quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Напрямок! - Por Astridy Gurgel

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Bobagem!


Não procurem culpadas, procurem inocentes. O resto é bobagem!
Astridy Gurgel 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Plágio.


      Precisamos desmistificar a ideia de que plagiadores não tem cara. Tem sim e podemos mostrar uma a uma. 
Querem mexer em casa de abelha então que aguentem as picadas.
       Astridy Gurgel
       Imagem retirada do Google.

domingo, 24 de agosto de 2014

A pobreza do preconceito!


 É engraçado que nós sempre percebemos o preconceito com relação à orientação sexual. Geralmente nos damos conta somente da homofobia contra nós. Agora o grande assombro e podem acreditar, é real. Vocês fazem ideia da quantidade de lésbicas que tem preconceito contra mulheres gordas, magras, baixas, altas ou até da idade?
Sabe essas mulheres que se acham um modelo de beleza? Que se julgam fodonas em tudo? Que olham as pessoas de cima a baixo diminuindo-as e julgando-as sem ao menos conhecer? Conhecem mulheres assim?
        É estranho ver pessoas depreciando as outras como se fossem perfeitas. Como se as pessoas fossem menos do que elas são. Agora o mais estranho é ver todo este preconceito em lésbicas. Porque já somos vítimas de tanto preconceito, então, talvez até por bom senso, deveria se abster de ter uma mente tão severa perante os outros.
        Já namorei mulheres mais baixas, mais altas, gordinhas, magras, mais novas e até mais velhas. Nunca tive preconceito quanto a nada disto porque sempre fui motivada por sentimentos. Nunca procurei em outra mulher uma modelo de passarela.
Bom, mas preconceito é uma coisa que tem gente que arrota. Faz questão de mostrar e de ofender. Sabe aquela coisa pesada que nem dá para esconder? É neste nível e essas pessoas ainda acham que estão arrasando por serem assim.
Gosto quando ouço alguma amiga comentando que está namorando uma mulher fofa. Fofa neste caso é gordinha. Porque quando falam da forma que se sentem, é tão bonitinho. O carinho que demonstram é especial demais. Porém, este preconceito com relação às mulheres gordas não é coisa só de mulheres e nem só de lésbicas. Existem homens que também são preconceituosos. É aquela coisa, “gosto não se discute”, tem quem gosta de uma gordinha e quem não gosta.
Essa semana ou trudia... Peguei um táxi e o motorista falou pra dedéu. Fiquei até meio zonza com tanta falação. Eu pensava intimamente enquanto ele falava.
Este homem tem um problema e nem sabe.
Percebi logo qual era o problema dele, mas não era da minha conta então fiquei muda. Também não dava para abrir a boca porque ele não deixava (Risos). Ele estava falando sobre música.
Que as pessoas não entendem nada de músicas. Falou de grupos e cantores e cantoras. Contou dos shows que assistiu. E ta, ta, ta, ta, a falação continuava. De repente fez um segundo de silêncio. Pensei que ele não iria falar mais nada respirando aliviada. Ledo engano. Virou para mim e falou:
- “Eu gosto de Roberto Carlos. Tirando aquela fase ruim que ele passou de compor música para mulher gorda. Ai não! Ainda bem que ele voltou ao normal.”
A música que ele se referiu é “Coisa bonita.”
O preconceito é isto aí. Fiquei olhando para ele muda. Coisas assim nem adianta falar nada. Também tem pessoas que falam sozinhas sem precisar da participação de ninguém que está em volta na conversa. No caso do motorista adorei não abrir a boca. 
Fiquei pensando nas pessoas que amam pessoas que são gordas, cheinhas ou mais fofas. Elas não devem ter este tipo de preconceito se amam. Como a Helena do livro Elas Fazem Por Amor. A Helena é uma mulher fofa que tem os mesmos grilos que todas as mulheres têm com o corpo. 
Não tomo nem conhê destas coisas. O que me importa é não falar mal de ninguém. Não tenho nada com isto se uma mulher é masculina, se é magra ao extremo, se é velha, se é nova, se usa bota ou sapato de salto, se pinta as unhas, se não usa vestido, se tem pernas grossas ou finas, seios pequenos ou grandes. O que observo é se ela tem alguma coisa de boa por dentro. Porque ser bela por fora não quer dizer que é bela também por dentro. 
Quando falo que uma pessoa se acha fodona, não estou falando que ela é masculina, estou falando que ela se acha a melhor que está tendo. Considera-se superior em tudo, até na cama. Olha que cama é um trem complicado. Se não rola química sai fora que é rabo.
Pode ser a mulher mais linda do mundo. Pode ter a voz mais suave, o olhar mais doce, a pele mais macia, mas se for antipática isto sobressai nela. Não tem milagre que dê jeito.
Mulheres que olham as outras meio de lado, que julgam sem nem conhecer, que criticam debochadas, que derramam ódio e inveja, socorro! Corre que é campo minado.
Está amando uma mulher magérrima? Está feliz? Então vai fundo!
Está amando uma gordinha? Está feliz? Então vai fundo!
Está amando uma mulher negra? Está feliz? Então vai fundo!
Está amando uma mulher mais nova ou mais velha? Está feliz? Então vai fundo!
Vivam e deixem o povo falar. Porque inveja não fala sozinha, inveja sai da boca das pessoas que no geral, se não sentem despeito ou ciúme, apenas querem possuir o que vocês têm. Se não for vocês o alvo, é a mulher que está com vocês! Sendo ou não sendo, não muda nada. Quem vive pisando nos outros não tem que ser levado em conta.
Preconceito de espécie alguma é justificado. As pessoas que têm preconceito deveriam guardar para elas mesmas. Afinal, o lado ruim pode ficar bem escondido. Quem é que quer saber das neuras? Melhor disfarçar para não pegar tão mal. Porque essas pessoas são... São tão... Hum... Deixa para lá!
Bom domingo para vocês!
Astridy Gurgel
“Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa. Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação. Geralmente, são felizes à beça, mais do que muitas pessoas. Todos a querem por perto. Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário. É simpática, mas não bobalhona. É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir. Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho. Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar. Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia. Gente fina não julga ninguém – tem opinião, apenas. Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera. O que mais se pode querer? Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa. Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros. Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra. Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.”
Martha Medeiros

sábado, 23 de agosto de 2014

Sentimentos Inesperados - Capítulo 7


Na manhã seguinte, Patrícia acordou com o som do helicóptero sobrevoando a casa.
Tomou um banho e foi ao quarto ver Bruna. Ela estava sentada na cama.
Patrícia sorriu ao vê-la assim. Aproximou com o remédio comentando feliz.
- Conseguiu sentar, que bom! Você me enche de orgulho, Bruna.
- Você é que me enche... De orgulho resistindo a Samanta. – Respondeu pegando a mão dela e levando a boca. Beijou-a com carinho, fitando-a nos olhos com a expressão séria. – Ela está louca para te levar para a cama.
- Estamos isoladas aqui, é natural que ela sinta certas coisas.
- É natural que você sinta também.
- Bruna, nem brinque com isto.
- Vamos... Conversar Pat. – Pediu baixo.
- Sim. – Suspirou sentando diante dela. – O que você quer conversar?
- Não estou com ciúme, não tenho... Mais porque sentir isto. Ela não sabe que com você será diferente do que foi comigo.
- Ai Bruna...
- Ela tem uma fantasia... Na cama Pat...
- Por favor, não quero saber.
- Você tem que saber sim. – Riu pegando a mão dela. – Ela gosta de sexo anal, sabe?
Patrícia suspirou fitando-a nos olhos.
- Você não fez anal com ela! Sei que não fez.
- Não tenho nada contra, só não fiz... Porque ela nunca fez oral em mim. Se não me deu o que eu queria, também não dei o que ela queria.
- Já entendi.
- Você não entendeu...
- O que eu não entendi Bruna?
- Estou deixando tudo que eu tenho para você...
- Não vamos falar disto. Ontem você me assustou demais.
- Sinto-me melhor hoje. – Explicou recostando no travesseiro. – Não sou mais como antes e talvez não possa mais falar em algumas semanas.
- Por que você só pensa no pior?
- Não se engane. – Bruna pediu olhando o quarto. – Eu... Pedi Samanta para providenciar tudo com o advogado dela. Assinei uma procuração. Não te contei antes porque sei como você é. O apartamento já está no seu nome...
- Bruna...
- Temos que falar. – Pediu meiga. – Olhe nos meus olhos.
- Bruna, isto é doloroso demais. Eu só queria que fosse mais fácil. O que é tão importante assim para falar?
- Você gosta dela, Pat?
- Por que me pergunta isto? Eu não...
- Ela gosta de você.
- Ela mal me conhece. – Comentou com um sorriso triste.
- Não foi amor entre nós, Pat. Foi apenas paixão e desejo sexual. Você sabe que ela nunca me assumiu. – Contou triste.
- Querida, eu acho...
- Eu deixo Samanta para você. – Falou com um suspiro.
- Oh não! – Patrícia respondeu chocada ao ouvir aquilo.
- Sim! É preciso, vão ser felizes...
- Como pode dizer isto? Meu Deus, você ficou louca? Você não tem o direito de decidir isto!
- Também não quero morrer, mas vou morrer. Sei que você não está me traindo, Pat. – Explicou feliz. – Sei o quanto você é correta. É que vendo vocês desde que viemos para cá, percebi o clima.
- Não existe clima...
- Existe... Sim. Você mal olha para ela. Tenta ser forte e resistir à beleza e ao charme dela. Mas Pat, ela é deliciosa na cama. Tem os beijos mais gostosos que já conheci. Você vai conhecer o amor nos braços dela... Vai ensiná-la a se aceitar plenamente.
- Não pode decidir a vida das pessoas assim! Pensa que só porque está morrendo tem o direito de...
- Apenas sobre você, Pat. – Interrompeu puxando-a para si ansiosa. – Precisa ver mais além. Não vai viver apenas dedicando-se a caridade. Não pode cuidar de tanta gente doente, acabará pegando, você não é enfermeira, precisa cuidar de você e de sua vida. Acha que não sei por que faz isto?
- Por caridade! – Respondeu confusa.
- Não é só por caridade. É remorso por ter fugido comigo e ter deixado sua mãe naquela vida. Sempre achou que se a tivesse internado para uma desintoxicação, ela teria tido mais tempo de vida. Você era só uma garota de quinze anos na época. Como faria isto? Se fosse hoje, com a cabeça que você tem...
- Não faça isto comigo. – Pediu perturbada.
- Sabe que é verdade. – Falou apertando mais a mão dela. – Isto te corrói por dentro. Sofre por não ter feito algo por ela. Não pode mais continuar vivendo assim. Quando eu morrer, quero que pense apenas em você.
- Chega! – Pediu soltando as mãos dela desorientada.
- Pode não aceitar meus conselhos. – Falou aliviada – Mas o amor te fará ver a verdade do que te digo hoje.
- Você está delirando e sabe disto. Conhece os sintomas, sabe...
- Conheço sim, mas ainda não é delírio. Samanta será apenas sua como eu serei o seu anjo da guarda. É uma promessa, não se esqueça...
- Preciso ver o almoço...
- Primeiro o café. – Sorriu percebendo a confusão dela. – Só um pouco de leite. – Pediu meiga. – Vá, e pense... Amiga.
Patrícia voltou dez minutos depois com uma bandeja com torradas e leite quente. Serviu Bruna, e sentou olhando-a com tristeza.
- Já não pode evitar. Você pensa nela a todo instante.
Patrícia ergueu indo pegar a bandeja. Bruna segurou sua mão buscando seus olhos.
- Negue Pat!
- Eu me sinto culpada, sim! – Patrícia falou fitando-a com carinho. – Por minha mãe. Podia ter feito algo, eu acho sim que podia ter feito algo mesmo tendo apenas quinze anos. Poderia ter pedido ajuda para ela. Poderia ter falado com algum médico, ou seja, poderia ter feito e não fiz nada! Mas não é só por causa do que aconteceu com ela que faço isto. Você sabe, no fundo você sabe que me preocupo com as pessoas de verdade.
- Sei... Eu sei sim.
- Melhor que seja assim. Chame-me se precisar.

Às seis da tarde Patrícia ouviu o helicóptero sobrevoando a casa. Estava na cozinha e permaneceu lá. Algum tempo depois Samanta surgiu na porta. Patrícia observou como estava elegante, num vestido colado ao corpo.
Ela sorriu da porta, explicando ao notar seu olhar.
- Fui a um desfile. Como vão as coisas?
- Na mesma. – Respondeu sorrindo enquanto desviava os olhos dela.
- Eu trouxe os bonés. – Contou mostrando alguns que segurava sem jeito. – Acha que ela vai gostar?
- Certamente.
- Vou... Vê-la. – Comentou confusa.
- Vá sim.
Uma hora mais tarde, Patrícia estava encostada na pia com os olhos fechados quando Samanta apareceu na cozinha. Samanta parou na frente dela, olhando-a admirada. Não entendeu o que ela estava fazendo em pé ali de olhos fechados.
Patrícia abriu os olhos quando ela comentou confusa.
- Só vim pegar água. – Contou abrindo a geladeira.
- Eu ia levar água junto com o jantar.
- O que estava fazendo aí de olhos fechados?
Patrícia aproximou da mesa pegando quatro batatas com o ar muito sério.
- Estava rezando.
- Rezando?
- Sim.
- Acha que Deus vai fazer alguma coisa por Bruna?
- Certamente que vai. – Respondeu olhando-a agitada.
- Não sei não! É difícil acreditar em Deus vendo-a definhando deste jeito!
- Quando a fé enfraquece, é porque estamos fraquejando. – Respondeu com suavidade.
- Por favor, não me fale de fé e muito menos de Deus! A verdade é que este Deus deve estar bem longe daqui.
- Isto não é verdade. Deus está em toda parte.
- Tanto é verdade, que ele deixa as pessoas agonizar aqui na terra. Por isto Bruna tem tanto medo de ir para o inferno. Ela me disse que deve ter uma ala só para pessoas como ela. Acabou de me falar isto lá no quarto agora.
- Está sendo profana, Samanta! – Respondeu com delicadeza e carinho na voz. – Não se volte contra Deus, não é a solução. Se não consegue rezar, não condene quem reza. A primeira pedra pode se voltar contra você. O mundo só ficou assim porque o homem parou de acreditar em Deus. “Nada e ninguém pode interferir nos planos de Deus”.
- Acha que estou profanando o nome de Deus? – Perguntou irônica. – Deus! Quem é ele? Onde ele está que não salva Bruna? Você está sendo tola e crédula no momento errado. Não sabia que era uma católica tão devota. Não me decepcione dizendo crer com tanta fé. Se Deus fosse bom você não iria a tantos enterros! Tente não perder seu tempo, acho isto lamentável. - Finalizou deixando a cozinha.
Samanta entrou no quarto ainda trêmula. Sentou ao lado de Bruna evitando os olhos dela. Mas ela sorriu perguntando baixo.
- Brigou... Com Pat?
- Não! Só conversamos.
- Você brigou com ela por causa de Deus. Ouvi sua voz alterada com ela. – Falou calma. – Não sabe como ela ama Deus. “Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!”
Samanta olhou para Bruna completamente chocada.
- Você e Patrícia são evangélicas?
Bruna sorriu estendendo a mão e pegando a dela com carinho.
- Nós somos católicas... E antes que pergunte, sim, nós íamos à missa regularmente.
- Que coisa mais estapafúrdia! – Comentou sem se conter.
- Sim, talvez seja, no entanto, respeito sua opinião. Mas por favor, não brigue com Pat. Ela parou a vida dela para estar aqui cuidando de mim.
- Ah eu sei, sinto muito! É que ela estava lá rezando e eu não acreditei que ainda creia em Deus vendo você nesta situação.
- Pat jamais perderá a fé e se... Eu não perdi a minha é porque ela me sustenta com a fé dela.
Samanta engoliu em seco desviando os olhos sem jeito.
- Leia para mim, por favor. – Bruna pediu entregando o livro para ela. – Pat parou nesta página que tem o marcador ai.
- Está bem.
“Todos nascem e partem sozinhos, e, no meio, entre o ir e vir, iludem-se pensando que estão junto com alguém; mas você permanece só. Porque se você está só no começo e no fim, como poderia estar com alguém no meio? A mulher, o marido, o amigo, a sociedade são apenas ilusões. Você permanece só; a solidão é a sua natureza. Poderá quando muito iludir-se, ter sonhos, mas o outro será sempre o outro, não há nenhum ponto de encontro. Este é o ensino básico do budismo para tornar o homem livre.
Eis por que Buda negou até Deus; porque, se Deus existe, como você pode estar só? Ele está sempre aqui. Mesmo quando você vai ao banheiro. Ele está presente porque é Onipotente, Onipresente. Você não pode escapar Dele, onde quer que vá, lá estará Ele. É o olho cósmico, o espião cósmico, seguindo-o. O que quer que você faça, ele está vendo! É muito difícil escapar de Deus, se Ele existe, está em toda parte. Você não pode esconder-se Dele. Isto é maravilhoso se você consegue compreender...”
Quando Patrícia apareceu com o jantar uma hora mais tarde, Samanta fechou o livro colocando-o sobre a cômoda.
Patrícia elogiou o bonezinho que Bruna usava, sentando diante dela com a colher na mão. Neste instante Bruna sorriu pedindo meiga.
- Deixe que Samanta faça isto, Pat. Você precisa descansar.
Patrícia apenas sorriu, entregando a bandeja a Samanta e deixando o quarto em seguida.
Foi para cozinha e jantou devagar. Não sentia muita fome, mas sabia que precisava se alimentar. Tinha que estar forte para amparar Bruna. Quando terminou guardou as panelas e lavou as vasilhas.
Ainda estava na cozinha terminando de arrumar as coisas quando Samanta entrou com a bandeja, colocando sobre a pia.
Patrícia não disse nada. Apenas pegou os pratos, passando a lavá-los muito quieta.
Samanta caminhou até a porta, mas parou voltando-se e falando ansiosa.
- Estou ficando meio louca. Já não sei o que eu faço. Eu sonho que vou voltar e encontrar Bruna numa camisola sexy. Mas ela está morrendo! Queria poder fazer alguma coisa. Sinto-me uma inútil, uma...
-
- Já nem sei se você é forte ou se é apenas contida demais! O que sei é que não tenho em quem me apoiar! Estou completamente só e sem rumo. E Bruna acabou de me dizer que está deixando você para mim...
Seus olhos encontraram-se no silêncio que se formou. Ficaram perdidas naquele olhar até que Patrícia desviou os seus, falando baixo.
- Ela está delirando, não ligue.
- Será que está mesmo? Pareceu-me bem lúcida.
- Ela não está mais lúcida, não todo o tempo! – Explodiu angustiada.
- Mesmo assim, eu ainda me sinto sem rumo.
Patrícia pegou o pano de prato falando sem fitá-la.
- Quero que você traga o médico dela amanhã.
- Por quê? Vai interná-la?
- Só quero que ele dê uma examinada nela. Não é nada.
- Está bem. – Respondeu deixando a cozinha.
                                        Continua...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Amigas! - Por Astridy Gurgel

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Alguns momentos com Astridy Gurgel - Parte 1

Alguns momentos com Astridy Gurgel - Parte 2

sábado, 16 de agosto de 2014

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 6


Durante um mês, Samanta foi todos os dias para a casa de campo, partindo bem cedo na manhã seguinte. Ficava com Bruna no quarto, e por muitas noites, adormecia na poltrona próxima a cama. Quando isto acontecia, Patrícia entrava no quarto na ponta do pé e a cobria com uma manta, para que ela não sentisse frio.
Evitava ficar a sós com ela, porque agora Samanta não conseguia esconder o desejo que sentia. Ela estava péssima, triste e bastante fragilizada. Ali naquele lugar deserto e solitário, seria fácil deixarem-se levar pelo momento.
Bruna estava muito pior. Os cabelos estavam começando a cair, a imunidade estava cada dia mais baixa. Falava muito pouco, e quando o fazia, o som era baixo e sofrido, quase inaudível. Estava bem mais magra, o que possibilitava que Patrícia a carregasse no colo, visto que ela não conseguia mais andar sozinha. Quando tentava por pura teimosia, caía se machucando.
Mesmo assim, Samanta estava conseguindo se comportar muito bem diante de Bruna. Estava sempre sorrindo e tentando animá-la.
No último domingo daquele mês, cruzou com Patrícia na cozinha quando levantou para beber água. Ela foi até a geladeira, serviu um copo, tomou e comentou sufocada.
- Isto está me matando. Não sou tão forte assim.
- Você é sim. Vai descobrir o quanto é a cada novo dia. – Respondeu esquivando-se dela para deixar a cozinha. Mas Samanta agarrou sua mão, puxando-a contra seu corpo.
- Eu quero você, deixe-me te tocar.
- Está louca? De jeito nenhum...
Samanta a empurrou contra a parede acariciando enlouquecida os seios dela por cima da camisola.
- Ai, como eu quero acariciar seus seios...
- Pare, por favor...
- Fico excitada quando olho para você.  Sinto tanta vontade de ter você em meus braços. Não posso negar que ando tendo fantasias com você. Sofro e fico triste com isto por causa de Bruna, mas não consigo deixar de senti-las.
- Ora, se toque e deixe de ser abusada! Não tenho cabeça para isto agora e mesmo se tivesse jamais faria isto com a minha melhor amiga!
- Vai negar que me deseja? Você também tem fantasias, não tem?
Patrícia riu neste instante. Um sorriso amargo e triste surgiu em seus lábios quando ela falou.
- Tenho fantasias sim, mas no momento tenho uma amiga morrendo ali dentro. Ela por um acaso é a sua namorada! Por isto me respeite e a respeite também. Um dia quando isto acabar poderá pensar nas suas fantasias. Até lá, tente manter as mãos longe do meu corpo. Você não me conhece, mas fique certa que sou fiel até a morte! Agora me deixe em paz e boa noite!

Patrícia passou a evitar mais Samanta durante a semana que seguiu. No sábado à noite, quando entrou no quarto, percebeu o olhar dela devorando o decote da sua blusa.
Entregou a Samanta o jantar dela, sentando ao lado de Bruna para lhe dar o jantar na boca.
Bruna sorriu pedindo com a voz fraca.
- Conte a ela... Porque fugimos de “Lençóis” há... Alguns anos.
- Conte você querida. – Respondeu sorrindo e pegando a colher. Deu a primeira colherada na boca dela. Bruna engoliu pedindo novamente.
- Conte a ela... Por favor. Também quero rir. Este velório está me matando mais rápido.
- Se é tão importante, vou contar. – Patrícia decidiu colocando a colher no prato. Voltou-se para Samanta começando a falar. – Nós tínhamos quinze anos na época. Havia uma menininha loura na escola que deixava Bruna louca de desejo. Bruna mandava bilhetes, recados, e a menina não parava de esnobá-la.
- Fale das... Pernas dela. – Bruna pediu animada.
- Sim, as pernas. – Sorriu fitando Bruna com carinho. – As penas dela eram lindas! Ela usava minissaias cada dia mais curtas. Acho que estava adorando provocar Bruna. Até que um dia ela apareceu com uma minissaia tão curta que Bruna teve um ataque. Ela me disse neste dia: “Pat, eu vou agarrar essa garota hoje de qualquer jeito!”
Patrícia começou a rir acompanhada de Bruna.
- O que aconteceu então? – Samanta perguntou curiosa.
- Eu... Agarrei aquela... Safada... – Bruna contou orgulhosa.
- Agarrou? – Samanta perguntou sorrindo ao ver a felicidade no rosto de Bruna ao falar daquele assunto.
- Sim. – Patrícia respondeu fitando Samanta novamente. – Seguiu a garota até o banheiro e encheu-a de beijos na boca. A garota lutou, mas Bruna não quis nem saber. Saiu do banheiro estufando os peitos e falando orgulhosa: “Beijei a boca dela e beijei foi muito!”
- Não? E o que aconteceu depois? – Samanta perguntou atenta.
- A menina contou para a professora, para a diretora, para os pais e toda a cidade. Foi um escândalo de proporções catastróficas. O pai de Bruna ficou louco da vida quando soube. Nós estávamos estudando juntas na casa dela no dia seguinte, quando ele voltou da escola cuspindo fogo. A diretora mandou chamá-lo.
- Conte exatamente... Do jeito que... Ele falou comigo. – Bruna pediu abrindo bem os olhos.
Patrícia sorriu balançando a cabeça e fitando Samanta contando séria.
- Ele entrou e colocou o dedo no nariz de Bruna ameaçando furioso: “Muito bem, então a senhorita gosta de mulher, não é? Se sua mãe estivesse viva eu deixaria que ela te metesse a vara até te sangrar a carne. Eu não vou te bater não! Vou sair agora mesmo e vou trazer um homem para dentro desta casa. Já avisei a diretora que você vai ficar uns dias sem ir à escola. Vai ficar no quarto com ele, e vai transar tanto, mas tanto, que quando ele for embora, vai viver pelas esquinas pegando qualquer homem que ver pela frente. Vou te ensinar assim para que jamais esqueça! E se voltar a chegar perto de uma mulher eu acabo com você. Fique quieta aí que vou buscar um cabra macho para você!”
- E ele trouxe mesmo um homem? – Samanta perguntou admirada.
- Não sabemos. Nós fugimos da cidade naquele dia. Bruna estava morrendo de medo. Contei tudo para minha mãe. Ela nos deu dinheiro e nos mandou para a casa de minha tia aqui no Rio. Foi assim. Ficamos sabendo que o pai dela morreu um ano depois. Bruna conseguiu vender a casa e deu entrada no apartamento que nós dividíamos.
- Mas... Eu beijei... Aquela garota. – Bruna repetiu orgulhosa.
- Você foi muito corajosa. Sinto orgulho de você por saber disto. – Samanta comentou segurando a mão dela com carinho.
Patrícia voltou a dar comida a ela. Comeu mais um pouco e balançou a cabeça falando baixo.
- Estou cansada.
- Tudo bem. Até que comeu um pouco mais hoje. Merece um beijo. – Inclinou-se a beijando de leve no rosto, vendo as lágrimas escorrendo de seu rosto. – Hei minha garota, o que foi agora?
- Saudade... Pat... Saudade dos dias felizes e intensos. – Parou fitando Samanta com amor. – Saudades do corpo quente da minha namorada...
- Hei?
- Pat? – Gemeu agarrando o braço dela com a pouca força que tinha agora. – Eu... Quero um boné!
- Ora, um boné é a coisa mais fácil do mundo. Daremos um jeito nisto amanhã. – Sorriu acariciando os cabelos dela.
- Vou trazer uma dúzia de bonés da cidade amanhã – Samanta prometeu tentando enxugar as lágrimas que não controlava mais. – Está bem assim?
- Viu Bruna? Não chore mais. – Patrícia pediu enxugando as lágrimas dela com suavidade.
- Pat...
- Sim minha garota?
- Queria fumar... Um cigarro, você deixa?
- Você não aguenta! Pode ter uma crise de tosse.
- Só um... Pouquinho... Pat...
- Ok! Sei o quanto é valente. – Respondeu pegando um cigarro e dando para ela.
Ficou sentada diante dela, enquanto ela fumava lentamente. Na metade do cigarro, Bruna devolveu para ela sorrindo meiga.
- Pat... Não me deixe ir...
- Hei? O que foi? Venha aqui. – Pediu pegando-a no colo. Envolveu-a com carinho. Sentia o quanto Bruna apertava seu corpo com força. Com mais força do que ela costumava ter nos últimos dias.
- Não quero... Ir para o inferno. – Falou desesperada.
- Que inferno? Acha que deixarei você ir para o inferno? – Perguntou procurando os olhos dela agitada.
- Você não pode impedir... Não... Não pode. Não desta vez. Não é para onde as pessoas que tem pecado vão?
- Não Bruna! Juro que não! – Falou confusa – Quem te contou está mentira?
- Não é mentira...
- É sim!
- Não me deixe ir... Pat. – Implorou agarrando-a novamente. – Não me deixe morrer assim... Não quero vagar... Minha alma, ela...
- Não deixarei. Eu vou te acompanhar até o fim do caminho. Só vou soltá-la quando chegar à porta do paraíso. É para onde você vai. Pássaros lindos vão te acompanhar, espíritos de luz te guiarão. Estarão aguardando por você. Estarei contigo, segurando firme bem assim. – Sussurrava no ouvido dela. – Estaremos juntas todo o tempo. Não se deixe abater, minha garota. Estamos aqui para crescermos como seres humanos. Mas como tal, somos falhos, então cabe a nós aprendemos com os erros e tentarmos melhorar a cada dia. Precisamos evoluir, melhorar, crescer, superar e amadurecer. O inferno é essa vida aqui. Fora deste plano só pode existir luz e salvação. Você vai viver com os anjos. Será o meu anjo da guarda. Juro...
- Jura?
- Sim, juro de coração. Agora feche os olhos e pense no paraíso. Você pode ver ser quiser. Um longo caminho de luz. Pode ouvir o canto dos anjos. Pode ver a mão de Deus. Sonhe, sonhe meu amor...
Bruna adormeceu assim nos braços dela. Patrícia deitou-a sem a menor dificuldade, deixando o quarto sem olhar para Samanta. Saiu rápido para a varanda, descendo as escadas aos prantos. Seu coração parecia que ia explodir com a dor que estava sentindo, era insuportável ver Bruna sofrendo daquela forma. Correu entre as árvores o mais longe que pôde ir daquela casa.
Era madrugada quando ela retornou. Samanta estava na varanda à espera dela.
Olhava para ela ansiosa quando ela subiu o último degrau.
- Estava preocupada. Já ia te procurar.
- Estava andando um pouco. – Respondeu baixo. – Preciso de um drinque.
Entrou indo direto ao bar. Samanta a seguiu falando emocionada.
- Foi maravilhoso o que você fez. O amor que vocês sentem é límpido, puro. A forma como acalmou e a fez dormir em seus braços. Como consegue? Como consegue ser tão forte? Você não chora, não...
- Eu choro por dentro, choro a todo instante quando os olhos dela não me alcançam. Choro pela dor que ela está sentindo. Tanto a dor causada pela doença, como também pela partida tão precoce que lhe foi sentenciada. Choro pela perda iminente. Eu sofro! Sofro muito. – Respondeu com os olhos marejados buscando os olhos dela.
- Patrícia, eu a admiro demais. Eu não sabia que ainda existiam pessoas como você neste mundo. As coisas que eu sinto, a imensa admiração, não consigo colocar em palavras. Sinto-me tão ligada a você. Tão próxima que temo por meus sentimentos. Eu quero que você saiba que me odeio por ter feito Bruna morar sozinha. Fui egoísta e mesquinha! Fui cruel demais separando vocês duas. Se você puder me perdoar algum dia. Separá-las! São como irmãs. Como fui injusta com vocês. Tenho uma dívida imensa com você...
- Não tem não.
- Tenho sim e reconheço quando erro.
- Erramos sempre, esqueça! Não guardo rancor, nós nunca deixamos de nos ver. Eu teria feito qualquer coisa para ver Bruna feliz. E ela foi feliz! É o que importa! – Cortou bebendo o drinque devagar. – Você não me deu mais notícias sobre o advogado que ia cuidar do meu caso com as agências.
- Realmente, mas foi tudo resolvido. Não vão processar você. Paguei as quebras de contratos.
- Eu te devo muito?
- Nada me deve.
- Claro que devo. Posso fazer alguns desfiles para pagar a dívida.
- Você é muito orgulhosa.
- Sou justa e honesta! Se eu devo, pago!
- Não coloque preço em nossa amizade, quero ser sua amiga.
- Mesmo assim, farei os desfiles. Não gosto de dever favores.
- Teme que eu te cobre mais tarde? – Perguntou com os olhos brilhando intensamente.
- É natural tudo que você está sentindo. Estamos sozinhas, sensíveis e carentes. – Patrícia falou dando a volta no bar, enquanto acendia um cigarro pensativa. – Isto me faz imaginar como era a sua vida antes de Bruna. Você teve muitas mulheres?
- Tive algumas, mas foi apenas sexo. Eu ainda era uma modelo e as mulheres, graças a Deus, eram discretas. Depois me apaixonei por Bruna e sempre fui fiel a ela. Talvez você não entenda o que eu sinto agora. Você me acha muito egoísta, não é mesmo?
Patrícia sorriu falando com naturalidade.
- É claro que você é egoísta! O bom é que você admite. O melhor caminho para mudarmos é admitindo nossos defeitos. Você ficou aqui me esperando, porque quer transar comigo. – Falou percebendo a falta de jeito de Samanta diante dela. – Talvez, em outra situação eu poderia considerar isto. Mas agora, com Bruna morrendo, só consigo sentir desprezo pelo seu desejo. Tenho vivido uma vida correta. Sei que tenho defeitos e pecados. Porém, tenho princípios. Não me deito com ninguém, porque não amo ninguém. O sexo e amor são uma coisa só. Um sem o outro são incompletos. Só porque você quer não vai acontecer! Na minha vida nada é incompleto! Se você quer que eu te respeite, esqueça isso. Eu não estou nada bem. Você acha que sou forte e não entende. Não é tão simples. Devemos dormir e esquecer todo o resto. Para mim, só Bruna tem importância agora. Boa noite!
                                      Continua...

Apaixonada ou não?


Título: Apaixonada ou não?
Chamada: Paixão vem e vem sem explicação.
A manhã suave chegou com a carícia das suas mãos pelo meu rosto. Não pensei quando estava em teus braços. Não fiz perguntas para entender se estava feliz ou não. Acredito que estava feliz, pois acordei animada. Acordei sorrindo.
Foi durante o café da manhã que pensei nos meus sentimentos. Estou apaixonada ou não? Que perguntinha difícil. Afinal como que se sabe se está apaixonada ou não?
Parece que esqueci como soube das outras vezes.
Resposta, resposta, resposta?
Não consigo saber! Talvez essa felicidade e estes sorrisos diários sejam a resposta. Para quê saber além disto?
Creio que não quero mesmo saber. Sim e não! Então, o que estou vivendo com ela? Esta parte é engraçada, afinal nem ela sabe. Eu que vou saber?
Isto parece coisa de gente perdida que não sabe o que está fazendo. Não sabe o que está vivendo. Mas se continua é porque está gostoso.
Não é assim que começam todas as histórias? Os romances? Os namoros, noivados e o casamento?
Relacionamentos começam depois de um encontro. Na praça, no Shopping, no barzinho, nas redes sociais, não importa onde. Importa o primeiro olhar, o momento em que se escuta o som da voz. Em seguida os sentidos vão sendo despertados.
A partir daí acontece a entrega. Só depois que a dúvida começa a assolar. A dúvida se é paixão ou não.
Essa busca de explicação para os sentimentos é comum de todos os dias. É comum de cada uma. É comum para saber se está apaixonada ou se deixou de estar apaixonada.
A paixão é privilégio de algumas. Nem todas querem apaixonar-se. Muitas acreditam que a paixão leva a dor e quem quer sofrer? A verdade é que a paixão chega a nossa vida quando menos esperamos. Não temos escolha. Não temos como fugir. Ou vivemos ou amargamos sufocando a paixão.
E não, a paixão não depende do romantismo. A paixão não depende de nada. A paixão só precisa de dois corações. Duas pessoas e são elas que vão criar uma infinidade de facilidades e dificuldades para que ela exista.
Não saber se está apaixonada não é um problema. A paixão não tem necessidade desta certeza para ser vivida. A paixão tem liberdade própria. De vir e de ir.
Independente da resposta, a sensação é tão deliciosa, tão intensa, que o sim ou o não, não faz tanta diferença.
Uma perguntinha agora para vocês. Como vocês sabem que estão apaixonadas?
Tenham um excelente final de semana.
Astridy Gurgel
“Nenhuma paixão pode, como o medo, tão efetivamente roubar o espírito da capacidade de agir e pensar.”
Edmund Burke
Texto postado no Parada Lésbica em 15/08/2014