sexta-feira, 30 de setembro de 2016

São José Correia - Fernando Pessoa

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

ELVIS PRESLEY - AND I LOVE YOU SO (TRADUÇÃO)

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 16. - Final.


Não demorou muito para Roberta bater na porta do quarto do hotel. Quando Patrícia abriu olhou-a preocupada com imenso carinho justificando.
- Desculpe a demora, meu amor, o trânsito estava horrível.
- Não tem problema. Eu sabia que você viria.
Roberta abraçou-a enchendo seu rosto de beijos.
- Como você está? Está muito ofendida? Ainda está com vontade de chorar?
- Não querida, estou calma, consciente e decidida. Minha mãe me disse cada coisa. Não aceita que eu seja lésbica, acredita nisto? Ameaçou de me internar numa clínica de loucos. Vou alugar uma casa e...
- Alugar? Por que se eu tenho tantas?
- Porque gosto de ser independente.
- Patrícia, por favor, nós estamos começando uma vida, amor! Quer saber? Foi ótimo que sua mãe tenha sido intolerante assim com você. Porque você não estando mais na casa dela, não terei que ser tão cuidadosa e paciente com essa coisa ridícula dela achar que pode mandar na sua orientação sexual. Está tudo bem, ela é sua mãe e acha que tem este direito, mas não tem amor. Não tem mesmo!
- Eu sei querida.
- Não se preocupe que não deixarei que ninguém te faça nenhum mal.
- Está bem amor, te agradeço por ter este cuidado comigo, mas estou triste e não quero falar sobre isto.
Pediu tocando o rosto de Roberta carinhosa.
- Quero você, preciso de você agora.
- Querida...
Sorriu puxando-a para a cama sem se conter.
- Fiz uma loucura hoje.
Contou beijando-a na boca excitada.
- Não fui à reunião... Rubia está chateada, ela não entende porque nunca amou ninguém. Não penso em mais nada... Só penso em você e...
- E?
Perguntou abrindo a blusa dela. As mãos se apossaram dos seios já sem controle.
- Terei que viajar...
- Para onde?
Patrícia perguntou com a boca num dos biquinhos. A língua rodeava arrancando um gemido dos lábios de Roberta.
- Ah... Bahia e Manaus...
- Com secretária?
Perguntou afastando um pouco para ver os olhos dela.
- Secretária, assessor, equipe de advogados...
- Eu irei com você.
- Vai ter que ficar sozinha no hotel se for comigo.
- Vou?
Perguntou sorrindo.
- Se quiser viajar depois, posso tirar alguns dias e iremos sozinhas. Se for comigo nesta viagem faltarei a compromissos e não posso ser tão descuidada. Entende amor?
- Tudo bem. Preciso mesmo de um tempo para colocar minha vida em ordem. Com você por perto mal consigo pensar com clareza. Necessito pintar, a exposição está próxima.
- Que bom. Agora venha cá...
        No dia seguinte, quando Roberta chegou à firma de advocacia às dez da manhã, a secretária informou que Eunice estava aguardando por ela.
Roberta deu um sorriso lindo comentando:
- Mande-a entrar. 
Na sala, sentou em sua cadeira cruzando as pernas com sua elegância costumeira.
Eunice entrou feito um furacão falando pelos cotovelos:
- Bom dia, Roberta! Vim falar com você antes que minha filha mimada encha sua cabeça de besteiras contra mim. Aquela menina vive no mundo da lua e ela certamente vai atrapalhar bastante a sua vida. Veja pelo escândalo que deu no restaurante ontem. Aquilo foi vergonhoso. Eu acho que você precisa se livrar urgentemente dela! Ela só vai te causar transtornos e te envergonhar diante de todos. Ela não é a mulher certa para você. Estive conversando com meu marido, ele conhece muitas lésbicas do seu nível, que obviamente nós poderemos te apresentar em ocasiões de sua preferência. Também achamos que...
- Faça a gentileza de calar a boca!
Roberta pediu erguendo-se da sua cadeira muito tranquila.
- Oh!
Eunice gemeu levando a mão ao peito caindo sentada na cadeira de boca aberta.
- Coloque na sua cabeça que sobre a minha vida vocês não tem que achar nada!
- Eu sei, só que...
- Psiu! Tem uma coisa que mães controladoras e fora da realidade precisam ouvir e aprender. Filhos não são objetos! Sua filha não é como essa caneta aqui!
Falou pegando a caneta mostrando-a para Eunice.
- Porque essa caneta eu posso colocar aqui, ali, posso levá-la para onde eu quiser, posso até jogá-la no lixo.
Parou atirando a caneta no lixo.
- Viu? A caneta é um objeto que eu posso manipular! Os filhos não podem ser manipulados! O que uma mãe precisa entender é o seguinte: Você coloca uma criança no mundo e tem deveres para com ela. Deve alimentá-la muito bem para que cresça forte e saudável. Tem que vestir e educar colocando de preferência em numa boa escola. Precisa ensinar bons princípios, mostrar os perigos e riscos que existem neste mundo. Você só tem que dar casa, amor, carinho, alimentação, proteção, educação e respeito. Mas quando essa criança cresce e completa a maior idade, este elo se parte. Isto não acontece com filhos que permanecem dependentes financeiramente dos seus pais. O que obviamente não é o caso da sua filha, não é mesmo?
- Bem...
- Permaneça calada, por favor!
- Oh!
Eunice gemeu novamente chocada com tudo que estava ouvindo.
- Muito bem! Você é uma mãe descuidada, autoritária, prepotente, preconceituosa, abusada, desrespeitosa, incompreensível, intolerante, egoísta, credo, quantos defeitos! Não respeita a orientação sexual da sua filha, por quê? Acha que pode mandar Patrícia sair da minha vida? Quem é você? Não passa de uma advogada lambe botas! A sua filha é uma mulher de muito valor e você, não só você, toda a sua família vão ter que respeitá-la. Vocês não chegam aos pés dela! Você e o seu marido são ínfimos comparados a ela. Patrícia é uma mulher admirável! As qualidades dela, você não sabe quais são as qualidades dela, não é mesmo?
- Eu sei que...
- Você não sabe de nada e continue calada porque não te chamei aqui, mas como intrometida que é pensou que poderia vir me dar ordens. Pensa que veio aqui para falar, mas engana-se, veio para ouvir e aprender. Voltando a sua filha, você não conhece as qualidades dela. Ela é lésbica, claro, e é feliz por ser. Essa é uma qualidade que eu aprecio demais nela. Ela nasceu assim, é simples. As qualidades que você deveria apreciar nela são: Honestidade, sinceridade, caráter, educação, a preocupação que ela teve com a família até ontem, isto graças a Deus, se depender de mim acabou! Sua disciplina, força de vontade e dedicação com a carreira e o talento. Ela tem outras qualidades que você conhece, mas esqueceu por conveniência própria. Sua filha é íntegra, gentil, meiga, protetora, carinhosa, amiga, dedicada, bonita e por fim, abra bem as suas orelhas, livre!
- Roberta eu não estou gostando do seu tom. Acho que está equivocada falando assim. Sou uma mãe preocupada com a minha filha...
- Preocupada? Você está preocupada é porque descobriu que Rubia não tem o poder de ajudar vocês em nada! Olhe aqui Eunice, se vocês se tornaram sócios desta firma foi porque eu arquitetei, eu quis assim. Fiz tudo isto para conquistar Patrícia! Vou arrumar o cargo para você e seu marido em Brasília e nada mais! Lavo minhas mãos com vocês depois disto. A sociedade será desfeita porque quero distância de vocês! E a propósito, Patrícia não me envergonhou no restaurante ontem não. Senti orgulho dela. Orgulho de sua postura firme. De sua coragem e de sua fibra. Por que ela queria respostas e tinha direito de ouvi-las. Eu amo a sua filha e vou me casar com ela. Infelizmente tivemos aquela conversa num restaurante, mas a nossa vida, nossos assuntos e o nosso amor não são da conta de ninguém, muito menos da sua! Agora se retire, por gentileza!
- Mas, Roberta...
- Saia da minha sala, agora, por favor!
- Mas...
- Quer que eu chame o segurança?
- Oh!
Ela rosnou girando e deixando a sala furiosa.

Patrícia alugou uma bela casa recusando os imóveis que Roberta colocou a disposição dela. A tia e a irmã foram visitá-la, tentando convencê-la a voltar para casa, mas recusou terminantemente. Roberta esteve fora por duas semanas, mas telefonou todos os dias louca de saudades. Ficavam horas ao telefone namorando, esquecidas de tudo. Patrícia também já não suportava sua ausência. Realmente deu-se conta que sua vida não tinha mais graça, nem sentido sem Roberta. A intensidade dos seus sentimentos era tamanha, que se sentia triste e vazia sem ela.
No dia que Roberta voltou, passaram a noite inteira fazendo amor. No dia seguinte Patrícia acordou mais cedo, fez um café da manhã caprichado levando para ela na cama. Roberta espreguiçou quando Patrícia beijou-lhe o rosto carinhosamente. Abriu os olhos olhando em volta sorrindo feliz.
- Bom dia, amor. Graças a Deus que estou acordando na sua cama.
- Nossa cama.
Patrícia sorriu pegando a bandeja e colocando ao lado dela atenciosa.
- Exatamente.
- Bom dia querida! Café puro ou com leite?
- O primeiro café, gosto puro.
- Com a convivência vou aprendendo tudo que você gosta.
- Sim, eu sei. O meu sonho é casar com você, então tenho que ver para qual país nós vamos viajar para resolver logo essa situação. Sem contar a minha mãe, dona Vera, que já buzinou algumas vezes em minha cabeça: “Patrícia é uma moça de família.”
- Moça de família é ótimo!
Patrícia sorriu entregando a xícara a ela. Depois serviu uma tomando um pouco comentando séria.
- Falando em família, minha irmã esteve aqui e me contou que Rubia desfez a sociedade com meus pais e avisou que foi uma ordem sua.
- Foi sim, amor! Não quero nada que me ligue aos seus pais. A atitude da sua mãe com você foi lamentável. Não se preocupe porque os dois irão para Brasília ocupar o cargo que tanto querem por lá. Posso conviver com eles, mas não quero sua mãe enfiada aqui dia e noite! Se ela não aceitou você sendo como é, eu é que ela não precisa aceitar. Posso conversar e cumprimentar; enfim, conviver sem grandes problemas.
- Eu sei Roberta, mas não vou ficar inimiga da minha família. Acredito que com o passar do tempo eles vão aceitar a minha orientação.
- Normalmente eles não aceitam, eles engolem cru goela a baixo. O que eles fazem é tocar a vida como se este fato não existisse. Ou seja, você acredita que está tudo bem, que estão te aceitando, mas no íntimo deles estão se consumindo de ódio e revolta. E a petulância Pat, a petulância quando falam com a gente. A sua tia e a sua mãe querida, elas são abusadas viu, mas comigo se estreparam. A sua tia lá no haras, olhe, tive que colocá-la no seu devido lugar. Só que faço isto na miúda, com delicadeza e classe. Agora a sua mãe, ela pegou pesado e tive que ser sim, muito cortante com ela. Porque pensa Pat, se vamos começar a nossa vida e ela já vem dando ordens, ora, mas o que é isto? Não aceito mesmo! Agora para a minha mãe, e não é só porque é minha mãe, eu tiro o chapéu.
- A sua mãe é uma graça mesmo. Ela falou tão bonitinho comigo: “Não me chame de senhora, eu sou a sua sogra.” Fiquei morta de vergonha, não sabia onde enfiar a cara. Aí eu disse que nós éramos só amigas.
Relembrou caindo na gargalhada.
- Ela nos pega nuas na cama e eu falando que somos só amigas.
- Sua reação foi normal Pat. Agora se fosse a sua tia, aí sim o seu nome e o meu logicamente iriam parar na boca de Matilde! E olha que eu não tomo conhecimento de fofocas, mas os cochichos que já ouvi da boca de alguns advogados, o meu nome ela jogou no ventilador logo que voltamos do haras.
- É mesmo? Oh, eu não sabia!
- Ah, nesta viagem fiquei a par de tudo. Ela não só contou como aumentou algumas coisinhas. Estou te falando que família é um perigo! Eu dou sorte que minha mãe vive na dela e que Rubia não se mete nas minhas coisas.
- Falando em Rubia ela veio me visitar ontem cedo. Nós tomamos café juntas. Ela foi muito gentil e educada comigo.
- Sim, Rubia sempre foi um amor. Ela vai querer se dar bem com você, porque afinal vai ser minha esposa.
Comentou sorrindo.
- Você não teve nenhuma recaída não, né?
- Claro que não, Roberta! Quer saber? Fiquei foi rindo de mim por acreditar que estava apaixonada por ela. Por Deus, Rubia não tem nada a ver comigo. Ela nem se quer é lésbica!
- Não é mesmo. Ela te contou que está namorando?
- Não.
- Sim, está. Sempre achei que Rubia precisava ter alguém. Acho que você entende, para fazer amor, para lhe dar carinho, atenção, alguém que a espere no fim de cada dia e que acima de todas essas coisas anseie por ela e a ame.
- Lógico! Todo mundo carece disto. Então foi por isto que ela estava tão sorridente. Que bacana!
- Estou feliz por vê-la rindo a toa. Não que ela não fosse sorridente, mas o sorriso de uma pessoa apaixonada é diferente.
- É claro, eu sei. Pode acreditar que estou feliz também pela Rubia.
- Que bom! Hum, deixa ver aqui, vou comer uma fatia deste bolo que parece delicioso.
Patrícia cortou duas fatias de bolo passando uma para ela comendo a outra.
- Enquanto você esteve viajando, pensei no quanto a minha vida mudou desde que te conheci. E foi tudo tão rápido. Fazer o quê? Um mês ou mais que te conheci e já estamos morando juntas.
- Sei o quanto foi rápido para você. Já para mim foi tão longo, Pat. Imagine esperar dois anos por você? Por isto não consegui esperar mais. Pode parecer uma loucura na sua cabeça, mas o meu amor é imenso querida. Sonhava com você dia e noite. Quando consegui me aproximar, não dei conta de esperar mais. Por essa razão fui logo te seduzindo daquela forma.
- Eu sei meu bem, entendo o seu comportamento agora. Estou muito feliz por ter você na minha vida. A cada dia me apaixono mais por você. A verdade é que você tem me ensinado a te amar direitinho.
- “Onde não há amor, coloque amor e você encontrará o amor.” Essa é uma das minhas frases preferidas.
Roberta confessou puxando-a para seus braços beijando-a profundamente.
Depois ficaram na cama conversando. Cochilaram, acordaram e voltaram a fazer amor. Saíram da cama sem vontade a uma da tarde para comer.
Quando sentaram para almoçar, Roberta observou que a cozinheira fazia todo o trabalho da casa.
- Você vai precisar de mais empregados aqui, Pat!
- Você precisa de mais empregados, não eu!
Respondeu sorrindo para ela.
- Ué, quem vai cuidar do jardim?
- Eu...
- Você tem tempo para isto amor?
- Posso agendar Roberta.
- E quem vai abrir a porta?
- Eu, você ou...
- Assim não vai dar certo, sei que não.
- Ando meio cansada de casa cheia de empregados, é só isto!
- Você vai lavar as minhas roupas querida?
- Suas roupas?
Patrícia perguntou surpresa.
- Não são lavadas na sua casa?
- São sim, mas como vamos viver juntas não deixarei mais roupas na casa da minha mãe. Podemos mandar tudo para a lavanderia, no entanto, acho que podemos sim ter uma criada que cuide destas coisas por aqui.
- Sim, está bem.
- Vou contratar mais empregados para o nosso conforto.
- Meu problema não é dinheiro para pagar salários e sim paciência para aguentar tanta gente andando a toa pela casa. Contrate, mas divida bem as tarefas para que ninguém fique ocioso.
- Farei com que não te incomodem, prometo!
        Uma semana depois elas deixaram o país para se casar. As testemunhas do casamento foram Rubia, Vera, Hugo e Jorge. Após a cerimônia que foi simples e tranquila na Califórnia, foram jantar num restaurante que servia um peixe delicioso. Voltaram para o Brasil no dia seguinte radiantes de felicidade. No mês que seguiu, Roberta contratou três empregados. Já estava morando definitivamente com Patrícia.

Patrícia fez a tão sonhada exposição na galeria “Chandom”. Seus quadros fizeram um grande sucesso como Roberta tinha previsto. Alguns jornais cobriram o evento, fazendo inúmeros elogios à pintora e ao seu trabalho.
No fim do segundo mês em que estavam vivendo juntas, Roberta entrou no quarto que dividiam a noite. Parou olhando o quadro pendurado na parede atentamente. Patrícia estava parada atrás dela, observando a sua reação enquanto admirava o quadro.
- Então você o terminou, ficou lindíssimo! Você é mesmo uma grande pintora.
- Amor? Você é uma mulher lindíssima, por tanto, o seu retrato teria que ficar lindíssimo!
- Não tire o seu valor como artista Pat, você é uma excelente pintora. Merece todo o sucesso que está fazendo, mas eu sabia. A primeira vez que vi um quadro seu tive certeza absoluta que um dia você alcançaria fama e sucesso.
- Devo isto a você Roberta, afinal, foi você que convenceu Hugo a me deixar expor na galeria dele.
- Se você não tivesse talento seria o mesmo que nada.
Sorriu beijando-a longamente na boca. Afastou buscando seus olhos completamente apaixonada.
- Eu te amo minha deliciosa pintora!
- Eu também te amo. Amo tanto Roberta, tanto que...
- Adoro ouvir isto. Venha, vamos jantar antes que eu caia nesta cama com você e esqueça que estou faminta.
- Vamos sim.
Assim que sentaram para jantar, Roberta comentou animada:
- Amor? Preciso dar um jantar de negócios. Você se importa que seja aqui?
Patrícia sorriu olhando-a com imenso carinho.
- Claro que não, afinal, essa casa também é sua.
- Ah que bom, bem, falando em essa casa também ser minha, eu fiz uma oferta ao proprietário deste imóvel para comprá-lo. Vou te dar de presente de casamento.
- Você é louca Roberta?
- Amor, pagar aluguel é o fim! Além disto, num casamento é preciso adquirir também segurança. Não somos eternas e nem sabemos o dia de amanhã. O futuro precisa estar sempre garantido.
- Do que você está falando?
- Nada, apenas sou muito cuidadosa querida. Será um presente e quero que aceite sem reclamar.
- Está bem, não falo mais nada.
Sorriu piscando para ela. Roberta passou a comer distraída e Patrícia falou chamando atenção dela.
- Roberta? Queria te pedir um favor.
- Sim? Pode falar.
- A minha mãe me ligou. Está muito arrependida. Pediu perdão e quer me ver. Pensei se não podemos convidar a família para jantar. Acho que será uma forma de reconciliação com eles. E gostaria que sua mãe e Rubia viessem também.
- Ah, claro Pat, por mim tudo bem! Vou aproveitar e convidar Hugo e Jorge também. Jorge está tentando se reaproximar de mim. Acho que percebeu que o que eu fiz foi para o bem dele.
- Que bom, fico feliz! Mas querida, Hugo é tão gay, não acha que ele vai assustar nossas famílias?
- Pat, nós somos lésbicas amor e é natural que tenhamos amigos gays. A minha mãe adora o Hugo. Rubia também gosta demais dele. É um homem muito gentil e educado, ele vai encantar a todos, disto estou certa. Não sei a sua tia, né, porque ela vai jogar o nome de Hugo na boca de Matilde, mas ele vai tirar isto de letra.
- Por que você implica tanto com minha tia?
Perguntou tentando não rir da tal de Matilde que ela sempre falava.
- Não implico com ela, tenho um problema com mulher fofoqueira, é diferente! Amor, não se preocupe, eu sei muito bem conviver com as pessoas. Agora, não nego que tenho um pé atrás quando sei que a pessoa tem a língua grande. Vou marcar o jantar sim e garanto que vai correr tudo bem. A única coisa que eu quero saber é se você está feliz comigo.
- Claro que estou Roberta. Tão feliz que não ando, flutuo.
Respondeu meiga.
- Agora coma, antes que esfrie.
Patrícia passou a comer pensativa. Se havia algo de concreto em sua vida era o amor que Roberta nutria por ela. Aquele amor intenso aquecia sua alma. Tinha agora certeza que também a amava. Casar-se com ela e viver junto foi a coisa mais maravilhosa que poderia ter acontecido. Roberta preenchia todos os espaços com o seu carisma. Sentia-se a mulher mais completa do mundo. Tinha um amor perfeito, que de tão perfeito, às vezes sentia medo. Também tinha uma profissão de sucesso como pintora reconhecida e uma família que sabia que mais dia menos dia, acabaria aceitando seu casamento com Roberta. Lembrou-se do dia em que caiu do cavalo e que Roberta apareceu dominando a situação. Havia nela uma força que não soube definir na época. Devia ter se dado conta, quando andava naquele cavalo com ela, que ela seria a mulher da sua vida.
- Querida? Podemos subir?
Roberta perguntou em pé ao lado dela. Patrícia deu-se conta que elas já tinham acabado de jantar. Esteve distraída com as lembranças do passado. Subiu com ela indo direto para o banheiro. Escovaram os dentes e foram para a cama juntas. Abraçou Roberta contando baixo:
- Estava me lembrando do nosso primeiro encontro no haras. Dei-me conta que depois que coloquei os olhos em você não pude pensar mais em nada. Não sei como fez aquilo, mas você me enfeitiçou no primeiro olhar. Realmente eu não soube entender o que era, confundi desejo com antipatia. Eu era uma tola mesmo.
- Não querida, não era não. Bem, e aquele meu olhar foi proposital sim. Bem que vi o estado em que você ficou sobre o cavalo comigo. Quanto mais apertava a sua cintura, mais você tremia em meus braços. Senti que você me desejava mesmo que fosse de forma inconsciente. Por isto te beijei naquela noite.
- Fez muito mais do que me beijar.
Patrícia lembrou sorrindo feliz beijando-a apaixonada.
- Espero que você não tenha mais dúvidas quanto aos seus sentimentos por mim.
- Já não tenho nenhuma.
Admitiu deitando sobre ela. A mão desceu tirando a calcinha dela com suavidade. Seus olhos buscaram os de Roberta quando a mão entrou na buceta deliciosa.
- Eu te amo! Amo tanto que não suportaria a vida sem você ao meu lado.
- Era tudo que precisava ouvir.
Roberta gemeu erguendo as mãos e acariciando os seios dela excitada.
- Adoro assim, ai...
- Amor...
- Patrícia...
- Não espere, venha... Quero... Amo você, sou sua... Só sua...
Suas bocas se perderam num beijo cheio de amor. Ali naquele quarto, todas as juras de amor foram enfim conhecidas. Elas sabiam, sabiam que aquele amor era mais forte do que elas poderiam supor. Assim entregaram-se as delícias do prazer pela noite adentro.

O jantar com as famílias aconteceu no sábado. Roberta recebeu os pais de Patrícia com uma classe de dar inveja em qualquer inimigo. Eunice sentou com Patrícia conversando animadamente com ela. Parecia outra mulher. Realmente estavam morando em Brasília, ela e o marido. Hugo chegou trazendo algumas garrafas de vinho e um buquê de rosas para Patrícia. Jorge tinha uma aparência tranquila. Estava sorridente, abraçou e beijou Roberta como no passado. Ela foi com os dois para o barzinho no fundo da sala, comentando feliz:
- Bem meus amigos, vocês estão diante da mulher mais realizada do mundo.
- Roberta, minha querida, você é um show com este seu amor alucinado pela Patrícia! Não posso negar que ela é uma mulher de sorte por ter te fisgado. Só estou achando vocês duas muito quietas. Precisam sair para agitar nas boates. Vocês duas vão arrasar no meio da mulherada.
- Ora Hugo, elas praticamente ainda estão em lua de mel. As noitadas virão depois. 
Jorge comentou divertido.
- Querido?
Hugo falou passando a mão pelos cabelos dele.
- A vida é uma festa, não só na cama, fora dela também. De mais a mais Roberta é mulher de uma só mulher. Não é amiga?
- Nisto você tem toda a razão. Não se preocupe Hugo, minha vida com Patrícia é bem animada.
- Será?
- A cama onde dormimos conhece a nossa agitação.
- Ui! Malvada! Já entendi, você arrasa, amei!
Hugo comentou adorando a resposta.
- Mudando de assunto acho tão fofo ver as suas famílias reunidas aqui. E ninguém está nos olhando de cara feia, sinal que as cabeças estão mais ou menos feitas. Foi você que aplicou um sossega leão em todos eles? Falo da família de Patrícia, porque a sua mãe e sua irmã são adoráveis.
- Como te contei, dei um chega pra lá nos pais de Patrícia. Mais na mãe que estava achando que iria mandar e desmandar. Agora com aquela Silvia ali, se cuide porque ela vai...
- Colocar o seu nome na boca de Matilde.
Patrícia completou sentando ao lado de Roberta com um sorriso lindo.
- Pare com isto Roberta, mas que coisa meu amor!
- Oh, mas eu adorei este babado! Quem é essa Matilde?
Hugo perguntou morrendo de rir.
- Não liga não Hugo, é só como chamam as fofoqueiras de Portugal. Eu apenas brinco com Patrícia e ela sabe disto.
- Fofoqueiras? Oh, que horror! Odeio fofoqueiras! Cá pra nós, mas no nosso meio tem isso demais. Tanto homens como as mulheres. Este babado é fortíssimo. Tinha uma transexual que vivia na boca de todos. Andava com um canivete para se defender, e por isto ficou com o apelido de Paulete canivete. Olha, mas ela era...
Patrícia olhou para o grupo sentado na sala, sua família, Vera, Rubia e o namorado conversavam animados e felizes. Esperou Hugo terminar de contar o caso gostando de ver Roberta sorrindo feliz. Pegou a mão dela vendo o brilho de desejo nos seus olhos.
- Eu amo você mulher! Amo tanto que você não faz ideia.
Roberta sorriu apertando levemente sua mão. Deu uma piscadinha falando mais baixo:
- Eu também te amo Patrícia. Muito, muito...
Após o jantar, que foi um completo sucesso com a presença espirituosa de Hugo, elas subiram correndo de mãos dadas para se amar, esquecendo-se do mundo lá fora. Porque o mundo certamente não iria sair do lugar.
                                                 Fim.
                                          Astridy Gurgel

Terminada em: 24/12/1996.
Atualizada entre: Setembro e Outubro de 2010.
Reatualizada em: 2016.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

September Morn- Neil Diamond

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Portuguesa.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Simon and Garfunkel - Bridge Over Troubled Water

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 15.


Patrícia parou na porta do restaurante respirando profundamente. Voltou a percorrer as mesas, diante de todos os olhares admiradíssimos que não perdiam de vista a sua pessoa.
Quando chegou diante de Roberta, puxou a cadeira sentando. Ergueu as mãos no ar agitada explicando ao mesmo tempo em que tentava readquirir o autocontrole.
- Muito bem, muito bem! Sou uma pessoa controlada e extremamente civilizada. Perdoe o meu rompante, mas é que você simplesmente me levou à loucura com o que acabou de falar.
- Eu sei Patrícia, você perde o controle com facilidade. O que quer ouvir de mim? Vou mais além, por que quer ouvir?
- Quero ouvir porque diz respeito a mim, é óbvio!
- Dizer respeito a você é uma coisa, importar para você é outra coisa.
- Quero que fale do amor que sente e quando começou a sentir. Porque é importante, é muito importante. Preciso demais saber, conte-me!
Quase implorou batendo todos os dedos na mesa, ainda tentando se acalmar.
Roberta fitou-a sorrindo. Pegou a garrafa de vinho enchendo sua taça. Depois levou a garrafa até a taça dela perguntando gentil:
- Devo te servir?
- Eu tomaria mil garrafas dessas se isto fizesse você falar de uma vez!
Respondeu a ponto de explodir novamente.
- Tudo bem, já vou falar.
Respirou ganhando fôlego.
- Há mais de dois anos entrei por acaso na galeria “Beiras” e me deparei com uma exposição sua.
Patrícia apertou os olhos tentando lembrar-se da data exatamente.
- Realmente! Expus lá neste período a que se refere.
- Foi quando eu te conheci.
Admitiu tranquila.
- Lembro-me de ter conhecido você em uma exposição. De boné, sim, recordei lá no haras, mas não quis te falar.
- Fomos apresentadas pelo dono da galeria. Você tocou minha mão sem esconder o pouco caso. Estava usando um boné e você me olhou meio de banda como se eu fosse uma mendiga.
- Não sei se foi tanto assim, eu...
- Naquela exposição, comprei dois dos seus quadros porque eram os mais lindos. Fui a outras cinco exposições suas desde então. Nós nos encontrávamos e você nunca me cumprimentou.
- Comentei no haras que você era a mulher de boné que eu sempre via nas minhas exposições.
- Comentou sim. Depois da primeira vez que te vi, não consegui mais parar de pensar em você. Ia às exposições apenas para te ver. Ficava por lá fingindo olhar os quadros só para te paquerar, mas você nunca me deu bola. Nenhuma mulher me interessou mais. Comecei a imaginar diversas formas para me aproximar. Decidi esperar por dois anos, pois te achei imatura e pensei que você necessitava amadurecer. Há uns quatro meses fiz com que Rubia convidasse seus pais para se associar a nossa firma de advocacia.
- Então a ideia da sociedade foi sua?
- Foi sim, mas não imaginei que você iria se encantar por Rubia. Bem, aí eu sugeri que ela convidasse toda a sua família para ir ao haras. Sozinha certamente você jamais iria. Lá no haras tentei falar com você e você me desprezou. Só tinha olhos para Rubia.
- Curiosamente só tive olhos para sua irmã no primeiro dia. A partir do segundo dia só conseguia ver você e só pensava em você. Sobre não te reconhecer, nunca fui de ficar prestando atenção nas pessoas. Sempre fui distraída, coisa que meus pais continuamente odeiam em mim, essa minha distração.
- Você ainda é muito distraída.
Roberta sorriu carinhosamente para ela.
- Levar você para pintar em minha casa foi uma atitude desesperada da qual não sinto orgulho, mas precisava daquela intimidade para me aproximar, para fazer você me enxergar. Queria muito que me desejasse como eu te desejo. É bom que saiba que se a seduzi foi porque não aguentava mais de tanta vontade de tê-la.
- Você conseguiu porque te desejo feito uma louca.
Patrícia confessou suspirando enquanto bebia um pouco do vinho.
Depois olhou em volta comentando curiosa:
- Viemos almoçar, por onde anda o garçom?
Roberta fez um sinal e foram logo atendidas. Pedido feito, o garçom afastou-se educadamente.
Patrícia encarou Roberta confessando com o coração apertado.
- Realmente acreditei que estava apaixonada por sua irmã. Não sei explicar como, mas depois que você me beijou ela deixou de existir. Eu me julguei severamente por ter acreditado naquela paixão e por esquecer-me dela de uma hora para outra. Senti-me tão volúvel, tão fútil, você não faz ideia do quanto isto me fez mal. De fato o que senti por Rubia foi uma paixonite que morreu depois que...
- Termine.
Roberta pediu olhando-a com doçura.
- É o que estou te falando, foram aqueles beijos que você me deu no haras. A forma como você me tocou como me seduziu. No primeiro momento em que ti vi fiquei fascinada com a sua beleza. Voltei e não consegui mais parar de pensar em você. Irritava-me por não conseguir te esquecer. Quando você voltou a me tocar tive a certeza de que era tudo que eu mais queria.
- Ficar comigo?
- Ficar com você, nos seus braços, ser apenas sua. Descobri que queria seus beijos e não só eles, queria você inteira. Você sabe que nunca estive com outra mulher.
- Sei e adoro pensar nisto, que sou a única com a qual você ficou. Embora admita que isto seja bastante machista, mas o que posso fazer se isso me deixa imensamente feliz?
- Então vamos ficar juntas.
Sugeriu num tom mais baixo, íntimo, deliciosamente sensual.
- Não consigo mais ficar sem você.
Roberta sorriu satisfeita deixando claro o alívio que estava sentindo por ter se entendido com Patrícia.
- Vamos sim, mas é bom você saber que se alguém da sua família vier perguntar sobre nós, direi o quanto te amo e te quero.
- Tudo bem Roberta, pode falar como quiser, meu bem!
- Assim será melhor. Essa coisa de família se meter nas nossas vidas nós temos que cortar desde o início. Ou nos aceitam ou nos deixam em paz. Falando nisso sua mãe vem vindo para cá.
Eunice aproximou-se olhando para a filha como se não a reconhecesse.
- Tudo bem, Patrícia?
Questionou correndo os olhos em Roberta sem jeito.
- Tudo ótimo! Por que não estaria? Vamos almoçar agora.
- Que escândalo que foi aquele?
- Escândalo? Que escândalo? Você viu algum escândalo, Roberta?
- Não, não vi escândalo nenhum.
Eunice olhou de uma para a outra dirigindo-se a com Patrícia num tom firme.
- Precisamos ter uma conversa... Mais tarde porque teremos uma reunião agora à tarde. O seu comportamento foi uma calamidade! Controle-se porque eu não admito isto! Sou sua mãe e você tem que me obedecer!
- Perfeitamente! Irei procurá-la quando chegar em casa. Está bom assim para a senhora?
- Será muito bom! Com licença!
Quando Eunice se afastou Roberta comentou baixo:
- Sua mãe é bem autoritária! Hum, isto não é nada bom. Vai querer mandar até em mim. Terei que dar um basta nela, mas eu darei, pode deixar comigo. Supostamente ela vai te perguntar o que existe entre nós. Ela que não se atreva a me perguntar.
Comentou sorrindo deliciosamente.
- Sinceramente não estou preocupada com o que a minha mãe vai fazer. E é bom você não se esquecer de que detesto aquelas conversas de advogados.
- Bem, sua família toda é de advogados, então...
- Não suporto os assuntos deles, mas os aguento porque são a minha família e os amo.
- Não se lembrará de que sou uma advogada quando estivermos juntas, é uma promessa.
- Melhor.
Patrícia sorriu satisfeita.
- Você tem a tarde livre, Roberta?
- Tenho alguns compromissos, mas a noite eu estarei livre para você.
- Não tem mais, não hoje!
- Querida, são coisas importantes que...
- Acabou de falar que me ama. Não posso ouvir isso e deixá-la ir. Ficaremos juntas todo o dia. Quero te mostrar como fiquei lisonjeada por saber do seu amor.
- Definitivamente você é diferente Patrícia. Num minuto está furiosa, segundos depois se transforma num anjo. Preciso aprender a conhecê-la ou ficarei perdidinha.
Em seguida Roberta pegou o celular ligando para a secretária. Cancelou todos os compromissos daquele dia. Quando desligou fitou-a perguntando séria:
- Satisfeita agora?
- Completamente.
Após o almoço saíram juntas de cabeças erguidas.
Roberta levou-a até a suíte de um dos seus hotéis na cidade. Assim que entraram na enorme suíte, Patricia comentou olhando em volta admirada:
- Preciso me cuidar ou serei traída constantemente.
- De onde tirou isto? Eu amo você!
Roberta sorriu puxando-a para os seus braços.
- Agora sim, mas amanhã sei lá. Você é rica demais e dinheiro facilita a vida, mas se me trair nunca mais me verá.
- Entendi o recado e tenho outro para você. Só existe ciúme sincero onde existe amor. Não quero que você seja a minha dona. Quero que seja o meu amor, a minha mulher. Estamos entendidas?
- Estamos. Agora me beija porque estou louca para te sentir.
Roberta a beijou tomada pela paixão. Caíram na cama arrancando as roupas sem aguentar mais a vontade de se tocarem. Patrícia deitou sobre ela roçando suas bucetas encantada.
- Estou loucamente apaixonada por você Roberta.
Confessou acariciando os seios dela com as mãos.
- Você já sabia, não é?
- Desconfiar não é saber.
Respondeu feliz.
- Quero ouvir muitas vezes, todos os dias. Quase não acredito que seja verdade.
- É verdade sim.
Admitiu descendo a mão passando-a na buceta dela. Levou a boca chupando os dedos extasiada.
- Adoro seu gosto.
Roberta sentou agarrando lhe a cintura, beijando-a enlouquecida de desejo. A mão desceu deslizando pela buceta com prazer.
- Ai, não via a hora de te sentir assim.
- Não via a hora de me comer, eu sei, conheço seu fogo. Me fode, vem, come bem gostoso. Ai... Adoro dar para você...
- Rebola que eu fico doida quando você rebola.
- Você quer que eu vire querida?
Perguntou no ouvido dela.
- Quero como você quiser me dar.
Respondeu sem conseguir pensar direito.
- Também tenho fantasias, vem vou dar de um jeitinho que você vai adorar.
Convidou desvencilhando dela e ficando de quatro na cama.
Roberta mal acreditou quando a possuiu assim. A maneira provocante como Patrícia rebolava quase a levou a loucura. Com a outra mão tocou o clitóris até fazê-la gozar intensamente.
- Ahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Patrícia girou o corpo beijando-a longamente na boca. Quando suas bocas separaram-se, pediu excitada.
- Me dá vai, quero te chupar. Estou louca pra você me dar tudo na boca.
- Ai eu dou, vem...
Roberta deitou rapidamente abrindo as pernas.
Patrícia mergulhou na buceta fazendo a festa. Estava seca de vontade e a chupou até senti-la gozando intensamente.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Depois mudaram de posição e fizeram um 69 delicioso.
Relaxadas, deitaram abraçadas trocando carinhos suaves.
Patrícia a olhou nos olhos comentando feliz:
- Que bom que você não ficou com raiva quando quis te dar de quatro.
- Ora querida, eu não sou sapatão.
Respondeu sorrindo admirada.
- Como assim, não é sapatão? Não entendi.
- Meu amor, sapatão gosta de comer buceta. Não sei se elas tiveram uma educação muito conservadora, repleta de tabus ou se é porque acham que é um ato muito masculino, embora sejam elas também bem masculinizadas, enfim, é algo que só elas entendem.
- Você já ficou com uma mulher muito masculina?
- Não fiquei, mas o que ouvi dizer é o que te falei. Nem tenho este tipo de preconceito e não condeno a conduta de ninguém. Eu gosto de comer a minha mulher com prazer e com um cuidado especial. Sexualmente nós duas estamos apenas começando a nos conhecer. Não tenho regras na cama. Desde que sejamos apenas eu e você, na guerra e no sexo vale tudo.
- Que bom ouvir isso, pois agora posso me soltar melhor com você.
- E eu com você. Venha, quero você de novo...
Separaram-se às oito da noite. Roberta deixou-a diante do restaurante para que pegasse o carro. Estava tão feliz que mal podia acreditar. Patrícia acenou para entrando no carro e voltando para sua casa.

Assim que chegou a casa, Patrícia foi direto ao escritório da mãe.
- Oi mãe! A senhora disse que queria conversar comigo. 
- Já estava imaginando que não iria dormir em casa novamente!
Eunice recriminou sem cumprimentá-la, apontando a cadeira para que sentasse.
- Estive ocupada com Roberta, mas agora estou aqui.
Explicou sentando muito tranquila.
- Posso saber o que estavam fazendo?
- A senhora queria conversar, mas eu não tenho nada para falar. O que eu estava fazendo não importa!
- Você faz ideia do quanto nos humilhou dando aquele escândalo no restaurante?
- Não entendo onde a senhora viu escândalo...
- Não seja cínica, pois estou no meu limite!
- ...
- Não vai falar nada? Odeio quando fica muda assim!
- Ofendemos menos quando nos calamos.
Patrícia respondeu baixo.
- Como pôde falar aquelas coisas? Não, falar não, praticamente gritar!
- Estava resolvendo assuntos que só dizem respeito a mim e a Roberta. Se todos pararam para ouvir não é problema meu.
- Se você está deitando com a sócia majoritária da firma me diz respeito sim!
Gritou batendo na mesa.
- Roberta tem um poder incalculável e essa relação de vocês pode prejudicar toda a nossa família! Os nossos planos eram...
- Minha relação com Roberta é problema meu.
- Ilusão sua pensar tal coisa! Rubia mal se cabe de falta de jeito com tudo isto. Se Roberta não detivesse setenta por cento das ações estou certa que...
- Segundo eu sei Rubia sempre soube que Roberta é lésbica. Não sei por que ficaria sem jeito com a nossa relação.
- Por mais que ela sabia que Roberta é lésbica aquela cena no restaurante foi para envergonhar todos nós! Tenho uma relação de negócios com essa família. Você não pode atrapalhar meus planos.
- O que a senhora deseja? Diga, pois vou deitar agora.
- Quero que pare imediatamente com esta brincadeira de ser diferente! Deixe Roberta Marins em paz! Tínhamos uma reunião importantíssima hoje e você a impediu de acontecer. Exijo que faça uma viagem ou o que quiser, mas afaste-se dela de uma vez por todas! Não aceito uma filha lésbica, mas não aceito de forma alguma! Eu até te interno numa clínica de loucos, mas não permito que continue com isto! Provoque-me para você ver o que é que eu vou fazer. Ah Patrícia, essa pouca vergonha vai parar e já!
- Lamento que esteja pensando em fazer algo assim. De qualquer maneira não vou me afastar de Roberta.
- Você está transando com a dona de um império! Se enxergue, você é uma simples pintora! Jamais estará a altura dela! Ponha-se no seu lugar sua fedelha irresponsável!
Patrícia ergueu-se na hora estufando o peito orgulhosa.
- Não fale assim comigo, pois não sou mais uma criança! Continue cuidando dos negócios e deixa que de Roberta eu vou cuidar sozinha.
- Vai insistir nisto então?
- Infelizmente para a senhora estou apaixonada por Roberta. Gosto muito mais dela do que a senhora possa imaginar! Até logo!
- Espere ai! Não terminei ainda com você.
Falou dando a volta na mesa barrando a passagem de Patrícia.
- Quero que saiba que senti uma imensa vergonha de você hoje. A linguagem baixa e vulgar que usou em público foi desnecessária! Não te criei para isto e muito menos para se deitar com uma mulher! Tenho horror de você por ser lésbica!
- Ora, porque afinal ficou ouvindo a minha conversa? Roberta e eu temos nossos problemas e lidamos com eles a nossa maneira. O que te ofendeu tanto? Foi eu ter dito que é ela que me come todos os dias? Pois é a verdade, não vou negar! Se negasse seria um Judas, e isto jamais eu serei! Quer saber mais? Ela não gosta que eu esconda a nossa relação. Tenho muito orgulho de ser lésbica! Sou uma moça fina e muito bem educada, mas quando estou na intimidade com ela, me transformo numa mulher viva, ardente e realizada. Isto ninguém vai mudar!
- Até parece uma meretriz falando!
- Como que a senhora sabe? Conheceu muitas?
O tapa explodiu no ar e na face de Patrícia. Muito dona de si ela ergueu o rosto sem tocar a face murmurando baixo:
- Deixo a sua casa ainda hoje! Isto é uma promessa! Deixo está casa, mas nunca deixarei a mulher da minha vida!
No quarto juntou tudo que pôde sem conseguir controlar o pranto. Fez três malas deixando a casa. Dirigiu o carro pelas Ruas até o hotel onde passou o dia com Roberta. 
No quarto sentou na cama ligando para ela.
- Roberta? Acabei de sair de casa. Venha me ver, por favor. Preciso de você.
- Está chorando? Tenha calma, já estou indo, meu amor.
Continua...

...


Se vocês encontrarem algum conto meu sem final me contem. Gostava de saber.
Astridy Gurgel.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

The Pretenders - Eu vou ficar do seu lado [[Oficial Live Video]] HD

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 14.


Roberta deixou a casa de Rubia seguindo para o escritório de advocacia. Fez uma reunião com alguns advogados para discutir questões importantes. Quando finalizou a reunião, viu Junior fechando a pasta preparando-se para ir embora.
- Junior?
- Oi Roberta?
- Tenho que dar uma passada em um dos hotéis para resolver um problema que surgiu com um cliente que está querendo processar o hotel. Pode ir até lá comigo?
- Tem certeza? Você é advogada e... A não ser que necessite de suporte.
- Vou até lá apenas como proprietária do hotel. Você sabe, gosto de acompanhar tudo de perto.
- Certo, eu sei. É claro que posso te acompanhar.
- Então vamos lá.
Foram cada um no seu carro. Depois de reunir com a gerência do hotel, Roberta saiu com ele da sala. Olhou na direção do restaurante do hotel comentando:
- Vou tomar um drinque. Quer me acompanhar?
- Quero sim.
Roberta pediu duas doses de uísques. Começou a conversar com o advogado falando exclusivamente sobre trabalho. Aproveitou para observá-lo melhor enquanto ele falava. Depois Junior comentou sobre a ausência dela do escritório.
- Você viu só? Ando completamente sem tempo.
- Imagino que você deve ter uma vida muito corrida tendo tantos negócios para cuidar. Sem contar as viagens. Sobra tempo para namorar?
- Boa pergunta. Antes essa questão não era um problema porque não tinha namorada. Agora tenho e faço tudo para estar com ela o máximo de tempo que eu posso. Falando nisto, Rubia até anda chateada comigo. Marquei um jantar com ela na semana passada e não pude ir. Amanhã temos um novo jantar agendado e não sei o que eu faço, não vou poder ir de novo.
- Sua irmã tem namorado?
- Não, mas tem montes de homens que dão em cima dela.
- Já percebi. Ela não é de dar bola. Parece ser muito séria.
- Ah, é muito séria, Junior, ih, nem te conto! Fica magoada com facilidade, por isso que estou preocupada em cancelar o jantar de amanhã. Sei que vai ficar triste comigo de novo. Ela gosta de sair para conversar, você sabe como é. Essa cidade é tão cheia de pessoas e você acaba entre as pessoas se sentido mais só do que se estivesse no deserto do Saara.
- Sim, eu conheço essa sensação. Se você quiser e ela não se importar eu vou no seu lugar.
Roberta abriu um largo sorriso perguntando:
- Tem certeza? Faria isso por mim? Você vai me salvar se for!
- Lógico! Eu também gosto de sair para jantar e não dispenso uma boa conversa.
- Ah, essa boa conversa vai depender de você, porque Rubia é muito tímida.
- É? Não achei que fosse.
- Ela é muito tímida. Bom, a conversa está boa, mas tenho que ir. Vou ver se namoro um pouco ainda.
- Claro. Só me diga o nome do restaurante em que marcou o jantar e a hora amanhã, por favor.
- Restaurante Momento, conhece?
- Sim, já jantei lá.
- Nove da noite. Não se atrase e se desculpe por mim. Muito obrigada por me salvar. Apreciei muito a sua companhia. Quero que me acompanhe mais vezes.
- Eu que agradeço! Vai ser um enorme prazer.
Junior abriu um largo sorriso saindo com Roberta do restaurante.
Deixando o hotel Roberta decidiu ir novamente até a casa de Patrícia. Queria muito fazer as pazes com ela. Foi Gabriela que atendeu a porta.
- Roberta? Olá, como vai?
- Tu bem e você?
- Estou ótima! Veio falar com meus pais? Eles não estão.
- Não, vim conversar com Patrícia.
- Ah, certo. Ela está deitada na rede da varanda. Pode ir lá. Desculpe-me, mas estava de saída.
- Fique a vontade, obrigada! Tchau!
- Tchau!
Já tendo estado na casa, Roberta sabia muito bem onde era a varanda. Seguiu até lá decidida. Parou na porta admirando Patrícia deitada. Bastou vê-la para o seu coração bater mais forte. Estava lendo um livro completamente distraída. 
Roberta aproximou-se tentando não fazer barulho ao andar e tal foi a sua surpresa quando Patrícia ergueu os olhos do livro olhando-a fixamente.
Roberta sorriu falando.
- Oi. Eu estive aqui mais cedo, mas você não estava.
- Oi. Levei meu carro na oficina.
- Ah, que bom. Pensei que tivesse saído desesperada por aí ainda acreditando que eu estava mesmo te traindo.
- Desesperada? Por que eu ficaria desesperada?
- Foi uma forma de falar. Você até me mordeu.
- Mordi mesmo.
Patrícia admitiu permanecendo deitada. O livro estava aberto sobre sua barriga, sinal que não pretendia parar de ler. Do contrário o teria fechado. Roberta observou perspicaz parando diante dela.
- Vim ver se você está bem.
- Estou bem.
Respondeu analisando o rosto de Roberta com atenção.
- Está mesmo bem?
- Sim, estou.
- Não vai me dar nem um abraço? Um beijo?
- Acho melhor não.
- Nós brigamos por uma coisa que não existe. Não vejo sentido em...
- Feri a sua boca.
Patrícia comentou olhando a boca atentamente.
- Desculpe, não queria te machucar.
- Você me feriu por nada.
- Você me deu motivo.
- Ah, Patrícia! Vamos seguir com isto? Por favor!
- Não vamos seguir. Você vai para casa descansar e eu vou continuar lendo.
- Acha que eu vim aqui para ouvir isto?
Roberta questionou admirada.
- Acabei de te pedir desculpas.
- Sim, mas continua toda fria comigo.
Patrícia sorriu comentando.
- Não estou fria. Acho péssimo quando brigamos. Fico tão chateada quanto você.
- Agora está parecendo a Patrícia que eu conheço. Todos os casais brigam. Relacionamento é uma das coisas mais difíceis que existem. Eu nunca tive um assim como estou tendo com você. Eu também estou me adaptando, entende?
- Posso ter exagerado na minha reação, mas eu sou assim.
Patrícia explicou sentando na rede.
- Eu sei que você é assim. Percebi desde o início.
- Na verdade fui ridícula hoje. O que nós temos é uma relação física, que me agrada, não nego, mas...
- Mas?
- Não viu? Perdi o controle. Fui além, e... Eu, não gostei de te ver dançando com aquela mulher. Levei o carro para a oficina e fiquei sentada na praça refletindo.
- Eu também não gostaria se te visse dançando com outra mulher.
- Não, não foi à dança. Dançar não tem problema. Foi à forma como ela abordou você te levando a dançar com ela.
- Eu sei, somos amigas e eu afirmo que nunca tive nada com ela. Nós sempre dançamos, por isto que ela dançou comigo. Sinto-me ridícula justificando uma coisa que fiz sem a menor maldade.
- Pior ainda, você fez sem maldade e eu pedi a cabeça.
- Não fiquei com raiva Patrícia. Entendi muito bem a sua reação. Vim para me entender com você. Não quero ficar brigada.
Patrícia sorriu olhando-a nos olhos.
- Não vamos ficar brigadas. Quero esquecer o que aconteceu. Amanhã você nem vai lembrar que me viu assim.
- Pensei que iríamos dormir juntas.
- Hoje não, estou recobrando meu equilíbrio, mas guarde suas energias. Amanhã você não me escapa.
- Vamos nos ver a só à noite?
Patrícia sorriu porque adorava perceber aquela necessidade que Roberta tinha de fazer amor com ela.
- Que horas você quer me ver, Roberta? Podemos almoçar juntas.
- Será um prazer! Quer que eu te busque aqui?
- Não, obrigada! O que acha do “Rochele” a uma da tarde?
- Ótimo!
- Depois podemos voltar para o apartamento e...
- Sim?
- Você sabe.
- Claro que sei. Posso te dar um beijo de boa noite?
Sorriu concordando.
- Pode.
Patrícia correspondeu ao beijo com suavidade. Roberta apertou-a mais ao seu corpo confessando.
- Estou louca para te levar para a cama.
- Eu sei, eu também quero ir com você para sua cama.
- Não vejo a hora.
- Calma, amanhã faremos isso. Agora vai. Você está com uma expressão cansada.
- Estou cansada sim. Dar conta de você não é fácil.
- Já devia ter imaginado que a culpa era minha.
- Claro que é sua.
- Boba!
Roberta a beijou mais uma vez piscando para ela.
- Te encontro amanhã. Guarde a sua vontade que eu vou guardar a minha. Durma bem!
- Você também.

Quando Patrícia chegou ao restaurante no dia seguinte Roberta aguardava por ela na entrada. Sorriu tocando seu braço de leve beijando-a no rosto suavemente. Afastou-se comentando encantada:
- Você está linda, Patrícia!
- Obrigada! Essa produção toda foi para você.
Confessou entrando ao lado dela.
Quando Roberta parou para verificar a reserva da mesa com o maître, Patrícia correu os olhos pelo salão do restaurante luxuoso. Adorava a comida dali. Era seu restaurante preferido onde costumava jantar ou almoçar sozinha. Neste momento levou o maior susto ao ver toda a sua família, Rubia e mais dois estranhos reunidos numa mesa.
Foi à irmã que acenou animada na sua direção. Patrícia voltou-se para Roberta que se aproximava sorridente.
- Nossa mesa é aquela ali perto da janela.
Contou mostrando a mesa.
- Meus pais estão aqui.
Confidenciou baixo para ela.
- Estão? Rubia tinha mesmo um almoço de negócios com eles hoje, mas logo aqui? Fazer o quê? É melhor irmos cumprimentá-los.
Suspirou conformada.
Patrícia suspirou seguindo-a até a mesa. Quando se aproximaram, sentiu o olhar curioso dos pais observando-as. Rubia falou logo animada com Roberta:
- Vou pedir duas cadeiras para vocês sentarem aqui...
- Obrigada, mas temos assuntos a tratar.
Explicou com suavidade.
- Nós temos reserva. Bom apetite para vocês! Com licença!
Seguiram para a mesa sob o olhar atento da família de Patrícia.
Sentaram e Patrícia suspirou comentando:
- Fiz uma péssima escolha de restaurante. Minha mãe anda louca para meter o bedelho na minha vida. E tia Silvia, você sabe, vai arrastar o meu nome para a boca de Matilde sim. Na verdade, acho que eu mesma jogarei o meu nome na boca dessa tal Matilde.
Sorriu olhando-a com imenso carinho.
Patrícia abriu a bolsa pegando o maço de cigarros. Roberta inclinou-se o acendendo com gentileza.
- Ainda bem que não proibiram de fumar aqui.
Patrícia comentou percebendo os olhos de Roberta entrando pelo decote da blusa cavada que usava, enquanto acendi-lhe o cigarro.
- Está tentando me seduzir?
- Não, seria um escândalo. Só estou te admirando. Os meus olhos adoram o seu corpo.
Roberta confessou fechando o isqueiro.
- Você não se importa que nos vejam juntas, não é?
- Não devo nada para ninguém. Sou dona da minha vida, dos meus desejos e de todos os meus pensamentos.
- A sua mãe também acha natural.
- Quando você passa vinte e cinco anos amando um homem sendo a sombra de outra mulher, aprende a aceitar muita coisa na vida.
- Sua mãe foi amante do seu pai por vinte e cinco anos?
- Foi sim.
- Eu entendo, mas era uma relação heterossexual, diferente de nós. Acho curioso sim como ela me trata bem e como aceita numa boa quando nos vê juntas. Cá para nós, ela tem visto até o que não deveria ver.
- Vamos tomar mais cuidado no futuro. Na verdade o sofrimento é o mesmo em qualquer relação. Meu pai não frequentava a nossa casa. Eles sempre se viam às escondidas. Minha mãe foi a amante, a outra que não podia ser vista com ele. Sofreu muito porque o amava loucamente. Viveu uma vida de renúncias, saudades e tristezas. Quem sofre por um amor proibido nunca condena, apenas respeita e entende.
- Então confessa uma coisa. Isto te deixa à vontade para transar com todas as mulheres que você quer, não é? Se sua mãe não te condena.
No fundo Patrícia desconfiava que de que Roberta não transava apenas com ela.
- Você acredita mesmo nisto, Patrícia?
- Você é bonita demais para ser santa.
Acrescentou revelando sua desconfiança.
- Santa? Nunca quis ser santa. É essa a imagem que eu te passo?
- Não falei que você me passa essa imagem. Porque fui eu que precisei falar sobre termos um caso?
- Porque que eu falaria se já estávamos tendo um caso? O que não quero é ter o mesmo tipo de vida que a minha mãe teve. Não quero viver nada escondido.
- Do que você está falando?
- Daquilo!
Calou-se lançando um olhar na direção da mesa onde os pais dela estavam.
- Sempre será assim. Você ficará ansiosa se eles vão descobrir sobre nós. Não é o tipo de vida que me agrade.
- O que você quer que eu faça? Quer que eu vá lá e diga que estamos transando? Assim seria melhor para você?
Roberta suspirou recostando na cadeira. O garçom aproximou servindo nas taças o vinho que Roberta pediu ao maître. Enquanto ele servia, Patrícia estava com o rosto enfiando nas mãos. Assim que ele afastou, Roberta comentou baixo com ela:
- Não vamos brigar de novo. 
Por um instante ela se inclinou tentando ver os olhos de Patrícia. Neste momento ela ergueu a cabeça falando enciumada:
- Nossa briga de ontem mostrou meu temor íntimo. Pensei que você tivesse percebido.
- Você não me escolheu para ser a sua outra metade. Escolheu Rubia, lembra-se?
- Oh, muito bem!
Patrícia sorriu amarga.
- Estou pagando por ter dito aquilo? Você tem tanto despeito da sua irmã que não consegue esquecer as coisas que eu te disse naquele dia?
- Não tenho despeito de Rubia! Gostei de você no primeiro instante. Desejei você e tenho feito tudo para estarmos juntas, Você é que não enxerga.
- Tem mesmo, na cama!
- É! Na cama, exatamente onde sei que você também me quer todo o tempo.
- Odeio seu convencimento!
- Foi você que começou com essa conversa.
- Falo as coisas na intimidade e tenho que aguentar você jogando na minha cara? Nós só combinamos mesmo na cama, essa é a verdade.
- Não! Você está errada, nós...
- Nós o quê?
Quase gritou furiosa.
- Aiiiii... Preciso me acalmar.
Patrícia gemeu afastando a cadeira perturbada.
- Vou ao banheiro!
Desculpou-se deixando a mesa de uma vez.
Roberta ficou ali vendo a mãe de Patrícia e todos daquela mesa olhando na sua direção cheios de curiosidade. Patrícia tinha um gênio forte e conversar aquelas coisas íntimas com ela num lugar público só podia dar naquilo.
Patrícia voltou um pouco mais calma. Acendeu um cigarro falando decidida:
- Ou temos um caso ou acaba aqui! Escolha! Eu não sinto nada pela sua irmã, satisfeita?
- Não? Deixou de gostar dela assim tão rápido? Não esqueci o que a sua mãe falou hoje pela manhã no telefone.
- Não pode acreditar em mim? Acha que eu seria capaz de iludir e mentir assim?
- Você não me ama, Patrícia.
- Não pensei que tinha que te amar para termos um caso.
- Ao menos você gosta um pouco de mim? Desde o início o seu interesse foi sexual.
- O seu também pelo que eu sei.
- Patrícia você é a mulher mais linda, gostosa e fascinante que eu conheço. Fazer sexo com você é uma necessidade que não posso negar, mas minha razão é muito mais profunda do que essa.
- É mesmo? Devo adivinhar que razão profunda que é essa?
- Eu te amo.
Patrícia ficou muda olhando-a sem acreditar no que tinha escutado.
Roberta respirou profundamente rodando a taça de vinho entre os dedos. Seus olhos brilhavam intensamente.
- Não queria te contar desta maneira, não no meio de uma discussão, mas você não me deixou outra escolha. Não quero você por algumas horas, quero todo o tempo. Encontros rápidos e transas as escondidas não são meu estilo.
- É mesmo? Então porque tem transado comigo escondido no seu quarto?
- Tem outro jeito? Você não queria que sua família soubesse...
- Podia ter falado dos seus sentimentos há mais tempo.
- Depois de você me avisar que amava a minha irmã?
- Você pensou em mim? Pensou nas minhas necessidades e nos meus sentimentos?
- Seus sentimentos não eram meus, eram da minha irmã!
- Mas é você que me come todo dia!
Explodiu afastando a cadeira saindo furiosa do restaurante.
Na rua, Patrícia abriu a porta do carro desnorteada. Na mesma hora bateu-a fechando e trancando novamente. Como Roberta se atrevia a falar que a amava? Como assim amava? Como podia amá-la se nem se conheciam direito? Se é que amava mesmo teria que explicar muito bem aquele amor. Aqueles pensamentos a levaram de volta ao restaurante.
Quando entrou, todos os olhares voltaram-se na sua direção. Indiferente aos olhares caminhou cegamente por entre as mesas até parar diante de Roberta.
Agarrou o encosto da cadeira perguntando inconformada.
- Que história que é essa de que você me ama? Desde quando sabe disto?
- Temos que conversar como pessoas civilizadas. Por que não se senta?
Roberta perguntou mostrando a cadeira olhando envolta tranquilamente.
- As pessoas estão todas nos olhando.
- Não quero sentar porque estou louca da vida com você! Que se danem todos! Se você não se importa com o que as pessoas pensam, eu que vou ter que me importar? Como se atreve a confessar isto assim? Parecia que estava falando: O dia está lindo! Você falou de algo que para mim é a coisa mais importante do mundo: O amor!
- Eu já te amava bem antes de te conhecer no haras.
Confessou com simplicidade.
Simplicidade? Essa palavra, eu não sei se é exatamente a palavra que queria usar. Vou deixar. Sei lá, o que quis passar é que Roberta confessou seu amor de uma maneira calma. Não quis gritá-lo, apenas revelou com uma voz afável. A fragilidade do amor está toda latente em seu ser. Não sei qual é o problema em se entender a suavidade deste momento. Patrícia está momentaneamente surda, por isso não está conseguindo ouvir com o coração.  
- Você é muito cara de pau mesmo!
Patrícia acusou girando nos calcanhares marchando para a saída do restaurante novamente.
Continua...