sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Recolher os Cacos!


Chamada: Da pegação para a desilusão.
Boa tarde, moças!
Após o último texto do ano passado, estou voltando para conversar mais com vocês. Agradeço a todas que fizeram contato para aprofundar sobre alguns temas que abordei nos textos postados por aqui.
Quase dois meses se passaram e muitas coisas devem ter mudado na vida de muitas. Aquele relacionamento que começou pode ter dado certo ou decepcionado. Outros podem ter terminado ou melhorado. É, faço algumas ideias.
Vocês já devem ter percebido que estamos em tempos de correria e os relacionamentos entraram também na dança da correria.
Existem muitas mulheres disponíveis para relacionamentos. Acredito que a maioria deseja relacionar, namorar e casar. Outras apenas transar. As que estão amando estão curtindo a felicidade tão sonhada.
Já as carentes e solitárias continuam quase colocando os corações a mostra.
Toda mulher é carente. Aliás, o ser humano em si é carente. Vocês podem discordar, acho até legal se discordarem assim não teremos que pensar igual, como é certo que jamais pensaremos igual.
É natural da mulher essa carência mesmo quando nem ela percebe. Por isto quando algumas ficam falando que são carentes e solitárias estão jogando conversa fora, já que isto é algo que a maioria sente ou sabe (Risos).
Quando uma pessoa quer passar uma imagem boa, o ideal é que não passe a imagem de coitadinha. Quem gosta de coitadinha? Não dá! Então ficar falando:
Não dou sorte no amor, preciso de uma mulher sincera, fui iludida, meu coração está aos pedaços, quero ser amada e amar muito...
O que é isto? É brincadeira? Para que isto se quando aparece uma mulher a realidade é bem diferente? A tal da carência desaparece. A tal solidão não existe. Não valoriza. Aproveita o coração aos pedaços para despedaçar o da outra. Acabam traindo! Esse trem de trair é tão feio. Olha que traição chama traição.
Mulheres são impressionáveis e algumas são crédulas demais. A pessoa afirma uma coisa e à outra mergulha de cabeça. Mergulho de cabeça é danado porque o azulejo que compõe o fundo da piscina é duro e machuca.
Quantas já se machucaram por acreditarem em tudo que leram ou ouviram? Vamos ser francas! Dá para economizar um pouco da ingenuidade.
Vocês locam um filme em uma locadora pela capa ou leem a sinopse antes?
Se forem paquerar e tiver uma mulher gorda e uma magra qual das duas vocês preferem?
Observem bem como vocês fazem as escolhas. É a capa que importa. A maioria olha a capa.
Quem escolhe a mulher magra não escolheu a gordinha por medo ou insegurança. Sabe por quê? Na cabeça rolam várias ideias mais ou menos assim:
Será que a aguento em cima de mim? Vai dar para fazer 69? Meu corpo vai encaixar bem no dela? Aposto que cansa rápido. Será que dou conta de satisfazê-la?
Perceberam a insegurança, o medo e o preconceito? As pessoas temem o que não conhecem. O desconhecido assusta. É preconceito sim! Tanto que centenas de pessoas que transam com gordinhas não contam para ninguém. Não preciso falar mais nada, né?
A questão é muito séria. Olhar para uma pessoa imaginando como será na cama sem si quer supor outros detalhes é valorizar apenas o lado sexual. Não é só sexo que buscamos em uma mulher. Uma mulher é um mundo de sentimentos, sensibilidade, complexidades, intensidades, surpresas, esperanças, sonhos, qualidades e também defeitos.
Moças? Mulheres são de carne e osso. São frágeis! Vocês são frágeis. Por que usar? Machucar? Iludir? Brincar com sentimentos? Meu Deus! Quanta facilidade para trocar de parceiras sem importar com o estrago que causam. Nossa! Fico abismada com tudo que vejo.
Quem vai recolher o caco que essas pessoas viram? Ok! Sei que cada uma é responsável pelo que vive, por suas más escolhas, pelos desenganos e desilusões, mas poxa! É por isto que a fila das desiludidas aumenta a cada dia.
Quando vão escolher uma mulher é a aparência que conta para a grande maioria. Vão pelo exterior. Ouvimos muito falar sobre isto. O importante é o que a pessoa tem por dentro. Sim, mas nem sempre! Existem mulheres lindíssimas que são vazias.
Ver filmes ou ler livros porque a capa é bonita é muito comum. No caso do livro nem faz tanto mal, afinal só de estarem lendo já é um grande acontecimento (Risos).
Na real existem muitas que ainda acreditam no amor. Que estão na encolha esperando que aconteça. Assistindo o bacanal da carne, incrédulas. A coisa descambou de tal forma que até as esperanças ficaram abaladas.
Viver o que se quer e gosta desiludindo pessoas é muito egoísmo. Nós lidamos com seres humanos. Nunca vou entender porque as pessoas colocaram na cabeça que podem usar e descartar as outras.
Não estou delirando. Estou falando muito sério. Talvez esteja falando de um tempo que foi esquecido. O tempo que o amor era importante. Que as pessoas se apaixonavam, que eram românticas, que respeitavam um pouco mais as outras, que sonhavam com relacionamentos sérios. O tempo que a pegação existia, mas era raro. Que apenas ouvíamos falar, mas não era nossa realidade nem estava a nossa volta.  
Perdoem se assusto vocês com estás colocações. Estou certa que não vou acordar o mundo nem mudar ninguém. Só espero que atentem para o que estão vivendo. Que pensem que existem muitas mulheres que desejam viver uma relação verdadeira. Ainda existem corações vazios esperando por um sentimento que poucas sabem reconhecer, amor!
O mundo gira e vocês vão querer recolher os cacos?
Astridy Gurgel
Texto postado no Site Parada Lésbica em 20/02/2015. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mariza - Chuva. - Por Astridy Gurgel.

Sentimentos Inesperados. - Parte 28.


Patrícia chegou à casa de Carmem arrasada. Ao ver que estava chorando, abraçou-a preocupada.
- Patrícia? O que aconteceu?
- Contei para Samanta... Graças a Deus contei e foi muito doloroso.
- Venha, vamos sentar na sala. Imagino que não deve ter sido fácil. Sinto tanto meu amor.
Sentaram na sala com Patrícia ainda chorando muito. Carmem a puxou para seus braços acariciando os cabelos dela enquanto ela chorava.
- Ela disse tantas coisas pesadas.
- Faço ideia.
- Não posso culpá-la, eu mereci ouvir tudo aquilo.
- Você não precisa se julgar tão severamente. Você errou sim, mas aconteceu. Precisa se perdoar. Precisa perdoar Samanta também. Não devem guardar mágoas. Mágoa dói demais.
- Eu sei Carmem. – Patrícia admitiu passando as mãos no rosto enquanto saia dos braços dela. – Parecia que eu sabia tudo que iria acontecer. Como ela iria reagir. Quis tanto dar um abraço nela. Sabe, para confortá-la?
- Sim, eu sei.
- Pois é só que ela não permitiu. Sei que não está errada. Está no direito dela. Pensei que poderia, devia estar louca acreditando em algo assim. Eu a trai feio. Ninguém perdoa uma traição. Preciso tirar essa sensação horrível de dentro de mim. Está pesando tanto, tanto, meu Deus Carmem! Não sei o que fazer. Realmente não sei como ajudar Samanta neste momento. Quero ajudá-la. Quero muito. Apenas não sei como.
- Não acha que primeiro precisa ajudar a si mesma? Como pode ajudar Samanta sentindo tanta culpa? Como pode querer passar algo de positivo para ela se você não está bem?
Patrícia fitou Carmem confusa neste instante.
- Acha que estou me fazendo de vítima? É isto Carmem?
- Não Patrícia, claro que não! Só estou tentando te animar...
- Me animar? Você não percebe como estou? Não adianta falar, sabe por quê? Só estando na minha pele para sentir o que estou sentindo.
- Eu sei Patrícia. Estou tentando te ajudar. Sei que está sensível. Deixe-me te abraçar. – Carmem respondeu puxando-a para seus braços carinhosa.
- Tudo bem. Terei que enfrentar essa situação sozinha. Preciso ir para o ateliê. Tenho um contrato assinado e não posso misturar os assuntos.
- Não deve misturar mesmo. Talvez ela também não misture.
- Deus te ouça!
- O almoço já será servido. Você almoça comigo e aproveita para se acalmar. As coisas vão chegar nos eixos.
- Não estou com menor fome. Obrigada pela força. Bem que dizem que na hora de fazer é gostoso. Depois olha as consequências. – Patrícia deu um sorriso percebendo o olhar de censura de Carmem. – Ok! Vou tentar me animar um pouco. Não quero ficar tão para baixo.
- Está tudo bem Patrícia. Acho normal você estar devastada. Só quero que você reaja. Não dá para controlar todas as emoções, mas dá para tentar não se entregar tanto. Você já previa essa reação dela. Agora tem que digerir e se fortalecer novamente.
- Não sabia que você era tão prática. – Patrícia respondeu se erguendo.
- Acha errado que eu seja prática? 
- Não acho errado. Sei separar minha tristeza do meu erro. Não pretendo supervalorizar essa dor. Aconteceu hoje e sei que com o tempo isto tende a amenizar. Independente do que Samanta sinta decidi ficar com você. Não nego que quero muito ser amiga dela porque gosto dela. Quero que ela fique bem e que supere o mal que lhe fiz. Não posso fingir que não existirão consequências. Samanta vai me julgar. Sandrine, as modelos e mãe dela também. Vai ser uma fofocada insuportável no ateliê. Nunca liguei para a inveja que algumas modelos demonstram sentir, mas... 
- Patrícia? Somos pessoas diferentes. Graças a Deus, porque se fossemos iguais não teríamos nos apaixonado. Quer saber a verdade? O mundo está pouco lixando para o que acontece na sua vida, na de Samanta ou na minha. Quem ficar sabendo vai sim nos julgar até as últimas consequências. Por quê? Porque julgar é o que as pessoas sabem fazer de melhor. Julgam com o maior prazer. Acontece que não podemos viver para agradar as pessoas. Temos que viver da melhor forma possível para agradar a nós mesmas. Acha que estou sendo egoísta? Se achar vou te entender. Acontece que quando eu não tinha nada ninguém nunca se importou comigo. Por isto aprendi a não me importar com as pessoas acham. Porque elas são EGOÍSTAS e só pensam nelas mesmas. Tente ficar bem porque ninguém realmente liga se você está numa boa ou numa pior! Só se importam em julgar os seus atos! Entendeu agora o que estou tentando dizer meu amor?
- Entendi sim e você tem toda razão. Vou evitar ficar pensando nestas coisas. Só quero um abraço. Depois ficarei te olhando almoçar. Realmente estou sem fome.
- Certo! Você vai ganhar muitos abraços. – Carmem respondeu envolvendo a cintura dela. Beijou seu rosto e depois acariciou seus cabelos. Manteve Patrícia presa em um abraço reconfortante. Depois afastou o rosto olhando-a nos olhos com atenção. – Está se sentindo um pouco melhor?
- Sim. Estou sim. Você me acalma.
- Que bom. Então me diga uma coisa. Já que não quer almoçar você promete que toma um copo de suco de laranja ou um copinho de leite? Por favor, faça isto por mim. Se fizer ficarei mais tranquila.
Patrícia sorriu da expressão dela respondendo para agradá-la.
- Tomarei um copo de suco de laranja para te deixar mais tranquila.
- Obrigada amor! Então vamos dar uma olhadinha no que tem para o almoço. Está cheirando tão gostoso!
- Está mesmo. – Patrícia concordou indo com ela para a cozinha.
O método de Carmem para convencer Patrícia a comer alguma coisa levando-a até a cozinha não funcionou. Ela tomou apenas o suco de laranja. Conversaram mais um pouco. Trocaram mais um longo abraço e Patrícia seguiu para o trabalho.

Patrícia chegou ao ateliê às duas da tarde como era de costume. Percebeu na hora como as modelos estavam todas silenciosas. Na verdade elas pareciam estar muito assustadas. Viu como elas a olharam disfarçadamente.
Aproximou de Sandrine perguntando baixo.
- Está tudo bem por aqui? Aconteceu alguma coisa? Estão todas com uma cara muito estranha.
- Aconteceu sim e ainda bem que você chegou. Já ia te ligar. Samanta passou muito mal há pouco. Chamei um médico porque ela ficou muito estranha. O médico acabou de sair da sala dela.
- O que aconteceu? – Perguntou levando o maior susto.
- O problema foi no coração.
- No coração? Mas... Ela não deveria ter ido para um hospital? Sandrine? Agora você me assustou demais!
- Calma! De nervosa aqui já basta Samanta, não acha?
- Oh! Sim! Você tem razão. Vou ver como ela está. Espero que queira falar comigo.
- Ela quer sim. Quando começou a passar mal pediu para ligar para você.
- Que bom! Vou até lá.
Patrícia entrou rapidamente na sala. Samanta estava sentada com a cabeça apoiada no encosto da poltrona. Abriu os olhos ao vê-la aproximando.
- Oi Pat. Desculpe ter mandado te chamar. – Ela justificou estendendo a mão e tocando a dela de maneira ansiosa.
- Não tem problema. Já estava mesmo vindo para cá. O que foi Samanta? Sandrine contou que passou mal. Está se sentindo um pouco melhor?
- Não sei, fiquei com falta de ar. Comecei a suar frio e bateu uma fraqueza horrível. Quase perdi os sentidos.
- O que o médico te falou?
- Ele disse que eu devia ir para casa e descansar. – Respondeu inconformada.
- Fique calma e me conte se está se sentindo um pouco melhor. – Pediu passando a mão nos cabelos dela preocupada.
- Não sei. Sinto-me atordoada. Não te contei, mas a verdade é que fui para Nova Iorque para tratar do coração. Fui fazer exames e ver o que está acontecendo com ele.
- Por que não me contou? – Perguntou surpresa.
- Não queria que ficasse com pena de mim. A verdade é que as probabilidades de alguém enfartar na minha idade são mínimas. Ao menos eram mínimas. Voltei sabendo dos riscos que estou correndo. Recomendações de uma vida tranquila, sem contrariedades, sem... Ah, você sabe! Como se fosse possível viver assim com um coração doente.
- Coração doente? Fui a culpada por você passar mal. Sinto muito por isto. Acho melhor irmos agora mesmo a uma clínica especializada para que você faça outros exames. Assim ficarei mais tranquila.
- Estou melhor, só preciso me acalmar.
- Vai se acalmar cuidando da sua saúde. Vamos agora, porque não vou te escutar. Não fiz tudo que poderia ter feito por minha mãe porque não tinha recursos, mas por você vou fazer. Vamos e vamos agora!
Patrícia arrastou-a para uma clínica especializada em problemas cardíacos. Realmente ela teve um princípio de enfarte. O médico resolveu que ela devia ficar internada para que fizesse todos os exames necessários.
Assim que chegaram ao quarto, Samanta perguntou chateada.
- Para quê todo este exagero Patrícia? Tenho que tratar deste problema sim, mas não quero ficar internada. No fundo você só quer que eu fique aqui para transar à vontade com aquela mulher...
Patrícia a olhou por um segundo sem se alterar, pois estava certa que ouviria coisas deste tipo. 
- Não vou sair daqui Samanta. Ficarei do seu lado até você receber alta desta clínica.
- Ah é? Sua amante vai te esperar sem reclamar?
Patrícia ajudou-a a deitar sem responder a pergunta indiscreta. Depois sentou olhando-a com um ar carinhoso que enterneceu o coração de Samanta.
- Não vou negar que estou mais tranquila por você estar aqui comigo, mas quando me olha assim meu coração dispara na hora.
- Para você ver como te estimo.
- Estima, mas me traiu! Aproveitou que eu viajei para levar outra para sua cama. Você dormiu com outras mulheres além dela?
- Se sou uma rameira provavelmente devo ter dormido com todas. É exatamente isto que você colocou na sua cabeça. Sinal que não me conheceu realmente. – Patrícia respondeu muito tranquila. – Você não deve ficar agitada.
- Se te magoei você sabe que foi porque fiquei enlouquecida de ciúmes.
- Não farei isto Samanta. Não vou trair você nunca mais. Porque vou seguir a minha vida e você a sua.
- Sei que você me trocou por ela.
- Não é hora para essa conversa, por favor! Agora feche os olhos e descanse. Precisa ficar quieta.
Samanta sentiu uma dor forte cortando seu peito neste momento.
Olhou para Patrícia pedindo baixo.
- Chame os meus advogados...
- Samanta? – Patrícia gemeu pegando a mão dela apavorada. – Você está me assustando...
- Não vou fechar os olhos enquanto não falar com meus advogados. Por favor, chame-os de uma vez. Ligue para Sandrine que ela comunica com eles.
- Ah meu Deus! Vou ligar para Sandrine com deseja, mas vou conversar com o médico agora mesmo! – Patrícia respondeu saindo rapidamente do quarto.
Ligou logo para Sandrine que informou que tomaria todas as providências. Em seguida Patrícia procurou o médico apavorada. Ele a encarou ouvindo atentamente.
- Doutor? Samanta está sentindo dor de novo. Sente fortes dores no peito. Não estou acreditando que esteja sofrendo tanto estando aqui. O Senhor já sabe que foi aos Estados Unidos fazer exames no coração...
- Se o estado dela não fosse tão grave ela não estaria internada aqui senhorita.
- Ora, mas o senhor falou em uma bateria de exames. Achei que...
- O coração dela está doente.
- Já sei disto! Doutor pelo amor de Deus! Isto aconteceu porque ela teve uma grande contrariedade?
- Creio que não! Lamento informar, mas pelo exame inicial o risco de enfarte não é o único risco que ela corre. O coração apresenta uma debilidade. Melhor dizendo, uma disfunção bastante grave. Infelizmente só posso dizer que estamos fazendo todo o possível para mantê-la confortável...
- Espere ai doutor! Mas o que é isto? Mantê-la confortável? O senhor tem que fazer alguma coisa! Tem que operá-la! Tem que tentar qualquer procedimento. O senhor é louco por acaso? Tem que salvá-la! Tem que curar o coração doente dela logo se tiver alguma chance de cura. Ela só tem vinte e nove anos...
- Calma senhorita, as coisas não são tão simples assim. Os exames já serão feitos agora...
- Ela terá que ser operada doutor?
- Se ela tiver que ser operada será por outro médico...
- O quê? Por que este médico já não está aqui?
- A senhorita me dê licença, pois preciso iniciar a bateria de exames. – Respondeu afastando-se rapidamente para o quarto onde Samanta estava com duas enfermeiras.
Patrícia saiu desnorteada para fora da clínica. Sentou num banco começando a chorar desorientada. Sua cabeça estava a mil. O que estava acontecendo? Deus estaria lhe castigando por ter feito amor com Carmem? Estaria levando a vida de Samanta porque estava apaixonada por Carmem? Não podia acreditar! Samanta parecia ser tão saudável. Como podia de uma hora para a outra ter uma disfunção no coração? Talvez fosse operada. Sua mãe sempre dizia que quando abriam uma pessoa não era nada bom.
Quase uma hora depois viu os advogados de Samanta entrando rapidamente na clínica. Não conseguia parar de pensar nem de chorar. Seria culpa sua? Estava certa que era sua culpa. Era a culpada pelo enfarte dela. Aquela decepção foi demais para o coração doente de Samanta, mas não sabia daquela doença...
Neste momento sentiu uma mão tocando seu ombro. Ergueu a cabeça vendo Sandrine olhando-a penalizada. Ela falou baixo num tom amigável.
- Você precisa ser forte, não é sua culpa. Não fique se penalizando.
- Ela passou mal depois que eu disse que estava apaixonada por outra mulher.
- Há seis meses que ela estava fazendo exames e cuidando deste problema. Ela sabia dos riscos que corria. Ficou enlouquecida quando soube e foi à doença de Bruna que a fez deixar de lado. Depois apaixonou por você e mergulhou de cabeça. Ela só queria viver toda a felicidade com você.
- Mas porque você não me contou Sandrine? Como pôde esconder isto de mim?
- Por que Samanta não te contou? É isto que devia se perguntar. Desculpe Pat, mas não podia contar. Samanta jamais me perdoaria. Sinto muito, sinto mesmo!
- Oh meu Deus não me castigue assim! Não faça, por favor, não faça novamente isto comigo!
- Calma! – Sandrine pediu puxando-a para seus braços tentando confortá-la. – Você precisa ser forte porque Samanta precisa de você. Estão tratando dela e talvez ela tenha uma chance.
- Preciso ser forte sim, muito forte! – Respondeu caindo novamente no choro desesperado.
Meia hora depois Patrícia entrou no quarto junto com Sandrine.
Samanta estendeu a mão para ela com um sorriso nos lábios.
- Vou ficar bem Patrícia, não faça essa carinha triste.
- Claro que vai. – Sorriu abraçando-a cuidadosa. Puxou-a para junto de seu corpo procurando seus olhos ansiosa. – Não faça isto comigo Samanta. Não suporto perder mais ninguém em minha vida.
- Ah Patrícia você está apaixonada por outra mulher. Isto me mata de tristeza.
- O que importa é que você fique boa. Você será feliz e encontrará alguém que te ame muito ainda. Não somos donas do nosso coração. Ele nos pertence, mas não aceita nossas vontades. Lamento que tudo tenha mudado. Apaixonei por Carmem sem me dar conta. Isto não quer dizer que não deseje que você seja feliz. O que mais quero é te ver feliz e bem de saúde. O aparecimento desta sua doença me deixou arrasada.
- Você jamais saberá o quanto eu te amo. – Samanta falou fitando Sandrine neste instante. – Preciso de papel e caneta, por favor, Sandrine.
Sandrine abriu a bolsa passando um bloco e uma caneta para ela.
Samanta começou a escrever, falando enquanto o fazia.
- O momento exige praticidade. Tenho muito dinheiro fora do país. Quero que o pegue antes que algo me aconteça...
- Não diga isto nem brincando...
- Escute Patrícia! Preste muita atenção. – Interrompeu olhando-a seriamente. – Você já lidou com a morte muito melhor do que está lidando agora. Pegue este papel e transfira o dinheiro para uma conta em seu nome. Se eu morrer não vou deixar todo este dinheiro perdido por aí. Você saberá o que fazer com ele. A minha mãe está presa naquela cadeira de rodas e não pode me ajudar. Vá também a minha casa, coloquei a combinação do cofre que está no meu quarto também. Retire todo o dinheiro e as joias de lá e alugue um cofre em seu nome em um banco. Meus advogados foram cuidar do resto que precisa ser resolvido em cartório. Se eu não morrer você poderá me devolver tudo que estou te entregando agora. – Sorriu olhando-a carinhosamente. – Agora vá com Sandrine e faça tudo o mais rápido possível.  
- Samanta? Não dá para ser tão racional nesta situação. Eu...
- Sendo racional ou não é preciso fazer isto o quanto antes, então faça!
- Meu Deus! – Patrícia gemeu sem conseguir parar de chorar.
- Agora! Faça as transferências, pegue as joias e o dinheiro. Só volte aqui depois de fazer tudo isto. Seja prática!
“Seja prática!” Aquelas duas últimas palavras foram para se tivesse levado um choque. Patrícia secou o rosto pegando a bolsa na hora. Olhou para Samanta avisando decidida.
- Está certo! Vou fazer tudo agora. Não vou demorar.

Sandrine foi com Patrícia até a casa de Samanta. Depois foram para o banco onde alugaram o cofre e transferiram todo o dinheiro da conta no exterior para a conta de Patrícia. Depois foram para o ateliê. Lá Sandrine comentou experiente.
- Você terá que declarar todo este dinheiro em seu imposto de renda se ficar muito tempo em seu poder.
- Eu sei. Não quero pensar em nada disto agora. Estou completamente perdida.
Sandrine balançou a cabeça desolada.
- Espero estar errada, mas quando a pessoa sente a morte chegando é...
- Nem complete o que está pensando em falar, por favor! Não quero que ela morra. Isto não! Eu tenho esperança. Tenho muitas esperanças.
- Estou rezando muito para que ela se recupere bem.
- Reze sim! Vou voltar para o hospital. Já fiz tudo que ela queria. Vou ficar do lado dela. Não me perdoarei se acontecer algo e não estiver lá.
- Patrícia? – Sandrine a chamou quando ela abria a porta.
- Oi? – Ela respondeu voltando-se para ela.
- Nada disto é culpa sua. A vida é um mistério e nos surpreende quando menos imaginamos. Você tem uma carreira brilhante pela frente. A lista das melhores modelos do ano saiu essa manhã e você está entre elas. Procure ser forte porque você não pode mudar o destino. Ninguém pode! Irei para o hospital à noite. Talvez você precise sair um pouco para refrescar a cabeça. Imagino que a sua amiga ainda não saiba sobre o que está acontecendo. Agora vá! Boa sorte!
- Obrigada Sandrine. Tchau! – Respondeu saindo rapidamente do ateliê.
                                  Continua... 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Reza. - Por Astridy Gurgel

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Encontro com Gasparetto 21 - Mágoas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Segundo vídeo excluído do You Tube.

video

"Com relação à sua conta: Astridy Gurgel
A Comunidade do YouTube sinalizou um de seus vídeos como inadequados. Quando um vídeo é sinalizado, ele é revisado pela Equipe do YouTube com base nas Diretrizes da comunidade. Mediante análise, determinamos que o vídeo a seguir têm conteúdo que viola essas diretrizes e foram desativados:
"Duas Mulheres Apaixonadas! - Por Astridy Gurgel" (http://youtu.be/_6nXNvqKYX0)
O YouTube não é o sítio indicado para nudez, pornografia ou outro conteúdo sexualmente provocante. O YouTube abre exceções limitadas para contextos educacionais, documentais, artísticos e científicos apropriados, mas apenas em circunstâncias limitadas em que o objetivo da publicação é claro e a nudez existente não tem cariz sexual.
Para obter mais informações sobre as Diretrizes da comunidade do YouTube e saber como elas são aplicadas, acesse a Central de Ajuda.
Observação: excluir este vídeo não cancelará o aviso em sua conta. Para mais informações sobre como contestar um aviso, acesse esta página na Central de Ajuda.
Atenciosamente,
Equipe do YouTube."

Vídeo com 247.256 visualizações.
Gostei 451
Não gostei 97

“A perseguição começa quando você constrói em pouco tempo, o que o invejoso demorou a vida toda para tentar construir.”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sentimentos Inesperados. - Capítulo 27.


Patrícia suspirou olhando para Carmem alguns minutos depois. Ela estava com os olhos fechados, mas tinha um sorriso nos lábios.
- Está sorrindo?
- Estou sim meu amor. Estou muito feliz por estar nos seus braços. – Carmem respondeu virando o rosto para olhá-la nos olhos. – Não sei quanto tempo essa felicidade irá durar. Não quero nem pensar nisto agora. Estou tão cheia de você. Tão completa, mas eu sei que você não é totalmente minha. Tenho que deixar isto claro para eu mesma porque sei que ultrapassamos a barreira do que é correto e decente. Não vou falar que não tenho consciência que te seduzindo e tentando te levei a trair sua namorada. “Não cobiçarás a mulher do teu próximo.” Cobicei você mesmo sabendo que estava cometendo um pecado. Tenho a plena certeza que se alguém se atrever a me condenar enfrentarei de cabeça erguida. Sou dona dos meus atos. Quando o padre passou a me dar forças para aproximar de você me perguntei se ele havia se esquecido deste mandamento de não cobiçar a mulher do próximo. Não o questionei, afinal ele é um padre. Um homem de Deus. Apenas deixei meu coração me guiar. Errando entrei na sua vida. Errando estou aqui em seus braços agora. Se Deus não me perdoar eu acabarei por me perdoar. Porque eu te amo. Amo muito Patrícia.
- Por estar aqui com você não posso negar o quanto estou feliz porque é isto que passei a querer. Sei que estou agindo errado. Estou tentando encontrar coragem para contar a verdade para Samanta. Ela não merece isto.
- Ninguém merece ser traída. Trair é fazer a pessoa de boba. É conspirar contra ela. É terrível! Meu Deus! Desculpe por falar isto para você. É realmente o que eu penso.
- Tudo bem Carmem. É isto mesmo. Você está certa. Cada ato da gente tem um preço. Pode estar certa que estou tentando encontrar uma maneira de olhar para Samanta e contar a verdade.
- Conheço você pouco, mas estou certa que você vai contar sim. Vamos mudar de assunto antes que fiquemos tristes. Estou faminta. Será que podemos sair para comer alguma coisa? Você quer?
Patrícia olhou para ela dando um lindo sorriso.
- Está me convidando para jantar fora?
- Estou sim. O que acha? Se não for te causar problemas, é claro!
Patrícia sentou na cama dando um longo suspiro.
- Os problemas já existem, mas agora o problema é matar a nossa fome. Vou tomar um banho e aprontar para você.
- Aprontar para mim? Puxa que honra!
- Na verdade o certo seria que fizesse isto para Samanta, mas começo a pensar que devo evitar de falar o nome dela quando estiver com você. Porque agora gosto da pessoa que quero estar.
- Está dizendo que gosta de mim?
- Estou sim Carmem! Estou gostando cada vez mais de você. – Respondeu mandando um beijo para ela enquanto deixava a cama a caminho do banheiro. – Já volto.
Quando Patrícia voltou muito bonita para o quarto. Carmem saltou da cama beijando-a nos lábios e correndo para o banheiro.
Após um banho rápido foi para o quarto se vestir tranquilamente. Então sentou na cama admirando Patrícia orgulhosa.
- Você é mesmo muito bonita, sabia?
Patrícia sorriu a fitando pelo espelho. Seus olhos demonstravam carinho neste instante. Ela estava terminando de maquiar os olhos.
- Obrigada.
- Por um lado até entendo os ciúmes da sua namorada.
- Eu não! Sabe por que não entendo? Nunca tinha olhado para outra mulher com interesse. Até um cego teria percebido que só tinha olhos para ela. Então ela apareceu naquele baile. O comportamento dela, o ciúme sem o menor motivo, o descontrole e a vergonha que me fez passar foi demais. Perdoei, mas não esqueci! Depois daquele baile só eu sei o quanto tenho pensado e pesado a minha vida. O meu relacionamento com Samanta. Ai! Não consegui ver uma melhora, porque simplesmente entendi que ela não vai mudar. Por isto que eu estou mudando. Depois que me rendi aos seus encantos, já mudei muito Carmem. – Patrícia explicou pegando a bolsa junto com a chave do carro. – Vamos!
- Sim. – Respondeu seguindo-a.
O restaurante onde elas foram foi sugerido por Carmem. Assim que entraram e sentaram, Patrícia olhou envolta comentando encantada.
- Nossa, é lindo aqui! Você vem sempre?
- Sim, sempre! – Respondeu olhando envolta. – Aprecio demais este lugar!
- Sozinha?
- Às vezes com o padre, com minha prima e de outras sozinhas. Apenas venho, pois gosto de lugares assim.
- Entendo.
- Uma mulher solteira sempre tem o que fazer para ocupar seus dias. Para que eles não sejam solitários ou vazios.
- O que faz além de jantar fora e passear?
- Atualmente trabalho administrando os bens que herdei. Antes eu apenas bordava, cuidava da casa, lia muito e via televisão. As coisas mudaram, mudaram muito.
- O padre contou que sua mãe morreu de AIDS.
- É verdade, foi muito difícil depois que ela adoeceu. Meu pai a contaminou.
- Ele ficou sabendo que fez isto?
- Ah sim, mas só no enterro dela quando ele perguntou do que ela tinha morrido. Levou o maior susto. Disse que iria procurar um médico. Ele não fazia à menor ideia do que tinha feito.
- Que absurdo isto! As pessoas não se cuidam mesmo. Imagine ele não saber disto? Que contaminou a esposa com tantas campanhas sendo feitas por aí? Acho realmente o fim.
- Ele disse que tinha outras parceiras. Que viajando a trabalho transava com estranhas. Perguntei se não usava camisinha, ele disse que nunca usou.
- Que coisa horrível! Coitadas das esposas de homens como ele! Coitadas mais ainda das mulheres que aceitam sexo sem proteção. – Patrícia comentou chocada.
- E das mulheres que transaram com ele, né? Por que nesta altura já devem ter contaminado outros.
- Nem me fale.
Patrícia tomou um gole do vinho na sua taça e ao erguer a cabeça deu de cara com uma das modelos que desfilavam para Samanta. Não lembrou o nome dela e ao vê-la abrindo um largo sorriso e se aproximando, ergueu-se para cumprimentá-la.
- Que prazer te encontrar aqui! – A modelo falou beijando o rosto dela. – Adoro este restaurante! A comida é divina!
- Estou conhecendo hoje. É bom te ver.
- Não me apresenta sua amiga?
- Carmem? Esta é...
A modelo a olhou sorrindo divertida ao perceber que Patrícia não se lembrava do seu nome.
- Ainda bem que nunca dormimos juntas, seria imperdoável não recordar meu nome depois. Sou Simone! É um prazer conhecê-la Carmem.
Carmem trocou dois beijinhos com a moça voltando a sentar. Patrícia ficou olhando-a sem saber o que fazer. Devia ter previsto algo assim, mas não tinha porque se esconder de ninguém. Por isto comentou o mais tranquila que pôde:
- Samanta retornou hoje de viagem, estava cansada, você sabe como é.
- Sim claro! É completamente natural! – Simone sorriu gostosamente lançando um olhar indiscreto para Carmem. – É perfeito ter uma boa amiga para essas horas. Tomará que ela cuide bem de você até o dia amanhecer.
- Ah...
- Vocês me deem licença, minha namorada esta esperando. – Avisou acenando e afastando-se da mesa delas.
Patrícia sentou comentando séria.
- Ela vai contar para Samanta.
- E agora?
- Agora já aconteceu. Estou num local público tomando um vinho. Não devo nada para essa modelo! Elas já falam mesmo de mim, tanto faz! Estou dando motivos para o povo. Bem no fundo sei que não vou poder esconder por muito tempo. Não estou feliz com essa situação. Estou pensando em uma forma de contar para sem causar tantos estragos. Acho difícil porque traição é muita sacanagem. Não gostaria de perder a amizade de Samanta. Agora já nem sei se mereço ter a amizade dela. A verdade é essa. Estou adorando nossos momentos juntas, mas me sinto uma sacana.
- Imagino! Não deixa de ser uma situação desagradável.
- É muito desagradável sim.
- Posso te perguntar uma coisa Patrícia?
- É claro que pode. – Respondeu sorridente.
- Você amou Samanta?
Patrícia ficou séria olhando-a nos olhos desta vez.
- Eu sabia que você iria me perguntar isto. É uma pergunta difícil. Sei que a amei sim, mas depois que te conheci meus sentimentos foram mudado mais a cada dia. Estou apaixonada por você. Quando o telefone toca não é mais em Samanta que eu penso, é em você.
- Está apaixonada por mim? Meu Deus! Estou tão feliz por ouvir isto. Então você deixou de amá-la!
- Para ser muito sincera não sinto mais nada como sentia antes. O que eu sei é que te desejo demais e isto está me perturbando terrivelmente. Porque me tornei irresponsável. Porque estou preferindo estar com você a estar com ela e porque terei que resolver essa situação o quanto antes. Mais do que nunca penso demais naquela frase: “Quem ama não trai.”
- Eu entendo.
- Pois é! Não vai ser fácil, mas vou encarar o problema de frente.
- Depois do jantar acho melhor ir dormir na minha casa.
- Quero que durma comigo. – Patrícia respondeu resolvida.
- Provavelmente ela vai aparecer amanhã bem cedo e não poderia pular daquela janela. Já pensou nisto?
- Já pensei sim. Você vai sair às seis da manhã. Amanhã será um dia decisivo.
Carmem ficou olhando para ela com o coração apertado. Achava aquela situação horrível. Não gostava de forma alguma, mas entrou naquele relacionamento sabendo que Patrícia era comprometida. Não se sentia no direito de cobrar nada. Ou aceitava ou saia da vida dela. Por isto sorriu respondendo.
- Entendo você e percebo, embora você não fale que está muito sufocada. Sinto você pensativa, apreensiva e triste.
- Estou feliz com você, mas me sinto arrasada por causa de Samanta. Ela não merece essa traição. Já pensei mil vezes que deveria ter terminado com ela antes de ter alguma coisa com você. Não consigo me perdoar. Simplesmente não sei como contar isto para ela. Só que vou contar. A coisa mais digna que posso fazer agora é terminar o relacionamento. Não quero viver com este peso dentro de mim.
- Lamento que tenha sido eu a te levar a essa traição.
- Independente disto eu traí! O fato é este. Agora eu sei que não existem desculpas para uma traição. Vivo sempre me buscando, tentando compreender tantas coisas dentro de mim. Sentimentos, falhas, posições, escolhas. Agora traição não estava entre as minhas buscas e questionamentos, porque sempre pensei que jamais seria capaz de trair. Agora que o fiz percebo que menti para mim mesma. Antes de tudo, enganei a mim mesma. Eu me fiz de boba!
- Patrícia? Nós seres humanos somos passíveis de erros. Sabe que pecamos. Estamos neste mundo e as tentações sempre existirão. Você sabe disto. Eu amo você! Este amor para mim já é antigo. Você só soube dele porque o confessei. Não vou negar que quero você para mim. Não estou te pressionando a tomar nenhuma posição por minha causa. Não quero parecer uma santa aos seus olhos dizendo que não sinto ciúmes da sua namorada. Pensei inúmeras vezes como tudo seria mais fácil se você fosse solteira. Até me condenei por não ter aproximado de você antes. Mesmo assim, antes de começar a namorar Samanta você já gostava dela. De uma forma que detesto ter que falar, você desejou a mulher da sua melhor amiga. Sim! Eu sei por que o padre me contou. Quando diz que se fez de boba afirmando que não traia, você traiu sim, você traiu Bruna. Pode ter sido em pensamento, mas traiu. Você percebe isto? Entendeu o que eu disse? Se não foi uma traição física, foi mental. Você traiu a sua melhor amiga. Não deixa de ser uma traição. Não estou te julgando, apenas falando a verdade dos fatos.
Patrícia engoliu em seco sentindo os olhos se enchendo de lágrimas.
- É isto, vê? Traí Bruna sim. Ainda assim fiz de tudo para não ir para a cama com Samanta quando ela ainda estava viva. Fui fraca correspondendo alguns beijos. Sei disto! Céus! Como sei de tudo isto! Traí Bruna e agora Samanta. Sei o quanto lutei para resistir ao desejo da carne, a força dos sentimentos tanto com Samanta e depois com você. Saber que me enganei dói muito também. Preciso admitir para mim mesma que sou humana. Que sou capaz de trair como todo mundo é. Nunca fui e nem serei diferente. Não sou especial. Sou apenas uma mulher que também erra.
- Já que você admite não se culpe tanto. Admitir já é um grande passo. Se eu te pressiona-se seria pior. Não quero fazer nada mais errado do que já fiz. Não desejo que o nosso relacionamento tenha alicerces sobre mentiras e negações do passado. Se formos verdadeiras uma com a outra evitaremos muitas decepções.
- Você tem toda a razão. Sei que não está me pressionando Carmem. Minha preocupação maior agora é com Samanta. O que isto vai fazer com ela. O mal que estou causando pode ser irreparável. Ela não vai querer nem a minha amizade. Por incrível que parece, sinto no fundo da minha alma que ela poderia ser uma grande amiga. Tenho muita estima por ela. Tenho um carinho imenso. O que mais me assusta é que venhamos a ficar inimigas. Estou certa que se fosse ela que estivesse me traindo, creio que talvez eu não fosse capaz de perdoar. Da mesma forma acho que ela não irá me perdoar. Isto dói muito. Você não faz ideia como dói. Em meio a tudo estou lutando para não ser egoísta. Não tanto quanto estou sendo. Porque não posso ser mais fdp do que já estou sendo!
- Ainda assim, seja condescendente consigo mesma. Estou do seu lado e irei te apoiar em tudo.
Patrícia sorriu sentindo o coração um pouco mais leve. Pediram o jantar neste momento.
Depois voltaram para o apartamento deitando juntas. Carmem abraçou Patrícia pedindo carinhosa.
- Não precisamos fazer amor. Sei o quanto você está triste. Vamos ficar assim abraçadinhas. Vou apenas te dar carinho.
- Obrigada Carmem. Obrigada por entender meu estado de ânimo.
- Ah Patrícia! Tudo seria tão mais fácil se nós entendêssemos que temos limites. Que a tristeza não dá lugar ao prazer. Que somos limitadas e humanas demais para não sentir nossos desmoronamentos internos. Vamos ficar assim. Feche os olhos. Vou proteger você meu amor.
Patrícia fechou os olhos deixando as lágrimas escorrerem. Carmem ficou abraçada a ela acariciando seus cabelos, seu rosto, enquanto falava palavras doces até fazê-la dormir.

Como foi combinado aconteceu, Carmem saiu às seis da manhã.
Para surpresa de Patrícia, Samanta apareceu às seis e meia da manhã. Ela estava saindo do banho. Entrou no quarto dando de cara com Samanta parada ao lado da cama.
- Bom dia Samanta! Que surpresa! Caiu da cama?
- E você? Caiu também da sua? – Samanta perguntou sem responder ao bom dia dela.
- Céus! Acordou de mau humor? – Patrícia perguntou indo até a cômoda para pegar uma calcinha.
Samanta agarrou o travesseiro perguntando furiosa.
- Que perfume diferente que é este aqui Patrícia?
Patrícia a olhou agitando-se na hora.
- O que é isto Samanta? Pelo amor de Deus! Nem tomei uma xícara de café ainda. Calma! Não sei de perfume nenhum não!
- Ah você não sabe que este perfume aqui é um Chanel? Você pode usar qualquer perfume, mas Chanel você não usa!
- Chanel? Que coisa mais démodé, aí Samanta! Espera só um pouco para começar a brigar...
- Você passou a noite com outra mulher! Aí meu Deus eu estou perdendo a cabeça! Vou dizer coisas que você não vai gostar de ouvir. Estou a ponto de...
- Querida? Não faça assim! É cedo para todos estes gritos. Não aguento mais estes seus ataques. Vou vestir uma roupa e preparar um café delicioso para nós. Estou faminta!
- Faminta? Acordou faminta assim porque deve ter gastado muita energia com...
- Acho bom você parar com isto. Não posso nem sentir fome? Pare, mas pare mesmo!
- Patrícia eu te amo, mas estou ficando louca imaginando você com outra mulher. Por favor, nem tenho dormido. Eu...
- Calma! – Patrícia pediu baixo aproximando e dando um abraço nela. Mas Samanta a empurrou para a cama arrancando a toalha do corpo dela com um puxão só.
Então deitou sobre ela beijando-a enlouquecida.
- Preciso ter você! Preciso te sentir! Eu te amo...
Patrícia correspondeu ao beijo deixando-a descer em seguida à boca alucinada pelo seu corpo. Fechou os olhos e só conseguiu ver a imagem de Carmem na sua frente enquanto Samanta abria suas pernas mergulhando a boca ali.
Patrícia afastou-se de Samanta silenciosamente uns vinte minutos depois. Começou a se vestir muito quieta, fingindo não notar o olhar insistente de Samanta sobre ela.
- Você mudou! – Samanta falou deixando a cama ansiosa enquanto recolhia sua roupa caída ao chão e vestia.
- Mudei sim Samanta. Muito mais do que eu gostaria de ter mudado. – Patrícia respondeu de costas para ela.
- Olhe-me nos olhos!
- Olho sim. – Respondeu voltando-se para ela.
- Você estava fria e distante. Mal se excitou. Quero saber quem é ela Patrícia!
- Para quê precisa saber quem é?
- Tenho este direito não tenho?
- Por favor, assim não! – Patrícia pediu meiga. – Eu me apaixonei por outra pessoa. Aconteceu e eu não consegui resistir.
- Assim? Simplesmente apaixonou por outra? Só deixou de me amar?
- Eu gostaria de mandar no meu coração, mas ele não me obedece mais.
- Você está me traindo e eu sentia isto. Você não presta! É uma vagabunda! Simone me ligou ontem, sabia? Contou-me que você estava com Carmem no restaurante. Eu sabia! Desde a primeira vez que vi aquela mulher soube que ela era um perigo. Ela te seduziu! Deu em cima de você até conseguir te levar para a cama! Sei que foi assim. Sei que você está encantada com a beleza dela.
- Estou apaixonada por ela e não nego que estou encantada. Eu não sei como falar sobre isto para você, aliás, não devo porque só irei te ferir mais.
- Eu simplesmente morri no seu coração? Como é isto? Por quê? Ai! Não entendo toda essa frieza. Assim de repente tudo se acabou? Que coisa triste! Horrível de sentir.
- Adoro você Samanta, mas não posso seguir com isto. Não me sinto bem indo para cama com você e com ela. Temos que terminar porque eu não quero te machucar, juro que não quero. Não quero magoar você, Carmem e não quero me magoar também. Eu não esqueci as coisas que nós duas vivemos. Guardo tudo em meu coração com imenso carinho. O seu ciúme Samanta, ele foi demais e eu nem percebi quando comecei a deixar de te amar. Senti-me péssima te traindo, mas estava pensando numa forma de te contar sem te ferir. Por isto não deixei que você dormisse aqui ontem. Pode não acreditar, mas aproveitei para pensar como iria te contar.
- Você iria me contar? Quando? Daqui a um ano?
- Acha que é fácil contar uma traição? Você acha que estou me sentindo maravilhosa com o que te fiz? Acha que não tenho sentimentos? Samanta? Estou péssima comigo mesma! Não fui uma sacana com você porque eu quis. Não consegui evitar! Lamento muito. Lamento mesmo.
- Realmente acho que não é fácil contar não. Fácil é trair e ficar mentindo. Fazendo-me de boba! Dar uma de esperta é muito mais fácil para você.
- Acha mesmo que não estava preocupada por estar te traindo? Pensa de fato que não estava tentando encontrar uma forma de falar sem te deixar arrasada? Sabia que iria te magoar. Acha que não tenho acordado várias vezes a noite agoniada com isto?
- Você afirmou que não era mulher de trair! Logo você que era tão verdadeira, sem complicações e natural? Porque foi este seu lado que eu conheci. Eram só mentiras para me pegar? Você inventou uma pessoa que não é?
- Não inventei nada. Muito menos era mentira. Acreditava mesmo que nunca iria trair. Acredito que não me conhecia direito neste ponto. Pode acreditar que não estou feliz com a minha traição.
- Uma coisa é certa, você é uma mentira Patrícia! A mulher que vive indo a igreja, que reza todos os dias, faz caridade e prática o adultério! Claro, grande parte das pessoas que ficam enfiadas em igrejas estão lá tentando aliviar suas consciências dos pecados terríveis que cometem todos os dias. São pecadores disfarçados de religiosos! Você é como eles! Este seu Deus é só uma desculpa para andar livre por ai e me trair. Porque Deus não existe! É uma mentira! Tudo é uma mentira! Você é a maior das mentiras que já conheci.
- Sei que está magoada, mas não fale assim. Não se volte contra Deus. Eu te amei. Te amei muito e lamento que o amor tenha se cansado. Lamento que tenha acontecido desta forma feia. Lamento ter sido tão suja com você. Porém pode acreditar que gosto muito de você. Sou e serei sempre a sua amiga. O que você precisar estarei sempre do seu lado. A minha consciência está acabando comigo. Nunca se quer imaginei que o efeito de uma traição fosse tão devastador.
- Ah sei! Que coisa! Então você está tendo consciência agora! A vagabunda tem consciência?
- Não sou uma vagabunda e você sabe disto. – Patrícia respondeu com tristeza.
- Não! Você é uma rameira! Bem pior do que uma vagabunda! Odeio você! Odeio e odeio!
- Calma...
- Vá para o inferno! Você e ela! Que se danem... Ai que ódio! Preciso sair daqui antes que eu faça uma besteira. Minha vontade é de bater em você até...
Patrícia ficou imóvel olhando-a chutar uma cadeira que estava próxima a ela.
Estendeu a mão dizendo preocupada.
- Eu sei o que está sentindo, só queria que fosse diferente, mas...
- Inferno! Você é um inferno na minha vida! Eu espero, espero realmente que ela faça o mesmo com você. Que coloque um monte de chifres na sua cabeça! – Explodiu abrindo a porta e saindo enlouquecida.
                                    Continua...