sexta-feira, 10 de abril de 2015

“Spare Some Love.” - Por Astridy Gurgel.

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 31.


Chegaram ao restaurante após dez minutos. Depois que fizeram os pedidos passaram a conversar sobre vários assuntos. Carmem fitou Patrícia perguntando agitada depois de algum tempo.
- Ouvi comentários que Samanta passou todos os bens dela para você. O que vai fazer quanto a isto agora?
- Vou devolver tudo assim que ela voltar a trabalhar.
- Entendo. Acho que será melhor.
- É o certo afinal ela pensou que iria morrer. Não gostei nada disto, mas aceitei para tranquilizá-la. Não pretendo ficar com nada.
- Como ela está encarando ser apenas sua amiga?
- Ela não fala sobre isto. Acho que está aceitando do jeito dela.
- Desculpem, mas poderíamos pedir o jantar? Estou morto de fome. – O padre sugeriu sorrindo animado.
- É claro padre. – Patrícia concordou fazendo sinal para o garçom que aproximou na hora da mesa.
O jantar foi servido meia hora depois. Patrícia e Carmem jantaram olhando-se completamente apaixonadas.
Quando pediram a conta, as duas ficaram resolvendo quem iria pagar. O padre disse que iria ao banheiro. Patrícia estendeu a mão segurando a de Carmem que retirava o cartão de crédito da carteira naquele instante.
- Não me importa a conta. Só quero ficar a sós com você Carmem!
Carmem tirou delicadamente a mão da dela, respondendo baixo.
- Vou levar o padre em casa. Eu te encontro na minha casa.
Quando Patrícia chegou, abraçou Carmem bem apertado junto de si. Aquele abraço durou um longo tempo. Então ela afastou buscando os olhos dela.
- Não posso ficar muito tempo. Não ainda Carmem.
- Eu entendo meu amor. Não falemos disto. Só preciso sentir seu coração batendo junto ao meu.
- As saudades que sinto de você não pode ser explicada em palavras.
Patrícia fitou a boca carnuda, linda, trêmula a sua frente. Inclinou-se a procura dela. O beijo foi suave a princípio, depois intenso devido à saudade que sentiam uma da outra. Percebeu que Carmem estava quieta apenas sentindo seus lábios mordiscando e roçando os lábios dela. Ela correspondia ao beijo, mas não se mexia. Desceu os olhos para os seios dela vendo os biquinhos enrijecidos. Estendeu a mão trazendo-a mais para perto de si, buscando a boca num beijo faminto desta vez. Sentiu os lábios abrindo para receber os seus. Sentiu também as mãos dela tocando seus cabelos com carícias excitantes. Trocavam agora beijos apaixonados. Patrícia levou a mão aos seios dela acariciando-os por cima da blusa de tecido fino. Ela gemeu e Patrícia retirou a blusa com um movimento rápido e ansioso. Caíram juntas bem ali no tapete da sala. Suas mãos já buscavam seus sexos, pois aquele desejo e aquela saudade consumia-as de tal maneira que seus corpos tremiam só com o fato de se beijarem.
Carmem gemeu quando Patrícia a possuiu alucinada.
- Aiiiiii...
- Não pensava em outra coisa além de ter você. Estar dentro de você, ai que saudade...
- Eu sou sua Patrícia, vem...
- Você é minha loucura sim. – Patrícia gemeu entrando mais fundo na bucetinha dela. – Que tesão que eu sinto com você Carmem. Que delícia que é essa?
- Aí quero te chupar junto, vira, quero sentir você latejando na minha boca.
Patrícia virou o corpo rapidamente, mergulhando a boca no sexo dela, enquanto sentia também a língua de Carmem em seu sexo. As duas mergulharam naquela busca íntima explodindo de prazer algum tempo depois. Patrícia afastou do meio das pernas dela, envolvendo-a em seus braços carinhosamente.
- Estava louca para ter você. – Ela confessou beijando o rosto dela emocionada. – Eu amo você Carmem. Agora tenho certeza absoluta disto.
- Meu Deus! Como sonhei em ouvir isto. – Carmem sussurrou beijando os lábios dela apaixonada.
- Você ficou triste comigo porque estou ajudando Samanta a se recuperar do transplante?
- Céus, não! – Respondeu surpresa. – Não pense bobagens, eu não estou triste com isto. Entendo que você tem que fazer isto porque é mais integro agir assim. Não podemos abandonar as pessoas sem mais nem menos. Estou esperando você meu amor.
- Que bom que você entende, obrigada por isto!
- Ora, por favor! – Carmem sorriu a beijando nos lábios com paixão novamente e se ergueu pegando as roupas dela. – Você disse que não podia demorar.
- É verdade. – Patrícia concordou pegando as roupas das mãos dela.
Carmem ficou olhando-a encantada até ela terminar de se vestir.
- Você vai ao baile, não é Patrícia?
- Claro que vou. Agora todos os bailes serão deliciosos, pois estarei com você. – Comentou feliz puxando-a para seus braços. Acariciou o rosto dela com suavidade. Os cabelos ainda estavam presos e Patrícia sentiu um desejo louco de soltá-los. Mas apenas sorriu inclinando até o pescoço dela. Passou a boca ali, deixando-a escorregar até encontrar os lábios de Carmem se abrindo para outro beijo. Beijaram-se com paixão. Patrícia afastou-se respirando com dificuldade.
- Pense em mim e nos beijos que estou guardando só para você.
- Eu pensarei e logo que puder cobrarei todos estes beijos.
- Sim meu amor! Cuide-se e durma bem! – Patrícia pediu baixo saindo de uma vez da casa dela.

Vivian entrou no quarto na ponta do pé parando ao lado da cama de Samanta. Puxou a coberta que estava caída para o lado cobrindo o corpo dela cuidadosamente. Neste momento Samanta despertou abrindo os olhos. Apenas a luz que vinha do corredor iluminava o quarto. Seus olhos se encontraram na penumbra. Todas as vezes que despertava tendo Vivian ao lado da cama ficava mais impressionava com a dedicação dela. Samanta perguntou admirada.
- Você não dorme Vivian?
- Durmo sim Samanta. Vim apenas ver se você estava coberta. Está frio. A força do vento até faz ruído nas janelas.
Samanta continuou olhando-a atentamente. Os olhos de Vivian brilhavam tanto que pareciam até dois vagalumes.
- Você é muito dedicada.
- Você gosta da minha dedicação? – Vivian perguntou sem deixar de fitá-la.
- Sim, gosto. Sinto-me segura com você por perto.
- Que ótimo! Estou aqui para te dar tudo. Segurança, apoio, cuidados, amizade...
Vivian se calou, mas seus olhos passaram a cintilar. Ela tocou as cobertas na mesma hora para esconder seu nervosismo.
- O médico disse que já pode sair de casa para pequenas caminhadas. Lembrei-me de uma casa de chá aonde sua mãe gostava de ir. Se desejar nós poderemos ir até lá amanhã. Tem uma varanda deliciosa de onde se pode ver o jardim de toda a propriedade.
- Uma casa de chá com jardim?
- Sim. Eu acho espetacular. A Senhora sua mãe adorava. Tomava o chá e ficava lendo. É tão silencioso e agradável. Só indo até lá para você perceber a paz daquele lugar.
- E você fazia o que enquanto minha mãe lia?
- Também lia para ocupar o tempo. De outras vezes andava pelo jardim. – Respondeu olhando-a com um sorriso meigo.
- Minha mãe gostava muito de você.
- Sim, ela gostava de fato. Eu também gostava dela.
- Eu sei. – Samanta respondeu sem deixar de observá-la. – Quando você se apaixonou?
- Ah? Não percebi.
- Não é verdade que você se apaixonou por mim?
- Não fazia ideia que já sabia. – Vivian respondeu sustentando o olhar dela.
- Minha mãe deixou no ar, mas depois que fiz o transplante fui percebendo um pouco a cada dia. Pelos seus olhares e atitudes.
- Sinto muito se tenho sido tão transparente...
- Não se desculpe. – Samanta pediu sentando na cama.
- É tarde, você devia tentar dormir. – Vivian aconselhou na mesma hora.
- Estamos conversando não estamos?
- Sim, estamos. – Vivian respondeu completamente sem jeito.
- Então me diga desde quando está apaixonada?
- Está bem. – Vivian respondeu relaxando. – Foi acontecendo aos poucos. A primeira vez que te vi mal acreditei. Porque já te conhecia das revistas. Sempre via suas fotos com aquelas belas modelos. A sua mãe passou a me mostrar todas as reportagens que saiam sobre o seu trabalho. Todos os dias ela me pedia para ir à banca de revistas comprar novas edições que tinham reportagens sobre você. Isto virou uma rotina. Eu adorava tudo que lia sobre sua vida. Então descobri sobre seu relacionamento com Patrícia. A sua mãe comentou que ela era uma pessoa do bem. Ainda assim contou-me que você não estava completamente feliz porque convidou Patrícia para morar com você e ela não aceitou. 
- Realmente comentei isto com minha mãe, mas isto já passou. Patrícia se tornou minha amiga como você bem sabe. Ela tem estado nesta casa apenas para me ajudar. Por sinal considero uma atitude louvável já que está apaixonada por outra mulher e se eu fosse essa mulher, não aceitaria uma coisa assim. Em breve ela voltará para a casa dela. Já colocamos um ponto final no que vivemos. Nossos assuntos passaram a ser sobre trabalho e a minha saúde.
- Você ainda está apaixonada por ela?
- Poderia até perguntar ao meu coração sobre isto, mas não preciso. Sei que o coração não funciona como a cabeça. O coração esquece lentamente. A cabeça ignora e segue em frente. Digamos que eu passei a enxergá-la apenas como uma ótima amiga. Não poderia ser diferente.
- Sim, acho que não poderia mesmo.
- Volte ao que estava falando. – Samanta sugeriu sorrindo para ela.
- Foi como contei. Todos os dias as revistas. A sua mãe mostrava muitas fotos de quando você era mais nova. Contava inúmeros casos. Vivia dizendo que queria que você fosse feliz. Ela sempre pedia a cozinheira para fazer os pratos que você gostava de comer. Enquanto trabalhei para ela, o mundo dela girava em torno de você. Ela te amava muito.
- Sim, eu sei disto. Minha mãe aceitou completamente quando contei que era lésbica. Sempre foi muito compreensiva quando eu estava triste ou não queria conversar.
- Então foi assim. A sua mãe fez com que o sentimento fosse ficando cada vez mais forte. Um sentimento que fiz de tudo para esconder porque você estava comprometida. Quando me dei conta, estava completamente apaixonada. Confesso que não tinha nenhuma esperança porque você não olhava para mim quando estava em casa.
- De fato não sou de olhar para as mulheres, mas não sou cega.
- Por que não é de olhar?
- Passei tanto tempo tentando esconder que era lésbica que nem me dava conta que agia assim. Não olhava para as mulheres para que ninguém percebesse que eu as preferia aos homens.
- Entendi. Não deixa de ser uma estratégia.
- Era sim. Já é muito tarde. Acho melhor você ir deitar Vivian. Também vou dormir.
- Sim! É claro! Ouvi Patrícia chegando há pouco. Já é tarde mesmo.
- Patrícia está voltando aos poucos à vida dela.
- Isto te deixa triste?
- Não. De forma alguma. Agora vá e durma bem.
- Obrigada, mas primeiro deite-se que vou te cobrir antes de ir.
- Está bem. – Samanta respondeu deitando de uma vez.
Ficou observando enquanto Vivian a cobria de forma carinhosa.
- Obrigada Vivian.
- Disponha! Tenha uma boa noite! Até amanhã.
- Você também. Boa noite!
Samanta fechou os olhos pensando na dedicação de Vivian. No quanto ela era carinhosa, atenciosa e... Apaixonada! De fato aquela paixão praticamente saltava dos olhos dela quando seus olhos se encontravam. Aquele olhar era tão intenso que praticamente a hipnotizava. Samanta deu um meio sorriso enquanto adormecia pensando na conversa que tinha acabado de ter com Vivian.
                                    Continua...

segunda-feira, 30 de março de 2015

"A Vida, a Morte, o Amor." - Por Astridy Gurgel.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 30.


Por mais um dia Samanta continuou sonolenta. Patrícia não se afastou do quarto. Dormia numa cadeira, já que a mãe de Samanta dormia na cama do acompanhante do quarto. Embora fosse proibida a permanência de mais de um acompanhante, a gerência da clínica abriu uma exceção porque a mãe de Samanta era inválida. Com isto Patrícia ocupou-se de cuidar da senhora que precisava de ajuda para tomar um banho ou ir ao banheiro. Patrícia brincou com ela no dia seguinte quanto àquela situação.
- A sua enfermeira deve estar gostando das folgas inesperadas.
- Deve estar sim, ela é uma moça maravilhosa. Está comigo há um ano. Ela acha Samanta linda, sabia?
- É mesmo? Samanta é muito linda sim. – Patrícia comentou enquanto vestia a roupa nela no quarto.
Samanta abriu os olhos neste momento dando um sorriso doce.
- Eu ouvi bem mamãe? Sua enfermeira me acha linda?
- Que bom que acordou! – A mãe falou feliz. – Ela te acha maravilhosa.
- Pena que Patrícia não ache o mesmo. – Samanta comentou com tristeza.
- Acho sim Samanta, não seja ingrata. Você é linda! Aliás, muitas pessoas adoram você, por isto nada de baixo astral. Sandrine tem vindo todos os dias. Algumas modelos também vieram te ver. Você é muito querida.
- Eu sei. – Ela respondeu baixo.
A mãe a fitou comentando empolgada.
- A minha enfermeira é uma linda moça. Você nunca olhou para ela, por isto não sabe ainda. Ela virá aqui hoje e você vai conhecê-la.
Samanta sorriu comentando com um meio sorriso.
- Acho que estou mesmo precisando conhecer uma linda moça, não é Patrícia?
Patrícia sorriu enquanto ajudava a mãe dela a sentar na cadeira de rodas.
- Está sim Samanta! Você precisa conhecer uma moça com toda a certeza.
- Vocês duas estão tentando arrumar uma nova namorada para mim? Eu mal me aguento em pé, só podem estar brincando.
- Não é isto minha filha. Vivian vem aqui para tentar te ajudar. Ela trabalhou muito tempo com uma cirurgiã cardiovascular. Ela vai trazer a médica aqui. Essa médica pode encontrar um coração para você.
- É mesmo? – Samanta perguntou e seus olhos brilharam intensamente neste instante. – Se isto for verdade será um milagre.
Patrícia sorriu olhando-a com afeto neste instante.
- Será o milagre de Deus! Se elas conseguirem você nunca mais irá duvidar da minha fé e de Deus.
- Sim, acho que não duvidarei mais. – Samanta respondeu pensativa. – De qualquer forma não estou num bom estado para conhecer uma moça que me acha maravilhosa.
- Veja a visita dela pelo lado bom. – Patrícia sugeriu animada.
- Tudo bem.
 A enfermeira entrou no quarto, acompanhada da médica às duas da tarde. Patrícia observou que a médica era uma mulher comum. Devia ter uns quarenta anos. Era alta e muito simpática. Já a enfermeira era bonita. Os cabelos eram intensamente pretos, como os olhos. O corpo era lindo. Estava muito bem vestida. Patrícia observou como seus olhos brilharam ao fitar Samanta. Ela aproximou da cama, ajeitando a manta sobre o corpo dela. Patrícia sentiu um carinho especial por ela de imediato. Samanta ficou olhando para ela sem esconder a surpresa com a atitude protetora. Não deixou também de observar a sua beleza.
- Olá Samanta! É melhor que fique aquecida. Como está passando?
- Olá! Estou melhor, obrigada! – Samanta respondeu, percebendo como os olhos dela vagavam pelo seu rosto de forma encantada.
- Meu nome é Adriana! – A médica apresentou-se aproximando de Samanta. – Quero fazer alguns exames em você. Depois que Viviam explicou o seu caso, acho que tenho um coração que pode ser compatível para você.
Patrícia se adiantou estendendo a mão para a médica.
- Sou Patrícia! É um prazer conhecê-la!
A médica sorriu para ela comentando gentil.
- É um prazer conhecê-la Patrícia! Você é uma modelo sensacional.
- Obrigada! Sobre este coração que a senhora mencionou, não existe uma lista de espera? Ao menos o médico me explicou assim.
- Existe uma fila sim, mas tudo precisa ser analisado, inclusive a idade. Esse coração pertence a uma moça de trinta anos. Sofreu um acidente e os pais decidiram doar os órgãos. Samanta é compatível para receber o coração dela. Eu mesma farei os procedimentos cirúrgicos. Existe a fila e existe certa camaradagem quando se trata de doação de órgãos. Os casos mais graves precisam ter preferências. Muitos pacientes podem esperar por mais tempo. Outros não podem esperar como é o caso de Samanta. Se ela assinar a autorização concordando com o transplante, os aparelhos da jovem serão desligados para a retirada imediata dos órgãos.
- Nossa! Parece um milagre! O médico disse mesmo que só um transplante poderia salvá-la, mas que não é a especialidade dele. – Patrícia comentou sem se caber de felicidade.
- Em medicina dizemos: “Cada macaco no seu galho.” – A médica comentou sorrindo para ela. Então olhou para Samanta perguntando entusiasmada. – Então? Você quer ter uma nova chance de vida?
Os olhos de Samanta encheram-se de lágrimas na hora. Ela sorriu olhando para Patrícia de forma carinhosa.
- Eu quero sim doutora. Quero mais que tudo. Preciso desta chance com toda certeza. Eu desejo viver!
- Então mãos a obra! – A médica sorriu decidida. Voltou-se para Vivian pedindo gentil. – Peça o prontuário médico dela e acesso a todos os exames, por favor, enfermeira! Vou ver a pressão e a temperatura. Quero operar amanhã se tudo correr bem.
- Mas já? – Patrícia perguntou surpresa.
- Sim! Quanto antes melhor! Preciso avisar que a recuperação após um transparente de coração é muito delicada. Será um verdadeiro recomeço de vida. Entregarei uma lista de restrições que terão que ser seguidas a risco. Agora preciso tomar todas às providencias mais urgentes. Se vocês quiserem dar uma volta, eu agradeço!
- É claro doutora! – Patrícia concordou empurrando a cadeira de rodas da mãe de Samanta para fora.
Do lado de fora do quarto, à mãe de Samanta pediu para ir até a capela. Patrícia a levou até lá aproveitando para rezar. Depois sentou no banco do jardim pensativa. Viu Vivian entrando na capela naquele instante. Estava sentido uma vontade imensa de falar com Carmem.
Não aguentou mais, por isto foi até o orelhão que ficava ao lado da capela discando para a casa dela.
- Oi Carmem! – Cumprimentou aliviada assim que ouviu a voz dela.
- Oi amor! Que alívio ouvir sua voz. Como você está?
- Estou muito preocupada com Samanta, mas tirando isto estou bem apesar da saudade que sinto de você. Apareceu uma doadora e ela vai fazer o transplante do coração. Estou sentindo um alívio imenso. Porque estava me sentindo terrivelmente culpada.
- Eu sei amor! Não é culpa sua, lógico que não é! Você precisa pensar que ela vai ficar boa. O resto nós veremos depois. Quanto à saudade, também estou para morrer.
- Carmem?
- Sim.
- Você vai mesmo esperar até que tudo isto passe?
- Claro que vou querida! Esperarei o quanto for preciso. Eu te amo demais. Nunca duvide disto.
- Obrigada! Ao mesmo tempo em que estou preocupada com ela, também estou morrendo de medo de te perder. Porque não sei como você conseguiu entrar tanto assim em mim. Estou loucamente apaixonada por você Carmem, você não faz ideia do quanto. Não sou uma mulher enlouquecida com sexo. Não nego que adoro, mas não fiquei com você só por sexo. Samanta foi minha primeira mulher. O que eu sinto por você é intenso demais. Quero ter você e quero ter uma vida do seu lado. Preciso ajudar Samanta e cuidar dela até que ela não precise mais de mim para seguir. Se você não puder aguentar nem sei o que farei.
- Eu aguento Patrícia! Amo você demais para não saber entender o quanto este momento é delicado. Eu sei que cheguei depois dela na sua vida, sei disto mais do que você pensa. Acredito que só se pode começar outra história depois de finalizar a que está acontecendo. Não pense que sou uma insensível e não pense que eu não entendo. Ficarei te esperando sim meu amor.
- Obrigada! Assim que puder irei para você Carmem. Irei com o coração livre só para você. Beijos querida!
- Beijos minha vida!

Notas da autora: Como o amor é lindo. Fico emocionada demais com o amor da Carmem pela Patrícia. Um amor que sabe esperar é sempre um amor especial. Esperar é uma das coisas mais difíceis que existe. Porque esperar por um amor é se privar de vivê-lo.
Talvez eu esteja errada. Talvez para muitas esperar também seja viver. Ainda assim viver o amor plenamente é a melhor coisa que existe!

Patrícia desligou voltando para o quarto. Viu pela janela do quarto Vivian deixando a capela com a mãe de Samanta. Ela a estava levando para tomar sol no pátio da clínica.
Quando entrou no quarto Samanta não estava, por isto imaginou que a médica a tinha levado para fazer mais exames.
Sentou distraída numa cadeira próxima a janela pondo-se a pensar na situação em que estava vivendo.
Alguns instantes depois a porta abriu e Vivian surgiu ali. Ela sorriu explicando enquanto pegava a bolsa da mãe de Samanta.
- Vim buscar a carteira dela. Quer comer um salgado na lanchonete.
Patrícia ergueu-se a olhando com mais atenção.
- Há quanto tempo mesmo você trabalha com ela?
- Há mais de um ano.
- Você e Samanta nunca conversaram?
Vivian sorriu comentando mais baixo ao responder.
- Nunca! Acho que Samanta nunca percebeu minha presença. Bem, ao menos ela nunca me olhou diretamente.
- Entendo. Você é tão bonita e Samanta não é cega, nunca foi!
- Ah, mas gente rica não repara em empregados, eu entendo isto muito bem.
- Sei. – Patrícia sorriu andando pelo quarto sem deixar de observá-la. – Desde quando você é apaixonada por ela?
- Eu? Oh meu Deus! Não! Eu não sou apaixonada por...
- Você é sim, bastou ver como olhou para ela quando entrou aqui. Não se preocupe porque nós não somos mais namoradas.
- Ah não? – Vivian perguntou sem esconder a surpresa por ouvir aquilo. – Eu não sabia. Na verdade pensei até que iriam morar juntas.
- Samanta quis de fato morar comigo. Era um desejo apenas dela.
- Então não a ama mais?
- Passei a amá-la como amiga. Apaixonei por outra pessoa. São essas coisas que não podemos evitar.
- Compreendo.
- Queria saber se você pode cuidar dela após o transplante. Vou contratar outra enfermeira para cuidar da mãe dela.
- Oh, mas é claro que posso! Quero muito cuidar dela e ajudá-la a se recuperar. Já trabalhei com dois senhores transplantados.
- É mesmo? Fico mais aliviada por saber. Então está combinado.
- Tudo bem. – Vivian respondeu virando para sair, mas parou voltando-se para Patrícia com sua expressão curiosa. – Eu gostaria de perguntar se Samanta ainda te ama.
- Ela me ama sim, mas vai me esquecer se tiver um pouco de ajuda. Você me entende? Entende qual ajuda que ela precisa?
- Você está insinuando que devo conquistá-la?
- Se você quiser ter o amor dela é o que terá que fazer. Deve começar fazendo com que ela enxergue você.
- Ah, mas eu quero demais o amor dela! Quero mais que tudo. Eu vou tentar, é claro que vou! Agora preciso ir. Muito obrigada pela sua sinceridade. Com licença!
Patrícia ficou olhando a porta do quarto fechando com um sorriso doce nos lábios. Seu coração lhe dizia que aquela moça seria maravilhosa com Samanta e isto lhe deu um alívio imenso naquele momento.

Samanta foi operada no dia seguinte e o transplante foi um sucesso.
Patrícia acompanhou com uma imensa felicidade as duas primeiras semanas de recuperação. Vivian era de uma dedicação que chegou a surpreendê-la. A enfermeira era completamente louca por Samanta. O amor que sentia ficava mais evidente a cada dia.
Patrícia mantinha-se sempre quieta. Lia para Samanta exatamente como fez com Bruna. Em alguns momentos acariciava os cabelos dela, pois Samanta reclamava diariamente por ter que ficar de repouso. Nestes momentos Vivian era de uma paciência milagrosa. A voz era macia e doce sempre que falava com Samanta sobre a importância daquela convalescia.
No fim das duas semanas Samanta voltou para sua casa.
Patrícia estava dirigindo o ateliê com ajuda de Sandrine. Cancelou todos os desfiles já que preferia não deixar Samanta muito tempo sozinha. Ao mesmo tempo aquela convivência entre elas provava a ela que realmente não amava mais Samanta. Estava mais certa a cada dia do seu amor por Carmem. Sentia uma saudade dela que não tinha mais como aguentar. No entanto Patrícia tinha aquela força de vontade que era própria dela. Seguiu aguentando por mais um longo e interminável mês. Não ligou nem uma vez para Carmem porque sabia que se ligasse não iria resistir, teria sim que correr para os braços dela. Então ela se mantinha quieta e meio apática, tentando não deixar Samanta perceber seu estado de espírito. De todo, se Samanta percebia nada dizia.
No fim daquele mês aconteceu a festa para anunciarem a melhor modelo do ano. Patrícia foi acompanhada de Sandrine e do padre. Ela mal acreditou quando anunciaram o seu nome como a vencedora. Aquilo foi uma coisa inacreditável para ela, mas sentiu-se imensamente feliz quando recebeu o troféu, acompanhado de uma bonita homenagem.
Voltou a desfilar naquela mesma semana. Recebia um tratamento especial por parte de todos por ser a melhor modelo do ano. Todos queriam contratá-la no auge do sucesso.
Sua vida voltou a ser tumultuada, tanto, que mal tinha tempo para pensar. Com certeza ela não pensava mais em Samanta, mas em Carmem pensava a cada segundo.
O desfile daquela noite seria o lançamento da coleção de Betina Clark. Patrícia entrou na passarela reluzindo beleza e brilho. Quando fez o giro na passarela, seus olhos caíram na bela figura de Carmem sentada de pernas cruzadas bem na fileira da frente. Percebeu toda a melancolia que boiava nos olhos dela com tristeza. Notou como ela a olhava com admiração completando o giro e voltando a percorrer a passarela com grande elegância.
Por todo o desfile sentiu-a desnudando seu corpo com os olhos carregados de desejo.
Ao fim do desfile o padre apareceu nos bastidores de mãos dadas com ela. Viu-os surgindo na porta massacrados entre a multidão de fotógrafos e jornalistas que também tentavam entrar para falar com ela.
Patrícia voltou-se vendo Betina Clark parada ali a olhando fixamente.
Betina sorriu comentando atrevidamente.
- Nunca uma modelo tão linda fez tanto sucesso quanto você fez nesta noite. – Ela sussurrou devorando o corpo de Patrícia sem disfarçar sua intenção. – Quer jantar comigo agora? Temos muito que comemorar juntas. O seu sucesso e o sucesso da minha coleção.
- Obrigada, mas já marquei com alguns amigos. – Respondeu indo até o grupo de seguranças que impedia a passagem das pessoas. Mostrou o padre e Carmem pedindo que os deixasse passar.
O padre abraçou-a com força buscando seus olhos.
- Ouvi dizer que era boa nisto, mas Patrícia, você é perfeita! Meus parabéns!
- Obrigada padre! – Agradeceu sorrindo e voltando os olhos para Carmem. – Que bom que você veio. Não faz ideia como tenho sentido sua falta.
- Eu também tenho sentido demais. Controlei-me demais para não assistir os últimos desfiles que você fez. Mal pude acreditar quando li que era a convidada especial para o lançamento desta coleção. Se não viesse te ver, acredito que nem dormiria a noite. Vivo louca de saudades! – Carmem contou baixo olhando em volta sem jeito.
Patrícia sentiu o coração disparando enquanto respondia baixo no ouvido dela.
- Eu também vivo louca de saudades. Estou feliz demais por você estar aqui.
Carmem voltou a fitar Patrícia contando ansiosa.
- Nós vamos jantar e pensamos se você gostaria de nos acompanhar. Se não for te causar problemas com Samanta, é claro! – Acrescentou erguendo os olhos para alguém que parou bem atrás de Patrícia naquele instante.
Patrícia voltou-se vendo Betina olhando o padre e Carmem com extremo desagrado. Para quebrar o clima desagradável que se formou, Patrícia falou com Betina naquele instante.
- Betina? Este é o padre Antônio e está é Carmem Santiago!
- É um prazer conhecê-los! – Betina respondeu olhando friamente para os dois. Depois se voltou para Patrícia decidida. – Suponho que vai aceitar o meu convite, não é?
- Desculpe, mas não posso e nem devo fazer essa desfeita com os meus amigos. Já tinha marcado com eles. – Ela respondeu tranquila. Então olhou para os dois avisando com um sorriso. – Não vou levar mais que um minuto.
Betina observou Patrícia se afastar comentando em seguida fitando Carmem com desagrado.
- Não vai levar mais que um minuto, ela tem razão! Coisa que essas modelos fazem bem é tirar a roupa, elas são peritas nisto! – Sorriu e inclinou a cabeça deixando os dois boquiabertos ali.
Carmem fitou o padre percebendo o quanto ele estava sério naquele instante.
- O senhor entendeu o que ela quis dizer?
- Não quero ser maldoso, mas pareceu ter sido um ataque de ciúme ou despeito. Um ataquezinho idiota! – Ele respondeu olhando-a com um sorriso franco.
- É! – Carmem concordou sorrindo com ele.
Seus olhos percorreram neste momento os belos corpos das modelos que andavam por ali conversando com amigos e fotógrafos. Viu Patrícia surgindo linda num modelo de noite. Quando ela apareceu à porta, todas as máquinas fotográficas se voltaram na sua direção. Ela andou com charme e elegância sem importar-se com o fleches que explodiam a sua volta. Nenhuma das modelos presentes tinha o brilho que ela irradiava. Era uma estrela! Carmem teve certeza absoluta daquilo naquele momento. Seus olhos ainda percorriam o corpo de Patrícia quando ela aproximou. Ela parou falando baixo para os dois.
- Estou livre. Vamos?
- Vamos sair deste tumulto sim. – O padre concordou saindo na frente.
Patrícia mostrou para ele uma porta lateral por onde foram. Seguiram por alguns corredores que levaram a rua de trás. A entrada do teatro ficava na rua lateral. Saíram numa rua deserta, onde Patrícia apontou seu carro que estava parado ali.
- Ultimamente, dificilmente consigo sair pela porta da frente.
- Vou lá à frente pegar o meu carro. Espero você na esquina. – Carmem avisou começando a descer a rua para dar a volta.
Patrícia entrou em seu carro sendo seguida pelo padre. Sentou ao volante observando Carmem se afastando com um sorriso nos lábios. De repente balançou a cabeça percebendo o padre observando-a com atenção.
- Estou feliz por tudo ter dado certo para Samanta.
- É padre, graças a Deus ela está cada dia mais forte e bem disposta. – Comentou aliviada. – E eu sinto que posso recomeçar a viver minha vida.
- Claro que pode.
Patrícia ligou o carro descendo a rua em silêncio. Passou pelo carro de Carmem e esperou até ela entrar. Então saiu sendo seguida por ela. 
                                 Continua...

sexta-feira, 20 de março de 2015

“Eu só olhava o mar.” - Soraia Augustinho. - Por Astridy Gurgel

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sentimentos Inesperados. - Parte 29.


Quando chegou ao hospital Samanta sorriu satisfeita ao saber que ela tinha resolvido tudo como pediu.
- Agora posso ficar mais tranquila.
- Samanta eu te trai. Não entendo como pôde passar para o meu nome todos os seus bens.
- Eu amo você. Para quem mais eu passaria? Bruna também deixou tudo que possuía para você.
- É verdade, Bruna deixou mesmo.
- Conheço-te tanto que tenho certeza que você cuidará da minha mãe para mim se eu não conseguir.
- Oh meu Deus é claro que cuidarei da sua mãe! Escute, eu falei com o médico. Você será operada.
- Meu coração está cansado demais Patrícia. Não sei se vai querer continuar batendo.
- Não! Escute-me Samanta...
- Escute você. – Samanta pediu apontando a cadeira para ela sentar perto da cama. – Mantenha o ateliê aberto. Sandrine vai te ajudar a cuidar de tudo. Tenho excelentes assistentes que criam modelos maravilhosos.
- Nenhuma é tão boa quanto você. – Comentou orgulhosa.
- Existe sempre alguém especial. Você foi indicada hoje como uma das melhores modelos do ano. Li nos jornais e fiquei orgulhosa.
- Sandrine me disse, mas você vai ficar boa depois da operação. Então voltará para a sua vida...
- Se o seu Deus existe ficarei boa. – Falou piscando para ela.
- Não brinque assim, Deus existe sim.
- Tomará que exista mesmo. Estou com sono, quero dormir. – Samanta contou fechando os olhos.
- Tudo bem, descanse. Vou ficar aqui do seu lado. Pense que tudo vai ficar bem.

Foi uma noite terrível para Patrícia. Na manhã seguinte os advogados chegaram cedo com uma papelada para Samanta assinar. Depois Patrícia teve que ir ao cartório com eles para assinar documentos importantes dos imóveis que estavam todos sendo passados para o seu nome. Tudo aquilo era assustador e repentino demais para ela. Estava horrível quando voltou para o hospital. Sandrine estava lá com a mãe de Samanta. Elas contaram que Samanta estava sendo operada naquele momento.
Patrícia já não sabia o que fazer. Precisava avisar Carmem. Sabia que ela devia estar preocupada com o seu silêncio. Por isto ligou para o padre pedindo que ele fosse com urgência para o hospital.
Assim que ele chegou contou tudo que estava acontecendo.
Sentaram juntos no jardim onde desabafou sem se conformar.
- Deus não faz nada impensadamente. – Padre Antônio falou segurando a mão dela.
- Não padre? - Perguntou desolada. – Enterrei minha mãe, enterrei Bruna e agora terei que enterrar Samanta também? Deus sempre vai levar todas as pessoas que eu amo da minha vida?
- Você merece ser feliz Patrícia, mas se Deus está exigindo mais essa provação de você, certamente vai te dar algo em troca. Temos visto juntos muita gente jovem morrendo, não é? Temos que continuar sendo fortes. Compreende?
Ela o olhou sufocada. Balançou a cabeça murmurando inconformada.
- Deus está me castigando. Está me punindo porque trai Samanta.
- Isto não é verdade.
- Como não é verdade? É sim padre. Fiz amor com Carmem. Estou apaixonada por ela. Eu traí Samanta da forma mais vil e covarde possível. Mas fiz tudo consciente. Não estava bêbada e nem fora da realidade. Fui desleal e ela está sendo muito gentil e protetora comigo. Depois do eu fiz a ela? Depois de enganá-la ela só pensa em me proteger. Estou acabada! O senhor não imagina o quanto.
- Você está apaixonada por Carmem e não ama mais Samanta. Não tem que se martirizar assim. Nós mudamos todos os dias e os nossos sentimentos também mudam. Temos que aceitar essas mudanças com o coração leve. Não se entregue e nem fique tão derrotada.
- Eu sei padre, sei que não amo mais Samanta como amava. Eu a amo como uma amiga querida e a estimo demais. Vê-la neste hospital não me deixa feliz nem confortável. Tudo poderia ser diferente. Ela não tinha que fica doente e muito menos...
- Calma! Mantenha a calma! Eu estou aqui, vou te ajudar a suportar isto.
Patrícia então chorou nos braços do padre sua dor, sua tristeza e a angústia de imaginar que Samanta estava morrendo. O que a deixava mais arrasada era saber que não podia fazer nada para salvar sua vida.
Foram horas insuportáveis, nas quais Patrícia chorou silenciosa no quarto aguardando notícias junto com Sandrine, o padre e a mãe de Samanta.
Era meia noite quando um médico que ainda não tinha visto entrou no quarto. Ele olhou para Patrícia balançando a cabeça com uma expressão séria.
- Eu sinto muito, nós fizemos tudo que pudemos. O estado do coração é irrecuperável. Ela precisa de um transplante de coração.
- Um transplante? Oh...
- Um transplante não é tão simples. Existe uma fila de espera e ela não pode esperar muito tempo. Se conseguir um coração as chances serão muito grandes. Não sou especialista nesta área. Lamento, mas é este o quadro.
- Oh! – Patrícia levou à mão a boca caindo desolada sobre uma cadeira.
A mãe de Samanta começou a chorar desesperadamente. Patrícia ficou estática olhando para o médico enquanto ele permaneceu explicando e pedindo calma para elas.
Depois que o médico saiu o padre ofereceu para levar a mãe de Samanta para casa, mas ela recusou-se a sair dali. Patrícia disse para o padre que estava tudo bem, afinal como mãe ela tinha o direito de ficar. Principalmente depois de saber que a filha dela não tinha muito tempo de vida.
Patrícia foi levar o padre até a saída do hospital. Lá tirou um cigarro da bolsa comentando ansiosa.
- Faz semanas que fumo. Estou tentando parar. – Comentou baixo. – Mas neste momento não dá para controlar.
- Eu entendo. – Ele respondeu sorrindo.
- Padre? Se não for abusar demais da sua boa vontade, o Senhor poderia trazer Carmem aqui amanhã? Tem uma cafeteria do outro lado da rua. Podemos conversar lá. Preciso explicar tudo que aconteceu e porque não a procurei ainda. – Explicou apontando a cafeteria do outro lado da rua.
- Patrícia? Você não percebeu ainda? Fui eu que fiz de tudo para aproximar vocês duas. Carmem é uma mulher maravilhosa como você. Eu iria mesmo perguntar se desejava falar com ela. Sei que não pode arredar o pé daqui.
- Sei que o senhor tramou sim padre, tive certeza disto desde o aparecimento dela no baile. Sinto que o certo é conversar com Carmem pessoalmente. Quero que ela entenda muito bem a situação. Se puder adiantar para ela a gravidade da situação será ótimo. Bem padre, eu vou voltar para o quarto agora. Já devem estar levando-a para lá. Obrigada por ter vindo. Obrigada pela força e por tudo. O Senhor é sempre muito bondoso para comigo. Está sempre presente nos piores momentos da minha vida. Acho que isto é uma verdadeira amizade. – Falou estendendo a mão para ele.
Padre Antônio segurou a mão dela apertando para lhe dar forças.
- Sou seu amigo sim, mas não me agradeça Patrícia! Mais do que você já fez pela igreja e por tantos que se quer conheceu não tem como pagar. Todo o apoio que te der será pouco. Sempre pude contar com você. É justo que possa também contar com minha ajuda nos momentos difíceis. Afinal a vida tem seus altos e baixos. Amanhã estarei aqui de novo. Tente relaxar. Boa noite! – Despediu abraçando-a e seguindo para o carro.
Patrícia virou entrando no hospital com o coração entristecido.

Samanta despertou no dia seguinte ainda sonolenta. Dormiu praticamente a manhã toda.
O padre apareceu na parte da tarde. Sandrine, Patrícia e a mãe de Samanta estavam no quarto. Samanta continuava dormindo naquele instante. Percebendo o olhar insistente do padre, Patrícia comentou com Sandrine baixo em seu ouvido se erguendo.
- Vou tomar um café e conversar com Carmem. Não demoro!
- Pode ir tranquila. Não vou sair daqui!
O padre deixou o quarto com ela contando:
- Carmem está te esperando na cafeteria. Vou esperar por ela no carro.
- Obrigada padre! – Respondeu deixando o hospital com ele.
Patrícia atravessou a rua entrando na cafeteria. Carmem ergueu-se quando a viu. Abraçou Patrícia com força falando emocionada.
- Meu amor! Quanta saudade!
Patrícia ficou alguns segundos nos braços dela, afastando-se em seguida. Sentou olhando-a nos olhos.
- Parece um sonho estar aqui com você. – Carmem confessou sentando diante dela.
- Sim, parece mesmo. Vou te contar tudo que aconteceu desde o momento que deixei a sua casa e cheguei ao ateliê.
- Tudo bem. Conte-me tudo querida.
Patrícia contou cada detalhe tendo Carmem ouvindo-a atentamente. Quando terminou, Carmem comentou preocupada:
- Você está tão abatida!
- Você tem razão. Estou péssima Carmem.
- Sim, eu sei. Fiquei completamente chocada quando o padre me contou. Imaginei como essa situação deve ter te deixado arrasada.
- Estou arrasada sim. Porque o estado dela é muito grave. Sinto-me culpada. Você deve imaginar.
- Como imagino. Foi isto que fiquei pensando depois que soube.
- Não tive cabeça para te ligar porque fiquei desorientada. Foi tão de repente, eu só pensava que precisava te avisar. Chamei padre Antônio para me ajudar. Principalmente porque precisava te ver. Como também precisava do apoio dele.
- Faço ideia como a sua cabeça ficou. Patrícia? Está tudo bem comigo. Percebi o quanto é grave.
- Muito grave. Se encontrarem um coração para ela talvez ela consiga. Fico imaginando tirarem o coração dela e colocar outro no lugar. Isto é assustador.
- A medicina evoluiu muito. Muitas vidas são salvas em função dos transplantes. Isto é muito bom. Será bom para Samanta também. É isto que importa. Não é?
- Sim. – Patrícia respondeu admirando o rosto dela emocionada. Como sentiu saudades dela. Um sorriso triste surgiu em seus lábios antes de confessar baixo. – Estou sentindo demais a sua falta. Eu não imagino mais a minha vida sem você. Suponho o quanto seja difícil para você sabendo que estou ao lado de Samanta neste momento. Não escolhi isto. A vida às vezes não deixa escolhas. Estou fazendo o que é certo. Quero que ela fique bem e preciso ajudá-la. Não sei quanto tempo vai levar, mas tenho que fazer isto. Só te peço se não for pedir demais que me espere.
- Ah Patrícia, meu amor, meu amor! Vou te esperar com toda a certeza. Não percebeu ainda o quanto você é importante para mim? O quanto te amo?
- Percebi sim Carmem. Saiba que está doendo muito ter que ficar longe de você.
- Me dói também. Estou morrendo de saudade de você, dos seus beijos, de nós. Meu Deus! Juro que serei forte. Meu coração está tão apertado.
- O meu também está. Precisava te ver. Precisava te olhar um pouco ouvindo a sua voz.
- Fico muito feliz que tenha desejado estar comigo neste momento difícil. Vou demorar a vê-la novamente?
- Não sei Carmem. A situação de Samanta não é boa. Não entendo nada de transplantes, mas acredito que o restabelecimento não seja tão rápido.
- É um pouco demorado, eu sei. Mande notícias pelo padre. Ficarei ansiosa por elas.
- Mandarei sim. Carmem?
- Sim?
- Você estará comigo em minhas lembranças. Procure não ficar triste. Voltarei para você.
- Volte mesmo, por favor!
- Agora preciso ir. Amei ver você. – Confessou erguendo e abraçando-a emocionada. – Logo que possível te ligo.
- Ligue sim. Estarei pensando em você. – Carmem falou beijando o rosto dela.
- Eu também estarei pensando em você. – Patrícia respondeu deixando a cafeteria.
Atravessou a rua aproximando do carro onde o padre estava sentado ao volante.
- Obrigada padre! O Senhor virá amanhã?
Ele viu que ela estava chorando, mas decidiu não comentar. Apenas respondeu:
- Com toda a certeza vou vir todos os dias para te dar uma força.
- Obrigada e até amanhã! – Despediu entrando no hospital de uma vez.
                                    Continua...