quarta-feira, 23 de abril de 2014

Elas Fazem Por Amor. - Capítulo 42


Helena comentou descendo do carro olhando admirada para o restaurante.
- Um lugar como este deve ter que fazer reserva.
- Tenho uma reserva.
- Hum? Costumo frequentar restaurantes assim com Verena e Isabel. Em três dá para dividir a conta alta. Não é nada como aquela garrafa de vinho que tomamos na França. Que careza! Não falo por mal, meu salário de professora me obriga a pensar bem em certos exageros. Se oriente Helena!
- Entendo perfeitamente o que está falando. – Juliana respondeu sorrindo animada para ela. Não conseguia esconder o quanto estar com Helena era agradável. Cada dia sentia-se mais envolvida e apaixonada por ela. Porém seu sentimento parecia não ser percebido por ela. Helena estava insegura e só o que lhe daria segurança seria a aliança de volta.
Entraram juntas no restaurante. Helena sorriu surpresa quando aproximaram de uma mesa onde estavam sentados o pai e a mãe de Juliana.
- Não sabia que jantaríamos com seus pais! – Helena comentou sem disfarçar a surpresa.
- Isto é para você ver que desejo fazer outras coisas com você além de sexo meu amor! Meus pais reclamam que quase não tenho tempo para eles.
- Então eles devem afirmar que a culpa é minha já que nos encontramos todas as noites.
- Sim, eles pensam que a culpa é sua. Não o dizem por mal, apenas compreendem o quanto eu te amo e desejo sua companhia. Afinal, já foram jovens. Ficaram noivos e sentiram o que sinto por você.
- Falando em noivado se me perguntarem devo...
Neste momento a mãe de Juliana se ergueu abrindo os braços para abraçá-la.
- Minha filha! Que bom que chegou. Estávamos ficando ansiosos! – Falou abraçando e beijando Juliana.
Voltou-se em seguida para Helena abraçando e beijando-a com a mesma alegria.
- Que prazer te rever Helena! Juliana nos contou da viagem maravilhosa que vocês fizeram. Não existe nada mais maravilhoso do que amar em Paris.
Helena sorriu falando animada.
- Sim, sim, foi maravilhoso. É um prazer revê-la Ivete! – Respondeu lembrando os momentos de prazer que teve nos braços de Juliana.
- Boa noite Helena! É muito bom revê-la! Não sei como conseguiu conquistar o coração da minha filha da forma que o fez, mas ela está feliz e só posso te agradecer.
- Obrigada! É um prazer reencontrá-lo também Ricardo! – Helena respondeu sentando ao lado de Juliana. Deu graças a Deus por lembrar o nome dos dois. Seria uma vergonha se tivesse esquecido. Não tinha como esquecer aquele discurso feito por Ivete na noite em que ficaram noivas.
- É ótimo que estejam aqui juntas hoje! O enxoval de vocês está pronto. Não resisti e dei a Juliana aquela colcha ontem. Você viu Helena? Gostou da colcha?
Helena abriu a boca completamente surpresa com as palavras de Ivete.
- Oh! A colcha? Achei lindíssima! Mas a Senhora falou que o enxoval está pronto? Não sabia que estava fazendo o enxoval. – Comentou admirada.
- Deus me livre de uma mulher casar sem ter um enxoval. Dá um azar minha filha! Nem pensar! Sua mãe não está fazendo o seu? – Ivete perguntou confusa.
Helena olhou dela para Juliana sem ação. Lembrou-se de Isabel e Verena neste instante falando rapidamente.
- Minha mãe está muito longe deste mundo e seria difícil que ela cuidasse deste detalhe. Minhas amigas estão tratando do meu enxoval.
- Ótimo! Ótimo! Quem faz seu enxoval é irrelevante, o importante é que cada noiva tenha o seu.
Helena concordou com a cabeça.
Neste instante percebeu que Juliana a observava sorrindo ligeiramente.
- Juliana desistiu de passar a lua de mel em Portugal. – Ivete contou abrindo os braços. – Ainda bem que desistiu antes de vocês irem!
- Portugal na verdade foi a minha primeira ideia. Quando conversamos Helena me contou que já conhecia, portanto achei que podemos ir para outro país que ela não conheça.
- É tudo tão fácil quando se tem dinheiro, não é mesmo? – Helena perguntou abrindo um largo sorriso.
- O dinheiro facilita tudo. – Ricardo comentou divertido.
- Sem sombra de dúvida querido! – Ivete respondeu apoiando o marido. – Estive olhando os lugares que vocês podem visitar em Santorini caso escolham ir para lá.
- Santorini? A Grécia? Já vi fotos em revistas, é um lugar lindíssimo. – Helena comentou animadíssima. – Também não sei por que não ir para algum estado brasileiro. Quem sabe Pernambuco, Goiânia, Belém, Santa Catarina, Porto Alegre, Recife, São Luiz, Araxá em Minas Gerais. Dizem que as águas térmicas são excelentes para...
- Araxá? Helena? Que absurdo! Nem pensar! – Ivete respondeu chocada. – Se pode ir para quaisquer países do mundo vai logo para Araxá? Não sonhe tão pequeno minha querida!
- Vocês vão tomar uísque ou preferem vinho? – Ricardo perguntou com o garçom parado ao lado dele.
- Peça o nosso vinho preferido papai. Vai querer uma dose de uísque meu amor? – Juliana perguntou carinhosa para Helena.
- Não, obrigada! Acompanharei vocês no vinho.
- Ótimo! Traga para nós uma garrafa de Grand Vin De Léoville.
- Perfeitamente Senhor! – O garçom respondeu afastando na hora para atender ao pedido.
- Este vinho é divino Ricardo! O melhor que já provei. Tomei em Paris com Juliana. – Helena contou sorridente.
- Vai conhecer outros tão deliciosos quanto ele. Juliana é uma conhecedora de vinhos e com certeza vai te apresentar os melhores. Se vocês decidirem passar a lua de mel no Egito, existem excelentes restaurantes tanto no Cairo quanto em Alexandria. No Cairo recomendo “Felfela”, “Omar Hayyam”, ou o que acredito que encantara mais vocês, é o “Scarbée.” Vão jantar ou almoçar navegando pelo Rio Nilo.
- Oxé! Um restaurante flutuante? Mas rapaz, seria inacreditável! – Helena comentou levando a mão até a coxa de Juliana piscando para ela.
- Oxé? Minha querida Helena! Essa expressão é um tanto popular demais, não lhe soa assim? Você precisa lembrar que será a esposa de uma juíza. As pessoas, você sabe, reparam em tudo.
- Sim, sim dona Ivete! – Helena respondeu engolindo em seco.
- Mamãe? Deixe que Helena fale como ela quiser. Não quero que ela seja podada em nada. – Juliana pediu com gentileza para a mãe.
- Bem minha filha, eu só quis ajudar...
- Acho este oxé dela muito fofo! Voltando a nossa lua de mel. – Juliana cortou fitando Helena com o ar apaixonado de sempre. – Podemos ir para Petra. 
- A cidade rosa! Adoraria! Isto seria tudo Juliana! Veremos beduínos de verdade. O dinheiro usado lá é o Dinar. Sabe que a Jordânia é um país que pouco ouço falar? O que é muito estranho já que o Oriente Médio tem inúmeros poços de Petróleo. O que seria deste mundo sem o ouro negro? Você concorda meu amor?
- Concordo sim.
- Beduínos? Oh meu Deus! Isto não soa nada romântico. – Ivete comentou admirada.
- Não existem tantos beduínos como existiram no passado no Oriente Médio hoje em dia. Se quisermos vê-los poderemos ir para o deserto de Wadi-Rum. Fica a umas três horas de Petra se formos de carro. Estou falando daqueles que usam túnicas brancas e pano vermelho na cabeça e andam em camelos. Os verdadeiros beduínos.
- Exatamente como aparecem no filme? – Helena perguntou encantada com a ideia.
- Sim amor! Eles usam aquele pano na cabeça para proteger da areia que vem de todos os lados com as ventanias do deserto. O mais interessante do deserto é o sol escaldante durante o dia e o frio terrível das madrugadas. Usam pele de ovelha nas tendas para aquecer o ambiente.
- De qual filme vocês estão falando? – Ivete perguntou sem recordar nenhum filme que tivesse visto beduínos como elas estavam falando.
- Lawrence das Arábias, com Peter O’Toole e Omar Sharif no papel principal minha querida. Foi nesse filme que você pensou Helena? – Ricardo respondeu adorando o assunto.
- Foi sim Ricardo.
- Oh! Este filme? Mas é tão antigo, mal me recordo! – Ivete comentou confusa.
- O filme foi baseado na biografia Os Sete Pilares da Sabedoria, T.E. Lawrence, Seven Pillars Of Wisdom e foi dirigido por David Lean. Conta às quatro fases da vida de Lawrence durante o período em que viveu na Arábia durante a guerra. A conquista de Aqaba. O seu rapto e tortura pelos turcos em Deraa. O massacre de Tafas e o fim do sonho Árabe de Damasco. Os donos dos cinemas reclamaram porque queriam mais exibições diárias devido ao grande sucesso porque inicialmente tinha quatro horas de duração. Cortaram 35 minutos e ele passou a ser exibido com 187 minutos. Só vinte e sete anos mais tarde ele voltou a ter os 35 minutos que foi retirado do original. O mais incrível é que não tem nenhum personagem feminino. Ainda assim é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. Minha mãe dizia que não existiram olhos mais lindos como os de Peter O’Toole e muito menos beleza mais rara do que a de Omar Sharif naquele filme.
- Não sabia nada disto sobre este filme. – Ivete comentou fitando Helena de forma curiosa.
- É um grande épico que foi rodado em 1962. – Ricardo acrescentou fitando a esposa com certo pesar.
- Exatamente! Ah, lembrei agora Juliana! Não se esqueça da minha reza de Alá mais tarde.
- Ah! Tudo bem. Não dá para esquecer não. – Juliana comentou olhando-a com um ar malicioso.
- Pois é! – Helena sorriu desviando os olhos dela.
- Coisa boa não dá para esquecer. – Juliana acrescentou pegando o copo e tomando um gole do vinho.
- De que vocês estão falando? – Ivete perguntou fitando Ricardo confusa com a mudança de assunto.
- Não faço a menor ideia querida. – Ricardo respondeu tranquilo.
- É só um site que posta artigos lésbicos na internet. – Helena inventou percebendo o sorriso discreto de Juliana neste instante.
- É mesmo? Hoje em dia na internet se encontra de tudo. Antigamente a censura não permitia nada disto. Para muita gente homossexualidade é sinônimo de Sodoma e Gomorra. Vocês falam sobre este assunto com tanta naturalidade. Parece que nunca leram a bíblia! É incrível, não é querido?
- De fato são outros tempos Ivete. Livros e artigos com a temática LGBT eram raros no passado. Hoje estão por toda parte. Uma das melhores formas de acabar com o preconceito é o conhecimento. A falta de cultura mantém as pessoas presas em sua própria ignorância. Não evoluem, não crescem, não percebem novos horizontes. Por isto tantos acabam fazendo um papel ridículo ao comparar a homossexualidade com Sodoma e Gomorra. Isto é de uma idiotice lamentável!
- Oh querido! Está me chamando de ridícula? – Ivete perguntou chocada.
- Eu? Estou apenas dando a minha opinião. 
- Ricardo? Li na internet que pesquisadores da Universidade de Bristol analisaram em 2008 o “Planisfério” descoberto por Henry Layard por volta de XIX. Segundo eles, existem escritos narrando a trajetória de um asteroide com dimensão de mais de um quilômetro na direção daquela região. Ao cair na terra ele devastou um milhão de quilômetros quadrados. Foi considerado, que as cidades de Sodoma e Gomorra podem não terem sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descidos do céu. Segundo estes estudos, o asteroide atingiu o monte Sinai, regiões do Oriente Médio e o norte do Egito matando inúmeras pessoas. A bíblia narra que dois anjos tiraram Ló, seus familiares e amigos da sua casa, mandando que corressem para as montanhas sem olharem para trás, pois a cidade seria destruída. Segundo essas descobertas quem destruiu as cidades foi o asteroide e não Deus. As pessoas usam partes da bíblia para crucificar lésbicas e gays por todo o mundo. Mesmo depois disto ser considerado apenas uma hipótese.
- Você está desmentindo a bíblia? Mas isto é uma blasfêmia! Sodoma e Gomorra foram destruídas por Deus sim! Foi à única forma que ele encontrou de acabar com a orgia que existia por lá. Com os bacanais, as perversões e práticas sexuais daquelas pessoas. – Ivete comentou admirada.
Ricardo olhou para Ivete engolindo em seco sem acreditar no que ela tinha acabado de falar.
- Parece que o nome destas cidades fala por si só. Os pecados que eles cometeram foram à soberba, a fartura, a ganância e o orgulho. Tratavam com extrema agressividade os visitantes que chegavam. Por isto Deus enviou anjos até a casa de Ló. Os homens da cidade cercaram a casa querendo ter relação sexual com os dois anjos à força. Os anjos reagiram cegando os homens que tentavam invadir a casa e mandaram que Ló e sua família corressem para as montanhas. Vocês percebem a importância do conhecimento em nossas vidas? Se é que existiram as cidades de Sodoma e Gomorra podem não terem sido destruídas por Deus e sim por um asteroide. Isto é fantástico! – Ricardo comentou empolgado. – Pressupõe que muito do que aprendemos pode não ser fatos reais. É por isto que temos que estar sempre nos atualizando. Para não pararmos no tempo.
- Acho fantasiosa essa história que a multidão queria sexo a força com estes dois anjos. Afinal em Sodoma e Gomorra se praticava o sexo livremente. Tanto que tinha o nome de Sodoma e Gomorra...
- Por favor, Ivete! Pare de afirmar besteiras sem ter certeza do que está falando. Além do mais, por mais que afirmem ser, a bíblia jamais será uma verdade suprema. – Ricardo pediu controlando-se ao máximo neste instante.
- Oh querido... 
- Nunca acreditei que Deus condenou o homossexualismo! Quem escreveu a bíblia? Foram homens, portanto, estes homens colocaram as suas interpretações em cada palavra escrita. Quer ver uma coisa? Por que aquele trecho “Com homem não te deitaras, como se fosse mulher” não faz parte de um dos dez mandamentos? Estou falando isto porque sei que tanto gays quanto lésbicas não gostam desta passagem da bíblia. Muitos arrancam essa página. Da mesma forma que Sodoma e Gomorra podem ter sido destruída por um asteroide, Deus pode não ter falado nada disto. Além do mais, os anjos cegaram os homens mais afoitos. Já castigados não haveria mais porque destruir a cidade. Então devemos crer que Deus sendo tão bom e misericordioso, para punir adultos que desejavam ter relações sexuais com seus anjos enviados a casa de Ló, decidiu matar famílias e mais famílias de inocentes naquela hora? Este Deus foi capaz de tal ato? Temos que entender que Deus para punir a multidão, ele próprio ficou cego e puniu toda uma cidade? Não posso acreditar que Deus tenha se equivocado a este ponto. Para Deus todos devem pagar pelos pecados de uns? Vocês percebem o que estou dizendo? 
- Sim Ricardo. Eu acredito que... – Helena começou a falar, mas se calou, pois Ivete a interrompeu voltando-se para o marido.
- Eu entendo sua empolgação querido, mas porque começamos falando em enxoval, passamos para beduínos, depois para filme, entramos em homossexualidade na internet e acabamos falando na bíblia? – Ivete perguntou atônita.
- Ora Ivete, por favor! Estamos tendo uma conversa agradável e descontraída aqui. Você não fazia ideia que a noiva da nossa filha fosse uma mulher culta. Não é mesmo? Bem, ao menos eu não tinha ideia do quanto ela é! Estou muito satisfeito por ter a oportunidade de conhecê-la melhor. Você é professora de sociologia, não é Helena?
- Sou sim Ricardo!
- Então me diga uma coisa. Entre os variados assuntos que os sociólogos estudam, qual é o seu preferido?
- O que me fascina é justamente o objetivo da sociologia que é compreender as diferentes sociedades e culturas...
- Sociologia é a mesma coisa que a psicologia! Assunto muito pedante para o meu gosto! Aprecio outros assuntos. – Ivete comentou interrompendo Helena na hora.
- De forma alguma Ivete. A sociologia é voltada para os fenômenos sociais dos indivíduos, enquanto que a psicologia procura compreender o indivíduo na sua singularidade. – Helena corrigiu sorrindo para ela.
- Por favor! Essa conversa está ficando intelectual demais. Filhinha? Vamos voltar ao assunto dos enxovais? Helena? Do enxoval de Juliana só faltam às toalhas de banho e de rosto que mandei bordar uma a uma. Descobri uma bordadeira que faz trabalhos manuais perfeitos. Se você quiser que as suas toalhas sejam bordadas por ela vou passar o número do celular dela para você. Anote ai, por favor!
- Pode deixar que eu anoto mamãe! – Juliana interferiu abrindo a bolsa e pegando uma pequena agenda e a caneta.
                                     Continua...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Visita ou Amiga?


“Ninguém está sozinho. A assistência espiritual existe e tem prestado incontáveis serviços às pessoas, numa demonstração de que a vida é amor e bondade, mas jamais se prestará a fazer por elas a parte que lhes cabe.”
Zíbia Gasparetto
Pense em uma coisa boa. Pense noutra coisa melhor do que boa. Agora pense em uma coisa ótima. Pense em algo maravilhoso. Pense noutra sensacional. Pense em uma mulher! Não, não, somente em uma mulher! Dá até para vê-la sem ao menos fechar os olhos, não dá?
O pensamento sabe inventar formas e desejos. Dar asas aos pensamentos é uma delícia. Uma viagem necessária e prazerosa. Claro que se os pensamentos forem bons, pois pensamentos ruins dão imensa preguiça!
Também é delicioso ficar sem pensar. Sabe estagnar a mente? Ter um controle sobre ela para não pensar absolutamente nada por alguns minutos. Apenas por minutos, já que para não pensar seria necessário estar literalmente morta.
Hoje nesta tarde agradável os pensamentos criaram asas olhando a visita sentada na varanda. Enquanto ela falava de coisas que os ouvidos preferiram não registrar, observo os movimentos de suas mãos. Não sei quem fala mais, se os lábios ou as mãos que gesticulam num balé que meus olhos mal conseguem acompanhar.
O pensamento vai distanciando da voz. Vejo outra mulher sentada ao meu lado falando com uma voz suave. As palavras vão chegando aos poucos. Palavras e frases. O sorriso, aquele sorriso que nem parece sorrir, mas sorri baixinho, quase inaudível.
As mãos quietas sobre as pernas dela. Só os lábios se movem. A ternura encantadora. Parece estar segredando, que coisa mais incrível!
Enquanto diante de mim as mãos movem-se cada vez mais nervosas. Parece que estão fazendo malabarismo. Embaralham a visão. Nem lhe posso mais ver o rosto. Torna-se fosco. Tanto que meus olhos param olhando sem ver. Ah céus! Como não ver neste momento é estranho.
A voz suave volta roubando a atenção. Penso ouvindo a voz querida o quanto o som da voz de uma mulher pode ser sensual. 
Enquanto a outra voz está mudando de um problema para outro. São tantos problemas, mas o que é isto meu Deus? Como uma mulher conseguiu ter todos aqueles problemas de uma só vez? Não importa! Meus ouvidos ouvem, mas meus lábios permanecem fechados.
As mãos antes quietas escorregam pelas pernas até o joelho. Elas parecem dizer: Volte! Volte? A mente repete volte. Que eu volte. Verbo voltar, sim! Deixe-me conjugar rapidamente. Eu volto presente do indicativo. Que eu volte presente do subjuntivo. Aham! Achei a conjugação correta.
A voz suave está falando sobre amor. Amor? Ah! Céus eu conheço essas palavras!
Os lábios provocantes estão sorrindo dá minha expressão. Acho que fiz uma cara estranha. Será? Senti meus olhos abrindo mais. Acho que exatamente como os olhos da Juliana que se abrem mais quando Helena fala oxé.
Deve ser o efeito do incenso de Milan. Os Egípcios foram os primeiros povos a prepararem incensos, porém os Hindus foram os primeiros a fazerem incensos aromatizados... Pare! Não é disto que estou falando.
Estou surda! Fiquei surda! Será mesmo que alguém nos deixa surda para não ouvir seus problemas? 
Outra voz, uma terceira voz está dizendo: 
Escute os problemas dela.
Tá! Vou escutar. Estou escutando... 
A mulher a deixou. Levou as roupas, levou tudo! Está sofrendo horrores. Não consegue parar de pensar onde ela estará e com quem estará. A mãe jogou na cara que avisou. Não tem ido ao trabalho. Sua vida acabou. Não consegue ler mais nada. Não tem ânimo nem para entrar no meu blog. Rasgou as fotos dela. Apagou as mensagens. Está com vontade de sumir. Ninguém quer ouvi-la. Tinha tantas amigas. Ligou para várias e inventaram uma monte de compromissos. Não sabe por que as pessoas fingem ser amigas. Porque o ser humano é tão egoísta. O primo a chamou de idiota. Por que idiota? Não sabe por que a chamou de idiota. A namorada que foi embora a chamou de egoísta. Logo ela egoísta? Nunca foi tão magoada na vida. Não sabe mais em que pensar. Acha que a dor não vai acabar nunca. Só o choro a ajuda. Quanto mais chora mais quer chorar. O incenso que estou queimando está uma delícia. Mas quer que eu fale alguma coisa para ajudá-la.
Olhando-a pergunto-me onde ela estava quando sofri no passado. É! Onde será que ela estava? Ela sabia, mas não encontrou tempo para aparecer. Agora quer que eu diga alguma coisa. Pergunto-me se o fato de ouvi-la não terá sido uma ajuda. Não tenho nada para falar. Falar o que e para quê? Ela está surda! Não vai ouvir nada que eu disser. Só enxerga a dor dentro dela.
Vejo as lágrimas escorrendo pela sua face. A voz suave volta distraindo minha atenção. Está falando de amor. O amor parece ser sempre a razão de tudo. O amor!
A visita fica em pé secando os olhos. Pergunta se vou ligar e se vou ajuda-la a sair desta dor.
Lembro intimamente como foi que sai sozinha da minha.
Vou até a porta com ela balançando a cabeça. Com um abraço despedimos na porta e ela se vai.
Aonde será que ela estava quando precisei dela? Boa pergunta! Essa resposta não interessa mais.  
Astridy Gurgel
“Se eu espero determinada reação de alguém que não a tem, seja por egoísmo ou qualquer outra coisa, o problema é meu. EU é que construí expectativas. Porque é que alguém egoísta me atinge tanto? Por que é tão importante para mim que as pessoas se preocupem com os outros, que saibam se doar? No que é que isso me toca, me incomoda?"
Léa Waider

Pedaços de pensamentos.


É engraçado saber que uma vermelha aprendeu o que eram erros crassos ouvindo uma canção. Acho legal a música transmitir cultura para uma ruda. Mais engraçado ainda é ela se achar perfeita.
Movendo ondas do mar só por lembrar o quanto aprendi após conviver com tanta inveja.
Todos os dias tenho novos motivos para sorrir. Simplesmente todos os dias!
Astridy Gurgel 

domingo, 20 de abril de 2014

Feliz Páscoa!


As crianças adoram a páscoa por causa do ovo em forma de chocolate. Nada é mais lindo e mais puro do que a infância. Só quando crescem entendem o real significado da páscoa.
O Domingo de Páscoa celebra a Ressurreição de Jesus e sua primeira aparição entre seus discípulos. Essa aparição de Jesus serviu para mostrar aos incrédulos que ele tinha ressuscitado realmente.
O povo Judeu sempre comemorou a páscoa porque foram libertados da escravidão no Egito. Uma escravidão que durou 400 anos. O próprio Jesus quando criança era levado pelos pais para essa comemoração dos Judeus.
Justamente por isto o significado da páscoa é tão lindo, renascimento e a liberdade.
Algumas leitoras perguntam-me se sou cristã, se sou do candomblé, se sou espírita (Risos). Quem lê com atenção meus textos tem todas as respostas sem que precise dar respostas.
Tudo que é do bem atrai minha atenção e conquista meu respeito.
Religiões, pessoas, ideologias, sendo construtivas eu agrego a minha vida.
Sou católica com toda certeza. Escuto a palavra de Deus dentro da minha casa.
No mês passado entrei na igreja com a minha mãe e decidi que iria confessar. Imagine eu que só confessei quando fiz a primeira comunhão confessar depois de anos (Risos).
O padre perguntou quando foi minha última confissão e respondi que foi na primeira comunhão. Ele me olhou chocadíssimo. Perguntou minha idade e se eu ia à missa regularmente.
Claro que eu não frequento a missa.
Então ele disse que eu estava em pecado todos àqueles anos já que não frequentava a missa para escutar a palavra de Deus. O pior dos pecados para a igreja é não escutar a palavra de Deus.
Ai falei para ele: Como que não escuto a palavra de Deus? A palavra de Deus só é falada aqui nesta igreja? Escuto a palavra de Deus dentro da minha casa. O senhor sabia que a missa aos domingos é transmitida pela televisão? Não é a mesma coisa? Não é a mesma palavra de Deus falada aqui? Sem contar o tanto que leio.
Sem argumentos para a minha resposta ele se calou.
A conversa que tive com ele em seguida foi complicada. Lógico confessei que era lésbica e quando ele veio falar palavras da bíblia dizendo:
“Jesus disse que a mulher se deitará com o homem e...”
Cortei na hora.
O senhor me desculpe, mas sei muito bem tudo que Jesus disse. É por isto que as lésbicas e os gays se afastam da igreja. Por causa desta ladainha que os padres repetem. O senhor deveria abrir a sua cabeça. Pensar com o seu coração e falar com ele quando alguém vier confessar. Falei que sou lésbica e não considero isto um pecado. Portanto não preciso ouvir nada disto. Jesus também disse que o homem e a mulher deveriam contrair matrimônio e praticar o sexo para a procriação. Portanto, todos que frequentam a igreja são pecadores, já que fazem sexo sem ser para procriação. Essas pessoas vem nas missas todas as semanas e são pecadoras. Agora eu é que vou me considerar pecadora? Sou como qualquer pessoa.
Ele ficou confuso e mudo. Ficou demais e achei que iria levantar deixando-me só ali no banco da igreja. Mas ele me encarou falando:
“Você sabia que há muitos anos atrás se você falasse assim com um padre ele te expulsava da igreja? Nenhum padre admitia ouvir uma coisa destas.”
Então falei para ele: O senhor não vai me expulsar, estou certa. Porque se o fizer terei certeza que não é um homem humilde. Um homem de Deus é um homem humilde, caridoso e piedoso. Estou falando a verdade e se a verdade aos seus ouvidos é uma ofensa, lamento, mas não vou mudar essa verdade. Pois agora o senhor sabe por que passei todos estes anos sem confessar. Porque tinha certeza que seria bem assim. Porque não concordo que diga que sou pecadora quando todos vivem em pecado. Ninguém tem o direito de julgar ninguém. Eu não julgarei o senhor e o senhor não me julgará. Está na bíblia não está? O senhor não me conhece, mas pode estar certo que sou uma mulher esclarecida!
Ele disse: “Não, não vou expulsar você da igreja e nem te julgar. Apenas contei que no passado era assim que alguns padres agiam. Não acho isto correto. Os tempos agora são outros.”
Lógico, acredito! Eram intransigentes. Não é padre? As pessoas tem o direito de falar o que pensam se o fizerem com respeito. Porque uma pessoa tem que se considerar pecadora entre tantos pecadores? Tenho paz de espírito e essa não pretendo perder. Acho que o senhor precisa abrir a sua cabeça. Leia livros em vez de ler só a bíblia.
Ele disse: “Mas eu leio muitos livros. Também sou um homem esclarecido e estou sempre me atualizando. Não é a igreja que condena, é Deus! A igreja não condena nada.”
A igreja não condena? Estamos falando da mesma igreja? Os padres são homens, portanto são pecadores como qualquer mortal. Já Deus, ele não está mais entre nós para dizer se condena. As pessoas deturpam as palavras dá bíblia. Interpretam como bem entendem. A minha avó dizia que: “Santo está no céu. Se está na terra é pecador.”
Ele sorriu falando: “A sua avó tinha toda a razão. Somos todos pecadores. Os santos estão no céu sim. Qual é o seu nome?”
Meu nome é Astridy Gurgel.
Ele perguntou mais: “Você é dá família Gurgel? Conheci a família Gurgel toda. Eu sou da família... Como se chamava sua avó?”
Norma Palma!
Ele riu mais ainda: “Dona Norma! Conheci demais a sua avó. Comi muito no restaurante dela. Nunca esqueci o almoço que ela fez para o falecido Presidente Juscelino Kubitschek. Eu estava naquele almoço. Você era muito novinha. A sua mãe e o seu avó...”
A conversa com o padre levou uma hora e foi bastante interessante a partir do momento em que ele percebeu que eu estava conversando com ele de coração aberto e não confessando.
Depois minha mãe foi confessar. Levou só dez minutos e foi rezar num canto que o padre mandou. Quando saímos da igreja ela perguntou se ele tinha me absorvido dos meus pecados.
Sim, absorveu na boa. Por que mãe?
Por que ele me mandou rezar lá em cima e você falou mais de uma hora. Ele falou tão pouco e nem te mandou rezar, então estranhei.
Pois é, falei um monte de coisa séria para ele e ai abriu-se o debate. Depois ele perguntou meu nome. Ele conheceu toda a nossa família. Adorava a comida de vó Norma.
É por isto que ele me chamou de Marlene quando sentei do lado dele. Quase cai para trás. Achei que ele era adivinho. Mas ele explicou que você tinha contado para ele que era minha filha. 
Nós duas voltamos para casa rindo muito dela ter achado que o padre era adivinho (Risos).
Feliz páscoa para vocês!
Astridy Gurgel
"Que este nosso pequeno mundo virtual, nesta Páscoa seja um pouquinho mais humano. Que Jesus esteja no coração de todos nesta páscoa." 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Outro plágio! Parece até brincadeira!

Foto retirada da internet.

Minhas caras leitoras. Boa tarde!
Recordo de ter escrito que acreditava que alguns contos poderiam vir a ser plagiados. Não recordo se citei o Chega de Traição. Pois é, logo ele foi plagiado e estava sendo postado em um site que nem conhecia. 
A moça que entrou em contato comigo na ultima terça-feira deixou este recado, que eu claro fiquei feliz demais em ler, pois não fazia ideia desta desagradável surpresa.
O recado:
“Era você que estava postando a história "Chega de Traição" no site do Nyah ou tratava-se de plágio? Fiquei curiosa quando vi sua história adaptada na categoria “Once Upon a Time” e gostaria de saber. Desde já obrigada.”
Pedi a uma leitora para localizar o site e ela gentilmente passou o link. Em seguida outra leitora foi até lá e informou que a história tinha sido excluída. https://fanfiction.com.br/historias/491846/Chega_de_Traicao 
Está escrito no site:
“A história "Chega de Traição" violou nossos termos de uso ou regras de postagem e foi excluída.”
Chega de Traição é uma história que adorei escrever e reescrever. Eu a reescrevi justamente porque era pequena e tinha muito para trabalhar em cima do original que escrevi há mais de 20 anos atrás. Vejam vocês, há mais de 20 anos! O tema traição é muito abrangente. Sabia que precisava desenvolver a história sem preguiça. Necessitava mergulhar fundo na traição levantando todas as questões possíveis que a envolviam. Foi o que aconteceu. Cheguei a 597 páginas.
Por incrível que pareça afirmei a mim mesma que não escreveria mais nenhuma história tão longa. Enganei-me, pois estava trabalhando em (Escrevendo para o meu amor) que recebeu o título permanente de Elas Fazem Por Amor e parei para reescrever Gata Selvagem que passou a ter, somando com Gata Selvagem 2, 617 páginas. Elas Fazem Por Amor fechei com 749 páginas.
Algumas leitoras já pediram para escrever Gata Selvagem 3. Imagine, eu não escrevo novelas, escrevo romances. A coisa mais chata que existe é ficar enchendo linguiça. Enrolando, espichando cenas que não tem o menor sentido. Vocês podem observar que no romance Elas Fazem Por Amor o cotidiano das personagens foi muito trabalhado. Por quê? Porque a história pediu isto. Uma história pede mais ou menos profundidade. Pede mais romantismo, mais sensualidade, mais cenas de sexo, mais diálogos ou menos diálogos. Então, resumindo não gosto de enrolar. É por isto que fiz poucas continuações. Para ter continuação a história precisa pedir. Não pedindo não acontece!
Quando estava reescrevendo Chega de Traição comentei com Rosa Calente:
Vou lançar Chega de Traição em livro porque é um prato cheio para o plágio. Lançando em livro vou proteger a história e ninguém vai querer plagiar. 
Nem depois de ter sido lançada em livro o plágio foi evitado. Pronto, é isto que dá. A dedicação, o trabalho de uma autora termina assim, com gente que adora pegar trabalho pronto e usar como seu.
Agora hoje em dia, com essa massa enorme de informação na internet dificilmente essas pessoas que fazem plágio vão muito longe. Porque existem as pessoas boas que sem esperar nada em troca avisam.
Graças a Deus, de uma forma ou de outra, acabo sendo informada sobre essas atitudes inescrupulosas com os meus trabalhos. 
Tenho um estilo todo meu. Cometo até erros crassos (Risos). Quem não erra nunca “atire ai à primeira pedra.” Minhas leitoras conhecem a forma da minha escrita. Por isto uma história minha onde quer que postem, se alguma leitora atenta ler, percebe logo que é um trabalho de AG.
Tenho orgulho do meu trabalho porque sei os dias e as semanas, ás vezes meses que fiquei trabalhando em cada uma. Sei da dedicação, da minha ansiedade pessoal se estava bom ou se estava ruim. Se devia mudar isto ou aquilo. Não sou de apagar nada que escrevo não, viu gente! Posso mudar alguns parágrafos, frases ou palavras, mas não saio apagando desenfreadamente. Sou sempre uma crítica severa de tudo que escrevo. Existem coisas que escrevi que não suporto, mas escrevi e não mudei. Não gostei, mas muitas leitoras gostaram. É assim que funciona, não tem jeito.
No geral a ideia é aquela, é que sempre acho que pode ficar melhor. Isto são coisas de quem escreve. Sou meio perfeccionista. Mais hoje em dia, no passado não era tanto. Sou detalhista e cuidadosa com tudo que escrevo.
Só quero reiterar que fico sempre grata a toda e qualquer leitora que informa quando encontra uma história minha plagiada. Digo sempre que ajudar é de graça! O bem que vocês vão colher nas suas vidas chegará com o tempo. 
O povo do mal pode agir na calada, porém o bem também está agindo. São duas forças que não se cruzam, mas em uma coisa sempre vou acreditar. “O bem sempre vence.” Vence e está provado que o mal tem duas faces. Ao tirar a máscara, só aparece um rosto em cada pessoa.
Qualquer leitora que encontrar uma história minha plagiada por ai, avisem, por favor! Não só minhas como de outras autoras também. Por que não? Para quem escreve é uma grande injustiça ter seu trabalho roubado.
No meu entendimento, atrás de todo plágio existe muita inveja. Inveja por não ser capaz de escrever coisa alguma. Por isto rouba e usa como se isto fosse à coisa mais natural deste mundo.
Muito obrigada à leitora que informou e as outras que ajudaram.
Lembrando a todas vocês, que as imagens usadas neste blog são tiradas da internet. Se o autor ou autora de qualquer uma delas desejar que sejam tiradas deste site, serão excluídas sem o menor problema.
Astridy Gurgel
“Inegavelmente todo plágio é um roubo. Mas, acima de tudo, eu o vejo como uma pública declaração pessoal de covardia e incompetência!"
Reinaldo Ribeiro

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Elas Fazem Por Amor. - Capítulo 41


           Neste momento, Isabel entrou no quarto sendo puxada para a cama por Laura.
Laura beijou os lábios dela confessando apaixonada.
- Você não sabe como morri de saudades. Como vivi louca para vir correndo para seus braços. Oh, preciso tirar suas roupas. – Contou puxando a blusa dela com urgência.
- Nossa, que desespero delicioso. – Isabel comentou empolgada. - Adoro quando você me pega assim...
- Você não faz nem ideia do quanto te quero Isabel. – Confessou Laura puxando a calça comprida e a calcinha dela. Roçou o corpo contra o dela sorrindo feliz. – Eu amo você Isabel. Amo tanto... - Parou olhando os seios dela em suspense. - Tanto e só agora me sinto segura para confessar meu amor de coração aberto.
- Laura eu não sei o que faria da minha vida sem você. Você não permitiu que te contasse que meu casamento estava terminado. Só queria te dar essa segurança que está sentido agora.
  - O que importa é o que sinto agora. Voltei por você e vamos ficar juntas. – Contou beijando-a longamente.
Rolaram na cama gemendo excitadas. Perdidas em beijos, acariciavam mutuamente seus corpos.
Os lábios de Laura percorreram o corpo de Isabel com desespero e loucura de numa saudade que ela ansiava matar amando-a.
Isabel agarrava o corpo dela tentando beijá-la a todo o momento.
Entre beijos e gemidos, Laura deitou sobre o corpo de Isabel beijando os seios excitada.
- Ai... Ai... Que saudade da sua boca em meu corpo... – Isabel gemeu confessando em brasas.
- Estava ardendo de saudades dos seus seios amor... Do seu corpo... Do seu cheiro... Do seu gosto... Aaaa... – Laura sussurrou sugando o biquinho de um dos seios neste instante.
- Amo você ardendo de saudade... Oh... Uii... Ah...
- Preciso de você agora. – Laura confessou descendo beijando o corpo dela sedenta.
Beijou as pernas abrindo-as com carinho. Sua língua deslizou saudosa pela grutinha encharcada. Isabel agarrou a cabeceira da cama rebolando na língua dela.
- Aiiii... Ai que delícia amor... Oh...
Seu sexo dançava contra a língua macia. Laura a chupava cada vez mais rápido. Seus dedos entravam e saiam dela ao mesmo tempo.
- Aaaaaa... Aaaaaaaaaa... Oooo...
Laura estava excitada demais. Não parava. Sentia o corpo de Isabel cada vez mais solto contra sua língua. 
A campainha tocou neste instante.
Laura ergueu o rosto perguntando baixo.
- A campainha... Quer ir atender?
- É para Helena amor. Não pare, vem...
Laura voltou a deslizar a língua na vagina ensopada extremamente excitada.
Isabel agarrou neste momento os cabelos dela gemendo enquanto gozava intensamente.
- Ooooooooooooo... Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Helena abriu a porta olhando os dois seguranças surpresa. Os dois homens olharam para dentro ouvindo o gemido que vinha de dentro da casa.
Helena puxou a porta saindo para que eles não ouvissem o que se passava.
- Boa noite Senhorita! Pode nos acompanhar, por favor?
- Acompanhar vocês por quê? Juliana marcou aqui comigo!
- A excelentíssima juíza recomendou que buscássemos a senhorita e a levasse ao seu encontro.
- Oh a excelentíssima juíza recomendou isto? Então vou me trocar rapidamente para que ela não perca muito tempo esperando. – Respondeu olhando para os dois incomodada. – Façam o favor de aguardar no carro. Não vou sair de camisola e muito menos sem me arrumar adequadamente para ver a excelentíssima juíza. Se orientem! – Pediu abrindo a porta e fechando-a na cara dos dois homens que trajavam ternos alinhados.
Dez minutos depois voltou entrando no carro. Não falou nada enquanto o carro seguia por ruas e mais ruas. Os dois seguranças também não abriram a boca.
Quando o carro estacionou no pátio da casa, o segurança que estava dirigindo desceu abrindo a porta.
Helena saltou do carro agradecendo.
- Obrigada!
Em seguida foi para a casa com passos decididos.
A porta abriu quando ela pisou a soleira.
A criada sorriu cumprimentando-a.
- Boa noite Senhorita Helena!
- Boa noite! – Respondeu passando por ela e entrando.
Juliana estava entrando na sala neste momento para recebê-la. Abriu os braços para abraçá-la, mas Helena perguntou agitada surpreendendo-a.
- Posso saber por que aqueles seguranças que me sequestraram foram me buscar Juliana?
- Boa noite querida! Que bobagem que você está dizendo? Eles não te sequestraram. Não fale assim. – Juliana pediu sorrindo.
- Sei! Quer saber? Você é muito estranha! Colocou uma aliança no meu dedo depois tomou a aliança.
- A então é isto novamente? – Juliana perguntou começando a rir mais descontraída.
- Ora é isto sim, afinal estamos nos encontrando todos os dias e você nunca mais falou naquela aliança. Estou fazendo papel de ficante, é isto?
- Por que papel de ficante se eu amo você?
- Se me ama por que pegou a aliança de volta?
- Já não falamos sobre isto? Você ficou apavorada. Isabel foi a minha procura não recorda? Ela pediu por você. Que o noivado fosse cancelado.
- É... Ela foi pedir isto sim, mas já conversamos. Já até viajamos juntas. Já voltamos da viagem e a única coisa que você parece querer é transar comigo. – Explicou incomodada. – Quando recusei a aliança foi porque levei um susto imenso. Fiquei com medo de perder meu emprego e você sabe bem disto. Não se faça de desentendida. Agora a pouco, agora a pouco... Oh que droga! Seu segurança me fez sentir como se eu fosse uma idiota. Perguntei por que você não foi ao meu encontro e ele respondeu como se o fato de tratar você pelo seu nome fosse um crime. Ele Disse: “A excelentíssima juíza recomendou que buscássemos a senhorita.” Falou como se eu estivesse desrespeitando você Juliana. Ora isto é o fim sabia? Por que todos te tratam com essa pompa toda e eu não vou te chamar de excelentíssima coisa nenhuma! Porém me senti mal com a forma que ele falou comigo.
- Helena? Entendi exatamente como se sentiu. As pessoas tratam-me com respeito de fato, mas você é a mulher que eu amo e não quero que me chame assim. Não precisa ficar deste jeito por algo que não interfere entre nós. O que sou profissionalmente não tem nada a ver com o que sinto por você.
- Não? Você é a excelentíssima juíza que colocou uma aliança no meu dedo, tomou e nunca mais tocou no assunto. O que eu sou agora? Sua amante? É isto que eu sou? – Perguntou olhando o robe curto e sensual que ela estava usando. – Você simplesmente manda seus seguranças me trazerem para cá como se eu fosse uma mulher só de sexo ou coisa parecida. Só que não sou! Não sou nada disto! Não sou usável! Se oriente!
Juliana sentou na poltrona cruzando a perna muito tranquila.
- Tenho ido encontrar você sozinha todos os dias querida. – Lembrou imperturbável.
- Por que está tão calma? Estou que não me aguento! Não percebe que estou retada com você? É por isto mesmo que estranhei aqueles dois homens de terno irem me buscar hoje! Por que eles se referem a sua pessoa como se fosse à autoridade máxima e me sinto ridícula! Por isto mesmo pensei: O que eu sou para ela afinal?
- Você é o meu amor. Venha aqui, venha. Sente-se do meu lado.
- Não quero. – Helena respondeu sentida.
- Querida, não fique assim por uma bobagem.
- Bobagem para você. Aqueles seguranças me olham como se eu fosse apenas a sua amante.
- Não Helena, não pense isto. Sente aqui. – Juliana pediu indo até ela levando-a até o sofá.
Sentou ao lado dela observando-a com atenção.
Helena estava de cabeça baixa. O beicinho fez Juliana sorrir achando-a linda. Sempre achava que ela ficava linda quando fazia aquele beicinho.
- Não precisa ficar emburrada. Eu te amo.
- Não ama não. – Helena respondeu ainda chateada.
- Claro que amo. Olhe para mim. Olhe querida.
- Não quero. Não olho. Não quero ouvir mais nada. Estou retadíssima! – Helena respondeu dando de ombros.
- Por que você tem que emburrar atoa assim? Não acha que te trato com respeito?
- Não acho mais não.
- Helena?
- Hum?
- Pare com isto amor.
- Não paro. Você não merece.
- Vou te dar um abraço. Só um abraço para te acalmar.
- Não quero intimidade. Fica longe. Nem precisa queixar que não quero. – Helena pediu ainda sentida.
- Não quer um abraço? Não quer nem um beijo? Nem uma assanhadinha? 
- Hum?
- Minha bobinha mais amada. – Juliana falou tocando a mão dela com carinho.
- Não force. Não quero assanhamento hoje.
- Mas querida...
- Você me faz perder a cabeça só para bulir comigo.
- Meu bem? Essa expressão bulir é tão pesada. Não quero bulir, só quero te amar.
- Não entendo. – Helena respondeu virando o rosto agitada.
Seu coração estava disparado.
- Você entende sim. Entende que eu te amo. – Juliana respondeu cheirando os cabelos dela encantada. – Entende o quanto te desejo minha linda emburradinha?
- Entendo que você tomou a aliança e agora só sirvo para te satisfazer sexualmente. É isto que os seus seguranças devem pensar. Vi bem isto nos olhos deles.
- Meu amor, por favor! Me dá um beijo. Estou com tantas saudades...
- Saudade só de sexo! – Helena falou olhando-a nos olhos. – Assim vai acabar cansando de mim. Tô magoada com você. Sai pra lá!
- Não seja malcriada. – Juliana pediu tentando abraçá-la.
- Não vem que não quero. – Helena reagiu arredando de perto dela para o outro lado do sofá.
Juliana a olhou com toda a paciência do mundo. Tinha certeza que Helena queria que ela pegasse a aliança e colocasse no seu dedo de volta.
- Mandei te buscar para jantarmos juntas.
- Tomara que seja mesmo! Por que não vim aqui para pular na sua cama. Já está passando da hora de me tratar como mereço ser tratada. Não me apresentou para o seu pai e sua mãe? Não me expôs para todo mundo mostrando que sou lésbica? Não me fez quase perder meu emprego? Ainda me iludiu com falsas promessas de uma lua de mel em Portugal! Toma tenência Juliana! Eu me defendi de você! Fugi feito uma condenada para acabar assim? Se olhe!
- Sim, fiz exatamente isto. Quanto ao seu emprego escrevi para o reitor da sua faculdade solicitando a ele que não te prejudicasse...
- Ao que ele obedeceu como é lógico! Seria impossível que ele negasse uma solicitação da excelentíssima juíza. Este é o tipo de confusão que ninguém em seu estado normal desejaria criar. Você mandaria prender quem ousasse não atender um pedido seu!
- É lógico que não mandaria prender ninguém! Você está sendo irônica comigo?
- Lógico que estou! Você acha que porque é juíza está acima de tudo e de todos?
Juliana engoliu em seco olhando-a detidamente.
- Helena? Você acredita que está sendo justa comigo?
- Acredito sim! Você faz ideia que me humilhou duas vezes?
- Eu te humilhei duas vezes? Quando que te humilhei duas vezes? – Perguntou confusa.
- Sim! A primeira quando me fez ficar sua noiva na frente de todo mundo e a segunda quando foi a minha casa tomar a aliança!
- Helena, Helena, por favor! Você bate na mesma tecla volta e meia. Só o fiz porque era o que você queria querida.
- Queria sim, acontece que eu estava confusa. Fiquei completamente atormentada. Meus sentimentos ainda não estavam claros e você simplesmente pediu a aliança de volta e parou de me procurar.
- Pelo jeito você não entendeu o significado da rosa vermelha que te dei naquele dia. – Juliana comentou admirada.
- Acho até que poderia ter entendido se depois você tivesse me procurado para fazer algo além de sexo!
- Por acaso te forço a fazer amor comigo? Segundo sei você quer tanto quanto eu.
- Lógico! Mas é lógico! Você não me seduz? Não me tenta? Passa essa mão boba na minha bunda, eu, eu, sou de carne e osso! Não sabe disto? Que sou humana? Oxé! É por isto que acabo indo para a cama com você. Se oriente Juliana!
- Só por sexo? Só porque minha mão é boba e você é humana? – Juliana perguntou decepcionada. – Pensei que era mais que isto para você.
- Tenho que falar tudo tim por tim? Nós mínimos e mesmíssimos detalhes? Você falou até de passar a lua de mel em... Nem quero lembrar! O que aconteceu com todos aqueles planos? Porque passei a ser apenas momentos de prazer para você?
- Você está me ofendendo falando assim...
- Ofendida vivo eu minha cara juíza! Não percebe que tenho sentimentos? Não percebe que posso ser tudo de menos uma mulher para ser usada quando você bem quer e deseja? Eu quero o seu amor! Não quero só sexo!
- Eu também quero o seu amor. Nunca quis apenas sexo...
- Então por que só me procura para transar todos os dias?
- Agora chega! – Juliana a cortou erguendo-se na hora. – Vou aprontar. Vamos sair para jantar.
- Não precisa disfarçar, sei muito bem para que você mandou me buscar. Foi apenas para desfrutar do meu corpo...
- Helena? Agora chega! Estou certa que você sabe, principalmente porque você já me conhece muito bem. Não te chamei apenas para usar seu corpo coisa nenhuma porque nunca usei seu corpo! Sempre fiz amor com você. Independente disto, vamos sair para jantar. Dê-me cinco minutos. – Juliana pediu indo na direção do quarto.
Helena a seguiu devorando o corpo dela com desejo enquanto ela tirava o robe pegando um vestido que estava sobre a cama.
Admirou a linda colcha que cobria a cama naquele instante.
- Bonita colcha! Essa não conhecia.
- Minha mãe me deu ontem de presente. – Juliana contou parando diante do espelho para acertar o vestido no corpo. Puxou o fecho pegando um colar que combinou com o vestido abotoando com agilidade. Pegou o pente passando nos cabelos lindos que caíram brilhantes pelas costas.
Helena continuou parada admirando o vestido e os cabelos lindos encantada.
- Falando em sua mãe, ela não estranhou o fim do nosso noivado?
- Ela não ficou sabendo que você não quis continuar noiva. Teria que dar satisfações. Preferi não contar. – Juliana respondeu olhando-a através do espelho.
- Estou entendendo. – Helena respondeu olhando os sapatos de salto que ela sentou na cama para calçar. – Nossa que sapato lindo! Também foi sua mãe que te deu?
- Não meu amor. Comprei na semana passada. – Juliana respondeu erguendo-se da cama.
Voltou à cômoda passando batom nos lábios. Em seguida passou perfume pegando a bolsa e caminhando para a porta. Parou sorrindo e avisando tranquila.
- Podemos ir agora.
- Hum tá! Pelo menos vamos mesmo jantar. Eu até recusei a pizza que Isabel me ofereceu porque você disse que iríamos jantar. – Helena comentou seguindo com ela pelo corredor.
- Fez bem em recusar. Vamos jantar muito bem em um restaurante delicioso.
- Que ótimo! Sabe o que estava pensando hoje cedo?
- Não! Em que estava pensando Helena?
- Estava pensando que você sempre abre mais os olhos quando eu falo oxé.
- A sim! – Juliana concordou abrindo a porta que dava para o pátio sorrindo do que ela estava falando.
- Porque você abre mais os olhos? – Helena perguntou demonstrando curiosidade sobre aquele comportamento dela.
- Não sabia que abria mais os olhos. Eu acho que isto é tão seu Helena. Você é baiana, é natural que fale “oxé”. Gosto de ouvir. A verdade é que acho fofo.
- Fofo? Achei que você achava feio. – Helena comentou surpresa caminhando para o carro.
Juliana estava em pé segurando a porta para que ela entrasse. Olhando-a depois que ela sentou, comentou antes de fechar a porta.
- Nunca achei feio. Acho fofo! Você tem inúmeras coisas que acho fofo e que me encantam. – Confessou fechando a porta e dando a volta.
Sentou ao volante ligando o carro com um ar feliz.
- Sabe, é que oxé é uma expressão bem popular e nem todo mundo gosta. É como uai em Minas Gerais. Ou como o bah dos Gaúchos.
- Sim, eu sei! Acontece que não vejo nada demais quando ouço outros baianos falando oxé. Porém, quando você fala é lindo.
- Que bom! – Helena respondeu sorrindo. Depois observou Juliana enquanto ela dirigia falando admirada. – Pensei que iria sair com seu motorista e aqueles seguranças.
- Mudei de ideia!
- Por causa do que falei, imaginei! Não creio que tenha falado nada demais. Quero dizer, tenho sentimentos. Uma relação puramente sexual não me agrada.
- Antes de me conhecer você queria muito encontrar uma mulher com a qual pudesse transar. Queria ir para a cama com alguém com quem sentisse alguma coisa. Você me contou, esqueceu? Você se sentia sozinha demais. Queria alguém que fizesse parte da sua vida. Que preenchesse de vez seu coração.
- É... Eu queria um amor! Contei sim! Contei em um momento de intimidade. É normal, não acha? Transar por transar não me satisfaz. Não me satisfaz mesmo! Sou uma mulher aberta! Sou muito aberta e moderna. Sexo faz falta, muita falta! Eu sentia muita falta de fazer sexo com uma mulher que despertasse meu desejo e na qual pudesse confiar. Porque também não queria pegar nenhuma doença. Tem mulheres por ai que estão cheia delas.
- Delas o quê? – Juliana perguntou distraindo ao frear diante de um sinal.
- Não está prestando atenção? Cheias de doenças! DST entende?
- A sim, entendo sim!
- Então para transar hoje em dia todo cuidado é pouco. Todo mundo está passando o rodo. De repente pode-se transar com uma mulher e pegar um monte.
- Monte de doenças? Você tem razão nisto.
- É isto, pegar um monte de doenças. Depois se pegar o que se vai fazer? Se fosse com a gente. Se eu pegasse um monte de você. Eu ia jogar na sua cara: Você me passou um monte de doenças. Estou cheia de doenças por sua causa. Porque você transou com sei lá quem e nem sei com quantas você fez! Estou toda furada de agulhas para exame disto e daquilo. Vou acabar sem sangue deste jeito! Agora o que você vai fazer? O que vai fazer?
- Certo! Estou entendendo. Você iria me acusar e cobrar uma posição minha.
- Isto! Só que você não iria poder fazer nada por mim. Eu já estaria cheia das tais doenças e teria que ir tratar delas. Só que algumas deixam sequelas. Provavelmente você me abandonaria...
- O que? Eu faria isto? Abandonaria você? Não abandonaria de forma alguma! – Juliana respondeu admirada.
- Tudo que estou falando é uma hipótese Juliana. Por favor, não viaja tanto assim.
- Estou entendendo que é uma hipótese, mas essa de que eu te abandonaria não é legal considerar nem hipoteticamente. 
- Tá certo então, ainda assim ficariam as sequelas. Em mim, entendeu?
- Entendi.
- É por isto que eu desejava demais uma parceira em quem poderia confiar sexualmente. Só que não era só isto. Não era só sexo e você entendeu muito bem o algo mais quando te confidenciei.
- Tanto entendi que ficamos noivas...
- Ficamos sim! Nem me contar você contou.
- Já admiti que eu agi de forma errada.
- Muito errada. – Helena comentou vendo a placa do restaurante onde ela estacionava agora. – Nunca estive aqui.
- Venho sempre. Vai conhecer uma das melhores comidas desta cidade. Vamos lá!
                                       Continua...