quinta-feira, 26 de maio de 2016

Lésbicas na Sociedade

terça-feira, 24 de maio de 2016

Aviso.

Esta semana não irei atualizar os capítulos dos contos aqui no blog.
“Para me refazer volto ao meu estado de fresca realidade. Mal existo e se existo é com delicado cuidado.” Cecília Meireles.
Que estes dias sejam de felicidades para vocês!
Astridy Gurgel.

Simplesmente assim.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Daniela Mercury & Ze Ramalho

A Portuguesa. - Capítulo 37.


Maria não conseguia responder, a mão de Aima seguia acariciando a sua. Um dos dedos chegou à palma da mão, tocando o centro dela com movimentos circulares. Costumava tocar-se assim quando se satisfazia à noite. Por essa razão achou aquele carinho ousadíssimo. Permaneceu entorpecida sem retirar a mão, sentindo o suave deslizar dos dedos que passavam pelos seus como se estivessem a fazer nada, como se fosse completamente natural que eles, os dedos, se ligassem naquele lume que aumentava, fazendo seu corpo sentir por inteiro, aquelas carícias. Estava amando intimamente aquele contacto, enquanto tentava disfarçar, olhando de Sofia para Bruna.
O facto de Maria agir como se não estivesse sentindo, perturbou Aima. 
- Não me sentes?  
Maria deu um ligeiro sorriso olhando-a por um segundo.
- Sinto até mais do que sinto a quentura íntima que o vinho provoca no meu corpo.
- Achas que é pelo vinho?
- Pode ser por causa do teu atrevimento ao tocares-me desta forma.
- Não devíamos estar aqui, não entre tantas pessoas. Num restaurante é que não devíamos estar. 
- Onde mais deveríamos estar?
Maria questionou fitando-a novamente. Desta vez seus olhos resvalaram pela mão que ainda acariciava a sua. Retirou-a delicadamente, passando-a na própria perna abalada.
- Entre quatro paredes, como é lógico. Seria perfeito!
- Perfeito? Não te estou a dar essa confiança, Aima. Entre quatro paredes, tem graça!
- A tua pele é deliciosa. Esta mão macia não deveria ficar sem receber os meus carinhos.
- Ah, sim? Coitadas das minhas mãos, então.
Maria respondeu sem conseguir conter um sorriso que foi mais de surpresa por ouvir aquelas palavras.
- Coitadas não, felizes delas por terem-me tão próxima.
- Este é o teu jeito de cantar uma mulher? Vou acabar por desmanchar-me de tanto rir de ti.
- Quem está na defensiva agora, Maria?
- Achas que me interessam os teus carinhos?
- Não sei, mas gostava de te levar para tua casa quando formos embora.
- Com que propósito? Tu achas que eu permitirei que entres? 
- Não permitirias?
Maria sentiu um prazer íntimo ao ver Aima deslizando a língua pelos lábios. Teve a certeza de que estava excitada. Por isto, cruzou de novo as pernas olhando-a nos olhos.
- O que tu farias se eu te deixasse entrar? Vá, diz-me, Aima! Não posso crer que aches que eu teria intimidades contigo. Não sejas tonta, faz favor.
Dados da autora: Aima está a sorrir e estou a amar seu sorriso. Percebo que apesar dos cortes que Maria lhe dá, ela não desiste. O que me intriga é que Aima ainda nem sabe como vai conseguir derrubar a barreira que Maria ergue entre elas. Porém, sua autoconfiança é aprazível.
 Aima, ainda sorrindo perguntou mudando completamente o rumo da conversa como se Maria não tivesse lhe dito nada demais:
- Não queres fumar um cigarro?
Maria estranhou a mudança de assunto, respondendo tranquila.
- Adorava, mas é proibido fumar aqui.
- Aqui é sim, não ali na área para fumadores.
Aima explicou mostrando o espaço com poltronas confortáveis onde uma senhora lá estava terminando de fumar. Havia ainda uma área aberta mais para os fundos.
Maria deu-se conta que não tinha notado aquele espaço porque sua atenção estava toda voltada para Aima.
- Tens razão, não tinha me apercebido. Obrigada! Eu vou lá fumar um cigarro. Com a vossa licença.
Respondeu pegando a mala, caminhando em seguida para a área dos fumadores. Seguiu para o fundo, onde viu a pequena varanda repleta de vasos cheios das mais belas orquídeas.
Lá, apanhou a cigarreira na mala tirando um cigarro. Acendeu-o tragando profundamente.
Aima surgiu diante dela naquele momento.
- Sabe bem, não é?
- Sim.
Respondeu desviando os olhos dela.
- Não devias estar aqui. Tu não fumas Aima.
- Não tem problema de eu te ver fumar. Tu fazes ideia do quanto és charmosa?
Maria sorriu olhando-a com agrado.
- Achas? É gentileza tua, entretanto, gostava de saber o que tu queres.
- Já te tinha dito.
- Pois, percebi. Estar a sós comigo para falares o que te apetecer. É só isto?
- O que mais seria? Desejo falar-te sem que nos ouçam.
- Essa é boa!
- Diz-me lá se também não preferes estar sozinha comigo?
- Eu? Aima, essa é a tua vontade! Porque deveria eu sentir o mesmo?
- Porque tu me amas.
Os olhos de Maria brilharam intensamente. No entanto, pensou que o seu amor não era para ser evocado daquela forma casual. Não como um troféu que Aima julgava já ter conquistado. Muito além do facto de amá-la existiam dez anos de silêncios entre elas. Dez anos de silêncios era uma década. Justamente por isso Maria não gostou de ouvir aquelas palavras sem a emoção que elas continham. Se tivesse sido ela a dizer, teria dito com toda a doçura que uma declaração de amor carece: Amo-te, Aima. Amo tanto! Eu nem percebo como não enlouqueci por desejar-te tanto. 
Aquele “porque tu me amas” soou como uma desvalorização do seu amor.
Dados da autora: É estranho como as palavras podem soar delicadas ou indelicadas. Podem expressar verdades ou dúvidas. Encantar ou desmerecer. Excitar, emocionar, até enlouquecer. A comunicação não é uma tarefa simples. Aima tem o amor de Maria nas mãos sem saber como pode se valer deste amor. Embora sua confiança seja positiva, não se dá conta que cada encontro com Maria, pode ser só mais uma despedida. 
- Achas? Ouvistes dos meus lábios? Não me recordo de tê-lo dito a ti.  
- Não, mas eu...
- Eu sei, tu ouviste da Sofia. A Sofia não mentiu e se te contou é porque sempre torceu por mim. A Sofia é uma querida. Deseja que eu seja feliz. Isso é lindo. 
- Tenho certeza que a Sofia gosta muito de ti. Se ela me contou do teu amor...
- Estás a falar de um sentimento pessoal, embora eu não tenha como negar o quanto te amei. Ainda assim, este sentimento foi meu. 
- Então o teu amor morreu? Diz lá.
- Se o amor morre, deve ter morrido. Isto não é nada de novo, não é? Tu na mesma deixaste de amar a tua ex. Estou enganada?
- Sim, estás enganada. Eu nunca a amei, fui apaixonada e a paixão acabou. Eu já nem me sentia só quando ela não estava. Não é nela que vivo a pensar.
- Eu também penso por demais.
- Em mim?
Maria sorriu olhando-a sem conseguir deixar de pensar no quanto aquela conversa a abalava intimamente. 
- Não sejas convencida. Estava a falar que penso demais sobre a vida, nos problemas, no trabalho, em tudo.
- Não pensas, quero dizer, não sentes necessidade de ter uma mulher? És tão nova, deves ter...
- Que importância tem isto?
- Ouve-me, ninguém quer estar só, não é assim também contigo?
- Só estou a fumar. Não consegues ficar em silêncio? O cigarro saberia melhor se tu não falasses tanto.
- Como queiras. Eu explico: Nunca fumei, nem percebia que era necessário estar em silêncio para fumar. Eu gosto de estar aqui ao pé ti.
- Hum! 
Maria balbuciou, admirando as orquídeas por alguns instantes. Depois viu o banco colado à parede. Sentou-se nele cruzando as pernas percebendo assim os olhos de Aima devorando-as.
Aima raspou a garganta sentando ao lado dela. Os olhos estavam fixos nas pernas tentadoras. A vontade que sentia era de passar as mãos por elas. Queria demais, ainda mais que tinha uma certeza íntima que se o fizesse, excitaria Maria.
Enquanto Aima pensava na tentação daquelas pernas, Maria pensava que as pessoas não perdiam mais tempo com conversas porque iam logo para a cama. Este era o motivo do diálogo estar a diminuir cada vez mais entre toda a gente. Uma grande parcela de pessoas perdeu o gosto pelas palavras. Embora desejasse ouvir Aima, naquele instante enquanto fumava estava a deliciar-se simplesmente com o som da respiração dela.
- Maria?
- Sim?
- Peço-te que permitas que eu te fale com maior intimidade, posso?
- Se necessitas, vá, fala. 
- Manter-me serena ao teu lado é um suplício, mal consigo segurar-me tamanha é a vontade que tenho de te beijar. No passado tu só me permitiste os beijos, mas tu não fazes a menor ideia do quanto foi difícil segurar-me. O que fiz foi para não nos magoar. Voltei para Lisboa desesperada para te ver. Não imaginas como estou a controlar-me... Não sabes, mas tu deixas-me... Deixas-me em brasas.
- Aima, não! Não continues...
- Não permitiste que abrisse o meu coração?
- Já o abristes. Não quero continuar a ouvir confissões tão íntimas...
- Pedi-te para falar com maior intimidade e estou a falar-te com todo o respeito. Eu sou uma mulher, percebes? Não sou de ferro e tu pareces que não compreendes o efeito que causas em mim.
Maria respirou profundamente perguntando admirada:
- Também sou mulher e o que tem isto?
- Assim vou acabar por pensar que tu és demasiadamente inocente.
- Uma coisa é certa, não mando nos teus pensamentos.
- Ah, Maria, tu não percebes?
- O que eu deveria perceber?
- Que me deixas louca.
Aima praticamente gemeu aquela resposta segurando os braços dela.
- Aima? Não insistas...
- Desde que te beijei nunca mais senti o prazer que conheci ao desvendar os teus lábios. Nenhuma boca teve o sabor da tua. Acredita-me!
- Vens falar-me sobre isto após tantos anos? Tu conseguiste contentar-te com outros beijos vivendo sem os meus. O que queres que eu te diga? Subitamente sumistes, apenas fostes embora! Na Madeira tu disseste na minha cara que seguiste com a tua vida. Não vai acontecer, portanto, não me digas mais nada.
- Tu não entendes? Esqueceste que tinhas quinze anos? O que querias que eu fizesse? É lógico que segui com a minha vida. Tinha até medo de pensar em ti porque eras uma miúda.
- Chega Aima. Percebi que tu me apagaste da tua mente por medo. Melhor nem falarmos mais sobre o assunto.
- Não sejas assim. Desejas que eu passe outra noite a sonhar com os teus lábios, com os teus beijos? Queres infringir-me essa tortura unicamente porque te magoei com palavras impensadas? Sou humana, Maria. Eu quero estar contigo.
- Oh, meu Deus! Não fales mais, por favor, não faças isso comigo, Aima. 
Maria suplicou olhando-a intensamente. Não existiam palavras que pudessem ser proferidas naquele momento. Não conseguiria explicar o descompasso do coração nem o clamor de seu corpo que queimava mais do que uma lareira recém acessa.
Suas faces estavam tão próximas que percebiam a respiração uma da outra. Maria sentia um calor, um prazer antecipado, até mesmo uma carícia provocada pela respiração acelerada dos lábios de Aima a centímetros dos seus.
O momento era tão mágico que Maria descruzou as pernas sentindo-as inseguras. Não queria que Aima percebesse o seu estado. Muito menos a afastou quando a boca caiu deliciosamente sobre a sua.
O que Maria fez (e confesso que nem eu esperava) foi entreabrir os lábios correspondendo com loucura ao beijo tão sonhado, ao mesmo tempo em que oprimia o corpo instintivamente contra o dela. Suas bocas combinavam. Pareciam ter nascido uma para a outra. Levou as mãos até os cabelos de Aima, enfiando os dedos entre os fios enquanto a beijava a cada segundo mais apaixonada. Queria aquele beijo já ansiando que não terminasse. Ficara tantos anos sem sentir o contacto dela, sentira tanta falta e ainda assim não se esqueceu de como os seus beijos eram tórridos, sensuais e alucinantes.
Suas bocas devoravam-se num arrebatamento crescente em que as línguas eram sugadas, chupadas com uma fome e um desejo que já inundava lhes as partes íntimas. Os dedos de Maria acariciavam ainda loucos os cabelos de Aima, enquanto sugava-lhe a língua mal contendo o gemido que lhe escapou dos lábios.
- Ahaaaa...
Moviam suas cabeças procurando a melhor posição sem interromper o beijo extasiante. O corpo permanecia oprimido contra o de Aima. Seus seios estavam colados.
As pernas agora tremiam muito mais, embora Maria não as pudesse controlar.
Aima desceu instintivamente a mão até à perna dela. Deslizou-a ali acariciando a carne macia. A excitação falou mais alto. Continuou ousando mais com a mão que esbarrou na cinta liga. Maria interrompeu o beijo olhando para a mão que deslizava ousadamente para dentro da parte interna da sua coxa.
Afastou a mão de Aima sussurrando, quase ofendida:
- Oh... O que estás a fazer?
- Só estava acariciando, eu... Há tempos que não te sinto junto a mim. Não me esqueci do gosto dos teus beijos. Tu deixas-me louca. O teu cheiro não mudou, a tua pele exala um frescor, e tu tornaste-te uma mulher irresistível. Fui uma tonta, desculpa.
- É que me assustei, foi isso. Tu passaste da linha.
- Olha, foi à emoção dos beijos. Sabes que estou a falar a sério, não sabes?
- Não sei de mais nada. Ah! Os teus cabelos, é, estão desfeitos. Ajeita-os.
- Obrigada e a tua boca está borrada dos nossos beijos. 
- A tua também está.
Maria respondeu pensando depressa enquanto se erguia afastando-se de Aima ruborizada. 
Dados da autora: Ruborizada, meu Deus! Maria verdadeiramente me deixa sem ação.
Quer saber? Aima nem o fez por mal. Só estava seguindo seus instintos. O que é natural quando se está beijando, porque as carícias vão se sucedendo, mas a Maria? Ai, ai, ai, ela não estava à espera de um carinho tão ousado, tão íntimo e desorientador. Nem eu, estou rindo muito do susto que ela levou.
Aima ergueu-se parando diante dela procurando-lhe os olhos.
- Maria? Então, o que se passa?
- Que eu saiba nada. Não penses demais. Vou à casa de banho limpar a lambança do batom esborratado. Vens?
- Que remédio tenho eu? Quisera eu estar a ir limpar outra coisa.
Maria não respondeu, porém, lançou um olhar enigmático sobre ela. Virou-se em seguida andando na frente, ao mesmo tempo em que ajeitava os cabelos, o que fazia sempre porque gostava de usá-los soltos e o vento acabava por despenteá-los. Soltou os cabelos entrando na casa de banho.
Aima a seguiu. Maria estava limpando a boca completamente borrada pelos beijos.
Aima olhou-se no espelho pegando logo um papel toalha. Limpou a boca voltando-se para a Maria.
- Faz-me confusão a tua reação. Num minuto estavas nos meus braços, de seguida virastes outra pessoa fechando-te em copas.
- Ah, pois, estas coisas são complicadas. Desculpa, já lá vou eu.
- Pronto, está bem, eu também.
Aima respondeu atirando a toalha de papel amachucada na lixeira seguindo para a mesa.
Maria tinha acabado de sentar quando Aima apareceu sentando do seu lado. As duas pegaram praticamente juntas suas taças, sorvendo alguns goles de vinho.
Apesar do susto da mão atrevida deslizando pela coxa, Maria ainda estava em êxtase. A sensação do calor dos lábios de Aima sobre os seus inflamava-lhe o corpo inteiro. Aqueles beijos, quantas noites, meses e anos até chegar aquele momento. Quantas vontades contidas de revivê-los e repetir, uma, dez, cem vezes e quantas mais fossem teria gozo em fazê-lo.
- Maria? Deixa que te diga, amei os nossos beijos.
Maria ouviu sem se voltar. Aima tinha se inclinado para falar-lhe próximo ao ouvido.
- Espero que eu não tenha desaprendido de beijar e que tu tenhas gostado. Preciso saber, então, gostastes?
Sofia voltou-se para Aima, perguntando neste momento:
- Tia? Nós já estamos querendo ir embora. A senhora vai ficar?
- Não, eu também estou indo. Vou dar boleia para à Maria. Tu vais comigo, não vais?
- Obrigada, Aima, eu irei contigo.
Maria percebeu a surpresa de Sofia com sua resposta. Sofia abriu um sorriso que Maria correspondeu abaixando o rosto ruborizado. Novamente Maria ruboriza, adoro!
Pagaram a conta saindo as quatro do restaurante. Despediram-se na calçada.
Maria viu o carro de Aima após caminharem alguns passos pela Rua, um Mercedes Benz CLK. Entraram juntas e Aima deu a partida perguntando para Maria, curiosa:
- Tu não tens um automóvel?
- Não tenho. Devo comprar futuramente.
- Faz muita falta.
- Sim, faz. Entretanto a Celeste ou o motorista da juíza Telma são sempre tão solícitos que não sinto falta.
- O motorista da juíza Telma? Por que o motorista é tão solícito contigo?
- Porque a Telma coloca o carro e o motorista à minha disposição. Qual o motivo do teu espanto? Pensastes que eu tenho algo com o motorista?
- Não com o motorista, mas com a juíza!
- Isso é no mínimo ridículo, Aima, imagina! A juíza Telma daria gargalhadas por dias se soubesse de uma coisa destas.
- Só estranhei tanta generosidade, pronto, é incomum.
- Estamos tão acostumadas com a insensibilidade de tanta gente que acabamos por desconfiar de algumas raras generosidades. Não é assim? Ninguém nunca foi gentil contigo? Nunca te ajudaram na tua vida?
Aima lembrou na hora das pessoas a quem devia tanto, como a Fátima, Idalina e a prima Mirna dando razão para Maria.
- Tens toda razão, já me ajudaram. Ainda sou ajudada.
- Até tu és ajudada. Estás a ver? Sempre existe gente boa.
- São raras de facto. Na realidade eu tento retribuir, mas percebo que existem favores que nunca poderei retribuir na mesma medida. 
- Queres contar-me a quem desejas tanto retribuir?
- Eu não gostava de falar sobre este assunto. Talvez noutra altura...
- Não queres falar? Está bem. Já percebi que tem a ver com o que te aconteceu. Se pensas que te faz bem calares-te, não falamos mais.
Aima virou em uma esquina prestando atenção na direção. Depois olhou para Maria percebendo que ela a observava em silêncio. 
- Está bem, as pessoas são a Fátima, minha prima e a Idalina.
- A mãe da Teresa?
- Ela mesma. Eu estava desorientada e a Idalina levou-me para o hospital. Chamou a Fátima e os meus pais. Quando os meus pais chegaram a Fátima queria chamar a policia, mas os meus pais imploraram que não o fizesse. A coisa correu mal porque não queriam um escândalo. Foi um choque para eles, mas o medo de que aquilo se tornasse público os amedrontou.
- De certeza, porque seria o comentário geral no Funchal. Ninguém nunca se iria esquecer do assunto.
- Pois foi este o medo e por isto decidiram não tomar nenhuma atitude. A Fátima indignou-se, como também a Idalina. Três semanas depois quando recebi alta do hospital, elas trouxeram-me para Lisboa. Idalina tem uma casa aqui que estava para alugar e se encontrava vazia. A Fátima ficou um mês comigo. Nos três anos em que morei na casa tanto a Idalina quanto a Fátima se revezavam vindo para Lisboa para não me deixarem sozinha, porque afinal eu era uma miúda. Quando elas não estavam, a prima Mirna ficou morando comigo. Eu só estudava. Também cuidava da limpeza da casa, cheguei a pintar as paredes porque queria me manter ocupada. Até aprendi a cozinhar. Aqueles três anos foram decisivos na minha vida. Foi quando decidi que faria o curso de direito, estudei muito e fui para faculdade. 
- Quando viestes para Lisboa ainda necessitavas de cuidados médicos?
- Fui umas duas vezes ao hospital, mas eu... Eu já estava a melhorar. Os ferimentos no meu corpo cicatrizaram bem.
- Então porque as duas tiveram este cuidado meticuloso contigo por três anos?
Aima suspirou comentando aquietada.
- Já te respondi o que querias saber, Maria, mas com toda a certeza foi pelo que contei, eu era uma miúda. Naquela época eu não decidia a minha vida. Não tinha poder para tanto.
- Sim, lógico que não tinhas.
Maria comentou sem deixar transparecer que percebeu algo estranho naquela história. A astúcia da advogada acostumada a ouvir os clientes deu um alerta. Um assunto resumido deixava inúmeros detalhes de fora. Aima era uma miúda na época, mas não tão miúda. Cuidaram dela por três anos e no final daqueles anos ela havia completado dezoito anos. Por que a irmã, a devotada Idalina e até a prima precisaram se revezar para estarem com ela durante aqueles três anos?
Lembrou-se que Teresa estava morando numa casa arrendada e isto a fez pensar porque não foi morar na casa que Idalina tinha em Lisboa.
Fitou Aima comentando:
- Fiquei curiosa quanto a uma questão, mas relaxe, não é sobre ti.
- É sobre o quê?
- Não entendo porque a Teresa mora numa casa arrendada se a Idalina tem uma casa em Lisboa.
- A Berenice casou-se e foi morar naquela casa.
- Está explicado. Era essa minha dúvida.
- Tudo bem.
- Você perdeu a memória em algum momento?
- Não, minha a memória não foi afetada.
- Recordo que me contaste que a tua cabeça, como algumas partes do teu corpo ficaram muito machucados. Além disto, perdestes muito sangue, tanto que te fizeram transfusões de sangue. Ficastes nos cuidados intensivos por dias, Aima. Tu quase morreste...
- Eu sei. Eu...
- Porque não mexeste nisto quando te tornaste advogada? Poderias ter feito a denúncia mesmo tendo decorrido tantos anos.
- Claro que não, eu nunca mais vou querer lembrar-me de tudo aquilo.
- Teria sido bom para varrer todo aquele mal das tuas lembranças. Deixar para lá é...
- Não falo mais!
- Não falas porque foges e não percebo a razão. Só terias a ganhar.
- Não...
- Sabes que estou certa. Um processo seria montado e a tua ficha médica apresentada como prova dos ferimentos.
Aima estacionou diante da casa de Maria. Desligou o carro voltando-se para ela.
- Não, Maria. Isso é impossível.
- Por que impossível, Aima? Impossível seria reviver os mortos. Tu só terias que relatar os fatos. Nem terias que testemunhar se não quisesses. Sentirias um alívio tão grande.
- Não sentiria não.
- Claro que sentirias. Toda a ajuda psicológica que tivestes não parece ter sido suficiente. Achas que foi?
- Não percebes que nunca me irei esquecer?
Aima perguntou sem aguentar mais ouvir sobre aquele assunto.
- Ah, Aima eu realmente não compreendo os teus motivos.
- Está bem, se precisas compreender é muito simples, não quero que ninguém veja a minha ficha médica.
- Hã? Não percebi. Qual é o problema?
- Não quero que esmiúcem, quero que fique como está, intocada.
- Ah.
Maria pensou rapidamente sobre a ficha médica. Por que Aima não queria que ninguém analisasse aquele histórico? Tinha sido atendida em algum hospital em Lisboa e isto não seria difícil descobrir. Sabia a quem pediria ajuda para ter acesso ao prontuário de atendimento médico dela. Queria perceber porque Aima não desejava que ninguém o visse.
- Eu só quero deixar o passado para trás.
Aima acrescentou percebendo que Maria estava pensativa.
- Será que isso é possível?
- Sim, se não falarmos mais. Deixa que te diga que estou feliz por teres permitido que eu te trouxesse.
- Tu ainda tinhas coisas para falar, foi por essa razão que aceitei a tua boleia.
- Não tens também coisas para falar comigo?
- Oh, estive o tempo todo falando contigo. Até ficaste abalada com as minhas colocações, Aima.
Maria respondeu dando um sorriso.
- Fiquei e passou. Quero falar sobre nós.
- Não, nada temos para falar sobre nós. Está a ficar tarde.
- Claro que temos e amanhã é domingo, Maria.
- Sim, que maravilha que vai ser domingo. Amo dormir até mais tarde.
- Vamos nos ver no lançamento da vinícola. Vou amar. Não posso entrar um pouco contigo?
- Para quê?
- Para quê? Para conversarmos mais.
- Já conversamos por demais. Toquei num assunto que te entristeceu e tu necessitas de uma boa noite de sono para relaxares a mente.
- Achas?
- Claro. Muito obrigada pela boleia.
Maria agradeceu preparando para saltar. Aima inclinou-se na hora roçando a boca na dela.
- Já não sei ficar sem os teus beijos. Olha para mim.
Maria ficou agitadíssima. Mesmo assim ergueu os olhos encontrando os dela.
- Não percebeste que quase morreste de emoção e prazer nos meus braços quando nos beijamos?
- És tu quem o dizes? Não te atrevas a repetir.
- Maria? De que adianta essa resistência se queremos tanto?
Os lábios de Maria tremiam devido à intensa emoção que sentia tentando disfarçar. Respirava fundo para controlar o desejo que a dominava. Então aconteceu e não foi Aima que a beijou primeiro, foi Maria que se inclinou procurando-lhe a boca num beijo ardente. Depois interrompeu o beijo para lamber-lhe a boca toda passando a língua sensualmente por ela. Aima estava entregue, deliciando-se com as carícias da língua sobre seus lábios. Maria parecia estar reconhecendo o terreno (Risos). Nada disto, estava matando as saudades da boca que vivia nas suas lembranças. Boca essa que adorava e desejava com tamanha loucura que já não se continha. Deslizou a língua para dentro dos lábios dela provocando-a, fazendo com que Aima se desse como ela se estava dando. Aima lambeu-lhe a língua chupando-a desejosa, enquanto sentia Maria devorando a sua língua com chupadas intensas. Eram daqueles beijos que matavam uma pessoa de prazer e desejo. Desejo este que consumia a ambas. Seus corpos estremeciam quando os bicos dos seios já eriçados acariciavam-se a cada segundo em que se roçavam.
Aima estendeu a mão pelo lado do banco conseguindo incliná-lo. Forçou o corpo sobre o de Maria praticamente deitando sobre ela. Maria ainda a beijava desnorteada. Bastou Aima deslizar a mão para dentro vestido tocando o seio para Maria arrefecer.
- Não Aima, chega.
Maria pediu afastando-a com delicadeza de cima do seu corpo.
- O que foi? Não percebi.
- Nada. Vou entrar. Já está na minha hora.
- Mas Maria, tu achas isto normal? Vais deixar-me assim?
- Ah, Aima! Por amor de Deus e como é que achas que eu estou a ir?
- Então deixa-me entrar. Não podemos ficar como estamos. Entendes isso?
Maria a olhou nos olhos respondendo já dona de si.
- Conheço um bom remédio e tu como mulher experiente devias sabê-lo. Vemo-nos amanhã.
- Estás sugerindo que eu resolva sozinha? 
- Exatamente.
- Oh, não sou mais uma adolescente. Sabe mal. Não estou a perceber o que se passa. Espera Maria e responde-me.
Maria que já segurava a porta do carro aberta simplesmente questionou:
- O que tu me queres perguntar?
- Não me desejas?
- Tens a certeza de que está a perguntar-me isto? Não acredito! Continuações de uma boa noite, Aima!
- Que coisa, Maria! Não é por nada, mas isso nem é uma resposta. Não me vires às costas.
- Depois nos falamos. Adeus!
- Ai que pena! Adeus!
Maria acenou entrando rapidamente trancando a porta.
Continua...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Alejandra Guzmán - Para Mí (En Vivo)

Tudo O Que Ela Não Entendia. - Capítulo 31.


Aline entrou em casa cantarolando. Usava uma blusa branca curta com a saia da mesma cor. Calçava tênis com meia branca. Foi até a área onde abriu o armário guardando a raquete de tênis. Voltou seguindo para o quarto. Quando entrou parou olhando surpresa Lívia terminando de tirar algumas roupas de uma pequena mala. Desceu os olhos pelo vestido que ela usava, com interesse. Bastava olhar para Lívia que sentia o corpo reagindo. O vestido bandagem curto, num tom de azul, evidenciava consideravelmente as suas formas. Os seios e quadris realçados despertou de imediato a sua atenção.
- Oi, meu amor! Vejo que seguiu minha sugestão trazendo algumas roupas.
- Sim, aproveitei para pegar algumas peças. Minha mãe comentou que acha que eu já estou morando aqui mesmo sem ter comunicado para ela.
- Ela está chateada com isto?
- Não! Dora é cabeça feita demais. Ela só quer que eu fique bem.
- Que bom que ela é assim.
Lívia examinou a roupa que Aline estava vestida, comentando:
- Você fica muito bem com essa roupa. Essa camiseta polo é linda e a saia um charme.
- Você acha?
- Sim, fica muito sexy. Ganhou ou perdeu as partidas?
- Obrigada. Ah, nem me fale, perdi vergonhosamente. Você está acabando com as minhas energias e mal consegui correr na quadra. A bola passava por mim e acredite, eu estava mais lenta do que uma tartaruga. Marta me deu uma surra. Depois tomamos uma cerveja e aqui estou eu. Derrotada, mas imensamente feliz porque sabia que você estaria em casa.
Lívia segurava as últimas peças de roupa que tirou da mala. Esteve parada ouvindo Aline contar sobre a partida de tênis. Teve vontade de rir quando ela falou que estava acabando com as suas energias.
Virou guardando as roupas na gaveta comentando tranquila:
- Marta joga muito bem. Faz anos que eu não jogo tênis. Acho que vou recomeçar.
- Ela joga bem mesmo. Ótima decisão. Vou poder jogar com você. Saco a bola e corro para te beijar. 
- Hahahaha. Claro que vai jogar comigo. Falando em energias, você deve estar faminta. Vou preparar algo para comermos. Vem comigo até à cozinha?
- Estou toda suada, vou tomar um banho. Antes quero um beijo. Senti tantas saudades suas.
- Não faz nem duas horas que nos falamos diante do meu trabalho. Deixa de exagero.
- Um minuto longe de você já fico louca de saudades.
Trocaram um beijo intenso. Lívia colou mais o corpo ao dela, mas Aline se afastou comentando.
- Vou ficar cheirosa para você. Falando nisto você está deliciosa com este vestido. Pensei logo em arrancá-lo do seu corpo.
- Aposto que pensou. Obrigada.
Lívia sorriu virando para deixar o quarto. Aline deu um tapa na bunda dela dando um assovio.
Voltou-se olhando para Aline, comentando com um ar divertido.
- Mas você é mesmo ousada!
- Sou e você adora!
- Hahahahahahahahaha...
Lívia deixou o quarto rindo demais do convencimento dela. Aquele convencimento de Aline nada mais lhe parecia do que um encanto especial que a seduzia sempre.
Entrou na cozinha ainda sorrindo. Abriu a geladeira falando em voz alta:
- Não brigamos. Isto é um milagre!
Com essa sensação de paz, Lívia começou a preparar um jantar simples. Sentia uma vontade nova de cozinhar para Aline. Queria agradá-la. Realmente a necessidade era de agradar porque tinha certeza que Aline sabia que ela cozinhava bem.
Temperou uma carne adorando a quantidade de condimentos que encontrou no armário para usar, colocando para assar. Colocou algumas batatas, cenouras e beterrabas para cozinhar. Pegou um molhe de couve cortando as folhas bem fininhas. Estava tudo bem adiantado. Buscou uma garrafa de vinho na geladeira da dispensa, abrindo distraída.
Neste momento Aline entrou na cozinha. Lívia sentiu na hora aquele perfume que estava gravado em sua memória, olhando-a fascinada. Usava um vestido estampado que ao primeiro olhar parecia um modelo simples, mas sabia que não era. Aline acompanhava a moda, tanto que os modelos estampados já ocupavam lugar nas vitrines das lojas. Aquele vestido a deixou inegavelmente sexy.   
- Demorei? Oh! Por que não deixou a tarefa de abrir o vinho por minha conta? Assim vou me sentir uma inútil. Deixa que vou pegar as taças.
Lívia não abriu a boca. Ficou olhando-a maravilhada. O perfume pairando pela cozinha, unindo-se ao cheiro dos alimentos era tão afrodisíaco, que todos os seus sentidos ficaram alerta. 
Aline voltou pegando a garrafa da mão dela. Serviu as taças lançando um olhar intenso pelo decote do vestido.
- Saúde!
- Saúde!
Brindaram bebendo alguns goles. Olhavam-se silenciosas enquanto o faziam.
- O jantar vai demorar, meu amor?
- Não mais do que uns trinta minutos e já sirvo. Você aguenta esperar?
Aline enlaçou a cintura dela empurrando seu corpo contra a bancada.
- Aguento.
Dito isto desceu os olhos pelo decote novamente. Com a taça de vinho na mão derramou um pouco sobre ele, inclinando a cabeça para lamber o líquido. Passou a língua ali bebendo o vinho na pele dela.
- Ah... O que está fazendo?
- Vou te mostrar.
Aline respondeu soltando a taça. Levou as mãos até às costas dela abrindo o vestido. Puxou-o para baixo diante dos olhos brilhantes de desejo de Lívia. Soltou o sutiã deixando-o cair ao chão. Pegou novamente a taça derramando mais vinho sobre os seios. Desceu a boca passando a lamber todo o vinho que escorria pelo corpo.
- Oh... Ah... Aaaaa...
Lívia gemia enquanto a boca lambia o vinho. Aline começou a beijar e chupar os biquinhos dos seios que eriçaram logo confirmando sua excitação crescente. Com delicadeza enlaçou a cintura de Lívia erguendo-a sobre a bancada. Uma taça caiu no chão quebrando, espalhando vinho no mesmo. Elas não se importaram.
Aline entreabriu as pernas de Lívia enfiando-se entre elas. A boca buscou a dela beijando-a cheia de desejo.
- Passei o dia louca para te amar. Quero beber seu gozo todo.
- Oh... Você me desorienta, Aline. Quer ir para a cama?
- Não, quero você agora, meu amor. Dá pra mim, dá?
- Ah dou, oh...
Lívia respondeu descendo as mãos para tirar a calcinha, mas Aline segurou suas mãos sussurrando sensualmente:
- Deixa que eu faça. Só fique relaxada. Vou te lamber bem gostoso.
- Ai, sim pode lamber como quiser.
Olhando-a nos olhos Aline começou a puxar a calcinha. Escorregava-a pelas pernas dela lambendo a carne por onde a peça íntima passava. Tirou a peça pelos pés cheirando a calcinha passando a língua nela.
- Ai não faz isto que você me mata...
Aline soltou a calcinha mergulhando a boca na dela. Sugou a língua alucinada de desejo afastando-se novamente. Desceu a boca passando pelos seios. Chupou os biquinhos enquanto abaixava o corpo. Ia ajoelhar, mas os cacos da taça no chão a fez se voltar puxando uma cadeira, onde sentou. Abriu mais as pernas de Lívia deslizando a língua na buceta com delicadeza de propósito para excitá-la ainda mais.
- Aiiii... Nossa...
Parou afastando-se. Pegou a taça de vinho derramando o conteúdo todo em cima da buceta. Voltou assim a chupá-la avidamente. Metia a língua e tirava. Deslizou um dos dedos que passou a entrar e sair enquanto chupava sedenta a buceta deliciosa.
- Uuuuuu... Meu Deus...
Aline se excitava mais a cada gemido que ouvia. Chupava com mais vontade louca para sentir Lívia gozando.
- Oh, não aguento mais...
Lívia confessou soltando o corpo sentindo o orgasmo explodindo.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Aline deliciou-se bebendo o gozo que jorrou espalhando-se por sua língua. Ergueu o corpo beijando Lívia louca de desejo. O gosto do gozo misturou-se nas suas bocas excitando-as mais.
- Preciso sentir você.
Lívia contou interrompendo o beijo. Porém, confessou com a boca ainda colada à dela.
- Você me transformou em outra mulher. Eu te desejo de uma forma que nunca desejei ninguém, Aline. Venha sentar aqui onde eu estou.
- Eu vou, mas tome cuidado com os cacos de vidro no chão.
- Vou tomar.
Lívia respondeu saltando da bancada com cuidado. Aline se ergueu sentando onde ela estivera. Seus olhos estavam fixos. Lívia tirou o vestido dela passando-o pela cabeça. Viu que estava sem sutiã. Enquanto o tirava inclinou beijando o pescoço. Deslizou a língua até a orelha contando:
- Eu também passei o dia louca para chupar essa buceta deliciosa que você tem. Só de pensar fico toda molhada.
- É?
- Sim, Aline, fico louca para sentir seu corpo nu roçando inteiro no meu. A sua língua dentro de mim e a minha dentro de você.
- Ai vem e me dá sua boca. Deixa minha buceta chupar a sua língua.
- Você me endoida. Ninguém nunca me excitou tanto. Como consegue?
- Te amando como eu te amo, será?
- Não sei dizer. Você roubou meu juízo. Agora quero te sentir, te dar prazer, te ouvir gemer gozando para mim. Quer que eu te beba?
- Ai eu quero meu amor. Me beba...
Lívia pegou a garrafa de vinho começando a derramar pelo corpo de Aline. Jogou na boca, nos ombros, pelos seios, até da barriga para baixo. Mergulhou a boca na dela saboreando o beijo com o gosto do delicioso vinho. Seguiu lambendo a pela pele. 
- Que delícia... Beba...
Dados da autora: E eu que pensei que elas só iriam ter um jantar tranquilo. Ainda bem que eu mesma me engano.
Lívia estava bebendo, secando cada gota com a língua ousada. Lambeu os biquinhos dos seios. Depois os chupou deliciada. Continuou descendo até chegar às pernas. Lambeu a cada hora uma, subindo a boca até chegar ao centro da sua atenção. (Onde? Todo mundo sabe.)
Passou a língua na buceta inteira, numa lambida gulosa e desejosa que até ela própria admirou. Surpreendeu-se por constatar o quando a desejava. O quanto queria chupar e fazê-la gozar. Sentir aquele desejo lhe deu mais audácia para satisfazer Aline. O fez sem reservas. Penetrou-a com dois dedos porque sentiu ímpetos de possuí-la. Possuiu louca enquanto a chupava, lambia e mordiscava o clitóris. Fez loucuras amando os gemidos loucos de Aline. Até que a sentiu gozando em sua boca.
- Aiiiiiiiiii... Oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Lívia afastou o rosto admirando a vagina com atenção. Aproximou novamente colhendo o gozo com prazer. Passou o dedo dentro dela erguendo-se. Levou o dedo até a boca de Aline sugerindo:
- Sente como o seu gosto é bom.
Aline chupou o dedo sustentando o olhar de Lívia em êxtase.
- Gostoso né?
- Sua língua é que é gostosa. Vem cá.
Aline respondeu puxando-a contra seu corpo. Mergulhou a boca na dela beijando-a longamente. Lívia sorriu procurando os olhos dela após o beijo.
- Você estava louquinha para me pegar.
- Não nego, pensei o dia inteiro em gozar com você.
- Ótimo pensamento. Espere, tenho que olhar a carne antes que queime. Vou trocar de roupa. Eu acho que devíamos tomar um banho antes do jantar.
- Depois, depois tomamos banho. Vou varrer e secar o chão. Fiz uma grande bagunça.
- Você fez uma bagunça deliciosa.
- Tem razão, acabei molhando tudo. O chão, eu, você e amei tudo isto.
- Ah, Aline! Você não tem jeito. Foi uma delícia.
Lívia respondeu olhando-a profundamente. Afastou-se indo até o forno. Estava certa, mais cinco minutos e a carne começaria a queimar. Tirou a de lá levando para a mesa.
- Por pouco nossa carne não queimava.
- Deve estar deliciosa por ter assado com o som dos nossos gemidos. Falando nisto percebi que você gemeu muito mais do que gemeu hoje pela manhã.
- Foi só isto que você percebeu? Achei que me molhei muito mais.
- Acho que foi tudo mais intenso.
- Foi sim.
Lívia respondeu parando do lado dela. Inclinou-se beijando-a, sorrindo entre o beijo.
- Você me seduziu e sabe bem porque minha excitação foi maior. Era um fetiche seu, não era? Amar-me aqui na cozinha?
- Será que estou ficando transparente para você?
Aline perguntou começando a rir.
- Talvez, eu percebi só isto. Amei, amei demais a sua pegada. Pelo menos quando está fazendo amor comigo você não vira uma tartaruga.
- Engraçadinha! Olha lá, nunca te dei motivos para reclamar neste sentido.
- É verdade, só estou brincando. Agora vou terminar de colocar o jantar na mesa e você termine aqui e pegue outra garrafa de vinho para nós, por favor. Não quero que se sinta uma inútil.
Aline permaneceu sorrindo. Terminou de limpar o chão indo pegar outra garrafa de vinho e mais uma taça. Sentou cuidando de abrir a garrafa enquanto Lívia vinha com a couve e a salada de legumes fria que temperou.
Aline olhou a comida comentando animada.
- Parece ótimo! Essa carne está mesmo cheirosa. O arome está por todo lado.
- Para minha surpresa encontrei uma boa quantidade de condimentos no armário.
- Ah, aqueles condimentos, sei! Eu os comprei quando te trouxe para morar comigo. Você não ficou, mas eles ficaram guardadinhos a sua espera.
- Que esperta que você foi.
- Um pouco, admito! Agora quero provar essa carne que parece estar uma maravilha.
- Acho que está. Tentei fazer tudo mais leve, embora comer carne à noite seja pesado, mas como você está precisando repor as energias. Está tão fraquinha que mal consegue rebater a bola numa partida de tênis, achei que poderia te fortalecer. Não é?
- Olha você está me gozando. Hahahahaha...
- Hahahahaha... Só estou constatando um fato.
- Está bem, eu sei. O que importa é que você está de bom humor.
Lívia pegou o prato dela, servindo. Devolveu o prato, perguntando:
- Por acaso você acha que eu estou sempre de mau humor?
- Muito pelo contrário, você está sempre me fazendo sorrir muito. Tem uns momentos impagáveis que quando lembro fico morrendo de rir sozinha.
- Ah, tanto assim? Meio como se eu fosse uma palhacinha?
- Uma palhacinha muito especial e linda que eu amo imensamente. E que...
Aline parou estendendo a mão para que ela esperasse, enquanto provava a carne. Mastigou dois pedaços abrindo um largo sorriso.
- Que cozinha divinamente! Ah, não! Porque nunca cozinhou para mim antes?
- Você é um amor! Olha bem para ver se você me compreende. Eu não me sentia tão à vontade como me sinto agora nesta casa. Tudo está diferente. Eu vejo e sinto a casa e você, de uma forma especial. Consegue entender que tudo mudou?
- Consigo.
- Mudou e continua mudando. Eu não sinto mais aqueles medos que sentia antes.
- Nenhum medo?
- Acredito que nenhum. Consegui me abrir com o psicólogo. Contei que estou com uma mulher.
- Que grande avanço! Um brinde a isto. Estou muito feliz por você e por mim também. Porque é claro que se você fica bem nós ficamos melhores. Isto tem tudo a ver com o equilíbrio da nossa relação. Se você fica se cobrando, culpando e sofrendo eu fico incomodada. Fico sem saber o que fazer para te ajudar. Eu quero o melhor para você. Quero você inteira comigo. 
- Eu sentia um peso, mas ele desapareceu. Agora vamos comer antes que esfrie.
- Sim, vamos querida. Está delicioso!
- Fico feliz que tenha ficado saboroso. Bom apetite!
- Obrigada, para você também.
Passaram a comer silenciosas. Lívia pensou no que Aline tinha falado, do equilíbrio da relação. Ela tinha dito: “Isto tem tudo a ver com o equilíbrio da nossa relação.” Via agora com clareza que tinham uma relação. Não era uma brincadeira e muito menos momentos.
Assim que terminaram de jantar Aline confessou:
- Eu não queria te perder. Por isto insisti tanto impondo a minha presença. Talvez eu tenha passado dos limites em alguns momentos, mas não o fiz por mal. Só queria estar com você. Foi difícil quando percebi que estava apaixonada por você. Sendo heterossexual compreendi que seria complicado. Eu não queria nenhuma complicação, mas o meu coração não quis nem saber. Entendi que não seria fácil te convencer que você estava no caminho errado.
- Como você sabia que eu estava no caminho errado?
- Assim que te vi pela primeira vez eu desconfiei. Quando te beijei tive certeza.
- Para mim foi uma luta perceber que eu estava fazendo tudo errado.
- Mas é assim mesmo. É sentindo que tem algo fora do lugar que vamos acertando o passo.
- Tem razão.
- Sem contar que você poderia não gostar de mim. Temia até o momento, caso fizéssemos amor, que você poderia não gostar. É uma insegurança normal, eu acho.
- É sim. Quando nós ficamos juntas pela primeira vez eu percebi como você era. O seu jeito. Você não me percebeu porque eu não fiz nada. Fui ridiculamente passiva. Só que eu não tinha como corresponder. Por isso que mal me reconheço hoje. Eu não mudei. De fato eu me transformei. Você cortou um dobrado comigo. Falando sério, eu no seu lugar não sei se teria aguentado.
- O amor que eu sinto por você fez tudo ser mais fácil.
- Eu sei e só posso dizer que adoro esse seu jeito carinhoso. Sua persistência com a minha loucura emocional me surpreendeu muito. 
- Não foi loucura, você ficou perdida.
- Foi uma loucura para mim, Aline. Eu perdi o rumo. Você me desorientou de tal maneira que eu não sabia mais o que fazer para fugir dos seus avanços. Você queria me seduzir. Queria me levar para a cama e isto foi assustador.
- Eu sei tudo que fiz para ter você aqui comigo. Não tenha dúvidas que faria muito mais e farei, só que agora para te fazer feliz.
- Você sabe que já me faz feliz.
- Isto é bom. Posso fazer mais, mas não vou correr. Também não vou ser como uma tartaruga.
- Hahahahaha, essa da tartaruga foi muito boa!
- Convenhamos que eu também sei te fazer sorrir. Seu sorriso é lindo.
- Você faz, obrigada.
- Agora me conte, como vão os seus negócios? Essa crise não tem te afetado?
- Olha, não vou negar que os clientes diminuíram porque as pessoas estão economizando em tudo que podem.
- Sim, eu sei. Você está passando aperto com isto ou ainda está dando para levar sem sacrifícios?
- Está dando para levar porque eu forneço comida para algumas empresas e para a minha sorte elas estão resistindo à crise. Como a sua empresa que por sinal é uma das mais vantajosas. Para ser sincera eu acredito que o Brasil está numa situação complicada demais.
- Está mesmo e medidas paliativas não vão livrar o país do buraco. Não se pode governar para poucos, tem que se governar para toda a população. Enfim, estes governos cheios de vícios são um espinho para o povo. Eu perguntei por que não quero que passe por dificuldades. Se ficar em apuros, não tenha receio, me fale.
- Obrigada, mas está tudo bem. Não tenha dúvidas que eu falo sim. Mesmo porque não estou nem um pouco a fim de perder os restaurantes.
- Não vai perder nada. A qualidade da comida que você oferece é excelente. Agora o que acha de uma massagem nos teus pés?
- Você faz?
- Não sou profissional, mas eu me viro. Venha, vamos lá para a sala. Pode deixar tudo aqui como está. Amanhã a faxineira cuida de tudo.
- Ok, mas vou só guardar na geladeira as sobras do jantar. Não dá para deixar assim.
- Então vou te ajudar.
Arrumaram juntas terminando em minutos. Aline sorriu para Lívia pegando a mão dela. Foram para a sala de mãos dadas.
Dadas da autora: Que lindas! Estou começando a gostar desta paz que elas estão conquistando juntas.
Continua...