quinta-feira, 31 de julho de 2014

Vou te contar só um pouquinho.


Se todas as tardes fossem assim, frias e perdidas meu doido coração não resistiria.
Sorrisos só aumentam as lembranças das manhãs passadas em teus braços.
Meu celular estragou de tanto receber suas mensagens. Tadinho! Cansou de tantos carinhos.
Vou te contar só um pouquinho, penso sim em você. Não muito para não te deixar convencida, nem pouco para não te deixar “chatiada.” Isto mesmo, chatiada com i, escrito bem erradinho porque é assim que você faz docinho.
Aquelas rosas vermelhas que me destes estão aqui bem arrumadas. Esperta você, hein? Deu-me rosas para lembrar a todo instante de você. Danou-se porque as levei para o jardim, onde só passo uma vez por dia.
Maldade? Que nada! Merecido e culpa sua. Por não ter ligado para as flores que te dei poucas horas atrás, quando apanhei na ponta do pé quase sendo pega pelo cão pastor da casa vizinha.
Astridy Gurgel 

Só para acariciar.


Eu estava lá quando você chegou.
Você passou acariciando os olhos em mim.
Havia um sorriso no canto dos seus lábios.
Uma sedução no movimento das tuas mãos.
Um suspiro no teu silêncio.
Você passou devagar para não empurrar o vento.
Teu perfume ficou pairando enquanto seguias.
Tudo ao redor ficou quieto.
Parecia silêncio na calmaria, mas calmo estava teu olhar sobre meus lábios.
Você passou como passam as multidões.
Passou só para sorrir com o canto dos lábios.
Só para acariciar os olhos em mim. 
Astridy Gurgel 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Conto para venda do mês de Julho. - Descobrindo a Paixão.


Boa noite para vocês leitoras.
        Estou disponibilizando hoje o conto para a venda do mês de Julho de 2014.
Mês passado foi impossível disponibilizar um conto. Não tive tempo para nada.
Quem quiser adquirir o conto deste mês, basta fazer o depósito no valor de 40,00 e enviar o comprovante de depósito para o e-mail: agurgel24@gmail.com
        Número de páginas: 102
        Agradeço desde já.

Sinopse do conto: Descobrindo a Paixão.
A cantora Luma Zambelle não entendeu por que a mulher enigmática que assistia ao seu Show na reinauguração da boate em que trabalhava chamou tanto a sua atenção. Talvez fosse por sentir depois de falar com ela, que parecia querer beijá-la sempre que a fitava.
Quando Luciana Varez se aproximou oferecendo ajuda com um problema, aceitou por causa da forte atração que sentiu latente entre elas.
Luma não fazia nem ideia que Luciana ofereceu ajuda justamente para se aproximar cada vez mais e assim, conquistá-la.
Tanto para Luma quanto para Luciana, a paixão era algo desconhecido já que nunca tinham se apaixonado na vida delas.
Astridy Gurgel

Elas Fazem Por Amor. - Penúltimo Capítulo 58.


Dançaram muitas músicas completamente apaixonadas. No jantar foram servidas costeletas ao vinho, suflê de batatas, arroz ao alho e salada variada.
Jantaram trocando olhares apaixonados. Depois subiram de mãos dadas.
No quarto despiram-se deitando juntas. Laura abraçou Isabel elogiando carinhosa.
- Adorei sua escolha para o jantar. Costeletas ao vinho! Fazia tempos que não comia.
- Embora digam que a carne de porco faz mal por ser muito gorda, simplesmente adoro. Que bom que te agradou. O próximo jantar você escolhe o prato. – Isabel respondeu descendo a mão até os seios. Acariciou um depois o outro sorrindo maliciosa. – Adorei dançar com você amor.
- Também adorei. Você dança bem junto. Cola o corpo de uma forma deliciosa.
- Ousada demais? – Isabel perguntou sorrindo feliz.
- Muito querida! Amei dançar agarradinha. Eu queria te falar que reconheço que fui muito difícil com você depois que fizemos amor na primeira vez. Disse muitos nãos para você. Ficava jogando na sua cara que você era casada, sinto muito por aquilo, mas me sentia mal demais com aquela situação. Não era minha intenção fazer você sofrer ou viver rastejando por mim. Sei que você poderia ter me dado um belo chega para lá. Poderia nem ter me procurado mais. Teria sido um bom castigo para minha maneira radical de ver a situação. De uma forma ou de outra esnobei você e te rejeitei. Sei que te magoei quando fiz isto. Eu mudei minha vida para fugir de você. Só que não adiantou fugir. O amor quando é verdadeiro não existe como fugir dele. Todos os caminhos me levaram novamente para os seus braços e eu tentei sim resistir, mas o sentimento foi mais forte que meu desejo de resistir. Eu amo você Isabel. Amo demais, amo mais do que julguei ser possível amar alguém um dia. Agora recordo quando lia romances. Li tantos, cada um mais lindo que outro. Lembro que ficava pensando se um dia amaria daquela forma, com aquela intensidade. Hoje tenho a resposta. Amo você profundamente. O amor é real e aconteceu também na minha vida. Agora estou louca para te amar. 
- Ah Laura! Não consegui ficar irritada com você por causa das suas recusas. Eu tentei entender. Procurei me colocar no seu lugar. Se fosse você a casada seria péssimo. Não acharia nada bom. Muito menos confortável. Por isto sei que você não fez nada para me magoar propositalmente. Eu também te amo e quero muito te amar agora.
- Isabel... – Gemeu o nome dela enquanto beijava seus lábios deitando sobre ela. Roçou seus corpos pedindo baixo. – Me ame querida. Preciso tanto de você.
- Sim amor...
Isabel respondeu prendendo a nuca dela enquanto a beijava apaixonada.
- Um dia, na Itália iremos nos casar. – Laura confessou lambendo seus lábios.
- É mesmo? Você quer? Na Itália?
- Muito amor. Quero muito. Sem alarde e sem ninguém saber. Só quero que seja minha esposa. Eu, você e minha família presentes.
- Minhas amigas também. – Isabel sorriu acariciando os seios dela.
- Está bem.
Concordou beijando-a novamente com a mesma paixão.

Notas da autora: Sutilezas.
        Sui afastou de Verena na cama contando emocionada.
- Sui comprou surpresa hoje.
- Surpresa? Que surpresa?
Verena perguntou olhando-a curiosa.
- Sui pega. Verena espera Sui. – Ela respondeu saltando da cama indo até a sala.
Voltou minutos depois com dois estojos de veludo na mão. Deitou novamente passando um para Verena.
- Presente? – Verena perguntou olhando o lindo estojo de um veludo preto.
- Verena olhe dentro, por favor! – Pediu Sui sorrindo para ela.
- Ok. – Concordou abrindo e vendo um lindo cordão de ouro. Tinha um pingente com um coração com uma fecha atravessada nele. – Que lindo!
- Rái. – Sui pegou o cordão abotoando no pescoço dela.
Verena o olhou caindo entre os seios sorrindo para ela.
- Obrigada amor! Adorei!
- Coloque o de Sui, por favor! – Pediu entregando o estojo para ela.
Nota da autora: Verena não percebe os detalhes e as coisas mais óbvias. Não entendo por onde anda sua cabeça. Não sei se é um defeito. É estranho não enxergar as coisas que estão tão na cara. Uma pessoa distraída não deixa de ser charmosa ou interessante. Eu creio.
Verena abriu o estojo vendo um cordão igual ao seu. Tirou de lá abotoando no pescoço de Sui. Enquanto o fazia comentou sorrindo divertida.
- Agora vamos andar igual um par de jarras. Hahaha. Legal isto Sui!
Sui se voltou olhando para Verena atentamente.
- Par de jarras? Verena está falando sério?
- E não é Sui? Dois cordões iguais? Mas o cordão é muito lindo. Você tem bom gosto para escolher joias. Ele é realmente muito lindo.
Sui sorriu inclinando e beijando-a longamente nos lábios. Depois acariciou os cabelos e o rosto dela confessando baixo.
- Sui ama Verena.
- Também te amo Sui. Não está com fome amor? Estou ficando faminta. – Verena comentou sorrindo feliz.
- Sui vai servir mesa para o jantar. – Contou deixando a cama. Pegou o robe vestindo tranquilamente. Amarrou o robe voltando os olhos para Verena que continuou deitada. Verena estava quieta admirando Sui com um sorriso nos lábios. Sui comentou baixo. – Verena tem olhar lindo.
- Olhar lindo é o seu. Quase derreto quando você me olha assim.
- Sui gosta de olhar Verena. – Respondeu sorrindo e deixando o quarto.
        Sui colocou a mesa retirando a salada fria da geladeira. Colocou o prato quente que fez no micro-ondas sentando na cadeira com um ar pensativo até o prato ficar pronto.
Quinze minutos depois o micro-ondas deu sinal desligando. Ela se ergueu vendo Verena surgir ali.
        - Já podemos jantar?
        - Rái.
    - O cheiro está delicioso. – Verena elogiou puxando a cadeira e sentando.
      Ficou olhando Sui trazer a travessa para a mesa. Depois virou o rosto vendo a fumaça de dois incensos que queimavam num canto da sala.
- Você gosta mesmo de incensos.
- Sui gosta muito. – Ela respondeu sentando.
- Sabia que dizem que a fumaça do incenso faz mal a saúde?
Sui a olhou fixamente perguntando calma.
- Verena é mulher implicante?
- O quê? Eu? Está achando que sou implicante?
- Verena não está reclamando veladamente da fumaça do incenso pela casa?
- Oh! – Verena caiu em si percebendo que foi isto mesmo que tinha acabado de fazer. Aquela fumaça a incomodou um pouco. Sui tinha razão. – Desculpe Sui, não quis ser implicante.
Sui sorriu servindo o prato dela sem dizer nada.
- Hum é estranho essas coisas, eu nunca morei com ninguém. Morei apenas com a minha mãe. Acho que fiquei com certas manias. Manias? Acho que é bem isto. Não é nada que você não possa me alertar como fez agora. Não importo de mudar meu jeito. – Verena comentou sorrindo para ela.
- Sui não importa Verena. Sui percebe e entende. Se algo que Sui fizer incomodar pode falar que Sui para. Sui não vai mais acender incensos.
- Não! Nada disto! Não quero que pare de acender os incensos que gosta.
- Rái. Vamos comer que jantar já esperou demais. – Sui pediu terminando de servir o próprio prato.
Verena deu uma garfada na comida do prato que Sui lhe entregou gemendo de satisfação.
- Hum... Está delicioso! Realmente amo sua comida. Amo tudo em você Sui. Estou feliz demais. Nunca comi tão bem em minha vida e nunca senti tanto prazer quanto tenho sentido com você.
Sui continuou comendo sem comentar as palavras dela. Verena ainda não tinha observado que Sui sempre comia em silêncio.
- Quero ir ao cinema amanhã com você. Depois podemos tomar um sundae delicioso que tem numa lanchonete lá no centro. Sui gosta de sundae?
- Sui gosta, mas evita.
- Evita por quê? – Verena perguntou surpresa.
- Para continuar tendo corpo que Sui tem.
- Hahahaha. Essa foi boa! Você come mais a base de legumes e folhas Sui. Nunca vai engordar.
Sui apenas sorriu sem deixar de comer.
- Você não acha que devemos usar uma aliança?
Os dois pauzinhos que Sui segurava pararam no ar bem próximos a sua boca quando ela abriu mais os olhos admirada com aquelas palavras.
- Sim Sui, porque se estamos juntas eu gostaria muito de usar algo assim que seja significativo para nós. Você gostaria que eu comprasse?
- Talvez.
- Talvez?
- Rái.
- Só tive uma ideia que podemos amadurecer com o tempo. Estamos vivendo juntas e para mim é como se estivéssemos casadas. Você não acha não?
- Verena tem razão.
Sui voltou a comer ainda sem acreditar que ela estava querendo comprar alianças.
- Não sei lá no Japão, amor, mas aqui a aliança é o símbolo principal de uma união.
- Rái.
- Você gostaria de adotar um filho comigo?
Sui abaixou os pauzinhos respondendo mais baixo.
- Talvez.
- Talvez? Você não tem certeza? Já pensou uma criança na nossa vida amor?
- Sui tem fogo demais Verena. É muito cedo para assumir responsabilidade tão grande.
- É cedo, eu sei! Podemos ver com o tempo.
- Verena pode viver presente com Sui? Jantar agora. Verena vê jantar saboroso bem aqui? – Perguntou mostrando as comidas sobre a mesa.
- Desculpe Sui! Empolguei-me! Quero viver tantas coisas junto de você. Foi mal.
- Tudo bem. – Sui respondeu voltando a comer. Verena fez o mesmo percebendo que tinha ido longe demais. Não queria que Sui pensasse que não estava gostando do jantar, pois estava de fato delicioso. 


Helena voltou da cozinha com duas taças de sorvete. Sentou na cama entregando a de Juliana dando um sorriso lindo para ela.
- Este sorvete é o meu preferido amor. Prova aí e me diz. Diz que não é um sonho.
- Obrigada!
Juliana agradeceu provando o sorvete.
- Ai! Sonho mesmo! De onde é este sorvete?
- Uma sorveteria perto da faculdade. Só compro uma vez por mês. Não resisto. Ainda morro disto. É melhor que morrer sem isto. Vamos servir dele na festa do nosso casamento?
- Vamos sim querida! Falando nisto, estamos entrando hoje no mês de novembro. Daqui a quarenta dias nos casaremos. Você vai querer mudar o local?
- Claro que não quero mudar. Vou casar na Bahia sim. Todos os cartórios de lá são autorizados a fazer o processo e emitir a certidão de casamento civil há quase um ano. Sua mãe pode falar que a Bahia é um Estado pobre, mas não é! Pobres existem em todas as capitais. Não só aqui no Brasil, no mundo todo. Estou feliz por demais por casar na minha cidade natal. Principalmente por voltar a Candeias levando a mulher que eu amo.
- Que bom que você está feliz. Eu também estou muito feliz. Acho que minha mãe não vai mais reclamar de ter que ir ao nosso casamento na Bahia. Você deu um chega para lá nela.
- Não foi chega para lá. Será que foi? Oxé! Se for, então foi bem dado, não acha? Foi melhor que chamar Jean Grey para ela. Seria demais Jean Grey ter que dar um jeito em sua mãe.
- Essas suas coisas são bonitinhas demais amor.
- Bonitinha é você que não implica com o meu jeito de ser. Dei sorte de você ser tão calma. Calma? Acho que você tem é uma paciência além do comum. Mas não vou maltratar sua mãe não, viu amor? Só não vou deixar que ela monte em mim. Que dê palpites em nossas coisas. Principalmente nas nossas viagens! Oxente! Sei que não tenho paciência para aguentar uma coisa destas. É meu jeito, não tem como mudar. Você entende?
- Entendo sim. Não quero que você mude o seu jeito. Não precisa mudar nada. Seja sempre como você é porque apaixonei-me justamente por este seu jeito engraçado e franco de ser. Até fiquei apreensiva no início, pois julguei que minha mãe iria tentar te podar. Aquela noite no jantar até interferi. Depois achei que você é que teria que se impor. Por isto não fiz mais nada. Acredito que temos que evitar os problemas desde o início.
- Muito obrigada por ter me dado liberdade de me portar com sua mãe como achei necessário. Gostando ou não, ela vai aprender a conviver comigo. Não gosto de conflitos. Sempre fui de boa e de paz. Quem não topa comigo ou não me engole, que se assunte e queta para lá! Tem muita gente que não gosta do meu jeito. Problema deles, né? O importante é ser feliz, minha juíza. Com você sou plena. Sou feliz demais. Nunca me senti tão bem. Tão viva e realizada como mulher. Se melhorar estraga, se piorar estou perdida, nem quero pensar nisto. Vou pensar só na felicidade que você é capaz de me dar. Oxente! Chega de conversa. Estou doidinha para beijar agora. Beijo com gosto de sorvete é tudo de bom. Vem aqui boca gostosa. Vamos fazer uma bagunça boa nesta cama agora. Oxé! Eu te amo demais. – Sorriu beijando Juliana apaixonadamente. Depois afastou os lábios comentando extasiada. – Vou ser sua esposa! Oba! Vou casar com você!
- Vai sim meu amor. – Juliana respondeu virando o corpo. Deitou sobre Helena desamarrando o robe. Olhou os seios que surgiram nus e excitados. – Não faz ideia como vou adorar ter você todos os dias em me meus braços. – Confessou lambendo um dos biquinhos de forma ousada.
- Oh... Adoro sua língua...
- Adoro seus seios...
- Quero você, vem...
Os lábios de Juliana deslizaram pela pele dela passando pelas coxas. Abriu-as deslizando a língua na bucetinha ensopada. Lambeu com imenso prazer, arrancando gemidos dos lábios de Helena.
- Ah... Ohohoooo... Amorrrr... Aaaaaa...
A língua não parava, chupando e lambendo. Segurou os quadris de Helena para dominar melhor seu corpo. Helena rebolava contra a língua dela amando o prazer que estava sentindo.
- Delícia... Ooooooooo... Uuuuuuuuuuu...
Juliana continuou segurando a cintura enquanto ela gozava.
- Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
A língua deslizou suavemente bebendo o gozo com prazer. Então Juliana virou o rosto beijando as coxas dela.
- Você rebola muito gostoso. Deixa-me louca quando mexe o corpo assim.
- Deita aqui que vou te deixar mais louca.
- Deito... – Juliana respondeu deitando ao lado dela.
Roçou o corpo no dela confessando.
- Sou sua Helena.
- Oh... É mesmo... – Helena respondeu beijando-a desnorteada.
Deitou sobre ela sem interromper o beijo. Depois a boca foi ao ouvido de Juliana onde ela sussurrou.
- Eu também sou sua. Quero te chupar toda.
- Ah...
A boca desceu pelo corpo de Juliana quase a levando ao delírio do prazer. Lambeu e chupou os seios extasiada. Depois aninhou-se entre as pernas dela lambendo a bucetinha excitada.
Helena não prendeu a cintura dela. Deixou o corpo solto acompanhando os movimentos do corpo enquanto ele se mexia contra sua língua. Deixou que ela dançasse livre sem parar de chupar deliciada. Ficou assim até prender o clitóris sugando-o intensamente até sentir a bucetinha estremecendo toda contra a língua.
Juliana relaxou o corpo sorrindo. Helena deitou ao lado dela sussurrando apaixonada.
- Eu te amo.
Juliana a olhou nos olhos de maneira intensa.
- Também te amo meu amor. Deixe-me te abraçar. – Pediu puxando-a para seus braços. – Agora me fale sobre a cidade onde você nasceu. Quero saber tudo que envolve sua vida.
- Falo sim. – Helena respondeu sorrindo feliz. – Existia um córrego na cidade, onde aconteceu um milagre transformando o córrego em uma fonte dos milagres. Deram o nome de Candeias a essa fonte, que quer dizer luz. Como as pessoas ficam fascinadas quando ouvem falar sobre milagres, os romeiros começaram a ir para a cidade e construíram suas casas em volta desta fonte dos milagres. Desde então, Candeias se transformou num centro de adoração religiosa. Depois, com a descoberta do Petróleo, mais pessoas continuaram chegando para viver lá. Todos os anos, no dia dois de Fevereiro a cidade comemora a festa de Nossa Senhora Das Candeias. Festa que deixou de ser apenas religiosa. A festa virou um carnaval com foliões e trios elétricos para animar o público. Já ouviu falar num gênero musical chamado arrocha?
- Sim. – Juliana respondeu sem deixar de acariciar os cabelos dela.
- Pois é! Candeia é conhecida como a capital Brasileira do Arrocha. É a mistura da música brega com o estilo romântico. Oxé amor, mas este ritmo faz um sucesso que você não faz ideia. Eu gosto de dançar arrocha. Hahahaha. Vou te ensinar a dançar qualquer dia. Quando era pequena brincava muito na fonte dos milagres. Também não tinha perigo nas ruas para crianças brincarem. A criançada ficava toda lá pela praça. No meu bairro faltava água e tinha uma hora do dia que tinha que buscar água na lata para abastecer a casa. Tinha que levar dez latas para minha mãe não brigar todos os dias. Tomava banho de caneca. Sabe que mal recordo aquele tempo? Eu era muito feliz naquela época. Depois fui embora de lá. Não voltei mais. Foi aqui que estudei e me tornei alguém.
- A infância da gente fica distante mesmo. Eu também quase não paro para recordar meus tempos de crianças. Acho que nem tenho tempo para isto. Quando paro para pensar, é em você que eu penso.
- Você é muito linda. – Helena sorriu beijando-a nos lábios com prazer.
 Continua...


Notas da autora: Confesso que enquanto eu escrevia Elas Fazem Por Amor, tentei trazer a personagem Verena para a realidade.
Depois percebi que subconscientemente estava retratando uma personagem bem humana.
Existem várias pessoas como Verena. Que não percebem as sutilezas dos pequenos gestos ou dos grandes gestos.
Que não percebem o que está diante do nariz, não percebe o valor do silêncio, a importância do momento, a grandeza de delicados presentes, o significado de certos olhares, o amor sem necessitar ser colocado em palavras a cada instante.
Pessoas que tendo o tudo querem mais. Querem até o que já possuem e não se apercebem.
Compor Verena com essas características tão comuns foi exaustivo.
Por vários momentos fiquei incomodada com a forma de ser dela. Acontece que não tinha como mudar isto em seu ser. É como ela é. Avoada e distraída. E não é que Verena não seja legal, ela é muito legal. Só que em vários momentos fiquei com a impressão de que Verena não é a mulher certa para Sui. É nisto que fico pensando. Que Sui merece mais. Sui merece uma mulher com a mesma intensidade dela. Acho que estou procurando essa mulher. Para fazer Sui desviar os olhos de Verena ela terá que ser irresistível.
Oh meu Deus! Será que essa mulher existe? Talvez exista. Vou continuar procurando por ela. Talvez ela acabe cruzando o caminho de Sui qualquer dia destes. Ou talvez esteja procurando apenas uma mulher e talvez não seja para Sui. Sei lá, o tempo me dará essa resposta.
Vou continuar pensando sobre este assunto quieta aqui com os meus botões.
Boa leitura para vocês.
Astridy Gurgel

terça-feira, 29 de julho de 2014

Decepção! - Por Astridy Gurgel

domingo, 27 de julho de 2014

Sentimentos Inesperados. - Parte 3


Às oito da noite Patrícia entrou com um carrinho com o jantar das duas. Samanta estava sentada numa cadeira ao lado da cama de Bruna.
Patrícia sorriu aproximando-se dela.
- Achei que você ia gostar de comer com Bruna.
- Sim. Obrigada. – Agradeceu olhando-a com atenção.
- Você devia ter se casado com Pat, Samanta. – Bruna comentou amarga. – Eu sempre achei que Deus gostava mais dela do que de mim. Ele vai tornar a vida dela aqui na terra mais longa do que a minha. Acho que ele a escolheu para administrar a dor do próximo.
- Bruna! – Patrícia pediu fitando-a com tristeza.
- Desculpe. – Ela respondeu baixando os olhos.
Samanta olhou para a bandeja tentadora, comentando animada.
- A sua comida parece estar deliciosa.
- Garanto que está. Pat é a melhor cozinheira que eu conheço. Pode me dar a minha, por favor? Este cheiro abriu meu apetite.
Patrícia entregou uma bandeja separada para cada uma comentando educadamente.
- Preciso terminar algumas coisas lá dentro, vou deixá-las a sós, com licença!
Logo que ela saiu, Samanta fitou Bruna comentando confusa.
- Você não devia ter dito aquilo. Não deve ser fácil para ela Bruna.
- Não se preocupe com ela, além disto, você nunca gostou que eu tivesse amiga. É isto que eu penso mesmo. Pat viverá muitos anos, pois é boa demais para morrer.
- Você se acha uma pessoa ruim, é isto?
- Não sei se sou ruim. – Respondeu amarga. – Mas não sou como Pat. Não tenho o coração bom que ela tem e nem a aceitação divina que ela demonstra.
- Ela é sua amiga...
- É sim e eu a amo do fundo do meu coração. Ela é a minha família, é tudo que eu tenho! Acha que falei por mal ou que tenho inveja dela? Não é nada disto! Gostaria muito que ela fosse feliz. Não é bom viver só como ela vive.
- Entendo. – Samanta respondeu pensativa passando a jantar. Enquanto comia, ficou surpresa com o sabor delicioso da comida preparada por Patrícia. Ela cozinha bem até demais, pensou sem comentar com Bruna.

Na manhã seguinte, às seis horas, Samanta entrou na cozinha dando de cara com Patrícia. Ela estava sentada rodando a xícara de café entre os dedos.
- Bom dia, Patrícia! Acordou bem cedo.
Samanta pegou uma xícara, sentando diante dela servindo-se.
- Bom dia! Uma das medicações de Bruna é às cinco da manhã. – Contou soltando a xícara e pegando um cigarro. – Correu tudo bem ontem?
- Sim, correu sim. Depois que ela jantou pareceu mais calma. A sua comida estava divina.
- Não deve ter sido a minha comida e sim a sua presença que a deixou mais calma. Ah obrigada, aprendi a cozinhar desde pequena com minha mãe.
- Acho que sim. Para mim não está sendo fácil, não sei quase nada sobre essa doença. Já ouvi dizer que pega só de chegar perto, mas não é verdade, se fosse você não estaria aqui cuidando dela com tanta dedicação.
- Realmente não pega assim, não como inventaram por aí. Mas é preciso cuidados sim. Preciso usar luvas cirúrgicas para minha proteção com toda a certeza. – Contou com tristeza.
- Já ouviu dizer que pega até pela saliva. – Comentou olhando-a nos olhos. – É verdade?
- Neste caso só se houver sangramento, foi o que li.
- O que mais você leu?
- Alguns pesquisadores afirmam que sim e muitos desmentiram. Já descobriram pessoas que tiveram relação sexual com o parceiro que tinha AIDS sem contaminar o outro. Não chegou nem a ter o vírus incubado no organismo. Isto pode acontecer.
- Mas você não tem medo, isto é surpreendente!
- Não, eu não tenho medo. – Falou pegando sua xícara enquanto se erguia. – Não se preocupe sobre beijos na boca, Bruna leu todos os livros que eu já li sobre este assunto. Ela conhece os riscos e não fará nada que possa te contaminar. Ela sabe que acabou, os prazeres, eles de certa forma acabaram. Ela não aceita, mas sabe que...
- Segundo ouvi é preciso haver penetração para que...
- Não acho que tenha que te dar uma aula sobre sexo, mas vamos esclarecer uma coisa. – Patrícia falou muito calma. – Os níveis de HIV no fluido vaginal também variam, aumentando durante a menstruação, período em que o sexo oral é mais perigoso. O sexo lésbico feminino por definição não implica em penetração. Quando ocorre a penetração é por meio de dildos ou de dedos, que não possuem mucosa, o que dificulta a transmissão do vírus. Obviamente que isso não quer dizer que lésbicas não pegam AIDS. Como em toda relação sexual, há secreções que podem conter o vírus. Isso vai depender muito da carga viral da pessoa contaminada. Eu entendo o seu medo, entendo de verdade. Já senti muito medo. Por isto li e estudei muito a este respeito. Faça o mesmo! Leia sobre o assunto. Você precisa fazê-lo, assim com certeza irá sentir-se mais segura e fará Bruna mais feliz. Agora preciso ir ajudá-la com o banho. Com licença!
Samanta ficou sentada ali, assimilando as palavras de Patrícia. Com toda certeza não poderia continuar leiga no assunto. Não poderia ficar ao lado de Bruna com medo até de respirar. Na verdade estava apavorada. Principalmente porque Bruna já estava doente há muito tempo. Fizemos amor tantas vezes!
E se houve algum sangramento nas vezes em que estivemos juntas? Se houve... Deus como isto tudo é assustador. Pensou angustiada.
Patrícia apareceu com duas bandejas interrompendo seus pensamentos. Passou a esvaziar as bandejas falando de costas para ela.
- Faço o teste do HIV de seis em seis meses. Faça o teste! Vai ficar mais tranquila se o fizer. Existem clínicas sérias e seguras. Eles não divulgam o nome de quem os procura. Garanto!
Como ela sabia? Samanta se viu perguntando quando ela deixava a cozinha muito segura de si. Por que ela se preocupava tanto em fazer o teste de seis em seis meses?  Ela não era modelo? Será que usava drogas? O melhor era perguntar para Bruna.

Samanta entrou no quarto às oito da manhã. Bruna já estava de banho tomado. Sorriu ao vê-la estendendo o rosto para ser beijada.
Bruna percebeu a tensão dela quando inclinou beijando seu rosto.
- Não se preocupe. Não vai pegar AIDS só porque me deu um beijo no rosto.
- Que ideia Bruna, não pensei nada disto. – Samanta respondeu sem graça.
- Pode não ter pensado, mas o seu medo salta aos olhos.
Patrícia saiu do banheiro sorrindo e deixando o quarto muito tranquila. Ela sabia o quanto Samanta estava apavorada, mas tinha certeza que não iria admitir isto para Bruna.
Samanta acendeu um cigarro encarando Bruna com coragem.
- Patrícia me contou que faz o teste de seis em seis meses. Por que ela o faz com tanta regularidade? Ela faz uso de drogas ou transa sem o devido cuidado?
- Que ideia Samanta! – Bruna comentou sorrindo sem vontade. – Patrícia não transa e nem usa drogas. Ela leva a vida fazendo o bem. Quando não está fazendo desfiles de moda, está ajudando algum doente com AIDS. Ela é extremamente bondosa, por isto te falei que você devia ter se casado com ela. O que, aliás, foi uma bobagem minha, já que você nunca me assumiu. Não estou te cobrando, mas se vou morrer, vou falar tudo que penso e sinto antes de deixar este mundo.
- Você sabe que devido a minha profissão, seria um escândalo e eu sempre gostei de manter a minha vida pessoal bem longe da boca dos fofoqueiros.
- Não estou te condenando e não tenho este direito, mas uma coisa me deu um grande alívio depois que soube que estava com essa doença.
- Que coisa foi essa?
- Bom, eu sempre me queixei com você porque você nunca aceitou fazer sexo oral comigo. Você sabia o quanto eu queria, o quanto sentia falta disto. Mas você bateu o pé e nunca fez, então, quando soube que estava doente lembrei-me disto e me senti super aliviada. Porque eu sei o quanto você está morrendo de medo. Até posso imaginar como a sua cabeça deve estar a mil com tudo isto. Se Patrícia ainda não te aconselhou a fazer o teste, estou te aconselhando agora. Quando sair daqui, vá direto a uma clínica e faça logo. E só volte aqui quando estiver absolutamente segura de que nada vai te acontecer. Agora, se já tiver acontecido, se eu cheguei a te contaminar, realmente vou sentir demais. Você sabe que eu não sabia, portanto não serei culpada conscientemente.
- Bruna, por favor, você não sabe como é doloroso ver você nesta situação. Voltei tão feliz para o Brasil. Estava cheia de saudade, ansiosa para fazer amor com você e...
- E você me encontrou doente, num hospital, é verdade! Sei o choque que você levou. Quanto a fazer amor comigo Samanta, eu não me sinto mais segura embora morra de vontade. Eu amo você, amo demais, mas agora sou apenas... Apenas um sopro de vida.
- Se não poderei mais tocar você, mesmo assim quero vir te ver quantas vezes forem possíveis. Eu não vou te abandonar. Ficarei com você e vou ajudar Patrícia a cuidar de você.
- Fico imensamente feliz por ouvir isto. Ao menos vou poder ver você. Poder te olhar vai ser como um bálsamo para mim, meu amor. Aquela frase serve bem para nós agora: “O perigo e o prazer andam de mãos dadas.”
- Ah Bruna, eu queria tanto poder deter isto! Arrancar essa maldita doença de você...
- Mas você não pode Samanta, sabe que não pode. O que você pode é fazer logo o exame. Então faça! Não vai me magoar. Fique certa que as pessoas estão caindo feito moscas com essa doença pelo mundo a fora. Pergunte a Pat, ela vai mais a enterros do que qualquer padre que anda por aí. Vivo dizendo para ela, que devia abrir uma casa funerária. Estou certa que ela ficaria rica com todos os doentes que tem na agenda dela. Ela só não contava de ter naquela agenda a melhor amiga. Mas a AIDS é assim. É isto aí! Vai logo!
- Não quero mesmo te magoar, mas realmente preciso fazer o teste. Voltarei logo que possível. E você, tente ser boazinha e não brigue com a sua amiga porque ela só está aqui para te ajudar. Até logo querida.

Na sala, Samanta ligou para o piloto do helicóptero pedindo que viesse buscá-la. Sentou na poltrona suspirando com tristeza. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, parecia um pesadelo horrível em sua vida.
Patrícia veio da cozinha neste momento.
Encostou-se no beiral da porta comentando baixo.
- Você a deixou nervosa. Ouvi a voz dela daqui.
- Não sou tão forte como você! Tenho medos e sentimentos feridos!
- Sei. – Patrícia sorriu rodando o pano de prato no ar. – Também não sou forte. Eu choro todas as noites quando deito. O que eu faço é nada! Eu cuido, conforto, mas não tiro a dor nem livro as pessoas da morte! Sou apenas uma gota no oceano. O que eu sinto é uma vontade de mudar, de salvar, de transformar tudo como num passe de mágica, mas eu não posso e entendo que a AIDS é sim essa coisa apavorante. É uma pena de morte cruel! Ela não marca o dia, mas vem buscar! Quer saber onde começou essa minha consciência toda sobre esta doença? Foi dentro da minha própria casa! Minha mãe era usuária de drogas. Eu a perdi assim. – Parou com os olhos cheios de lágrimas passando a mão no rosto para secá-las desolada. Aí ergueu a cabeça voltando a fitar Samanta, que estava sentada ouvindo-a sem ao menos piscar. – Bruna foi a única que ficou ao meu lado o tempo todo. Fomos as únicas no enterro dela. Eu, Bruna e o coveiro. Isto é a AIDS! A solidão, o abandono, o esquecimento, o deserto de amigos! Como se a pessoa não tivesse existido neste mundo. Sem passado, sem nada! É o pior fim que um ser humano pode ter. Por causa disto faço o que posso por essa gente. Não diga que sou forte! Carreguei o caixão da minha mãe sozinha com ajuda da minha amiga. Isto não foi força, foi agonia e desespero! Você precisaria viver isto para entender. Bruna ficou ao meu lado. Agora é a minha vez de ficar ao lado dela até o fim! Bem, com licença, pois tenho coisas para fazer na cozinha. Por favor, não deixe de ligar para Bruna! Tchau!
Samanta partiu uma hora depois. A primeira coisa que fez foi procurar uma clínica para fazer o teste do HIV. Depois entrou numa livraria e comprou todos os livros que falavam sobre AIDS. Aí se trancou em sua casa passando a ler incansável todos aqueles livros. Tinha que aprender tudo sobre aquela doença, era uma questão vital em sua vida.
                                     Continua...

sábado, 26 de julho de 2014

“Миллион алых роз” - Por Astridy Gurgel

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Amor Gay! - Por Astridy Gurgel



Nunca tinha parado para pensar que não fiz um vídeo inteiramente gay até hoje. Tendo tantos amigos gays já poderia ter feito há muito tempo. Só que passou batido.  
Então no mês passado comecei a pensar sobre isto. Não queria escrever um texto enorme falando tudo que todo mundo já sabe e pensa. Queria que fosse algo leve e achei que ficou leve.  
É assim que vejo o amor entre dois homens. Com beleza e romantismo.
Bom final de semana para vocês!
Astridy Gurgel

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Elas Fazem Por Amor. - Capítulo 57


Quando chegaram à calçada, Isabel deu a mão para a advogada com o coração aliviado.
- Não tenho palavras para agradecer.
- Lamento que ela tenha levado os dez por cento. Porém, antes dez por cento do que cinquenta.
Uma voz soou ao lado delas neste momento.
- Cinquenta por cento ela levaria se eu fosse louco. Ainda não atingi esse grau de loucura. Os dez por cento foram a justiça calando o equivocamento que parece dominar a mente das pessoas. No caso da senhorita Aline, sim ela se equivocou! A justiça não é falha. Falho foi o julgamento dela. Até logo! – O juiz concluiu entrando no carro que estava estacionado ali e partindo.
A advogada abriu um largo sorriso comentando.
- Como pode perceber, o juiz escutou as gravações que você fez e decidiu a seu favor.
- Percebi sim. Passarei no seu escritório para fazer o acerto. Até amanhã e mais uma vez obrigada! Tchau!
- Tchau!
Entraram no carro juntas. Laura colocou o cinto de segurança ligando o carro com um sorriso.
- Mal posso acreditar que o juiz deu apenas dez por cento para ela. Você teve muita sorte!
- Graças a você Laura. – Isabel respondeu aliviada.
- Por que graças a mim? Não pude fazer nada para te ajudar nesta questão. Bem que queria ter feito alguma coisa, mas não pude.
- Você me ajudou sim. Foi você que me aconselhou a gravar as conversas dentro de casa quando Aline atacava meu trabalho.
- A isto aconselhei sim. Ouvi um boato de uma pessoa que foi em uma das recepções na casa dela. Ela debochava abertamente sobre seu trabalho de escritora. Quem ouviu contou que você não estava na sala neste dia. Tinha ido a cozinha buscar mais salgados para servir os convidados. Quando ouvi a pessoa comentando com alguém em um daqueles jantares da editora tive essa ideia. Foi apenas isto!
- Eu sabia que ela debochava do meu trabalho quando não estava presente também. As pessoas gostam não só de uma fofoca, como de ver o circo pegando fogo. Algumas me contavam no decorrer daquelas festas.
- Infelizmente o ser humano se presta a todo tipo de papel. Sei bem como são as pessoas. Existe muita gente falsa se fingindo de boazinha. O importante é que este processo terminou da melhor forma possível para você. Sei que você gostaria que ela não recebesse nada, mas neste caso ela poderia recorrer e isto iria se alongar demais. Nada disto importa mais agora. O livro continuará fazendo sucesso. Não se preocupe que os dez por cento que vai pagar não te fará nenhuma falta.
- Não fará mesmo, querida! O que acha de um jantar romântico hoje? Com dança, a luz de velas e depois, um mergulho na piscina. Ou na banheira de hidromassagem. Fica a sua escolha.
- Excelente ideia! Hoje não tenho mais que voltar para a editora. O que pensou em comer neste jantar especial?
- O que se come em um jantar romântico dançante? Tantos pratos, nem sei.
- Gostei da parte do dançante. Nós nunca dançamos. Dançamos?
- Em casa, sozinhas, não meu amor. Dançamos em boate, mas estávamos em grupo e é diferente.
- Sim tem razão.
- Laura?
- Oi amor. – Laura respondeu quando já entrava com o carro na garagem da casa.
- Vamos entrar! Eu falo lá dentro.
- Tudo bem. – Laura concordou entrando com Isabel.
Quando chegaram à sala a criada perguntou aproximando.   
- Acabei de coar um café. Desejam que sirva para as senhoritas?
- Seria ótimo! Pode servir, por favor! – Laura respondeu sentando ao lado de Isabel. - O que foi querida? O que você ia falar no carro?
- Tem uma coisa que sempre quis conversar com você.
- Uma coisa? Que coisa?
- É algo bem pessoal.
- Pois pode falar.
- Você gosta do jeito que faço amor? Quero dizer, te satisfaço na cama completamente?
- Isabel? Já falei tanto do quanto adoro fazer amor com você.
- Mais do que adorava fazer com Juliana?
- Ah? Você está comparando? O que é isto querida? Cada pessoa é de um jeito.
- É que você nunca falou sobre seu relacionamento com ela. Às vezes passa pela minha cabeça que foi tão bom que você deseja guardar apenas para você.
- Espera! Não pense assim, pois não é nada disto. Juliana e eu terminamos numa boa e sem ressentimentos. Terminamos porque me apaixonei por você. Fiquei completamente envolvida depois que te conheci. Depois que li seu livro tudo piorou. Juliana percebeu meu interesse. Eu terminei e ela se afastou numa boa. O nosso relacionamento foi excelente. Nós nunca brigamos. Tínhamos um sexo bom e satisfatório, mas não éramos apaixonadas. Não me peça para fazer comparações. Adoro você na cama. Você me dá prazer demais. Nunca te perguntei se sou melhor que sua ex. Nunca perguntei se ela era melhor que eu na cama.
- Você acabou de dizer, cada pessoa é de um jeito. Meu casamento só foi bom no início. Tudo era bom e deixou de ser. Nunca te comparei a ela. Jamais quero fazer isto. Eu apenas precisava saber. Era uma curiosidade, nada mais. Porque nunca falamos sobre isto. Poderíamos ter falado. Não acha natural?
- Falar de ex? Pode ser natural, mas não acho que seja um bom assunto.
- Mas você é tão amiga de Juliana, não entendo!
- Então, por isto! Somos ótimas amigas, nada mais que isto. Por que relembrar o que vivi com ela? Quando conversamos não falamos do que já vivemos. Ela ama Helena e eu amo você. É isto amor!
- Tudo bem, você me convenceu! Ai está nosso café! – Sorriu pegando o café que a criada lhe entregou. – Obrigada!
- Por nada! – A criada respondeu saindo.
        Isabel bebeu o café observando Laura. Ela estava com as pernas cruzadas. Um sorriso surgiu em seus lábios neste instante.
Voltou os olhos para Isabel falando emocionada.
        - Eu queria, mas queria tanto uma vida com você Isabel. Mal acredito que estamos juntas todos os dias.
- Sinto a mesma coisa. Tínhamos o mesmo sonho. É verdade que sonhos se realizam. Realizei com o livro e depois conquistando o seu amor. Só tenho que agradecer. Temos mesmo que acreditar nos nossos sonhos.
- Temos mesmo querida. Quando recordo as longas noites passadas chorando sozinha pensando em você. Desejando seus beijos e seu corpo junto ao meu. Ainda pensava que poderia ter você nos meus braços apenas para dormir abraçada. Falava isto para minha consciência culpada que sabia que estava apaixonada por uma mulher casada. Ficava imaginando como seria perfeito se pudéssemos escolher de quem gostar. Seria tão mais fácil. Não podemos escolher, só podemos sentir. Temos então que agradecer poder gostar e mais, conseguir gostar, porque existem pessoas que nem conseguem gostar. Pobres pessoas! Se analisarmos bem somos afortunadas. A nossa maior riqueza são nossos sentimentos. Foi Janete Clair que escreveu: “O sentimento mais importante do ser humano é o amor. É tudo que existe.” Isto fica dos grandes escritores mesmo depois que morrem. Suas palavras ficam em nossas memórias. Tantos escreveram sobre os sentimentos, sobre o amor. Chorando ou sorrindo o amor sempre será o elemento principal na vida de cada pessoa. Até quem não sabe amar, acaba por aprender. Como não amar estando viva? Eu não amava ninguém quando você surgiu em minha vida. Sentia um carinho enorme por Juliana. Porém, meu coração estava livre.
- Ah querida! O meu coração também estava livre quando te conheci. Não sentia mais amor por Aline. Aquela conversa que tivemos em Paris no café da manhã sobre casamento, foi exatamente o que aconteceu. Um casamento não acaba apenas porque não se ama mais. Ficamos atreladas a ele quando não temos razão para sair. Isto de acomodar é péssimo. É egoísta com a gente mesma. Ficamos em uma relação por puro comodismo. Só quem está dentro de uma relação assim consegue entender. Quem não está simplesmente não entende. Como se entender algo que não se vive? As pessoas não pensam, por isto acham tudo fácil demais. Na verdade é porque a maioria apenas vira as costas e sai andando. Se fosse apenas sair andando e fim do problema não existiriam separações complicadas. Porém, é fácil sim para grande parte das pessoas sem sentimento e consideração. Tentei fazer tudo certo. Tentei acabar o casamento numa boa. Não deu, mas sei que tentei! Fiz de tudo para não pensar apenas em mim. Por mais que tenha tentado não foi como queria. O importante é que acabou. Preciso agradecer a Juliana pela conversa que ela teve com o juiz. De fato pesou demais na decisão dele.
- Agora você sabe quem é Juliana. Talvez entenda porque a considero tão boa amiga. Ela faz tudo que pode para ajudar quando está ao seu alcance. Hoje em dia, querida, ter amigas é um luxo. Você sabe disto. Tem duas grandes amigas.
- Como sei! Como sei! – Isabel sorriu colocando a xícara sobre a mesa. – Já decidi o que vamos comer no jantar. Vou lá falar com a cozinheira para providenciar. Quer ver um filme comigo agora?
- Claro que quero! Espero-te lá no quarto. Ah? O que decidiu para o nosso jantar?
- É surpresa amor. Já vou subir. – Respondeu beijando Laura e seguindo para a cozinha.
Assistiram ao filme: “Heavenly Forest” abraçadas.  Um filme Japonês que Isabel estava a fim de assistir. A noite caiu enquanto elas estavam deitadas distraídas com o enredo que surpreendeu completamente Laura. Isabel tinha falado sobre o filme, mas enquanto ia vendo não conseguiu deixar de se encantar com a história romântica.
Quando o filme terminou Laura comentou admirada.
- Não acredito que vi tudo isto neste filme. Fiquei assustada no início. Pensei: Isabel vai me fazer ver um filme de adolescentes vazios? As imagens são maravilhosas. A história é incrível! Como que ainda conseguem fazer filmes assim? Às vezes, eu penso que todas as histórias de amor já foram contadas. Realmente não foram. Emocionei-me na hora do beijo. Achei curioso porque filmes Japoneses quase não têm cenas de beijos. Quero revê-lo outro dia amor. Existem pequenos detalhes que só revendo para assimilar melhor. Amei mesmo este filme.
- Acho que as imagens maravilhosas que vemos no filme é justamente pelos personagens terem em comum a paixão pela fotografia. Você não sentiu isto?
- Sim. Senti sim. Bom, acho que temos um jantar romântico para ir. Vou tomar um banho e aprontar para te encontrar. Hahahaha! Vou adorar este jantar. – Laura comentou beijando Isabel longamente nos lábios.
- Vamos viver nosso amor antes que o tempo nos roube o momento.
- Você acha?
- O que amor?
- Que o tempo pode nos roubar o momento? Foi estranha a forma como você falou. – Laura comentou confusa.
- Ah eu não sei meu amor! Só sei que te amo e quero viver cada momento que puder nos seus braços. O tempo é implacável, mas não vou ficar tentando entender nada disto. Vou apenas viver. Vá tomar seu banho querida.
                                  Continua...