domingo, 24 de julho de 2016

Conto - Correndo atrás do amor! - Capítulo 08. - Final.


No dia seguinte, Laura estava pitando em sua casa, quando a mãe avisou que Rute estava desejando vê-la.
Laura apareceu na sala com uma expressão fechada. Rute sorriu sem jeito juastificando logo.
- Sei que você não que falar comigo. Mas...
- Já falei tudo que eu tinha para falar, não acha?
- Eu vim porque não aguento mais Laura, por favor, eu não vivo sem você!
- Rute, pare...
- Laura eu não quero mais mentir para Paula. Eu sei que ela não sabe que nós tivermos um relacionamento e...
- Não foi um relacionamento, mas ela já sabe sim, eu contei Rute! Meu Deus, você tem que parar com isto. Você inferniza a minha vida sem parar. Até no Haiti foi me incomodar, que inferno! Eu nunca te amei, foi um rolo o que a gente teve, droga! Vá viver sua vida mulher!
- Você não tem coração e eu te odeio cada dia mais!
- Rute eu conheço tanto você, que aposto qualquer coisa, como você foi morar com Paula para mantê-la longe de mim.
- É claro sim. Ou você acha que ia deixar você ser feliz com ela? Eu te conheci primeiro, eu tenho mais diretos que ela.
- Diretos? Você é louca, é? Era só o que me faltava! O que eu tive com você foi apenas sexo e foi há mais de oito anos, por tanto desencana da minha vida.
- Se você não me aceitar...
- Olhe aqui, vou te falar só uma coisa, se você não sumir da minha vida eu vou tomar duas providencias. A primeira será ir falar com o seu pai. Ele precisa saber o quanto você está perturbada ainda. A segunda é pedir uma ordem de restrição judicial contra você. Aliás, isto eu já até fiz! O que você faz há anos, essa sua perseguição insuportável, eu sai do Brasil por sua causa, sabia disto?
- Eu sabia claro que sabia! Por isto fui viver com Paula, porque eu sabia que se ela te encontrasse novamente iria cair aos seus pés. Ela é tão idiota quanto eu. Nós duas te amamos demais e você não merece o amor de ninguém neste mundo. Eu vou acabar com sua vida! Vou...
Rute se calou percebendo que Laura olhava para a porta fixamente. Parada ali estava seu advogado, sua mãe e dois policiais.
- Não acredito que você chamou a polícia para mim sua...
Os dois policiais aproximaram dela, pegando cada um num braço dela.
- Queira nos acompanhar Senhorita. Existe uma ordem de restrição que não permite que se aproxime de Laura Viegas. Tem que ficar 100 metros de distância de onde ela estiver. Se desobedecer a ordem judicial a Senhorita poderá ser presa por até...
As vozes dos policias não foram mais ouvidas quando deixaram a casa com Rute. O advogado entregou para Laura o documento informando aliviado:
- O juiz assinou hoje. Você sabe como essas coisas demoram. As conversas e ameaças que você gravou com dela foram decisivas na decisão dele. A partir de agora você está livre deste problema. Assim que você voltar para o Haiti, leve essa documentação ao departamento de justiça que ele terá a mesma validade que tem aqui no Brasil. Uma cópia foi enviada para a embaixada Brasileira de lá. Se precisar de mais alguma coisa, avise-me, por favor. Até mais ver!

No domingo Laura atendeu a ligação de Paula. Paula pediu para vê-la no apartamento.
Laura não pensou muito indo logo ao encontro dela. Passou por ela como no passado seguindo direto para a cozinha. Voltou com três latas de cerveja.
- O que aconteceu? O que é tão urgente que não podia esperar até segunda? – Questionou jogando-se na poltrona com um suspiro cansado. Pegou uma lata abrindo com a mão trêmula.
- Você está tremendo, o que foi?
- Nada. Por que me chamou?
- Laura o que você quer de mim?
Laura ficou olhando para ela sem saber o que dizer. Afinal, o que estava acontecendo com aquela mulher?
- Não entendi! - Falou por fim sem se alterar. 
- Eu sempre te amei. Durante todos estes anos que ficamos longe não cansei de ter esperanças. Procurei por você por todo lado, mas sabia que um dia você teria que voltar. Agora não quero perdê-la novamente. Decidi terminar tudo com Rute. Nem sei por que fiquei com ela, porque a aceitei na minha vida. Para te falar a verdade, nem acredito que ela me ama de verdade. Também não entendo porque ela quis viver comigo. Você mesma me disse que ela é rica, então não é pelo meu dinheiro. Ah, deixe Rute para lá.
- Você está delirando. Não voltei por você, não se iluda. Realmente eu vim expor meus quadros no Brasil e te encontrei casada com outra.
- Não estou delirando, eu só quero você!
- Esta sua facilidade de terminar tudo é que me choca sabia? Vai dizer a Rute que vim ao Brasil a trabalho e que por isto não a quer mais? Que transou comigo e se deu conta que sempre fui seu grande amor? Ou vai dizer a ela que odeia as festas? Que odeia sua casa cheia de gente estranha? Que a despreza e aos pais por te bajularem, por te cansar com suas conversas vazias? Que acreditou que estava no caminho certo quando a escolheu para ser sua mulher e se enganou? E por fim que sempre amou outra mulher, mas que esta outra nunca quis o que você parecia querer. Porque nem você sabe o que Rute quer de verdade na vida dela. Então é  isto que vai dizer para ela?
- Vou dizer qualquer coisa e vou ficar livre dela.
- As pessoas não são lixo, não as jogamos fora. Temos que detê-las, dar um basta, acabar por fim com o problema!
- Diga-me uma coisa. Se eu terminar com Rute você fica comigo? – Perguntou se aproximando dela até seus corpos se colarem.
- Não, não vou ficar com você.
- Mas ontem na cama me disse que era louca por mim. Confessou que me amava... Que me queria tanto e...
- Não repita isto! - Pediu cobrindo os lábios dela. - Sabe o que é? Não pertenço mais a este país. Nada aqui me prende. Quando fui embora pela primeira vez estava arrasada. Não queria ter te deixado, mas era a única maneira de você encontrar uma vida melhor. Não sou culpada se a mulher que pensou ser ideal para você acabou sendo uma negação. A escolha foi sua. Você arriscou e perdeu. Comigo foi diferente, encontrei a felicidade e não vou desistir dela.
- Preciso de você comigo. Eu...
- Não precisa Paula. O que você gosta em mim na verdade e o meu jeito de ser diferente. Não consegue me entender e pensa que vivendo comigo vai me desvendar. Já soube que não vai ser assim. Ouviu minha mãe, sou realmente assim. Porque acredito no amor, muito mesmo. Para viver com alguém é realmente importante que se ame de fato. Amar é também é respeitar o espaço da outra. Você nunca respeitou o meu. Não respeitou meus pensamentos, não respeitou minhas lutas, não respeitou meu jeito de ser, enfim, não respeitou nada em mim!
- Eu te amo Laura! - Sussurrou nos lábios dela. – Tanto... Você...
- Você me seduz, me conduz... Mas não é tudo.
- O que preciso fazer além de te amar?
- Precisa entender que sou uma pessoa imperfeita como todas as outras. Não existe a parceira ideal. Se existe alguém para você, esteja certa que não sou eu.
- Eu te amo e quero te aceitar como você é!
- Você quer? Então ainda é um aprendizado. Deixe como está. Conheço todos os seus desejos e vou mantê-la realizada por bastante tempo. Venha aqui, preciso ter sentir. Não fale mais nada, quanto mais você fala só piora as coisas.
Então cobriu os lábios de Paula com um beijo apaixonado. Deitou sobre ela no sofá tirando suas roupas e ajudando-a a se livrar das dela. Sorriu nos lábios dela falando emocionada.
- Vou fazer amor com você, vou fazer amor para que sinta o quanto eu te amo e deixe de ser tão insegura minha amada, razão da minha vida, razão da minha paz.
Laura desceu suavemente os lábios pelo corpo dela, acariciando cada pedaço de sua pele, praticamente venerando-a com seu toque carinhoso. Beijava sua pele, ouvindo os gemidos deliciosos que Paula dava enquanto era acariciada. Paula segurou o rosto dela olhando-a admirada.
- Por que nunca me tocou assim antes? Porque está tão diferente deste jeito?
- Porque nunca te amei como te amo agora e agora acho que você está pronta para receber todo o meu amor. O amor Paula é uma entrega de almas. É muito mais que sexo, muito mais do que só as safadezas que fiz com você querida. Está na hora de fazermos amor de verdade. Eu te amo Paula, amo demais...
Os lábios caíram suaves nos de Paula. Ela suspirou enlaçando o corpo de Laura encantada. Nunca a tinha sentido assim. Parecia que ela estava leve. Até o corpo dela sobre o seu estava mais leve. Aquela sensação era maravilhosa demais para entender naquele momento.
Laura desceu os lábios para os seios dela, beijando-os e sugando os biquinhos mansamente. O prazer que Paula sentia era mais intenso, quase inebriante.
Quando ela chegou ao seu sexo teve a impressão que ela levitava entre as suas pernas. A língua que desligou em seu sexo também estava diferente. Simplesmente Laura parecia ser outra mulher.
Foi maravilhoso quando gozou. Paula sorriu quando ela veio deitando do seu lado.
- Você sentiu Paula? Sentiu o meu amor?
- Senti Laura, mas como você fez isto? Tudo em você está diferente. Não entendo, eu...
- O amor não é para ser entendido, é para ser sentido. Agora me abrace e me deixe ficar aqui ouvindo o seu coração.
- Quando você vai embora Laura?
- Ainda não sei amor, quero passar algum tempo te amando antes de voltar a ser responsável.
- Você vai ficar aqui comigo?
- Adoraria, mas você é casada. – Comentou sorrindo. – Mas vou vir todas as noites te encontrar aqui. Assim teremos paz.
- Não sabe como me deixa feliz com isto.
Paula sabia que quando Laura fazia uma promessa a cumpria realmente. Como estava cumprindo regularmente.
Durante toda aquela semana as duas se encontraram por algumas horas no apartamento.
Um mês mais tarde nada tinha mudado Paula não voltou a tocar no assunto de deixar Rute. Laura não perguntou sobre ela, agia como ela não existisse. Paula estava completamente apaixonada e não conseguia mais esconder seus sentimentos. Elas viveram momentos maravilhosos durante um mês naquele apartamento.
No final daquele mês maravilhoso, saíram pela primeira vez juntas. Laura pediu que fossem almoçar num lugar tranquilo. Chegara o momento de partir e não podia mais adiar.
Mal sentaram fazendo os pedidos, Laura viu Rute entrando com os pais e mais dois jovens. Percebeu que Rute viu Paula. Ficou impassível fingindo não vê-la vindo à direção delas.
- Paula? Há quanto tempo? Esqueceu o endereço de onde você mora? – Rute perguntou olhando para Laura com ódio.
Paula voltou-se a encarando confusa. Rute ignorou o rubor em seu rosto e se voltou para Laura.
- Você sumiu para encontrar com as suas vagabundas?
Paula olhou para Rute dando um sorriso maldoso.
- É disto que você morre de inveja né? De não estar no meu lugar!
- Como você é patética Paula! Você não voltou mais na sua casa, mas fique certa que eu já sai de lá viu sua covarde! Devia ter tido uma conversa franca comigo.
- Ora eu fui, mas você está sempre saracoteando por ai. Eu é que não ia ficar correndo atrás de você.
- Mesmo assim você me deve explicações!
- Quer explicações? Ta bom, então vamos ali ao banheiro. – Falou indo para o banheiro decidida.
Rute entrou olhando-a com lágrimas nos olhos.
- Vai conversar comigo num banheiro de restaurante?
- Acabou Rute! Nunca te amei! Nunca suportei o seu jeito, as suas festas, os seus amigos, seus pais, sua música alta, nunca suportei nada de você. Mudei para o meu apartamento porque eu achei que você não precisava ter que ouvir nada disto de mim. Você nunca me amou! Não entendo nem porque você foi morar comigo!
- Eu nunca te amei mesmo não!
- Ótimo, então o adeus entre nós está dito.
- Você está namorando com Laura de novo, não é?
- Isto não é mais da sua conta, afinal, você nunca me contou que transou muito com ela no passado.
- Não contei porque não é nada da sua conta também, Paula!
- Realmente não é, e eu não te chamei aqui, portanto me deixe em paz. E deixe Laura em paz porque daqui para frente, se você a incomodar eu vou te dar uma surra que você nunca mais vai se esquecer. Não sou de bater em ninguém, mas você agora é caso de policia! Adeus!
Rute engoliu em seco, saindo furiosa do banheiro e do restaurante. Seus acompanhantes correm atrás dela sem compreender o que tinha acontecido.
Paula foi ao encontro de Laura que sorriu para ela com carinhosa.
- Existem encontros que não conseguimos evitar. Tenho absoluta certeza que ficaremos livres de Rute agora, amor.
- Você disse que vai embora? – Paula perguntou abafada.
- Amanhã! Não posso mais ficar. Faz três meses que estou no Brasil! – Respondeu controlando-se para não demonstrar sua dor.
- Não pensei que seria tão cedo.
- Não é cedo! - Respondeu triste. - Tivemos o nosso tempo. De alguma forma a vida sempre nos uniu. Não temos do que nos queixar.
- Voltará para me ver? - Perguntou com os olhos cheios de lágrimas.
Laura suspirou profundamente. Não gostava de mentir e nem iria fazê-lo logo com quem mais amava.
- É tão difícil voltar. – Sussurrou baixinho. – Gostaria muito... Mas é impossível. Somente você me traria de volta ao Brasil, mas você tem que seguira sua vida. Eu só queria te amar Paula.
- Pensei que ambas queríamos somente amar. Você esteve todo este tempo presa a mim. Sabe que sim. Nunca me amou como me ama agora. Sei que me quer mais do que diz. Por que então é necessário partir?
- Sempre soube o quanto te amo. Eu te amei minha vida toda. Este amor me faz bem, me preenche, e só aumenta dentro de mim. O destino nos separou. Não ficarei no Brasil. Jamais ficaria. Construí outro mundo fora daqui. Uma vez renunciei a tudo por você. Anulei-me para te realizar. Não posso mais fazer isto. Apenas não queria que você enlouquecesse por minha causa. Deixei que enlouquecesse ao meu lado, mas você não entendeu meu amor.
- Você me tira todas as ilusões sabia? Eu te amo e não posso prendê-la junto de mim. Tenho que abrir minhas asas e deixá-la ir.
- Te agradeço por isto. Preciso que saiba que jamais guardei mágoa por você ter acreditado que Rute era a mulher ideal para você. Fiquei feliz porque tive condições de deixá-la descobrir sua verdade. Fique certa que dei a você toda a minha vida. Se voltarmos a nos ver, darei novamente tudo a você.
Caíram num silêncio mortal. Depois foram para o apartamento e se amaram pela noite toda.
Quando Paula entrou em sua casa na manhã seguinte, de Rute só ficou um bilhete sobre a cama. Paula o pegou com um suspiro.
Estava escrito:
“Você vai me pagar por toda aquela humilhação!”
Caiu sentada na cama olhando envolta. Perguntou-se em voz alta completamente desolada.
- O que é que eu vou ficar fazendo aqui sem você, Laura?
Naquele momento pulou da cama pegando o telefone e discando para sua secretária. Pediu que ela providenciasse uma passagem para o Haiti no próximo avião. Tinha urgência naquela viagem e não poderia esperar até o dia seguinte.
Pegou o passaporte verificando se o visto para deixar o país ainda não tinha expirado. Estava tudo ok. 
Em seguida chamou a criada pedindo que preparasse suas malas, pois iria viajar e não tinha data para voltar.
- A senhora não vai voltar Dona Paula?
- Não, acho que não. Se voltar será apenas para resolver coisas minhas coisas aqui no Brasil. Preciso sair, vou falar com meus advogados. Ah, vá fazendo as minhas malas, por favor. Não demore com elas. Ainda preciso correr no meu banco. E preciso voar para os braços do meu amor... – Gritou já da porta agitada. – Você receberá seus diretos, meus advogados cuidarão de tudo com presteza. Eu não demoro, seja rápida...

Paula admirou o horizonte limpo. O dia estava lindo. Olhava pela janela do táxi que a levava ao seu destino final. Só precisou de alguns minutos longe de Laura, para perceber que não seria capaz de viver sem ela. Teve que seguir também o seu destino.
Deixou a cargo dos seus advogados para se desfazerem de todos os seus bens. Deixou as casas, e todos os imóveis a cargo de uma imobiliária. Passou as fábricas e agência para outros empresários. Sua alma estava leve. Não tinha porque retornar ao Brasil.
Enquanto admirava os lugares por onde o táxi passava, dava-se conta que Laura tinha razão quanto ao Haiti, era realmente um lugar maravilhoso, um paraíso.
Tâmara a chamou e Laura desceu usando somente uma camiseta. Parou olhando para Paula sem disfarçar sua alegria em vê-la ali.
- Oi amor. Vim jantar com você. – Sorriu mostrando o cartão que Laura tinha dado a ela no dia que se reencontraram no Brasil.
- Paula? Não pensei que viesse. Você guardou meu cartão. – Comentou sorrindo feliz mal acreditando que ela estava parada ali com todas aquelas malas.
- A sua é casa muito bonita! – Paula elogiou mostrando as seis malas no chão. – Trouxe todas as minhas roupas. Preciso comprar uma casa para nós.
- Ah Paula, mal posso acreditar que você esteja aqui. – Sussurrou jogando-se nos braços dela e beijando-a apaixonadamente na boca por um longo tempo.
Ouviu de longe a voz da mãe falando com elas:
- Bem, vou ver onde Thomaz se enfiou.
Paula sorriu apertando-a em seus braços com um sorriso.
- Pensei muito sabe. Acho que entendi que era hora de mudar a minha vida. Era hora de buscar a mulher que eu amo. Você Laura! Preciso de você, não posso mais fugir desta verdade.
- É? - Riu roçando o corpo contra o dela. – Então você acordou. – Comentou baixo.
- Nunca é tarde para acordar. Sem você minha vida não faz mais sentido.
Laura segurou sua mão e se beijaram novamente. Depois se afastou perguntando. Seu coração batia tanto no peito que nem tinha palavras.
- Você acha que vai gostar de morar aqui, Paula?
- Gostar? Não sei se vou gostar, só sei que vou estar com você. O lugar não importa só você me importa. Meus compromissos acabaram. Vim por você, apenas por você Laura.
- Rute sumiu mesmo?
- Rute se foi sim. Não tive que magoá-la. Concordo que a vida foi boa para mim Laura. Porque me deu você. Quer caminhar na praia?
- Vamos! - Aceitou saindo de mãos dadas com ela.
Andaram na praia em silêncio. Laura sorria. Paula não deixava de olhá-la em momento algum. Acariciava os cabelos de Laura, beijando o rosto dela em alguns momentos.
Sentaram numa pedra admirando o mar incrivelmente azul.
Paula segurou as mãos de Laura bem junto das suas, depois afastou os cabelos que lhe caíam no rosto.
- Eu te amo, Laura!
- Paula... Estou explodindo de alegria por você estar aqui. Sempre te amei! Sentava aqui todos os dias, exatamente aqui nesta pedra e sonhava acordada com você.
- Eu também sonhava com você todos os dias. Agora só quero viver a nossa realidade e o nosso amor. – Contou beijando-a longamente nos lábios. Então buscou os olhos dela perguntando séria. – Você conseguiria viver sem mim?
Laura sorriu acariciando o rosto dela com carinho.
- É claro que não amor. Minha vida seria uma eterna ponte aérea. Viveria indo ao seu encontro.
- Ai que alívio saber disto. – Sorriu dando um suspiro. - Pode estar certa que não deixarei que nada me afaste de você, Laura.
- Nem eu meu amor, nem eu. Você é a realização do meu sonho.
- Eu te amo Laura. Venha, vamos andar. Depois eu quero entrar e te amar muito.
- Eu também quero te amar muito. Vamos andar, vamos sim querida.
Saíram andando pela praia, iam de mãos dadas sorrindo sem conseguir disfarçar a felicidade que sentiam neste momento.
Depois voltavam para a casa. Seus olhos diziam tudo quando entraram no quarto fechando a porta.
As saudades deixaram do lado de fora. O amor agora estava com elas.
                                                     Fim.

Nova Lima-MG, 25 de janeiro de 1991.
                     Astridy Gurgel.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Simone e Zélia Duncan | Então Me Diz | DVD 2008

A Portuguesa. - Capítulo 44.


Após o banho Maria e Aima foram para a sala, afinal, o vinho que iria ser aberto estava à espera. Não só por isto, Maria queria tirar a verdade de Aima. Depois daquela entrega entre elas tinha certeza que contaria se soubesse que já conhecia o segredo que guardava a sete chaves.
Aima abriu o vinho servindo as taças. Sentou com ela brindando. Sorriu feliz sentindo o olhar amoroso de Maria.
- Sabes que eu estava quase a enlouquecer por tua causa, não é?
- Estava a perceber, Aima. Também eu vivia louca por você. Já não resistia mais. Não compreendo minha vida mais sem a tua presença. 
Maria sorriu com ternura cruzando as pernas. Tocou a mão de Aima acariciando-a com a ponta dos dedos.
- Tens planos para o futuro, Aima?
- Planos? Sempre tenho planos para o futuro.
Maria percebeu que ela pareceu aturdida, mas não pensou que fosse por causa delas. Talvez fosse justamente com relação ao que desejava saber. 
- Então vamos lá ver uma coisa, viveste o quê, cinco, seis anos sei lá com a tua ex e não pensastes em adotar uma criança?
Aima abaixou a cabeça na hora. Maria abriu a mão pegando a dela, apertando de forma carinhosa.
- Toda gente acaba pensando em crianças. Quem não pensa tem um animalzinho de estimação, mas tu não tens.
- Por que estás a falar sobre isto?
- Não achas que é mais do que hora de me contares, Aima?
- Ah, Maria! O que queres saber mais? Já sabes tudo. Sabes até que fui estuprada.
Aima suspirou erguendo-se de uma vez agitada.
- Não percebo que não entendas o quanto falar sobre este assunto incomoda-me.
- Pois eu sei, mas é preciso. Não devemos adiar essa conversa, não agora Aima!
- Pronto, então diz-me o que queres saber.
- Por que não me contastes que ficastes grávida? Não pensastes que eu tinha o direito de saber?
Aima olhou-a completamente admirada.
- Como... Como que ficastes a saber que engravidei?
- Diz-me Aima, depois conto como vim a saber.
- Eu... Pensei sim em contar-te. Ando há dias raciocinando numa maneira de contar.
- Então conte agora. As gêmeas morreram ou as destes para adopção?
Aima arregalou os olhos mais surpresa ainda.
- Claro que não dei para adopção. O que pensas que eu sou? Um monstro?
- Oh, Aima, que alívio!
Maria suspirou levando a mão ao peito suavizada.
- Como soubestes? Ninguém sabe.
- Como ninguém sabe? A Fátima sabe, a Idalina e a tua prima Mirna...
- Apenas elas e mais ninguém. Minhas filhas estão com a minha prima.
Aima sentou novamente. Olhou-a nos olhos dando um sorriso confessando.
- São duas meninas muito amadas.
Maria abraçou-a afagando-lhe seus cabelos carinhosamente. Aima ficou em seus braços quieta, recebendo os carinhos. Lágrimas escorriam dos olhos sem que ela as conseguisse deter. 
- Guardar este segredo deve ser um peso. Não precisas mais esconder de mim. Estão com doze anos, não é?
- Sim, doze anos, essa idade difícil.
- Pensastes em abortar?
- Pensei inúmeras vezes, mas não tive coragem. Graças a Deus porque elas são a minha grande alegria. Eu as rejeitei logo que nasceram. Rejeitei assim, não conseguia amamentá-las. Meu quadro depressivo não permitiu, percebes? Por isto a Fátima, a Mirna e a Idalina se revessavam para cuidarem delas.
 - Percebo o quanto elas foram o teu esteio.
- Sim. Entretanto eu estava lá todos os dias. Olhava para as duas e as cenas do estupro vinham a minha mente. O primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto em cima de mim. Aqueles homens a cada hora um, e a voz da Carmo ao fundo dando ordens a eles para que não parassem; que tinham que curar-me violando-me muitas vezes para que eu nunca mais pensasse em mulheres. Ah Maria, aquelas lembranças eram um inferno. Então, eu via as duas, tão pequenas, tão desprotegidas, chorando a plenos pulmões quando tomavam banho, porque sentiam frio e eu ficava sem saber o que fazer, sabe aquela necessidade de proteger? Meu coração cortava.
- Faço ideias.
- Imagine que bobagem a minha, todo bebê chora se sente frio, fome, dor, mas eu nada entendia de bebês. A Idalina e a Fátima, elas sim, eram mães e sempre sabiam o que fazer.
- Dizem que é instintivo. Muitas mães inexperientes criam seus filhos sem nada saber.
- É verdade.
- O tratamento para a depressão resultou?
- Resultou sim, foi bastante eficaz. Fui melhorando a olhos vistos. Não conseguia amamentar, tudo tinha referência com aquela violência sexual, meus seios ficaram muito machucados e mesmo curados, nem eu os tocava. Foi por insistência da Fátima que tentei amamentar algumas vezes, mas a sucção no seio trazia as lembranças e não conseguia ir adiante.
- Então não as amamentastes?
- Depois de seis meses consegui fazê-lo. Não fazia ideia de que o amor materno era mais forte que tudo. Fui apegando-me a elas. Passei a querer protegê-las cada vez mais, foi quando resolvi que ninguém poderia saber para que não chegasse aos ouvidos da Carmo. Se ela se aproximasse das minhas filhas não responderia por mim.
- Realmente ninguém sabe. Fique despreocupada.
- Eu sei, nem as minhas amigas, Graça e Leonor. Quando comecei a namorar com a Aurélia, ela deixou claro que não suportava crianças. Da mesma forma, minhas filhas a odiaram de cara. Em momento algum tentei mudar a situação. Tratei de alugar um apartamento para privar as meninas de uma mulher da qual elas não gostavam.
- Foi quando foi morar com Aurélia, percebi.
- Sim. Elas ficaram morando com a Mirna que é uma pessoa maravilhosa.
- As suas filhas não frequentavam a sua casa?
- Achas? Viviam indo porque sabiam dos horários da Aurélia. Aprontaram umas boas com ela, Deus me acuda, a Aurélia deu cada escândalo.
- O que elas fizeram?
- Toda a espécie de cenas para irritar a Aurélia. Eu as repreendia, mas não paravam. Só agora percebo que queriam que a Aurélia fosse embora da minha vida.
- Imagino, pois não gostavam dela. Penso que deviam achar que não eras feliz com ela.
- Acredito que pensavam isto e outras coisas. Um ano depois comprei este apartamento. As duas amaram o imóvel, a localização, o caminho mais acessível para os shoppings, sabe como são as crianças.
Calou-se sorrindo ao lembrar-se da alegria das filhas na época.
- A Mirna fez a tua vez na vida delas.
- Fez sim, em parte, mas sempre fui ter com elas. Todos os dias eu lá vou, porque duas crianças dão muito trabalho e nunca quis deixar toda a responsabilidade nas costas da prima. Sou eu que olho os deveres de casa e vou às reuniões escolares. Levo as para passear e até nas viagens de férias, lógico, porque não abrem mão de viajar comigo. Faço questão de almoçar com elas todos os dias da semana, nos finais de semana nem sempre posso, mesmo assim passo para vê-las. Sem contar os passeios ao Shopping. As duas são muito vaidosas e estão sempre a querer roupas novas, sapatos, aparelhos eletrônicos, olha Maria, sempre querem algo. Faço questão de ser presente. Essa era a maior queixa da Aurélia, de que a família sempre vinha em primeiro na minha vida. Queria que eu vivesse para ela deixando as minhas filhas de lado. Comigo nunca funcionaria desta maneira.
- Qual é o nome delas?
- Laura e Viviane.
- Você que escolheu os nomes?
- Sim, são nomes que eu gosto. Talvez não acredites Maria, mas estava preocupada a imaginar como iria contar-te. Desculpa por não ter contado. As duas estão com as malas prontas para virem morar aqui. Estão completamente eufóricas por eu estar morando só.
- Que alívio saber que estavas pensando em contar-me. Não sabia e tratei de ter acesso ao teu prontuário médico. Era a única maneira de saber sem forçar-te a se abrir.
- Como conseguistes?
- A juíza Telma conseguiu para mim.
- Então ela também sabe?
- Não, não, entregou-me o envelope lacrado. Se o tivesse lido teria comentado. De qualquer forma Aima, se as duas vão viver consigo não vais conseguir esconder este segredo por mais tempo.
- Eu sei e não pretendo esconder, só não vou comentar aos quatro ventos. Só as pessoas mais próximas irão saber. Aquela cobra da Carmo vive aqui em Lisboa, disto não posso me esquecer.
- Achas que ela faria mal para as tuas filhas?
- Creio que não, mas não me descuido da segurança delas. Se eu tivesse sonhado que indo à casa da Carmo aquele dia cairia numa emboscada, nunca teria ido. Tantas vezes ansiei por voltar no tempo e mudar aquele dia.
- Nem tinhas como saber e para mais a Carmo mentiu no motivo para tu ires até lá. A tua mãe mandou-te ir na melhor das intenções. Tu irias ajudar a Carmo na pintura da cozinha, não foi o que te disseram?
- Foi sim. Fui crédula que iria pintar a cozinha com ela. Assim que entrei a Carmo foi para o quarto dizendo que iria me mostrar umas roupas que tinha comprado. Quando entrei fui agarrada e vi os quatro homens à espera. Nunca senti tanto medo na minha vida.
- A Carmo é um monstro! Eu a desprezo, não imaginas o quanto.
- Sim, imagino! Deixa este assunto, hoje fui comprar as coisas que as meninas adoram comer. Tenho que pensar em tudo. Não as deixo saírem sozinhas, não ainda.
- Este teu lado materno é novo para mim. Estou fico feliz por ti.
- Também eu estou feliz. Vou trazê-las amanhã depois das aulas.
- A que bem. A Mirna vai ficar com a casa triste sem a alegria das duas. Crianças sempre enchem uma casa.
- É, mas ela vem ter com elas por cá porque sabes que ama as duas incondicionalmente. Tem sido a segunda mãe delas. A Fátima e a Idalina também. Dei sorte por ter pessoas tão boas em minha vida cuidando delas.
- Sim, destes muita sorte. Eu quero muito conhecer as vossas filhas e espero que elas não me odeiem como odiaram a tua ex. Hahahaha, confesso que estou até com medo disto acontecer. Quando li o prontuário quis logo vir ter consigo.
- Fiquei feliz demais por teres vindo.
- Conte-me mais como és como mãe. Como lida com as duas? Já estão mocinhas, o período delas já veio?
- Ah, sim, veio no ano passado.
- Você as preparou quanto a isto?
- Sim, lógico! Eu, depois a Mirna e a Fátima. Elas até fazem piada dizendo que tem três mães. Na realidade adoram ter duas mães substitutas. As duas tem um sentido de humor muito apurado.
- Mas, como se relaciona com elas?
- Olha, sou uma mãe acho que até moderna. Esclareço todas as questões que elas me colocam. Até com relação às confusões na escola que ocorrem muito em função da minha orientação sexual. Tento ser maleável.
- Que tipo de confusões?
- Sempre que posso as levo na escola, levo ou busco e sabes como são as crianças, perceberam que sou lésbica. Já aconteceu algumas vezes de falarem com as duas que eu sou sapatão. Elas não gostam e acabo sendo chamada pela direção. O telemóvel toca e se é a diretora eu já fico a pensar o que deve ser.
- Elas discutem com as colegas te defendendo? É isto?
- Sim. Dependendo do que escutam até batem. Como são duas já vistes, sempre saem ganhando nas brigas. A diretora é muito compreensiva entendendo o lado das duas. Não tenho queixas da escola neste sentido.
- Ai Aima, quando que eu pensava que vivias essa rotina de mãe. Estou encantada por saber.
- Estou muito feliz pela tua reação Maria. Pensava que se tu não gostasses de crianças também seria muita falta de sorte minha.
- Não Aima, eu gosto muito de crianças. Desejo conhecê-las o quanto antes.
- Pois muito bem, amanhã mesmo irei almoçar com elas e depois vou trazê-las de vez. Não param de bombardear-me com mensagens no Whatsapp de que estão contando os minutos. Vais ver como são engraçadas. Eu preciso policiar-me para não rir de certas cenas que elas aprontam.
- Eu vou poder ir neste almoço contigo? Se achar que não devo posso esperar.
- Quero muito que vá comigo. Vais colocar-te a prova da avaliação delas. Não tenhas dúvidas de que irão medir-te da cabeça aos pés.
- Posso imaginar, mas, talvez as coisas corram bem. Acho que não tenho o nariz empinado da tua ex.
- Hahahaha, reparastes nisto? Olha, diz-me lá, onde foi que vistes a Aurélia?
Maria sorriu sem graça recordando o dia em que a viu deixando um hotel com uma mulher.
- Vou ser franca, foi há alguns meses numa tarde em que ela deixava um hotel com uma mulher. Foi a Telma que me mostrou. Nem eu estava à espera de ver aquela cena.
- Estou a perceber. Isto agora é passado.
- Tínhamos que ter essa conversa Aima. Percebes? Este segredo entre nós estava a torturar-me.
- Tínhamos sim, estás certíssima. Torturava a mim a mesma. Agora deixa que eu te fale deste vinho que trouxestes, amei-o!
- Trouxe-o para saborear antes ou depois de fazer amor contigo. Pensei que seria uma grande ideia.
- Viestes mesmo disposta a fazer amor. Foi uma surpresa que amei imenso.
- Sim, era só no que eu pensava. Não quero mais que fiques só. Nem eu quero estar. Desejo estar contigo todo o tempo que eu puder.
- Precisamos fazer planos.
- Sim, depois faremos. Agora dá cá um beijo e deixa-me amar-te novamente. 

         No dia seguinte, saíram juntas para trabalhar cada uma no seu carro. Aima foi chamada pela diretora quase na hora que marcou de buscar a Maria para levá-la para conhecer as filhas. Ligou para ela passando o endereço da casa, pedindo que a esperasse lá enquanto ia na escola buscar as filhas.
Na volta para casa repreendeu a ambas por terem brigado de novo na escola. Depois contou que convidou uma amiga para almoçar. Na hora as duas garotas trocaram um olhar surpreso.
Laura tocou o ombro de Aima perguntando:
- Amiga assim só amiga ou amiga muito mais do que amiga?
Aima olhou a filha através do espelho retrovisor dando um sorriso.
- Muito mais do que amiga.
- Tumba!
Respondeu batendo na mão da irmã.
- Amiga mais do que amiga é namorada, não é, mamãe?
Viviane questionou debruçando o corpo para o banco da frente.
- Vivi, coloque o cinto de segurança, por favor!
- Já estou a colocar. Diz lá mamãe, é tua namorada?
- Estão as duas muito curiosas, isto é que é. Se eu estou a levar até a casa é porque ela é muito importante.
- Já estou a perceber.
Viviane respondeu cutucando Laura.
- Vocês não aprontem nada, faz favor.
- Juro que vou portar-me bem. Qual é o nome dela?
Viviane questionou tão ansiosa para saber mais detalhes quanto a irmã.
- Maria Ester.
- Maria Ester? Já estou louca para ver como é essa Maria Ester.
Laura confessou esfregando as mãos mandando outra pergunta.
- Quantos anos a Maria tem?
- É uma ofensa perguntar a idade, Laura, não é mamãe?
- É sim, Vivi.
- Eu gostava de saber.
Laura comentou meio frustrada.
- Tu achas isto normal? Tia Fátima já ensinou que não se deve perguntar.
- Estás a espera que eu te agradeça por me lembrares disto?
- Laura? O que se passa contigo? Estás para mais de implicante com a tua irmã. Tem calma.
- Sim, mamãe. Desculpa.
Viviane esticou o pescoço perguntando preocupada.
- Não me diga que a Maria é médica! Por acaso é?
Laura fez outra sem esperar pela resposta de Aima.
- Já perguntou se ela gosta de crianças?
- Espera Laura, nem sabemos se essa Maria Ester sabe que somos gêmeas.
- A mamãe é tonta agora? Deve ter contado tudinho da gente.
- Contastes tudinho, mamãe?
- Não sejas parva, Vivi! A mamãe iria namorar sem contar?
- Não sou parva nada. Mamãe? Ouvistes a Laura chamando-me de parva?
Aima que prendia um sorriso, respondeu tranquila.
- Calma, já estamos quase a chegar. Não comecem a brigar. Não se esqueçam de que já brigaram na escola hoje.
- Pois foi, mas tinha de ser.
Laura sorriu fazendo cara de santa.
- Tinha de ser nada. Quantas vezes terei que pedir para se portarem bem?
- Estás a ouvir, Laura?
- Viviane eu estou a falar para as duas.
- Sim, mamãe. Já não digo nada.
- Ótimo! Fiquem quietas as duas que este trânsito está uma loucura.
A rotina de Aima com as filhas era geralmente aquela. Sua paciência para lidar com as duas aumentava a cada dia. Porque estavam crescendo e ficando cada vez mais exigentes e curiosas.
Assim que entraram na casa as duas foram até o quarto deixar as malas. Voltaram para a sala cumprimentando Fátima e Idalina. Depois elas encararam a Maria. Como Aima havia previsto a examinaram com grande atenção. Laura inclinou a cabeça falando algo baixo com a irmã. Em seguida aproximou de Maria dando a mão para ela. Viviane fez o mesmo. As duas sentaram parecendo dois cordeirinhos, mas não eram nada disto. Estavam ainda analisando Maria sem disfarçar a curiosidade.
Mirna entrou anunciando que o almoço estava servido. O almoço correu bem. Assim que terminaram, Fátima perguntou curiosa para as duas.
- O que aprontaram na escola para a mãe de vocês ter sido chamada lá? O mesmo de sempre?
- Relaxa tia, já explico. Tem uma garota ensebada na nossa classe que vive implicando com a gente. Hoje na última aula, ela pegou no meu ipod. Pegou na maior sem pedir. Eu disse-lhe: Devolva o meu ipod! Fui muito clara e educada, não fui, Vivi?
- Pois foi e ela fez hora com a cara da Laura antes de devolver. Sou testemunha viva.
- Tomei o ipod e já ia me embora quando ela gritou: “Volte aqui sua filha de sapatão de merda!” Dei-lhe um tapa porque ela pediu por isto. Poderia ter dado dois, mas a palerma caiu logo.
- Ela espatifou-se, tia! Foi tão engraçado! Hahahahaha.
- Hum.
Aima só fez este som olhando de uma para a outra sem achar graça.
- Só que a miúda, traiçoeira que só mordeu-me o calcanhar. Ai agarrei-a pelos cabelos e bati mais.
- Miúdas, por favor, foram as duas suspensas das aulas por dois dias! Passaram do limite desta vez.
- Se a miúda ofendeu-nos a gritar ofensas à nossa mãe, tia Fátima! Não sou tonta nem palerma.
- Você estava a bater boca com a miúda, o que esperavas?
- Então, tia Fátima, ela provocou! Nem acreditei quando mamãe chegou e nos defendeu porque foi uma discussão mesmo má.
- Defendestes as duas?
Fátima perguntou surpresa. Idalina e a prima também voltaram-se olhando para Aima atentamente.
- Então, pois, qual é o problema?
- Qual é o problema? Tu vais passar a mão na cabeça delas? Isto agora vai ser assim?
- O estrago já estava feito, Fátima! Tinha que defendê-las ou pensas que vou ficar contra as minhas filhas?
- Tu estás sempre a dizer-lhes que elas têm de se portar bem e defendeste, se é assim, pronto, já não está mais aqui quem perguntou.
- Reprovei as duas por terem brigado. As malas delas já estão prontas, Mirna?
- Sim, prontinhas como pedistes.
- Vamos voltar a morar com a mamãe! Isto é o máximo! É o mesmo que ganhar presente do pai Noel adiantado!
Viviane alardeou abraçando a irmã explodindo de felicidade.
Voltou-se em seguida diretamente para Maria a questionando:
- Maria? Vais morar com a mamãe também?
- Ah, nós estamos conversando sobre o futuro, não é Aima?
- Estamos sim.
- Nunca mais voltaremos a ver a cara daquela médica chata!
Acrescentou Laura pulando com a irmã. As duas miúdas demonstravam uma felicidade que Aima nunca tinha visto. Vê-las tão contentes emocionou-a profundamente.
- Meninas, sentem-se e comportem-se!
Pediu Fátima sorrindo para Aima e Maria. As duas sentaram e para surpresa de todas, Laura encarou Maria pegando-a de surpresa com a pergunta que lhe fez:
- Pode nos informar quais são as suas reais intenções com a nossa mãe já que ainda não sabes se vais morar com ela?
Maria perdeu a fala por alguns segundos admirada com a pergunta direta.
- Eu também gostava de saber das vossas intenções para com a mamãe.
Viviane disse encarando Maria.
Maria, sendo alvo do olhar insistente das duas olhou de uma para a outra falando com toda a sinceridade:
- Quando eu tinha 15 anos sonhava em casar com a vossa mãe. Este ainda é o meu maior sonho. Podem com certeza imaginar a minha felicidade por saber que a vossa mãe está agora apaixonada por mim.
Laura encarou a irmã perguntando:
- O que achas, Vivi? Acho que ela mandou bem.
- Também achei. Se forem casar quero ser dama de honra.
- Eu também, como é lógico! Nós não somos chatas, mas se for casar com a mamãe temos algumas exigências a fazer Maria.
Laura explicou assumindo um ar mais sério.
- Exigências? Não contava com exigências. A vossa mãe não me falou sobre essa parte. 
Maria respondeu prendendo a vontade de rir. A situação era inusitada. Nunca tinha namorado e estava pensando em realizar o sonho de casar com Aima e aquelas duas garotas eram muito diretas.
- Imagine lá, que não era nada de muito anormal, mas fazíamos a vida negra a Aurélia. Confesso que tivemos os nossos momentos com ela, e o resto não conto.
Laura concluiu olhando para Viviane de maneira cúmplice. 
Aima olhou de uma para a outra chocada.
- O que estão a fazer? Vocês não tem exigências nenhuma, por amor de Deus, querem assustar a Maria?
- Não, Aima, pode deixar. Depois terei muito gosto em ouvir as exigências das vossas filhas. É claro que isto não é como se fosse um sequestro. Penso que poderei acordar ou desacordar de tais exigências. Pode ser assim, Laura e Viviane?
Laura encarou a irmã novamente falando:
- Por hora pode ser. Ganhastes pontos por não tratar-nos por miúdas. Não é, Vivi?
- Sim, muitos pontos. Por hora aceitamos essa condição.
- Com licença! Vou começar a trazer as vossas malas para a sala, que vocês as duas, não sei não.
Aima avisou erguendo-se de uma vez para não rir das expressões das filhas na frente delas.
- Deixa que te ajude, Aima.
Maria ofereceu indo com Aima para o quarto.
Fátima fitou as sobrinhas perguntando curiosa.
- Então? O que acharam da Maria meninas?
Laura sorriu respondendo:
- Olha vê só, já comentei com a Vivi que a mamãe achou uma gata. Muito gira ela!
- Gata mesmo, e já lhe digo tia, gostamos dela. Parece ser tão calma e aquela Aurélia estava sempre a esbravejar quando nos via. 
Viviane contou batendo na mão de Laura satisfeita.
Aima entrou com Maria na sala cada uma carregando duas malas.
- Ei? Vocês as duas? Tem quase uns dez volumes no vosso quarto. Como vocês tem bagagens, meu Deus! Anda cá para ajudar a carregar! O que estão a pensar das vossas vidas?
- Já lá vamos.
Laura respondeu correndo com Viviane para o quarto.
Aima sorriu comentando antes de voltar para o quarto.
- Essas duas, eu que não me cuido com elas que vejo só uma coisa. 
Maria simplesmente sorriu encantada com aquela nova realidade. Aima se saía muito bem como mãe. As filhas a olhavam com incomensurável afeto.

Leonor estava sentada, de pernas cruzadas na sua sala, ouvindo já há mais de meia hora Telma relatando o relacionamento que tivera com a juíza Wilma. Assim que terminou, Telma sentou ao seu lado fazendo um carinho no rosto dela.
- Percebestes a situação? Há muito tempo que não existe nada entre nós.
- Pois pareceu-me que há até demais. Só espero que não haja mesmo, porque não estou disposta a me envolver com uma mulher comprometida. Prefiro ficar conversando com as minhas paredes.
- Estou a lhe afirmar, Leonor. Deixa que isto logo vai passar.
- Não vistes os olhares de ódio que ela andou a dirigir-me. Pensei que estava a participar da cena de um filme sem conhecer o roteiro.
- Eu sei, contaram-me o ocorrido. Fiquei preocupada consigo. Se ela falou sério, não terás mais que vê-la no tribunal.
- Espero não ver nunca mais, mulher enciumada é igual a míssil desgovernado.
- Vá lá, não fiques assim. Fiz reserva em um restaurante adorável para jantarmos esta noite.
- Que coisa boa! Gostei, apesar da chateação, meu desejo não chegou a arrefecer.
- Ah, não? Pois estamos iguais, o meu também não.
- Bem, pois, se ambas estamos a padecer do mesmo dilema, anda cá, vou apresentar-te a minha cama. Quero que durmas comigo hoje.
- Queres que eu durma aqui? Não vou negar-te este desejo.
- Quero por demais. Não te esqueças que a tua ex está a nos vigiar. Por essa noite vamos ficar longe da sua mira. Isto se ela já não tiver descoberto onde moro. Joana D’Arc que me proteja de tão maléficos olhos vis.
- Hahahaha, isto que falastes teve muita piada. Que eu saiba a Wilma nunca fez mal a uma mosca.
- Não subestime os sentimentos de uma mulher que não se conforma com o fim do relacionamento. Essas são as piores. Usaste um cinto de castidade, pois não? Isto a levou para frente da tua casa. Está obcecada por ti.
- Espero que não seja tão grave quanto você está a pensar. Obsessão não é nada bom.
- Pois não é, agora psiu, apenas sejas minha. Vamos já para o quarto.
Foram para o quarto apressadas. Lá, Leonor a empurrou para a cama deitando sobre ela.
- Desejo-te Telma...
- Leonor? Sabes que sou louca por ti. Não penses, quero-te agora.
Continua...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Rihanna - Te Amo

Minha Deliciosa Pintora. - Capítulo 07.


À noite quando chegou, foi direto para o quarto de Roberta. Entrou vendo-a deitada de robe na cama.
Ela sorriu cumprimentando tranquila.
- Oi Patrícia! Estava com medo que não viesse.
- Oi! Disse que viria.
Respondeu deixando a bolsa sobre a cadeira. Pegou o jaleco vestindo tranquilamente.
- Você fica linda assim de vestido. Suas pernas são...
- Não diga!
Patrícia a cortou retirando a proteção do quadro.
- Pois é, tinha que dizer que suas pernas são maravilhosas.
Roberta concluiu sorrindo enquanto deitava na cama.
- Apenas tire o...
Não terminou a frase. Ela estava tirando o robe. Suspirou sentando no banco. Sentia as pernas bambas e não poderia deixá-la perceber o quanto a afetava vê-la nua. Por isto pegou o pincel iniciando a pintura.
- Você pensou sobre a nossa transa deliciosa de ontem, Patrícia?
- Se começar a falar essas coisas vou embora agora!
- Oh, desculpe!
- Suas desculpas não são aceitas.
Informou tranquilamente.
- Está pronta?
- Estou.
Os olhos da pintora voltaram-se pousando no corpo nu. Estava completamente séria. Tentava se mostrar impassível diante do olhar libidinoso que percorria suas pernas naquele instante.
Por duas horas intermináveis pintou desligada do mundo. Sentia um prazer indescritível por estar ali diante daquele corpo.
Como poderia explicar a si mesma, a razão daquelas emoções tão intensas que sentia por mulher? Vendo-a nua ali na cama, a única coisa que conseguia pensar com clareza é que queria deitar com ela. O desejo que a consumia naquele momento era tão grande, que deteve o pincel erguendo-se de uma vez.
- Descanse um pouco Roberta. Preciso fumar um cigarro.
Sugeriu indo até a janela. Encostou a cabeça na parede olhando para as estrelas. Sabia que estava perdida. Não estava conseguindo controlar aquele desejo crescente. Precisava terminar logo aquele quadro e desaparecer daquela casa.
Enquanto fumou não ouviu barulho algum no quarto. Terminou de fumar se voltando. Roberta estava muito quieta na cama. Os olhos estavam fechados. Patrícia suspirou imaginando que tinha adormecido. Aproximou dela sem fazer barulho. Parou ao lado da cama admirando o corpo com água na boca.
Roberta abriu os olhos neste momento pegando a mão dela puxando-a para a cama com um sorriso lindo.
- Oh, não!
Patrícia gemeu quando caiu ao seu lado.
- Relaxe! Você está muito tensa.
- Preciso ir embora...
Respondeu tentando sair da cama.
- Ah, não! Não via a hora de te puxar para essa cama.
- Deixe de ser tão atrevida.
Patrícia pediu afastando as mãos dela que já tentavam tirar o seu vestido.
- Não comece a lutar, isto é terrivelmente enfadonho. Só quero te sentir.
Roberta avisou deitando sobre ela.
- Mas direta assim? Sem um beijo? Sem um...
- Quem disse que será sem beijos?
Roberta perguntou mergulhando a boca na dela. Beijaram-se enlouquecidas por um longo tempo. Patrícia a sentiu mexendo-se sensualmente sobre seu corpo.
Abriu os olhos ficando hipnotizada diante do olhar sedutor de que era alvo.
Roberta retirou seu vestido neste momento. Depois soltou o sutiã retirando a calcinha sem a menor resistência dela. Sua boca desceu para os seios. Beijou-os e sugou-os com extremo carinho e desejo.
Patrícia gemia completamente entregue ao prazer que aquela boca proporcionava ao seu corpo. Como queria pertencer a ela naquela cama. Não pensava em nada além das mãos que agora estavam abrindo suas pernas delicadamente.
- Eu quero Patrícia. Você deixa?
Roberta perguntou levando a boca ao ouvido dela.
- Ah... O que você quer? Quer me comer?
- Quero tudo, você deixa?
- Ai eu deixo.
Respondeu num gemido de prazer.
- Você me deixa doida com este olhar guloso.
- Te deixo excitada?
- Deixa...
- Você fica latejando por mim?
- Ai eu fico sim, sabe que fico. Você é má fazendo isto comigo.
- Só quero te dar prazer. Você não gosta quando te chupo? Não adora quando minha língua entra na sua buceta molhadinha?
- Ah, adoro sim, então chupa. Chupa antes que eu tenha um treco de tanta vontade de dar para você, Roberta. Dá sua língua logo vai...
- Ai eu dou. Estou louca para ver como eu te deixei.
Desceu rapidamente pelo corpo dela. Abriu mais suas pernas passando a língua na buceta de fora a fora.
- Ai que delícia. Ah...
Patrícia gemeu rebolando o sexo na boca dela.
- Quer me chupar, chupa mesmo. Mete a língua em mim. Vou matar sua sede com meu sorvete de creme.
Roberta enlouqueceu dentro da buceta dela. Chupou até fazê-la gozar intensamente em sua boca.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Depois a lambeu toda até Patrícia apertar seu rosto com as pernas delicadamente para que ela parasse.
Foi para o lado dela falando louca de desejo.
- Vem Patrícia, estou louca para te dar. Faz...
Patrícia deitou sobre ela beijando sua boca com imenso prazer.
- Gosta de beber meu sorvete né safada?
- Ai eu adoro. Me chupa que vou te dar o meu.
- Você é uma tarada que me deixa louca de tesão.
Patrícia confessou mordiscando a boca.
- Preciso te sentir sim, se não sentir enlouqueço de vez.
Escorregou pelo corpo de Roberta sensualmente até chegar ao meio de suas pernas. Roberta estava toda aberta oferecendo-se sem reservas.
Patrícia aninhou-se entre as pernas pensando que ela era sim uma musa maravilhosa. Como que ela, sendo apenas uma mulher comum iria segurar um mulherão daquele? Talvez se fosse boa de cama com ela pudesse conquistá-la de alguma forma. O problema era justamente aquele, nunca tinha chupado uma mulher, nunca tinha feito amor com uma mulher como estava fazendo agora com ela, mas estava mais do que na hora de aprender. Pelo menos iria começar a treinar naquele instante.
Assim, deixou a língua percorrer aquela buceta deliciosa que escorria abundantemente nos seus lábios. O gosto dela, a maciez da pele, o cheiro e a forma como ela mexia o sexo oferecendo-se a deixou excitadíssima novamente. Que coisa maravilhosa era aquela buceta. Acabou-se de tanto chupá-la sem parar por um longo tempo. Não entendia porque ela estava demorando tanto para gozar. Por um segundo pensou que não estava fazendo certo. Ergueu a cabeça erguendo os braços e agarrando as pernas dela. Puxou a cintura mais para perto de sua boca mergulhando novamente a língua na buceta. Desta vez deteve-se diretamente no clitóris, quase a levando a loucura enquanto a lambia e chupava incansável. Sentiu quando o corpo começou a estremecer descontroladamente, ouviu o gemido alto e sentiu sua boca sendo inundada na hora.
- Oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Patrícia sorriu intimamente lambendo aquela delícia suavemente.
Neste momento ouviu a voz dela chamando-a baixo:
- Vem aqui, vem gostosa.
Subiu deitando ao lado dela. Ficou confusa vendo o sorriso lindo nos seus lábios.
- Você sabe quantas vezes me fez gozar?
- Uma! Não foi só uma?
- Não querida, foram quatro vezes. E quatro muito bem gozadas.
- Quatro? Oh! Achei que não estava fazendo direito. Mas você só explodiu uma vez. Não entendo.
- São truques de mulher.
Roberta contou baixo acariciando seu rosto.
- Vou te ensinar com o tempo ou você vai acabar aprendendo sozinha. Que língua maravilhosa você tem. Não imagina como faz gostoso.
- Truques? Tá bom.
Patrícia sorriu divertida.
- Tenho mesmo que aprender estes truques o quanto antes. Ai, mas agora tenho que ir. Ontem foi uma confusão quando cheguei a casa. Estavam todos acordados a minha espera.
- Falando nisto minha mãe quer conhecer os seus pais. Até mandou Rubia lá hoje fazer o convite oficial para que eles venham jantar aqui.
Patrícia voltou-se a olhando surpresa.
- Como assim conhecer meus pais? Por que isto agora?
- Ela nos viu juntas no carro ontem.
Explicou fingindo inocência.
- Achou que estamos completamente apaixonadas.
- Não!
Gemeu sem acreditar que tinha escutado aquilo.
- Não soube o que dizer quando ela veio falar comigo hoje durante o café da manhã. Você sabe como é. Ela é minha mãe, fiquei muito sem jeito. Tive que medir as palavras.
- Você não desmentiu?
- Como desmentir? O que ela vai pensar de nós se eu desmentisse?
Roberta perguntou sentando admirada na cama.
- Vai pensar só que transamos uma vez e pronto. O que mais pode pensar?
- Ora Patrícia, mas o que é isto? Minha mãe é do tempo que se um homem pegava na mão de uma mulher, ela tinha que casar com ele.
- Mas isto foi há trezentos anos!
Respondeu sorrindo chocada.
- Espera aí! Você está pensando que vou deixar meus pais virem aqui para sua mãe dizer para eles que nós estamos... Estamos apaixonadas? É isto que está pensando Roberta?
- Ela não vai falar isto para eles. Só quer conhecer seus pais para saber se são gente de bem.
- Era só o que me faltava, só isto mesmo! Como é que você me apronta uma destas? Se não tivesse me agarrado no carro, nada disto estaria acontecendo agora.
Acusou agitada.
- Espera aí Patrícia, não vou levar a culpa sozinha não. Tentei fazer amor com você aqui e você me deixou na mão. O que queria que eu fizesse? Eu queria muito, por isto fui atrás de você. Então não vem insinuar que te agarrei não!
- E não me agarrou?
Explodiu irritada.
- Agarrou sim e sabe disto. Você é uma tarada que fica me olhando e pensando apenas nisto. Você só pensa em sexo, Roberta! Como que pode uma coisa destas? Fica aí nua se oferecendo o tempo todo só podia dar nisto. Por causa disto estou nesta sinuca, ouviu?
- Tenho culpa se quando ficamos juntas sentimos tanto desejo?
- Está falando por você, não por mim!
Sorriu afastando se dela passando a vestir as roupas. Enquanto o fazia, pensava rápido em uma maneira de sair daquela situação.
- Olha, temos que encontrar uma saída o quanto antes.
- No que você está pensando?
- Você precisa falar para a sua mãe que foi só uma... Transa. É! Pode falar que... Que nos deixamos levar pelo calor do momento, que isto acontece, que sexo é uma necessidade difícil de controlar. Diga que pensamos que era mais forte e... Descobrimos que foi só uma atração passageira. Ela vai entender, você não acha que vai?
- Não sei Patrícia.
Roberta falou andando pelo quarto com um ar preocupado.
- Ela disse que nunca viu duas pessoas tão apaixonadas como nós duas.
- Oh, meu Deus! Tenha a santa paciência Roberta, isto não existe! De onde ela tirou essa ideia? Que papo furado. Estamos no século vinte e um, não é possível que sua mãe seja tão careta assim. Só porque transamos ela tem que achar que estamos morrendo de amores?
- Olha lá, minha mãe não é careta não!
Reclamou estacando diante dela.
- Espera, podemos fazer uma coisa.
- O que é que podemos fazer, Roberta?
- Vou pedir para minha mãe não comentar nada com seus pais sobre estarmos apaixonadas. Direi que são muito conservadores e não vão gostar.
- Tudo bem!
Concordou animando-se. Mais que isto, ficou aliviada.
- Meus pais são mesmo conservadores. Até a minha tia quase deu um escândalo quando percebeu que eu beijei lá na fazenda.
- É, eu sei do alvoroço que a sua tia tentou fazer. Bom, você terá que vir neste jantar que a minha mãe está organizando.
- Está bom, isto é fácil. Quando será o jantar?
- Na sexta-feira. Você não pode me tratar mal na frente da minha mãe. Só precisa ser natural.
- Serei bem natural.
- Também tem a festa do meu aniversario...
- Espera aí, Roberta!
Interrompeu confusa.
- Até lá já terei terminado o quadro e não virei mais aqui. Não acha que está abusando um pouquinho não?
- E se você não vier e minha mãe for a sua procura? Se ela for, seus pais vão querer saber o que está acontecendo e as coisas vão fugir ao nosso controle.
- Ah tá bom, tá bom! Eu venho. Agora preciso ir embora.
- Você vem amanha às dez?
- Como sempre. Até amanhã!

No dia seguinte, apesar de ter custado a dormir, Patrícia acordou, às sete da manhã. Desceu para tomar o café depois de tomar um banho relaxante. Assim que sentou na cadeira, a mãe que lia o jornal voltou-se comentando com ela:
- Bom dia, filha! Rubia veio aqui ontem nos convidar para jantar na casa de Roberta na sexta-feira. A mãe dela te adora. Como não nos contou que conhecia Vera Marins?
- Bom dia! Eu não contei mamãe?
Perguntou confusa.
- Então me esqueci de comentar que pintei um retrato dela.
- Pintou? Ah, filha, que bom que está sendo tão sociável. Temia tanto ter que ver você enfiada nesta casa para sempre. Vera Marins trata Rubia como uma filha. Não ia comentar, mas quando estivemos no haras, fiquei preocupada com os olhares furiosos que você dava para Roberta. Ainda mais quando lembrava que ela te socorreu quando caiu do cavalo. Temos sim que nos relacionar bem com toda a família. O poder delas nos fará galgar degraus mais altos. Seu pai quer muito ser advogado do Congresso. Você sabe que o sonho dele é chegar a Brasília. E Rubia pode conseguir essa indicação para ele. Depois que ele entrar, eu também poderei entrar. Você entende o quanto isto é importante para nós?
- Estou vendo que essa amizade de vocês é bem interesseira né, mãe?
- Ora Patrícia, você acha o quê? Nesta vida temos que nos unir aos poderosos! O que você sabe da vida?
- Bom, posso não saber muito da vida, mas não vou ficar babando o ovo de ninguém...
- Não seja atrevida!
A mãe explodiu voltando a ler o jornal.
Patrícia ficou olhando-a e pensando intimamente.
Relacionar bem com toda a família! Puxar saco! Era só o que me faltava! Roberta está me levando à loucura! Que mulher gostosa! O Senhor é meu pastor, isto sim! Que tentação insuportável, Senhor! Já acordo pensando nela. Ai! Não dou conta disto não.
Serviu mais café na xícara evitando fitar a mãe. Não queria saber daquele assunto. Ainda mais agora depois de tudo que estava acontecendo entre ela e Roberta. Bastava a tortura de vê-la nua e desejá-la tão intensamente como desejava agora. Entretanto, não podia deixar o desejo dominar suas vontades. Passou a vida fantasiando que um dia se entregaria ao grande amor da sua vida. Esteve se guardando até os vinte e cinco anos. Então conheceu Rubia e supôs que ela era a pessoa que tanto esperou. Aí surgiu aquela irmã desconcertante. Roberta despertou o desejo do seu corpo, mas logicamente ela não era o amor da sua vida. Aquela atração devastadora que existia entre elas devia ser puramente física.
- Agora que você pintou a mãe de Roberta, suponho que tenham ficado amigas, não é?
Eunice perguntou perspicaz cortando os pensamentos de Patrícia.
- Amigas?
Patrícia questionou surpreendida. Sua vontade foi de dizer que não, mas logo saberiam que estava pintando um quadro dela, por isto sorriu falando de forma convincente.
- É lógico que somos. Estou fazendo uma pintura dela a pedido de Vera.
- Oh, que glória! Melhor ainda. Seu pai vai amar saber. Iremos todos ao jantar e poderemos ver as pinturas que você tem feito. Tenho certeza que devem estar maravilhosas. O seu talento é indiscutível.
- Obrigada mãe! Agora tenho que ir trabalhar.
Quando chegou a noite no quarto de Roberta com o quadro, percebeu o olhar curioso dela sobre ele.
- O que é isto Patrícia?
- Estou fazendo o seu retrato.
Explicou abrindo outro cavalete colocando a tela sobre ele.
- Por quê? Já não está fazendo meu nu?
- Ah, tenha a santa paciência. Meus pais vão querer ver o quadro que pintei e você não vai contar que fui eu que pintei este nu.
Falou voltando-se para ela.
- É muito pessoal e íntimo.
Sorriu agitada.
- Tem muita emoção nele. Quem me conhece pode captar isto e... Prefiro que não seja...
- Seja o que Patrícia?
- Revelado, é isso. Pode descansar se quiser. Preciso terminá-lo antes de sexta. Minha mãe parece uma raposa velha me farejando. Para piorar minha irmã achou o sutiã destruído dentro do meu carro... Bom, você sabe, não sei como me deixei envolver em toda essa situação. Meus pais bajulam a Rubia e agora querem agradar também você e sua mãe. Querem babar o ovo de toda a família. Imagine! Nada tenho nada com essa sociedade de vocês.
- Você também quer agradar Rubia?
- Não começa. Só quero terminar estes quadros e voltar para o meu cantinho. Tenho alguns quadros prontos para a exposição, mas preciso pintar outros. Não tenho tempo para ficar aqui pintando você eternamente. Tenho coisas a fazer, muitas se quer saber. Não tenho nada com isto que os meus pais estão fazendo. Não vou ficar agradando nem a Rubia e muito menos a você...
Calou-se neste momento, pois as mãos de Roberta fecharam-se sobre seus ombros iniciando uma suave massagem naquela região.
Patrícia fechou os olhos relaxando o corpo com um suspiro aliviado.
- Você está muito tensa, Patrícia.
- Estou sim. Sinto como se fosse explodir.
- Por que deixa as coisas te atingirem tanto?
Perguntou com suavidade.
- É o que me pergunto o tempo todo. Você deveria saber já que me meteu nesta situação embaraçosa.
Patrícia moveu o corpo permitindo as mãos subissem dos seus ombros até o pescoço. Ficou quieta deixando-a massagear bem as partes mais tensas. Quando as mãos dela estacaram muito tempo depois, percebeu que Roberta não se afastara. Estendeu a mão pegando o pincel, falando sem olhá-la.
- Preciso terminar aqui. Obrigada, foi...
Ouviu um gemido e a boca de Roberta desceu acariciando seu pescoço com tanta doçura que sorriu fechando os olhos. Seu corpo estava todo arrepiado e suas entranhas completamente inundadas.
- Eu... Acho que devemos parar por aí.
Patrícia falou com a voz embargada pelo desejo.
- Parar?
Perguntou no seu ouvido. Já estava abaixando e puxando Patrícia para o chão sobre seu corpo.
Patrícia deitou sobre ela sem conseguir resistir. Mesmo assim ainda tentou se afastar justificando confusa.
- Eu não posso Roberta... Juro que...
- Hum?
As mãos de Roberta subiram pelas pernas erguendo o vestido até a cintura. Com tranquilidade, levantou-se para se despir. Sobre ela Patrícia não fazia nem dizia nada. Ficou hipnotizada olhando-a tirando o vestido, passando-o por sua cabeça. Roberta jogou-o para o lado, voltando a deitar sobre ela. Assim que deitou, sua boca buscou a de Patrícia num beijo delicioso. As mãos vagaram pelas pernas nuas aumentando mais seu desejo.
Patrícia correspondia aos beijos já acompanhando o corpo dela na dança do prazer.
Roberta forçou a calcinha com delicadeza pelas pernas até livrar Patrícia dela. Seus sexos roçavam-se causando tremores sem controle por seus corpos.
Patrícia já não se importava com nada. Estava louca rebolando contra ela.
Roberta ergueu o rosto em busca dos seios irrequieta. A sua mão invadiu o sexo latejante sem conseguir mais esperar.
Patrícia deitou a cabeça para traz sem conter mais os gemidos.
- Oh... Deus... Que delícia... Não pare... Não pare... – Pedia rebolando louca em busca do gozo.
Roberta entrava e saia desvairada. Patrícia desceu a mão entrando nela também enlouquecida pelo desejo de possuí-la.
- Ai... Não devíamos... Oh que sonho! Como está excitada, que gostosa, que buceta deliciosa... Como é bom te comer Roberta... Aaaaaaaaa...
- Assim, goza e me ensopa toda. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
- Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Seus corpos explodiram num gozo intenso. Patrícia rolou para o lado cobrindo o rosto com o braço.
Como pôde fazer aquilo? Tinha jurado que não a deixaria mais tocar em seu corpo. Como podia se entregar tanto assim para ela? Estava louca por acaso? Tinha ido ali para pintá-la, nada mais que isto.
Viu Roberta se erguendo fazendo o mesmo. Recolheu suas roupas vestindo-as de uma vez. Tinha que fazer de conta que nada tinha acontecido. Ajeitou os cabelos sentando no banco.
- Sua mãe me ligou hoje! – Roberta contou neste momento.
Patrícia olhou-a assombrada.
- Não! O que ela queria?
- Agradecer pelo convite para o jantar aqui na sexta.
Contou sorridente.
- Está feliz que você esteja me retratando. Parece que soube que sou amiga de Hugo Lacerda, o dono da galeria Chandom.
Falou sugestiva.
- E você é mesmo amiga dele?
- Sou sim, Patrícia.
- Te pediu para interceder por mim?
- Exato. Conversei sobre isto com sua mãe no haras.
- Eu sei. Estava ouvindo vocês.
- Você estava tão afastada que pensei que não estava ouvindo.
- Mas ouvi.
Patrícia falou evitando os olhos dela.
- O que você disse para ela?
- Que vou falar com ele para que você exponha lá.
- Aposto que você adorou tudo isto. Ela te procurar e te pedir em meu nome. De qualquer forma os retratos é a condição para que exponha.
- Eu sei. As pessoas estão sempre me ligando para pedir favores.
Contou erguendo-se.
Patrícia abaixou os olhos pedindo exasperada:
- Vista alguma coisa ou vai me deixar pior do que já estou.
Roberta vestiu o robe voltando a andar pelo quarto.
- Acha normal que eu a perturbe tanto Patrícia?
Perguntou aproximando-se inocentemente dela.
- Você é muito cara de pau! E convencida o que é pior! Começo a pensar que usa o poder que tem para seduzir outras bobas como eu! E não pense que alguma coisa mudou porque ainda não gosto de você. Imagine!
- Não brigamos quando fazemos amor...
- Mas era só o que faltava.
Riu voltando-se para ela.
- É só sexo! Eu sou normal, qual o problema? O que queria? Não passa disto e sai de perto de mim se não eu vou embora!
- Calma!
Roberta sorriu erguendo as mãos no alto.
- Vou apenas pegar uma dose de uísque.
- É bom mesmo que seja!
Respondeu de olho nela.
- Também vou querer um pouco, por favor.
- Que bom! Vamos beber juntas?
Perguntou maldosa.
- Claro que não! Vou pintar e você vai ficar bem ali naquela cama, de onde eu possa vê-la muito bem.
Roberta deitou perdendo-se em seus pensamentos. Meia hora mais tarde, dormia profundamente.
Patrícia aproveitou para admirá-la. Mas, era bonita a danada, pensou olhando-a encantada. Passou a noite toda ali a pintando sem resistir. Eram cinco horas da manhã quando deixou o quarto sem acordá-la. O dia estava amanhecendo quando sentou no seu carro.
Continua...