está. Precisava te ver. Precisava te olhar um pouco ouvindo a sua voz.
- Fico muito feliz que tenha desejado estar comigo neste momento difícil. Vou demorar a vê-la novamente?
- Não sei Carmem. A situação de Samanta não é boa. Não entendo nada de transplantes, mas acredito que o restabelecimento não seja tão rápido.
- É um pouco demorado, eu sei. Mande notícias pelo padre. Ficarei ansiosa por elas.
- Mandarei sim. Carmem?
- Sim?
- Você estará comigo em minhas lembranças. Procure não ficar triste. Voltarei para você.
- Volte mesmo, por favor!
- Agora preciso ir. Amei ver você. – Confessou erguendo e abraçando-a emocionada. – Logo que possível te ligo.
- Ligue sim. Estarei pensando em você. – Carmem falou beijando o rosto dela.
- Eu também estarei pensando em você. – Patrícia respondeu deixando a cafeteria.
Atravessou a rua aproximando do carro onde o padre estava sentado ao volante.
- Obrigada padre! O Senhor virá amanhã?
Ele viu que ela estava chorando, mas decidiu não comentar. Apenas respondeu:
- Com toda a certeza vou vir todos os dias para te dar uma força.
- Obrigada e até amanhã! – Despediu entrando no hospital de uma vez.
                                    Continua...

Lampião de Gás - Viola, Minha Viola 07/08/2011



Hoje meu coração está triste com a partida de Izenita Barrosa, cantora, violonista e apresentadora do programa “Viola, minha viola”, que alegrava minhas manhãs de domingo.
Assistir Inezita nas manhãs de domingo era como um ritual. Porque ela era alegre, o programa era alegre e não existia melhor forma de iniciar os domingos.
Deixou a música caipira órfã. Foram 35 anos levando cantores sertanejos no seu programa.
Sem palavras!
Astridy Gurgel
“O caipira é ligado à tradição, à raiz, ao amor à terra, a qualquer coisa que ele tem dentro e tem necessidade de exprimir.” (Inezita Barroso)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Liberdade! - Por Astridy Gurgel

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Recolher os Cacos!


Chamada: Da pegação para a desilusão.
Boa tarde, moças!
Após o último texto do ano passado, estou voltando para conversar mais com vocês. Agradeço a todas que fizeram contato para aprofundar sobre alguns temas que abordei nos textos postados por aqui.
Quase dois meses se passaram e muitas coisas devem ter mudado na vida de muitas. Aquele relacionamento que começou pode ter dado certo ou decepcionado. Outros podem ter terminado ou melhorado. É, faço algumas ideias.
Vocês já devem ter percebido que estamos em tempos de correria e os relacionamentos entraram também na dança da correria.
Existem muitas mulheres disponíveis para relacionamentos. Acredito que a maioria deseja relacionar, namorar e casar. Outras apenas transar. As que estão amando estão curtindo a felicidade tão sonhada.
Já as carentes e solitárias continuam quase colocando os corações a mostra.
Toda mulher é carente. Aliás, o ser humano em si é carente. Vocês podem discordar, acho até legal se discordarem assim não teremos que pensar igual, como é certo que jamais pensaremos igual.
É natural da mulher essa carência mesmo quando nem ela percebe. Por isto quando algumas ficam falando que são carentes e solitárias estão jogando conversa fora, já que isto é algo que a maioria sente ou sabe (Risos).
Quando uma pessoa quer passar uma imagem boa, o ideal é que não passe a imagem de coitadinha. Quem gosta de coitadinha? Não dá! Então ficar falando:
Não dou sorte no amor, preciso de uma mulher sincera, fui iludida, meu coração está aos pedaços, quero ser amada e amar muito...
O que é isto? É brincadeira? Para que isto se quando aparece uma mulher a realidade é bem diferente? A tal da carência desaparece. A tal solidão não existe. Não valoriza. Aproveita o coração aos pedaços para despedaçar o da outra. Acabam traindo! Esse trem de trair é tão feio. Olha que traição chama traição.
Mulheres são impressionáveis e algumas são crédulas demais. A pessoa afirma uma coisa e à outra mergulha de cabeça. Mergulho de cabeça é danado porque o azulejo que compõe o fundo da piscina é duro e machuca.
Quantas já se machucaram por acreditarem em tudo que leram ou ouviram? Vamos ser francas! Dá para economizar um pouco da ingenuidade.
Vocês locam um filme em uma locadora pela capa ou leem a sinopse antes?
Se forem paquerar e tiver uma mulher gorda e uma magra qual das duas vocês preferem?
Observem bem como vocês fazem as escolhas. É a capa que importa. A maioria olha a capa.
Quem escolhe a mulher magra não escolheu a gordinha por medo ou insegurança. Sabe por quê? Na cabeça rolam várias ideias mais ou menos assim:
Será que a aguento em cima de mim? Vai dar para fazer 69? Meu corpo vai encaixar bem no dela? Aposto que cansa rápido. Será que dou conta de satisfazê-la?
Perceberam a insegurança, o medo e o preconceito? As pessoas temem o que não conhecem. O desconhecido assusta. É preconceito sim! Tanto que centenas de pessoas que transam com gordinhas não contam para ninguém. Não preciso falar mais nada, né?
A questão é muito séria. Olhar para uma pessoa imaginando como será na cama sem si quer supor outros detalhes é valorizar apenas o lado sexual. Não é só sexo que buscamos em uma mulher. Uma mulher é um mundo de sentimentos, sensibilidade, complexidades, intensidades, surpresas, esperanças, sonhos, qualidades e também defeitos.
Moças? Mulheres são de carne e osso. São frágeis! Vocês são frágeis. Por que usar? Machucar? Iludir? Brincar com sentimentos? Meu Deus! Quanta facilidade para trocar de parceiras sem importar com o estrago que causam. Nossa! Fico abismada com tudo que vejo.
Quem vai recolher o caco que essas pessoas viram? Ok! Sei que cada uma é responsável pelo que vive, por suas más escolhas, pelos desenganos e desilusões, mas poxa! É por isto que a fila das desiludidas aumenta a cada dia.
Quando vão escolher uma mulher é a aparência que conta para a grande maioria. Vão pelo exterior. Ouvimos muito falar sobre isto. O importante é o que a pessoa tem por dentro. Sim, mas nem sempre! Existem mulheres lindíssimas que são vazias.
Ver filmes ou ler livros porque a capa é bonita é muito comum. No caso do livro nem faz tanto mal, afinal só de estarem lendo já é um grande acontecimento (Risos).
Na real existem muitas que ainda acreditam no amor. Que estão na encolha esperando que aconteça. Assistindo o bacanal da carne, incrédulas. A coisa descambou de tal forma que até as esperanças ficaram abaladas.
Viver o que se quer e gosta desiludindo pessoas é muito egoísmo. Nós lidamos com seres humanos. Nunca vou entender porque as pessoas colocaram na cabeça que podem usar e descartar as outras.
Não estou delirando. Estou falando muito sério. Talvez esteja falando de um tempo que foi esquecido. O tempo que o amor era importante. Que as pessoas se apaixonavam, que eram românticas, que respeitavam um pouco mais as outras, que sonhavam com relacionamentos sérios. O tempo que a pegação existia, mas era raro. Que apenas ouvíamos falar, mas não era nossa realidade nem estava a nossa volta.  
Perdoem se assusto vocês com estás colocações. Estou certa que não vou acordar o mundo nem mudar ninguém. Só espero que atentem para o que estão vivendo. Que pensem que existem muitas mulheres que desejam viver uma relação verdadeira. Ainda existem corações vazios esperando por um sentimento que poucas sabem reconhecer, amor!
O mundo gira e vocês vão querer recolher os cacos?
Astridy Gurgel
Texto postado no Site Parada Lésbica em 20/02/2015. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mariza - Chuva. - Por Astridy Gurgel.

Sentimentos Inesperados. - Parte 28.


Patrícia chegou à casa de Carmem arrasada. Ao ver que estava chorando, abraçou-a preocupada.
- Patrícia? O que aconteceu?
- Contei para Samanta... Graças a Deus contei e foi muito doloroso.
- Venha, vamos sentar na sala. Imagino que não deve ter sido fácil. Sinto tanto meu amor.
Sentaram na sala com Patrícia ainda chorando muito. Carmem a puxou para seus braços acariciando os cabelos dela enquanto ela chorava.
- Ela disse tantas coisas pesadas.
- Faço ideia.
- Não posso culpá-la, eu mereci ouvir tudo aquilo.
- Você não precisa se julgar tão severamente. Você errou sim, mas aconteceu. Precisa se perdoar. Precisa perdoar Samanta também. Não devem guardar mágoas. Mágoa dói demais.
- Eu sei Carmem. – Patrícia admitiu passando as mãos no rosto enquanto saia dos braços dela. – Parecia que eu sabia tudo que iria acontecer. Como ela iria reagir. Quis tanto dar um abraço nela. Sabe, para confortá-la?
- Sim, eu sei.
- Pois é só que ela não permitiu. Sei que não está errada. Está no direito dela. Pensei que poderia, devia estar louca acreditando em algo assim. Eu a trai feio. Ninguém perdoa uma traição. Preciso tirar essa sensação horrível de dentro de mim. Está pesando tanto, tanto, meu Deus Carmem! Não sei o que fazer. Realmente não sei como ajudar Samanta neste momento. Quero ajudá-la. Quero muito. Apenas não sei como.
- Não acha que primeiro precisa ajudar a si mesma? Como pode ajudar Samanta sentindo tanta culpa? Como pode querer passar algo de positivo para ela se você não está bem?
Patrícia fitou Carmem confusa neste instante.
- Acha que estou me fazendo de vítima? É isto Carmem?
- Não Patrícia, claro que não! Só estou tentando te animar...
- Me animar? Você não percebe como estou? Não adianta falar, sabe por quê? Só estando na minha pele para sentir o que estou sentindo.
- Eu sei Patrícia. Estou tentando te ajudar. Sei que está sensível. Deixe-me te abraçar. – Carmem respondeu puxando-a para seus braços carinhosa.
- Tudo bem. Terei que enfrentar essa situação sozinha. Preciso ir para o ateliê. Tenho um contrato assinado e não posso misturar os assuntos.
- Não deve misturar mesmo. Talvez ela também não misture.
- Deus te ouça!
- O almoço já será servido. Você almoça comigo e aproveita para se acalmar. As coisas vão chegar nos eixos.
- Não estou com menor fome. Obrigada pela força. Bem que dizem que na hora de fazer é gostoso. Depois olha as consequências. – Patrícia deu um sorriso percebendo o olhar de censura de Carmem. – Ok! Vou tentar me animar um pouco. Não quero ficar tão para baixo.
- Está tudo bem Patrícia. Acho normal você estar devastada. Só quero que você reaja. Não dá para controlar todas as emoções, mas dá para tentar não se entregar tanto. Você já previa essa reação dela. Agora tem que digerir e se fortalecer novamente.
- Não sabia que você era tão prática. – Patrícia respondeu se erguendo.
- Acha errado que eu seja prática? 
- Não acho errado. Sei separar minha tristeza do meu erro. Não pretendo supervalorizar essa dor. Aconteceu hoje e sei que com o tempo isto tende a amenizar. Independente do que Samanta sinta decidi ficar com você. Não nego que quero muito ser amiga dela porque gosto dela. Quero que ela fique bem e que supere o mal que lhe fiz. Não posso fingir que não existirão consequências. Samanta vai me julgar. Sandrine, as modelos e mãe dela também. Vai ser uma fofocada insuportável no ateliê. Nunca liguei para a inveja que algumas modelos demonstram sentir, mas... 
- Patrícia? Somos pessoas diferentes. Graças a Deus, porque se fossemos iguais não teríamos nos apaixonado. Quer saber a verdade? O mundo está pouco lixando para o que acontece na sua vida, na de Samanta ou na minha. Quem ficar sabendo vai sim nos julgar até as últimas consequências. Por quê? Porque julgar é o que as pessoas sabem fazer de melhor. Julgam com o maior prazer. Acontece que não podemos viver para agradar as pessoas. Temos que viver da melhor forma possível para agradar a nós mesmas. Acha que estou sendo egoísta? Se achar vou te entender. Acontece que quando eu não tinha nada ninguém nunca se importou comigo. Por isto aprendi a não me importar com as pessoas acham. Porque elas são EGOÍSTAS e só pensam nelas mesmas. Tente ficar bem porque ninguém realmente liga se você está numa boa ou numa pior! Só se importam em julgar os seus atos! Entendeu agora o que estou tentando dizer meu amor?
- Entendi sim e você tem toda razão. Vou evitar ficar pensando nestas coisas. Só quero um abraço. Depois ficarei te olhando almoçar. Realmente estou sem fome.
- Certo! Você vai ganhar muitos abraços. – Carmem respondeu envolvendo a cintura dela. Beijou seu rosto e depois acariciou seus cabelos. Manteve Patrícia presa em um abraço reconfortante. Depois afastou o rosto olhando-a nos olhos com atenção. – Está se sentindo um pouco melhor?
- Sim. Estou sim. Você me acalma.
- Que bom. Então me diga uma coisa. Já que não quer almoçar você promete que toma um copo de suco de laranja ou um copinho de leite? Por favor, faça isto por mim. Se fizer ficarei mais tranquila.
Patrícia sorriu da expressão dela respondendo para agradá-la.
- Tomarei um copo de suco de laranja para te deixar mais tranquila.
- Obrigada amor! Então vamos dar uma olhadinha no que tem para o almoço. Está cheirando tão gostoso!
- Está mesmo. – Patrícia concordou indo com ela para a cozinha.
O método de Carmem para convencer Patrícia a comer alguma coisa levando-a até a cozinha não funcionou. Ela tomou apenas o suco de laranja. Conversaram mais um pouco. Trocaram mais um longo abraço e Patrícia seguiu para o trabalho.

Patrícia chegou ao ateliê às duas da tarde como era de costume. Percebeu na hora como as modelos estavam todas silenciosas. Na verdade elas pareciam estar muito assustadas. Viu como elas a olharam disfarçadamente.
Aproximou de Sandrine perguntando baixo.
- Está tudo bem por aqui? Aconteceu alguma coisa? Estão todas com uma cara muito estranha.
- Aconteceu sim e ainda bem que você chegou. Já ia te ligar. Samanta passou muito mal há pouco. Chamei um médico porque ela ficou muito estranha. O médico acabou de sair da sala dela.
- O que aconteceu? – Perguntou levando o maior susto.
- O problema foi no coração.
- No coração? Mas... Ela não deveria ter ido para um hospital? Sandrine? Agora você me assustou demais!
- Calma! De nervosa aqui já basta Samanta, não acha?
- Oh! Sim! Você tem razão. Vou ver como ela está. Espero que queira falar comigo.
- Ela quer sim. Quando começou a passar mal pediu para ligar para você.
- Que bom! Vou até lá.
Patrícia entrou rapidamente na sala. Samanta estava sentada com a cabeça apoiada no encosto da poltrona. Abriu os olhos ao vê-la aproximando.
- Oi Pat. Desculpe ter mandado te chamar. – Ela justificou estendendo a mão e tocando a dela de maneira ansiosa.
- Não tem problema. Já estava mesmo vindo para cá. O que foi Samanta? Sandrine contou que passou mal. Está se sentindo um pouco melhor?
- Não sei, fiquei com falta de ar. Comecei a suar frio e bateu uma fraqueza horrível. Quase perdi os sentidos.
- O que o médico te falou?
- Ele disse que eu devia ir para casa e descansar. – Respondeu inconformada.
- Fique calma e me conte se está se sentindo um pouco melhor. – Pediu passando a mão nos cabelos dela preocupada.
- Não sei. Sinto-me atordoada. Não te contei, mas a verdade é que fui para Nova Iorque para tratar do coração. Fui fazer exames e ver o que está acontecendo com ele.
- Por que não me contou? – Perguntou surpresa.
- Não queria que ficasse com pena de mim. A verdade é que as probabilidades de alguém enfartar na minha idade são mínimas. Ao menos eram mínimas. Voltei sabendo dos riscos que estou correndo. Recomendações de uma vida tranquila, sem contrariedades, sem... Ah, você sabe! Como se fosse possível viver assim com um coração doente.
- Coração doente? Fui a culpada por você passar mal. Sinto muito por isto. Acho melhor irmos agora mesmo a uma clínica especializada para que você faça outros exames. Assim ficarei mais tranquila.
- Estou melhor, só preciso me acalmar.
- Vai se acalmar cuidando da sua saúde. Vamos agora, porque não vou te escutar. Não fiz tudo que poderia ter feito por minha mãe porque não tinha recursos, mas por você vou fazer. Vamos e vamos agora!
Patrícia arrastou-a para uma clínica especializada em problemas cardíacos. Realmente ela teve um princípio de enfarte. O médico resolveu que ela devia ficar internada para que fizesse todos os exames necessários.
Assim que chegaram ao quarto, Samanta perguntou chateada.
- Para quê todo este exagero Patrícia? Tenho que tratar deste problema sim, mas não quero ficar internada. No fundo você só quer que eu fique aqui para transar à vontade com aquela mulher...
Patrícia a olhou por um segundo sem se alterar, pois estava certa que ouviria coisas deste tipo. 
- Não vou sair daqui Samanta. Ficarei do seu lado até você receber alta desta clínica.
- Ah é? Sua amante vai te esperar sem reclamar?
Patrícia ajudou-a a deitar sem responder a pergunta indiscreta. Depois sentou olhando-a com um ar carinhoso que enterneceu o coração de Samanta.
- Não vou negar que estou mais tranquila por você estar aqui comigo, mas quando me olha assim meu coração dispara na hora.
- Para você ver como te estimo.
- Estima, mas me traiu! Aproveitou que eu viajei para levar outra para sua cama. Você dormiu com outras mulheres além dela?
- Se sou uma rameira provavelmente devo ter dormido com todas. É exatamente isto que você colocou na sua cabeça. Sinal que não me conheceu realmente. – Patrícia respondeu muito tranquila. – Você não deve ficar agitada.
- Se te magoei você sabe que foi porque fiquei enlouquecida de ciúmes.
- Não farei isto Samanta. Não vou trair você nunca mais. Porque vou seguir a minha vida e você a sua.
- Sei que você me trocou por ela.
- Não é hora para essa conversa, por favor! Agora feche os olhos e descanse. Precisa ficar quieta.
Samanta sentiu uma dor forte cortando seu peito neste momento.
Olhou para Patrícia pedindo baixo.
- Chame os meus advogados...
- Samanta? – Patrícia gemeu pegando a mão dela apavorada. – Você está me assustando...
- Não vou fechar os olhos enquanto não falar com meus advogados. Por favor, chame-os de uma vez. Ligue para Sandrine que ela comunica com eles.
- Ah meu Deus! Vou ligar para Sandrine com deseja, mas vou conversar com o médico agora mesmo! – Patrícia respondeu saindo rapidamente do quarto.
Ligou logo para Sandrine que informou que tomaria todas as providências. Em seguida Patrícia procurou o médico apavorada. Ele a encarou ouvindo atentamente.
- Doutor? Samanta está sentindo dor de novo. Sente fortes dores no peito. Não estou acreditando que esteja sofrendo tanto estando aqui. O Senhor já sabe que foi aos Estados Unidos fazer exames no coração...
- Se o estado dela não fosse tão grave ela não estaria internada aqui senhorita.
- Ora, mas o senhor falou em uma bateria de exames. Achei que...
- O coração dela está doente.
- Já sei disto! Doutor pelo amor de Deus! Isto aconteceu porque ela teve uma grande contrariedade?
- Creio que não! Lamento informar, mas pelo exame inicial o risco de enfarte não é o único risco que ela corre. O coração apresenta uma debilidade. Melhor dizendo, uma disfunção bastante grave. Infelizmente só posso dizer que estamos fazendo todo o possível para mantê-la confortável...
- Espere ai doutor! Mas o que é isto? Mantê-la confortável? O senhor tem que fazer alguma coisa! Tem que operá-la! Tem que tentar qualquer procedimento. O senhor é louco por acaso? Tem que salvá-la! Tem que curar o coração doente dela logo se tiver alguma chance de cura. Ela só tem vinte e nove anos...
- Calma senhorita, as coisas não são tão simples assim. Os exames já serão feitos agora...
- Ela terá que ser operada doutor?
- Se ela tiver que ser operada será por outro médico...
- O quê? Por que este médico já não está aqui?
- A senhorita me dê licença, pois preciso iniciar a bateria de exames. – Respondeu afastando-se rapidamente para o quarto onde Samanta estava com duas enfermeiras.
Patrícia saiu desnorteada para fora da clínica. Sentou num banco começando a chorar desorientada. Sua cabeça estava a mil. O que estava acontecendo? Deus estaria lhe castigando por ter feito amor com Carmem? Estaria levando a vida de Samanta porque estava apaixonada por Carmem? Não podia acreditar! Samanta parecia ser tão saudável. Como podia de uma hora para a outra ter uma disfunção no coração? Talvez fosse operada. Sua mãe sempre dizia que quando abriam uma pessoa não era nada bom.
Quase uma hora depois viu os advogados de Samanta entrando rapidamente na clínica. Não conseguia parar de pensar nem de chorar. Seria culpa sua? Estava certa que era sua culpa. Era a culpada pelo enfarte dela. Aquela decepção foi demais para o coração doente de Samanta, mas não sabia daquela doença...
Neste momento sentiu uma mão tocando seu ombro. Ergueu a cabeça vendo Sandrine olhando-a penalizada. Ela falou baixo num tom amigável.
- Você precisa ser forte, não é sua culpa. Não fique se penalizando.
- Ela passou mal depois que eu disse que estava apaixonada por outra mulher.
- Há seis meses que ela estava fazendo exames e cuidando deste problema. Ela sabia dos riscos que corria. Ficou enlouquecida quando soube e foi à doença de Bruna que a fez deixar de lado. Depois apaixonou por você e mergulhou de cabeça. Ela só queria viver toda a felicidade com você.
- Mas porque você não me contou Sandrine? Como pôde esconder isto de mim?
- Por que Samanta não te contou? É isto que devia se perguntar. Desculpe Pat, mas não podia contar. Samanta jamais me perdoaria. Sinto muito, sinto mesmo!
- Oh meu Deus não me castigue assim! Não faça, por favor, não faça novamente isto comigo!
- Calma! – Sandrine pediu puxando-a para seus braços tentando confortá-la. – Você precisa ser forte porque Samanta precisa de você. Estão tratando dela e talvez ela tenha uma chance.
- Preciso ser forte sim, muito forte! – Respondeu caindo novamente no choro desesperado.
Meia hora depois Patrícia entrou no quarto junto com Sandrine.
Samanta estendeu a mão para ela com um sorriso nos lábios.
- Vou ficar bem Patrícia, não faça essa carinha triste.
- Claro que vai. – Sorriu abraçando-a cuidadosa. Puxou-a para junto de seu corpo procurando seus olhos ansiosa. – Não faça isto comigo Samanta. Não suporto perder mais ninguém em minha vida.
- Ah Patrícia você está apaixonada por outra mulher. Isto me mata de tristeza.
- O que importa é que você fique boa. Você será feliz e encontrará alguém que te ame muito ainda. Não somos donas do nosso coração. Ele nos pertence, mas não aceita nossas vontades. Lamento que tudo tenha mudado. Apaixonei por Carmem sem me dar conta. Isto não quer dizer que não deseje que você seja feliz. O que mais quero é te ver feliz e bem de saúde. O aparecimento desta sua doença me deixou arrasada.
- Você jamais saberá o quanto eu te amo. – Samanta falou fitando Sandrine neste instante. – Preciso de papel e caneta, por favor, Sandrine.
Sandrine abriu a bolsa passando um bloco e uma caneta para ela.
Samanta começou a escrever, falando enquanto o fazia.
- O momento exige praticidade. Tenho muito dinheiro fora do país. Quero que o pegue antes que algo me aconteça...
- Não diga isto nem brincando...
- Escute Patrícia! Preste muita atenção. – Interrompeu olhando-a seriamente. – Você já lidou com a morte muito melhor do que está lidando agora. Pegue este papel e transfira o dinheiro para uma conta em seu nome. Se eu morrer não vou deixar todo este dinheiro perdido por aí. Você saberá o que fazer com ele. A minha mãe está presa naquela cadeira de rodas e não pode me ajudar. Vá também a minha casa, coloquei a combinação do cofre que está no meu quarto também. Retire todo o dinheiro e as joias de lá e alugue um cofre em seu nome em um banco. Meus advogados foram cuidar do resto que precisa ser resolvido em cartório. Se eu não morrer você poderá me devolver tudo que estou te entregando agora. – Sorriu olhando-a carinhosamente. – Agora vá com Sandrine e faça tudo o mais rápido possível.  
- Samanta? Não dá para ser tão racional nesta situação. Eu...
- Sendo racional ou não é preciso fazer isto o quanto antes, então faça!
- Meu Deus! – Patrícia gemeu sem conseguir parar de chorar.
- Agora! Faça as transferências, pegue as joias e o dinheiro. Só volte aqui depois de fazer tudo isto. Seja prática!
“Seja prática!” Aquelas duas últimas palavras foram para se tivesse levado um choque. Patrícia secou o rosto pegando a bolsa na hora. Olhou para Samanta avisando decidida.
- Está certo! Vou fazer tudo agora. Não vou demorar.

Sandrine foi com Patrícia até a casa de Samanta. Depois foram para o banco onde alugaram o cofre e transferiram todo o dinheiro da conta no exterior para a conta de Patrícia. Depois foram para o ateliê. Lá Sandrine comentou experiente.
- Você terá que declarar todo este dinheiro em seu imposto de renda se ficar muito tempo em seu poder.
- Eu sei. Não quero pensar em nada disto agora. Estou completamente perdida.
Sandrine balançou a cabeça desolada.
- Espero estar errada, mas quando a pessoa sente a morte chegando é...
- Nem complete o que está pensando em falar, por favor! Não quero que ela morra. Isto não! Eu tenho esperança. Tenho muitas esperanças.
- Estou rezando muito para que ela se recupere bem.
- Reze sim! Vou voltar para o hospital. Já fiz tudo que ela queria. Vou ficar do lado dela. Não me perdoarei se acontecer algo e não estiver lá.
- Patrícia? – Sandrine a chamou quando ela abria a porta.
- Oi? – Ela respondeu voltando-se para ela.
- Nada disto é culpa sua. A vida é um mistério e nos surpreende quando menos imaginamos. Você tem uma carreira brilhante pela frente. A lista das melhores modelos do ano saiu essa manhã e você está entre elas. Procure ser forte porque você não pode mudar o destino. Ninguém pode! Irei para o hospital à noite. Talvez você precise sair um pouco para refrescar a cabeça. Imagino que a sua amiga ainda não saiba sobre o que está acontecendo. Agora vá! Boa sorte!
- Obrigada Sandrine. Tchau! – Respondeu saindo rapidamente do ateliê.
                                  Continua...